Sede dos Caveiras Motoclube de Paiçandu

O Nikdutra me mandou as fotos da sede do MC que ele faz parte, o Caveiras Moto Clube de Paiçandu, Paraná. E meu amigo, eu fiquei de queixo caído, o lugar parece saído de um filme clássico. E o mais legal: foram eles quem botaram a sede de pé, juntos.

Ele escreve:

Não, você não está no Velho Oeste… Conheça a Club House dos Caveiras Moto Clube de Paiçandu, Paraná.

A ideia da sede surgiu de um sonho entre os integrantes de fazer um espaço que pudesse reunir o clube, os demais amigos e simpatizantes da região de forma agradável e bem caracterizada com toda a ideologia de respeito, humildade, irmandade e vida Old School. Mas todos sabiam que tinha um grande desafio pela frente: a Construção.

Foi então que, diante meses de trabalho pelos próprios integrantes, trocando finais de semana, eventos, viagens, todo tempo livre e com a doação de Pallets junto com a aquisição de madeiras estruturais o sonho foi ganhando vida.

A Sede foi inaugurada no mês de abril de 2015 e atualmente cultua eventos e toda quarta e sábado abre para visitantes tomar aquela gelada, além de outras bebidas. Tem área para camping e qualquer pessoa será bem recebida, só estacionar a motoca e chegar junto.”

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Yamaha DT zero quilômetro?

Talvez não seja novidade para muitos de vocês, mas só recentemente fiquei sabendo que em alguns países da América Latina ainda dá para comprar uma DT zero quilômetro e com motor dois tempos!

Essa é uma moto que deixou muitas saudades em toda uma geração. Mas sempre achei que nunca mais veria um nova, já que os motores de 2T  não são “ecologicamente corretos” e têm enorme dificuldade de se adequarem às normas de emissão de poluentes (pra não dizer que são impossíveis de se adequarem em alguns casos).

Confesso que fiquei assim quando vi esse vídeo:

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Gostaria muito de ver o que o pessoal da Bendita Macchina faria com uma dessas. Considerando o belíssimo trabalho que eles fazem com uma Fazer 250 (foto abaixo) ou com as 125cc, uma DT deles é algo que eu acho que muitos pagariam pra ver:

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BH Riders na estrada

Enquanto eu apanho pra conseguir um tempo livro e tirar algumas fotos pra postar no Instagram do Old Dog Cycles, o Marcio Vital continua à todo vapor com seu projeto BH Riders e suas excelentes fotos.

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E como quem curte fotografia sempre tem um fetiche em ver o equipamento que os outros usam, o Marcio postou uma descrição de tudo o que ele usa no BH Riders. Ele escreve:

A GoPro uso para as fotos em movimento na moto.

A S100 é uma compacta bem bacana, que tem uma qualidade de imagem muito boa por conta do seu sensor de imagem que é um pouco maior que o da maioria das máquinas compactas. Além disso é uma máquina com todos os controles manuais, possibilitando o controle total dela caso seja necessário. É uma máquina que uso as vezes quando estou com preguiça de levar o trambolho que é a 5D.

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Tenho várias objetivas, mas geralmente uso a 24-70mm para fotografar as motos, pois é uma objetiva versátil e com ótima qualidade de imagem. Geralmente nos passeios só levo ela, até para evitar ficar carregando muito peso.

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O Marcio também usa uma camera de médio formato, que me faz babar. Eu também fotografo com filme de vez em quando, mas nada que chegue perto da beleza que é isso aqui:

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Confira essas e muitas outras fotos em http://bhriders.com.br/

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Todas as fotos © Marcio Vital

Alguma das motos mais lendárias do cinema


DIY Motorcycle Maintenance - TitleMax.com - Infographic

Interessante esse infográfico feita pela TitleMax. Particularmente, gostaria de ter uma moto de cada na garagem, especialmente a do Akira. Tenho uma mórbida curiosidade de saber como seria pilotar uma esportiva onde você fica sentado com jeitão de custom. Ela é uma das motos mais irreais, mas também interessantes, do cinema.

Infelizmente muitas outras lendas ficaram de fora dessa lista. Uma das minhas favoritas e ausentes daí é a FXR do filme Harley-Davidson and Marlboro Man e a XLCR do filme Chuva Negra.

13 coisas que aprendi com meu namorado motociclista

O texto abaixo é uma colaboração da leitora Jaqueline Ribeiro.

Muitas surpresas estão à espera daquelas que sem planejar acabam se tornando namoradas de motociclistas. E nem estou falando sobre velocidade, adrenalina, perigos ou todas aquelas coisas que nossos pais usam como justificativa para nos proibir de andar de moto quando somos mais novas.

Me refiro à descoberta de um mundo que poucas namoradas têm acesso, que é um mundo de extremo companheirismo e uma segurança diferente, que somente quem vive essa experiência é capaz de sentir.

Dedico esse texto à todas àquelas que ainda não tiveram o prazer de entender a importância da palavra “garupa” na vida de um motociclista. Também aquelas que compartilham do meu sentimento pois sabem do que estou falando ;)

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1. Moto não é lugar de roupa curta
Nem pra ele, nem pra gente. Não é por questão de estética, mas sim de segurança. Por mais que esteja calor, é necessário usar roupas que protejam o corpo em caso de situações inesperadas que não dependem só da condução do motociclista. O ideal seria utilizar roupas próprias para viagens de motos, principalmente ao pegar estrada, mas, se não tiver, ao menos usar uma calça, bota e jaqueta que protejam o corpo.

2. Ele não prefere a moto
Assim como nós, ele quer ao lado dele uma pessoa parceira. E ser companheiro é estar junto do outro em tudo aquilo que o faz feliz. Tudo bem se a namorada não gosta de moto ou tem medo… Só não é justo proibí-lo de pilotar ou ficar emburrada quando ele sair sozinho. Afinal de contas, todos temos nossas paixões e queremos que o outro participe delas conosco.

3. “A felicidade se encontra nas coisas mais simples da Terra”
E não é que o Armandinho tinha razão? Em nosso caso, a gente se dá conta disso quando percebe que para viver uma boa aventura de moto não é necessário se produzir toda ou usar roupas da moda. Isto porque, aquela roupa de proteção e/ou de chuva vai fazer parte dos nossos “looks do dia” mais do que a gente imagina. O “onde” se torna mais importante do que o “como estamos vestidas”.

4. A gente acaba ganhando um “filho”
Calma, eu explico! Estou falando do capacete, que passa a ser companheiro fiel independente da ocasião. Mas a gente se acostuma com a presença dele inclusive em refeições de encontros românticos.

5. Esqueça os penteados
Simples assim. O capacete acaba com qualquer coisa bacana que a gente faz no cabelo. Mas pelo menos ficamos com um charme que é só nosso. Principalmente aos olhos dele. Hehe

6. Frescura não tem vez
Pelos motivos anteriormente citados, a gente aprende a levar uma vida mais leve e aproveitar as coisas que realmente importam. Longe do luxo e ostentação aprendemos a admirar as coisas como elas são.

wpid-wp-14198976888947. É inevitável pesquisar sobre motos
Pois é, esse assunto pauta muitas das conversas do casal e ninguém gosta de estar por fora de um assunto que agrada a pessoa que a gente ama, né?! Além disso, por muitas vezes somos companhia para assistir aquele “motovlog” que ele tanto gosta.

8. Uma moto une as pessoas
Simplesmente porque a segurança dos dois depende da harmonia que precisa rolar a cada curva. Mesmo estando brava com ele por algum motivo, a gente acaba se rendendo à sintonia que o momento pede.

9. É preciso aprender a driblar o sono
Principalmente para aquelas que, como eu, só de pegar uma estrada boa, numa velocidade constante por muito tempo, os olhos já começam a fechar… Dica: Cantar uma música ajuda, rs.

10. Capacete pode ser sinônimo de reconhecimento
Se quando o assunto é Playstation, dar o play 1 para a pessoa amada é prova de amor, no mundo das motos, sortuda é quem anda com o melhor capacete, geralmente o do namorado, que gentilmente cede pra gente como demonstração de reconhecimento e cuidado.

11. Ser garupa numa custom é para as fortes!
Já diz o velho ditado: “tudo tem seu preço”. No caso de uma custom, a beleza e estilo da moto escondem a dureza e desconforto que é ser garupa por muito tempo. De vez em quando é necessário dar uma ajeitadinha no corpo para relaxar os músculos, mas nada que um bom descanso depois não resolva! (Se pedir com jeitinho, ele faz uma pausa para esticarmos as pernas)

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12. Eles não esperam que nos tornemos pilotas de moto
Não é preciso ficar encucada achando que o namorado espera que a gente se torne motociclista e compre nossa própria moto para o rolê ficar mais interessante. É claro que seria bacana se isso acontecesse, mas, o que importa mesmo é o valor que eles dão por ter uma garupa parceira!

13. A gente descobre uma nova paixão
A menos que haja traumas ou um medo absurdo de andar de moto, a gente se apaixona pelo prazer e sensação de liberdade que um passeio de moto proporciona. O fato de vivenciar isso coladinha nele deixa tudo mais gostoso!

Sobre a autora
Jaqueline tem 24 anos, é Jornalista e, quando se deu conta, estava imersa no mundo das motos. Graças ao namorado, ela descobriu uma paixão que surgiu naturalmente, fruto das sensações que ele trouxe à vida dela.

Crítica: 21 Days Under the Sky

Aparentemente eu sou a última pessoa no mundo da internet a falar sobre o filme 21 Days Under The Sky, disponível na Netflix. Perdi a conta de quantas pessoas entraram em contato comigo pela página do Old Dog Cyles no Facebook para dizer o quanto gostaram dele.

E a verdade é que eu também gostei do filme, mas talvez não tanto quanto os leitores aqui. Ele é um bom filme, mas acho que ele perdeu uma grande oportunidade de ser um ótimo filme.

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O lado bom

21 Days Under The Sky conta a história de quatro pessoas que decidem cruzar os Estados Unidos de ponta a ponta em motos vintages. Eles vão de São Francisco até Nova York para participarem do Brooklyn Invitational, uma das exposições de moto mais alternativas e exclusivas do mundo.

É um filme/documentário produzido pela Dice Magazine, que dispensa comentários. Ela é um excelente fonte de informação sobre customização, especialmente quando o assunto são os estilos mais undergrounds e californianos.

O filme é narrado por ninguém menos que Robert Patrick, que dá um tom completamente poético em sua locução. Para quem não se lembra, ele é o ator que interpretou o T1000 do filme “O Exterminador do Futuro 2” e é também o pai do Johnny Cash em “Walk The Line” (ambos filmes fodásticos na opinião deste que vos escreve).

E qual a relação dele com o mundo das motos? Ele é membro dos Boozefighters MC, um dos MCs mais antigos do mundo em atividade. Você pode saber um pouco mais sobre eles neste post aqui.

Fotos: Amanda Demme
Fotos: Amanda Demme

A trilha sonora do filme foi muito bem acertada, criando o clima perfeito pra uma road trip. Quem tem Spotify pode encontra-la facilmente na íntegra. É o tipo de som que faz você querer pegar a estrada, imediatamente.

O ruim

O filme é um produto da estética hipster e de produtos criados para os millenials. Apesar de gostar bastante de muita coisa que sai dessa galera, 21 Days Under The Sky sofre de um grande mal comum de produções dessa geração: é um filme vazio, priorizando a forma sobre o conteúdo e colocando imagens bonitas e bem acabadas no lugar de momentos reais.

É fácil notar isso quando, depois de quase 90 minutos de filme, você passa a perceber que não sabe absolutamente nada sobre os quatro amigos que decidiram cruzar a América juntos. O que os motivam, quem eles são, o que estão achando do desafio. O que é uma pena, porque muitos deles são personagens interessantes, como o fotógrafo Josh Kurpius, que eu já mencionei diversas vezes aqui.

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Foto: Josh Kurpius

Ao invés disso o que o filme decide mostrar são apenas os momentos mais “estéticos”, cenas que servem apenas para criar um clima, ao invés de mostrar o que realmente está acontecendo entre eles.

Não vemos laços se formando, não vemos conversas de beira de estrada, nada. Tudo vira um grande vídeo clipe permeado por uma estética dos anos 70 (reforçada pelas motos e pela vestimenta dos personagens) ao invés de se tornar um verdadeiro road movie.

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Às  vezes o filme parece forçar a barra em parecer cool. Todo mundo jovem e atraente, fazendo um esforço consciente para parecer desleixado. Como na cena que um deles espera a namorada com cara de modelo fashion costurar sua calça, como se aquela fosse a única que ele possuí. Pra mim, uma únicas cenas realmente autênticas foi ver um deles quase derrubar a moto quando a moto tombou com a bagagem.

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A locução, apesar de impecável, tentar dar ao filme um caráter épico que não combina com o que está acontecendo em cena. Eles não estão fazendo absolutamente nada de revolucionário ou corajoso, criar poemas beatnicks sobre os quatro amigos na estrada é um pouco de exagero.

Ok, eu entendo que cruzar os EUA em uma moto vintage é divertido. Mas dizer que fazer 3.800km em 21 dias em um país com estradas magníficas e bastante seguras é algo “para os corajosos e bravos” é uma enorme bobagem. Tem leitor aqui do blog que percorre essa distância em menos de 4 dias ou passando por lugares muito piores e com bem mais improviso. É só ver a história do Filipe que está indo até o Alasca e do Arthur que foi de Tubarão até a Costa do Chile sozinho.

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Outra coisa um tanto forçada foi a cena psicodélica deles fumando maconha em um bong. Ah, peralá… Quem fica doidão daquele jeito por causa de cannabis? A tentativa de replicar a viagem de ácido ao final do filme Easy Rider com uma droga que atualmente é legalizada para uso medicinal e recreacional em alguns estados é só mais uma tentativa de parecer ousado.

E quando eles, finalmente depois de toda essa viagem (sem trocadilho), chegam ao Brooklyn Invitational… O FILME ACABA!

Confesso que isso me revoltou. Além de Nova York ser uma cidade bem legal, especialmente o bairro do Brooklyn, o evento é muito bom e merecia aparecer no filme.

Afinal, foram 21 dias pra chegar lá, não?

O veredito

É um ótimo videoclipe, com belas motos e belíssimas cenas. Mas acaba se levando à sério demais, o que é uma pena. Em busca da autenticidade, a primeira coisa que desapareceu no filme foram justamente os momentos autênticos.

Dou três de cinco cervejas.
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Filmes legais de moto que (talvez) você não tenha visto

A novas Scramblers (e o que é uma Scrambler?)

A moda retrô é algo que tem influenciado diversos segmentos do mercado, de câmeras fotográficas a até motocicletas. E depois da febre das cafe racers, as montadoras agora parecem ter redescoberto as scramblers.

Essa semana a BMW anunciou a sua, enquanto que a Ducati lançou seu modelo ano passado com bastante estardalhaço. E graças a uma combinação de agilidade, torque e preço, a Ducati Scrambler se tornou um sucesso de venda em alguns países e tem se tornado uma moto bastante customizada por aí.

Ducati Scrambler, um sucesso de venda em diversos países
Ducati Scrambler, um sucesso de venda em diversos países

Mas o que é uma Scrambler?

A definição de scrambler é bem simples: elas nada mais são do que as avós das motos que hoje costumamos chamar de trilha ou enduro.

O nome veio da expressão “to scramble”, que é quando se sobe uma colina rapidamente usando os pés e as mãos. O apelido surgiu nos anos 50 para batizar as motos adaptadas para corridas do tipo enduro. Nelas, os pilotos colocavam pneus para terra, escapamento mais alto e um guidão mais largo com aquela característica barra na parte superior, que evita que ele entorte nas frequentes quedas do off-road.

Mais tarde, nos anos 60, os fabricantes passaram a adotar o termo e lançar suas versões já prontas de fábrica, sendo um dos maiores expoentes daquela época a clássica Triumph Scrambler.

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BMW R Nine T Scrambler

O mais recente lançamento desse estilo é a BMW Nine T Scrambler. A moto tem as mesmas características da Nine T original, com seu motor boxer dois cilindros de 1200cc a ar, gerando 110cv de potência. O modelo inclui algumas mudanças, como o escapamento mais alto, alterações no quadro e suspensões, sanfonas na bengala entre outras perfumarias.

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Infelizmente, a BMW R Nine T convencional não está mais à venda no Brasil (suspiros… eu gostava dessa moto), por isso a marca não tem planos de trazer a versão Scrambler para cá.

Curiosamente, a Ducati está fazendo justamente o oposto, com uma campanha bem agressiva para vender a sua Ducati Scrambler no Brasil, enquanto que a Triumph também voltou a oferecer a sua já conhecida Triumph Scrambler por aqui.

Parece que as Scramblers vieram para ficar. E vocês, o que acham do estilo?

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Moto autuada a 250km/h. E daí?

Do Estadão de hoje:

A 250 km/h, moto no RS atinge a maior velocidade do ano em rodovias federais

PORTO ALEGRE – A Polícia Rodoviária Federal (PRF) do Rio Grande do Sul flagrou neste domingo, 10, uma moto a 251 km/h na BR-290, conhecida como Freeway, no trecho entre os municípios de Osório e Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre. Conforme a PRF, este foi o recorde de excesso de velocidade em rodovias federais de todo o País neste ano. Até então, o maior índice registrado havia sido de 229 km/h por uma moto no Estado de Goiás.

Toda vez que eu vejo uma notícia dessas, eu penso como as nossas autoridades devem estar alheias ao que acontece nas nossas estradas. Em seis meses a maior velocidade registrada no Brasil inteiro tinha sido 229km/h?

Peço desculpa as autoridades, mas ou vocês estão cegos, ou a galera é muito esperta, ou é algo bem pior que isso. Porque esse tipo de velocidade é o que mais acontece por aí. Se isso ainda é notícia pra vocês, é porque estão passando batidos vários e vários outros casos.

Aqui em São Paulo, tem racha de superesportivo na Rodovia Castelo Branco com carros que chegam a 300km/h. Antigamente tinha na própria Marginal Pinheiros, com carros passando dos 250km/h dentro da cidade.

Todo final de semana, na Rodovia dos Bandeirantes, tem esportiva batendo os 300km/h. Todo… Santo… Domingo. Inclusive, já vi algumas delas passando por mim enquanto eu estava parado na blitz pra verificarem o selinho do meu capacete.

(Mas eu entendo perfeitamente, o meu AGV sem selo ou o Bell aberto do meu amigo são o verdadeiro perigo pra sociedade.)

Se vocês duvidam de mim, é só abrir o YouTube e digitar 300km/h ao lado do nome de alguma estrada ou rodovia famosa. Vai ter vídeo para todos os gostos (uma curiosidade: aqui no Brasil ninguém pode ser preso por causa de um vídeo desses, enquanto que no Canadá, EUA e França tem gente puxando cadeia por ter postado vídeos assim).

Só na primeira busca, já achei um vídeo de um cara a 300km/h e que ainda acha engraçado tirar fina de ciclista no acostamento.

E esse é outro aspecto peculiar da internet. Se o vídeo postado não tem morte nem acidente, o cara é um herói. Ganha facilmente 100 mil inscritos e todos os comentários são sobre como o sujeito pilota muito.

Mas se o cara matar alguém, aí vira comoção nacional! Querem colocar o cara numa fogueira em praça pública. Só que, muitas vezes, são as mesmas pessoas que deram jóinha e elogiaram vídeos dessas peripécias.

O cara no vídeo andando nessa velocidade pode até ser o melhor piloto que o Valentino Rossi, mas nas ruas isso não quer dizer nada. No autódromo não tem criança correndo atrás de bola, carro quebrado no acostamento, poça de diesel, areia ou pai de família levando os filhos. Em um autódromo, o maior provável de morrer é o piloto, enquanto que nas ruas ele pode levar uma família inteira junto.

“Ah, até parece que moto vai matar alguém! O cara morre sozinho.” Não, meu amigo, isso é física básica. Um objeto de 200kg andando em alta velocidade é uma bala de canhão. Além do perigo de um atropelamento, é isso o que acontece quando uma moto acerta um carro em alta velocidade:

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É por isso que eu digo: quem dá like, jóinha e estimula esse tipo de vídeo, também é parte do problema. Sem a platéia que a GoPro e o YouTube trazem, muitos desses caras não iam fazer isso.

O que anda acontecendo com o mundo?

Sério: o que anda acontecendo com a nossa sociedade para esse tipo de cena se tornar cada vez mais comum?

O fato ocorreu durante o Memorial Day americano. A Patrulha Rodoviária da Flórida, onde o fato abaixo ocorreu, disse que conseguiu prender o motorista logo após o incidente. Tanto o piloto quanto a garupa foram levados ao hospital apenas com ferimentos leves.

O único consolo é saber que essas motos (pelo menos por enquanto) ainda são fabricadas com metal de primeira. Porque esse carrinho parece ser feito só de plástico…

O The Young Turks fez uma matéria um pouco mais completa sobre o assunto (em inglês).