Mais discussão sobre a bandeira Confederada

Nos EUA, a discussão sobre a bandeira Confederada ficou mais tensa desde o dia em que escrevi o post “A Bandeira Confederada e as motos“. Um exemplo foi a famosa série Dukes os Hazzard, que foi retirada do ar pelo canal TV Land por causa do “extenso uso de ícones associados à Guerra de Secessão”. Essa é a primeira vez que o show, criado em 1979, sai da programação do canal.

O grupo Warner Bros, responsável pela distribuição e direitos da série, também informou que não irá mais vender merchandising da série que contenha a famosa bandeira. Muitos grupos acusaram o seriado de ter transformado a bandeira em apenas um símbolo de diversão para as novas gerações, excluindo todo o histórico racista dela no seriado.

latestJá o ator que interpretava o mecânico Cooter, atualmente um deputado do Congresso e membro de um grupo chamado “Filhos dos Veteranos Confederados”, disse que irá continuar a vender itens relacionados à bandeira em sua rede Cooter’s. Ele escreveu em seu Facebook: “Nosso amado símbolo está sob ataque de uma onda politicamente correta sem precedentes em nossa nação baseada na liberdade de expressão”, e completou “Eu vou lutar contra essas pessoas até que o inferno congele, e depois eu vou lutar sobre o gelo”.

Enquanto isso, Nikki Haley, Governadora da Carolina do Sul, ordenou que a bandeira seja retirada de todos os prédios públicos do estado, enquanto uma legislação para decidir o assunto está em debate. E a Klu Klux Klan prometeu fazer uma passeata em oposição à nova lei: “A bandeira não é racista, a Klan não é racista” disse James Spears, um dos membros da KKK para o canal MSNBC, “a guerra civil não era sobre escravidão, mas sobre impostos, qualquer livro de história fala isso.”

Meu amigo Gustavo mandou uma foto, retirada do Instagram de uma tatuadora dos EUA, que mostra um pouco do efeito que essa discussão tem causado por lá, especialmente às vésperas das comemorações de 4 de Julho, onde muitos empunham a bandeira Confederada no lugar da oficial americana:

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E o Bruno Rennó mandou um vídeo que anda circulando pela internet em defesa da bandeira, alegando que ela nunca foi a bandeira Confederada “oficial”:

O que o vídeo esqueceu de mencionar é que, apesar da história relatada nele estar corretíssima, foi após o término da guerra que vários sulistas começaram a adotar a versão de batalha da bandeira para chama-la de Confederada. Muitos livros de história e pinturas da época também usam ela como referência, talvez para evitar confusão com as outras que existiram por um breve período.

Vale lembrar que esse tipo de variação era comum, afinal essa era uma época onde as mudanças eram lentas e demoravam a chegar em alguns lugares. Não havia uma versão em Photoshop da bandeira, seguindo algum tipo de brand book, que era distribuída pela internet para facilitar a vida dos confederados…

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Antigos ditados de moto

Um breve compilado de frases, ditados e clichês que circulam entre quem anda de moto. A maioria dessas frases são de muito antes de sequer pensarem nessa coisa chamada internet. Se não gostar de alguma, não adianta vir com mimimi: não fui eu quem as inventou.

Em uma moto não dá para levar tudo o que você quer, mas cabe tudo o que você precisa.

O melhor despertador que existe é o sol no cromado.

Às vezes, a maneira mais rápida de chegar no destino é parar e dormir por uma noite.

A vida começa aos 40, mas fica mais interessante depois dos 120 km/h.

Sempre estacione sua moto de ré na guia e onde você possa vê-la.

Um tanque cheio é o remédio ideal pra esvaziar a cabeça.

Uma moto em um trailer é como um pássaro em uma gaiola.

Se não dá pra consertar com WD-40, duct tape ou arame, então é grave.

Quatro rodas movem o corpo, duas rodas movem a alma.

Pilote até o trabalho e trabalhe para pilotar.

Você começa a vida sobre duas rodas com um pote cheio de sorte, e outro de experiência vazio.

Inseto de noite na estrada tem o mesmo gosto ruim do inseto de dia.

É preciso muito mais amor pra se dividir o assento de uma moto do que uma cama.

A única visão bonita de uma tempestade é a que ficou para trás no seu retrovisor.

Às vezes é preciso uma estrada cheia de curvas para se pensar direito.

Andar mais rápido que todo mundo só garante que você vai andar sozinho.

Nunca hesite em rodar além do último poste de luz da cidade.

Se você não roda na chuva, você não roda.

Uma moto na estrada vale mais do que três na garagem.

Respeite quem viu o lado negro do motociclismo e sobreviveu.

Motociclistas jovens escolhem um destino e vão. Motociclistas experientes escolhem uma direção e vão.

Um bom mecânico não vai cobrar nada para deixar você assistir ele trabalhar.

Qualquer problema fica melhor com seus joelhos no vento.

Boas botas de pilotar não são boas de caminhar.

Às vezes, as melhores conversas acontecem sem palavras, em motos diferentes.

Um bom café tem a mesma cara de um óleo 50w.

Um amigo de verdade é aquele que vem te ajudar quando a moto quebra as duas da manhã no meio do nada.

Não lidere o trem se você está perdido.

Todo mundo cai. Outros voltam. Outros não. Outros não podem.

Se tem moto estacionada fora, a comida dentro é boa.

Couro fino é bonito de olhar, feio de cair.

Sempre troque a peça mais barata primeiro.

Só um motoqueiro sabe o que um cachorro sente quando bota a cabeça pra fora no carro.

Existem dois tipos de pessoas no mundo: as que andam de moto, e as que gostariam de andar.

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A Bandeira Confederada e as motos

Este post foi uma dica do Gustavo Rodrigues e do André Tovar. Vale a pena ler ouvindo Ragged Old Flag, do Johnny Cash.

Apesar da grande mídia estar relatando erroneamente que o tiroteio em Waco, no Texas, foi pelo direito de se usar a bandeira confederada, a verdade é que ela recentemente voltou a pauta de discussão por causa do militante racista que assassinou nove pessoas em uma igreja da comunidade negra na Carolina do Sul. O maluco em questão pretendia que esse ato incitasse uma “guerra racial”.

Isso fez com que ressurgisse o debate sobre o verdadeiro significado dela, e fez empresas como o Wal-Mart e a Amazon suspenderem sua venda, assim como as de artigos relacionados.

Antes de começar, um disclaimer: sou de família Yankee, então escrevo com um certo distanciamento quando falo dos confederados. Em segundo lugar, tenha em mente que o histórico de racismo nos EUA é muito mais complexo e difícil do que qualquer coisa existente no Brasil. Até poucas décadas atrás, em alguns lugares uma pessoa negra não podia frequentar os mesmos ambientes que os brancos, e o sexo e o casamento inter-racial eram proibidos por lei até 1967! Boa parte dos meus amigos e primos nem teriam nascido se isso existisse por aqui.

No Brasil, muita gente a adotou por vê-la nos filmes ou nos MCs de lá. Outros gostaram do apelo que ela tem por ser chamada de “rebel flag”. Mas a grande verdade é que o que ela significa hoje e a suas origens, são duas coisas diferentes.

A origem da bandeira Confederada

Apesar de adorar o tema, não vou dar uma aula de história americana. O resumo mais breve que eu posso fazer é que, entre 1861 e 1865, os Estados Unidos travaram uma guerra civil conhecida como Guerra de Secessão, onde o  norte progressista lutou contra o sul escravagista, que pretendia se separar da União e criar os Estados Confederados da América.

Tudo começou porque o Sul alegava que não poderia manter a agricultura como fonte de renda sem a mão de obra escrava, e foi contra a abolição da escravatura. Estima-se que morreram em torno de 700 mil soldados, sem contar as casualidades civis, em uma guerra que dizimou 2% da população do país, resultando na quebra da infraestrutura do Sul, que precisou se render.

Estados Confederados da América
Estados Confederados da América

Sua função hoje em dia

O Sul americano é, o que nós aqui no Brasil, costumamos chamar de “bairristas”. Apesar da derrota, a bandeira Confederada continuou sendo um símbolo do orgulho e resistência sulistas, e hoje em dia é comumente utilizada em prédios oficiais desses estados. O sulista tem muito orgulho da sua origem, sotaque e tradições, em um conjunto de fatores que eles se referem como sua heritage.

Muitos devem se lembrar de seriados como Os Gatões (Dukes of Hazzard) onde a bandeira era ostentada orgulhosamente no teto do famoso General Lee, um Dodge nomeado em homenagem ao general sulista Robert E. Lee.

Por isso, sim: a bandeira Confederada pode ser vista como apenas um símbolo do orgulho sulista e nada mais. Mas para um yankee, ela também é vista como o símbolo de uma postura racista. Alguns a chamam pejorativamente de bandeira do orgulho redneck.

Isso acontece porque os mesmos estados que participaram da guerra separatista são, em sua maioria, os mesmos estados onde foram criadas as leis racistas e de anti-miscigenação, que perduraram até a história recente. Esses lugares também são o berço de grupos como a Klu Klux Klan, e da tradicional ideia de que se deve enforcar negros em árvores.

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E o que isso tem a ver com motocicletas?

Pelo mundo afora, muitos começaram a achar que ela era apenas um símbolo da rebelião do mundo das motos, por isso passaram a adotá-la, inspirada nos filmes americanos.

O que muita gente não sabe, é que os mesmos MC outlaws que difundiram o uso delas, não permitem negros ou descendentes deles em seus clubes, apesar de negarem veementemente que essa é uma atitude racista.

E como o mundo do rock e o das motos se fundem, muitos também se inspiraram em bandas sulistas como os Allman Brothers Band e Lynyrd Skynyrd. No entanto, algumas dessas bandas a usavam com a famosa atitude de foda-se do rock n’ roll, enquanto outras traziam um pouco desse preconceito em suas letras, mesmo que de forma sutil.

É por isso que é tão curioso para um americano visitando o Brasil ver a bandeira por aqui, especialmente porque ela é usada por pessoas de qualquer tipo de etnia, algo nem um pouco comum por lá.

E aí alguns vão me perguntar: devo ou não usá-la? Não sei, a decisão cabe a você. O meu intuito aqui foi explicar mais sobre ela, e explicar como ela é vista no seu país de origem. Pelo que vejo nas conversas de bar, e até em jornais, muito se perdeu na tradução.

E a bandeira do norte?

E como era a bandeira yankee, utilizada pelos Estados da União contra o Sul? Acredito que você já deve ter visto ela tremulando em algum lugar por aí:

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Uma sugestão para quem se interessou pelo assunto, e quer ver uma visão afro-americana sobre o tema, sugiro o filme CSA: The Confederate States of America, do diretor Spike Lee, cujo trailer está no meio deste artigo. É um filme bem controverso, que costuma estar no catálogo do Netflix.

 

O que você carrega consigo? Art Of Manliness

O Brett McKay, autor do excelente The Art Of Manliness, um guia para o cavalheirismo e hombridade perdida, postou uma foto hoje bem no estilo da série “O que você carrega consigo?” que rola por aqui no Old Dog Cycles:

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O primeiro item da lista dele é uma Smith & Wesson 9mm. O autor é um cara pacífico, voltado para a família, que não gosta de encrenca e, mesmo assim, possui uma licença para porte de armas (necessária por lá para qualquer arma que você porte escondida com você). Isso mostra um pouco da nossa diferença cultural com os EUA. Como a caça e o tiro esportivo são comuns por lá, as pessoas tem mais familiaridade e intimidade com as armas desde jovens, o que não ocorre por aqui. Não é nenhum bicho de sete cabeças.

Ele também carrega uma lanterna, um item bem útil para nós que andamos de moto, como bem disse o Sebastião ontem nos comentários. Algumas pessoas acreditam que carregar uma lanterna tática todos os dias também tem uma função de defesa pessoal, e o próprio Brett tem uma matéria (em inglês) sobre isso.

O canivete da foto é um Spyderco Tenacious G-10, tem um bom tamanho para se carregar todo dia e é um belo item.

O post inteiro, com o descritivo de cada item e também onde compra-los, você confere aqui.

Fatalidade

Eu não gosto do tipo de post que eu vou fazer agora, mas preciso desabafar. Aviso que ele vai fugir um pouco do jeito que costumo escrever. É o que os forenses do FBI costumam chamar de “estado emocional alterado” quando eles analisam uma carta, o que no fundo só quer dizer que o cabra estava puto.

Veja a seguinte notícia:

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http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2015/06/rapaz-leva-soco-ao-dar-entrevista-sobre-acidente-que-matou-mulher.html

O sensacionalismo é nojento. Um motociclista morre de um jeito foda, mas vamos botar o foco no soco que o cara recebeu porque dá mais Ibope.

Mas não foi isso que mexeu comigo. Foi o fato de mais uma morte idiota de um motociclista ter acontecido, porque um sujeito se achou no direito de fazer o que bem entendesse.

Você está indo para o trabalho tranquilamente, quando um babaca que encheu a cara resolve entrar na contramão, fazer uma ultrapassagem e acabar com uma vida.

Infelizmente, encher a cara aqui no nosso país é cultural. “Eu dirigo melhor quando estou bêbado” é uma frase bem comum.

Não que eu seja moralista, pelo contrário. Minha filosofia de vida é bem simples: você pode fazer o que quiser, desde que não afete a minha.

Se você quer beber o problema é seu. Se você quer beber e dirigir quando eu estou com minha família na rua, o problema é meu.

Se você quer fazer festa com 300 putas e um anão besuntado de óleo, regada a whisky e cocaína, o problema é seu. Se você ficar muito louco e não me deixar dormir por causa disso, o problema é meu.

Se você quer entrar de cabeça no crack, na pedra, o problema é seu. Se você botar uma faca na minha garganta pra conseguir alimentar o seu vício, o problema é meu.

Simples. Sua liberdade termina onde começa a do outro.

Grande parte dos problemas do mundo seriam resolvidos se as pessoas colocassem isso em prática.

E uma nota à parte: foi bem merecido o soco do rapaz que quis acobertar o “amigo”. Pena que o cara não soube encaixar direito, teria sido melhor ver a entrevista terminar rápido assim:

Pai e filho em uma jornada de moto

Vídeo da semana escolhido pelo canal da GoPro, mostrando o que os participantes descrevem como “a jornada de um pai e filho através da Bolívia, que serviu para fortalecer os laços entre eles, enquanto viajam e trabalham como voluntários em diferentes lugares, para que Joseph possa mostrar para seu pai porque ele escolheu esse caminho na vida.”

Enfim, uma autêntica road trip de pai e filho, passando por belas paisagens e com belas cenas.

A Harley Bagger mais rápida do mundo

Baggers é como as tourings da Harley são carinhosamente apelidadas lá fora. E é cada vez mais comum ver pessoas mais jovens entrando de cabeça na customização delas, o que já criou toda uma subcultura ao redor desses modelos.

Por isso um time da Harley-Davidson Australia e Nova Zelândia está disposto a provar que as baggers não são as motos pacíficas que todo mundo tem na cabeça, e pretendem conquistar um novo recorde de velocidade na DLRA Speed Week, com uma Road Glide Special apelidada de “Pepper”, usando na maior parte da preparação peças originais Screaming Eagle.

Gostaria muito de acelerar essa moto… Parece ser divertida.

Depois do Rio, SP pretende proibir armas brancas

Pode parecer estranho esta notícia em um blog de moto, mas desde que percebi pela série “O que você carrega consigo” que muitos carregam algum tipo de canivete no bolso, acredito que a notícia abaixo é de grande interesse:

Projeto Proíbe Porte de Arma Branca em SP

A Câmara Municipal de São Paulo vai analisar um projeto que proíbe o porte de armas brancas. A proposta de Masataka Oka (PROS) destaca que facas e canivetes são usados em 17% dos homicídios na capital e na Grande São Paulo. A ideia é ainda proibir qualquer comercialização para menores de 18 anos.

A exemplo de legislação recentemente aprovada no Rio, a restrição valeria para lâminas a partir de 10 centímetros. Profissionais como açougueiros ainda teriam de integrar um cadastro municipal.

Fonte: EXAME com informações do jornal O Estado de S. Paulo.

Desde os 12 anos eu ando com um canivete suíço no bolso, coisa que fez parte de minha educação. Muitas vezes, tenho um canivete tático no bolso, que pode servir para quebrar o vidro de um carro, cortar um cinto de segurança e ajudar em situações de sobrevivência. Pode parecer exagero, mas eu prefiro andar com algo assim sempre e nunca precisar usar, do que precisar usar na única vez e não estar com ele.

Every Day Carry

Sim, em última instância ele pode servir como arma. Mas qualquer um que já viu, seja ao vivo ou por fotos, o resultado de uma briga com facas sabe quão terrível são os resultados. Um briga com faca tem um efeito psicológico extremo tanto no agressor quanto no agredido. Não é, de longe, algo fácil.

Mas o que me preocupa nessa lei, é a grande tendência que se firmou no Brasil do desarmamento da população, agora avançando em um terreno praticamente impossível de ser regulado. E ao mesmo tempo que a população está sendo desarmada, o armamento da bandidagem não para de crescer. Em São Paulo, por exemplo, era raríssimo ouvir que alguém foi assaltado com algo maior que um calibre .38.  Hoje, boa parte dos assaltos do crime organizado são feitos com carabinas ou fuzis. O mesmo acontece em vários outros estados.

O discurso de que os avanços sociais diminuiriam a criminalidade, não se provaram verdadeiros e acabamos tendo uma bandiagem mais instruída e organizada. E mesmo assim, o governo espera que a gente confie nele para defender nossas vidas e nossas famílias, da mesma maneira que ele quer que a gente confie nossa saúde e a educação nos péssimos serviços públicos. Enfim, ele quer um povo manso, que dependa dele para tudo.

E aí eu penso: Quando o governo é o único com armas para nos proteger, quem nos protege do governo?

Deixo algumas frases para reflexão:

“Uma sociedade armada é uma sociedade educada. As pessoas costumam ter modos quando precisam bancar suas palavras com a própria vida.”
Robert A. Heinlein – Escritor

“Armas não são o problema. Nós somos o problema.”
Keita Shimizu

“Para conquistar uma nação, primeiro desarme seus cidadãos.”
Adolf Hitler

“Um voto é como um rifle. Sua utilidade depende do caráter de quem usa.”
Theodore Roosevelt

“Ideias são mais perigosas que armas. Se nós não deixamos nossos inimigos terem armas, porque deixamos eles terem ideias?”
Joseph Stalin

“Pessoas de boa índole não precisam de leis dizendo que elas devem agir de forma responsável, enquanto que pessoas de má índole vão encontrar uma forma de burlar as leis”
Platão

“Um homem com uma arma controla 100 homens sem uma.”
Lenin

“Eu tenho uma política severa de controle de armas: se tem uma arma por perto, eu quero estar no controle dela”.
Clint Eastwood

Yamaha Faster Sons – Parte 0

A Yamaha tem acertado a mão nos seus vídeos de divulgação e nas suas ações de marketing. Ela parece ter entendido que muitos de nós não querem uma moto padrão, “careta”, e sim algo que possa ser customizado e ganhar personalidade própria, como foi o caso do Yamaha Garage Challenge (clique aqui pra conhecer).

O vídeo acima faz parte da série Yard Build (algo como “construída no jardim”, termo que se usa para motos feitas na garagem de casa), e conta com a participação do lendário fabricante Shinya Kimura. A dica foi do Rodrigo Oliveira na fan page do Old Dog Cyles.

Para uma lista das motos que já rolaram no projeto, clique aqui e confira no site da Yamaha Europa.

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Carta aberta ao marketing da AutoStar / Harley Brasil

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Pelo segundo ano consecutivo eu recebo um email de parabéns, com o exato mesmo texto. E confesso que acho um texto extremamente arrogante, como se comprar uma Harley fosse um privilégio que eu recebi por parte deles.

Desculpe avisar, srs. executivos, mas minhas motos nunca foram um presente. Toda Harley que eu já tive foi comprada com a ajuda do meu trabalho, do cara lá de cima, da minha família, mas nunca de vocês. Pelo contrário, sempre tive muito desprazer ao precisar de peças e serviços, não é a toa que tenho uma scooter na garagem para evitar ficar parado.

Lembra quando o sensor do meu pézinho deu pau e vocês pediram 30 dias para a Harley USA avaliar a peça na garantia, mais 30 dias para ela chegar e mais uma semana para trocar? E que a moto ficasse parada na oficina todo esse tempo? Eu fiz o mesmo sozinho na minha garagem em uma tarde. Ok, exagerei: 4 dias, se considerar a entrega via Fedex pela JP Cycles (pois é, um cara do outro lado do mundo me manda a peça mais rápido que autorizada perto da minha casa).

O único presente que eu gostaria de receber era um pós-venda melhor, com peças em estoque e prazos normais de entrega. Que vocês não tratassem todos os clientes como quem usa a moto esporadicamente ou como enfeite, e sim como pessoas que usam e pensam nela como veículo, e por isso precisam saber que podem contar com a autorizada quando algo quebrar.

Basicamente, o presente que eu queria, é que vocês fizessem o que a Honda faz por mim, que cobra 1/3 do valor que vocês cobram, e faz um serviço bem melhor na maior parte das vezes.

De um apaixonado pelas motos, mas desiludido pela empresa,
Bayer – Old Dog

— UPDATE: Ótima colocação do Wolfmann sobre o assunto aqui. Vale a leitura.

Filmes (trash) de moto

Tem muito filme de moto bom por aí. Mas alguns são tão ruins, que chegam a ser bons. Alguns dos meus favoritos:

À Sombra De Um Disfarce (Beyond The Law)

 

Também conhecido como Fixing The Shadow, é um filme feito para a TV em 1992, estrelando Charlie Sheen. A história é supostamente baseada no relato de um policial infiltrado em um M.C. 1%er, que acaba ficando envolvido demais com aquela vida.

A introdução acima (com um som que não é o original do filme) já dá uma prévia dos inúmeros clichês que serão usados dali pra frente. A interpretação do Charlie Sheen é tão caricata que chega a doer em alguns momentos:

Se estiver curioso, uma boa alma colocou o filme na íntegra aqui.
 

Harley-Davidson & Marlboro Man

 

Podem chiar, já que muita gente é fã desse filme, mas a verdade é que a história é cômica de tão absurda: um grupo de foras da lei se juntam para salvar um bar das garras de uma corporação maligna, o grande vilão dos filmes dos anos 80 e começo dos anos 90.

Mesmo assim, a moto do filme é uma das mais legais e emblemáticas do cinema. Se você quiser saber mais sobre ela, recomendo este post aqui.
 

Os Dêmonios Sobre Rodas (Hells Angels on Wheels)

 

Estrelado por um jovem Jack Nicholson, o mais divertido desse filme é que os próprios Hells Angels participaram dele, incluindo o presidente Sonny Barger, mostrando muitas cenas reais de interação entre eles (e alguns quase tombos). O filme parece ter sido mais improvisado do que interpretado, com vários furos no meio do caminho. Tem na íntegra aqui.
 

Anjos Selvagens (The Wild Angels)

 

É um dos expoentes da biker-explotation, e seu relativo sucesso gerou verba para Easy Rider (Sem Destino) ser feito três anos depois. Usa e abusa dos medos que as pessoas tinham das “gangues” de moto na época, mais ou menos como The Wild One fez décadas antes.

Membros dos Hells Angels da California e dos Coffin Cheaters MC fazem diversas participações no filme.
 

Fúria em Duas Rodas (Torque)

 

Cópia barata em duas rodas de Velozes e Furiosos, mas sem nenhum carisma. A ação beira o absurso, nem videogame é tão exagerado. Se você não acredita, confira uma das cenas aí em cima.
 

Cavaleiros de Aço (Knightriders)

 

George Romero levou ao pé da letra a expressão cavaleiro de aço e fez um filme justamente sobre isso, mostrando um grupo de motoqueiros que faz torneios medievais sobre motos.

Vale pela participação especial de Stephen King interpretando um bêbado, justamente na fase de sua vida onde ele lutava contra o alcoolismo.
 

O grande vencedor:
I Bought A Vampire Motorcycle

 

Essa pérola me foi apresentada pelo Digital Inferno XV. É para ser uma comédia/ horror, mas eu acho que boa parte do humor do filme foi criada sem querer. A premissa é a mesma de Christine – o Carro Assassino, mas com uma Norton Commando 850cc no lugar, que busca vingança correndo atrás do sangue de Hells Angels.

A cena abaixo, do diálogo com um cocô, resume muito bem do que se trata.


 

Menção Honrosa:
She Devils On Wheels

 

Essa cena da decapitação é fantástica, não tenho nada a dizer.