Túnel do tempo: Fat Boy

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Em 1990 nascia o mito que iria mudar a história da Harley-Davidson: a Fat Boy. Foi ela quem fez a Harley reconquistar a liderança de motos de grande porte nos EUA (acima de 750cc), logo após uma época conturbada, onde ela havia passado pelas mãos da AMF e teve que ser recomprada por um grupo de investidores e herdeiros da família, encabeçados pelo grande Willie G. Davidson.

Ela é, provavelmente, a moto que pode ser considerada a garota propaganda da marca, sendo reconhecida até mesmo por quem é leigo em motos.

Ao contrário do que se acredita, o nome não foi dado em função das duas bombas atômicas lançadas no Japão (Litte Boy and Fat Man), e nem suas cores foram pintadas de acordo com elas, com a justificativa de que ela seria “uma bomba” contra as japonesas.

Isso é apenas uma lenda urbana, mas uma que a Harley nunca fez questão de desacreditar. Na época do lançamento, a Harley já tinha se recuperado da competição com as japonesas, e a empresa não tinha como prever que ele seria um sucesso tão estrondoso, muito em parte puxado pelo filme “O Exterminador do Futuro 2″. O nome Fat Boy veio de seu design mais largo e encorpado quando visto de frente, que no Brasil fez com que ela ganhasse rapidamente o apelido de gorda.

Mas é óbvio que dizer que ela teve a pintura inspirada no B-29, as rodas fechadas inspiradas nos discos de freio da mesma aeronave, e vários outros “easter eggs” que remetem aos acontecimentos de Hiroshima e Nagasaki, é muito mais interessante do que a realidade.

Diretamente da Austrália, Dust Hustle

O Hughan Searyda, da Ellaspede, mandou o novo vídeo deles pra cá. O que eu mais gosto na cena gringa, e que se repete em vários países, é como o pessoal gosta de se divertir com as motos de forma descompromissada, não importando o estilo.

O evento rolou ano passado, em Brisbane na Austrália, e nada mais foi do que um dia inteiro em uma pista de terra, com os mais diferentes tipos de motos, e uma galera decidida a se divertir. Inspirado no Dirt Quake da revista Sideburn, o evento teve 85 motos com 500 espectadores.

Espero que um dia a nossa cena seja mais próxima disso, com mais diversão e nonsense sobre motos, independente do tipo ou da marca.

Espaço do leitor: Qual o verdadeiro motociclismo?

Sempre tento abrir espaço aqui para leitores que enviam textos interessantes, e que ampliam a discussão sobre os temas tratados no O.D.C. Só não faço isso com mais frequência, porque a quantidade de mensagens que recebo é alta, e textos longos assim acabam ficando no fim da fila para serem lidos depois (pois é, o site anda precisando de um prospect).

Muito tem se falado aqui sobre os MCs, e sobre como é o nosso comportamento dentro e fora deles, regras para evitar problemas para ambos os lados, entre outras coisas. O texto do Flávio é um questionamento sobre o tema.

Qual o verdadeiro motociclismo?

Por Flávio Caiado

O que nos torna um biker ou motociclista, motoqueiro, o que seja? Qual o espírito? De onde surgiu tudo isso, e para onde vai? Onde os motoclubes se encaixam dentro do motociclismo ?

A verdade pura consistente e inegável é uma só. O motociclismo vem de uma ideia pura, simples e que não é para qualquer um: LIBERDADE.

Motos sempre nos deram liberdade… de certa maneira, sempre nos libertaram dos grilhões impostos por essa sociedade burra, egocêntrica, individualista e capitalista. O motociclismo vem de encontro a essa sociedade imbecil.

No início tinhamos liberdade total. Sua moto, seus amigos e a estrada, sem amarras, sem simbolismos, liberdade total que é o ideal do motociclismo.

Mas onde se encaixa os motoclubes nesse total meio de liberdade? Simples. Fazer parte de um motoclube, te dá segurança, forma-se uma família, amigos reunidos por um mesmo fim: o amor ao motociclismo. Uma ideia antiga e brilhante não fosse um probleminha: vai de encontro ao que deu início a isso tudo e fere a própria liberdade!

No início de tudo não tinhamos colete, não tinhamos brasões, cores, reuniões, obrigações, nada… mas afinal porque institucionalizaram o motociclismo? Uma das explicações mais latentes é a questão de segurança…. mas rodar com 10 pessoas de colete ou 10 sem, faz realmente alguma diferença na segurança? O colete te faz mais macho ou mais temido que a falta dele ? Creio que não. Admiro a postura adotada pelos motoclubes sérios que se dispõem a ensinar e doutrinar os que não sabem lidar com a liberdade da motocicleta, porém não há como formar qualquer grupo, partido, ou sociedade de pessoas, sem atropelar a liberdade… e isso é fato. O que ocorre é se ter mais amor pelo escudo que pela própria moto… se defende a honra e o nome do clube acima de tudo.

Claro, criando clubes, criando marcas, cores e símbolos, não há como se afastar das rixas, cada clube vai se achar melhor e mais importante que o outro, brigando por número de membros, brigando por respeito, e infelizmente em alguns casos, visando grana tratando clube como um negócio. É justamente nessa hora quando o clube passa a ter mais importância que a própria moto e todo o ideal de liberdade que vem junto dela, que penso realmente se motoclube é realmente uma coisa boa. Rodar porque o clube tem que estar no lugar x ou y, rodar porque tem que acompanhar seu escudo fechado para um local qualquer, rodar porque precisa cumprir metas e batalhar por um patch no seu colete??? Creio que isso esteja longe do ideal de liberdade….

Traçando uma comparação bem besta, mas de fácil compreensão, podemos citar o carnaval e suas escolas de samba. Na hora do desfile na Sapucaí, toda diversão do samba cai por terra. Preocupação com o tempo, andamento do samba, enredo, comissão de frente. Pronto tá feita a desgraça e o samba virou trabalho, virou uma competição por pontos e um troféu no final.

Motociclismo não é colete, não é cor, não é brasão, não é pôr o ideal de um clube acima do ideal de liberdade. Isso vai de encontro a toda a idéia do verdadeiro motociclismo “easy rider”…

Não sou contra os motoclubes, de forma alguma, respeito e muito! Até por que já fiz parte de um. Porém hoje minha visão é um pouco diferente, creio que nesse meio não há certo ou errado, somente opiniões e visões diferentes sobre um mesmo tema.

Os motoclubes se encaixam dentro do universo do motociclismo e nunca o contrário.

Harley Flathead com uma pequena diferença…

Não é um motor flathead V-2, e sim um flathead V8!

Eu confesso que não entendo essas motos. Aposto que a conversa com o dono deve ser mais ou menos assim:

– É uma Harley?
– Sim. Com motor V8.
– É pesada?
– Um pouco… Tem meia tonelada. Se tombar, precisa de um guincho pra levantar.
– Bebe muito?
– Faz uns 4 quilômetros por litro.
– Quantas marchas tem?
– Uma.
– Esquenta muito? Isso aí deve fazer um calor nos bagos.

Nisso, o dono da moto abaixa a calça, e mostra isso aqui:

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De volta a programação normal

Tive uma semana de folga, fui viajar, abrir a cabeça, mas também decidi não postar nenhuma vez, nem acessar a fanpage ou responder os emails, para poder refletir um pouco sobre que rumos o site, a fan page e o recém inaugurado canal do YouTube vão tomar este ano. Sinto muito pela semana sabática e sem conteúdo.

O Old Dog Cycles é um hobby, paixão, tesão, mas que ocupa um tempo cada vez maior da minha vida. Meu trabalho “real” já é exaustivo pacas, e ainda tenho esposa, filha pequena e um guri a caminho que são as coisas mais importantes da minha vida, e a razão porque eu faço todo o resto. Conciliar isso com rolés, fuçar nas motos, fotografia, às vezes cobra seu preço e eu fico completamente exausto.

Mas agora vamos voltar para a programação normal, e espero subir ainda mais o sarrafo da Família Old Dog Cycles este ano. E digo família, porque me deixa feliz ver a comunidade que se tem criado ao redor do O.D.C., pessoas que conheci, que ajudam, trocam idéias, uma evolução do que foi falado lá atrás no post “Unidos somos mais fortes”.

A todos os leitores um puta 2015. E agora eu voltar pra pauta, que o descanso acabou.

Grande abraço,
Bayer

Yamaha Garage Challenge

Para divulgar a XV 950, que chegou fazendo barulho lá fora e incomodando a Sportster, a Yamaha italiana decidiu chamar diversos customizadores para criarem sua versão do modelo.

E como a fórmula design + Itália + motos dificilmente costuma dar errado, vale a pena conferir o resultado.

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Confesso que passei a ver a moto com outros olhos. Criatividade é tudo no mundo da customização, mesmo uma base pouco atraente pode virar uma moto completamente diferente na mão de quem entende. A da primeira foto, na minha humilde opinião, combinou muito bem com o estilo do modelo, criando uma personalidade própria que bem que ela estava precisando.

No site Yamaha Garage Challenge, você pode ver mais detalhes de cada uma delas.

E, para quem não se lembra, a moto original é essa aqui:

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Reportagens sobre moto na VICE

Apesar da VICE Brasil ter uma linguagem que eu honestamente não gosto, eu sou um fã declarado do estilo de jornalismo da VICE Internacional. São repórteres ousados, com um tipo de jornalismo investigativo muito parecido com o que o falecido Hunter S. Thompson fazia, só que mais sério e profundo.

Recentemente, vi duas reportagens interessantes, que você pode conferir nos vídeos abaixo. A primeira mostra a vida de um clube 1%er Alemão, que até pouco tempo fazia parte dos grupos de extrema direita daquele país. De tudo na reportagem, o que mais me chamou a atenção foi o fato de que o estatuto do clube tem uma cláusula obrigando todos os membros a puxarem ferro pelo menos 4 vezes na semana, sob pena de multa.

Já o segundo, mostra a subcultura das Scooters na Inglaterra, e as “gangues” de adolescentes que se formaram ao redor delas. Diferente de outros tempos, o foco desses caras hoje em dia é fazerem sucesso no Instagram, com fotos de seus rolés e manobras.

Infelizmente, ambas reportagens estão em inglês e não as encontrei legendadas (se você souber onde tem, por favor indique nos comentários). Tento traduzir bastante conteúdo por aqui, mas dois vídeos com 30 minutos de duração é impossível de se traduzir sem pelo menos eu ter um estagiário, assistente ou prospect  aqui pro site!

UPDATE – O Gabriel Toledo achou o vídeo com legendas em português. Mas tem um truque: primeiro clique em CC (Closed Caption) depois em Options e então selecione Português na lista: http://www.vice.com/pt_br/video/por-dentro-do-schawarze-schar