Quando arte e moto se unem

Acho que o melhor comentário que recebi sobre o meu post (extremamente) off-topic chamado de “Este post não não tem nada a ver com motos“, foi do Renato que escreveu:

Como considero andar de moto uma arte, customizá-las uma arte, consertá-las ou dar-lhes a devida manutenção uma arte…enfim…eu diria que sim este post tem TUDO a ver com motos.
Sempre dá hora esse blog…
Valeu Bayer!

Sério, quantas vezes você não olhou para a moto e pensou que a pessoa que a fez deve ser um artista. As curvas, as linhas, tudo parece ter uma simetria que vai muito além do olhar técnico e da engenharia. Como esta BMW feita pela Revival:

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Mais fotos aqui.

Ou esta BMW R7 conceito, fabricada em 1934, no melhor estilo Art Deco:

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Ou o fato de que uma das exposições mais populares de todos os tempos do museu Guggenheim, em Nova York, foi a intitulada “The Art of Motorcycle” e mostrava uma série de motos e seus mais diferentes designs através da história, para demonstrar como as mudanças na arte e na sociedade acabam impactando os bens de consumo.

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Afinal, uma moto conceito como a Lotus, que não possui quase nenhum aspecto prático, não seria o equivalente a uma escultura?

Lotus Motorcycles C-01, designed by Daniel Simon
Lotus Motorcycles C-01, designed by Daniel Simon

E as centenas de fotógrafos, ilustradores, tatuadores e artistas gráficos que giram ao redor desse meio?

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E pilotar uma moto, como Valentino Rossi ou Giacomo Agostini, não seria também uma forma de arte?

Realmente, parando pra pensar, aquele post tinha tudo a ver com motos.

Nunca é tarde para se fazer o que tem vontade! Mad Dog e sua tattoo

Eu acho até sacanagem chamar o meu grande Amauri, também conhecido por Mad Dog, de alguém na “terceira idade”. Além de um puta restaurador de móveis (confira no blog Restaurações Dom Moleiro o belíssimo trabalho que ele faz), ele é um sujeito muito de bem com a vida, que tem um baita pique e uma atitude que anda em falta em muitas pessoas da minha geração (e olha que somos filhos da geração dele).

Essa semana rolou uma reportagem no R7 sobre um evento com tatuagens de graça para pessoas na terceira idade, iniciativa de uma agência de publicidade. E o Amauri tava lá, fazendo a dele.

Vale a pena assistir a reportagem e aproveitar para conhecer esse grande sujeito.

Depois não esqueça de dar um pulo no blog Restaurações Dom Moleiro.

Cadê o post sobre as novas Harleys?

Pra ser sincero, desde que vi a tabela 2016 da Harley do Brasil, e de vários outros fabricantes também, eu estou em choque. É por isso que até agora não apareceu aqui Old Dog Cycles nenhum post comentando os lançamentos. Se você veio aqui atrás disso, recomendo o blog do Dr. Dan, que fez um ótimo post sobre elas:

Dia de Lançamentos – Harley & Indian

Quanto a mim, fico questionando se, com o país passando pela dificuldade que está, com a roubalheira fora de controle, gente indo embora pro exterior, famílias mal conseguindo chegar no fim do mês, vale a pena comentar sobre motos que estão custando um valor que, simplesmente, não faz o menor sentido. Ou se é melhor gastar o tempo de vocês com textos sobre motociclismo e comportamento em geral.

Só pra dar uma base de comparação: Nos EUA a Harley-Davidson é dona de metade do mercado de motos. Mesmo sendo considerada uma moto relativamente cara, é acessível para a maioria dos americanos. Você pode comprar uma com taxas de financiamento muito baixas, a manutenção é simples e mais barata que a maioria das européias. E isso sem falar no mercado de usadas.

Claro, é um país de “primeiro mundo”, com outro nível de salário, mas não importa: a moto também é chamada de mito por lá, só que é um mito que muitos podem ter.

Mas com o dólar passando a casa dos R$ 4 (quem é alarmista agora?), a inflação real sendo muito maior que a declarada pelo governo, receber um email da Harley com a nova tabela de preços, chega a me embrulhar o estômago.

Não dá pra levar a sério um email marketing dizendo que eu não posso perder a oportunidade de comprar uma Sportster 883 por apenas R$ 42 mil. Poucos anos atrás dava pra tirar a bela Dyna FXDC por R$ 38 mil zero da concessionária. Se você voltar quase 10 anos atrás, esse era o preço da Fat Boy, e isso quando a Izzo metia a faca.

Hoje, você pode se preparar para desembolsar algo em torno de 80 mil pra ter uma Softail. Oi-ten-ta mil re-ais! Não faz o menor sentido, ainda mais em um país onde o salário mínimo é de 788 reais.

Sim, eu sou um cara frugalista, e já mencionei isso no post “Não julgue um livro pelo moto” e no “Não invista em moto, por favor“. Ter ou não ter o dinheiro para comprar certas coisas não é a questão, aqui. O que eu estou colocando em dúvida é se as coisas realmente valem o que se cobra atualmente.

Um gringo uma vez me disse que ele considera que o brasileiro não vive, sobrevive. Ele ficava impressionado com os baixos salários e altos custos de praticamente tudo. A gente sempre teve uma cultura de pagar mais do que as coisas valem, fato muito bem explorado pelo marketing, área que eu conheço bem. Mas com o aumento do dólar, da inflação, e com a estagnação do país, o valor de certas coisas passou a se tornar imoral.

Seria legal ver as pessoas indo para um cultura como a dos Hot Rodders dos anos 40. Sem grana para comprar os carros novos, o pessoal mais novo começou a ficar criativo e fabricou carros fantásticos com pouca verba, mas muito bom gosto. É aquele velho clichê: na crise, tire o S e crie.

Podem me chamar de reacionário, de socialista, de pão duro, de esnobe, do que for. Mas eu não consigo conceber o fato de uma Fat Boy ter virado uma moto que, com acessórios e afins, vai ter beliscado os 100 mil reais.

Onde quero chegar com isso? Que talvez seja muito mais interessante gastar seu dinheiro com experiências, e não com coisas.

Mas isso é o assunto do próximo post.

Estudo comprova o óbvio: andar de moto deixa você feliz

O instituto ICM Research fez um estudo para descobrir quais atividades de lazer trazem mais alegria para as pessoas, e para isso entrevistou mais de 1.5000 indivíduos. Curiosamente, o estudo foi encomendado pela revista Gardener’s World, que fala sobre jardinagem, e tenho quase certeza que o pessoal da revista tinha certeza de que jardinagem seria o primeiro item.

Entre todas as opções de hobbies e atividades que trazem alegria como correr, pescar, acampar, dirigir e afins, andar em duas rodas foi o item mais votado.

(modo ironia on – Deixando claro que o que dá prazer é andar de moto, não ter a moto. Dependendo da marca da sua moto, ter a moto dá mais desprazer brigando com autorizada e mecânico do que qualquer outra coisa. – modo ironia off)

Mas vamos ser sinceros, ninguém precisava de um estudo pra comprovar isso entre os leitores aqui do Old Dog Cycles. Só quem anda de moto sabe porque um cachorro gosta tanto de colocar a cabeça pra fora do carro, e fica com aquele sorrisão besta de alegria.

Sem falar os outros benefícios de moto pra saúde, como emagrecer e até rejuvenescer. Duvida? Então dá uma lida neste artigo aqui: http://olddogcycles.com/2015/06/moto-faz-bem-pra-saude-e-emagrece.html

Não é à toa que, pra muitos de nós, a historinha abaixo não parece nenhum absurdo. Vale de tudo para andar em duas rodas e ficar com aquele sorriso no rosto!

Clique para ampliar

Porque você decidiu ter uma moto?

Peter Egan, da revista Cycle World, é um dos meus jornalistas favoritos. No seu livro Leanings, ele faz uma reflexão sobre o que o levou a comprar sua primeira uma moto.

Para ele, o que catalizou uma decisão que mudaria sua vida inteira, foram os poucos segundos da introdução do filme Lawrence da Arábia.

A cena acima é a que ele se refere. Começa com auma Brough Superior vista de cima, estacionada em um quintal. Um jovem se aproxima dela com um pano em mãos e começa a cuidar da moto, carinhosamente. Coloca óleo no tanque lateral, passa uma flanela com delicadeza. O dia parece ser uma preguiçosa manhã de domingo, daquelas que você acorda cedo para dar um rolé.

Depois de todo esse ritual, o rapaze em cena coloca um par de óculos de aviador. Vemos o close de uma botam, que dá um chute firme no pedal de arranque, fazendo a moto pegar de primeira. O imponente V-Twin começa a rugir e ele parte através de uma belíssima estrada rural.

O sorriso no rosto que ele carrega nessa cena, é algo que só quem já andou de moto por pura diversão consegue entender.

Petar Egan tinha apenas 14 anos quando viu esse filme, mas foi fisgado imediatamente. Daquele dia em diante, ele sabia que as motos seriam uma parte importante da sua vida.

E essa certeza só aumentou quando, alguns dias mais tarde, ele se encontrou no meio de uma estrada nos EUA, pedindo carona para chegar em um ferro velho que ficava na próxima cidade. Duas Harleys se aproximaram, e um dos motociclistas fez sinal para que ele subisse na garupa. Mas ao invés de ir até o ferro velho, ele terminou o dia em uma loja de motos com os tais motoqueiros, ouvindo as histórias e fuçando pelos cabides e armários de peças da loja (um hábito que ele diz não ter perdido até hoje).

Anos mais tarde, um amigo perguntou como foi que ele se interessou por motos. Depois de Egan contar a história, seu amigo deu um pulo: “Deus do céu, eu assisti Lawrence da Arábia no mesmo ano e prometi que eu nunca ia subir em uma moto! Ele morre na porra primeira cena, logo no começo do filme!”

Egan apenas deu de ombros. Sim, o cara morria, mas aquele sorriso de prazer ao pilotar era muito foda. Todo mundo morre, mas nem todo mundo vive.


(Esta é uma versão revisada de um post foi publicado originalmente em 2011).

Ground control to Major Tom

Hoje faleceu o mito David Bowie. E de todas as homenagens feitas nos sites, blogs e redes sociais, eu gostaria de compartilhar um trecho do filme “A vida secreta de Walter Mitty”, onde a música Space Oddity é o que impulsiona o protagonista a aceitar o chamado da aventura.

Eu sou um grande fã desse filme. Ele têm um belo roteiro e uma fotografia de dar inveja. E a essa altura você deve estar se perguntando porque cacete eu estou falando dessa música e desse filme em um blog de motos, certo?

Simples. É muito comum encontrar pessoas aqui no Old Dog Cycles, ou em conversas de bares e afins, que dizem o quanto elas gostariam de andar de moto, ou do sonho de fazer uma grande viagem em duas rodas. E esse filme fala justamente sobre sonhos deixados para trás em nome da responsabilidade, mostrando do custo que isso tem na vida de uma pessoa.

Acho o desfecho dele extremamente gratificante, sem lições de moral, sem grandes elucubrações. Às vezes não fazemos as coisas simplesmente porque é o caminho que a vida nos leva, e só.

Recomendo. Nem todo mundo vai gostar, mas vale ver com atenção e se deixar envolver.

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PS: Se você gosta de fotografia, vale prestar atenção na composição das cenas e nas referências sobre o tema que ele usa. É uma aula.

Uma Suzuki GS500 fora da caixa

Encontrei essas fotos na página Pride to Ride. Quando eu era mais novo, essa era uma das motos bem cobiçadas pelo custo benefício e ótima ciclística, e fazia uma boa briga com a clássica CB500.

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No canal da Cafe Racer TV tem um vídeo sobre ela, com legendas em português ao se clicar em CC. Infelizmente, o canal não permite inserir o vídeo fora do Youtube, por isso você precisa clicar na imagem abaixo para ir até o canal deles.

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Faixa da esquerda

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Não que eu seja um apressado, mas eu fico impressionado com a quantidade de veículos na esquerda andando bem abaixo do limite de velocidade.

E fico ainda mais impressionado de ver a placa desses carros. Por alguma ironia do destino, tá cheio de placa começando com FUI em carro de gente que não vai…

Encontro Anual de motos antigas

2262Neste final de semana rolou o encontro anual de motos antigas em Sumaré, São Paulo, organizado pelo Veteran Motorcycle Club do Brasil.

Muita gente legal, muita moto interessante e ainda deu para conhecer pessoalmente e ouvir alguns causos do Hadys, do Jurassic Machines.

Fiquei particularmente feliz de ver uma Triton ao vivo, belíssima, um dos meus maiores sonhos de consumo e ícone maior da cultura Cafe Racer.

Seguem algumas fotos que registrei no dia.

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Biblioteca básica: os primeiros passos pra aprender a mexer na sua moto

Sempre recebo emails perguntando quais sites acessar para aprender a mexer na moto. Em inglês existem alguns bons para os iniciantes, como o insuspeito Motorcycle Repair Course e o canal do YouTube Delboy’s Garage. Ambos são amadores, por isso são bem interessantes para quem não quer virar profissional no assunto.

Por outro lado, ainda não inventaram substituto melhor que uma boa biblioteca. Nos tempos de internet todo mundo parece querer achar tudo em um único clique mas, na minha humilde opinião, ainda não existem substitutos para um bom livro que se aprofunde em um determinado assunto. Se você tem intimidade com o inglês, a Haynes tem um dos melhores acervos de livros técnicos, que cobrem desde o básico até o avançado.

Um livro deles que eu sou muito fã é o Motorcycle Workshop Practice Manual:

Ele parte do básico e é o curso mais completo de como usar as ferramentas corretamente, solucionar problemas que vão de parafusos quebrados a consertos mais elaborados, saber que equipamento usar para determinado trabalho, montar uma estação de trabalho e assim por diante. Aprendi muita coisa com ele, e acho uma pena nunca terem feito uma edição em português.

Outro que eu sou fã é o The Essential Guide to Motorcycle Maintenance. Ele é mais “genérico” e fala do funcionamento das motos em geral, suas diferenças, que ferramentas escolher e várias outras coisas que são muito úteis de saber. É o melhor ponto de partida pra quem quer começar, com o da Haynes aí em cima logo em segundo lugar.

Mas a ferramenta mais importante para mexer na sua moto é o manual de serviço dela (não confundir com o manual do proprietário, são duas coisas completamente diferentes). Ele detalha tudo o que você precisa saber para fazer a manutenção, com vistas explodidas, além de tabelas com valores de torque de cada parafuso dela (para que você não espane nenhum na hora de apertar).

Felizmente, quando o assunto é manual de serviço, sempre vai ter uma versão em português, já que os mecânicos das autorizadas precisam dele para trabalharem. O problema é conseguir um. Nos EUA, você compra pela Amazon ou na própria autorizada da sua moto, mas aqui é política de algumas marcas mantê-los fechados a sete chaves, com medo de perderem clientes.

Existem vários tipos de manual de serviço. O mais comum, é o do próprio fabricante, como o da Harley Davidson aí da foto. Volta e meia alguém “distribui” em algum fórum diversos manuais para download.

Infelizmente, os manuais de serviço do fabricante são apenas técnicos. São desenhos com vistas explodidas, tabelas, part numbers e algumas informações e cuidados que se deve tomar ao fazer determinado serviço. Mas isso, muitas vezes, não é o suficiente para o mecânico novato, já que eles não ensinam o que fazer. Pra isso, você precisa ter aprendido as lições dois dois primeiros livros que eu citei aí em cima.

Outra opção são os manuais de serviço elaborados por terceiros. Neles você encontra dicas, fotos e macetes que não estão no manual do fabricante, tornando mais fácil a execução de diversas tarefas. Entre os mais famosos estão os da Clymer, cujo catálogo abrange os mais variados tipos de motos de diversos fabricantes. A Haynes também tem sua linha, mas os da Clymer são os mais conhecidos.

Outra fonte de informação interessante, mas específica para HDs, são os vídeos do Fix My Hog. Tenho os da Softail e Dyna e eles são de grande ajuda. Para mim, é muito mais fácil aprender observando outras pessoas fazendo o serviço. Obviamente, você não vai aprender a desmontar um motor com ele, mas aprenderá a fazer a revisão completa da sua moto, entre outras coisas. E o mais legal é que você nem precisa comprar os DVDs, os caras tem um serviço de assinatura pelo site que dá acesso a todos os vídeos.

 

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Para deixar claro, eu não sou, nem de longe, um mecânico experiente. Mas gosto de fuçar e aprender.  Sempre insisto nesse assunto aqui no Old Dog Cycles porque acredito que a gente adquire uma ligação diferente com nossas motos ao mexer nelas, além de aumentar nossa segurança caso surja um imprevisto.

Sem ao menos o conhecimento básico da moto, a experiência do motociclismo não parece completa.

(A foto que ilustra o post é do autor Matthew B. Crawford, autor do excelente Shop Class as Soulcraft: An Inquiry into the Value of Work, um livro que eu ainda pretendo fazer uma resenha aqui, e que fala dos prazeres e da importância de se meter a mão na massa. Recomendo.)

Sobre o anúncio polêmico

Engraçado como as opiniões podem ficar radicais rapidamente. No meu último post “Como irritar as motociclistas com apenas um anúncio“, eu mostrei a seguinte peça publicitária para uma calça feminina com proteção nos joelhos para se andar de moto:

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A frase “Você nunca sabe quando pode precisar” em conjunto dessa imagem, simplesmente me passou uma imagem machista e careta.  Foi argumentado de que ela é uma mulher liberal, que faz um boquete porque curte, e não porque a peça é machista. Mas continuo achando que não é esse o caso, ainda mais pelo histórico de comunicação da marca. Se o intuito fosse esse, ia ser muito mais legal mostrar um bonitão de joelhos com a mesma calça fazendo um oral nela. Alguns disseram que as mulheres acharam graça, outros não. Minha experiência pessoal mostrou que a maioria achou a peça de mal gosto.

Curiosamente, há mais de quatro anos, fiz um post justamente defendendo um anúncio que também havia gerado polêmica. Os críticos argumentavam que ele usava as mulheres como objetos, mas esse sim eu achei um exemplo de uma mulher fazendo o que bem entendesse.

Como o anúncio não estava apenas na The Motorcyclist, mas também estava na Inked, uma revista mais cabeça aberta, e uma das mulheres usava a linha feminina da Icon, eu realmente enxerguei como algo voltado para uma mulher que faz o que quer. Ficou sexy para ambos os públicos, ainda mais que “I kissed girl, and I liked” tinha virado até refrão de música pop adolescente.

Não quero chegar a nenhuma conclusão com esse post, apenas mostrar que opiniões não podem ser julgadas tão rapidamente. Eu não acredito em um mundo em preto e branco, mas em complexos tons de cinza.

Ei o post daquele época na íntegra:

O mundo está ficando muito chato

A Icon, que tem uma linha de roupas e capacetes para motociclistas, publicou o anúncio abaixo na revista Motorcyclist para divulgar sua linha feminina.

Como sempre, clicou ampliou.

Sensacional não? Bom, mas o pessoal anda muito tenso com as coisas. A revista não parou de receber reclamações por duas edições seguidas. Aparentemente esse anúncio é um exemplo do fim da família, da opressão masculina, do uso do couro de animais, da Angelina Jolie adotando orfãos, do El Niño e, principalmente, do fim da sociedade e do mundo como o conhecemos.

Eu continuo achando legal. Vai pro meu desktop.