13 coisas que aprendi com meu namorado motociclista

O texto abaixo é uma colaboração da leitora Jaqueline Ribeiro.

Muitas surpresas estão à espera daquelas que sem planejar acabam se tornando namoradas de motociclistas. E nem estou falando sobre velocidade, adrenalina, perigos ou todas aquelas coisas que nossos pais usam como justificativa para nos proibir de andar de moto quando somos mais novas.

Me refiro à descoberta de um mundo que poucas namoradas têm acesso, que é um mundo de extremo companheirismo e uma segurança diferente, que somente quem vive essa experiência é capaz de sentir.

Dedico esse texto à todas àquelas que ainda não tiveram o prazer de entender a importância da palavra “garupa” na vida de um motociclista. Também aquelas que compartilham do meu sentimento pois sabem do que estou falando ;)

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1. Moto não é lugar de roupa curta
Nem pra ele, nem pra gente. Não é por questão de estética, mas sim de segurança. Por mais que esteja calor, é necessário usar roupas que protejam o corpo em caso de situações inesperadas que não dependem só da condução do motociclista. O ideal seria utilizar roupas próprias para viagens de motos, principalmente ao pegar estrada, mas, se não tiver, ao menos usar uma calça, bota e jaqueta que protejam o corpo.

2. Ele não prefere a moto
Assim como nós, ele quer ao lado dele uma pessoa parceira. E ser companheiro é estar junto do outro em tudo aquilo que o faz feliz. Tudo bem se a namorada não gosta de moto ou tem medo… Só não é justo proibí-lo de pilotar ou ficar emburrada quando ele sair sozinho. Afinal de contas, todos temos nossas paixões e queremos que o outro participe delas conosco.

3. “A felicidade se encontra nas coisas mais simples da Terra”
E não é que o Armandinho tinha razão? Em nosso caso, a gente se dá conta disso quando percebe que para viver uma boa aventura de moto não é necessário se produzir toda ou usar roupas da moda. Isto porque, aquela roupa de proteção e/ou de chuva vai fazer parte dos nossos “looks do dia” mais do que a gente imagina. O “onde” se torna mais importante do que o “como estamos vestidas”.

4. A gente acaba ganhando um “filho”
Calma, eu explico! Estou falando do capacete, que passa a ser companheiro fiel independente da ocasião. Mas a gente se acostuma com a presença dele inclusive em refeições de encontros românticos.

5. Esqueça os penteados
Simples assim. O capacete acaba com qualquer coisa bacana que a gente faz no cabelo. Mas pelo menos ficamos com um charme que é só nosso. Principalmente aos olhos dele. Hehe

6. Frescura não tem vez
Pelos motivos anteriormente citados, a gente aprende a levar uma vida mais leve e aproveitar as coisas que realmente importam. Longe do luxo e ostentação aprendemos a admirar as coisas como elas são.

wpid-wp-14198976888947. É inevitável pesquisar sobre motos
Pois é, esse assunto pauta muitas das conversas do casal e ninguém gosta de estar por fora de um assunto que agrada a pessoa que a gente ama, né?! Além disso, por muitas vezes somos companhia para assistir aquele “motovlog” que ele tanto gosta.

8. Uma moto une as pessoas
Simplesmente porque a segurança dos dois depende da harmonia que precisa rolar a cada curva. Mesmo estando brava com ele por algum motivo, a gente acaba se rendendo à sintonia que o momento pede.

9. É preciso aprender a driblar o sono
Principalmente para aquelas que, como eu, só de pegar uma estrada boa, numa velocidade constante por muito tempo, os olhos já começam a fechar… Dica: Cantar uma música ajuda, rs.

10. Capacete pode ser sinônimo de reconhecimento
Se quando o assunto é Playstation, dar o play 1 para a pessoa amada é prova de amor, no mundo das motos, sortuda é quem anda com o melhor capacete, geralmente o do namorado, que gentilmente cede pra gente como demonstração de reconhecimento e cuidado.

11. Ser garupa numa custom é para as fortes!
Já diz o velho ditado: “tudo tem seu preço”. No caso de uma custom, a beleza e estilo da moto escondem a dureza e desconforto que é ser garupa por muito tempo. De vez em quando é necessário dar uma ajeitadinha no corpo para relaxar os músculos, mas nada que um bom descanso depois não resolva! (Se pedir com jeitinho, ele faz uma pausa para esticarmos as pernas)

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12. Eles não esperam que nos tornemos pilotas de moto
Não é preciso ficar encucada achando que o namorado espera que a gente se torne motociclista e compre nossa própria moto para o rolê ficar mais interessante. É claro que seria bacana se isso acontecesse, mas, o que importa mesmo é o valor que eles dão por ter uma garupa parceira!

13. A gente descobre uma nova paixão
A menos que haja traumas ou um medo absurdo de andar de moto, a gente se apaixona pelo prazer e sensação de liberdade que um passeio de moto proporciona. O fato de vivenciar isso coladinha nele deixa tudo mais gostoso!

Sobre a autora
Jaqueline tem 24 anos, é Jornalista e, quando se deu conta, estava imersa no mundo das motos. Graças ao namorado, ela descobriu uma paixão que surgiu naturalmente, fruto das sensações que ele trouxe à vida dela.

Crítica: 21 Days Under the Sky

Aparentemente eu sou a última pessoa no mundo da internet a falar sobre o filme 21 Days Under The Sky, disponível na Netflix. Perdi a conta de quantas pessoas entraram em contato comigo pela página do Old Dog Cyles no Facebook para dizer o quanto gostaram dele.

E a verdade é que eu também gostei do filme, mas talvez não tanto quanto os leitores aqui. Ele é um bom filme, mas acho que ele perdeu uma grande oportunidade de ser um ótimo filme.

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O lado bom

21 Days Under The Sky conta a história de quatro pessoas que decidem cruzar os Estados Unidos de ponta a ponta em motos vintages. Eles vão de São Francisco até Nova York para participarem do Brooklyn Invitational, uma das exposições de moto mais alternativas e exclusivas do mundo.

É um filme/documentário produzido pela Dice Magazine, que dispensa comentários. Ela é um excelente fonte de informação sobre customização, especialmente quando o assunto são os estilos mais undergrounds e californianos.

O filme é narrado por ninguém menos que Robert Patrick, que dá um tom completamente poético em sua locução. Para quem não se lembra, ele é o ator que interpretou o T1000 do filme “O Exterminador do Futuro 2” e é também o pai do Johnny Cash em “Walk The Line” (ambos filmes fodásticos na opinião deste que vos escreve).

E qual a relação dele com o mundo das motos? Ele é membro dos Boozefighters MC, um dos MCs mais antigos do mundo em atividade. Você pode saber um pouco mais sobre eles neste post aqui.

Fotos: Amanda Demme
Fotos: Amanda Demme

A trilha sonora do filme foi muito bem acertada, criando o clima perfeito pra uma road trip. Quem tem Spotify pode encontra-la facilmente na íntegra. É o tipo de som que faz você querer pegar a estrada, imediatamente.

O ruim

O filme é um produto da estética hipster e de produtos criados para os millenials. Apesar de gostar bastante de muita coisa que sai dessa galera, 21 Days Under The Sky sofre de um grande mal comum de produções dessa geração: é um filme vazio, priorizando a forma sobre o conteúdo e colocando imagens bonitas e bem acabadas no lugar de momentos reais.

É fácil notar isso quando, depois de quase 90 minutos de filme, você passa a perceber que não sabe absolutamente nada sobre os quatro amigos que decidiram cruzar a América juntos. O que os motivam, quem eles são, o que estão achando do desafio. O que é uma pena, porque muitos deles são personagens interessantes, como o fotógrafo Josh Kurpius, que eu já mencionei diversas vezes aqui.

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Foto: Josh Kurpius

Ao invés disso o que o filme decide mostrar são apenas os momentos mais “estéticos”, cenas que servem apenas para criar um clima, ao invés de mostrar o que realmente está acontecendo entre eles.

Não vemos laços se formando, não vemos conversas de beira de estrada, nada. Tudo vira um grande vídeo clipe permeado por uma estética dos anos 70 (reforçada pelas motos e pela vestimenta dos personagens) ao invés de se tornar um verdadeiro road movie.

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Às  vezes o filme parece forçar a barra em parecer cool. Todo mundo jovem e atraente, fazendo um esforço consciente para parecer desleixado. Como na cena que um deles espera a namorada com cara de modelo fashion costurar sua calça, como se aquela fosse a única que ele possuí. Pra mim, uma únicas cenas realmente autênticas foi ver um deles quase derrubar a moto quando a moto tombou com a bagagem.

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A locução, apesar de impecável, tentar dar ao filme um caráter épico que não combina com o que está acontecendo em cena. Eles não estão fazendo absolutamente nada de revolucionário ou corajoso, criar poemas beatnicks sobre os quatro amigos na estrada é um pouco de exagero.

Ok, eu entendo que cruzar os EUA em uma moto vintage é divertido. Mas dizer que fazer 3.800km em 21 dias em um país com estradas magníficas e bastante seguras é algo “para os corajosos e bravos” é uma enorme bobagem. Tem leitor aqui do blog que percorre essa distância em menos de 4 dias ou passando por lugares muito piores e com bem mais improviso. É só ver a história do Filipe que está indo até o Alasca e do Arthur que foi de Tubarão até a Costa do Chile sozinho.

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Outra coisa um tanto forçada foi a cena psicodélica deles fumando maconha em um bong. Ah, peralá… Quem fica doidão daquele jeito por causa de cannabis? A tentativa de replicar a viagem de ácido ao final do filme Easy Rider com uma droga que atualmente é legalizada para uso medicinal e recreacional em alguns estados é só mais uma tentativa de parecer ousado.

E quando eles, finalmente depois de toda essa viagem (sem trocadilho), chegam ao Brooklyn Invitational… O FILME ACABA!

Confesso que isso me revoltou. Além de Nova York ser uma cidade bem legal, especialmente o bairro do Brooklyn, o evento é muito bom e merecia aparecer no filme.

Afinal, foram 21 dias pra chegar lá, não?

O veredito

É um ótimo videoclipe, com belas motos e belíssimas cenas. Mas acaba se levando à sério demais, o que é uma pena. Em busca da autenticidade, a primeira coisa que desapareceu no filme foram justamente os momentos autênticos.

Dou três de cinco cervejas.
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Filmes legais de moto que (talvez) você não tenha visto

A novas Scramblers (e o que é uma Scrambler?)

A moda retrô é algo que tem influenciado diversos segmentos do mercado, de câmeras fotográficas a até motocicletas. E depois da febre das cafe racers, as montadoras agora parecem ter redescoberto as scramblers.

Essa semana a BMW anunciou a sua, enquanto que a Ducati lançou seu modelo ano passado com bastante estardalhaço. E graças a uma combinação de agilidade, torque e preço, a Ducati Scrambler se tornou um sucesso de venda em alguns países e tem se tornado uma moto bastante customizada por aí.

Ducati Scrambler, um sucesso de venda em diversos países
Ducati Scrambler, um sucesso de venda em diversos países

Mas o que é uma Scrambler?

A definição de scrambler é bem simples: elas nada mais são do que as avós das motos que hoje costumamos chamar de trilha ou enduro.

O nome veio da expressão “to scramble”, que é quando se sobe uma colina rapidamente usando os pés e as mãos. O apelido surgiu nos anos 50 para batizar as motos adaptadas para corridas do tipo enduro. Nelas, os pilotos colocavam pneus para terra, escapamento mais alto e um guidão mais largo com aquela característica barra na parte superior, que evita que ele entorte nas frequentes quedas do off-road.

Mais tarde, nos anos 60, os fabricantes passaram a adotar o termo e lançar suas versões já prontas de fábrica, sendo um dos maiores expoentes daquela época a clássica Triumph Scrambler.

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BMW R Nine T Scrambler

O mais recente lançamento desse estilo é a BMW Nine T Scrambler. A moto tem as mesmas características da Nine T original, com seu motor boxer dois cilindros de 1200cc a ar, gerando 110cv de potência. O modelo inclui algumas mudanças, como o escapamento mais alto, alterações no quadro e suspensões, sanfonas na bengala entre outras perfumarias.

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Infelizmente, a BMW R Nine T convencional não está mais à venda no Brasil (suspiros… eu gostava dessa moto), por isso a marca não tem planos de trazer a versão Scrambler para cá.

Curiosamente, a Ducati está fazendo justamente o oposto, com uma campanha bem agressiva para vender a sua Ducati Scrambler no Brasil, enquanto que a Triumph também voltou a oferecer a sua já conhecida Triumph Scrambler por aqui.

Parece que as Scramblers vieram para ficar. E vocês, o que acham do estilo?

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Moto autuada a 250km/h. E daí?

Do Estadão de hoje:

A 250 km/h, moto no RS atinge a maior velocidade do ano em rodovias federais

PORTO ALEGRE – A Polícia Rodoviária Federal (PRF) do Rio Grande do Sul flagrou neste domingo, 10, uma moto a 251 km/h na BR-290, conhecida como Freeway, no trecho entre os municípios de Osório e Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre. Conforme a PRF, este foi o recorde de excesso de velocidade em rodovias federais de todo o País neste ano. Até então, o maior índice registrado havia sido de 229 km/h por uma moto no Estado de Goiás.

Toda vez que eu vejo uma notícia dessas, eu penso como as nossas autoridades devem estar alheias ao que acontece nas nossas estradas. Em seis meses a maior velocidade registrada no Brasil inteiro tinha sido 229km/h?

Peço desculpa as autoridades, mas ou vocês estão cegos, ou a galera é muito esperta, ou é algo bem pior que isso. Porque esse tipo de velocidade é o que mais acontece por aí. Se isso ainda é notícia pra vocês, é porque estão passando batidos vários e vários outros casos.

Aqui em São Paulo, tem racha de superesportivo na Rodovia Castelo Branco com carros que chegam a 300km/h. Antigamente tinha na própria Marginal Pinheiros, com carros passando dos 250km/h dentro da cidade.

Todo final de semana, na Rodovia dos Bandeirantes, tem esportiva batendo os 300km/h. Todo… Santo… Domingo. Inclusive, já vi algumas delas passando por mim enquanto eu estava parado na blitz pra verificarem o selinho do meu capacete.

(Mas eu entendo perfeitamente, o meu AGV sem selo ou o Bell aberto do meu amigo são o verdadeiro perigo pra sociedade.)

Se vocês duvidam de mim, é só abrir o YouTube e digitar 300km/h ao lado do nome de alguma estrada ou rodovia famosa. Vai ter vídeo para todos os gostos (uma curiosidade: aqui no Brasil ninguém pode ser preso por causa de um vídeo desses, enquanto que no Canadá, EUA e França tem gente puxando cadeia por ter postado vídeos assim).

Só na primeira busca, já achei um vídeo de um cara a 300km/h e que ainda acha engraçado tirar fina de ciclista no acostamento.

E esse é outro aspecto peculiar da internet. Se o vídeo postado não tem morte nem acidente, o cara é um herói. Ganha facilmente 100 mil inscritos e todos os comentários são sobre como o sujeito pilota muito.

Mas se o cara matar alguém, aí vira comoção nacional! Querem colocar o cara numa fogueira em praça pública. Só que, muitas vezes, são as mesmas pessoas que deram jóinha e elogiaram vídeos dessas peripécias.

O cara no vídeo andando nessa velocidade pode até ser o melhor piloto que o Valentino Rossi, mas nas ruas isso não quer dizer nada. No autódromo não tem criança correndo atrás de bola, carro quebrado no acostamento, poça de diesel, areia ou pai de família levando os filhos. Em um autódromo, o maior provável de morrer é o piloto, enquanto que nas ruas ele pode levar uma família inteira junto.

“Ah, até parece que moto vai matar alguém! O cara morre sozinho.” Não, meu amigo, isso é física básica. Um objeto de 200kg andando em alta velocidade é uma bala de canhão. Além do perigo de um atropelamento, é isso o que acontece quando uma moto acerta um carro em alta velocidade:

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É por isso que eu digo: quem dá like, jóinha e estimula esse tipo de vídeo, também é parte do problema. Sem a platéia que a GoPro e o YouTube trazem, muitos desses caras não iam fazer isso.

O que anda acontecendo com o mundo?

Sério: o que anda acontecendo com a nossa sociedade para esse tipo de cena se tornar cada vez mais comum?

O fato ocorreu durante o Memorial Day americano. A Patrulha Rodoviária da Flórida, onde o fato abaixo ocorreu, disse que conseguiu prender o motorista logo após o incidente. Tanto o piloto quanto a garupa foram levados ao hospital apenas com ferimentos leves.

O único consolo é saber que essas motos (pelo menos por enquanto) ainda são fabricadas com metal de primeira. Porque esse carrinho parece ser feito só de plástico…

O The Young Turks fez uma matéria um pouco mais completa sobre o assunto (em inglês).

A Harley-Davidson pode mudar de dono (outra vez)

Existe uma forte especulação no mercado financeiro de que o grupo investimentos privado chamado Kohlberg Kravis Roberts & Co., estaria tentando um aquisição hostil da Harley-Davidson, oferecendo até US$ 65 por ação da fabricante de Milwaukee, mais de 20% acima do valor de mercado.

Contactada, a Kohlberg Kravis Roberts & Co. não confirmou ou negou a estratégia de aquisição. A empresa já virou notícia quando sua aquisição de $25 bilhões de dólares da RJR Nabisco inspirou o livro “Os Bárbaros ao Portão”. Nos últimos anos, a KKR&Co. adquiriu dezenas de outras companhias.

O boato já está sendo debatido em diversos meios de comunicação e nas redes sociais. Caso concretizado, essa será a terceira vez que a marca muda de mãos. A primeira mudança foi quando a AMF, fabricante de artigos esportivos, comprou a marca para especular. Sob as mãos da AMF a Harley teve um dos seus momentos mais inglórios, com drástica redução de custos, controle de qualidade comprometido, sabotagem na linha de produção causadas pelos próprios operários insatisfeitos e uma linha de produtos que chegavam a incluir snowmobiles, carrinhos de golfe e motos de baixa cilindrada.

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Já a segunda mudança foi quando o fracasso da AMF fez com que um grupo de descendentes dos fundadores se juntassem para comprar a marca de volta, entre eles o notório Willie G. Davidson, um dos principais responsáveis pelo redesenho das motos e pela restauração da reputação da Harley Davidson.

amf-harley-davidson-250-sst-03“A Harley-Davidson é a marca de motos mais valiosa do planeta. Depois de uma pesada recessão, reestruturação gerencial, corte no inventário e reposicionamento de produtos, ela investiu internacionalmente e fortaleceu o seu balanço.” disse um analista. Segundo ele, isso a torna uma empresa extremamente atraente para alguns investidores.

Se for confirmado, essa aquisição promete balançar o mercado de motos e pode significar uma profunda mudança nos rumos da companhia.

No entanto, uma aquisição formal não pode acontecer sem a aprovação do board da empresa, e os especialistas dizem que isso não será uma tarefa fácil. Justamente por isso, muitos no mercado consideram o rumor infundado e as ações da companhia simplesmente despencaram ontem, após uma forte subida ocasionada nos últimos dias pelo boato.

É aguardar os próximos capítulos.

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Levar um tombo é inevitável?

Beijar o asfalto.
Comprar um terreno.
Levar um rola.
Ir pro chão.
Dar um Kaput.

Diz aquela velha frase que só existem dois tipos de motociclistas: os que já caíram e os que ainda vão cair. Ontem foi minha vez. Apesar de não ser o primeiro, foi certamente o mais idiota.

Culpados? Da parte do motorista, uma bela fechada no meio de uma curva em U. Da minha parte, uma curva muito mais ousada do que o bom senso manda ter na cidade, ainda mais na pequena Crypton, a motinho que eu uso pra bater no dia a dia. (pensando bem, depois desse acidente, acho melhor parar de me referir à ela assim)

Não sou daqueles que, depois de um acidente, ficam fazendo engenharia reversa e dizendo que fizeram isso ou aquilo, que derraparam a moto de propósito, deitaram ela, fizeram um RL e bla bla bla. Como dizem os americanos, isso é bullshit.

Essas coisas acontecem em milésimos de segundo e quem assume o controle nessa hora são seus instintos. Quem fica inventando muito ou está mentindo ou está tentando se enganar. No meu caso foi simples: a moto já estava raspando a pedaleira no chão, quando um carro ultrapassou o sinal e veio me abalroar lateralmente, eu não tinha mais nenhum ângulo pra onde fugir e fui pro chão.

É por isso que eu sempre digo que precisamos ter um limite de sobra quando andamos nas ruas. Se a gente já está no limite do que a moto ou a nossa habilidade podem fazer, nossos créditos estarão esgotados em caso de emergência.

No meu caso, a conta veio na forma de calça rasgada, jaqueta de couro ralada, joelhos e cotovelos esfolados, uma baita dor nas costelas e uma maior ainda no orgulho.  E, claro, um monte de plástico pra se trocar na motinho.

Mas isso me lembra uma coisa que a maioria dos leigos adoram repetir na nossa cara: moto foi feita pra cair.

Motos foram feitas pra cair?

Não. Motos foram feitas para ficarem de pé. Preferencialmente com o lado da borracha para baixo. Apesar de possuírem muito menos segurança passiva do que um carro, com seus airbags e célula de sobrevivência, em teoria temos mais segurança ativa. Isso significa que se a gente souber usar, muitas vezes teremos mais chance de escapar e desviar de um acidente do que um carro.

Muitas vezes, mas não todas.

Anos atrás o Wolfmann fez um post ótimo cuja leitura eu recomendo na íntegra aqui. Mas um trecho em específico sempre ficou na minha cabeça, por isso eu vou tomar a liberdade de reproduzi-lo:

Todo mundo cai: tombo bobo, acidente grave ou simplesmente não agüentar o peso porque pisou em um folha solta no chão. E quando não é isso, foi porque algum infeliz achou que o carro passava no espaço deixado pela moto e vai dividir faixa entre a moto e outro carro, distraiu com o rádio, celular, filho no banco traseiro e assim por diante. São vários relatos assim. E nem comento as imprudências do dia a dia que nós mesmos fazemos porque entramos em “psycho mode” depois de se aborrecer em casa ou no trabalho.

Moto vem sendo minha companheira há mais de trinta anos e nem por isso esqueço como é perigoso (e fica cada dia mais perigoso) usá-la. Não vou desistir de pilotar, mas não dá para esquecer disso.

Treinar manobras de emergência até virar reflexo condicionado, procurar oportunidades para manter e avaliar sua pilotagem nas várias condições (até um passeio coxa do HOG serve para você se avaliar na estrada ou pegar chuva voltando para casa).

(…)

A idéia é chegar aos 90 de idade em cima de uma moto (provavelmente será um Trike ou terá marcha a ré porque o corpo mão vai agüentar o esforço), mas para isso tem de usar o que já aprendi e prestar atenção a alguma coisa que ainda preciso aprender.

Calouros caem porque não tem quem mostre onde pode a acontecer um imprevisto ou onde eles falham. Veteranos caem porque não tem humildade para receber uma crítica.

Mas todo mundo cai.

Amigos, boas estradas para vocês. E por favor, mantenham o lado com a borracha virado para baixo.

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De 0 a 400km/h em apenas 26 segundos

É isso mesmo: no tempo em que alguns carros nacionais demoram pra chegar aos 120km/h, o piloto Kenan Sofouglu chegou aos 400 km/h em uma Kawasaki Ninja H2R.

A façanha aconteceu ontem em uma ponte no país natal do piloto, a Turquia. A ponte foi fechada para que o campeão mundial da Supersport pudesse quebrar o recorde de velocidade máxima em uma moto de produção em linha.

Especialistas temiam que os pneus estourassem devido às altas temperaturas causadas pela velocidade, caso a tentativa ultrapassasse os 30 segundos.

A moto usa um supercharcher em seu motor de quatro cilindros de 998 cc para gerar 316 cavalos e é um dos mais velozes da atualidade. Aqui no Brasil ela custa a bagatela de apenas R$ 350 mil.

Eu, honestamente, não consigo nem imaginar o que é a sensação de andar nessa velocidade. Já  a sensação de andar numa custom a 180km/h contra o vento é mais ou menos assim:

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(Imagem tirada do programa francês MotoJournal, do teste da Fat Bob na Ilha do TT. Você pode assistir a esse vídeo aqui.)

Motoqueiro cai de viaduto no Rio de Janeiro.

O repórter Dil Santos, da BandRio, registrou o momento em que um Harleyro foi jogado de um Elevado no Rio de Janeiro e acabou quebrando as duas pernas. Quer dizer, jogado em termos, só de assistir o vídeo já dá pra ver que vai dar merda e ele acaba caindo por isso.

Não sei quanto a vocês, mas eu costumo ficar bem atento quando se trata desses viadutos com a proteção baixa.

Dica do Vagner Carneiro nos comentários.

Club Bikes: as customs feitas para correr

Esse vídeo está no Instagram da Club Style Dyna Thailand, dedicado ao estilo Club Bike, que foi popularizado pelos motoclubes americanos e, mais recentemente, pela série Sons of Anarchy.

Não preciso nem dizer que, apesar da evidente habilidade do piloto em questão, o que ele está fazendo é extremamente perigoso, ainda mais considerando que o cara fez um drift involuntário em alta velocidade usando apenas camiseta e jeans. Um tombo nessa velocidade, numa estrada dessas e sem usar proteção significa, no melhor cenário possível, vários dias no hospital.

O que são club bikes?

As Club Bikes surgiram quando os MCs começaram a procurar por uma custom americana (pré-requesito para fazer parte de muitos clubes nos EUA) que fosse rápida e ágil. Desde a metade dos anos 90, a Dyna é sem dúvida alguma a club bike favorita, já que ela é um pouco mais leve, utiliza comandos centrais e possui uma posição de pilotagem mais alta do que as Softails, o que favorece a ciclística nas curvas.

Mas, por muitos anos, a menina dos olhos dos clubes foi uma moto pouco conhecida por aqui, mas que até hoje é disputada a tapa entre as usadas: a Harley-Davidson FXR, que teve em sua equipe de projetistas ninguém menos do que Eric Buell.

FXR: a primeira club bike

Quando foi lançada em 1982, a FXR prometia ter o mesmo desempenho de motos japonesas da época. E, assim como Dyna que a sucedeu, ela também possuía um banco mais alto e comandos centrais elevados, o que a tornava a Harley com o maior ângulo nas curvas que já havia existido até aquele momento. O quadro era bem rígido e reforçado, com diversas soldas feitas à mão, uma vantagem que se tornaria justamente o seu calcanhar de Aquiles: fabricá-lo custava muito caro.

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A FXR era muito estável em altas velocidades, já que usava mais pontos de fixação entre a transmissão e o motor, o que fazia com que ela se comportasse como se fosse uma moto com motor de construção única, dando mais rigidez ao conjunto. Essa solução foi abandonada na Dyna, o que leva muitos proprietários a instalarem soluções como o True-Track para estabilizar o chassi, já que algumas Dynas possuíam um problema crônico de shimming (eu experimentei um a 150km/h e posso afirmar: nunca quero passar por isso de novo).

A era das Dynas

Mas no final dos anos 80, temendo que a FXR ficasse muito similar com as motos importadas e não entregasse a “imagem” que os consumidores esperavam de uma Harley, os projetistas começaram a trabalhar na Dyna, cuja a missão era ser uma FXR mais barata de ser fabricada, mas com qualidades semelhantes. Em pouco tempo a Dyna canibalizou a linha FXR, que saiu de linha.

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FXR, que ficou ainda mais famosa com o filme Harley-Davidson e Marlboro Man.

Com o tempo, os clubes foram substituindo a FXR pela linha Dyna, que, apesar de possuir um frame inferior ao da FXR, ainda sim era mais ágil que as Softails da época.

Como o estilo se baseia na função antes da forma, a maioria das alterações são para melhorar o desempenho. Não é raro ver bike runs de grandes clubes com a galera andando em formação a mais de 170km/h e costurando pelo trânsito, algo ilegal na maioria dos estados Americanos.

Obviamente que Dynas não são unanimidades, existem diversos outros membros de MCs com outros modelos e estilos de motos. Mas por ter sido um dos estilos mais populares, as Dynas e FXRs acabaram ficando com a fama.

Alguns exemplos de Dynas no estilo Club Bikes:

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E um featurette sobre as motos do seriado “Sons of Anarchy”: