A origem das coisas: coletes para andar de moto

No início da era do motociclismo, os primeiros MCs, do jeito como os conhecemos hoje, eram formados por veteranos do exército que usavam o mesmo tipo de identificação com a qual eles estavam acostumados durante a Segunda Guerra Mundial: jaquetas de couro com pinturas indicando o seu esquadrão, inspiradas na nose art das aeronaves.

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Já contei um pouco sobre esse tipo de MC no post “Os verdadeiros Wild Ones“, e como a cultura militar influenciou o motociclismo com seus patchs (escudos), regras e iniciações.

Por muito tempo a jaqueta de couro serviu dois propósitos: identificar o motoclube da qual o dono fazia parte  e se proteger dos inevitáveis tombos, já que os pioneiros eram chegados em corridas e não existe nada melhor do que o couro para salvar nossa pele. O personagem do Marlon Brando ilustra bem isso com sua jaqueta do Black Rebels Motorcycle Club:

Marlon Brando BRMC

A razão de se trocar as jaquetas pelos coletes de couro ou jeans, nunca ficou clara. Mas existem algumas teorias:

Alguns acreditam que é mais uma das influências do mito do cowboy, discutido neste post aqui. Os vaqueiros americanos costumavam usar coletes de couro para proteger o peito do frio, mas de forma a deixar os braços livres para se movimentarem e cavalgarem melhor.

Photography ©2011 Michael Lichter.
Photography ©2011 Michael Lichter.

Outros, como eu, acreditam que os coletes também foram a maneira encontrada de se mostrar o logo do clube tanto no calor como no frio, já que os primeiros grandes MCs surgiram na ensolarada Califórnia. Um colete jeans, por exemplo, pode ser usado tanto sobre uma camiseta quanto sobre uma jaqueta de couro, e você continua mostrando as cores do seu clube em ambas situações.

Sem falar que existe um motivo muito prático para os coletes fazerem tanto sucesso entre quem anda de moto, e que vai muito além da imagem dos motoclubes: bolsos e mais bolsos. Não tem jeito melhor de carregar as pequenas coisas do dia a dia do que nos bolsos de um colete.

E aí sempre surge aquela velha discussão: mesmo não sendo de um MC, posso usar um colete? Claro que pode. Eu mesmo uso um de vez em quando com o Old Dog nas costas, o mascote do site.

Você é livre pra fazer o que quiser, desde que não provoque ninguém, como por exemplo imitar o logo de um MC existente, ou usar adereços de clubes 1%er se você não faz parte deles. Afinal, esses caras suaram para conquistarem seus escudos e não estão afim de ver qualquer um ostentando esses ícones. É o mesmo sentimento de quem serviu o exército tem com o pessoal que usa adereços de “moda militar”, mas com a diferença de que um ex-militar dificilmente vai te parar na rua para tirar satisfação.

Eu e o resto da galera que escreve sobre motociclismo na internet, estamos avisando há tempos como as coisas funcionam, e as pessoas tendem a achar que isso é nossa opinião, com os comentários sempre terminando naquele mimimi de “eu posso fazer o que eu quiser”.

Acontece que isso não é nossa opinião, é um fato. As coisas variam de estado pra estado, e de clube pra clube, mas no geral são como a gente costuma explicar. E todos nós andamos com membros de clubes, temos grandes amigos neles e, em nome dessa amizade, tentamos ensinar como as coisas são para evitar problemas para ambos os lados. Nosso objetivo sempre foi divulgar mais da cultura motociclística, evitar problemas para quem está chegando e respeitar os que vieram antes de nós e abriram caminho.

Se você quer acreditar que no Brasil é diferente, fique à vontade. Mas depois não vai me mandar um dos emails que recebi com gente chorando as pitangas porque teve o patch do Sons of Anarchy arrancado do colete.

Rota 66 ontem e hoje

A Rota 66 é certamente um dos ícones do motociclismo mundial, e boa parte dessa razão pode ser vista no post “Motoqueiros e Cowboys“.

Ela é uma das highways originais dos Estados Unidos, e cruza o país de ponta a ponta, ligando Santa Monica, na Califórnia até Chicago, Illinois. Curiosamente, apesar desse ser o caminho mais comum dos turistas, o trajeto histórico era justamente o oposto, com os pioneiros desembarcando na Costa Leste e desbravando o país na direção do Oeste.

Recentemente, a fotógrafa Natalie Slater resolveu criar uma série chamada “The Mother Road Revisited“. Usando fotos antigas da Rota 66 como referência, ela decidiu cruzar o país em um trailer com mais de 40 anos de idade para fotografar novamente os mesmos lugares, com exata mesma composição, criando um curioso antes e depois daqueles locais.

Alguns gifs publicados pelo site PetaPixel que ilustram o projeto:

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Loud Pipes Save Lives

Entra a galera Harleyra, há o famoso ditado “Loud Pipes Save Lives” (escapes barulhentos salvam vidas). Em parte eu até concordo, mas acho que o pessoal perdeu o limite e hoje passamos daquele ronco agradável, para escapes projetados para fazer o maior barulho possível. E o que é pior, muitas vezes até com perda de performance, o que pra mim é um crime inafiançável.

Se você precisa usar um protetor auricular para pilotar sua própria moto apenas por causa do escapamento, tem algo muito errado. Isso é completamente injusto com as demais pessoas ao seu redor e só serve para aumentar nossa fama de Harley Fags:

Sou mais favorável ao slogan:

“Escapes barulhentos salvam vidas,
mas aprender a pilotar de verdade
salva muito mais”.

Sem falar que é o que um velho motoqueiro me disse uma vez: Existe uma linha muito tênue que separa um motoqueiro que causa admiração por onde passa, de um que todo mundo olha e acha um completo babaca.

Acho que ninguém gostaria de ser o segundo…

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Qual é a moto do filme Edge of Tomorrow?

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Muita gente me perguntou “que Bonneville estranha” era aquela pilotada pelo Tom Cruise na ficção-científica Edge of Tomorrow (no Limite do Amanhã em Português). Essa é fácil: é uma Triumph Thruxton, que nada mais é do que uma Bonneville cafe racer de fábrica.

Felizmente, com a chegada da Triumph no Brasil, a Thruxton é um dos modelos que agora estão disponíveis para nós, e já conheço alguns felizes proprietários dela.

A diferença para a Bonnie está na pegada mais esportiva, com posição de pilotagem um pouco mais agressiva, suspensões diferentes, guidão baixo, motor um pouco maior e mais potente, roda de 18″ na frente, entre outros detalhes.

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Tem dúvida de alguma moto que apareceu no cinema? Deixe nos comentários que eu incluo nos próximos posts.

Outros posts da série:

Quais são as motos do seriado Sons of Anarchy?
Quais são as motos do Exterminador do Futuro I e II?
Qual é a moto do filme “Os homens que não amavam as mulheres”?
Qual é a moto do filme Harley-Davidson e Marlboro Man?
Qual é a moto do Michael Douglas em Chuva Negra?
Qual é a moto de “Tron – O legado”?
Qual é a moto do Capitão América – Primeiro Vingador?

A eterna Bettie Page

Foto de Bunny Yeager.
Foto de Bunny Yeager.

Desde os primórdios, a Kustom Kulture sempre andou lado a lado com as pinups. E a mais seminal de todas elas é certamente a eterna Bettie Page. Por isso, para quem se interessa pelo assunto, recomendo o documentário “Bettie Page Reveals All”, disponível na Netflix Brasil.

Ao contrário do filme “The Notorious Bettie Page”, que se baseou apenas em entrevistas e relatos sobre a modelo, o documentário é um relato muito mais preciso sobre a conturbada vida que ela levou, da fama underground, passando pelos problemas psiquiátricos, até o seu auto-exílio. Contém entrevistas com amigos, ex-amantes, filmagens raras dos ensaios fotográficos e, para fechar com chave de ouro, é narrado pela própria Bettie, já com idade avançada.

Recomendo, é uma aula de história sobre essa subcultura que hoje se tornou mainstream.

Dyna Guerilla da Rough Crafts

A Rough Crafts uma oficina de Taiwan, criou uma das Sportsters que mais fez sucesso aqui no site e em muitos outros, a Iron Guerilla.  Recentemente, eles fizeram uma releitura daquela moto, dessa vez em cima de uma Dyna Fat Bob 2009, que também batizada de Guerilla.

Seguem algumas fotos divulgadas por eles para inspirar. Tem boas ideias de customização que podem ser usadas pra quem está pensando em mexer na Dyna, uma das motos mais versáteis da HD.

Para quem gostou dessa frente mais parruda, ela foi feita rebaixando as molas da suspensão dianteira, com um kit da Progressive tanto na dianteira como na traseira. As duas rodas são de aro 16, com pneus Coker/Beck Cycle Blackwalls.

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Se fabricada hoje, LiveWire custaria 50 mil dólares

LiveWire

Apesar do enorme barulho (sem trocadilhos) feito ao redor do projeto LiveWire, infelizmente ele vai continuar sendo apenas um protótipo por muito tempo.

Segundo Matt Levatich, Presidente e COO da Harley-Davidson, se fabricada hoje a LiveWire poderia custar em torno de 50 mil dólares devido aos custos da atual tecnologia de baterias. Para ele, a Livewire dessa forma custaria o dobro do que um consumidor aceitaria pagar no EUA, por uma moto que tem a metade da autonomia que ele espera. Por isso, enquanto o preço das baterias não cair, a LiveWire vai continuar sendo apenas uma curiosidade.

Em tempo: fazendo uma conversão de acordo com o preço praticado lá e com o que é cobrado por aqui, significa que a Livewire poderia romper a barreira dos 200 mil reais em terras tupiniquins.

E se lá fora o consumidor não pagaria 50 mil dólares de jeito nenhum, conhecendo alguns dos consumidores de HD que temos por aqui, não duvido que ia ter gente desembolsando os 200 mil reais com gosto. É só lembrar que a V-Rod custava ligeiramente menos que uma Fat-Boy lá fora, mas chegou a ser vendida aqui na época da Izzo por mais de 70 mil reais e tinha fila de espera.

Pensando fora da caixa – One Punch Mickey & Salander

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Uma customização bem diferente, feita pela Zadig Motorcycles em cima de uma Sportster. Você pode saber mais sobre ela aqui.

Abaixo, você confere a moto chamada Lisbeth Salander. O mais interessante dela é o nome, em homenagem a personagem de mesmo nome da trilogia Millenium. Na série de livros, ela andava em uma moto customizada por ela mesmo, tudo feito na base do improviso. A versão do cinema dessa mesma moto, você confere neste post aqui.

Vale a pena visitar o site dos caras: belas motos e também belas fotos.

Crédito do vídeo: Sebastien Laurent

Sou Harleyro de coração, mas talvez em extinção

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Apesar de ser um dos grandes críticos da marca Harley-Davidson (como mencionei na “Carta aberta aos leitores do blog“), é preciso sempre deixar claro que eu sou um dos grandes fanáticos pelas motos Harley-Davidson. No mundo das duas rodas, um V2 refrigerado a ar sempre fez meu coração pular mais forte.

E uma das coisas que sempre admirei nas motos da HD, foi o fato delas serem simples de manter, duráveis e praticamente imunes aos modismos e tendências passageiras. O legal de comprar uma Harley era que você podia rodar muito, usar bastante, e mesmo assim continuar com uma moto praticamente atemporal.

É aquela velha piada “motos ficam velhas, Harleys viram clássicos”. Num grupo de HDs, você chegar com uma velhinha, ou até mesmo uma mais recente EVO, era sempre motivo de admiração dos demais. Não era raro ouvir alguém dizer que queria deixar aquela moto pro filho.

E isso era legal demais. Sou um cara que acredita que o clássico nunca sai de moda. Jeans, camiseta branca, Stratocaster, Ray-Ban, Harley-Davidson.

Sei que isso pode parecer contraditório para os leitores frequentes aqui do blog, pois muitas vezes sou um grande defensor da inovação. Mas é preciso deixar claro que sou um defensor da inovação no tempo certo, coisa que a Harley por muito tempo foi boa de fazer. Nada de modismos que deixam a moto desatualizada em apenas um ano, mas coisas que agregam valor e segurança, muitas vezes mantendo a simplicidade tão querida por quem gosta de meter a mão na massa.

E esse papo um tanto contraditório, tem muito a ver com a minha personalidade. Gosto do equilíbrio. Gosto de coisas que unem dois mundos. Gosto de encontrar aquele ponto ideal que fica no meio, tão difícil de achar. É gostar do clássico pelo que ele representa, mas também adicionar uma pitada do novo. É algo foda, mas é algo que a Harley muitas vezes acerta na mosca.

Só que de uns tempos pra cá, tenho me sentido um alienígena, vendo vários colegas trocando de motos no que parece ser uma verdadeira corrida armamentista. Gente que passou um ano inteiro customizando a moto com carinho, para vende-la logo em seguida para pegar a última novidade. O tipo da coisa muito comum entre Jaspions, mas que era rara no meio HD.

Mas lendo o post do Wolfmann de hoje, chamado “Virei um Dinossauro”, vi ele expressar muito bem esse sentimento que eu tenho, mas que nunca soube colocar em palavras. Vale a leitura do post inteiro para entender o contexto, mas gostaria de frisar uma passagem quando ele menciona o novo perfil do comprador da HD:

“Esse novo consumidor (…) compra muita coisa da marca e procura estar ‘up to date com o life style’ enquanto o consumidor antigo tinha mais ligação com a moto evitando maiores ligações com a marca.”

Nada contra esse novo consumidor. Mas assim como o Wolfmann, eu também me sinto como um dinossauro, mais apegado a minha moto e ao que posso fazer com ela, do que com a última novidade na capa de uma revista.

Vale (como sempre) a leitura:
http://wolfmann-hd.blogspot.com.br/2014/12/virei-um-dinossauro.html