Lisboa Art & Moto

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Lisboa vai receber o tipo do evento que eu gostaria de ver por aqui, que mistura motos, música e lifestyle, além de outras formas de expressão como fotos e design.

A entrada é grátis, e vai acontecer em dois prédios do complexo da LxFactory. Além de exposições de arte tradicionais, também poderão ser apreciadas obras de arte em duas rodas, como café racers, scramblers, street trackers e Brats, com presença dos customizadores portugueses da atualidade.

Sendo eu parte patrício, gostaria muito de poder dar um pulo lá na terrinha e trazer fotos e impressões do evento para vocês. Mas quem sabe algum colega ou leitor de lá nos manda como foi e eu publico aqui.

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Que tal uma Harley de enfeite na sua sala?

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Uma coisa que eu sempre achei legal, mas ao mesmo tempo revoltante, são aquelas casas belíssimas que usam motos de enfeite na decoração. Legal, porque tem moto que é tão linda que merece ser exposta como arte sim. Revoltante, porque lugar de moto é andando.

E a não ser naquelas casas projetadas para que o sujeito possa parar a moto na sala e sair com ela sempre que quiser (em São Paulo, por exemplo, um prédio de lofts foi construído com um elevador de serviço específico para essa função), fazer isso sempre foi um enorme desperdício motociclístico.

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Talvez tenha sido isso o que motivou o pessoal da Full Size Kits, que comercializa kits de montar, como aqueles da Revell, só que em tamanho real.

Apesar da aparência de plástico da moto na foto, conheço muitos modelistas talentosos que conseguiriam deixar esse kit com uma aparência ultra-realista. O preço? Em torno de 800 dólares.

E se você se interessa pelo assunto, tem as instruções de montagem neste link.

Sobre a paternidade e andar de moto

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Meu segundo filho, chegando ao mundo.

O ser humano é dotado de um incrível instinto de sobrevivência. Quando estamos nus, aparentamos ser o mais frágil de todos os animais. Só que isso não passa de apenas uma ilusão, e a verdade é muito diferente. A evolução nos dotou com uma inteligência capaz de colocar nossa espécie no topo da cadeia alimentar, somos o predador mais bem sucedido da história deste planeta, e não há um canto dessa terra que não tenha sido afetado pela nossa presença.

Mas esse instinto não termina em nós. Ele se estende para nossa prole. É por isso que a maioria dos homens de verdade*, quando se defrontam com a paternidade, costumam relatar algumas mudanças. São pessoas que encontram sentido na vida, um novo motivo para enfrentar as dificuldades do dia a dia e, principalmente, o que é amar alguém incondicionalmente sem esperar nada em troca.

E acredito que é justamente por isso que um sentimento toma conta de muitos pais de primeira viagem: o medo de andar de moto.

Quando minha filha nasceu, meu acelerador mudou. Meu nível de aceitação de riscos mudou. Minha percepção do que acontecia na estrada mudou. E foi nessa fase que conheci muitos pais que estavam se sentindo mal por estarem com medo de subir na moto, e me perguntavam se eu estava passando por isso também.

Se esse é o seu caso, relaxe. É normal. Você não está ficando velho, fraco ou medroso. Pelo contrário, é seu instinto tentando colocar as prioridades em ordem novamente. Não há nada errado em deixar a moto parada na garagem até você sentir que tem controle sobre a situação.

Vamos ser sinceros: andar de moto é perigoso sim, por mais que muitos vivam na ilusão do “é só tomar cuidado”. Podemos minimizar os riscos, mas quando subimos numa moto, decidimos enfrentar um perigo muito maior do que o cidadão no seu carro com seis air-bags.

Quando a paternidade chega, seu cérebro começa a questionar se aquele risco vale a pena. Ele fica elaborando cenários complexos de como ficaria sua família sem você, quer você perceba ou não.

Meu conselho é simples: jamais suba na moto com medo. O medo é perigoso, ele precisa ser dominado, e não pode nunca dominar você. O medo, quando está no controle da situação, nebula a visão, os instintos e tira você do comando. Sua capacidade de tomar decisões fica prejudicada, e você pode acabar fazendo justamente o oposto do certo. Já viu o sujeito que entra em pânico, trava o freio e vai parar na contramão? Ou o cara que fixa o olhar no perigo da estrada e vai parar justamente em cima dele?

Lembre-se: medo e receio são duas coisas muito diferentes. Não há absolutamente nada de errado em deixar sua moto pegando pó na garagem por um tempo . Volte a andar somente quando se sentir no controle da situação.

Você não está sendo menos homem por isso. Pelo contrário, está assumindo uma responsabilidade e colocando seu filho ou filha em primeiro lugar, em detrimento de algo que dá alegria e satisfação para você. Em um mundo tão egoísta e focado nos prazeres individuais, é agir na contramão.

E pra quem ficou curioso com minha ausência, a foto que ilustra o post é a do nascimento do meu segundo filho, que aconteceu nesta semana. Optei por ela, e não pela tradicional imagem do bebê fofinho dormindo, pois acredito que ela exemplifica melhor o que quis dizer nesse post: a gente coloca no mundo alguém que chega gritando, coberto de sangue e que necessita de cuidados assim que sai do útero materno.

Se uma cena dessas não mexesse com a nossa cabeça, a gente teria sangue de barata, meu amigo.


(* Quando digo homem de verdade, é porque qualquer imbecil pode fazer um filho. Mas só um homem de verdade se torna um pai.)

Indian Chief Dark Horse pega no calcanhar da Harley

O que eu mais escuto sobre a nova Indian Chief, são comentários reclamando do estilo “cromo e acessórios” dela. Pelo visto, as preces de muitas pessoas foram ouvidas e a Indian começa a adentrar no território da linha Dark Custom da Harley-Davidson. E eles chegaram fazendo basicamente o mesmo que a Harley faz há décadas: dando uma nova cara para modelos já existentes na linha, de forma a ampliar a base de consumidores, sem precisar investir em desenvolvimento.

O vídeo de lançamento aí em cima já explica o público para qual a Indian Chief Dark Horse foi criada: o narrador diz que é uma moto sem firulas, só com o essencial, criada para ser pilotada forte e guardada suja. O forte aí é puro marketing, a moto é a mesma Indian Chief, apenas com um visual mais clean e pintura fosca. Motor, quadro e ciclística são idênticos aos da Chief tradicional.

Marketing ou não, é um decisão muito acertada da Indian de trazer mais opções para um mercado onde cada consumidor tem um gosto muito específico. Eu não ficaria nem um pouco triste de ter uma dessas na garagem, ainda mais considerando que ela custa US$ 2 mil a menos que a Chief Classic.

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Continuando a polêmica sobre a gasolina

O Wolfmann deixou um comentário bem interessante no post que comentava o aumento de álcool na gasolina, com sua opinião sobre quanto esse pequeno aumento teria efeito. Atenção especial para como isso poderia afetar a garantia das motos 0km. Ele escreveu:

Senhores, não são apenas “mais 2%” porque os efeitos não são lineares, mais sim exponenciais.

Quanto mais longe da mistura E-10 (10% de álcool) maiores os efeitos da corrosão e em menor tempo.

Desde 2006 eu já troquei as mangueiras internas da minha Fat quatro vezes sendo, por coincidência ou não, duas vezes após o aumento da mistura álcool/gasolina de 22% e mais uma vez após a aumento de 22 para 25%. Dizer que apenas “mais 2%” não vai mudar muita coisa, mas para a minha moto já serão 4 anos de corrosão que terá um agente agressivo ainda maior por sabe-se lá quanto tempo.

Hoje em dia estou usando mangueiras automotivas, fabricadas para veículos flex, para tentar uma vida útil mais longa.

Não encontrei substitutos para filtro de gasolina (que forma uma goma com essa mistura de álcool e gasolina e entope a passagem) e nem para o regulador de pressão que formam conjunto com a bomba de gasolina (ou seria alcoolina), mas estou pesquisando.

Acredito que consigo melhorar muito a confiabilidade do sistema de admissão se conseguir substitutos projetados para carros flex, mas câmara de combustão, cabeçote, válvulas e velas estarão sempre em risco com essa mistura de menor poder calorífico (queima menos eficiente) e maior poder de explosão (explosão acontecendo antes ou depois do PME).

Não vou arriscar além dos 25% enquanto houver opção.

E fica o alerta para quem ainda está com a moto em garantia ou pretende comprar moto zero: a recomendação do fabricante vai ser motivo para invalidar a garantia se for comprovado o uso de combustível com índice de álcool acima do recomendado: será classificado como mau uso e quero ver algum Juizado Especial invalidar essa decisão.

Como ficam as Harleys com 27,5% de álcool na gasolina?

gas_pump_suicide Simples: não ficam. Elas já estão sendo usadas muito acima do limite de projeto, que é de apenas 10% de mistura de álcool, de acordo com as regulamentações dos EUA.

Até alguém fazer um teste de longa duração, eu recomendo seriamente que os proprietários de Harley passem a usar a gasolina Pódium e Premium, não por causa da alta octanagem (desnecessária na maioria dos motores HD), mas apenas porque elas estão sendo as únicas autorizadas a manter os 25% atuais por enquanto.

Se você acha pouco esse aumento, pense da seguinte forma: um quarto do seu tanque é repleto de etanol, e com essa medida estamos cada vez mais perto de chegar em um terço.  É muito álcool em um tanque que previa apenas um décimo.

Sim, é um roubo. Sim, é putaria. Mas a maioria elegeu representantes que compactuam com esse tipo de coisa, e cabe a nós apenas protestar. Mande seu email, telefone e carta para a querida ministra da Agricultura, pois foi ela quem decidiu proteger ainda mais os usineiros às custas do nosso bolso.

Sugiro a leitura dos posts do Wolfmann sobre o assunto, que fez uma análise muito mais profunda e detalhada:

http://wolfmann-hd.blogspot.com.br/2015/02/aumento-do-teto-da-mistura-de-alcool-no.html

http://wolfmann-hd.blogspot.com.br/2015/02/voltando-mistura-e-27-da-gasolina-de.html

Autorizada da Harley em Tóquio

O Guilherme Acácio mandou algumas fotos e impressões de uma autorizada da Harley-Davidson que ele visitou em Shinjuko, um dos distritos de Tóquio, no Japão.

Ele escreveu:

Fiquei realmente surpreso por não ter visto nenhuma Harley rodando pelas ruas de Tóquio. Após 10 dias no Japão, fomos até essa concessionária de Shinjuku para dar uma olhada. Vimos apenas as estavam paradas em frente ao Dealer. Mas rodando mesmo, nenhuma.

No Japão as motos mais populares são essas scooters gigantes que parecem uma nave espacial:

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Chegando lá nos deixaram tirar fotos sem problemas. Apenas pediram para que não tocássemos nas motos que estavam com a placa “do not touch”. Ninguém falava inglês. Tivemos que contar com a ajuda do nosso amigo que falava japonês.
Achei interessante ver apenas das Softails, a Breakout no showroom. Embora eles tenham mais Softails no catálogo do que no Brasil. (Assim como eles tem mais variedades que o Brasil em todo resto: Sportsters, Dynas e Tourings). Os preços não são baratos. Desconto do HOG? Esqueça!

Interessante que no interior do país, Hiroshima e Kyoto, vimos pela menos 3 Harleys rodando: 1 Electra e 2 Road Kings.

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Essa foto aí em cima foi o mais próximo que cheguei de pilotar uma Harley em terras nipônicas. O Brasil não faz parte do acorde de Genebra e desta forma, nossa habilitação não é valida do Japão. Foto tirada no Arcade do Shopping DiverCity Tokyo Plaza”.

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A origem das coisas: lenço ou bandana na moto

Este é com certeza o post da série mais pedido, e o mais difícil de escrever. O motivo? Simples: não existe um só motivo ou origem para o lenço ou para a bandana amarrado no guidão (vou tratar ambos como sinônimo daqui pra frente), ele foi surgindo naturalmente.

Inicialmente, usar um lenço para proteger o rosto era mais uma daquelas coisas que o motociclismo tomou emprestado do mundo dos cowboys, que os usavam para se protegerem do sol, frio e da poeira (mais sobre motoqueiros e cowboys neste post aqui).

Arte de David Mann.
Arte de David Mann.

E como um lenço serve para exatamente a mesma coisa quando se anda de moto, ele foi rapidamente adotado e estava sempre por perto. O pessoal das cafe racer por muito tempo os usou junto do capacete aberto para enfrentar o frio londrino, assim como os americanos que cruzavam as planícies repletas de areia.

E, justamente por ser um pedaço de pano que estava sempre por perto, o lenço sempre foi útil para tirar a graxa da mão, limpar a gasolina na hora de abastecer  ou prender alguma coisa. E depois dele sujo, ninguém ia querer botar ele na cara de novo, daí a clássica imagem do lenço saindo do bolso de trás da uma calça jeans de um motoqueiro, ou amarrado no guidão para ser usado sempre que necessário.

Claro que isso veio de uma época quando as motos vazavam muito óleo, um tempo onde ter que saber mexer na parte mecânica de uma motocicleta era praticamente uma obrigação se você quisesse chegar em algum lugar. Mas com a modernização e o aumento da confiabilidade das motos, ter uma bandana amarrada no guidão virou apenas um adereço, e muitas pessoas o fazem sem nem saber o porquê. Tenho um entre as ferramentas, e ele constantemente quebra um galho, mas confesso que acho entranho ver um lenço limpinho pendurado ou amarrado no guidão. Parece um lenço… virgem.

Até o David Beckhm recentemente virou motivo de chacota na internet por causa de um lenço meio rosa que ele resolveu botar no bolso:

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Artigo original do Daily Mail.

Uma curiosidade: muita gente arranca o paralamas dianteiro, mas acaba amarrando um lenço entre as bengalas quando chove, tentando minimizar um pouco os detritos que voam na nossa cara. Se você tem uma moto sem paralamas dianteiro, mais um motivo para ter um por perto.

Autorizada da Harley em Berlim

Continuando a série de posts que mostram um pouco de como são as autorizadas da Harley-Davidson mundo afora, temos dessa vez algumas fotos enviadas pelo Lucas Zingano, que visitou a Classic Bike Harley-Davidson Berlin. Ele escreveu:

Viajei agora em Outubro pra Alemanha e entre uma cerveja e outra estive na Classic Bike Harley-Davidson Berlin. Não sei da história da loja, mas achei bem legal, sou de Porto Alegre, então o dealer alemão me impressionou pela quantidade de motos em exposição e customizadas. Tirei fotos de algumas (customizadas), mas devia ter no mínimo o dobro. Tem também café, oficina e uma pequena parte com memorabilia da H-D. O atendimento em inglês deixou um pouco a desejar, por isso nem me motivei a perguntar muita coisa.

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Mais posts da série você confere aqui, aqui e aqui.