Sportster, de esportiva sim senhor

Modelo K

Hoje se fala muito em tradição, em não mudar muito o visual das Harleys, em deixá-las como elas eram antigamente. Mas a verdade é que nos velhos tempos ninguém via uma H-D como uma moto imutável. A mesma moto servia tanto para o cara que queria correr em provas de arrancadas, como para quem queria andar na terra. Afinal, naquele tempo, você não podia entrar em uma concessionária e escolher entre uma moto de trilha, esportiva, estradeira, big-trail e mais a dezena de opções que temos hoje. Você precisava ter imaginação e colocar a mão na massa. Um pneu de Jeep aqui e acolá, e sua Harley estava pronta para a lama. Um carburador melhor aqui, um paralama a menos ali, um guidão mais reto, e você havia criado uma bobber para correr contra as motos européias.

E foi o frenesi pelas bobbers, e pela ciclística das motos européias, que fez a Harley criar o modelo K em 1953, menor, mais ágil e mais rápido do que todas as Big Twins da marca. Em 1957, ele se transformaria de vez na mais esportiva de todas as Harleys: nascia a Sportster, derivada do modelo K, mas agora com um motor de 40hp, cuja o volume era expresso em CCs, e não em polegadas, para facilitar a comparação com as motos do velho continente. É por isso que até hoje, as Sportsters são conhecidas pela sua cilindrada (883cc e 1200cc), enquanto as Big Twins continuam sendo referidas pelo tamanho do motor em polegadas cúbicas (motor 96ci, etc.)

Sportster 1957

A Sportster já nasceu ágil, rápida e sem peças grandes e pesadas, como as das irmãs maiores. Nada de firulas, você não precisava depena-la, ela já vinha pronta para a ação, com paralamas curtos, um estilo claramente inspirado nas bobbers, e ciclística muito similar às européias.

Por isso, não deixa de ser curioso pensar que, quando transformamos uma Sportster em uma Bobber com aparência de antiga, estamos transformando ela justamente no que ela foi criada para substituir. Até mesmo o som de potato-potato na marcha lenta, tão procurado hoje em dia, nunca foi característica dela, que já nasceu com um motor mais esperto, com um giro maior em baixa para facilitar arrancadas.

Também é curioso pensar que, em sua última encarnação, chamada de Sportster XR1200X, ela foi criticada por fazer justamente o que a primeira Sportster nasceu para fazer em 1957: concorrer com as motos européias, só que dessa vez, não nos EUA, mas no próprio velho continente. Infelizmente, a XR acaba de sair de linha, sendo mais uma que sucumbiu à camisa de força da tradição, que foi discutida neste post aqui.

Mas não importa, a Sportster é uma das motos há mais tempo em fabricação no mundo, e o maior sucesso da Harley, com uma legião de fãs por todo o planeta. E como muitos proprietários delas nos fazem sempre questão de lembrar:

“Sportsters. Blowing away Big Twins since 1957.”

8 ideias sobre “Sportster, de esportiva sim senhor”

  1. estou no sexto modelo de harley. Desde 2002 ando nestas motos e destas, quatro eram sportster 883 e 1200 e sem duvidas gosto mais delas do que das hds graúdas pois são harleys e são muito mais praticas. Em 2010 comprei uma 1600 destas novas mas não gostei e voltei para a sportster, e hoje sou feliz proprietário de uma 883 R.

  2. Pois é Bayer, mais um texto fantástico, cara definitivamente eu fico ansioso para ler os post seus aqui do Old Dog Motorcycles, Parabéns pelos textos, e a qualidade de seus posts, que são muito informativos.

  3. Parabéns pelo blog, Bayer. Para amantes das duas rodas, principalmente de Harleys, seu blog é um prato cheio, o melhor que temos em português, sem dúvida, seja pelo lay out, pelas matérias, pela sua compreensão para responder. Do caralho, hahaha!
    Deixando de lado a rasgação de seda, sempre sonhei em ter uma Harley. Desde menino eu ficava fascinado, mas meu pai não comungava do mesmo gosto e eu só pude ter minha primeira moto ao tirar carteira, aos 18 anos. Logo comprei uma Intruder, porque as customs são as customs, hahaha, e, claro, porque ela é ‘ligeiramente’ mais barata que uma Harley, principalmente pra um moleque que sequer conseguia cultivar um bigode pra ter respeito no moto clube. Agora, depois de quase 10 anos de experiência com a Intruder, além de esporádicas voltas numa Midnight 950 de um primo, posso comprar minha primeira Harley. Minha ideia é uma danada pra curtir viagens, passeios de fim de semana, não pra correria do dia a dia. Sei que é uma questão de gosto e adaptação, mas as ‘reclamações’ acerca das Harley, inclusive muito expostas aqui, são em relação à dificuldade de frenagem, à suspensão e às complicações do pós-venda. Quanto aos dois primeiros itens, tem como customizar os amortecedores e/ou os discos pra melhorar essa questão? Obrigado pelo trabalho fantástico, amigo!

    1. Freio nunca faltou pra mim, não acho ele inferiores que nenhuma outra custom, em algumas Harleys são até melhores que a média da categoria, especialmente por terem disco tanto na frente como atrás. Geralmente quem reclama de freio nas Harleys veio de motos como as streets. Claro, quem coloca um seca suvaco lá em cima precisa cogitar um aeroquip se não quiser um freio levemente borrachudo, mas não é nada demais.

      Amortecedor tem muita opção pra melhorar, e esse é problema específico das Sportsters quando se é pesado ou anda com garupa, ou das Dynas, quando se anda perto do limite de peso da moto. Tem várias opções, desde amortecedor de CB (já postado aqui no blog) os excelentes progressives ou botar suspensão de Road King (no forumharleys.com.br tem vários tópicos sobre isso.)

  4. Ressuscitando os comentários… aonde ficam as Dynas, Club Bikes como as FXR’s nessa historia? Certamente foram lançadas depois das Sportsters, certo? Opção mais potente, mas seguindo o mesmo estilo das Sportsters?
    Esteticamente são bem parecidas.

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