Zen e a arte de pilotar

Essa foto foi tirada hoje, em um rolê no meio do nada. Somente fazendas de cada lado, e nenhum sinal de civilização a não ser pelas cercas rústicas. São quilômetros sem sequer um poste de eletricidade, e o único outro ser vivo que encontrei por mais de meia hora foi uma cabra perdida.

E é nessa hora que a moto assume uma personalidade própria. O ronco do motor começa a conversar com você, um som reconfortante que preenche os ouvidos como uma música primal. Um a um os pensamentos começam a nos abandonar, cientes de que eles não receberão mais a atenção necessária. De repente não existem mais problemas, preocupações com dinheiro, chefe, deveres ou seja lá mais o que esteja tumultuando nossa mente.

Ficamos completamente concentrados no que estamos fazendo, ao ponto que é difícil dizer onde termina seu corpo e começa a moto. Os movimentos fluem com facilidade, e a moto parece reagir na mesma velocidade do pensamento. O acelerador está completamente aberto, e as curvas se aproximando cada vez mais rápidas. Mas apesar do perigo e da velocidade, a respiração é lenta e relaxada. Tudo se torna instintivo, nossos sentidos e reflexos estão ao máximo.

Estamos na zona. Um sentimento sem nome, mas que o nosso coração parece buscar a vida inteira.

É aquilo que não dá pra explicar, mas quem lê este blog sabe do que estou falando.

9 ideias sobre “Zen e a arte de pilotar”

  1. Po. Bayer, to lendo texto a texto seu blog e adorando, muito bem escrito…

    Sobre o texto, finalmente alguém conseguiu explicar aquela sensação…
    E mesmo assim, só entende mesmo quem ja vivenviou… só os apaixonados por motos é que vão achar sentido

    Valeu

  2. “Entrar em alpha” é algo delicioso e o mundo se resume ao momento vivido. Mas discordo de vocês quanto ao local pois adoro quando isso acontece no autodromo. Não há pensamento, só harmonia.

  3. Sem palavras seu texto…
    Simplismente magnífico… há algum tempo sinto essa sensação, pois às vezes preciso ir à Ouro Preto de moto ou à Ouro Branco, aproximadamente 300 e poucos kms de casa… Na moral, quem tiver a oportunidade de pegar a estrada que vai da BR-381 para Ouro Branco entenderá PERFEITAMENTE esta sensação de que o Bayer explicou perfeitamente no texto acima…
    \m/

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