Aula de etiqueta motociclística

O brasileiro sempre se considerou um povo amigo, cordial e da paz. E é justamente por isso que nós, tupiniquins, costumamos quebrar duas das mais antigas e tradicionais regras do motociclismo:

1) Jamais, em hipótese alguma, sente na moto de outro homem sem convite.

Essa é auto explicativa. Antigamente, você poderia voltar com um olho roxo para casa por fazer isso, mas hoje parece que é necessário explicar que a sua moto não é um cavalinho de brinquedo para adultos tirarem fotos.

Há uns dez anos, aluguei uma vaga em um prédio residencial perto do local onde trabalhava. Como eu vivia duro, costumava deixar ela na rua, e tive várias peças roubadas por causa disso. Mas um amigo me descolou essa vaga e comecei a parar lá. Mas por vaga, entenda o direito de estacionar dividindo espaço com o Gol bola do dono do tal apartamento, que me cobrava dinheiro de pinga para fazer isso.

Depois de um certo tempo, comecei a perceber que a minha moto estava sempre limpa, mesmo indo debaixo de chuva para o trabalho. Até que um dia saí bem mais cedo do que de costume e descobri a razão: para impressionar uma vizinha que chegava todo dia as seis em ponto, o sujeito às vezes descia para a garagem com uma camiseta da Harley-Davidson (minha moto era uma Honda), e lavava a minha moto para fingir que era dele.

2) Nunca peça para “experimentar” a moto de alguém.

Tem um ditado em inglês que diz “Não peça pra andar na minha moto, que eu não peço para foder com a sua esposa”. Sério: você acabou de conhecer um sujeito, e mesmo tendo pouquíssima intimidade com ele, já pede para “experimentar“ a moto dele? Se você tem desapego pelas suas coisas, parabéns! Você está muito mais próximo da iluminação espiritual do que a maioria de nós. Então deixe a gente viver com o nosso atraso e simplesmente não peça para andar na moto de outro homem.

Se alguém quiser que você ande, vai te oferecer. Provavelmente torcendo pra você responder “não”.

11 ideias sobre “Aula de etiqueta motociclística”

  1. Sei lá, eu acho que eu sou chato demais, mas não ia gostar de alguem lavando a minha moto que não fizesse somente isso pra viver… vai que o cara usava um pano sujão com detergente de pia!

  2. Hahaha, não tinha pensado nisso Digital. O cara era prospect.

    Mazz, acho que ninguém gostaria. Felizmente o cara não era um completo sem noção, limpou com balde de água limpa e detergente neutro. Não sabia se socava ele, ou se dava 5 reais de gorjeta.

  3. Genial!!! Este ali usou com muita propriedade a inteligência… (e o dinheiro alheio junto, afinal de contas o cachezinho do aluguel sempre é bom…). Tá todo mundo justificado em suas colocações. De pleno acordo de minha parte. Só aqui em casa, as coisas são mais simples neste caso. Como sou extremamente ciumento e um zeloso e respeitoso marido, minha moto é do tipo monoposto…( nem pensar em levar carona; a esposa tem ciúmes da moto por isto), E eu, claro, com ciúmes também, Da moto é claro!

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