Breve história das Cafe Racers

Os ton-up boys, a galera das Cafe Races.

Para alguns, a imagem do motoqueiro clássico é o esteriótipo que surgiu graças aos MCs americanos: o sujeito barbudo, sujo andando com sua chopper pelas highways. Mas para muitos, é também a do rocker, andando em alta velocidade pelas ruas da Inglaterra com sua jaqueta de couro e topete engomado, ao som do rock and roll explodindo em uma jukebox.

Mas o que é uma Cafe Racer?

As cafe racers receberam esse nome por causa de um clichê que é repetido à exaustão: foram motos criadas para  que os rockers apostassem corridas de um café ao outro, muitas vezes no tempo de uma música na jukebox. Sim, isso acontecia de fato, mas a verdade é que o estilo virou uma febre que ganhou força na Inglaterra no começo dos anos 60 e que se espalhou para Europa rapidamente, ainda mais quando esses países estavam recebendo suas primeiras grandes auto estradas, o que para muitos era um convite para altas velocidades.

É por isso que o marco dessas motos era fazer o “ton-up“, gíria para dizer que ela havia alcançado as 100mph (aproximadamente 160km/h). Pode até parecer pouco, mas naquela época motos capazes de tal feito eram caríssimas, por isso a única opção para muitos pilotos era a de customizar e preparar as motos disponíveis dentro do orçamento deles.

Para fazer o “ton-up” elas eram modificadas para uma posição de pilotagem mais esportiva, com guidões baixos e pedaleiras recuadas. O tanque recebia um rebaixo na frente, para liberar espaço para os controles, e outro na parte posterior, para que o piloto pudesse encaixar os joelhos. Como você já deve ter percebido, elas são as avós das superesportivas.

Os pneus também era trocados pelos de alta performance, como os Dunlop TT100, assim como o escapamento e carburador. As mudanças para aliviar o peso muitas vezes transformavam a moto em uma monoposto, e a busca pela aerodinâmica fez surgir as primeiras semi-carenadas.

Outra modificação, que se tornaria lendária, era a construção de uma Triton, que consistia em colocar o motor de uma Triumph Bonneville em um quadro featherbed da Norton, unindo o melhor motor e ciclística da época.

Triton, o Santo Graal das Cafe Racers

Um dos pontos de encontro mais comuns era o Ace Cafe em Londres. É de lá que surgiu a história dos pilotos que colocavam uma moeda na jukebox e corriam até suas motos para darem uma volta completa até a ponte, tentando voltar para o café antes da música terminar.

Se você parar pra pensar, jovens em suas garagens tentando fabricar motos velozes, com criatividade e improviso já que não podiam comprar as existentes, tem tudo a ver com a origem dos Hot Rods nos EUA, uma década antes, criados basicamente pelo mesmo anseio no pós-guerra.

Infelizmente, as motos japonesas com sua excelente perfomance, confiabilidade (algo que sempre faltou para as britânicas) e preço acessível foram o último prego no caixão da indústria britânica nos anos 70, que aliado ao clamor popular contra os delinquentes sobre duas rodas, reduziram os anos dourados das cafe racers a um período muito curto da história.

Os "estilosos" modders: os arqui-inimigos dos rockers e suas café racers
Os “estilosos” modders: os arqui-inimigos dos rockers e suas café racers

Existe muito mais sobre o assunto, como a rixa entre os rockers e suas cafes com os mods e suas lambretas, mas não vou me alongar aqui para não ficar chato. Vale a pena passar um tempo procurando mais sobre esse assunto na Internet. Um bom ponto de partida é o próprio site do Ace Cafe: www.ace-cafe-london.com

Em português, de longe o melhor conteúdo sobre o assunto é o site Garagem Cafe Racer, criado pelo Douglas Studzinski, um grande apaixonado pelo assunto.

13 ideias sobre “Breve história das Cafe Racers”

  1. Gostei da matéria. Na época, as motos não vinham como Cafe Racer. Os pilotos é que as adaptavam. Alguns, para terem mais velocidade, tiravam muita coisa: farol, lanternas, bagageiro, paralamas, bateria e até arranco. A partida era o piloto empurrando a moto para fazê-la pegar no tranco. As Royal Enfield não eram utilizadas em Cafe Racer porque tinham força, mas não velocidade, que era o que importava.
    Nos anos 50 tive minha 1ª moto e foi uma Royal Enfield 500 cc, dos anos 40, 1 cilindro e com ela tirei minha CNH em 1953. Hoje eu compraria uma 350cc por continuar clássica.

  2. Muito legal!
    Eu vivo procurando algum tipo de moto com o visual perfeita, mas nunca acho. E se eu acho, é em algum site gringo.
    Eu moro no interior de SP e sou doido para ter uma Bobber, alguém sabe onde eu posso encontrar um mecânico de respeito para montar uma exatamente do jeito que eu quero?

  3. Os rockers eram jovens e rebeldes e que queriam uma moto rapida, personalizada e distinta para viajar entre cafes ao longo das recem-construidas auto-estradas e em torno de cidades britanicas. O objetivo era voltar para o Cafe Ace antes do registro de uma musica na jukebox ter terminado.

  4. Um dos pontos interessantes sobre a cultura Cafe Racer é que era predominamente compostapor jovens da classe operária britânica. E um dos motivos que também ajudou a “matar” o movimento foram os “Mini” que começavam a se tornar bem mais acessíveis com o passar do tempo.

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