Quando o chão se aproxima

Falar sobre tombos é tabu em qualquer roda de moto. Ninguém quer assumir uma queda, mesmo quando não teve culpa. E a maioria prefere simplesmente pensar que isso não existe, que só acontece com o outro. Pra piorar, tem sempre alguém que não anda de moto para dizer que “moto foi feita para cair”.

Motos foram feitas para ficarem de pé. De preferência com o lado de borracha para baixo. De vez em quando, elas caem…

A verdade é uma só: um dia todos nós vemos o chão se aproximar. Pode ser um tombo besta no posto de gasolina, um acidente bobo, mas um dia todas aquelas leis da física, que tanto tentamos usar a nosso favor, vão escapar do nosso controle. Há um tempo atrás, o Wolfmann fez um post muito bom sobre o assunto chamado “Motocicleta é perigoso vidal“.

E quando isso acontecer, assuma. O famoso “eu tive que deitar ela”, é piada entre os veteranos. O objetivo em uma moto moderna é frear, desviar e minimizar danos. “Deitar a moto”, além de necessitar de um sangue frio absurdo, é algo mais digno dos filmes de ação do que uma solução prática. Pouquíssimas pessoas são capazes dessa manobra, que data do tempo em que as motos não tinham freios confiáveis e um cavalo de pau poderia ser uma saída. Hoje, ficar preso embaixo de uma Fat Boy que “deitou”, é extremamente perigoso e desnecessário.

Eu sempre brincava que já tinha gasto minha cota de tombos na adolescência, fazendo trilha. Afinal, tirando dois tombos bestas quando comecei a usar trava de disco, e um escorregão no chão de pedra sabão na garagem de um parente, eu nunca havia sofrido um tombo de verdade em todos esses anos rodando diariamente.

Mas 2013 foi um ano safado pra mim… Talvez o calendário Maia tenha sido feito pensando na minha moto.

Primeiro eu encontrei com o cidadão falando ao celular, que me deixou mancando por uns dias e com a moto parada por um mês. Pouco tempo depois, mais uma pessoa falando ao celular cruzou com o meu caminho. Dessa vez foi um pedestre, um turista boliviano que surgiu no corredor entre os carros, rindo enquanto falava ao celular, sem perceber que os carros ainda estavam em movimento. Felizmente, não ando como um maluco no corredor, e consegui frear e desviar a tempo. Infelizmente, não consegui desviar o suficiente, bati com a ponta do guidão nele, o que me fez ir para o chão e me custou um escape ralado e um pequeno osso quebrado (confesso que o escape doeu, e ainda dói, bem mais que o osso).

Nova lei para quem dirige falando no celular.

Mas não importa o motivo, e se foi sua culpa ou não: estamos todos sujeitos a isso. E não adianta fingir que o tema não existe, pratique sempre sua pilotagem e tente andar com proteção.

Leigos gostam de dizer que na moto somos o para-choque, o que de certa forma é verdade. Mas apesar de termos muito menos segurança passiva em uma moto, temos muita segurança ativa quando pilotamos corretamente, com bastante agilidade para desviarmos e escaparmos de situações de perigo.

Por isso meu amigo, treine, treine e treine… E pelo amor de Deus: não fale ao celular perto de mim!

12 ideias sobre “Quando o chão se aproxima”

  1. não fale ao celular, principalmente se estiver dirigindo um caminhão,
    um joelho destruido, me deixou de muletas por uns nove meses, alguns anos mancando e doendo em dias muito nublados, um pedaço da orelha perdido e muito pontos e cicatrizes, sem contar a moto, que foi melhor vender pelo peso.

    Pelo menos estou vivo e o mais importante, RODANDO.

  2. Old Dog, infelizmente parece que o problema do celular só tende a piorar, porquê agora o pessoal tá indo além do simples fato de falar. A galera tá dirigindo e enviando texto ao mesmo tempo, seja no celular o nos iPads da vida. Vi a cena de motorista com o tablet encaixado no voltante e digitando enqto dirigia. Osso. E revoltante…
    Abs

  3. Fiz isso, ter que deitar a moto pra não afundar numa porta. Na hora não vi lugar pra sair, nem contra esterço. Ou porta ou chão, basicamente. Carro a 90 graus. Me custou clavícula, polegar e costela. Um mês sem trabalhar. Hoje, pensando melhor, iria na porta sem dó. Assim teria polícia, bombeiro etc. O cara saiu sem carro danificado e sem desembolsar 1 centavo.
    Não conto essa história como vantagem ou pra dizer que conheço bem o chão. Preferia ter ficado sem essa experiência…

  4. No meu caso vejo os motoristas desatentos maior probabilidade de ver o chão preto de perto. Normalmente ando bem equipado e espero não precisar testar a qualidade dos produtos que comprei.

    Sim, já caí. Tombo em uma grande descida em estrada de terra. Estava de Mirage, que não foi feita pra isso. Fora o arranhado na jaqueta de couro e um pequeno curto em um fio que soltou, nada demais aconteceu.

    Esse assunto pode ser tabú, mas temos que encara-lo com naturalidade, pois hora ou outra podemos cair. Pensar assim me ajuda a não ser inconseqüente e não me expor e tampouco expor a vida de quem estiver comigo.

    Também caí um tombo nesta na garagem. Fui segurar o cachorro e inclinei demais a moto… Ploft! Ridiculamente patético!

  5. Cara cada dia odeio mais gente falando no celular. No corredor faço questão de parar na janela desses infelizes e ficar acelerando e encarando. O transito aqui em Curitiba já é conhecido como a maior aglomeração de barbeiros do Brasil, soma isso aos barbeiros de celular….. tbem já fui derrubado por aqui. No meu trajeto pro trabalho são só 13km e todo dia levo no minimo um susto. É desanimador! Estou quase virando adepto à Colt .45

  6. Esse lance do celular está ficando bizarro.

    Nem lembro se já comentei aqui, mas uns dois meses atrás estava parado no semaforo para convergir a esquerda e uma louca chumbou na traseira da minha moto e por muito pouco não comprei terreno perto da Av. Paulista, porque a porrada nao foi tão forte.

    Óbvio que a dondoca estava no uatizap, faicebuqui, decolar . com sei lá mais o que…

    O engraçado que o parachoque dianteiro do carro dela ficou mais estragado do que a traseira da minha moto. Que tive que trocar só o paralama e desentortar a placa.

    Questionada para o que ela estava fazendo a dondoca com o celular nas coxas simplesmente disse “estava olhando para alí, não te vi”. Pelo menos ela foi bem honesta e arcou com o meu prejuízo.

  7. Meu bota bizarro nisso! Aqui em Porto Alegre tem um monte de FDP direto no celular e nas mensagens….ta tão descarado…ou ta faltando rigor na fiscalização, que esses FDP falam durante o dia até parados em semáforos ou até mesmo rodando de vidro aberto!! Fico muito brabo…é muito egoísmo! Quando não me aguento, ou quase me derrubam…paro do lado e já mando um mal educado….sem vergonha, no mínimo….hehhe. Não é o correto mas….é muita revolta.

  8. Com relação aos celulares, coisa muito comum aqui em sampa, faço um gesto de desagrado e sinalizo com a mão como se eu estivesse com um telefone. Se rolar stress, mando um dedo e pronto!

    Quando paro do lado do infeliz, aí aproveito para checar o correto funcionamento do escape esportivo :)

    Para os que não olham no retrovisor, eu buzino e dou umas batidas no meu retrovisor para ver se o infeliz se toca e usa o dele. Novamente rola um dedo em riste em caso de desagrado do condutor do tomovél…

  9. 2013 foi tranquilo…osso foi 2012…um tombo bobo em Rio das Ostras em março que me custou duas semanas mancando, o dedo do meu filho de 11 anos machucado e um prejú do cacete na Shadow e depois um senhor estabaco no final do ano em Macaé, coisa de cinema. Bati numa porra de um quebra-molas a mais de 110 Km/h e voei por cima do guidão, batendo de cabeça no asfalto e arrastando por uns 40 a 50 metros de barriga. Graças a todos os equipamentos de segurança tive apenas um joelho ralado, mas o preju na HD levou 7 meses pra ser consertado.
    Que 2014 seja melhor pra todos nós.

  10. Nossa! Li a matéria e me vi todinha, rs.
    Cai uma vez com a minha 883r, um tombo bobo no posto de gasolina.
    Antes disso cai muito na garagem com a minha cb300r.
    No começo do ano de 2014, levei uma fechada no corredor, de uma moça falando ao celular. Acho que fica difícil você olhar o retrovisor, dar a seta, virar o volante e falar ao celular ao mesmo tempo. Pois é, freei tudo que podia (santo ABS – cb300r), mas tive que ainda desviar um pouco do para-choque traseiro. Bati o pedal de freio, que entortou para trás e acertou meu dedão do pé, que deu uma lascada e um rasgo entre o outro dedo. Mas não cai (santo ABS 2X).
    Depois dessa, tenho vontade de chutar o retrovisor de quem fica no celular no trânsito, mas só de pensar dói o pé kkkk

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