Harley e a falsa simplicidade

Harley-Davidson-WaterCooledEnginePatentaOutro dia eu deixei muita gente nervosa na mesa de bar. O grupo estava discutindo as vantagens de se ter uma Harley, de como ela é uma moto feita do mesmo jeito há décadas, enfim, uma moto tradicional. Foi nessa hora que perguntei:

– Que legal. Não sabia que todos vocês tinham trocado suas motos por Shovelheads.

Vamos ser sinceros, o tempo das Harleys simples está acabando. Apesar de concordar que elas ainda são uma das motos mais “user-friendly” do mercado, criadas para que qualquer pessoa com um bom conjunto de ferramentas possa fazer a maior parte das tarefas de manutenção, isso é algo que está ficando no passado.

Hoje em dia, para a Harley-Davidson, é muito mais importante parecer uma moto clássica do que ser uma moto clássica.

É só ver o projeto Rushmore. São centenas de aprimoramentos nos modelos, muitos deles eletrônicos. E o maior de todos é o sistema de refrigeração líquida do motor, muito mais complicado do que o sistema tradicional justamente porque tem que ficar completamente escondido, para que a moto ainda pareça refrigerada a ar e não espante os consumidores tradicionais. Os engenheiros da Harley botaram a cabeça para funcionar e criaram um sistema muito interessante que resfria apenas os cabeçotes, mantendo o visual do Big Twin intacto. Um leigo nunca diria que está passando água para resfriar o cabeçote daquele motor.

Mas tudo isso vai cobrando seu preço na tão famosa simplicidade. E os tempos daquela Fat Boy do Exterminador do Futuro, que muitos acreditam ser exatamente a mesma moto até hoje, já ficaram para trás. As Harleys de hoje parecem motos simples, mas no seu interior são assim:

Harley-ChicoteTem muito carro por aí que não tem um chicote tão complicado como as das novas Tourings. As V-Rods, que muitos torceram o nariz por consider “modernas” demais, são na verdade motos bem mais simples que as do Project Rushmore, por exemplo.

Não sou contra a evolução, não se pode fugir do progresso. Acho que o moderno e o clássico possuem seu lugar, e é lindo quando ambos podem coexistir numa boa. Por outro lado não podemos virar fãs xiitas da marca e nos iludir, acreditando na imagem de moto simples e rústica que é vendida pelo marketing da HD.

28 ideias sobre “Harley e a falsa simplicidade”

  1. Vc manda bem na camarada, por essas e outras que sempre digo: “Se vc quer fazer uma coisa que não sabe e quer um bom resultado, peça para quem sabe fazer”ou em bom português – “Cada macaco no seu galho”.
    Tem outro até melhor para os faladores, ( porque falar até papagaio fala), “Deus nos deu dois ouvidos e apenas uma boca,ou seja, escute mais e fale menos!”
    E se não sabe nada apenas escute e entenda….kkkkk!

    Parabéns !

  2. A eletrônica avança rápido nas Harleys e mesmo assim ainda se pode dizer que é uma máquina simples já que não conta com ECUs especializadas para as funções como a BMW que tem ECU para cuidar da tração, outra para cuidar da frenagem e uma terceira para cuidar da estabilidade.

    Eu diria que a grande qualidade da HD ainda é a confiabilidade: se você mantém a manutenção da moto com mecânico e peças confiáveis raramente a eletrônica te deixa a pé.

    Está mudando: o Rushmore Project já traz uma ECU auxiliar para cuidar do ABS (controle de tração está próximo e com ele o controle de estabilidade… acredite: vai acontecer em breve) e uma auxiliar para cuidar da refrigeração, por isso esse chicote complicado.

    Mesmo assim ainda acredito que a confiabilidade esteja mantida se você tiver uma boa manutenção.

    1. Exato. Inclusive a minha mudança de pensamento sobre a injeção eletrônica das Harleys também tem a ver com isso, já que a IE da Harley é tão simples que você pode substituir a ECU inteira por um Thundermax, por exemplo.

      A confiabilidade eu acho que tende a aumentar, apesar dos pequenos “gremlins” elétricos terem mais chance para aparecer. Mas a tal “simplicidade” romantizada por muitos, está ficando para trás.

  3. Boa informação, aliais como sempre!

    A eletrônica das HD’s vem sendo aprimorada ao longos dos tempos, desde a introdução da CDI aténos,dias atuais, com ABS conjugado, projeto,rushmore e etc. É um caminho sem volta. Recentemente tive a oportunidade de reparar uma Vrod-muscle de meu cunhado, pos o indicador de gasolina ficou louco. Só para ter uma pequena idéia da tecnologia aplicada no sensor do tanque, o mesmo faz a medição da quantidade de combustível por ultrassom! Ou seja na VRod, não va esperando achar uma bóia no tanque , porque não tem.

    O que me preocupa sinceramente não é a tecnologia aplicada, mais sim como é feita a montagem do chicote e a qualidade de seus conectores. Como é sabido por alguns, o sistema eletrônico é passível de sofrer interferências , se não tiver bem montado ou se não tiver uma blindagem adequada. O que tenho observado não só na HD mais em outras motocicletas e até mesmo em automóveis é a queda vertiginosa da qualidade da fiação, dos conectores que muitas vezes não são de metal inoxidavel , mais simples contatos de ferro. E conectores com vedações ineficientes, que permitem entrada de água e poeira, vindo a causar oxidação e até mesmo a alteração da resistência entre contatos. A forma como os chicotes também estão sendo posicionados ( fora do local correto) também me assusta, pois este é um mau crônico nas HD’s. Nossas motos costuma vir com algumns ” brindes extras de fábrica como : Módulo BCM fora de sua sede, chicote frontal por baixo do tanque com fios fora de sua passagem correta e conectores com deficiência de vedação.

    Para finalizar, o motociclista do DIY que não se atualizar e não investir em ferramental apropriado, vai ficar refém da tecnologia.

    abcs

    1. Fico com receio de que a manutenção e instalação elétrica de acessórios possa não estar sendo feita corretamente nas próprias concessionárias, fruto da dificuldade em se conseguir mão de obra especializada e de se investir e manter o funcionário na marca… Recentemente instalei um acessório e fiquei abismado com a “sobra” de todos os chicotes que vinham acompanhando o mesmo, no final acho que eles fizeram um “gato” mesmo e ligaram em algum lugar…

  4. Tudo tende à modernização. Veja o exemplo da Triumph (também centenária), mais especificamente a Boneville, moto vintage e sem frescura, pois os próprios engenheiros da Triumph fazem questão de mostrar as melhorias, na parte de injeção, arrefecimento, chassi…
    Não adianta esse papo tradicionalista, afinal ninguém deixa de usar papel higiênico para usar musgo.

    1. Concordo, apesar de ser apaixonado pelas bobbers e todo o glamour vintage, não deixo de incorporar tecnologia na minha Drag Bobber. Hipercharger, paralamas de aluminio, banco solo em couro mas com excelente sistema de amortecimento. Tente pegar 2 horas de estrada( percurso curto no meu ver), sentado num banco solo preso no quadro diretamente, ou melhor, tenta manter uma velocidade constante de 130 km/h numa 650cc e sofrer um pouco com as pirambeiras. Mas isso são gostos e opiniões pessoais….o que importa é o estilo e principalmente o espirito….essa veio do outro blog.
      Parabéns a todos, o que importa é rodar!!!! Particularmente prefiro embaixo de chuva…..kkk meu gosto. Desculpe se não agradei.

  5. Harley-Davidson?????
    Harleys de verdade foram fabricadas até o fim da década de 90, depois disso é outra coisa, desde então não passam de brinquedinhos tecnologicos, e a coisa só piora!!!
    não troco minha SHOVEL e minha EVO por nenhuma moto nova nem morto!!!!!!
    H-D com central multimídia e refrigeração líquida…
    KKKKKKKKKKKKKKKKKK
    o ser humano é capaz de fuder com tudo mesmo!!!

    1. Por isso que sempre digo, prefiro as Bobbers e as Vintages, embaixo de chuva, são as minhas preferências. Nada como um belo dia de sol, mas dai as coisas ficam muito fáceis, até os tiozinhos de HD zero conseguem.
      Desculpe se não agradei !!!!!
      Detalhe ,com frente springerforks….

      Abs

        1. Anderson.

          Ela ficou demais, acabei de fazer pinstripping nas laterais do tanque e no paralama traseiro, coloquei banco solo e mude a cor de preto para azul cobalto fleik em prata. Falta os pneus banda branca e a frente spriger, mas tá rodando.
          Não sei como por fotos mas se tiver um email para que possa mandar. Não tenho face, mas consulta no face do Marcelo Lobão tattoo que fez a pintura.

          Ficou show.
          Abs

    2. Quer dizer entao que um Volkswagen que nao é mais carburado, nem refrigerado a ar e não usa mais platinado é menos Volkswagen que um fusca??? Deixem de ser xaropes… não venham desmerecer minha moto só pq vcs tem uma HD velhinha. Tbm nao sou iludido achando que posso resolver todos os problemas da minha moto com um alicate, uma chave de fenda e um rolo de arame. Mas coisas simples como trocas de óleo, bateria, lâmpadas, limpeza de filtro de ar e etc, isso eu mesmo posso fazer. Respeito vc preferir usar uma moto antiga de projeto mais simples, mas isso nao faz minha fat boy ser menos Harley que a porra da sua shovel ou da sua evo! Abs

  6. Ótimo texto! E parabéns por ter paciência em debater assuntos como esse. Muita gente insiste em acreditar em contos de fadas. Hoje fico calado. Só falo se perguntarem. Infelizmente a paciência se foi… :-P Abraço!

  7. Na maioria das vezes, a discussão fica em torno de assuntos diferentes: Desempenho x Estética…

    …e ambos sentem que o outro está falando grego, rsrs…

  8. Sensacional! Isso se chama ilusionismo consumista! O cara ve o comercialzinho na tv e compra uma Harlis Deiss que eh classic! Esquece! Quer classica compra uma de verdade ou entao assume que eh fakeclassic style! Kkkk

  9. Parabéns ao Bayer pelo blog. Navego bastante e este, sem dúvida, é um dos melhores (se não o melhor)! Bastante conteúdo e uma belíssima apresentação.
    Tenho 33 anos. Sou motociclista novato. Atingi a “possibilidade financeira” de ter uma Harley. Já pilotei uma XL 1200 de um amigão (ele me ofereceu). Paixão à primeira vista. Mas, não consigo me curar de uma angústia que me persegue: vazamentos de óleo!
    Por que todo Harleyro se conforma que sua moto novinha, ou com apenas 3 mil Km rodados apresente vazamento de óleo??? Que papinho é esse de “marcar território”? Por que ser “escravo” da moto? Eu gostaria que ela me proporcionasse o prazer de pilotar sem me incomodar em poucos Km rodados. É muito pedir isso? Eu quero muito ter a minha primeira, mas talvez minha mente ainda não esteja preparada, ou “não a mereço”. Desculpe-me pela sinceridade, talvez não seja o foro adequado. Mas os americanos não podem fabricar uma coisa tão boa quanto as de outras nacionalidades? Pôxa vida!!! A cultura/propaganda em torno da marca é demais! Muita pressão por uma coisa que SEMPRE apresenta defeito (como podem achar que vazar óleo é uma “característica”????).

    1. Eu brinco sobre isso, mas a verdade é que não se deve aceitar isso em hipótese alguma.

      O vazar óleo era uma característica dos motores antigos, em especial das japas e britânicas. As folgas do projeto e o material da época faziam com que esse fosse o “normal” delas: com o motor quente tudo ficava mais justo e não vazava.

      Com a concorrência com as japonesas, mais confiáveis e bem projetadas, isso mudou. Hoje uma Harley só deveria vazar óleo em caso de defeito, excesso de óleo na troca ou juntas/o-rings danificados.

      Mas como a fama “pegou”, tem proprietário que aceita isso até hoje como sendo normal. A minha, vazou óleo pelo o-ring do cabo da embreagem. Um aperto mal feito na concessionária fez ele arrebentar. Bastou trocar para a moto voltar ao normal.

  10. A eletrônica veio para diminuir a manutenção, veja só como ficou o antigo carburador que só servia para entupir de sujeira e dceixar voce nos cantos das vias.
    Não se ve mais veículos parados por que não houve ignição ou não liga porque não carbura direito.

    Contudo o maior problema desta evolução são as fábricas que querem sair das normas que deveriam ser universais na questão de funcionamento e
    e fornecimento de peças, e monopolizar os componentes fazendo-nos escravos da marca.

    Se a HD seguir esta linha acredito que sem dúvida vai perder muito mercado e não conquistar.

    Gostaria que continuasse com sua simplicidade mecânica aliado a uma tecnologia que cada vez mais não requeresse manutenção, ou melhor,
    quero andar sempre em cima de uma moto e não em cima do piso de uma oficina.

    1. Vc disse tudo! Se os componentes fossem universais, ninguém andaria mais de carburada com a desculpa da fácil manutenção… fácil é quando não dá esquentação de cabeça. A injeção eletrônica veio pra ser prática e ponto final.

  11. Minha hd (fat boy) vazou fluido do freio com menos de um ano de uso. Foram duas visitas à concessionária para sanar o defeito. Agora que decorreu o prazo de garantia, começou vazar óleo no pistão traseiro, parte superior. Meu sonho está virando pesadelo.

  12. Olá… Sou detalhista e apaixonado pelo estilo “custom”, andei mto com Drag Star e Boulevard 800, então resolvi experimentar uma HD Fat Boy 2015. Fiquei 3 dias com uma para experimentar, pois ela era de um amigo dono de loja. Moto praticante nova, revisões feitas na cc, nunca levou tombo etc. Achei a Fat macia, forte, linda, ronco maravilhoso, sem dúvida. Porém tinha algumas ” características” como vazamento de óleo na tampa de válvula, tampa do tanque de combustível vibrando, bomba de combustível fazendo barulho, marcador de combustível impreciso, vazamento de fluido de freio e algumas luzes espias q ora funcionavam e ora não. Após muitas pesquisas percebi que existem diversas reclamações do tipo. Como eu rodo mais de 1000km por mês, sabia que essas “características” iriam me incomodar e acabei não fechando o negócio. Embora não tenha mto a ver comigo, acabei comprando uma big trail Inglesa e me surpreendi com o acabamento, motor sem vazamentos, mta tecnologia embarcada, conforto e potência, é quase uma esportiva, mas com mto conforto. Ainda pretendo ter uma HD, pois sonho não se explica, mas não como moto principal…. Essa vai continuar sendo a Inglesa. Abs

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