Capacete aberto é tudo igual?

Com a moda dos capacetes Old School, eu tenho me assustado em ver quantas pessoas compram capacetes sem proteção, mas achando que estão comprando capacetes “convencionais.”

Isso acontece pois existem no mercado dois tipos de capacetes: os novelty e os certificados. E a diferença entre eles é simples:

Capacetes novelty

Os capacetes novelty são todos aqueles que não possuem a proteção interna de isopor que, em caso de impacto, é a responsável por você não abrir um buraco no seu crânio como o que tenho (felizmente, não teve nada a ver com motos).

Eles surgiram nos EUA para driblar a lei que obriga a usar capacetes, e são feitos dessa forma para serem mais estilosos. Afinal, eles ficam colados na sua cabeça, sem dar aquela impressão de que você é um cotonete de orelhão. Abaixo tem uma comparação feita pelo usuário Siempre do fórum Chopcult:

Mutos fabricantes, como a Biltwell, possuem sempre duas versões do mesmo capacete: uma certificada, e outra não. Os novelty também são populares entre customizadores, aquele pessoal que vende capacetes de fibra de vidro já pintados e personalizados.

Os fabricantes éticos avisam que são capacetes que “não devem ser usados para a prática de motociclismo” na descrição do produto. Outros dizem vagamente que o capacete “apenas não possui o selo do Inmetro”, o que já levou muita gente ao engano.

Infelizmente, apesar do que dizem por aí, os capacetes novelty não oferecem proteção nenhuma. A casca não tem efeito algum em caso de queda, porque o impacto continua sendo transferido diretamente para seu cérebro.

É por isso que, nos EUA, o apelido desse tipo de capacete é Brain Bucket (balde de miolos). Em caso de impacto, eles servem só para segurar os seus miolos.

Não estou fazendo julgamentos, e muito menos criticando quem usa ou vende. Só estou explicando os fatos para quem não conhece.

Capacetes Certificados

Esses são os capacetes que passam pelos órgãos internacionais equivalentes ao nosso Inmetro. Nos EUA, são os chamados capacetes certificados pelo DOT (Department of Transport). Na Europa, o certificado era o Snell, que está sendo substituído pelo mundo afora pelo ECE R22.05 (a mesma certificação usada no MotoGP). No Japão, existem o JIS e o SG, sendo o JIS o mais conhecido.

Quanto aos capacetes certificados, não há o que dizer, são todos seguros. Mesmo o mito de que “usar capacete aberto é o mesmo que não usar nada”, é apenas isso: um mito. Afinal, eles pelo menos protegem o seu cérebro, que é a parte mais importante do corpo da maioria das pessoas (exceção feita aos políticos e escritores de letras de funk). O único problema de um capacete aberto é a falta de proteção no queixo, que é um ponto de impacto comum.

Áreas mais propensas a sofrerem impacto em caso de acidente.
Áreas mais propensas a sofrerem impacto em caso de acidente.

Minha opinião? Eu adoro capacetes. Tento ter o máximo deles em casa. Com paciência, dá pra caçar um estiloso e seguro numa boa. Seja de moto ou skate, eu me sinto pelado sem eles. Sou que nem o cara do vídeo abaixo:

38 ideias sobre “Capacete aberto é tudo igual?”

  1. Cara, primeiramente, excelente matéria.
    “Segundamente”, eu tenho vários capacetes abertos, estava usando mais seguidamente um Kraft K-Custom e na semana passada comprei um LS2 OF-583. O isolamento acústico e aerodinâmica do LS2 não tem comparação. Até o ronco da motoca (tenho uma Dyna “meio-fuçada”) parece mais grave devido ao isolamento.
    O bichinho tem o casco em fibra de vidro o que reduz um pouco o tamanho em relação ao ABS injetado. Ainda pareço um pirulito, mas um pirulito bem menor. Hahahah
    Outra coisa é o arraste aerodinâmico: mesmo em velocidade um pouco maiores (120-150 km/h) ele não é “arrancado” da cabeça.
    Pra quem não quer parecer “muito” com um pirulito, é uma excelente “opção segura”.
    Obs.: tenho 1,80 m e peso 72 kg e assim eu SEMPRE pareço um pirulito, mesmo sem capacete. Hahahah

    1. Comprei recentemente um Kraft desses, mas apenas como uma opção pra rolê em dias MUITO quente, mas pro batidão é um NoRisk fechado…

      E de fato, como dito, fico parecendo um pirulito… rsrs… 1,75m e 60Kg… a solução é ganhar uns Kg na barriga…. kkkkk

  2. Não sabia desses “por menores”, muito bom saber, agora o comentário abaixo foi excelente kkkkk.

    “Afinal, eles pelo menos protegem o seu cérebro, que é a parte mais importante do corpo da maioria das pessoas (exceção feita aos políticos e escritores de letras de funk)”

  3. Boa Bayer!
    Pelo menos vc informou.
    Infelizmente já vi gente no face vendendo a “idéia” (e o capacete) que para ter um estilo de moto eu tenho que ter determinado estilo de capacete.
    Também curto capacete para caramba, mas não vacilo na segurança pelo estilo.

    Abraço.

  4. Cara, post de utilidade pública.

    Eu uso um Kraft aberto na cidade com óculos de serralheria (já que a viseira não serve para nada) e realmente tenho a impressão que em caso de queda o casco só vai proteger os miolos mesmo. Meu maior receio com relação aos old school era com relação a eventual impacto, o que ficou muito bem explicado.

  5. Bayer, com todo o respeito, vou discordar de você em alguns pontos.
    O primeiro é sobre capacetes abertos: eles NÃO protegem, nem de longe, o mesmo que um capacete “full face”. Todas as pesquisas/estudos que já li na internet sobre isso (ok, eu sei que a fonte não é lá essas coisas…) mostram que uma grande parte dos maiores impactos sofridos em acidentes de motocicleta acontecem na região da face/queixo. E, mesmo que o cérebro não esteja ali, a chance de morte por um impacto forte é bem alta (fora que ninguém quer ficar com a cara parecendo a do Sloth, dos Goonies). Eu tenho um amigo que é cirurgião bucomaxilofacial e ele vive me dizendo para NUNCA usar capacete aberto. Segundo o mesmo, boa parte dos pacientes que chegam para atendimento com a cara toda quebrada são motoqueiros que usavam capacetes abertos. É tenso.

    O segundo ponto é que acho (mas aí é achismo mesmo) temerário dizer que todos os capacetes homologados são seguros. É claro que todos têm um nível MÍNIMO de segurança aferido pelos órgãos competentes, mas daí a dizer que, por exemplo, um EBF de 50 reais é seguro pra andar de Harley a 160km/h…

    1. Marcell,

      Que fique claro: eu não disse que protege o mesmo que um full face, e sim que protege muito mais do que não usar nada. Há um mito de que, já que o aberto é mais perigoso, é a mesma coisa que usar um novelty. E isso não verdade… Como o próprio Staff Bull mencionou, ele teve um amigo em coma justamente por isso.

      Sobre os EBFs e cascos baratos, há uma pegadinha: todos cumprem o requisito mínimo de segurança por serem certificados. A tecnologia por trás de fazer um casco de ABS e isopor já é conhecida há décadas, não tem mistério. O que acontece é que um capacete como um Shoei, por exemplo, vai exceder os requisitos mínimos de segurança. E também vai ter um peso menor, uma viseira mais resistente, isolamento acústimo maior, e dezenas de outras coisas que aumentam em muito o preço. Materiais como fibra de carbono, tecido antitranspirante e etc passam longe de um capacete de 50 reais.

      Mas o básico, todo capacete com isolamento, do tamanho e material certo, e com o casco fabricado da maneira correta, vai cumprir o mínimo necessário.

      1. Ah, com certeza. A distância entre um aberto e um novelty é até maior que a existente entre um fechado e um aberto. De qualquer forma, EU, pessoalmente, nunca vou usar capacete que não seja fechado. Pra mim não compensa sacrificar tanto da própria segurança só pelo estilo (mas respeito quem pensa diferente).

        Quanto aos cascos baratos, a minha ressalva é justamente quanto ao conceito do que é o “mínimo” de proteção necessária. Será que a proteção mínima exigida pelo Inmetro é mesmo suficiente para alguém que anda em média/altas velocidades? Eles levam em conta fatores como, por exemplo, o “efeito mola” dos cascos de ABS?
        O que eu acredito é que esse tal “mínimo” de segurança varia muito de motoqueiro pra motoqueiro. O cara que anda com uma HD (considerando que utilize razoavelmente o potencial da moto) não deve (ou ao menos não deveria) usar um casco projetado para dar o “mínimo” de proteção exigido pelo Inmetro (que, na boa, só deve ser suficiente para salvar a pele de alguém que caia de scooter a 30km/h); de mesma forma, o cara que anda de esportiva jaspion a 250 km/h não pode achar que o casco que eu uso (um Scorpion Exo-1000) é suficiente para a sua proteção.

        No fim das contas, isso acaba sendo uma decisão de cunho estritamente pessoal. Afinal, cada um sabe o quanto valoriza a própria cabeça, não? hahaha

        Uma avaliação de segurança que vale lembrar é a “Sharp”, inglesa. Pelo que li, é o sistema de testes mais rigoroso atualmente aplicado sobre cascos. O site deles é esse aqui: http://sharp.direct.gov.uk/
        Nele dá pra consultar capacetes por marca e modelo e saber quantas estrelas eles receberam nos testes de impacto (algo como o NCap dos carros). É uma boa orientação pra quem quer comprar um casco novo e considera a proteção um fator preponderante para a decisão.

        Abraços!

        1. Uma opinião pontual: acho muito “sem noção” um sujeito numa moto acima de R$ 6.000,00 usando um capacete de R$ 60,00.
          Muito pior quando vejo alguns de esportiva (mais de R$ 30.000,00) usando um desses…
          Fica feio, fora de padrão, escroto. Sempre comento isso com a minha namorada. Hahahahaha

  6. Bayer, concordo com você.

    Eu tenho 1 Novelty personalizado… quem fez ele (SHOVEL) indicou com todas as letras “É UM CAPACETE DECORATIVO, NÃO RECOMENDÁVEL PARA PILOTAGEM” e é por isso que não tenho coragem de usa-lo em qualquer local que seja necessário/possível passar de 20km/h. (basicamente vai pros encontros apenas)

    Para a rua, tenho um fechado com todos os DOTs necessários e me sinto mais seguro.

    Mas vale a ressalva… não adianta andar de capacete fechado, e ignorar todos os outros itens de segurança (roupas, tipo de condução, prudencia)…. ou o capacete fechado só vai ajudar pra deixar o defunto bonito no caixão.

    Abraço!

  7. Segundo a Bell, o novo 500 Custom é do quase do tamanho de um novelty mas com muito mais proteção e certificação D.O.T.
    Eu uso um 500 Custom do antigo (tipo pirulito, mesmo) e um Biltwell Gringo. Gosto dos dois. Nenhum tem selo do Inmetro, porque comprei fora do Brasil pagando mesnos de 1/4 do que cobram por aqui.
    Quanto à discussão sobre segurança de aberto ou fechado, os esclarecimento do post são bons pra esclarecer alguns pontos. Mas acredito que cada um escolhe os riscos que quer correr. Só acho um saco o paternalismo do estado com algumas regulamentações sem sentido, e obrigação de selos que deveriam apenas orientar o consumidor. Regulamentações e leis feitas por alguém sentado atrás de uma mesa e que não entende nada do assunto. Educação e consciência é o mais importante, afinal não adianta sair todo equipado pilotando que nem um louco.

  8. Trabalho em pronto-socorro,atendo MUITO acidentado. Deixa eu dar uns palpites:

    – Capacete nenhum funciona se ele sair voando da sua cabeça antes de você bater no chão: Trave ele direito e não deixe a tira muito folgada.

    – Trauma de face é grave e pode matar. Os abertos são menos seguros, independente da marca. Nada contra nenhum tipo, mas se você escolhe x ou y tem que estar ciente das consequências.

    – Pode comprar o Bell ou Kraft último tipo, mas se enfie embaixo de um ônibus e vai ver como é inútil… Se quer segurança não se esqueça de pilotar com segurança (como disse o Vitor).

    Abraço

  9. Como sempre muito bom o post. Só queria dar uma outra visão sobre o assunto. Não discuto que capacete fechado é mais seguro, isso é óbvio. Agora canso de ver pessoas dizendo que compram o melhor, o mais seguro, o mais moderno dos capacetes e dirigem igual à imbecis. Cara, ao cair a 250 km/h, numa estrada brasileira, não há armadura de adamantium que vai te salvar. Quando você anda a 100 km/h no corredor, se alguém te der uma fechada, não há capacete que vai te salvar. Porque o capacete protege apenas a cabeça, e o resto do corpo? E os ossos que vão se quebrar e os tendões que vão se romper? Só tenho um capacete. Um Joe King. Ando todos os dias, viajo, pego chuva, tudo com ele. To careca de saber que não protege. O que me protege é a minha consciência. Dirigir o mais correto possível, respeitar os limites de velocidade, respeitar o outro. E prestar atenção, observar o trânsito. Sei que alguém vai dizer que pode vir um doido e me atingir. Ok. Não saio de casa pensando no que os outros vão fazer, penso o tempo todo no que eu devo fazer para poder pilotar sempre. Abraços,

  10. Do mesmo modo que alguns comentaram aki, tenho varios capacetes, 5 no total, entre eu e minha esposa, (ela com 1 e eu com 4) rs,,,,O que eu mais curto usar é o LS2 OF-583, preto fosco, com os pinstripes q um amigo fez e ficou simplesmente show de bola…consegui comprar uma viseira em uma viagem e garimpada nos eua, a mesma é da década de 70, super confortável…Minha última aquisição foi um capacete Zeus 202FB, infelizmente só tinha o preto brilhante, o qual acabei colando um adesivo RatFink e deixou assim de ser tão simplório rs….Gostei do capacete, confortável, tem uma boa fixação, viseira e aquele óculos interno que ajuda muito, quando vc esta sem e pega o sol d cara….Algum comentario sobre os Zeus? Abraço!

    1. Cara! Tenho um Zeus 806A há cerca de um ano e meio. Acho ele um pouco pesado e barulhento pá caral…..!!!! E já está rachando e descascando aquela “napa” da forração mais inferior. Mas o óculos escuros interno é uma baita mão na roda. Ouvi dizer que a marca Zeus é do mesmo fabricante da LS2 e que eles seriam equivalente em qualidade. Mas acho que não! Apesar de alguns modelos terem preços parecidos, acho que o LS2 é melhor. Mas não tenho ambos para comparar.

      1. Cara, acho que deu azar com o seu Zeus, eu tenho um 806a a uns 4 anos, deve ter um ano só que começou a descascar a napa. Os LS2 e NoRisk estão descascando com menos de 6 meses. Quanto ao barulho não acho ruim, já tive uma penca de capacetes, alguns caros (acima de R$600 pra mim é caro) como o LS2 ff396 e o Texx Carbon, e mais silenciosos que o Zeus até agora só os Shark S700s e Vision-R (de longe o melhor que já usei). O fabricante da LS2 fabrica o NoRisk e o Shad, o Zeus não, é outro fabricante. Eu comprei o 202fb tbm, evito muito usar, usei só uns 2km até agora então não posso dizer sobre barulho e conforto, mas o acabamento é excelente.

  11. Bayer, com relação ao certificado DOT, comprei um Bell 500 Custom pelo ebay, ele vem com certificação DOT. A pergunta é: Essa certificação é aceita no Brasil? Será que não vou ter problemas em viajar com esse capacete? Abcs.

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