Mad Max: Fury Road – Crítica

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Antes de mais nada, vamos deixar uma coisa clara: se você é fã da trilogia original, vá ao cinema neste final de semana assistir ao filme Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road, em inglês).

Você não vai se arrepender. Simples assim.

Eu sei que já chamei o primeiro filme da série de supervalorizado anteriormente, mas gosto dele. E considero os dois Mad Max seguintes filmes antológicos, que fazem parte do inconsciente coletivo de qualquer pessoa que, como eu, cresceu nos anos 80 imaginando um futuro caótico e desesperançoso, alimentando pelo medo de um holocausto nuclear que parecia pairar sobre todos nós.

Mad Max Fury Road é o novo benchmark para os filmes pós-apocalípticos. Ele fez para os filmes de ação o que o Soldado Ryan fez para os filmes de guerra. O filme é sujo. É intenso. É absurdo. É surreal. E é tudo o que um fã da série espera.

São duas horas praticamente ininterruptas de perseguição, com poucos diálogos e, mesmo assim, o filme tem uma riqueza de detalhes que acabam explicando todo aquele universo.

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Isso se deve ao diretor George Miller que, aos 70 anos de idade, deu um cacete nos diretores mais novos e descolados, e criou algo inovador sem precisar usar nenhuma tendência da moda. Um feito impressionante em um mundo que parece valorizar apenas a novidade, e que considera coisas de poucos anos atrás como velhas.

Já o ator principal, Tom Hardy, encarnou um novo Max, que finalmente faz jus ao apelido de Mad. Sim, todos amamos Mel Gibson nesse papel, mas Tom trouxe algo de novo. O fato dele já ter se afundado nas drogas, e ter dito que teria vendido a mãe por crack, mostra que o cara pode interpretar a loucura com propriedade.

As referências aos filmes anteriores estão todas lá, algumas discretas outras descaradas. O Master-Blaster em uma versão mais sutil e grotesca, parte de um casting que não hesitou em escalar pessoas com severas deficiências físicas. A caixinha de música. O Interceptor V8. A jaqueta. Os olhos saltando para fora das órbitas antes de uma batida.

E a cereja do bolo foi o excelente vilão, Immortan Joe, interpretado por Hugh Keays-Byrne, o mesmo ator que fez o Toecutter no primeiro filme da série, 30 anos atrás. Um vilão que consegue ser tão assustador, quanto surreal.

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Até a Charlize Theron foi uma surpresa, interpretando uma personagem mutilada que faz você esquecer que está vendo a mesma atriz que costuma aparecer cheia de glamour anunciando perfume Francês na TV a cabo.

O filme é absurdo como só um filme australiano dos anos 80 poderia ser, mas com efeitos especiais e direção de arte do século 21. Aliás, efeitos especiais muito bem utilizados, diga-se de passagem, já que boa parte da ação foi feita com dublês e carros de verdade. Todos os veículos em cena funcionam plenamente, e são tão modificados que fica difícil dizer qual era o que antes (até uma Bonneville fez uma participação especial).

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O filme explode de tanta loucura. É uma sessão insana e ininterrupta de ação, com direito até a carro carregando trilha sonora para ditar o clima da batalha. Nada faz sentido, mas ao mesmo tempo, faz todo o sentido em um mundo como aquele. E no meio de todo o absurdo, você começa a entender aquela loucura e, quando menos espera, é empurrado para dentro dessa insanidade por um V8 cuspindo gasolina pelo carburador e soltando fogo pelo escape.

Não é a toa que o filme ficou parado na distribuidora por alguns anos antes de ser lançado. Em um mundo politicamente correto e limpinho como o de hoje, é preciso ter culhões para se aprovar o lançamento de um filme que brinca com o grotesco, mas sem perder a classe.

Não importa se a sala é XD, iMax, 4D ou qualquer outro nome do tipo: escolha a sala com a maior tela e o som mais potente possível e prepare-se para ver o mundo tremer.

E saia um pouco mais Mad do que você entrou.

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Mad Max: Estrada da Fúria

Classificação indicativa: 16 anos
Elenco
Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Zoë Kravitz, Rosie Huntington-Whiteley, Nathan Jones, Riley Keough, Josh Helman, Hugh Keays-Byrne, Debra Ades, Megan Gale
Roteiro
George Miller, Brendan McCarthy, Nick Lathouris
Direção
George Miller
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26 ideias sobre “Mad Max: Fury Road – Crítica”

  1. Adrenalina do começo ao fim. O trailer não faz jus ao filme…

    Chamaram o cara da guita de trio elétrico, mas eu curti, é insano, os gringos nao tem essa referência.

  2. Puta filme !!! Tive o prazer de assistir na estréia, a ansiedade estava grande. Hoje em dia não se faz mais filmes com perseguições insanas e bem feitas com carros e motos.
    Veloses e Furiosos parece filme de playboy e mulherzinha perto de MADMAX.

  3. Fiquei curioso, para ver.
    Confesso que quando vi o anuncio não me empolgou muito, pois esses “classicos” dos anos 80 geralmente são destruidos quando tem remake, Conan (o primeiro) é um que me vem a cabeça quando deicidiram fazer um remake, Evil Dead é outro.

    Mas assistindo ao trailer e com seus comentários me animou pra assistir.

    1. Pois é, quando saiu a notícia eu pensei assim. Mas não é remake, é mais um filme da série feito pelo próprio George Miller, que é criador da bagaça.

    2. Nem me fala desses remakes xaropes, o Freddy Krueguer “novo” acho que encabeça a lista de remakes ruins.

      Também tive essa pré-concepção quando ouvi falar deste novo Mad Max. Mas vou dar uma chance.

      1. Eu também, vou ver se vou ao cinema logo
        Desses remakes (se bem que o Bayer falou que esse não é) o pior pra mim foi o Conan…porra o primeiro com o Schuaza é classico com uma puta trilha sonora composta pelo Basil Poledouris e era até meio sobrio, mas esse com o Karl Drogo ficou ruinzinho…

  4. Assisti ao filme. Ficou muito foda, principalmente porque atualizaram a insanidade da estória original. O Max está louco mesmo. Quem ficaria normal perdendo a filha e a mulher de forma sacana como foi? A sacada do vilão está show, misturaram as loucuras do primeiro filme com as aberrações do segundo e a riqueza do figurino do terceiro. E só, pois o terceiro filme na minha opinião, não deveria existir.
    Concordo com o Paulo, perseguição é essa aí. Velozes e furiosos é coisa de mulherzinha!!!hehehehehehehe……….

  5. Realmente um filme muito bom. Concordo com o comentário sobre os politicamente corretinhos limpinhos ai de hoje. Quando o filme começou, ouvi alguém mais atrás falar “ih…carro mais velhão”. Certamente um zé ruela playba fã de velozes e furiosos, que não entende a parada. Uma pena não ser o Mel Gibson no papel, pois particularmente não gostei muito desse cara novo. Um outro detalhe é que o Mad Max na verdade foi apenas um coadjuvante na história. A phorra toda não é centrada nele em si, mas na mulher e o povo dela.

  6. Vi o filme em Porto Alegre primeira sessão da tarde “estreia” , comprei o primeiro ingresso e sentei na primeira fila e valeu! Mad Max é como o George Miller evoluiu como todos nós querer ignorar as mudanças seria ruim, realmente foi um MAD MAX de verdade!

  7. Interessante que a mente por trás de Mad Max é a mesma por trás de Happy Feet. O diretor George Miller. Mais surreal ainda.
    Bayer, se você curtiu a Charlize mutilada no filme, assista Monster. Nesse filme se não fosse o nome no cartaz, eu não saberia que se tratava da mesma atriz.
    http://www.dvdbeaver.com/film2/DVDReviews46/monster_theron_blu-ray/large/large_monster_blu-ray5x.jpg
    http://www.heyuguys.com/images/2012/02/Charlize-Theron-in-Monster.jpg

  8. Long time no see, Bayer.
    E engraçado que eu ouví o seu nome todos os dias durante 1 mês, rapaz.
    Quanto ao Mad Max, to louco pra ver. Esperando sair normal, “não 3D”.

      1. Haha
        É porque eu fiz um trampo pra empresa Bayer e foram incontáveis briefings ouvindo Bayer, Bayer, Bayer haha
        Aliás, a Bayer tem algo a ver com a sua família?

        1. Hehehe. Teve uma época que eu dava o telefone da Bayer pra quem me enchia o saco, tipo vendedores.

          A origem da família é a mesma em teoria, mas não tem nenhuma relação mais.

  9. A qualidade da produção, figurinos, ritmo alucinante do filme são elogiáveis porém senti falta das Kawa 900, das máquinas voadoras e de um enredo mais envolvente, já que tudo se resume a uma louca perseguição. Quem sabe teremos um próximo MM mais reflexivo sobre a ameaça de um pós apocalipse.

    1. Assisti aos 3 filmes MAD MAX e posso garantir que este novo “A Estrada da Fúria” deveria se chamar O DOADOR DE SANGUE… Esse filme, no que pese toda a tecnologia, é uma merda. Veio só pra sujar os antecessores.

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