O dia em que os Hells Angels se ofereceram para lutar na Guerra do Vietnam

Em Novembro de 1965, o então presidente dos Estados Unidos da América, Lyndon B. Johnson, abriu um telegrama um tanto inusitado em sua mesa no Salão Oval da Casa Branca. Em meio a protestos de estudantes contra a Guerra do Vietnã, que aumentavam cada vez mais em número e estavam criando o que conhecemos hoje como o movimento da contracultura, o telegrama continha uma mensagem de apoio ao conflito, e era assinado por ninguém menos que Sonny Barger, o líder dos Hells Angels na época

O telegrama dizia que os Hells Angels estavam se voluntariando para serem “Soldados Gorila“ (sic), provavelmente um erro do líder ou do transcrevente, já que a intenção era escrever “Soldados de Guerrilha“.

Como já mencionei no post “Duas guerras, dois MCs”, a origem dos motoclubes nos EUA, especialmente os chamados outlaws ou 1%ers, é muito ligada ao universo dos veteranos de guerra. É por causa deles que surgiu a estrutura quase militar, os pacthes, os rituais de iniciação, entre outras coisas.

É por isso que Barger e seus amigos sempre foram favoráveis ao conflito, mas não queriam aceitar ordens de superiores que não fossem do clube, então se ofereceram para serem uma “tropa especial”.

(AP Photo/Horst Faas, File)
(AP Photo/Horst Faas, File)

Eles já haviam demonstrado sua posição política durante um protesto contra a guerra, onde os Angels agrediram alguns dos participantes. A marcha contra a guerra começou em Berkley e pretendia ir até Oakland, onde foi interrompida pelo clube e por diversos outros simpatizantes. A polícia, que inicialmente havia feito um cordão de isolamento para impedir o avanço dos motoqueiros, simplesmente abriu caminho quando os pacifistas se aproximaram do limite da cidade.

Os Hells Angels então começaram uma discussão, acusando os manifestantes de covardes e fracotes, o que acabou terminando em briga. Quando as agressividades começaram, a polícia tentou controlar a situação, o que acabou terminando com um policial de perna quebrada e um Angel hospitalizado após levar uma pancada de um cassetete policial na cabeça.

Curiosamente, o fato serviu de inspiração para Hollywood, que criou o filme “Nam Angels“ (sendo Nam o diminutivo dado para Vietnam), onde um grupo de motoqueiros são enviados para a selva para resgatarem soldados do cativeiro. O trailer você confere abaixo, e o filme na íntegra está aqui.

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17 ideias sobre “O dia em que os Hells Angels se ofereceram para lutar na Guerra do Vietnam”

  1. Estou lendo a biografia do Sonny Barger e estou exatamente neste ponto. Parabéns, está muito bem explicado, mas aqui no livro (em inglês), lemos “a crack group of trained guerrillas”. Nenhuma menção à essa confusão com gorilas. Talvez por vergonha…rs
    Abs

  2. Hahahaha esses anjos são “meio” doidos. Será que eles queriam andar de moto na selva?

    Por outro lado, dois anos depois Muhammad Ali diria “I ain’t got nothing against them vietcongs”.

    E fora do assunto, mas vale perguntar: Bayer, que aconteceu com o Marquez? Garotinho só tá tomando chão esse ano…

    1. Meus dois centavos no assunto:

      Acho que o Marquez tem talento, mas ainda não tem maturidade. No primeiro ano ele teve vantagem, pois foi o primeiro piloto a realmente aproveitar o maior grip dos pneus, e usar novas posições de pilotagem no MotoGP. O cotovelo no chão, o corpo para fora com quadril pra dentro, tudo isso foi sendo imitado e absorvido pelos outros pilotos. O Rossi, por exemplo, trocou seu treinador e mudou muito seu jeito de pilotar por causa disso.

      Então, o que no primeiro ano foi um passeio, com o moleque ganhando todas as corridas, esse ano foi muito mais difícil. E aí entra a maturidade: não acostumado a perder (como o Rossi e Lorenzo) ele perde a calma nessa situação e parte pro tudo ou nada. Repare como toda vez que ele fica para trás, ele começa a perder a linha e cometer erros com mais frequência, derrapar mais do que deve, o que quase nunca acontece quando ele está na frente da corrida.

      Ano passado, por duas vezes o Rossi e o Lorenzo deixarem o Marquez passar com medo de cairem, sabendo desse jeito do moleque. Mas esse ano, pilotos como o Rossi não deixam mais isso acontecer (daí o incidente onde eles trombaram, o que fez o Rossi sair da pista).

      No MotoGP frequência é a chave, você não precisa ganhar todas, o importante é estar no pódium o maior número de vezes possível. Mas o Marquez quer ser o primeiro sempre e, toda vez que ele não consegue, seu talento é superado pela inexperiência. E quanto mais pra trás ele fica no campeonato, pior ele está ficando.

      1. Pô, falou tudo.

        É visível quando a pressão tira o melhor dele.

        Ainda teve aquele capote “dividindo” com o Rossi no começo do ano, na argentina se não me engano.

  3. Foi um Baita Gesto Patriótico na época, Tudo a ver já que motoclubismo e patriotismo andam de mão dadas,no livro do Hunter Thompson parece que depois desse evento ele dá meio que uma desiludida dos H.A acaba a imparcialidade e vira falação desnecessária.

  4. Muito legal seu site , varias informações interessantes . Quanto a carta do chefe dos Hel´s Angel´s a menção de gorilla pode ter have com uma serie de tv muito popular na época Garrison´s gorrillas . Garrison´s Gorillas era uma série de ação que focalizava um grupo de renegados que foram recrutados nas prisões para usarem suas habilidades especiais contra os alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Caso os recrutados tivessem sucesso em suas missões, eles seriam perdoados pelos seus crimes pelo presidente da república. Em caso de traição ou fracasso seriam levados aos pelotão de fuzilamento. Pode ser que não tenha correlação , fica a ai a curiosidade . Abraços

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