Porque você decidiu ter uma moto?

Peter Egan, da revista Cycle World, é um dos meus jornalistas favoritos. No seu livro Leanings, ele faz uma reflexão sobre o que o levou a comprar sua primeira uma moto.

Para ele, o que catalizou uma decisão que mudaria sua vida inteira, foram os poucos segundos da introdução do filme Lawrence da Arábia.

A cena acima é a que ele se refere. Começa com auma Brough Superior vista de cima, estacionada em um quintal. Um jovem se aproxima dela com um pano em mãos e começa a cuidar da moto, carinhosamente. Coloca óleo no tanque lateral, passa uma flanela com delicadeza. O dia parece ser uma preguiçosa manhã de domingo, daquelas que você acorda cedo para dar um rolé.

Depois de todo esse ritual, o rapaze em cena coloca um par de óculos de aviador. Vemos o close de uma botam, que dá um chute firme no pedal de arranque, fazendo a moto pegar de primeira. O imponente V-Twin começa a rugir e ele parte através de uma belíssima estrada rural.

O sorriso no rosto que ele carrega nessa cena, é algo que só quem já andou de moto por pura diversão consegue entender.

Petar Egan tinha apenas 14 anos quando viu esse filme, mas foi fisgado imediatamente. Daquele dia em diante, ele sabia que as motos seriam uma parte importante da sua vida.

E essa certeza só aumentou quando, alguns dias mais tarde, ele se encontrou no meio de uma estrada nos EUA, pedindo carona para chegar em um ferro velho que ficava na próxima cidade. Duas Harleys se aproximaram, e um dos motociclistas fez sinal para que ele subisse na garupa. Mas ao invés de ir até o ferro velho, ele terminou o dia em uma loja de motos com os tais motoqueiros, ouvindo as histórias e fuçando pelos cabides e armários de peças da loja (um hábito que ele diz não ter perdido até hoje).

Anos mais tarde, um amigo perguntou como foi que ele se interessou por motos. Depois de Egan contar a história, seu amigo deu um pulo: “Deus do céu, eu assisti Lawrence da Arábia no mesmo ano e prometi que eu nunca ia subir em uma moto! Ele morre na porra primeira cena, logo no começo do filme!”

Egan apenas deu de ombros. Sim, o cara morria, mas aquele sorriso de prazer ao pilotar era muito foda. Todo mundo morre, mas nem todo mundo vive.


(Esta é uma versão revisada de um post foi publicado originalmente em 2011).

24 ideias sobre “Porque você decidiu ter uma moto?”

  1. Saída de uma depressão , pela perda do meu pai .
    Conheci a Harley Davidson aos 16 anos em um passeio na praia a noite , levada pela minha irma e o namorado .
    O ronco do motor foi como um choque de um desfibrilador, desde então sou apaixonada pela lenda e meu foco sera uma 883.
    Hoje participo de vários grupos como o Amantes de Harley Davidson Official .
    Por enquanto rodo so na garupa do namorado que tem uma Dyna.

    1. Bom, o filme é de 1962, a moto foi produzida até 1940. Apesar de poucas unidades terem sido produzidas, 20 anos depois deveria ser muito mais fácil achar uma conservada do que hoje.

  2. Posso dizer, sem medo de ser exagerado, que decidir ter uma moto foi o que salvou a minha vida.
    Passei por uma grave depressão enquanto estava na faculdade – que ficava a 400 quilômetros de minha família, ou seja, nada de apoio próximo. Fui mergulhado em um mundo que detestava, cercado de pessoas que não se importavam, fazendo o que antes eu dizia que nunca faria. Fiquei estagnado em uma crise de meia-idade tendo apenas 20 e poucos anos. Nisso, meu pai ficou doente em casa, lá longe no interior, e as preocupações só aumentavam.
    Sempre gostei de carros e automobilismo, e, para tentar espairecer, frequentava Interlagos enquanto ainda haviam aquelas corridas no fim de semana aonde a entrada é franca. Um belo dia de muito sol, provavelmente um sábado, quando estava voltando para o apartamento, um comboio de 4 ou 5 Harleys passou por mim, bem ao meu lado. Fiquei maravilhado com a imponência daquelas motos e, principalmente, com o som delas. Observei elas ao longe, brilhando sob o sol, e pensei o quanto deveria ser bom viajar para casa em uma daquelas ao invés de usar o ônibus. Me lembrei também do evento que ocorre em minha cidade natal, um ‘grande’ encontro de motociclistas, e de como seria legal fazer parte daquele universo.
    Nunca mais parei de pensar em viajar de moto. A partir daquele momento, uma parte dos meus dias era dedicada a ler, pesquisar e estudar TUDO sobre motos: mecânica (deus salve os pdfs!), competições, artigos, viagens, MCs, eventos… E continuo assim até hoje. Eu finalmente tinha um objetivo MEU, sem ser obrigação ou desejo de terceiros: ter uma moto – que logo se tornou mais ambicioso: ter uma oficina de mecânica de motos.
    Meu pai veio a falecer no final de 2015 e uma das principais causas, dentre todas as enfermidades que o acometiam, foi depressão. Isso abriu os meus olhos e me deu ainda mais forças para insistir em meus objetivos.
    Os planos para 2016 são finalmente tirar a CNH e começar com uma motinha de baixa cilindrada, provavelmente uma Kansas ou algo similar. Não fosse essa crise engolindo empregos, a CNH já estaria em meu bolso, mas aí já é outro assunto…

    Aproveito para agradecer a você, Bayer; seu blog foi um dos principais culpados em desenvolver e alimentar essa loucura! Muito obrigado mesmo! E peço desculpas pelo muro de texto, mas senti que precisava compartilhar isso com pessoas que compreendessem, e esse post me pareceu a oportunidade perfeita.

  3. Saúde & Paz.
    Nasci em 1996 (08º irmão de 11) …aos fins dos anos 70 eu com 12 anos de idade, vendia milho verde as margens da BR262 próximo de onde hoje é o famoso O Milhão…. na época poucas motos na estrada… mas sempre passava algum motoqueiro com suas roupas de couro em suas HD´s imensas (eu era garoto né). Apaixonei….. em 1992 comprei minha primeira Vespa 150…depois outra PX200…dps. uma moto …. outra… e outra… e outra. E ainda estou apaixonado pelas duas rodas. Até quando Ele o permitir. Amém.

  4. Sempre fui apaixonado por motos, por influencia dos pais fui afastado delas, comprei tudo que faz parte da minha vida (casa, carro, móveis, cachorro etc…) mas nunca uma moto, cheguei a me inscrever no fórum da Harley sem nem ter habilitação….um dia assistindo um filme do Steve Mcqueen com meu pai, vi uma Triumph Bonneville, e percebi que eu sabia que moto era, qual a cilindrada e até porque ela chamava Bonneville mas não tinha uma…..daí o Bayer apareceu com seu site, importunei ele paca e ele me deu dicas muito sensatas, até postou no site a promoção que a Triumph estava fazendo…… e tenho uma Bonnie fazem 3 anos já e de longe foi a melhor coisa quer fiz na vida. Só tenho a agradecer muito a oportunidade e imparcialidade sites como esse.
    OBSERVAÇÃO HISTÓRICA:. Lawrence da Arábia era um herói nacional na Inglaterra naquela época, sua morte foi muito discutida pela sociedade e do incidente surgiram os primeiros modelos de capacetes e legislações que regulamentaram seu uso

  5. Sempre achei a ideia de uma moto, independentemente do modelo, brilhante – barulho, vento, sinergia, tudo – mas pra mim bastava admirá-las a distância. Até que um dia percebi que passei um ano no meu carro sem mudar o trajeto, a temperatura do ar condicionado ou mesmo a estação do rádio. Cara, sua vida pode estar ruim mas pelo menos controle sobre sua forma de deslocamento você tem e a minha tava muito chata, apressada e sem graça. Vendi o carro e nunca mais considerei ter outro.

  6. Depois que calculei que perdia aproximadamente 7 horas do meu dia em transporte público vendo a galera passando de moto. E me concentrava sempre nos mais experientes guiando tranquilamente no meio do tráfego. Não pensei duas vezes.

  7. Eu nem ligava para motos, gostava mais de carros. Meu irmão apareceu com uma Harley 125cc, algum tempo depois comprou mais uma do mesmo modelo, chegou para mim e disse : agora a outra é sua ! Ainda tenho as duas 125cc, mais uma Fat 1450cc.

  8. Não vou lembrar o momento exato, mas sei que ainda jovem, com uns 12, 13 anos, já achava Harleys uma coisa linda. Isso adormeceu em mim, mas quando mudei para Pernambuco, passava em frente a um MC em Olinda e via os caras se divertindo e vendo as motos estacionadas lado a lado. E a vontade foi voltando… Hoje em dia está me deixando louco. Não tenho CNH, nem pra carro, mas já estou me movimentando pra tirar categorias A e B. O sonho, nesse momento, é comprar uma Virago 535. Mas pra começar acho que uma Virago 250, ou Mirage mesmo… Até uma Amazonas C1 eu já cogitei. No fim o que importa é a diversão.

  9. O “start” da paixão por 2 rodas começou vendo Exterminador do Futuro 2… cara, ver o Arnold Schwarzenegger naquela fat foi um belo marketing que deu certo comigo rs.

  10. Desde criança era fascinado por motos e carros de verdade.
    As CBs 450 e 75O Hollywood me encantavam.
    Lembro que quando criança, ao lado da casa do meu tio havia um cara que tinha uma Harley, isso acho que 88.
    Raridade na época.
    Ele era o Mister, muito conhecido no Rio na época.
    Ele não conheci pessoalmente, mas hoje sou amigo de seus filhos.
    Quando estou com minha Dyna na estrada, parece olho as árvores, pássaros e tudo com leveza.
    O tempo parece parar e renovo minhas forças.

  11. Eu tinha 15 anos quando meu pai comprou uma Yamaha RD 75 vermelha. Dei uma volta nela (depois de muita briga com minha mãe) e me apaixonei! Vento no rosto, ronco do motor (rsrs era motorzinho mas naquela época era o máximo)… Que sensação maravilhosa! Hoje tenho 51 e uma Triumph Street Triple (vermelha é claro), porém o sentimento se manteve inalterado.

  12. Conheço a história do Lawrence, não vi o filme. Até onde sei ele era apaixonado mesmo por motos e teve várias. Muito bacana essa cena inicial, é praticamente aquele domingo de manhã que você sai para dar um rolê sem pretensão nenhuma. Esses rolês são os melhores, não tiram todas as dúvidas mas faz com que você as esqueça por um momento.

    Porque decidi ter uma moto? Acho que está no sangue. Meu avô materno pilota desde os 13 anos e embora nunca tenha havido uma pressão neste sentido (muito pelo contrário, ele desencorajou pelo fato de saber como funciona esse trânsito absurdo) quando resolvi adquirir um veículo pesquisando entre carros e motos possíveis, me apaixonei pelas motos. De lá até aqui, nunca tive e nem penso em ter carro, exceto, claro, em um futuro em que ele se fizer estritamente necessário.

  13. Fala Galera!!!

    Esse sem duvida nenhuma é um tema muito interessante: O pq vc começou a andar de moto!

    Basicamente para mim acredito que sem sombra de dúvidas foi pela sensação de liberdade! Moro em Ctba e minha família em SC, deste modo viajo bastante para lá. Após me formar na faculdade e vir para Curitiba, em um dos meus retornos para SC (de onibus), vi um grupo de motos (todas customs) ultrapassando o onibus, e simplesmente aquilo despertou algo em mim.
    Sempre tive paixão por motores, sejam eles de carros, motos, caminhões, o que fosse.
    Contudo só comprei minha primeira moto a 5 anos (a qual tenho até hoje, uma Falcon 2008). Passado uns 3 anos com essa moto consegui comprar minha HD, uma FatBoy 2009 meio mal cuidada na época (o dono ex dono dela era bem porco). Gastei um bom tempo reformando e deixando ela pronta (tenho ela até hoje também).
    Como digo para meus amigos, tenho paixão pelo motociclismo, pelas motos, pela aventura e pela liberdade. Independente do estilo, independente da moto, independente da velocidade, o que vale são cada minutos que você esta fazendo aquilo que mais ama.
    O legal é que a um tempo, comecei a me apaixonar pela parte de manutenção, customização das magrelas. Depois de juntar um bocado de coragem, acabei comprando uma Shadow 99 num leilão, (moto bem derrubada) e comecei a realizar um novo sonho, montar um projeto Bobber.
    Faz 1 ano que estou trabalhando na mesma, ela esta 40% pronta, só digo uma coisa rs, como vai dinheiro nessa brincadeira!!! São rodas, pneus, revisao mecanica, tanque, parte elétrica, em fim, vai ser uma reliquia!

    Há uma hora que estar em cima de uma moto não dá mais para voltar atrás, este é o ponto onde devemos chegar…

  14. Bacana! belo texto. É uma bela história também! Eu decidi comprar a minha moto por duas razões: a primeira pra poder realizar um sonho de infância, eu sempre cultivei o desejo de ter uma. A segunda razão é que eu decidi deixar o carro na garagem e ir para o trabalho de moto, mas o tiro saiu pela culatra: com esse Bum! de crédito fácil, desse governo populista, todo mundo achou que podia ser piloto e ter uma moto, aí acabou o meu sossego. ( Não quero aqui tirar o direito de quem quer que seja, de ter uma moto e poder compra-la. O que eu cobro é que junto com esse direito também venham as obrigações e algumas delas, são as pessoas terem educação, respeitar as normas de trânsito e de segurança etc.) Acabaram as vagas pra estacionar, acabaram o prazer de pilotar de manhã e de noite, a pilotagem prazerosa deu lugar à correria e aos “bii,bii’s” frenéticos e enfurecidos do motoboys e mototaxistas que não querem nada e ninguém na frente deles… enfim pilotar de segunda a sexta virou um teste de paciência nesse trânsito de loucos e cheio de mal educados. Agora só piloto nos fins de semana. É uma pena.

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