Sobre garupas e relacionamentos

Ontem, eu postei a seguinte imagem:

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E o leitor Shadow, fez um comentário sobre ela que merece um post:

É.

Não é necessário fazer um exercício mental muito extenso para chegar a conclusão que esta frase é pura verdade.

Não vou entrar em muitos detalhes, mas no começo deste ano, no meio de uma viagem de moto tive uma dura porrada no casamento, por minha culpa diga-se de passagem.

Depois de 2 noites de brigas praticamente sem dormir cogitamos que cada um voltaria da viagem separados, ela de ônibus e eu com a moto.

Daí eu lembrei dessa frase (É preciso muito mais amor…) . Mas não disse nada. E com base neste pensamento consegui convence-lá a voltar comigo de moto.

A viagem de volta foi horrível, fora o silêncio sepulcral, enfrentamos uma chuva sem capa de chuva que não era possível enxergar um palmo diante da viseira, vento lateral chacoalhando a moto para fora da pista, acidentes, trânsito, freadas bruscas, pistas fechadas e caminhões em demasia. Eu segurando no guidão com firmeza para não tombar de sono e ela segurando no encosto e não em mim como usual.

Parece que não. Mas a sua garupa segurar em você é uma forma de apoio, não só dela se sentir segura mas para te lembrar que ela está alí e confia em você, sob sua responsabilidade, mas te dando apoio, de forma que o ato contrário pode denotar o oposto…lembrando que 90% das vezes viajo garupado.

Terminamos a viagem. Molhados, cansados e amargurados.

Antes de irmos cada um para um lado ela me questionou porque eu fiz questão de que ela voltasse comigo na moto. Eu soltei que o fato dela voltar comigo já seria o suficiente para eu ter a certeza que não romperíamos o casamento, afinal, é necessário muito mais amor para se dividir o banco de uma moto do que uma cama…

O resto é mais história, mas posso afirmar que essa viagem e a veracidade e carga emocional contida nesta frase, foram responsáveis por continuarmos unidos.

Shadow

24 ideias sobre “Sobre garupas e relacionamentos”

  1. Rapaz, não sei o que é isso não. Em dois sentidos.

    O primeiro é que minha esposa não curte motos. Mas eu acho isso ótimo. Até tentei que ela me acompanhasse, bem no começo, mas ela não curtiu e respeitei. Com o tempo, vi que era melhor. E agora, com as crianças, quando quero passear de moto e ela quer acompanhar, nós combinamos de eles irem de carro e eu de moto. E há planos de algumas viagens longas em que eles vão de avião enquanto eu vou de moto. Considero um ótimo acordo.

    O segundo é consequência do primeiro. Pois entendo bem que dividir a moto, e tanto mais quanto mais longo é o dividir, é uma prova de amor e tanto! E este relato é interessantíssimo como um exemplo disso. Mas é algo que eu nunca vou experimentar.

    Bem, não dividimos a moto. Mas se não tenho esta prova de amor, tenho outra: a que Minha Linda me compreende, me apóia e me deixa livre para andar solo!

  2. O inverse também é verdadeiro. Silvana sempre me incentivou muito a voltar a viajar de moto.

    É dela a culpa da Fat ter vindo para a nossa garagem e até o acidente dela em 2009, foi minha garupa e, depois que customizamos a FX, minha companhia de estrada.

    Depois do acidente e da recuperação dela foi minha vez de deixar a moto em casa nas viagens para não deixá-lá sozinha.

    Durante um tempo ela insistiu em que eu continuasse a viajar (minha última grande viagem foi 2012 para Floripa) que ela me encontrava no destino.

    Em 2013 já desistia de seguir de moto para não deixá-la sozinha na viagem à Milwaukee (claro que sempre havia um amigo para deixar que eu acabasse com a crise de abstinência), e desde então já são mais de 100.000 kms viajando juntos com o carro, seja para bate&volta à São Paulo ou viagens de 5000 kms nos EUA.

    E ela insiste nas Harleys: foi a principal “culpada” de fazer a última loucura comprando a CVO que passou a ocupar espaço na garagem.

    É preciso também muito amor para encarar os kms de estrada juntos de carro, deixando a moto na garagem ou usando apenas nas ocasiões (raras) que ela não está comigo.

    Abraço.

  3. Valeu Bayer.

    Não pensei que um comentário quase em forma de desabafo poderia virar um post. rsrsrs. Tomei um susto na hora que vi na página do FB ehehehhe.

    Claro que a frase no final das contas a frase nos faz refletir sobre vínculos e como a utilização de determinados objetos podem tender a reforçar ou extinguir esse vínculo, no meu caso foi a moto.
    Li por aí também que isso verbaliza uma situação muito vivida e pouco falada para quem anda de moto, o que também concordo.

    Mas é isso man, forte abraço e aos demais leitores também que comentaram. Inclusive para o pessoal das Bobbers ahahahahah

  4. Fala, Bayer e companheiros. Nunca comentei, mas acompanho o blog a anos. então lá vai…

    Uma viagem de moto em 2009 definiu o futuro do meu casamento. Na época as coisas iam de mal a pior entre eu e minha esposa. Uns amigos nos convidaram para ir até maresias (moro em são paulo), todos de moto. fomos então em 4 casais. minha esposa não gostava de andar de moto e nunca me acompanhava na garupa nem pra ir na padaria comprar pão. a ida foi tranquila, mas nao super agradavel. no entanto, os 4 dias que passamos na praia foram terriveis. brigas o tempo todo, camas separadas, mal humor… enfim, um terror. no ultimo dia tomei um porre homérico de velho barreiro (crianças, não tentem isso. depois dessa quase ganhei um divorcio do meu figado). Hora de ir embora, um calor africano, eu de jaqueta, bota, luva e capacete. uma ressaca monstruosa e uma esposa fritando de raiva. resultado, a pior trip de moto da minha vida. minha esposa nao ficava quieta na garupa, quase nos derrubou duas vezes. ficava batendo o capacete dela no meu… não via a hora de acabar aquela tortura. resumindo, chegamos em sp e em duas semanas eu ja estava morando na casa da minha mãe ate o divorcio sair. claro que o motivo da separação nao teve nada a ver com a moto ou a viagem. mas tudo ficou tão claro durante a minha volta para são paulo aquele dia que não ficaram mais duvidas na minha mente. eu ainda nao tinha consciência disso, mas se uma mulher divide uma garupa com vc em qualquer situação, ela vai estar com vc sempre. hoje me dou muito bem com minha ex-esposa, mas desde então todas as mulheres que passaram na minha vida enfrentaram o teste da garupa. umas passaram, outras não, mas a duvida nunca ficou na minha garupa. é isso. algum dia conto como uma outra viagem de moto mudou novamente o rumo da minha vid apra sempre. abraços!

  5. Bom todos aqui temos uma história com motos e mulheres….
    mas se não fosse minha moto eu e minha esposa não estaríamos juntos hoje mesmo com brigas e frustrações o que aprendi com isso? aprendi que nem toda mulher está apta a enfrentar uma garupa e nem toda garupa está apta a enfrentar qualquer mulher!

  6. Há muitos caras machistas que acham que certas ocasiões e até eventos não se leva a mulher.
    Mas alguém que está comigo a tanto tempo, sempre.
    Nas melhores horas, que viajo, quero ao meu lado, ou melhor na garupa e no meio da viagem acariciar sua perna.
    Temos que admitir o quanto gostamos de estar com a mulher que amamos na estrada.

    1. Esse é um dos grandes dilemas/problemas principalmente para motociclistas que fazem parte de mc, principamente em viagens “do clube”. Mesmo tendo uma excelente companheira no dia a dia, as vezes temos aquela vontade de sair sozinho, nao pra sair em busca de farra ou de outras mulheres, mas so pela despreocupação, ter que se preocupar apenas consigo mesmo, ou quando junto com os irmaos, sem muita preocupação de onde vai parar, de onde vai dormir, ou pelos papos muitas vezes serem somente sobre motos, viagens, perrengues e bebedeiras. Ja tem outros tantos que deixam suas companheiras em casa justamente procurando outras farras, outras diversoes, outras garotas. Sem julgar ninguem, mas é numas dessas que todo mundo fica com o filme queimado kkkk

  7. Creio que meu caso vá um pouco além, ela, não só me acompanha, mas por incrível que pareça eu descobri o prazer que é as vezes ser garupa dela, minha esposa é pequena e fica té estranho pra quem vê um barbudão na garupa dela, mas chegou um momento que ela quis levar e eu tive a confiança de deixar ela ter sua vez, confiei minha vida e minha moto (que são quase a mesma coisa) nas mãos dela, e pude compartilhar e sentir um pouco da confiança que ela deposita em mim

  8. Me separei há 4 anos atrás após 18 anos de casamento, quase sempre tumultuado.
    Após pouco mais de 2 anos de separação comecei a namorar, a contragosto pois estava curtindo a vida de solteiro, mesmo assim a levei para uma viagem de moto de mais de 20 dias e 7mil km. A viagem foi perfeita até que na volta, há apenas 300km de casa, sofremos um pequeno acidente devido a fechada de um caminhão que nos tirou da pista na chuva mas por sorte caimos em uma “almofada” de grama e lama, apenas um guidão e o pedal de freio entortaram.
    Já tive outros 2 acidentes bem piores mas ambos sozinho, mas depois deste entrei em neura (Stress Pós-Traumático) forte, sempre achei isso uma frescura mas senti na pele o efeito da depressão e a cena de ver minha namorada no chão sem saber o que tinha acontecido e tendo inúmeras visões dela tendo se machucado muito feio, cada noite um final pior nos sonhos.
    Parei de andar de moto, terminei o namoro e me perdi na bebida e com várias outras mulheres pensando que minha vida podia ter acabado aquele dia e que eu ainda tinha muito pra curtir, mas ao invés de me sentir melhor fui deprimindo cada dia mais até admitir que estava com problemas grave – quase perdi o emprego, parei de pagar minhas contas, meus filhos não queriam mais me ver, estava afastando meus amigos, enfim a m… completa – e procurei ajuda profissional.
    Com a ajuda de medicamentos, um melhor foco em minha parte espiritual e com muita mototerapia consegui perceber que não estava com medo de morrer sem curtir, mas sim que eu estava com medo de viver sem a mulher que eu amava e que me acompanhou em uma das melhores motocadas da minha vida, meu medo de perdê-la foi tão grande que acabei afastando-a de perto para que eu não sofresse e fazendo-a sofrer muito.
    Felizmente consegui me recuperar da depressão, mostrar meus reais sentimentos para minha amada, agora noivamos e ela tem sua própria moto mas ainda nos revezamos na garupa um do outro, perfeita nossa sintonia e agora a confiança recíproca aumentada e com muitos projetos de vida e viagem juntos.

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