Apenas o seguro é o suficiente para te deixar tranquilo?

Hoje apareceu um comentário em um artigo antigo, chamado “Como proteger sua moto contra roubos e furtos” que me mexeu muito comigo, mas por uma razão que o comentarista nunca iria imaginar. Naquele post, que eu reproduzo na íntegra no final deste, eu dava algumas dicas tiradas de um fórum gringo de como proteger sua moto contra roubos.

Obviamente, apesar de úteis, muitas delas são criadas se pensando em países de primeiro mundo, onde cenas como essas não são tão comuns:

Mas voltando ao assunto, o comentário que mexeu comigo foi:

É muito simples,
Faça seguro e durma tranquilo.

Mexeu demais comigo pois fiquei afastado do blog nesta semana por causa de um acidente de carro que sofri com minha esposa na Rodovia Raposo Tavares em São Paulo, felizmente sem feridos. Ela dirigia e no carro estavam eu, minha filha de três anos, meu filho de um, além do Logan, o boxer que é mascote aqui do blog.

Não preciso nem dizer que as pessoas mais importantes da minha vida estavam dentro daquele veículo. E que os segundos do acidente continuam pipocando na minha cabeça de tempos em tempos, me tirando o sono e me atrapalhando no trabalho. Imagino que o que estou passando seja uma versão bem light do que chamam de “estresse pós-traumático”.

E não que eu seja medroso. Já sofri diversos acidentes, alguns até terminando em costelas quebradas ou idas ao hospital, e nunca sequer me preocupei com isso. Mas essa foi a primeira vez que envolveu minha família, e isso muda tudo.

Não posso entrar em detalhes sobre o que aconteceu por razões jurídicas, mas posso dizer que fomos atingidos por um Jaguar em alta velocidade que havia perdido o controle. No volante, estava uma pessoa sem a menor habilidade de estar lá. E no que dependesse de mim, no mundo.

Felizmente, estamos todos bem. Não tem como agradecer o suficiente a Deus e aos engenheiros que projetaram os equipamentos de segurança do carro.

De saldo ficou a raiva, a vontade de matar um, mas acima de tudo, ficou o agradecimento por estarmos bem e pelo seguro.

Mas será que o seguro é o suficiente pra gente não ter que se preocupar com nada?

No caso do meu carro, posso dizer categoricamente: NÃO. A maioria das pessoas acha que por estar pagando o seguro vai ter direito a um carro ou moto igual ao que eles tinham, mas a coisa é um pouco mais complicada de acordo com o tempo você passa com o veículo ou as customizações que vocês faz nele.

carro da minha família tinha 5 anos e estava em perfeito estado. Não tinha chegado nos 80 mil km, estava conosco desde zero e nunca havia batido ou apresentado defeito. Eu pretendia ficar pelo menos mais um ano antes de trocá-lo (sou um frugalista, pra quem se lembra do post “Não julgue um livro pela moto” e no “Não invista em moto por favor.“) e ele certamente aguentaria muito mais tempo que isso, se necessário.

Ou seja, pelo que a tabela FIPE vai pagar, não faz sentido nenhum tentar achar um carro nas mesmas condições que o meu antigo. Por isso vou ser forçado a adiantar a troca, justamente numa época onde a situação econômica do país que parece não desenrolar nunca.

E esse é o caso de muita gente aqui. Dependendo da moto, o que foi investido em tempo, carinho e customizações, o seguro nunca vai cobrir, ele serve só para não se morrer num prejuízo completo.

A minha atual XR1200X é um exemplo. Na tabela, ela já não vale grandes coisas. Mas como ela sempre conviveu com outras motos e nunca foi a principal, ela é muito bem conservada, cuidada e levou muito tempo até ficar do jeito que gosto. É um xodó que eu faço o possível para manter, mas que se me levaram ou sofrer uma perda total, não vou conseguir outra igual. E nem vou querer.

Por isso, acho muito estranho quando alguém simplesmente não liga se a moto será roubada só porque ela tem seguro. Mesmo pra quem troca de moto todo ano, o prejuízo com troca a de documentos, pagamento de um novo seguro,  a desvalorização que você tem ao sair da autorizada, não me parece o suficiente para pensar: dane-se, tenho seguro.

Meu conselho é: sim, tenha seguro. Mas também previna-se e mantenha uma pequena reserva financeira (ou grande se você conseguir) para o caso de emergências. Isso sim é o suficiente para que eu durma um pouco mais tranquilo.

Como proteger sua moto contra furtos e roubos

ou “Os segredos de um ladrão profissional”.

Ontem, um post do Redditt tomou de assalto diversos fórums de motocicletas gringos. Nele, um ex-ladrão de motos e ex-proprietário de uma loja que servia de fachada para um lucrativo negócio de motos roubadas, resolveu contar sua experiência de 10 anos no crime, com diversas dicas de como evitar o roubo da sua moto (bem, tecnicamente, o furto dela): www.reddit.com/r/motorcycles/comments/t5shp/ex_thief_chopshop_operator_ama/

Claro, a realidade americana é muito diferente da nossa. Lá, roubo de motos a mão armada é quase inexistente, e as penas são muito mais duras para esse tipo de crime. No entanto, certas verdades são universais e podemos aprender muito com elas.

Assim como no Brasil, as motos mais visadas são as superesportivas. Em segundo lugar estão as Harleys, especialmente as cheias de acessórios, cujo os maiores compradores são membros de alguns dos grandes M.C.s de lá. Ou seja, no mundo inteiro é a mesma coisa: se tem gente disposta a comprar, vai ter gente disposta a roubar.

Antes de começar, quero lembrar sobre o alerta que postei para os proprietários de Harleys há algum tempo: http://olddogcycles.com/2012/04/alerta-aos-donos-de-harley.html

Para eles, esse é a primeira coisa a ser feita para proteger a moto.

As principais dicas são:

Use uma boa trava de disco, daquelas de US$100, já que travas baratas são fáceis de arrombar em silêncio. Parece óbvio mas não é. A maioria dos ladrões carregam um alicate tesoura, fácil de esconder e rápido de usar. Travas e cadeados baratos podem ser cortados eu pouquíssimos segundos com um alicate desses. Além disso, as trancas dessas travas podem ser abertas até mesmo por uma caneta Bic, ou o que é mais comum, arrombadas sem muito esforço fazendo uma alavanca nelas.

Este é o inimigo.

A recomendação dele é a Kryptonite Fahgettaboudit, cuja a trava é muito difícil de ser arrombada, e o material de qualidade faz com que ela demore uma eternidade para ser cortada até mesmo com uma esmerilhadeira. Outra recomendada é a Xena XX10, que é a que ele diz estar usando atualmente.

Também é importante usar a trava de disco na roda traseira. Há maneiras de se contornar uma trava na dianteira, removendo a pinça e até mesmo retirando a roda e o rotor. E no geral, é mais fácil de se “trabalhar” em uma trava que está na dianteira.

Quanto as correntes, nunca use uma dessas compradas em lojas de material de construção, mesmo as extremamente grossas. Você precisa de uma feita com uma liga forte, que não possa ser cortada por um alicate tesoura, como as fabricadas pela Kryptonite.

Sempre trave o seu guidão. SEMPRE. Tudo bem, a trava é fácil de ser arrombada (como no vídeo), mas nem sempre. Às vezes, ela teima em ceder e faz um barulhão quando quebra. É mais uma coisa pra dificultar a vida do ladrão.

Se a sua moto fica exposta, parada em uma garagem aberta ou sempre no mesmo estacionamento, coloque uma capa com cadeado nela. Além de dificultar a identificação do modelo da sua moto (o que espanta os gatunos de oportunidade), um larápio vai ter que rasga-la para mexer na moto, o que pode chamar a atenção.

Sobre o lo-jack e rastreadores, a notícia não é boa. A maioria das lojas faz uma instalação padrão, que o ladrão pode desmontar em pouquíssimos minutos. Quanto mais popular um alarme, mais conhecimento eles possuem sobre ele, e mais rápido podem contorna-lo. O ideal é fazer uma instalação mais elaborada e escondida, mas que mesmo assim pode ser contornada por um ladrão experiente. Às vezes, ele pode mexer um pouco na moto, e voltar para terminar o serviço com calma mais tarde. Esse é mais um motivo para o uso da capa, assim você sabe que alguém estava fuçando na moto.

Um bom lugar para se instalar um rastreador, é dentro da caixa do filtro de ar, com a fiação passando pelo chicote original, sem aparentar sem algo colocado depois.

Se você puder combinar vários sistemas, como uma boa trava na traseira e outra na dianteira, melhor. Uma corrente boa como as Kryptonites são impraticáveis de serem levadas em uma mochila, mas são uma ótima opção para ancorar a sua moto na garagem onde ela fica a maior parte do tempo, por exemplo. Mais uma vez, ancore a roda traseira, e se possível passe a corrente por dentro da balança, e não só pela roda.

Em alguns modelos, um truque é levar uma pequena chave de fenda e remover o manete da embreagem. Ninguém vai a lugar nenhum sem uma embreagem. No entanto, essa dica não serve para quem estaciona todo dia no mesmo lugar. Nesse caso, se o cara realmente quer sua moto, ele vai trazer um manete extra.

Muitos ladrões são caras-de-pau. Vão roubar na frente de um prédio cheio de gente, em uma rua movimentada, e vão fingir que nada está acontecendo. Um chegou até a pedir ajuda para um pedestre na hora de quebrar uma trava, dizendo que tinha perdido a chave e estava atrasado.

Por último, se alguém tentou levar sua moto e não conseguiu, tire ela de lá. Muito provavelmente eles vão voltar. Dependendo da procura dos gatunos por um modelo, é capaz dele voltar para ver se você comprou outra igual com o dinheiro do seguro.

O mais importante é pensar na segurança da sua moto como uma série de camadas, uma vai se sobrepondo a outra para tornar a sua menos interessante para o larápio.

Espero ter ajudado com este post. Se ladrão gostasse de trabalho, não era ladrão. Então vamos dificultar a vida deles.

11 ideias sobre “Apenas o seguro é o suficiente para te deixar tranquilo?”

  1. Cara. eu passei por esse jaguar rodado na Raposo Tavares.

    Ainda imaginei como o motorista devia der confiado demais naquele puta carro, e não levou em consideração toda aquela água na via. Aquilo estava perigoso demais!

    Fico muito feliz por você que nada “extra-material” tenha sofrido algo ruim nesse acidente.

    Eu até entendo a ideia do “faça seguro e fique em paz”.
    Logico que perder uma moto que se cuidou tão bem é uma lastima, mas imagino quantos não perderam a vida olhando sem bem sendo roubado, e nesse bem estavam materializados um Zilhão de horas de trabalho… é nessa que o cara arrisca a sorte e normalmente só soma as perdas (material + saúde).

    O seguro é um redutor de danos da nossa vida moderna.

    Mas o essencial ainda permanece:
    “As melhores coisas da vida, não são coisas”

    Abraço!

  2. Só pra constar, eu já rodei uns 5km com minha antiga moto (Suzuki yes125) com o cabo de embreagem rompido. Eu empurrava um pouquinho até chegar em 5km/h pra entrar a primeira na lenta e o resto das trocas no tempo, sem mto esforço. Depois é só por no neutro antes de parar no farol. Dá até mesmo pra usar o motor de partida pra ligar e empurrar ao mesmo tempo.

  3. Muito bacana o texto. Melhor ainda saber que esta tudo bem com sua saude e familia.
    Otimas dicas, mas com a triste realidade de nosso pais ainda mais de nossa cidade Sao Paulo usar 2 travas pode fechar uma porta e abrir outra para os meliantes, inevitavelmente para soltar a trava de disco você fica vulnereval e pronto não sofreu o furto mais acaba sendo roubado. É aquela velho problema cobre um santo e descobre outro. Eu vi na web uma trava tipo as “travas carneiro” para veiculo porem no modelo para motocicletas elas travam a manete do freio, tem noticia se esta é uma boa opção já que voce destrava antes da partida ja sentado na motocicleta sem precisar abaixar minimizando o efeito surpresa do FDP do gtuno.
    Abraços

  4. Eu faço seguro pela “tranquilidade de espírito”, nunca pela “tranquilidade material”.

    Eu sei que a reposição não vai alcançar o valor investido, sei que dificilmente vou encontrar outra highway peg como a que está na Fat, mas me engano pensando que “é só entregar”, até mesmo porque nem sempre “é só entregar” para evitar um tiro ou uma agressão.

    Entendo a postura “tenho seguro”, mas essa postura não é solução. A solução passa por cobrança das autoridades por mais segurança, passa por uma mudança de atitude de buscar a peça por um “precinho camarada” e passa principalmente por uma mudança na atitude de “entregar para evitar o pior”.

    Se o ladrão tem certeza que vai levar, ele pode escolher sem medo o que quiser “pegar” como estivesse em um mercado. Essa certeza precisa acabar.

    Como mudar esse cenário? Passa pela mudança na lei que tirou os meios de reagir e pela mudança na mentalidade que reagir pode “ferir o desvalido da sociedade, que busca uma chance de sobreviver”.

    Lamento o desabafo, mas é nesse sentido que entendo ser o melhor caminho para desmontar esse cenário de violência gratuita.

    Em tempo, ótimo que o acidente ficou apenas no prejuízo material.

    Abraço para todos na família.

  5. da pra fazer seguro 110% da fipe e camelar entre os amigos para achar algo em estado semelhante, mas mesmo assim nunca vai ser a mesma coisa. Pra quem cresceu na cultura do carro e da moto, pode ate ser “menos pior” pela busca e novas possibilidades de customização… mas pra quem nao curte é uma verdadeira dor de cabeça e perda de dinheiro. Mas é o risco, e creio que em toda nossa vida, vamos passar por isso pelo menos uma vez. Ainda bem que ninguém se machucou, agora carros com 5 estrelas no crash test passam a ser mais interessantes depois de um evento desse…

  6. Bayer, menos pior que você e sua família estão bem. Para isso não existe seguro…
    Concordo com o Wolfmann, o que mais precisa mudar é essa cultura do NÃO REAJA NUNCA! Estamos virando um país de bananas pq somos ensinados por todos os lados que se alguém estiver te fodendo, ou prestes a te foder, vc deve ficar inerte e torcer para sair dali com vida o mais rápido possível.
    O culto a covardia nunca foi tão grande!

  7. Vejam bem, não sou lá muito católico, tampouco religioso, mas cabe aqui uma citação bíblica para o caso: “SE O LADRÃO FOR PEGO ROUBANDO E FOR FERIDO A MODO QUE MORRA, AQUELE QUE O FERIU NÃO SERÁ CULPADO PELA MORTE.” EXODO, 22:2. Ou seja Bandido bom é bandido morto, inclusive de acordo com as Sagradas Escrituras!

  8. É Bayer, o seguro não nos deixa 100% tranquilos, mas já ajuda bastante. Não é pq vc tem seguro que vc ficar relaxado e não se preocupar, pois vc está coberto.
    Mas eu acho que o seguro tem 02 abordagens. Uma, como foi o seu caso é para acidentes, para minizar os prejuízos. Eu tenho 02 motos, uma dyna low rider e uma XRE, que eu uso todos os dias, deixo na rua e etc. Tenho seguro nas duas e o seguro de cada uma é mais caro que o do carro da minha esposa, mas o seguro me dá uma tranquilidade que vale o preço.
    Fiz o seguro da XRE pois comprei ela para ir nas aulas de noite, deixar ela na rua e tal. Quando comprei a low rider, deixei ela sem seguro por 02 meses, mas sem com a dúvida se valia ou não. Foi lendo o blog do Wolfmann, quando ele falou do acidente da esposa dele, que o seguro cobriu tudo e ajudou um monte, isso me convenceu que valia a pena fazer.
    Além disso, e essa que é a tranquilidade a que me referi, eu saio para passear com a esposa, só os dois e às vezes com um amigo, então se acontecer alguma coisa eu estou amparado, pois se furar um pneu ou até acabar o gás, em qualquer lugar do mercosul é só telefonar e eles resolvem o problema (nunca testei parasaber se funciona, mas só de ter esta possibilidade eu já saio bem mais sossegado).
    Não vou entrar no mérito do seguro em caso de roubos e de reagir em caso de assaltos como o Wolfmann e o Guilherme sugeriram, pois isso ia dar mais um texto de dez páginas, mas aconselho vcs a não fazerem isso (vc inclusive, Bayer, com seu canivete multiuso para defesa).
    Abraços.

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