Club Bikes: as customs feitas para correr

Esse vídeo está no Instagram da Club Style Dyna Thailand, dedicado ao estilo Club Bike, que foi popularizado pelos motoclubes americanos e, mais recentemente, pela série Sons of Anarchy.

Não preciso nem dizer que, apesar da evidente habilidade do piloto em questão, o que ele está fazendo é extremamente perigoso, ainda mais considerando que o cara fez um drift involuntário em alta velocidade usando apenas camiseta e jeans. Um tombo nessa velocidade, numa estrada dessas e sem usar proteção significa, no melhor cenário possível, vários dias no hospital.

O que são club bikes?

As Club Bikes surgiram quando os MCs começaram a procurar por uma custom americana (pré-requesito para fazer parte de muitos clubes nos EUA) que fosse rápida e ágil. Desde a metade dos anos 90, a Dyna é sem dúvida alguma a club bike favorita, já que ela é um pouco mais leve, utiliza comandos centrais e possui uma posição de pilotagem mais alta do que as Softails, o que favorece a ciclística nas curvas.

Mas, por muitos anos, a menina dos olhos dos clubes foi uma moto pouco conhecida por aqui, mas que até hoje é disputada a tapa entre as usadas: a Harley-Davidson FXR, que teve em sua equipe de projetistas ninguém menos do que Eric Buell.

FXR: a primeira club bike

Quando foi lançada em 1982, a FXR prometia ter o mesmo desempenho de motos japonesas da época. E, assim como Dyna que a sucedeu, ela também possuía um banco mais alto e comandos centrais elevados, o que a tornava a Harley com o maior ângulo nas curvas que já havia existido até aquele momento. O quadro era bem rígido e reforçado, com diversas soldas feitas à mão, uma vantagem que se tornaria justamente o seu calcanhar de Aquiles: fabricá-lo custava muito caro.

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A FXR era muito estável em altas velocidades, já que usava mais pontos de fixação entre a transmissão e o motor, o que fazia com que ela se comportasse como se fosse uma moto com motor de construção única, dando mais rigidez ao conjunto. Essa solução foi abandonada na Dyna, o que leva muitos proprietários a instalarem soluções como o True-Track para estabilizar o chassi, já que algumas Dynas possuíam um problema crônico de shimming (eu experimentei um a 150km/h e posso afirmar: nunca quero passar por isso de novo).

A era das Dynas

Mas no final dos anos 80, temendo que a FXR ficasse muito similar com as motos importadas e não entregasse a “imagem” que os consumidores esperavam de uma Harley, os projetistas começaram a trabalhar na Dyna, cuja a missão era ser uma FXR mais barata de ser fabricada, mas com qualidades semelhantes. Em pouco tempo a Dyna canibalizou a linha FXR, que saiu de linha.

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FXR, que ficou ainda mais famosa com o filme Harley-Davidson e Marlboro Man.

Com o tempo, os clubes foram substituindo a FXR pela linha Dyna, que, apesar de possuir um frame inferior ao da FXR, ainda sim era mais ágil que as Softails da época.

Como o estilo se baseia na função antes da forma, a maioria das alterações são para melhorar o desempenho. Não é raro ver bike runs de grandes clubes com a galera andando em formação a mais de 170km/h e costurando pelo trânsito, algo ilegal na maioria dos estados Americanos.

Obviamente que Dynas não são unanimidades, existem diversos outros membros de MCs com outros modelos e estilos de motos. Mas por ter sido um dos estilos mais populares, as Dynas e FXRs acabaram ficando com a fama.

Alguns exemplos de Dynas no estilo Club Bikes:

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E um featurette sobre as motos do seriado “Sons of Anarchy”:

 

17 ideias sobre “Club Bikes: as customs feitas para correr”

  1. https://www.youtube.com/watch?v=BoIaYLFEAeI
    Eai, Bayer.

    Há um tempo atrás eu te mandeu uma sugestão de vídeo.
    Como eu sei que a vida tá corrida, vou linkar aqui nesse comentário.

    Esse vídeo foi muito bem produzido e demonstra muito bem a habilidade dos pilotos e a manobrabilidade das motos com essa nova tendencia das club bikes californianas agora cheias de bodypaint, supensão mais alta e modificada e etc.

  2. é um estilo que gosto muito, o cara é bom de braço esse não precisa fazer academia por uma semana.
    Bayer ontem mesmo estava revendo o post das club bikes volta e meia eu releio alguns posts antigos aqui vale muito.
    continue com esse trabalho maravilhoso.
    abraço meu amigo

  3. Tenho uma Fxr – Low Rider Convertible 1991 a moto foi sem duvida a “hornet” do seu tempo, acelera e faz curva feito as japonesas,
    a minha esta toda original e tenho a bolsa e o para-brisa removível.
    sei de apenas 5 no brasil deve ter vindo uma quantidade maior mas muitas foram customizadas, tem no litoral mais foi cortado o quadro e feita chopper (crime)

  4. Bhei esse cara do vídeo é muito phod@! Tá rolando pelos “whuatsapp’s da vida” há alguns dias… Ainda teve um Jaspion que comentou: “Pode até fazer curva com essa HD, mas olha a força que ele tá fazendo…”
    Dãããã… Isso é o q eu chamo de fazer curva com estilo, mané! rsrsr

    Abraços!

  5. Tenho uma Dyna FXD e posso dizer que ela é f…!
    Infelizmente não é boa para andar com carona e ainda mais no meu caso, que sou alto e peso bastante.
    Bem que poderiam fazer uma Dyna com uma boa suspensão tipo as softails.

    1. A XR1200 foi criada para a Europa. Quando, após a insistência de muitos clientes, ela finalmente foi para os EUA, ela micou e foi tirada de linha.

      As Buell também nunca pegaram como clube bike, nem a XLCR. A galera tem uma preferência pelo Big Twin.

  6. Boa tarde,
    Bayer você citou o problema crônico no chassi das Dynas, eu estou pra comprar uma e fui pesquisar sobre isso, mas não achei nada muito esclarecedor, vi apenas que existia uma proposta de melhoria pela HD desde 2009, mas de fato isso foi melhorado? Se eu pegar uma dyna vai ser uma super glide 2011, nesse caso, eu vou ter que instalar true-track nela? Valeu Bayer, fico no aguardo,
    E parabéns mais uma vez pelo blog, sou seu fã!

    1. Não é bem um problema crônico, é mais uma característica do projeto que poderia ser melhor.

      A maioria das pessoas vive sem o true track numa boa, só sente falta quem gosta de enrolar bastante o cabo e abusar.

      Não é tão grave quanto alguns falam (ou eu possa ter dado a entender).

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