Cinco mitos sobre as reduções de velocidade

Excelente artigo no Flatout. É longo, mas vale ler e refletir se a finalidade é realmente salvar vidas em nossas cidades:

Cinco mitos sobre as reduções de limites de velocidade

Aliás, eu fui muito criticado neste post aqui quando disse só o radar não adianta. Entendam, eu não sou louco, nem quero ver ninguém morrendo. Se fosse assim, não escreveria tanto sobre segurança aqui no Old Dog Cycles. Sofri recentemente um acidente com minha família, que poderia ter tido um final trágico, justamente por causa de alguém em alta velocidade.

O problema é que eu seria hipócrita de dizer que o radar mudaria algo, porque haviam dois radares a menos de 100 e 500 metros de onde eu estava, sem falar na base da polícia Rodoviária logo à frente. O principal fator foi que o cidadão estava bêbado e não tinha carta, porque era menor de idade.

Ou seja, os dois maiores erros nesse acidente (bêbado e sem carta) não são resolvidos com um radar, e sim com uma fiscalização de verdade. Quem aqui não vê gente fazendo barbaridade na estrada sem nunca sequer ser parado? Ou que leva multa, mas segue dirigindo tranquilamente com 100 pontos na carteira?

Esse trecho aqui reflete bem minha opinião:

(…)uma fiscalização concentrada em cinco ou dez infrações (uso do celular, cinto, capacete, estacionamento irregular e regulamentado, conversão proibida, rodízio, limites de velocidade e semáforo vermelho), faz com que os motoristas se preocupem apenas em não cometer estas infrações. Como resultado, temos motoristas que respeitam limites de velocidade, mas estacionam sobre ciclofaixas, fazem conversões sem sinalizar (o que é perigoso para pedestres, motociclistas e ciclistas), ultrapassam veículos parados para a travessia de pedestres entre outras infrações que podem causar graves acidentes. Já falamos sobre como essa ação do poder público banaliza as demais infrações tão perigosas quanto dirigir rápido demais neste post.

Assim, se o interesse da fiscalização é, de fato, salvar vidas, porque há um foco evidente da fiscalização manual em infrações leves?

Quero deixar bem claro que o que eu tento sempre trazer aqui para o blog é o debate, talvez para abrir os olhos de muita gente que as coisas não se resolvem apenas por decreto ou na canetada. A democracia foi fundada por pessoas que debatiam, filosofavam inteligentemente e chegavam a uma conclusão. Sinto falta disso.

O mundo é um lugar complexo, cheio de variáveis. Se uma solução parece simplista demais, é porque geralmente ela é.

Questione sempre, duvide de tudo.

14 ideias sobre “Cinco mitos sobre as reduções de velocidade”

  1. Verdade.

    cansei de ouvir dizer que tal uma solução igual de Nova Iorque e nao é.

    a gente copia só uma parte da ideia e acha que copiou tudo. ai nao dá, não funciona.

    o buraco é mais embaixo.

  2. Independentemente de partido ou ideologia, o fato é que comprovadamente após a redução nas marginais, as mortes no transito reduziram em 21%.
    Além de o fato da melhoria na fluidez do transito. Confesso que sempre tive dificuldade em entender essa equação. Porém quem tiver interesse em entender, aconselho ver este link. http://super.abril.com.br/ideias/por-que-o-transito-melhora-quando-se-diminui-o-limite-de-velocidade-das-avenidas-0

  3. Interessante seu ponto.
    Você nos trás um debate muito válido sobre como só a redução de velocidade não resolve tudo, e que o certo é ampliar essas regras e fiscalizações para outros fundamentos da direção defensiva.
    Logo chegamos a conclusão que o caminho está correto, mas ainda é muito pouco, precisa ampliar a restrição.
    Mas é um debate que chega um pouco tarde, uma vez que mesmo estando no caminho certo, a redução de velocidade (tendencia apoiada pela OMS no mundo todo) vai ser desfeita na paulicéia desvairada!

  4. Você pode ser a favor ou contra à redução mas não se pode negar que a maioria desses usuários que reclamam achavam que a Marginal era pista de corridas, qualquer que fosse o horário. Acima de tudo é um excelente artigo Bayer, o ponto é exatamente o que você disse no seu texto.. falta a fiscalização efetiva.

  5. Acho que o grande problema no Brasil é a impunidade.

    Tomar uma multa, não resolve, existe mais de 10 “jeitinhos” para não pegar os pontos, não pagar a multa e etc.

    Se o sujeito realmente fosse instruído e orientado à não faze-lo novamente por consequências mais pesadas, TALVEZ isso melhorasse.

    Por exemplo: ao invés de multar a distância, o Policial deveria parar o cidadão, verificar seu carro, sua licença, questionar o porque daquela atitude, evidenciar o que aquela atitude pode causar.

    Aposto que a galera pensaria MEIA vez antes de fazer e quem sabe daqui à alguns anos pensar 3 vezes antes de fazer.

    Minha opinião…

    1. Também concordo, mas tem que ter outras coisas em conjunto. A primeira delas é acabar de vez com essa malandragem para eliminar pontos e comprar policial. Educação, treinamento, conscientização, desde pequeno, não vai funcionar se continuar essa mentalidade corrupta.

  6. “Questione sempre, duvide de tudo” é algo que levo muito a sério.
    Em tempo, em algum blog que não me lembro qual, em um post que falava sobre segurança no trânsito, defendi o que para mim resolveria e muito os problemas de trânsito: policiamento ostensivo dinâmico. É muito fácil burlar a lei. E as pessoas no Brasil não respeitam, apenas temem.
    Como vão temer serem pegos dirigindo alcoolizados se sabem onde estão as blitzes? Se sabem que podem acelerar o quanto quiserem por quase toda a via, pois sabem onde estão os radares? Se podem dirigir de maneira imprudente, como se estivessem em um autódromo sozinhos porque não há ninguém para multá-los por isso?
    O brasileiro é mal educado e, assim como crianças, devem ser educados e punidos quando necessário.

  7. Belíssimo texto, como sempre…
    “…só o radar não adianta…” perfeita esta colocação.
    O mais importante mesmo não está sendo feito, que é a fiscalização da FORMA DE CONDUÇÃO DO VEÍCULO que o sujeito faz. Já cansei de ver alguns fazendo loucuras no trânsito, com policiais assistindo a tudo. Antigamente, eles corriam atrás do cara, pra saber se ele tem carteira, e a situação do veículo.
    Este tipo de discussão é extremamente positiva e deveria ser amplamente discutido com todos os poderes envolvidos em nosso país…

  8. O que diminuiu os acidentes foi a redução da frota em circulação, devido a crise, em casa por exemplo usavamos o carro todo dia para irmos ao trabalho, e agora usamos um dia só da semana. A prova maior é que os acidentes diminuiram até mesmo nas cidades onde mão houve diminuição da velocidade.

  9. Piloto no dia a dia pelas marginais com a minha motocicleta e é inegável que o trânsito está fluindo melhor. Também me sinto muito mais seguro para ir e voltar do trabalho. Há um ano tinha acidente todos os dias com carros, motos, caminhões e, às vezes, com todos eles envolvidos. Hoje está muito mais tranquilo.

  10. “Como um limite de velocidade não respeitado pode salvar vidas?”

    Sempre me pergunto isso quando ando na Marginal Tietê e até mesmo na Via Dutra.

    Percebo risco maior em andar dentro da velocidade que acima dela, pois depois do radar, é melhor acelerar ou sair da frente.

    Se você respeita o limite, acaba criando exatamente o diferencial de velocidade, mas desta vez, sendo você o veículo lento e vulnerável ao atropelamento, isso quando não é “empurrado” ou leva uma fechada proposital pelo apressado que estava atrás de você.

    Após dois meses indo diariamente até a barra funda pela dutra + marginal, vi que a única área onde a velocidade reduziu, foi nos radares e com o tempo, eu também comecei a variar a velocidade e as empurradas e fechadas diminuíram.

    Sem contar que quanto menor a diferença de velocidade, maior o tempo de reação para algo que você enxerga no retrovisor (para os que usam).

    A velocidade abaixo do normal também te obriga a prestar mais atenção no velocímetro do que deveria, já que é ele o termômetro e não a situação em si, atenção esta que costuma fazer falta nos espelhos.

    “vidas humanas são uma coisa séria demais para ser usadas como campanha política”
    Em “Cine Holliúdy” tem um exemplo bom do “blá blá blá” de político, sempre pronto para criar uma dificuldade para se vender como solução.

    Se houvesse de fato preocupação com a segurança, na Marginal Tietê por exemplo, começariam pelo asfalto sofrível.

    Mas o ponto crucial ao meu ver, é o hábito dos governantes de tornar a situação normal em anormal e lucrar com isso. Dando a mínima para as reais causas dos problemas, pois estas gerariam custos ou reduziriam arrecadação. E o povo que se lasque.

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