Motoqueiro ou motociclista?

Já faz um tempo que dei minha opinião sobre isso neste post aqui. Mas o Marcelo Alves deu sua visão nos comentários e acredito que merece virar um post. Ele escreve:

Motoqueiro ou motociclista?

Quando as primeiras motocicletas começaram a chegar ao país, logo depois da Primeira Guerra, foram chamadas de motos, motocas ou de “mototocas”.
E quem andava de motoca era mesmo motoqueiro.
É daí que vem a origem do termo.
O motoqueiro pilota sua motoca assim como o motociclista conduz sua motocicleta.
Se eles são bons ou maus, não será pela palavra moto ou motoca nem por motociclista ou motoqueiro.
Motoqueiro não se confunde com os moto-boys ou mesmo com os chamados “cachorros loucos”, sendo que esses últimos (e por isso que recebem esse nome) são os que arranham carro e quebram retrovisores.
Ainda que nem se deem conta de que podem levar um tiro pelas costas.
Tampouco motociclista pode resumir quem anda totalmente enquadrado (ou certinho) no trânsito, ainda que o “rótulo” aponte para isso.
Mas nem sempre as coisas são o que parecem.
O termo motoqueiro se presta mais adequado aos que tem sobre duas rodas um estilo de vida e não pilotam por mera diversão ou mesmo por conveniente ocasião.
Motoqueiro não faz passeios, não vai “ali dar um rolê” ou usa sua moto mais cara para subjugar o semelhante que tem uma máquna mais simples. Motoqueiro é extremamente orgulhoso da máquina que tem, mas não sabe ser esnobe.
Pode parecer irrelevante, mas não é.
As diferenças são grandes.
São imensas.
Essa é a tradição por aqui é o motoqueiro quem mais carrega toda o sentido da expressão e inequívoco significado.
Para corroborar o que digo, alguém viu os filmes “Motociclista fantasma” ou “Motociclistas selvagens”?
Então…
Prazer em conhecer. Meu nome é Marcelo, tenho 48 anos, uma Harley Davidson e sou motoqueiro.

Por Marcelo Alves.

36 ideias sobre “Motoqueiro ou motociclista?”

  1. Sou e sempre fui motoqueiro, uso a máquina e sei que ela serve para isso, sem ficar com muito mimimi, colocando apelidos, chamando por nomes, ela é a minha moto, e esta me faz sentir livre.
    Aqui em ctba tem muito disso, de vc ver as HD´s, as grandes customs andando somente na sexta ou no sábado, apenas p/ ir tomar café na HD, e bora p/ casa.
    É engraçado quando vc para a sua moto suja no lado de uma assim, brilhando, linda, e com baixa km.
    São nesses momentos sim, que eu me sinto mais ainda, motokeiro!!! rsss
    Grande abraço a todos!

      1. Clevrton, brother, eu comprei a minha FAT 2008/9 em 2013, com 5900 km. Pensei até que era sacanagem, mas realmente a moto era nova, estou com ela desde 2013 e ela ja esta com 33 mil km rs…Prefiro mil vezes rodar de moto do que ir de carro. Só ando com o carro mesmo nos sabados (p/ ir no mercado, levar minha filha ao ballet, levar o dog, etc), mas fora isso, não tem coisa melhor.
        Não sei acho que você acaba se acostumando com a liberdade, de não ficar parado no transito, em desligar a mente quando vc esta em cima da magrela, e não querer parar de rodar rs…

  2. Eu acho que esse tipo de debate só mostra uma profunda contradição no meio. Você vê as campanhas da HD, essa mais recente mesmo, elas sempre giram em torno de liberdade/independência/autonomia/não ligar pro que os outros dizem. A última que vi era uma moça dizendo “digo não quando quero dizer não, digo sim quando quero dizer sim”. E apesar da HD ser o exemplo mais notável, moto em si sempre foi muito atrelada à essa imagem, independente de marca.

    E o que essa discussão (entra tantas outras, sobre outras coisas) mostram? Que pra muita gente isso é só papo. Se o que importa é a liberdade que a moto trás, porque essa necessidade de classificar e rotular quem anda?

    Eu vou de moto pro trabalho quando estou a fim, e nos fins de semana junto uns amigos e vamos “ali dar um role, fazer um passeio” pro interior e curtir uma estrada. Logo eu não sou motoqueiro, porque “motoqueiro não faz isso”. “Motoqueiro” também não pilota por mera diversão nem por conveniência da ocasião. Pô, eu piloto por mera diversão sim, se não fosse por isso nem teria comprado a moto. É o motivo principal de subir nela. E a uso quando acho conveniente também, claro.

    Tentei, então, imagina quem seria autorizado a se considerar motoqueiro pelo texto do colega acima. Todo mundo que eu conheço e anda reprovaria no teste, não cumprem os requisitos. Só consegui pensei em uma categoria: os motoboys. Apesar do autor se afastar deles logo no começo do texto (motoqueiro não se confunde com os moto-boy), vejam só como se enquadram perfeitamente no rol de critério impostos para o verdadeiro motoqueiro:
    -Não pilotam por mera diversão – estão trabalhando;
    -Não pilotam por mera conveniência – estão trabalhando;
    -Não vão ali dar um rolê nem fazer um passeio – eu pelo menos nunca vi um motoboy com a esposa nos postos de gasolina e restaurantes do interior aqui de SP que ficam apinhados de motos nos fins de semana;
    – Não usam moto mais cara pra subjugar outra menor – já imaginou um motoboy de CG 150 humilhando outro de Dafra 100? Não existe;
    – Orgulhoso da máquina que tem, sem ser esnobe – sei lá. Esnobes não são, imagino que muitos se orgulhem das motocas. Trocam ponteira, adesivam, etc.

    Motoboys, os verdadeiros motoqueiros?

    “Pode parecer irrelevante, mas não é”. Com todo respeito, é sim completamente irrelevante. Se alguém quiser me apontar qual a relevância, qual a utilidade de cagar regra sobre quem é o que, o porquê de quem fazer X ser enquadrado como Y, por favor fique à vontade. Me desculpem a sinceridade, mas na minha opinião esse tipo de classificação só serve pra dividir e, em que pese um dos critérios apontados (oh, a contradição!), se sentir superior ao outro. “Eu sou motoqueiro – você faz passeio aos fins de semana”.

    Eu já andei com CG150, Twister, Diavel, Dyna, XRE300, Bonneville, Bandit, Scrambler Speed Triple. Não fiquei esquadrinhando as pessoas pra ver qual etiqueta colar em cada uma delas. Em suma, caguei.

    Eu ando de moto. Meu rótulo eu deixo pra quem acha que isso vale alguma coisa.

  3. Pela descrição do texto, eu não sei se sou motoqueiro ou motociclista. Eu faço e não faço coisas de ambos os grupos.
    A verdade é que a distinção, seja nesta descrição dada, seja em qualquer outra, é tão forçada e tão dependente do “universo” de quem dá a descrição que não é senão falsa. Tanto faz o termo, “motoqueiro” ou “motociclista”. Há gente boa e gente ruim usando para si ambos os termos.
    A propósito, os filmes são “Ghost Rider” e “Wild Hogs”. A tradução dos títulos certamente passa bem longe de qualquer treta por conta de oposições entre “motociclistas” e “motoqueiros”, que o tradutor por certo ignora completamente.
    Aliás, para qualquer tradutor que não ande de moto, “motociclista” é um só um termo mais formal e “motoqueiro” um popular. Nada mais. E, para mim, isto está mais que bom!

    1. Totalmente de acordo! Também me sinto assim. A verdade é que vc compra a moto e vem um monte de gente pra falar como vc deve usar tua moto, como deve se vestir, se é motoqueiro ou se é motociclista, onde vc pode ou não ir na moto, que capacete vc deve usar… Coxinha pra mim, é aquele cara que fica rotulando os outros de acordo com o que faz com a moto mas a moto dele tem dois anos e menos de 1000km no odômetro. Cada um com sua moto sendo feliz e se divertindo, desde que respeite os outros, isso é ser motociclista, ou motoqueiro pra mim. Se o cara é louco de ficar quebrando retrovisor por ai, fazendo borrachão e outras babaquices ele não passa de um baderneiro idiota que não merece ter uma moto.

  4. Estamos numa época onde tudo é rotulado. Coxinha, mortadela, mauricinho, playboy. Tudo tem que ter um rótulo. Porra que babaquice. Comecei andar de moto nos anos 80. Só tinha CG e a gente pegava estrada e todos se compartimentavam. Uma parada de posto de gasolina o pessoal se juntava e trocava ideia. O assunto? Moto. Hoje é esportiva de um lado, custom do outro e se você tiver uma moto pequena nem olham na sua cara. Triste. Somos todos apaixonados por moto. Não deveria haver “rótulos” dizendo se somos isso ou aquilo.

  5. Pra mim esse tipo de separatismo ocorreu devido há duas campanhas errôneas de duas marcas famosas de moto.
    > Uma falando mal dos “malvadões” e os intitularam como “motoqueiros”… E dando ênfase aos “pais de família”, que teoricamente pilotam de acordo com as regras, e os intitularam de “motociclistas”.
    > Outra falando bem dos “malvadões” de fim de semana, que são Advogados, Engenheiros, Empresários e que nos finais de semana colocam suas jaquetinhas e se tornam “personagens” para sair com as suas motos até o bar da moda mais próximo.

    Enfim, cada um faz o que quiser com a sua moto!!!
    (Acho que disse isso por aqui… rsrsrsrs)

    E vamos praticar o “deboísmo” pessoal… Todo mundo de boa curtindo a sua moto, motoca ou motocicleta… Abraço do Rato…

  6. Bayer, sensacional este debate que tu nos instigaste a fazer.
    Eu tenho 54 anos e, na minha juventude “mais antiga”, quem tinha moto era motoqueiro. Fico meio chateado quando vejo utilizarem este termo de forma pejorativa. Acho que o termo mais correto já foi escrito em algum comentário anterior é o de “cachorro louco”. Não tenho nada contra o termo motociclista, mas sempre me pareceu do cara que tem uma moto grande e anda “mais certinho” na estrada. Mas vai ver é só preconceito inverso, rsrsrs.
    Agora o que ninguém pode questionar é que a moto é uma coisa fascinante! O filme “Wild Hogs” é emblemático: pessoas diversa com atividades totalmente corriqueiras e diferentes tem um sonho em comum: pegar uma moto (e azar (ou sorte?) da Harley que se tornou símbolo!) e curtir a liberdade das estradas.
    Grande abraço a todos.

  7. Os problemas sempre serão os rótulos e as generalizações por pessoas que querem justificar suas vaidades pessoais, e o autor, provavelmente de forma inconsciente, acaba incorrendo no mesmo comportamento que tenta combater quando rotula os motoqueiros/motociclistas de final de semana.
    A variabilidade das realidades individuais muitas vezes torna impossível para algumas pessoas adotar a moto como um estilo de vida, mesmo que sua vontade seja esta. Existem diversas variáveis familiares, pessoais e profissionais a serem consideradas. Para algumas pessoas somente restam algumas horas nos finais de semana para curtirem suas paixões e no caso das motos, estas limitações não os fazem mais ou menos apaixonados pelo motociclismo. Rotular é muito fácil sem conhecer a realidade de cada um.
    O que diferencia realmente são as atitudes e os objetivos. Generalizar pela quantidade de quilômetros, preço da moto, cuidados e aparência da sob qualquer ponto de vista é ser tão preconceituoso quanto, diferindo apenas na referência que mais lhe apraz.

    O melhor seria abandonar de vez esta discussão sem sentido e focar nas pessoas, lembrando sempre do que somos em essência.

  8. Motorista ou Automobilista?
    Motoqueiro ou Motociclista?
    Vive do esporte? É integrante de equipe de corrida? Piloto? Não?Sou motoqueiro mesmo! E muito obrigado por me chamar assim.

  9. Sou da época do Devlin o motoqueiro, carangos e motocas e não me importo nem um pouco se me chamam de motoqueiro. Sou motoqueiro com muito orgulho, meu avô, meu pai eram motoqueiros e dos bons, um era da força pública, atual PM, meu pai pilotou em interlagos, quando o Emerson começou no motociclismo, então, tenho minha veinha, uma cb400 1983, customizada, a ” Alice” em Homenagem a minha mãe. Motociclista infelosmente virou um rótulo pra classificar quem tem “motinhos” e os ricos que podem comprar harleys, Triumphs, BMWs e outras motos possantes… Esses “motociclistas” fazem tantas merdas quanto qualquer outro irresponsável, que não está nem aí pros outros. Já vi vários “motociclistas” fazendo retornos em avenidas pela faixa de.pedestres nos canteiros centrais, dando fechadas em carros e etc. Aprendi a andar de moto aos 13 anos, ando de moto desde criança, meu pai me colocava sentado no tanque da BSA 1940 e poucos que ele tinha e eu amava… Não tenho nafa contra os motoboys, mas eles aprontam muito, é muito desrespeito as leis de trânsito…Então é isso!!! Sou Motoqueiro com muito orgulho, graças ao meu Pai e o meu Avô. ..

  10. Como um colega disse, “motociclista” é um termo mais formal, usado nos livrinhos das auto escolas, pelos policiais rodoviários e por alguns repórteres quando dão alguma notícia sobre o tema.
    Agora para o povo em geral, quem anda de moto é e sempre foi “motoqueiro”. Alguem criou esse debate para se diferenciar de outros, o que eu não concordo, pois a proposta do motociclismo é a liberdade.

    Então quando me perguntam se sou motociclista, eu respondo: SIM!
    Quando me perguntam se sou motoqueiro, eu respondo SIM!
    Agora quando me pergunto se eu também ando de carro, eu respondo: NÂO! Eu ando de QUADRICÍCLO CARENADO!!!

  11. Texto simples e direto e por isso mesmo perfeito. Tenho moto desde os 18 anos (minha mãe quase enfartou quando apareci com ela) e lá se vão quase 36 anos (sou do tempo em que quando se cruzava com outra moto na estrada os dois se cumprimentavam, independentemente do modelo, infelizmente não é mais assim) e desde que comprei a primeira moto, até hoje, minha mãe continua me chamando carinhosamente de motoqueiro. Então acho uma puta frescura querer ser chamado de motociclista ao invés de motoqueiro.

  12. Perfeito!!!
    Tenho minha Harley a pouco mais de um ano, e quando escutei essa besteira de diferença entre motoqueiro e motociclista não vi razão.
    Relacionei isso quando me perguntavam: – você é surfista? e eu respondo: – não, eu pego onda, surfista são os profissionais, os caras que ganham grana com surf, mas ser chamado de surfista pra mim sempre foi um elogio, e da mesma forma ser chamado de motoqueiros também vejo como elogio.
    Até porque, pra mim, motoqueiro sempre foi relacionado com os pilotos de motocross (Cassio Garcia, Eduardo Saçaki, Chumbinho), que eu assistia com meu pai e irmão quando pequeno, e sonhava em ser um deles, colocando um pedaço de tampa de margarina na roda da bicicleta e saindo pra andar com meu irmão. Oh saudade!!!!

    1. Eu usava a tampa do sorvete de copinho da Kibon. Prendia com prendedor de madeira e saia pedalando minha Monareta feito louco, até destruir a tampinha. Será que não era um piá sonhando com o ronco da Harley?
      Põe saudade nisso…

  13. Eu classifico todos como motociclistas com uma diferença básica…existem os motociclistas conscientes que respeitam as leis e o próximo e existem os motociclistas inconsequentes onde a palavra respeito não existe. Muitos deles são motoboys outros são aqueles corredores de fim de semana nas estradas e independente do valor da moto idiotas tem em todos os lugares!

  14. É… no fim acaba sendo opinião mesmo.

    Gostei texto, sendo uma interpretacao interessante para as palavras, mas ai a gente entra por exemplo em um artigo falando de alguém que foi em um evento de um moto clube muito famoso (sem citar o nome), um dos maiores do mundo, para fazer uma entrevista com o pessoal (do MC) e vi que o amigo do entrevistador foi avisado para não chamar os membros do clube de “motoqueiros” pois estes não gostam de serem chamados desta maneira e que se consideram “motociclistas”, sendo que alguém lá falou pro cara que “motoqueiro é o cara que entrega a pizza, e o motociclista é quem come a pizza.” Ou seja: para eles “motoqueiro” é quem por exemplo trabalha com a moto e coisas do tipo, enquanto o motociclista é o cara que que tem o mundo sobre duas rodas como um estilo de vida e tal.
    Justamente o contrário desse texto.

    Por isso, apesar de ter curtido a definição feito no texto, nem entro em discussão, pois no fim isso ai é apenas uma das muitas interpretações para as duas palavras. Vai da preferência de cada um.

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