Uma Europa sem motos em um futuro não tão distante

Um das viagens de moto que eu mais gostaria de fazer é cruzar a Europa inteira, gastando um bom tempo especialmente nos Alpes. Não sei quando isso será possível, mas pelo andar da carruagem é melhor eu ganhar na loteria, pois isso pode virar apenas um sonho no futuro. Bom, pelo menos em uma moto com um motor V2 ou boxer.

Matéria da France Press, replicada pelo Auto Esporte:

Suécia propõe que União Europeia proíba carros a gasolina em 2030. Alemanha também avalia vetar motores a combustão no país.

A União Europeia deve considerar a possibilidade de proibir a venda de veículos que utilizem gasolina ou diesel a partir de 2030, propôs no último sábado (22) a ministra sueca do Meio Ambiente, Isabella Lövin, segundo informou a France Press.

A ministra, em entrevista ao jornal Aftonbladet, comemorou uma resolução nesse sentido que foi adotada em setembro passado pelo senado alemão, ainda que sem valor obrigatório.

“É uma proposta verdadeiramente interessante (…) Para concretizá-la só podemos aplicar uma proibição desse tipo a nível de União Europeia” declarou ao jornal.

“Como ministra do Meio Ambiente a única solução que vejo é deixar de lado os veículos com combustíveis fósseis”, acrescentou.

O governo sueco, formado por uma coalizão de social-democratas e ecologistas, tem como objetivo conquistar uma matriz energética 100% renovável no país em 2040.

Ou seja, tem gente querendo colocar o último prego do caixão das motos movidas com motores de combustão interna muito antes do que imaginávamos.

Na remota hipótese dessa lei passar do jeito que está, e mesmo que ela fique confinada apenas à Europa, é bom lembrar que o mercado Europeu é um dos mais importantes do mundo, sede de muitas marcas importantes e de modelos que são criados especialmente para aquele público. Com certeza seria um baque na produção e desenvolvimento mundial de motocicletas.

Se eu acredito que vai acontecer de forma tão radical? Não sei. É como aquele velho ditado: no creo en brujas, pero que las hay.


UPDATE: Minha opinião sobre a alternativa, as motos elétricas, você confere no post “Eu sou contra as motos elétricas?”

11 ideias sobre “Uma Europa sem motos em um futuro não tão distante”

  1. Tragico… mas sei la.. mesmo gostando muito de carros e motos mas não consigo ver outra saida para esse pequeno planeta azul.. enquanto não for radical… nada vai mudar… sem reduzir o consumo e poluição… nos vamos para o buraco…
    O bom da noticia que isso é na europa… aqui vamos ter mais alguns anos…. hehehehe

  2. Olá, primeiramente acompanho seu blog a um bom tempo e o material é ótimo!

    Deixando a rasgação de ceda de lado, a verdade é que você está sendo um pouco dramático (link catcher?)

    O veto se refere a motores à combustão especificamente. Portanto o mais indicado é esperar por motos elétricas, mais modernas, econômicas e seguras. Como você disse, o mercado Europeu é um dos mais importantes do planeta, não vão largar o osso tão fácil.

    A única coisa que me preocupa de verdade é a perda do delicioso ronco de motores à combustão que toda essa inovação traz, mas certamente se tornarão artigos de colecionador e haverão eventos para os amantes dos “motores do passado”.

    Um abraço!

    1. Clickbait? Não. Apesar de gostar de moto elétrica, pra mim, elas não são motos.

      Veículos elétricos, por mais que melhorem a cada ano, não combinam com mototurismo de aventura. Não combinam com Iron Butt. Com atravessar um rio. Com andar com uma garrafa de combustível presa na garupa porque você vai cruzar o meio do nada.

      Como alternativa urbana, veículos elétricos são sensacionais. Mas ainda falta muito chão até uma moto elétrica poder passar o perrengue e ter a mesma autonomia e facilidade de recarga de uma moto à combustão.

      Lembre-se: recarregar em poucas horas uma moto elétrica é possível? É. Mas custa caro pra rede elétrica e pro planeta pois consome uma quantidade absurda comparada com uma recarga lenta. Postos de recarga desse tipo talvez não sejam viáveis até 2030. Afinal, enquanto a autonomia melhora a cada ano, esse tipo de problema continua igual.

      Eu sempre achei que os carros entrariam em extinção, mas as motos, justamente por consumirem menos combustível e ocuparem menos espaço, iam ser parte do futuro. Mas pelo visto a guerra na europa é contra os motores de combustão. Não achei que as motos iam ser vítimas tão cedo.

      E digo isso sendo um fã da zero e querendo experimentar a LiveWire. Mas uma coisa é ter elas como opção, outra bem diferente é elas serem a única opção…

  3. Bayer,

    Essas propostas tem um efeito mais de mídia do que real. Como essa data foi estabelecida? Existe um substituto para esses motores? Nem me fale em carro elétrico. Não existe lítio no mundo para as baterias sequer para converter 10% da frota, quanto mais toda a frota européia.

    mesmo que a lei vingue e seja proibido a fabricação e venda de motores a combustão na Europa em 2030, ainda vai levar bem uns 20 anos até que os carros (e motos) sejam banidos das ruas. Por mais eco-chato que seja o governo, ninguém seria louco a ponto de sucatear milhões de veículos a combustão de um dia para o outro. Pode programar sua road trip que vai dar tempo.

    abs,

  4. Na prática isso já vem acontecendo, seja com a diminuição de velocidade máxima (note que uma bicicleta elétrica de boa qualidade consegue rodar a 48 km/h), ou seja com restrição de tráfego a veículos com mais de de 10 anos (caso do centro de Lisboa, para ficar apenas com Portugal como exemplo.

    Hoje o incentivo à Scooter vem declinando (maior dificuldade para licenciar, exigência de habilitação) em favor das Bikes Elétricas, como foi com a “extinção” do motor dois tempos.

    Mas nem tudo são flores: ainda existem muitas Zundapps de 50cc rodando no interior de Portugal, moto fabricada em 1978, e eu mesmo ainda mantenho rodando um BMW série de 1992, também em Portugal.

    É isso é apenas um exemplo porque a frota portuguesa, em sua maioria, tem bem mais de dez anos porque o europeu ainda continua frugal e prefere manter um bom carro ou moto por décadas do que descartar em nome da “modinha” de consumo.

    Não bastará a lei para fazer o europeu desistir do carro, do motor diesel, da moto. Será preciso convencer os europeus de que seus “velhinhos” realmente não podem sair para as ruas.

    Temos uma camada política essencialmente adepta do “politicamente correto” e do sustentável, mas o europeu continua muito ranzinza quando se fala de mudança de hábitos.

  5. Na matéria fala em motores de combustão interna com combustíveis fósseis, que na Europa é o que tem. Porém, a alternativa está aqui no Brasil, com o álcool e, ainda em desenvolvimento, o bio diesel, que são fontes renováveis, que é o que o governo sueco está propondo. Então o futuro é o Twin Can Flex kkkk

  6. Sempre que começa essa ladainha de motor elétrico eu faço questão de deixar claro duas coisinhas que devem ter alguma importância:
    1- não existe lítio no mundo o suficiente para fazer bateria para substituir a frota existente de automóveis (sem falar em motos, trens, aviões, caminhões, navios, indústrias…)
    2- energia elétrica não solta fumaça no motor bonitinho da moto, mas tem um efeito bem nocivo ao meio ambiente na sua geração. Seja na queima de carvão, gás ou diesel nas termoelétricas, seja na devastação de ecossistemas na construção de barragens para hidroelétricas, seja no potencial de dar m… de uma usina nuclear.
    Resumindo, quer se deslocar sem agredir o planeta? Ande a pé, mas não pise na grama…

  7. Essas idéias só dão certo em países pequenos, com ruas maravilhosamente asfaltadas, transporte público excepcional, população com alta renda e educação e governo sério… acho que isso fica automaticamente eliminado nesse pedaço do planeta em que habitamos.

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