A Harley é uma moto simples de se mexer?

A foto aí de cima Harley sendo consertada, no meio da rua, por uma oficina simples, com poucas ferramentas. Para alguns isso causa surpresa, mas para muitos isso é natural.

Antigamente as Harleys eram construídas tendo em mente que muitos proprietários gostavam de meter a mão na massa, por isso a simplicidade mecânica e a confiabilidade eram, de certa forma, uma parte importante do marketing. Enquanto as japonesas eram eficientes, mas vistas como descartáveis, as Harleys podiam ser praticamente reconstruídas e nunca pararem de rodar.

É daí que vinha aquela máxima: “Algumas motos ficam velhas, outras viram clássicos”.

Mas isso ficou no passado graças às mudanças eletrônicas dos modelos dos últimos anos. ABS, refrigeração líquida e sensores modernos são uma especialidade muito além da habilidade da maioria dos mecânicos de fim de semana.

Os projetistas da Harley fazem um grande esforço de design para fazer com que as motos pareçam simples, apesar de serem cada vez mais complexas em seu funcionamento. Fico até espantado de ver alguns proprietários falando de boca cheia que a Harley é feita do mesmo jeito que no começo do século. Sinto te desapontar, mas aquele visual de “old school” é só marketing. Já se foi o tempo que esse aqui era o mantra da Harley-Davidson:

Hoje em dia, para a Harley-Davidson, é muito mais importante parecer uma moto clássica do que ser uma moto clássica. Se você olhar o chicote de uma moto recente, por exemplo, vai perceber que ele é muito mais complexo do que o de muito carro por aí.

Se isso é bom ou ruim, depende do gosto de cada um. As Harleys são como são hoje porque a maioria do público quer motos assim. Se você faz parte da galera que prefere uma moto simples, que você mesmo possa manter, sempre irão haver modelos mais antigos na seção de usadas dos classificados. Infelizmente não vai ser um passatempo barato, já que o custo de se importar peças para se manter essas motos está cada vez mais alto.

E para você que faz parte do segundo time, mas não sabe por onde começar, tem um artigo que pode ajudar:

Biblioteca básica: os primeiros passos pra aprender a mexer na sua moto

Boa leitura!

19 ideias sobre “A Harley é uma moto simples de se mexer?”

  1. Com as leis de controle de emissões de poluentes, todo fabricante de motores tiveram que mudar seus produtos. Sem a eletrônica não é possível atingir os níveis exigidos.

  2. Eu estou montando minha 883 a partir do zero, comprei desmontada e estou fazendo o trabalho a noite na garagem do meu motoclube(Remidos MC), existem algumas dificuldades sim, mas o prazer de mexer na sua propria moto é impagavel…Valeu

  3. É isso mesmo, para o desespero de muitos harleyros tradicionais as HDs tem muita semelhanças com as tecnologicas BMWs. Nas concessionárias da marca é padrão nas revisões das HDs passarem as motos no scanner antes de se fazer a revisão .

  4. “Enquanto as japonesas eram eficientes, mas vistas como descartáveis, as Harleys podiam ser praticamente reconstruídas e nunca pararem de rodar”

    Mas na real as japas eram mais eficientes e tão duráveis ou confiáveis quanto as Harley né? Era só uma questão de saber lidar com a máquina. Nada como o tempo p provar isso.

    1. Sim, por isso que eu disse “vistas”.

      Por outro lado, até pela menor gama de modelos, sempre foi mais fácil se manter uma Harley antiga do que uma japonesa. Por muito tempo o pessoal achou que elas não iram virar clássicos, e elas simplesmente iam pro ferro velho. Então o mercado de peças paralelas nos EUA sempre foi mais focada em algumas européias e nas HDs.

      Felizmente, isso mudou.

  5. replicando o comentário deixado no FB:
    Minha Fat ainda tem uma eletrônica simples, onde com uma interface também simples (guardei um notebook com Windows Vista apenas para poder continuar usando a interface) se conseguem “milagres” como enriquecer mistura, baixar marcha lenta, melhorar partida a frio entre outros.

    Já a CVO te avisa até se uma lâmpada queimar, mas se torna uma máquina onde não importa a causa do problema, mas sim qual peça a ser trocada.

    A Fat não me traz os mesmos receios que a CVO traz quando acabar a garantia e precisar trocar uma peça.

    É algo a pensar no final da garantia: apostar na “facilidade e confiabilidade” (já foram dois defeitos em menos de um ano) ou trocar pelo novo M8 para mais dois anos de garantia.

  6. Bayer, é fato que tem muito tecnologia “embutida” principalmente nas injetadas. Isso é indiscutível. Se o sujeito que for mexer,( mecânico ou não),não souber o mínimo pode dar um prejuízo grande.
    Mas tenho minhas dúvidas quanto a ser uma moto difícil de mexer em coisas mais braçais, principalmente se comparado com o projeto de algumas motos japonesas.
    Alguns exs. uma Boulevard M800 para uma simples regulagem de válvulas é necessário retirar o motor do quadro, pois não existe espaço de trabalho com o motor no quadro.

    A Shadow 600, para trocar um simples o-ring da bomba de água (que para quem teve ou tem Shadow 600 sabe que se não vaza ele VAI vazar um dia), ou você tem que baixar o motor do quadro ou saca-lo (as duas coisas dão a mesma quantidade de trabalho), a mesma dificuldade se aplica para regular o carburador , você tem que desmontar meia moto…

    A Shadow 750, por sua vez, para trocar o pneu traseiro tem que praticamente desmontar a parte traseira da moto por conta do Cardã…

    Já na HD (falo só pela 883 que tenho) a parte elétrica inspira um pouco de receio, mas acredito que se o dono souber um pouco dos princípios básicos de elétrica e ter as ferramentas certas não fica na mão. Tudo está ali “na cara”. Até meu mecânico que só mexe com japonesas ficou espantado com a simplicidade de acesso de algumas coisas na HD. Acho que o caráter de “moto seca” prevalece.

    Mas só posso falar sobre a 883, as Touring chegam a assustar de tantos dispositivos elétricos…

  7. Vendo os comentários sobre harley me fez pensar, toda vez que venho ao blog me sinto peixe fora d’agua quando o assunto é harley, parece coisa de outro mundo! vendo em filmes parece que a harley é uma moto super acessível la nos states e aqui é coisa de rico. A harley deveria ter umas motos de entrada, mais acessíveis que tornassem a marca mais popular. Sem criticas a ninguém, mas toda vez que vejo alguém comentando sobre harley fico com a imagem de um playboy como uma roupa da moda pagando de motoqueiro selvagem, embora não sejam todos assim.

  8. Pra quem gosta de moto seca e viagem longa, saber o básico de mecânica é fundamental.
    Na minha última fugida da cidade fiquei a pé na serra de Friburgo por conta de uns furinhos na guarnição do pistão de vácuo do carburador. Mas como sou eu mesmo quem mexe na XLH, saquei tudo fora numa oficina de bicicleta que encontrei pelo caminho e remendei os minúsculos furos com vedajuntas de motor diesel. Voilá!! Minha XLH voltou pra casa rodando a milhão e só gastei os R$8,00 do vedajuntas.

    1. Bem pontuado.

      As vezes, alguma discussão de boteco sempre sai um assunto de qual “melhor moto seria melhor para sobreviver a um apocalipse” (sobrevivencialismo, calamidade, guerra, zumbis, etc…rsrsrs) enquanto alguns falam big trails por conta da versatilidade, outras falam de Trackers, Cafes, etc. Eu sempre digo: A moto que eu souber mexer e conhecer de cabo a rabo! Eu era assim com minha Shadow 600 e estou caminhando neste sentido com a 883. eheheh abs.

  9. Essa “oficina simples” é o Gel, fica na Av. Nossa Senhora da Saúde, quase de esquina com a Tancredo Neves.
    Eu já levei moto minha lá e só não consigo mais levar porque me mudei.
    A oficina é pequena, mas o cara manja muito de motos grandes, principalmente de HD.
    Quando entrei na oficina a primeira vez, vi uma Sportster 1200 de chassi bem longo e baixo que está sendo customizada, mas o que mais me chamou a atenção foi um quadro escondido logo atrás dela.
    Um velho Shovelhead esperando pra ser colocado nas ruas de volta.

  10. Rapaziada, não estou atualizado em mecânica, sou do tempo do platinado e minha primeira moto foi uma HD 125cc, Motovi, nos ano 1980.
    Possuo uma Sportster 2006, porque é carburada e sou eu que faço toda a manutenção, gostaria de saber sobre a atual tecnologia usadas nas motos, mas como sou do tempo do platinado, fico com minha HD carburada e, o fato de já ter ignição eletrônica, para mim está ótimo, quanto ao resto, sou eu que faço revisão e conservação.

    Nos inícico dos anos 80 quando mecânico de motos, fiz revisões mecânicas em Jawa, MZ, RS, FBM, viúva negra, entre outras, porém não tive oportunidade de trabalhar em uma HD, no entanto o que me conforta foi poder conhecer o seu CHICO, o mago das Harley’s, aprendi muito com ele, enquanto bebericávamos uma boa cachaça e batíamos um papo.
    Nada contra a nenhum veículo de duas rodas, ao contrário, estes veículos com duas rodas, são minha paixão, independente da marca, por isso, ame, curta sua motoca sem preocupação com marca, modelo e cilindrada, seremos felizes com isso, pelo menos da minha parte.
    Valeu rapaziada, bons Km’s a todos!

    1. Exato: melhor rodar do que se preocupar. Se der pane, conserta, acampa do do lado da moto até chegar o socorro, sei lá… só não pode é ficar deixando o tempo passar e ficar choramingando “que moto comprar”, “qual é melhor”…
      P q comprar a melhor do mundo? Compra logo a melhor p vc, no meu caso, a melhor é a que eu posso pagar e que me leva aonde eu quero ir!
      Abraços!

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