A Royal Enfield chegou no Brasil. Mas que moto é essa?

Quando alguém diz que a Royal Enfield é uma moto clássica, muita gente logo imagina que ela é como a Harley ou a Triumph Bonneville: uma moto com uma longa história que foi sendo atualizada no decorrer dos anos mas mantendo o mesmo visual clássico. Afinal, as motos com visual retrô estão na moda, certo?

Acontece que a Royal Enfield é o que os memes de internet chamariam de “clássica raiz”. Porque ela, ao contrário das demais motos de visual clássico, é realmente uma moto dos anos 60.

Classic 500

Tirando a injeção eletrônica, as duas velas no cabeçote e o ABS, relativamente pouca coisa mudou nessas motos no decorrer dos anos. E mesmo o que mudou, foi mais para uma adequação as legislações pelo mundo do que por uma necessidade da marca.

Fabricada na India, a Royal sempre foi uma opção de moto robusta e barata. Não se engane, ela não é uma concorrente da Triumph Bonnevile, que oferece um acabamento muito superior, assim como tecnologia e a performance.

Bullet 500

O motor de 500cc da Royal é obsoleto e não oferece nem de longe o desempenho que a maioria das pessoas espera dessa cilindrada atualmente (não se espante se uma 250cc se sair melhor). O acabamento não tem nenhum esmero, apesar do tanque ainda ter os detalhes pintados à mão e duas cores em alguns modelos.

Felizmente, o preço cobrado pelos modelos condiz com a proposta dela. Quer uma moto com visual clássico, robusta e não pagar uma fortuna? Eis a tabela divulgada pela marca:

Bullet 500: R$ 18.900
Classic 500: a partir de R$ 19.900
Classic 500 ABS: a partir de R$ 20.900
Continental GT: R$ 23.000
Continental GT ABS: R$ 24.500

Continental GT

Apesar da performance pífia para uma café racer, eu vejo um grande potencial na Continental GT. E no quesito moto clássica, poucas motos são tão bonitas como a Classic 500 (e nessa faixa de preço arrisco dizer que nenhuma).

A primeira vez que a Royal Enfield chegou por essas bandas, eu confesso que criei uma enorme antipatia com a marca. Afinal, na tentativa de surfar na onda das motos retrô, eles jogaram o preço lá em cima e ela custava quase o mesmo que uma Sportster.

Dessa vez não. Eles estão tratando nosso mercado de uma forma muito parecido com o Indiano, onde as motos são fabricadas, e se colocando para um público que busca estilo, mas também uma moto robusta e acessível para o dia a dia.

Ainda é cedo saber como elas vão se sair por aqui. Se eles jogaram suas cartas corretamente, acredito que a Royal Enfield vai incomodar especialmente as custom de entrada, como a Dafra Horizon 250.

Agora é esperar para ver como vai se sair o pós venda e a reposição de peças.

Para terminar, deixo vocês com um review feito pelo pessoal do canal Motorama, que fez um test ride com as motos:

13 ideias sobre “A Royal Enfield chegou no Brasil. Mas que moto é essa?”

  1. Bayer, sensacional o seu resumo sobre o contexto da marca, a proposta é realmente essa e deu pra sentir bem isso quando estive frente a frente com os modelos. Tudo muito bruto e arcaico. O que pra muita gente soa como inconveniente e pra mim soa como uma experiência única de ter uma moto de verdade, bruta com mecânica robusta e fácil, onde se pode fazer praticamente tudo sozinho com pouco conhecimento de mecânica. Tendo isso em mente tenho certeza que quem comprar vai se divertir. Pra quem busca qualquer outra coisa em uma moto, vai se frustrar.

    Muito obrigado por colocar nosso video. Pra gente é sempre uma honra ser considerado por você!
    Grande abraço!

  2. O problema com esta máquina é que , quando eram fabricadas na Inglaterra, décadas atrás ,eram muito melhores que as feitas hoje pelo fabricante indiano que comprou a marca .
    Ela foi famosa na Europa ,e até existem algumas no Brasil ,mas esta que é apresentada hoje parece não inspirar confiança no comprador , talvez até pelo fato de ser fabricada na Índia ,país sem tradição neste ramo .
    Quando fizeram o primeiro lançamento com preço astronômico e acabamento de baixa qualidade queimaram a marca . Será bem difícil ser aceita novamente no país .
    Talvez quem tenha uma Dafra ,e queira fazer um upgrade se interesse pela marca ,mas fora isso não vejo grandes chances para esta marca no mercado brasileiro .

    1. Amigo, acho que você está um pouco por fora. A Royal Enfield é Indiana desde 1955, ou seja, os modelos mais antigos já são indianos. Então quando você fala que elas eram boas quando eram fabricadas na inglaterra “décadas atrás” você está se referindo aos anos 40 e isso não faz o menor sentido rs. Os modelos europeus são fabricados na Índia pois mesmo sendo indiana, a sede da RE ainda é em Redditch na Inglaterra.
      Elas de fato tem acabamento de baixa qualidade, mas não em questão de motor, chassi, elétrica etc. Mas sim em relação ao acabamento bruto das peças que são conhecidos por enferrujar fácil etc. Nada muito complicado de resolver. Quanto a mecânica, as RE indianas são robustas e confiáveis. O grande problema dela é que parou no tempo, e não apresenta nenhuma tecnologia a não ser coisas que são obrigatórias hoje por lei na maioria dos países, mas como os amigos disseram aqui, isso pode ser encarado como algo bom dependendo do que você procura.

  3. Pelo estilo com certeza vale.
    Pelo desempenho vejo que está na mesma base das premium, ou seja, a cobrança das que tem melhor acabamento/desempenho cobram exorbitantemente proporcional.

  4. Curti seu jeito “Não deslumbrado” de falar da moto.

    Gostei do Visual da moto, mas ainda é cedo pra ter uma opinião definida se é uma moto viável, ou se vai ser uma kazinski ou shyneray das terras tupiniquins.

    Mas o pecado mesmo, é não trazer o sidecar nem como opcional.
    acho que isso seria um diferencial absurdo!

    1. Excelente comentário…
      Aqui na minha cidade tem um cara que tem uma, que pegou em 2013, quando os preços eram absurdos, enfim… Estava com side car e REALMENTE é um diferencial, pois a deixa ainda mais com cara de clássica dos anos 60.
      Achei show de bola o estilo, mas não é a minha cara….

  5. Pq pagar caro nisso?
    Acho massa estilo classico e o que triumph faz com a boune eh sensacional, tecnologia alinhada ao classico.
    Sou da turma que acha que a HD por exemplo deveria embutir tecnologia nas motocas.

  6. Muito bom post, essa moto tem a proposta de ser “pau pra toda obra, acho que quem tem a Horizon não vai trocar pela RE, pois ao meu ver me parece uma moto menos confortável, agora quem procura uma moto que não vai dar dor de cabeça acho que essa é a opção, possivelmente uma moto pro dia-a-dia, é a CG das clássicas kkk, ainda com um visual bem bacana e toda história por traz.

  7. Muito interessante o post, parabéns pela neutralidade com que transmitiu as informações.
    Tudo que tenho pesquisado a respeito tem sido favorável as motos. Claro, desde que se respeite a “pegada” da moto. Dos reviews que já vi, quase 100% foram positivos em seu balanço final. Na minha opinião, é muito válido pro nosso mercado nacional. Temos que ter cautela, mas parecem motos confiáveis, divertidas de pilotar e altamente customizáveis (existem alguns sites indianos com customizações de primeira linha). O preço não é uma exorbitância quando se compara com o que andam cobrando pelas motos de entrada da Honda. Agora é esperar pra ver o pós venda! (E que venha a Himalayan também)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *