Algumas pessoas são tão pobres, que a única coisa que elas possuem é dinheiro

Um amigo acaba de me mandar esses prints aqui embaixo. Por favor, alguém me fala que isso é apenas uma brincadeira?

Eu realmente quero acreditar que isso é apenas um troll de internet lançando essa discussão em um fórum para semear a discórdia. (Até por isso cobri o nome do sujeito, porque ninguém merece uma caça às bruxas por causa de uma zoeira).

Gosto particularmente de quando ele diz para se ter uma Biz, como sinônimo de moto de quem não tem grana. Eu tenho uma Harley e, mesmo assim, tenho uma Crypton (gêmea da Honda Biz). Aliás, tenho uma bicicleta também, que para falar a bem da verdade tem rodado mais pela cidade do que as duas motos juntas.

Tem gente que se revolta com a popularização das Harleys porque acredita que os roubos aumentaram por causa disso. Eu, honestamente, não acredito nisso. Os roubos aumentaram porque tem mais filhas da puta andando por aí, dinheiro e caráter não são sinônimos.

Se fosse assim, não tinha tanta história de customizador e de gente cheia da grana pagando milhares de reais em customização, ao mesmo tempo que usam Harleys clonadas ou roubadas. Volta e meia pipocam esses relatos nos fóruns de motos da internet.

É só ver o exemplo americano. Nos EUA, quase todo mundo pode ter uma Harley. Sim, alguns vão ter os modelos mais caros e exclusivos, outros os modelos mais básicos e usados. Mas não é incomum andar pelas cidades mais humildes do interior e ver uma ou duas Harleys na garagem do sujeito.

UPDATE:  O Marcio confirmou que é um troll publicado em um post de tiração de sarro, como suspeitávamos. Mas o post já circula em vários lugares, sendo usado como “prova” do esnobismo dos Harleyros e com algumas pessoas defendendo o que foi dito nele. A discussão do post continua válida, já que a maioria de nós conhece alguém que realmente pensa assim.

Faz um tempo que escrevi um post, que eu acho que merece repetir:

Não julgue um livro pela moto

Originalmente postado em 19 agosto de 2015

Recentemente, li um estudo que de certa forma comprovava o que muitas pessoas costumam dizer de brincadeira: quanto mais caro o carro, mais folgado é o sujeito no trânsito.

Claro que isso é um exagero: não se pode julgar todo mundo pelo comportamento de poucos (a gente que anda de moto sabe bem disso). Mas a constatação do estudo era bem interessante: a maioria das pessoas tende a achar que o seu tempo é mais valioso do que o das pessoas que estão em um carro mais barato. E quanto mais caro o carro do indivíduo, maior é essa percepção.

É por isso que alguns tendem a tomar atitudes no trânsito como se tivessem a preferência. Fecham você, não esperam na fila de conversão, param em fila dupla, porque elas acreditam ter prioridade.

Infelizmente, tenho visto isso acontecer demais também no mundo das duas rodas.

Motos e frugalidade

Não sei se os leitores aqui do O.D.C. sabem, mas eu sou um adepto da frugalidade. Isso não significa que eu sou um pão-duro miserável como o Tio Patinhas, e sim que eu tenho uma relação um pouco diferente com o dinheiro. Não sei se foi pela infância que tive, ou pelas merdas que passei, mas a verdade é que eu tenho uma obsessão relativamente saudável em descobrir maneiras de viver com menos do que ganho. Gostaria muito de chegar no ponto de ter “Fuck you money“:

Apesar de ser fã de motos e querer ter uma dezena delas da garagem, eu nunca me enforquei por nenhuma delas, ou fiquei devendo. O mesmo se aplica com minhas roupas, o carro da minha esposa e os lugares que frequento. Nada contra quem faz o oposto, só estou contando como eu faço. Gosto de andar de moto justamente porque gosto de liberdade, e ser escravo do dinheiro é uma das maiores faltas de liberdade que vivemos nos dias de hoje. O único jeito de sermos realmente livres, é fazendo um esforço consciente para tentarmos chegar no nível do Fuck You Money.

É por isso eu nunca consigo julgar a grana de alguém simplesmente pelo que ele mostra: o cara que compra um Mercedes zero pode estar pendurado de dívidas, sem ter nada guardado no banco, enquanto que o cara no Corolla pode ser o Warren Buffet. Eu tinha um chefe que andava de Gol, enquanto um dos funcionários tinha um Audi. Ele era apenas três anos mais velho do que eu e hoje vive de renda, algo impensável para a maioria de nós nessa mesma idade.

E o que isso tem a ver com motos?

Tempos atrás, eu decidi apertar o cinto em casa ter uma scooter como segunda moto pra economizar. Dessa forma posso bater, judiar, frequentar os lugares toscos que meu trabalho me faz ir, e largar ela sem dó de ter que morrer numa grana pesada caso algo aconteça com ela. O custo de manutenção depois de dois anos rodando pesado com ela, foi menor que o preço da última troca de pneu da XR, sem falar na gasolina.

Recentemente, fui mais além. Em um post à parte posso explicar porque não me adaptei bem com a Burgman, mas o fato é que dois meses atrás fui procurar uma primeira moto pro meu sobrinho que completou 18 anos, e acabamos decidindo por uma Yamaha Crypton.

Sempre fui fã das CUBs (Cheap Urban Bikes) por serem praticamente indestrutíveis e terem uma ciclística bem similar a de uma moto de verdade. A Crypton, por exemplo, tem o mesmo rake e entre eixos de uma esportiva, só que numa versão miniatura. É divertida pacas de pilotar e, apesar do câmbio semi-automático, você pode brincar com o pedal dela e usar como embreagem normalmente.

Na hora de fechar negócio, descobri um lote de modelos do ano anterior, sendo vendidos por um preço inferior ao modelo mais básico deste ano. Foi tão bom negócio, que além de comprarmos a dele, comprei uma pra mim. Batizei ela de Mobyllete.

A pequena CUB se mostrou ideal pro que eu precisava, já rodei 1.500 quilômetros com ela, 99% no trânsito pesado de São Paulo. Mas comecei perceber um comportamento, que eu já percebia na Scooter, piorar bastante com a Crypton.

Você não é o que você tem.

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“A gente compra coisas que não precisamos, com dinheiro que não temos, para impressionar pessoas que não gostamos.” – Clube da Luta

No trabalho, por exemplo, o mesmo segurança que me via todo dia de Harley e falava “Bom dia doutor“ (eu nunca cheguei perto de um doutorado nesta vida), começou a travar a cancela e perguntar de forma agressiva “Onde você vai?“.

No posto de gasolina, o mesmo cara que quando via a XR perguntava “Completa com pódium, chefe?“, passou a pegar a bomba de gasolina comum sem nem me perguntar antes, e dizer com certa má vontade “Coloca quanto?“.

Eu sou o mesmo cara. Com as mesmas roupas. Com os mesmos capacetes.

Como esses caras me vêem com frequência há pelo menos dois anos, a única conclusão que eu cheguei é que eles nunca me reconheceram. Eles viam apenas uma moto.

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O mesmo se aplica no trânsito diário. Hoje, um sujeito em uma bela Harley, com pintura personalizada e escape Vance & Hines, fez de tudo diversas vezes pra chegar antes de mim no corredor, para depois ficar lá, travado entre os carros sem deixar eu e outros motoqueiros passarem.

E quando eu contornava o problema, e voltava para o corredor, dava pra ver que o cara ficava visivelmente incomodado e passava acelerando com tudo pra me alcançar e depois fazer o mesmo: travar o corredor.

“Meu tempo é mais valioso que esse cara na motinho. Preciso chegar primeiro no corredor, foda-se ele”, deve ser o que passa pela cabeça do sujeito. O mais engraçado é que é um cara com a mesma paixão que eu: motos customizadas.

Gostaria de dizer que ele foi o único, mas isso tem se repetido com certa frequência. Eu sempre tive o hábito de deixar motos menores passarem na minha frente no corredor, caso eu percebesse que iria fecha-lo. Mas quando estou com a Mobyllete, conto nos dedos as pessoas em motos caras que fazem isso.

O mais louco é que, isso já aconteceu com tanta frequência comigo envolvendo Harleyros, que eu tenho certeza que alguns eram leitores aqui do blog. Que o cara que torceu o nariz pro sujeito de Crypton no semáforo, não fazia ideia que era eu do lado.

Não escrevi tudo isso pra dizer que devemos dar as mãos e sermos todos iguais, que somos todos irmãos. Eu não acredito nisso. O que nos torna humanos é justamente o fato de que somos todos diferentes.

Acho que, no fundo, o que eu quis dizer com toda essa verborragia foi: não seja mais um babaca no mundo. A gente precisa de mais gente com sangue bom por aí…

E nunca se esqueça do que Tyler Durden nos ensinou:

—-

PS: Se alguém tiver mais interesse em saber sobre frugalidade, recomendo o site The Simple Dollar, e livros como o Milionário Mora ao Lado, entre vários outros.

23 ideias sobre “Algumas pessoas são tão pobres, que a única coisa que elas possuem é dinheiro”

    1. Pois é, estou recebendo ele de diversas pessoas diferentes. E ele já está sendo usado pra criticar os donos de Harley.

      Até por imaginar que era zueira, eu cobri o nome do sujeito para evitar caça às bruxas.

        1. Eu só sinto que esse print tenha circulado tanto por aí sem o cuidado de esconder os nomes. A discussão que essa brincadeira levanta é válida, mas ir atrás de quem escreveu sem saber do que se trata é irresponsável e injusto.

  1. Fala Bayer, compartilharam bastante esses prints aí desde ontem e malharam tanto o sujeito que ele teve que fechar a conta dele no face.
    Dei uma olhada nessa comunidade (não participo dela) e parece que o teor dela é de palhaçadas desse tipo, falam que é só zoeira, mas acho lamentável brincar desse jeito, além do mais acaba que no fundo toda brincadeira tem um pouco de verdade.
    Infelizmente tenho visto um comportamento bem escroto (nem tanto nesse nível) mas de pessoas que acham que Harley é melhor do que as outras e ficam com brincadeiras e piadinhas desmerecendo outras marcas. Foda viu…
    Conheço vários sujeitos que não frequentam eventos bem legais por aqui só pq são de outro dealer. Quem perde é o cenário custom como todo, pra mim não passam de uns babacas que se acham melhores que os outros, tenho preguiça de gente assim.

    1. Eu concordo, Marcio. Ainda mais na internet, onde esse tipo de postagem pode virar justamente o que virou.

      O fato é que esse episódio bombou justamente porque mexeu com algo que a gente vê direto no meio… Tanto, que eu recebi esse print em grupos de whats que nem de motoqueiros são.

      Eu tenho o mesmo sentimento que você: preguiça de gente que é assim de verdade. Como dizia um colega “A vida é muito curta pra gente perder tempo com filhos da puta”.

    2. Disse tudo e mais um pouco, Márcio.
      Outro dia fui em um evento em BH, em que você estava, e tinham na sua grande maioria Harleys, porém fui tratado com respeito e somente depois de umas 2 horas de conversa é que alguém perguntou qual moto eu tinha, e não me menosprezaram nem um pouco…
      Quem acompanha meu canal no Youtube deve ter percebido a entrevista com o Jairo da Chopperhead, onde ele menciona claramente que não importa qual moto você vai até lá, a atenção será a mesma.
      Pelo menos comigo foi… Ao contrário dos eventos de moto clubes, onde quero passar é longe!!!

  2. Passei a mesma situação diversas vezes quando tinha uma Fazer 250. Diria que em todo lugar que ia, era tratado como mais um motoboy. Investi um bom dinheiro num kit de jaqueta, botas, luvas e capacete para me “diferenciar” do motoboy ordinário. E quando o farol fechava ou o trânsito parava, até funcionava bem. Era nítido o comportamento dos outros motoristas, frentistas e outros motociclistas.

    Mas eu realmente vi a diferença acontecer quando troquei por uma Bonneville. Pra ser sincero, eu buzino no corredor na esperança de alertar o desavisado no celular que to chegando perto mais por um comportamento automático de auto-preservação herdado da época da fazer. Mas em grande parte das vezes, o ronco do motor / escapamento é suficiente para
    que os carros facilitem passagem. Como se fosse uma afirmação (esse não é um cachorro-louco, vou agir diferente).

    Embora, a guerra viária de cada dia, tenha ensinado mtos motoristas a ” jamais feche um motoboy se quiser manter seu retrovisor intacto”

    Foda como SP é uma cidade violenta e as pessoas se tratam como lixo e julgam umas as outras apenas pela capa.

    E SIM, quanto maior o carro, mais folgado tende a ser o motorista. Do butantã até a vila madalena, passando por dentro da USP, levo no mínimo umas 10 fechadas de carros que trocam de faixa ou te encurralam no canto forçando passagem apenas pq são grandes.

    Andar de moto tem muito a ver com liberdade, mas não demorei mto a descobrir que tem a ver com mto mais coisas como diz a Monja Coen nesse video.

    http://www.motonline.com.br/noticia/palavras-de-sabedoria-da-monja-coen-sobre-as-motocicletas/

  3. Muito bom o texto!! Infelizmente isso é corriqueiro!! Mas não é somente no meio das motos….Além de andar de moto… tenho um fuscão 1970… baleado…mas me diverte um monte! Adoro sair com ele, pois ninguém me fecha ou fica perto…. hahaha pista livre! se ligar o pisca….todo mundo dá espaço!!
    Gosto muito de ler seus textos/críticas… sempre bem pontuais e devidamente colocados!
    Coaduno da opinião de que o simples nos faz mais feliz!
    É inadmissível que, ainda hoje, existam pessoas com pensamentos tão mesquinhos e pobres de espírito!!
    Mas não podemos desistir e temos que sempre plantar o melhor para colhermos bons frutos!
    Cada um fazendo sua parte… tudo irá melhorar!
    Forte abraço!

  4. Fala Bayer!
    Sempre tô aqui lendo os seus posts mas quase não comento. Recebi esses prints também em um grupo do whatsapp e a reação que tive foi a mesma que a sua, pensei, só pode ser um troll querendo “causar”. Não consigo acreditar que existem pessoas com esse tipo de pensamento. Fico mais triste ainda por ver que outros compactuam do mesmo pensamento, vide os comentários no post do infeliz.

    1. Opa, acabei de ver o comentário do M. ali. Bom saber que tudo não passava de uma brincadeira, realmente os prints foram tirados fora de contexto e sem explicar a origem. Tá aí outro problema, quem fez isso queria só causar, coisa de internet.

  5. Mesmo sendo o post “fake” não anda muito longe da realidade, já vi diversas vezes isso acontecer, tenho uma Fat e para o dia dia uma Intruder, já tive burgman também, passei por diversas situações semelhantes as retratadas e alem do frentista tb pelos motociclistas e “irmãos da estrada”, já vi harleyro depreciando 883 por ser moto acessível e barata suficiente para um “moleque” de vinte anos conseguir comprar… minha vergonha se torna contraria, me envergonho de me assemelhar a essa pequena parcela do grupo com um pensamento tão ridículo.
    Chega a ser prazeroso ver isso acontecer, você vê a verdadeira face da pessoa quando como ela reage instintivamente pela analise superficial, limitada pela própria pequenez…

    1. Atualmente tenho uma 883 e uma Intruder, uso todos os dias. Ia fazer um textão aqui mas você já sintetizou o que eu iria falar. É bem por aí mesmo. “Vergonha contrária”.

  6. Faço parte do grupo citado, e posso afirmar que o POST foi um troll que crítica justamente o que o POST diz!!!!
    O que acontece é que muita gente entra no grupo e não consegue perceber o teor de brincadeira e sarcasmo que acontece ali, muitos se doem e acabam saindo do grupo ou vomitando ódio, sem ao menos questionar alguém sobre o conteúdo do grupo.

    1. Sarcasmos só é entendível quando falado, com entonação. Já a escrita não tem entonação e cada um “ouve” de um jeito, é somente quem conhece o autor do post poderia supor que era uma tiração de sarro.

  7. Respeito e entendo objetivo da brincadeira, conheço o grupo de FB, inclusive sai do grupo por achar que as críticas e brincadeiras para “fisgar os peixes” eram excessivas.

    Lamentável a perseguição ao autor do post, mas garanto que muitas carapuças serviram.

    É bom para lembrar que não existe “irmandade” pela marca, mas sim pelas ideias.

  8. Post rídiculo, para mim o dono do post e o pessoal do grupo inventou esse de trollada. Qual a necessidade de fazer uma trollada dessas??? Quantas pessoas não passam e já não passaram por isso por conta de babacas assim? Péssimo maneira de querer chamar atenção.

  9. Saudações.
    No meu entender (falem o que falarem) é opinião do sujeito sim.
    Não é troll…, o problema é que o assunto estrapolou o limite do grupo.
    O famoso evento anual de motociclitas em Tiradentes-MG, é (ou era) voltado única e exclusivamente para donos de HD.
    A uns 08 anos passados, fomos: Shadow, Viragos, Intruder 1400…chegando lá, fomos orientados a não estacionar nossas motos na praça….. e sim nas ruas laterais. Uma vez que a praça era exclusividade para HD´s. Porém o evento é publico… divulgado…. R$R$R$ é tudo igual, mas o Espirito-Irmandade não. Nunca mais voltei, mas sei que a organização do evento está mudando os pensamentos.
    Boas Aceleradas.

  10. Eu imaginei que seria zoeira ou até mesmo puro sarcasmo, mas nos dias de hoje, também se desconfia de manipulação com o simples propósito de gerar treta.

    E treta pode ter certeza que gerou, pois sempre tem um exaltado para usar esse tipo de coisa para justificar seus próprios preconceitos, disfarçando de defesa.

    Costumo dizer que fdp tem em todos os lugares, de todas as idades e de todas as classes.

    Por outro lado, tem aqueles que entram de embalo nessas ideias e já vi seu blog mudar estereótipos.

  11. Nossa, seu post do livro pela moto é de 2015.
    Como o tempo passa.
    Pouco tempo depois dele, minha 150cc deu problema e fiquei pensando nele durante o caminho pra casa.
    E tenho que acrescentar uma coisa na frase:
    “fdp tem em todos os lugares, de todas as idades e de todas as classes”
    “fdp e pessoas boas tem em todos os lugares, de todas as idades e de todas as classes”

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