Espaço do Leitor: Indian x Harley

O Clóvis escreveu:

Gostaria que fosse discutido a observação do Luiz, ontem:

“Luiz 24 DE AGOSTO DE 2017 ÀS 8:43 AM
Uma coisa que chama a atenção é que na contramão desta tendência está a Indian: …”

Fiquei intrigado com o que ele colocou, pois vai contra muita coisa que se fala sobre essa nova geração. Que existem mudanças de hábitos, isso ocorre desde que o primeiro ser humano pisou no globo. É do negócio. Mas a história não acaba.
(…)
No mais, certa vez nos foruns HD da gringa, neguim abriu um post pra comentar que fazia tempo que não via alguém com Low Rider zero…. Vez ou outra uma ou Street Bob… mas muito pouco. Aí comecei a observar e o que se via era comércio de usadas.
Ou seja, a Dyna já tava em queda há tempos.
(…)

Então a HD tinha dois problemas sérios dentro de casa : quadro da Dyna e motor.
E fora dela, a Indian tirando pedaços do fígado. Algo tinha que ser feito. E foi feito.

Curiosamente, isso também não saiu da minha cabeça enquanto escrevia o artigo de ontem. A Indian herdou um grande know-how em tecnologia da Victory, mas mesmo assim foi na contramão da tendência apostando no visual clássico.

Isso me parece apenas uma questão de estratégia de conquista de mercado. A Harley é uma empresa muito maior que a Indian, com mais da metade do mercado americano e com um nome reconhecido até por quem não anda de moto. Já a Indian é uma recém chegada, que está tentando abocanhar parte desse mercado e reerguer o seu nome lendário.

Desde que a Indian ressurgiu, o foco dela são os motociclistas mais tradicionais. É só ver a campanha de marketing atacando os guerreiros de final de semana, se posicionando como a moto para “motoqueiros de verdade”. A intenção dela é realmente pegar os baby-boomers e a geração que os seguiram usando o manto da tradição. E eles tem experiência prêvia no assunto, já que vender motos modernas (leia-se Victory) foi uma estratégia da sua empresa mãe (Polaris) que não deu o resultado que eles esperavam.

A Polaris, fabricante da Indian, fechou as portas da Victory este ano. As motos eram uma versão moderna das cruisers com motor V2.

E isso faz muito sentido. Para a Harley continuar sendo gigante, ela precisa aumentar o tamanho do bolo do mercado, trazendo mais pessoas. Só que para a Indian crescer, ela só precisa pegar uma fatia maior do bolo que já existe. E mesmo que esse bolo esteja encolhendo por causa dos millennials, ainda é um mercado muito lucrativo para se explorar nos dias de hoje.

Se isso é uma estratégia sustentável ou não, aí é outra história. A Harley acredita que não, por isso está focando nas mudanças. A Indian acredita que sim, por isso o foco na tradição. Mesmo assim, nada impede que um dia a Indian se veja diante do mesmo problema e mude a estratégia.

O que me incomoda na opção que a Harley está seguindo é o fato de que ambos os mundos podem conviver. A Triumph se reinventou e é um bom exemplo: hoje vende esportivas, vende big-trails e, mesmo assim, ainda possui um enorme carisma e boas vendas nas suas clássicas Bonnevilles, chegando até a lançar um novo modelo Bobber. E você não vê ninguém reclamando que a mesma fabricante da Bonnie faz a Speed Triple.

Quem está certo? Só o tempo dirá.

16 ideias sobre “Espaço do Leitor: Indian x Harley”

  1. Tenho esse pensamento sobre aa harley. Essa estratégia de modernizar para agradar novos fãs pode ser um tiro de 12 no pé. Vai acabar perdendo os fãs nostalgicos e ao meu ver, essa modernização não atrairá novos adptos, ja que na minha humilde opnião, as motos ficaram nem lá nem cá. Não são modernas o suficiente para os novos e nem classica para os antigos.

  2. Exatamente de acordo com o que eu penso sobre o tema, não precisava mudar tudo.
    A Fatbob por exemplo já tinha uma pegada mais “moderna” falando do design, acredito que era uma boa porta de entrada pra quem curte o visual inovador e moderno.
    O problema é que aplicaram essa mudança visual pra boa parte das motos.
    A fatboy ficou muito descaracterizada, sendo que desde o projeto original pouco tinha mudado esteticamente.
    O que me agradaria seria a evolução constante, mas sempre tentando manter as características visuais, para aquelas mais tradicionais, modernizando itens de segurança, motor etc.
    Infelizmente a harley pecou nesse ponto, desagradando e muito aqueles que como eu gostam do estilo mais vintage.

  3. Realmente, na minha opinião, a HD errou feio nessa mudança de linha. Elas perderam a aparência de clássica, estão parecendo as japonesas, a boulevard e a Vulcan. O que mais me agradava era a cara de motos antigas, tanto que eu tenho uma low rider 2015 (segundo o Wolfmann, o mico do ano por 03 anos seguidos). Até agora, vc batia o olho e falava essa é uma HD, o que não acontece com essas motos novas. Espero que nós todos estejamos errados e que essa mudança fortaleça ainda mais a mercado e aqueça o mercado, que eles realmente consigam trazer mais pessoas para o motociclismo.

  4. Tenho visto alguns vídeos gringos de reviews sobre as novas motos e na minha singela opinião elas estão bem bonitas – não achei que perdeu a essência, mas que fizeram uma leitura mais moderna dela – , mas algumas coisas realmente achei bem estranhas como o novo farol da Fat Boy e o painel digital da Street Bob.

    Sobre posicionamento de marca, pra mim é importante adaptar para permanecer líder de segmento. As Indians estão aí vindo com uma tecnologia embarcada que dá pau em todos os reviews contra Harleys.

    Claro que desagrada os mais tradicionalistas, mas o que mais se vê por aí como público da Harley é o cara que compra pra deixar parada na garagem, puro hobby e nenhum estilo de vida. Por isso se vê uma porrada de moto sendo vendida com 300 km no odômetro em um ano de moto.

    Então o que questiono é o seguinte: é melhor e atingir um público que realmente anda de moto todos os dias e que se tornará consumidor / brand lover a longo prazo ou permanecer com o público que usa a marca apenas como hobby? O que é mais lucrativo a curto e médio prazo, que no final das contas é o que a empresa quer?

    As Indians e a Triumph estão mandando muito bem no primeiro quesito e pelo visto já estava começando a incomodar a Harley.

    Abraço!

  5. Replicando uma resposta que dei no Fórum Harley:

    A solução para a linha 2018 é simples: não gostou? Não compre.

    Gostou? Tira o escorpião do bolso e compra a moto.

    Muitos comentam sobre a morte da Dyna: a Dyna já vai tarde. A moto ficou totalmente ultrapassada, no Brasil mais ainda com a manutenção do TC 96, e nada mais normal que tivesse a linha encerrada.

    O conceito que envolvia a Fat Bob, a Street Bob e a Low Rider permanece vivo nas novas versões softail, apenas corrigiram erros que todos estão cansados de conhecer e gastar dinheiro para consertar.

    A grande injustiçada com a morte das Dynas foi a Wide Glide. A Breakout não vem do mesmo conceito e é uma substituta bem fraca à quem está procurando pela Wide Glide.

    Do mesmo modo, quem acha que as antigas vão valorizar ou que as Dynas serão elevadas ao posta de “clássicas” com a descontinuação da linha, esqueçam.

    O fato novidade vai impulsionar as vendas inicialmente, mesmo tendo um aumento nos preços (não acredito que os preços inicialmente divulgados serão o parâmetro para 2018), e em seguida entra a turma desavisada que não consegue ver as diferenças entre um motor Evolution e um Revolution, e muito menos entre um Twin Cam A e B. Essa turma que vive o sonho da primeira Harley vai comprar as softails M8 sem sequer pensar se está comprando um modelo “clássico” ou um modelo “renovado”. Eles querem é comprar a primeira Harley, o primeiro capacete HD, a primeira jaqueta HD e por aí em diante.

    O M8 e as motos renovadas não são para o público já fiel. São para fidelizar um novo público.

    Nós, os dinossauros, vamos olhar sem ver uma HD na nova Fat Boy ou na nova Fat Bob. Nossos parâmetros são outros.

    É claro que entre os dinossauros sempre vão existir aqueles que vão se render a um conjunto mecânico superior, que dê maior prazer na pilotagem. Esse vai ser o meu caso, tenham certeza.

    Eu gosto de pilotar uma moto que me proporcione o prazer de entrar em uma curva e sair acelerando. Se der para acelerar sem ter ficar consertando a trajetória da traseira, melhor ainda. Nisso o M8 é muito bom (já andei em uma Limited M8 e o motor responde bem melhor que o TC) e se o quadro das Softails for tudo que isso que estão prometendo você vai ter não mais uma Fat Boy que você precisava fazer força na entrada da curva, mas sim uma bailarina que vai deitar ao menor sinal de contra-esterço.

    É esperar para ver.

    E para quem quer uma clássica, recomendo comprar uma Softail Slim que juram estar no catálogo ou encarar uma RK Special que também juram estar no catálogo. Sempre existe a boa e velha Sportster com seus mais de 60 anos em atividade.

    Ou para os puristas recomendo garimpar uma boa Shovel ou uma Evolution/TC carburada.

    Ou seja, continuamos tendo HD para todos os gostos.

    1. Estranho…. nunca achei a Fat Boy ruim de curva, a ponto de ter de “fazer força”. Entro raspando pedaleira e saio da curva acelerando c força.. e é uma 2007 com motor TC 96… A menos que eu é q nunca tenha experimentado outra moto melhor… mas p mim, continua sendo um imenso prazer arrastar a velha gorda pela estrada!

  6. Brothers, assisti varias e varias vezes os vídeos de apresentação dos novos modelos, conceitos, dinamicas, estruturas, contrastes etc. Vi toda as apresentações possíveis e imagináveis, todos os contextos e informações sobre equilibrio, relação peso x potência, desempenho. Li diversos artigos sobre essa nova campanha da HD buscar um publico mais jovem, tentrar atrair gente de outras áreas, e também de parar a migração para os lados das bigtrails, dentre outros.
    Nesta última tarde de sexta, sentei na minha garagem, e fiquei olhando para minha Fat e também para sua nova irmã, a Vulcaneira 800 carburada, e pensei comigo mesmo. Sabe no que essa modelagem da HD, essa nova tendência me afeta?
    Em ABSOLUTAMENTE nada, pq em primeiro lugar, jamais me dispunha a comprar uma moto dessa 0 km. Em segundo lugar, não pretendo me desfazer da minha Fatuxa, talvez um dia para pegar uma RoadKing, quem sabe (não curto muito a linha da Electra), acho que a Road seria o meu limite no que diz respeito as HD´s.
    Cada vez mais eu vejo que a customização é a solução! Sua moto do seu jeito, unica e com seu estilo próprio.
    Quem sabe um dia, isso vira uma máxima.
    Grade abraço!

  7. Nenhuma das HD´s modernas possuem chaves de ignição. Quero ver quando acabar a bateria desse porra, que eu não sei o nome, no meio da estrada? Já retiraram o kick start a muito tempo em todas as motocicletas. Dessa vez a exaltada “modernidade” foi longe de mais!

  8. “…Do mesmo modo, quem acha que as antigas vão valorizar ou que as Dynas serão elevadas ao posta de “clássicas” com a descontinuação da linha, esqueçam…” TOMARA BICHO…

    Estou ainda na fase de juntar as moedas, mas dentro de uma realidade, nem penso nessas motos 0km, mas sim numa Dyna ou Sporster de 2000 pra baixo… ;) Torço muito para que caiam de preço cada vez mais… \o/

    1. Só p avisar: as de 2000 p baixo estão muito mais caras do que as 2005, 2008… sabe p q? P q agora inventaram um “raio gourmetizador” que atingiu a cabeça dos manés e eles realmente acreditam que as carburadas são melhores do q as injetadas. Quando na verdade, a única diferença em favor das carburadas é o pocotó, pocotó q elas fazem na lenat, se estiverem bem reguladas. P q acelerando, o ronco é o mesmo, o desempenho das injetadas é muit melhor, mais rapidas, mais economicas, mais precisas… e não adiante me dizer que “o carburador vc arruma em qquer lugar e a injeção ninguém conserta”, p q em primeiro lugar: eu ja naõ saberia arrumar um carburados (ou dois) na beira da estrada e em segundo lugar: nunca vi uma injeção HD dar pane…
      Desculpem o desabafo, mas é só p apontar o amigo p lado certo na hora de comprar uma moto. Não vá me pagar 35 mil por uma Sportster 98 só p q ela faz pocotó… hahahha

  9. Cara, desculpem, mas tudo isso é mimimi. Se você faz as Dynas, que eram bichoque, mudarem para um quadro melhor e falso hartail, como isso pode afetar o visual clássico?! É justamente o contrário. Tiraram aquelas molas horríveis e limparam o visual das motos. E as Softail continuam a mesma coisa. Falso hartail. Imperceptível a 2 metros.
    O mimimi faz parte. Deve ter tido muito mimimi quando: acabaram as hardtail, acabou a partida no pedal, acabou a carburação, acabou o freio a tambor, colocaram computador de bordo, usaram rodas de liga, etc. etc. E a marca continuou vendendo e crescendo. Vivam as mudanças! As que não derem certo serão banidas, pode ter certeza.
    E digo mais! Quero uma HD com controle de tração! kkkkkk
    Abraço.

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