A Dyna se foi, a Softail meio que se foi – novidades Harley 2018

Eu tive uma Dyna. Apesar de um problema elétrico crônico que nunca foi encontrado, eu adorava aquela moto. Ainda gosto, se pudesse ela estaria na minha garagem até hoje. Não era nenhuma FXR, mas era o mais perto que eu ia chegar.

Por isso que eu fico um pouco triste de dar essa notícia para vocês. Sim, a Dyna saiu de linha. Aliás, a Softail saiu de linha, porque o que a Harley lançou hoje é algo bem diferente. Os modelos das duas linhas foram unificados no que podemos apelidar de “New” Softail, um novo frame que abandona os amortecedores laterais da Dyna e os que ficavam sob o quadro da Softail.

O novo frame é mais moderno, mais rígido e com menos soldas para deixar as motos mais estáveis e com melhor dirigibilidade, algo que os consumidores estão pedido há tempos nos EUA. O novo amortecedor vai ficar escondido debaixo do banco em uma posição que deve ajudar ainda mais na rigidez do conjunto. O motor também não vai usar nenhum coxim, sendo fixado diretamente no quadro como nas antigas Softails, mais um item que aumenta a rigidez do conjunto.

(Só quero ver agora como o pessoal vai rebaixar as motos. E aguardo descobrir se esse novo amortecedor vai dar conta das ruas do Brasil.)

O lado bom é que o visual conseguiu ficar ainda mais limpo e mais semelhante com uma moto rabo duro, que era justamente a ideia por detrás do quadro da Softail: fingir que era algo old school quando na verdade não era, uma coisa que a Harley gasta rios de dinheiro para fazer (e faz bem).

As motos chegaram a perder até 13kg, o que é algo QUE O MARKETING NEM DEVERIA MENCIONAR! Sério Srs e Sras executivos da Harley-Davison: olha quanto Harleyro barrigudo tem por aí nos EUA e pelo mundo (tô me incluindo nessa). Olha os acessórios de metal fundido, pedaleira plataforma de dois quilos e os escapes maiores que um Cadillac que a galera põe nas motos. Ninguém liga pro peso. Talvez 2% do seu público alvo esteja preocupado com peso, e são provavelmente os mesmos que vão vender a HD pra comprar uma cafe racer.

Falando sério, isso é bom. Economia de peso ajuda na frenagem, ajuda no desempenho, na economia e na hora de manobrar. É pouco peso que elas perderam, mas é um começo, especialmente quando se percebe que essa é a primeira vez que a Harley menciona o assunto.

Com o novo frame, as motos também melhoram nas curvas (que, depois da redução de peso, é outra coisa que a Harley nunca se importou muito). Nas curvas, a Softail Slim foi de 24.9º de inclinação na esquerda e 24 de inclinação na direita para to 27.4º em ambos os lados. É uma bela mudança e que acaba com aquele sensação horrível de que você faz curva melhor de um lado do que para o outro (o que não deixa de ser verdade, mas a sensação piora quando a moto é assimétrica nesse quesito). Já a Fat Bob continua assimétrica, mas ganhou um pouco mais de cada lado: 32º na esquerda e 31º na direita.

Uma das coisas que ajudou nisso foi a mudança de lugar da primária, que foi levemente deslocada para cima e em ângulo para não raspar tão cedo. Curiosamente, esse é o tipo de customização que era feita pelo pessoal das antigas que transformava as Harleys em bobbers para correr mais.

E antes que alguém saia com ideias por aí, o ângulo de inclinação de uma R1 é de 47º mais ou menos. A Harley ainda vai continuar fazendo curva quadrada, a menos que você seja esse cara aqui:

Todas as motos possuem suspensão regulável na traseira, com um acesso muito mais fácil por debaixo do banco. A suspensão dianteira melhorou também e os pilotos de teste das revistas gringas que tiveram acesso antecipado ao lançamento falaram muito bem da performance geral das novas motos.

E já não era sem tempo: os novos motores Milwaukee-Eight (M8) mereciam um conjunto melhor para botar toda a potência no chão. Aliás, sim… Esse é o motor que vai estar em toda a linha “new Softail” (sim, eu tô inventando esse termo). Digam adeus ao Twin Cam.

Todas as motos agora contam com ignição sem chave, que agora só vai ser usada apenas para a trava de guidão. Outras firulas foram incorporadas nas motos, e aí que entra a má notícia:

Todas… as.. motos… estão… mais… caras. Algumas um pouco, outras consideravelmente.

Com o dólar no preço que está, e com a economia engatinhando, não quero nem saber por quanto essas motos vão chegar por aqui. Deixo isso para o Wolfmann que faz previsões e análises sobre o tema melhor do que ninguém. Eu vou ter que vender meu rim pra comprar uma moto nova algum dia pelo visto. Ou rodar bolsa como dizia a minha avó (dizia, e não fazia engraçadinho).

Em resumo: uma bela mudança, que certamente deixou as motos muito mais prazeirosas de dirigir. O visual é questão de gosto, alguns vão amar e outros odiar modelos como a Fat Bob. Eu confesso que me interessei, é aguardar e ver como elas chegarão por aqui.

(PS: Ei, Harley… Vocês podiam parar de fingir que eu não existo e deixar uma dessas pra eu testar! Fica a dica… A galera aqui ia gostar. E garanto que eu ia fazer umas fotos bem mais legais do que essas revistas de consultório de dentista onde vocês divulgam os releases. #paz #ficaadica)

Street Bob 2018
Fat Bob 2018
Low Rider 2018

Se você tiver paciência, e souber inglês, veja a Live da Harley no YouTube com todos os lançamentos:

20 ideias sobre “A Dyna se foi, a Softail meio que se foi – novidades Harley 2018”

  1. Excelente texto, claro explicativo e inteligente. Como eu disse em post anterior aos criticos ferrenhos as novas mudanças:
    “É pra frente que se anda” e a HD nao poderia ficar parada no tempo.
    Para isso existem e são importantes os Museus, respeita-se o passado, mas não se pode viver por lá
    PS: Guarda um cantinho, que tb vou rodar bolsinha kkkkkkkkkk

  2. Eu dei minhas impressões no meu blog. Apenas do ponto de vista estético. Pois não tenho capacidade de falar tecnicamente e não sou purista. A princípio toda melhoria me soa bem vinda.

    Esteticamente, porém, eu acho que a HD fez foi uma bela de uma cagada. Não me importo muito com outros modelos e me concentrando na Deluxe (que matou o retrô) e a Heritage (que de Classic não tem nada), detestei o “visual de fábrica”.

    Sim, em termos estéticos, tudo tem solução. O problema é que as motos, para o meu gosto, vinham quase prontas. Agora vai dar um trabalhão. E a que custo? (For o próprio custo das motos.)

    Detestei.

    (PS: Eu já tinha poucas esperanças em adquirir um modelo zero, ou próximo disso. Agora não tenho esperança alguma.)

  3. Um dia terei uma HD e quase se concretizou este ano, vai atrasar um pouco, mas confesso que moto “zero” aqui no Brasa está fora de cogitação… rsrsrsrs
    Vai ser uma Sportster ou Dyna mesmo lá pros anos 2000 onde o design era o essencial… Ando igual velho mesmo, não gosto de correr, então se fizer pouca curva ou muita vai dar na mesma…
    E como sempre um excelente texto e ponto de vista!!!
    Não pare!!! \m/

  4. Gostei das atualizações tecnológicas, tipo quadro, suspensão, motorização etc…
    Não gostei do visual da Fat Boy (que é a minha). Tá parecendo japonesa. Aquele farol nem quadrado nem redondo. Parece que ficaram na dúvida e cagaram.
    A Heritage está aceitável.
    A Deluxe parece que está com crise de identidade. Parece que quer parecer antiga com roupa nova.
    Das tourings sempre gostei mesmo da Road King, o resto não me interessava. E a RK manteve mais ou menos o mesmo design e estilo, então pra mim tá OK. Se um dia puder trocar minha Fat vou de RK, pq esta Fat nova tá feia pra caramba.

  5. Curti demais a FatBob.
    Pretendo tê-la, mas acho que será salgada demais pro meu bolso… o jeito vai ser esperar uns 2 anos e procurar uma usada.
    Ainda mais porque não está em cogitação vender minha XR1200X… ou seja, bancar uma moto do zero vai ser complicadaço!

    1. Ficou animal a Fat Bob, né? Parece um veículo tático, de exploração. Eu acho que intensão foi fazer uma Scrambler, mas sem dizer que ela é uma para não gerar mais polêmica. Abraço

  6. As mudanças relacionadas a quadro, motor, aumento de performance me parecem muito boas. E muito bem-vindas! Gostei!
    As mudanças de visual, algumas não me agradaram tanto. ALGUMAS. Na maioria eu até gostei. Fat Bob ficou bem diferente, mas achei animal! Curti!
    A Deluxe que achei que perdeu a identidade um pouco. E a Fat Boy, que apesar de eu gostar do paralama traseiro mais curto, acho que não deveriam ter cortado. Era uma identidade do modelo, desde 92 tinham as mesmas linhas. Mas como falei, achei que ficou bonito, aparece melhor o pneuzão 240mm.
    Ah, e o guidão da Fat Boy parece mais fino, acho que diminuíram para 1″…. Era uma das coisas que eu gostava bastante na Fat.

  7. A HD está abandonando algumas estéticas… que não agradará muita gente, inclusive eu, mas muito “coxinha” irá gostar e gastar para ter… Bussines..Bussines… e talvez assim morram lendas e ficam na memória, a marca segue forte nos USA, aqui ela engatinha e sofre pela crise, ainda que, muitos aqui irão adquirir, afinal a custoesportiva vroad fez sucesso aqui, e foi fracasso no resto do mundo, saindo de linha… algo que em uma marca modelos duram muitos anos, a vroad durou pouco comparado aos atuais. A Vroad era considerada um alien dentro da imagem HD, talvez até mesmo dentro da empresa, não sei. Talvez o estudo de mercado esteja apontando para as mudanças feitas.. mas não é garantia… e não acredito que tenha acertos em alguns modelos… Me refiro sempre a estética… tecnologia faz parte da evolução, a estética e também é aquilo que esperamos quando queremos uma Harley…aquilo que víamos na TV, não uma Americana com olhinho puxado… Abraços!

  8. Acredito que pensando no mercado americano (o principal) a e a preferência do consumidor local pelas motos maiores, a Harley deixou modelos consagrados ainda melhores (RK, RK Special, Road Glide, Special e CVO, demais tourings estão sensacionais) e resolveu apostar num novo consumidor para os demais modelos, deixando por exemplo a Slim para os mais “puristas”.

    Obviamente que trata-se de uma empresa e o objetivo principal é o lucro, agora se a estratégia vai se concretizar, só o tempo dirá. As mudanças podem não agradar um novo público e ainda distanciar o público antigo ou, a Harley pode ter acertado em cheio aquele público como o seu amigo que, quando sabe que você tem uma harley, diz que gosta de harley mas gosta daquela lá – que você descobre ser a Vrod :/ Talvez esse público goste dos modelos novos.

    Pessoalmente também pode ser que a coisa mude um pouco de figura, nada como olhar, sentar e rodar, pra formar uma boa opinião.

    E como disse uns amigos meus, muito brasileiro gosta de ter moto e não de andar de moto. Que as motos chamarão atenção, isso não há dúvida.

    Aqui ficarei na espera do primeiro coxinha que for se desfazer da sua RK Special (se vier) com preço bem abaixo do mercado. Talvez eu tenha que esperar sentado.

    PS: Mais um ótimo texto Bayer, parabéns!

    PS2: e o Wolffman te chamou de preguiçoso, ah eu não deixava HAHAHAHA brincadeira a parte, o post dele ficou excelente também.

  9. Vamos lá por pontos:
    1. Acho que o uso do novo quadro na Dynas melhorou as “Dynas”, tanto visualmente como em termos de ciclística. Mudaram muito pouco visualmente, exceto a Fat Bob. Evolution!
    2. A Fat Bob é a Scrambler da HD. Eles mesmos falam que é a “comedora de buracos”. Acho que ficou com visual tático, tipo veículo militar, ousado. A Fat Bob é a moto eleita pela HD para ousar. Eu gostei.
    3. A Fat Boy foi a tragédia da vez. Quiseram fazer uma concorrente da Diavel, Vmax, etc. Eu teria feito uma Fat Boy magra, com rodas sólidas de fibra de carbono, nneus mais estreitos que os atuais, uns 20 mm (180 mm atrás e 120 mm na frente), incorporado toda a tecnologia (LED, etc.) e resgatado um pouco do visual da primeira de 1991, mas fazendo a bike parecer imponente e leve ao mesmo tempo, até com uma pegada mais urbana.
    4. Vejam como é o gosto. Sempre odiei a Heritage. Agora eu gostei da nova.
    5. Adorei a Deluxe. Incorporou bem os LEDs. Seria a moto que compraria dessa nova linha. Só os piscas poderiam ser menores. São muito grandes. Mas a moto continua muito clássica.
    6. A Softail Slim vai tomar o lugar da antiga Fat Boy e a Breakout continua praticamente a mesma coisa.

    No fim das contas, acho que faltou mais ousadia. Como escrito no blog, perdeu peso, mas foi insignificante. Acho que deveria ter perdido 70 kg, no mínimo. As motos da Ducati estão aí para provar que a moto pode ser grande e leve. E o preço das Ducati não são diferentes dos da HD.

    Abraço.

  10. Meu sonho a muito tempo “caiu ” de uma fat para uma 48 , caiu principalmente pq a a 48 ” tá mais dentro da minha realidade ” , pq é uma moto mais pra uso urbano ( o tanque dela deixa isso bem claro ) e a 48 e bem mais old e pra ser sincero é isso q eu procuro numa moto , nada contra as mudanças feitas nas motos, a fat por sinal ficou linda mas pelo andar da carruagem teria q vender um rim e uma córnea pra comprar uma .

  11. Tenho uma Dyna FXD 2008, uma das primeiras que dizem serem montadas no Brasil, na Loja Imocx em Curitiba. Tenho ela até hoje e está quase com 40.000 km – nunca tive problema elétrico como mencionado no início do texto. Continuo rodando com ela há 09 anos e considero uma excelente moto. Talvez, se as coisas melhorarem compro uma dessas novas, mas não pretendo vender a minha velha companheira Dyna.

  12. Excelente texto…

    Eu acho que a HD fez uma mudança muito radical, em todos os sentidos.

    Nada contra ela se modernizar, nada contra ela buscar nova clientela, ok.

    O problema foi ignorar os velhos clientes.

    Modernizassem tudo nas motos, mecânica, conforto, etc…

    Minha bronca vai para o que fizeram com a Heritage… com a Fat Boy e a DeLuxe…

    Mataram a heranca da marca… a Heritage tem seu visual inspirado na mítica Duo Glide de 1958… eles f… a moto… odiei…

    Pelo visto vou me casar com minha Heritage 2017…

    E outra, não acredito que esse amortecedor monochoque é melhor… nunca… principalmente no nosso lixo de asfalto…

    RIP HD Heritage Softail Classic…

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