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Cinco mitos sobre as reduções de velocidade

Excelente artigo no Flatout. É longo, mas vale ler e refletir se a finalidade é realmente salvar vidas em nossas cidades:

Cinco mitos sobre as reduções de limites de velocidade

Aliás, eu fui muito criticado neste post aqui quando disse só o radar não adianta. Entendam, eu não sou louco, nem quero ver ninguém morrendo. Se fosse assim, não escreveria tanto sobre segurança aqui no Old Dog Cycles. Sofri recentemente um acidente com minha família, que poderia ter tido um final trágico, justamente por causa de alguém em alta velocidade.

O problema é que eu seria hipócrita de dizer que o radar mudaria algo, porque haviam dois radares a menos de 100 e 500 metros de onde eu estava, sem falar na base da polícia Rodoviária logo à frente. O principal fator foi que o cidadão estava bêbado e não tinha carta, porque era menor de idade.

Ou seja, os dois maiores erros nesse acidente (bêbado e sem carta) não são resolvidos com um radar, e sim com uma fiscalização de verdade. Quem aqui não vê gente fazendo barbaridade na estrada sem nunca sequer ser parado? Ou que leva multa, mas segue dirigindo tranquilamente com 100 pontos na carteira?

Esse trecho aqui reflete bem minha opinião:

(…)uma fiscalização concentrada em cinco ou dez infrações (uso do celular, cinto, capacete, estacionamento irregular e regulamentado, conversão proibida, rodízio, limites de velocidade e semáforo vermelho), faz com que os motoristas se preocupem apenas em não cometer estas infrações. Como resultado, temos motoristas que respeitam limites de velocidade, mas estacionam sobre ciclofaixas, fazem conversões sem sinalizar (o que é perigoso para pedestres, motociclistas e ciclistas), ultrapassam veículos parados para a travessia de pedestres entre outras infrações que podem causar graves acidentes. Já falamos sobre como essa ação do poder público banaliza as demais infrações tão perigosas quanto dirigir rápido demais neste post.

Assim, se o interesse da fiscalização é, de fato, salvar vidas, porque há um foco evidente da fiscalização manual em infrações leves?

Quero deixar bem claro que o que eu tento sempre trazer aqui para o blog é o debate, talvez para abrir os olhos de muita gente que as coisas não se resolvem apenas por decreto ou na canetada. A democracia foi fundada por pessoas que debatiam, filosofavam inteligentemente e chegavam a uma conclusão. Sinto falta disso.

O mundo é um lugar complexo, cheio de variáveis. Se uma solução parece simplista demais, é porque geralmente ela é.

Questione sempre, duvide de tudo.

Levar um tombo é inevitável?

Beijar o asfalto.
Comprar um terreno.
Levar um rola.
Ir pro chão.
Dar um Kaput.

Diz aquela velha frase que só existem dois tipos de motociclistas: os que já caíram e os que ainda vão cair. Ontem foi minha vez. Apesar de não ser o primeiro, foi certamente o mais idiota.

Culpados? Da parte do motorista, uma bela fechada no meio de uma curva em U. Da minha parte, uma curva muito mais ousada do que o bom senso manda ter na cidade, ainda mais na pequena Crypton, a motinho que eu uso pra bater no dia a dia. (pensando bem, depois desse acidente, acho melhor parar de me referir à ela assim)

Não sou daqueles que, depois de um acidente, ficam fazendo engenharia reversa e dizendo que fizeram isso ou aquilo, que derraparam a moto de propósito, deitaram ela, fizeram um RL e bla bla bla. Como dizem os americanos, isso é bullshit.

Essas coisas acontecem em milésimos de segundo e quem assume o controle nessa hora são seus instintos. Quem fica inventando muito ou está mentindo ou está tentando se enganar. No meu caso foi simples: a moto já estava raspando a pedaleira no chão, quando um carro ultrapassou o sinal e veio me abalroar lateralmente, eu não tinha mais nenhum ângulo pra onde fugir e fui pro chão.

É por isso que eu sempre digo que precisamos ter um limite de sobra quando andamos nas ruas. Se a gente já está no limite do que a moto ou a nossa habilidade podem fazer, nossos créditos estarão esgotados em caso de emergência.

No meu caso, a conta veio na forma de calça rasgada, jaqueta de couro ralada, joelhos e cotovelos esfolados, uma baita dor nas costelas e uma maior ainda no orgulho.  E, claro, um monte de plástico pra se trocar na motinho.

Mas isso me lembra uma coisa que a maioria dos leigos adoram repetir na nossa cara: moto foi feita pra cair.

Motos foram feitas pra cair?

Não. Motos foram feitas para ficarem de pé. Preferencialmente com o lado da borracha para baixo. Apesar de possuírem muito menos segurança passiva do que um carro, com seus airbags e célula de sobrevivência, em teoria temos mais segurança ativa. Isso significa que se a gente souber usar, muitas vezes teremos mais chance de escapar e desviar de um acidente do que um carro.

Muitas vezes, mas não todas.

Anos atrás o Wolfmann fez um post ótimo cuja leitura eu recomendo na íntegra aqui. Mas um trecho em específico sempre ficou na minha cabeça, por isso eu vou tomar a liberdade de reproduzi-lo:

Todo mundo cai: tombo bobo, acidente grave ou simplesmente não agüentar o peso porque pisou em um folha solta no chão. E quando não é isso, foi porque algum infeliz achou que o carro passava no espaço deixado pela moto e vai dividir faixa entre a moto e outro carro, distraiu com o rádio, celular, filho no banco traseiro e assim por diante. São vários relatos assim. E nem comento as imprudências do dia a dia que nós mesmos fazemos porque entramos em “psycho mode” depois de se aborrecer em casa ou no trabalho.

Moto vem sendo minha companheira há mais de trinta anos e nem por isso esqueço como é perigoso (e fica cada dia mais perigoso) usá-la. Não vou desistir de pilotar, mas não dá para esquecer disso.

Treinar manobras de emergência até virar reflexo condicionado, procurar oportunidades para manter e avaliar sua pilotagem nas várias condições (até um passeio coxa do HOG serve para você se avaliar na estrada ou pegar chuva voltando para casa).

(…)

A idéia é chegar aos 90 de idade em cima de uma moto (provavelmente será um Trike ou terá marcha a ré porque o corpo mão vai agüentar o esforço), mas para isso tem de usar o que já aprendi e prestar atenção a alguma coisa que ainda preciso aprender.

Calouros caem porque não tem quem mostre onde pode a acontecer um imprevisto ou onde eles falham. Veteranos caem porque não tem humildade para receber uma crítica.

Mas todo mundo cai.

Amigos, boas estradas para vocês. E por favor, mantenham o lado com a borracha virado para baixo.

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Club Bikes: as customs feitas para correr

Esse vídeo está no Instagram da Club Style Dyna Thailand, dedicado ao estilo Club Bike, que foi popularizado pelos motoclubes americanos e, mais recentemente, pela série Sons of Anarchy.

Não preciso nem dizer que, apesar da evidente habilidade do piloto em questão, o que ele está fazendo é extremamente perigoso, ainda mais considerando que o cara fez um drift involuntário em alta velocidade usando apenas camiseta e jeans. Um tombo nessa velocidade, numa estrada dessas e sem usar proteção significa, no melhor cenário possível, vários dias no hospital.

O que são club bikes?

As Club Bikes surgiram quando os MCs começaram a procurar por uma custom americana (pré-requesito para fazer parte de muitos clubes nos EUA) que fosse rápida e ágil. Desde a metade dos anos 90, a Dyna é sem dúvida alguma a club bike favorita, já que ela é um pouco mais leve, utiliza comandos centrais e possui uma posição de pilotagem mais alta do que as Softails, o que favorece a ciclística nas curvas.

Mas, por muitos anos, a menina dos olhos dos clubes foi uma moto pouco conhecida por aqui, mas que até hoje é disputada a tapa entre as usadas: a Harley-Davidson FXR, que teve em sua equipe de projetistas ninguém menos do que Eric Buell.

FXR: a primeira club bike

Quando foi lançada em 1982, a FXR prometia ter o mesmo desempenho de motos japonesas da época. E, assim como Dyna que a sucedeu, ela também possuía um banco mais alto e comandos centrais elevados, o que a tornava a Harley com o maior ângulo nas curvas que já havia existido até aquele momento. O quadro era bem rígido e reforçado, com diversas soldas feitas à mão, uma vantagem que se tornaria justamente o seu calcanhar de Aquiles: fabricá-lo custava muito caro.

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A FXR era muito estável em altas velocidades, já que usava mais pontos de fixação entre a transmissão e o motor, o que fazia com que ela se comportasse como se fosse uma moto com motor de construção única, dando mais rigidez ao conjunto. Essa solução foi abandonada na Dyna, o que leva muitos proprietários a instalarem soluções como o True-Track para estabilizar o chassi, já que algumas Dynas possuíam um problema crônico de shimming (eu experimentei um a 150km/h e posso afirmar: nunca quero passar por isso de novo).

A era das Dynas

Mas no final dos anos 80, temendo que a FXR ficasse muito similar com as motos importadas e não entregasse a “imagem” que os consumidores esperavam de uma Harley, os projetistas começaram a trabalhar na Dyna, cuja a missão era ser uma FXR mais barata de ser fabricada, mas com qualidades semelhantes. Em pouco tempo a Dyna canibalizou a linha FXR, que saiu de linha.

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FXR, que ficou ainda mais famosa com o filme Harley-Davidson e Marlboro Man.

Com o tempo, os clubes foram substituindo a FXR pela linha Dyna, que, apesar de possuir um frame inferior ao da FXR, ainda sim era mais ágil que as Softails da época.

Como o estilo se baseia na função antes da forma, a maioria das alterações são para melhorar o desempenho. Não é raro ver bike runs de grandes clubes com a galera andando em formação a mais de 170km/h e costurando pelo trânsito, algo ilegal na maioria dos estados Americanos.

Obviamente que Dynas não são unanimidades, existem diversos outros membros de MCs com outros modelos e estilos de motos. Mas por ter sido um dos estilos mais populares, as Dynas e FXRs acabaram ficando com a fama.

Alguns exemplos de Dynas no estilo Club Bikes:

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E um featurette sobre as motos do seriado “Sons of Anarchy”:

 

Moto GP – O guia pra quem quer começar a acompanhar

Esta semana começou no Qatar uma das competições mais importantes do mundo das duas rodas: o MotoGP. E se você tem vontade de começar a acompanhar, esta é sua chance: neste domingo 19, às 15:00 de Brasília, vai ser dada a largada para a primeira corrida da temporada de 2016.

Antes de explicar um pouco para os não iniciados um pouco sobre a competição, vou dar alguns bons motivos para você dar uma chance e assistir:

1) As motos chegam a atingir velocidades em torno de 345km/h.

É isso mesmo, 345km/h protegidos apenas por um macacão de couro e bolas de aço. A média de velocidade das motos durante a corrida é de 160km/h, sempre em circuitos com curvas emocionantes. E lembre-se: tudo isso sobre duas rodas.

2) A relação peso potência chega a ser pornográfica

A motos são de 1000cc e possuem em torno de 250hps de potência, tudo isso em apenas 160kg de peso! Pra você ter uma referência, uma Twister 250cc pesa quase 140 kg e uma Hornet 600cc pesa 193kg. Já esses demônios do MotoGP possuem quase o triplo da potência da última, com um peso parecido com o da primeira.

3) Eles fazem curvas em cima de uma moeda de 1 real

É isso mesmo. A área de contato dos pneus inclinando a 55º nas curvas é ligeiramente maior do que o diâmetro de uma moeda de 1 real. Daí a importância de se escolher o pneu certo para cada pista e clima, sem falar na tecnologia do composto. Cada par deles custa a bagatela de R$4.500.

4) É preciso ser atleta para correr

O esforço físico durantes as corridas, seja controlando a moto ou suportando a força G, chega a fazer com que os pilotos percam dois litros de suor. É uma atividade física intensa, não deixe o biotipo de piloto de jockey de alguns pilotos enganar você.

5) Eles usam macacão com protetores. E só!

O macacão é feito de couro de canguru, extremamente maleável e resistente, mas por baixo dele existe uma série de protetores em pontos estratégicos. Mesmo assim, é infinitamente mais corajoso andar nessa velocidade somente com isso, do que dentro de um carro com célula de sobrevivência e cinto de segurança.

6) O Grid é repleto de campeões

Entre os 21 pilotos deste ano, existem 10 campeões mundiais, que somam um total de 27 campeonatos entre eles.

E o que eu preciso saber pra acompanhar?

As 4 motos que você vai querer se focar inicialmente são as duas Hondas e as duas Yamahas oficiais. Nelas estão Valentino Rossi (um dos maiores pilotos de todos os tempos, e o quase campeão de 2015), Jorge Lorenzo (o atual campeão), Marc Marquez (o novato bicampeão que teve o arranca rabo com o Rossi ano passado), e Dani Pedrosa (que, bem, é um puta piloto mas esse ano está apenas feliz de estar entre os top 4).

Esses caras são os chamados de Aliens pelos fãs e por outros pilotos graças suas fantásticas habilidades. Todo mundo que está lá é um piloto muito acima da média, mas esses caras são alienígenas.

Ano passado a Suzuki voltou para a pista e a Ducati conseguiu chegou a beliscar vários pódiums. Este ano, a Aprilia também voltou para a competição, apesar de muitos não considerarem uma estreia, já que a fabricante estava fazendo testes disfarçados em uma das equipes “não-oficiais”.

Calendário

O calendário oficial prevê 18 corridas. Basicamente os treinos são de quinta e sexta, com classificatórias principais no sábado e a grande corrida no domingo.

O horário de cada corrida, assim como o calendário completo, você encontra no ótimo site oficial: http://www.motogp.com/en/calendar/.

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Você vai precisar clicar em Schedule & Results para ver quando será cada etapa. Não esqueça de selecionar “Show local time” para ver a hora que a corrida irá passar no Brasil.

Mas como eu gosto de vocês, segue o calendário completo deste ano, com os horários de Brasília:

Calendário 2016

Para quem gosta de dados, o site oficial é um prato cheio. Ele é repleto de informações e estatísticas, especialmente para quem assina o VideoPass. Quem ganhou quando, temperatura da pista, recordes e muito mais. Ano passado você ainda contava com uma versão dele em Português, mas infelizmente não está mais disponível até o momento da publicação deste artigo. No entanto, ainda existem diversas outras línguas à sua escolha, como Espanhol e Italiano.

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Onde assistir?

No Brasil, você assiste pelo SporTV e em Portugal no Sport.TV. Acompanhar no Brasil é um exercício de paciência, eles ficam jogando as corridas entre os três canais SporTV, muitas vezes cortando a competição. Tem que ficar ligado para assistir ao vivo, já que os compactos não são confiáveis. Em Portugal, geralmente é mais tranquilo acompanhar.

Você também pode assistir online com o pagamento do VideoPass, que custa a bagatela de R$ 571. Apesar de ser muito interessante e muito bem feito, é um valor absurdo, mesmo para os fãs. E não adianta tentar procurar pirata, os caras são bons em derrubar e tirar vídeos do ar.

Acho que isso é o básico. De resto é sentar no sofá e torcer! Garanto que é viciante.

Porque você decidiu ter uma moto?

Peter Egan, da revista Cycle World, é um dos meus jornalistas favoritos. No seu livro Leanings, ele faz uma reflexão sobre o que o levou a comprar sua primeira uma moto.

Para ele, o que catalizou uma decisão que mudaria sua vida inteira, foram os poucos segundos da introdução do filme Lawrence da Arábia.

A cena acima é a que ele se refere. Começa com auma Brough Superior vista de cima, estacionada em um quintal. Um jovem se aproxima dela com um pano em mãos e começa a cuidar da moto, carinhosamente. Coloca óleo no tanque lateral, passa uma flanela com delicadeza. O dia parece ser uma preguiçosa manhã de domingo, daquelas que você acorda cedo para dar um rolé.

Depois de todo esse ritual, o rapaze em cena coloca um par de óculos de aviador. Vemos o close de uma botam, que dá um chute firme no pedal de arranque, fazendo a moto pegar de primeira. O imponente V-Twin começa a rugir e ele parte através de uma belíssima estrada rural.

O sorriso no rosto que ele carrega nessa cena, é algo que só quem já andou de moto por pura diversão consegue entender.

Petar Egan tinha apenas 14 anos quando viu esse filme, mas foi fisgado imediatamente. Daquele dia em diante, ele sabia que as motos seriam uma parte importante da sua vida.

E essa certeza só aumentou quando, alguns dias mais tarde, ele se encontrou no meio de uma estrada nos EUA, pedindo carona para chegar em um ferro velho que ficava na próxima cidade. Duas Harleys se aproximaram, e um dos motociclistas fez sinal para que ele subisse na garupa. Mas ao invés de ir até o ferro velho, ele terminou o dia em uma loja de motos com os tais motoqueiros, ouvindo as histórias e fuçando pelos cabides e armários de peças da loja (um hábito que ele diz não ter perdido até hoje).

Anos mais tarde, um amigo perguntou como foi que ele se interessou por motos. Depois de Egan contar a história, seu amigo deu um pulo: “Deus do céu, eu assisti Lawrence da Arábia no mesmo ano e prometi que eu nunca ia subir em uma moto! Ele morre na porra primeira cena, logo no começo do filme!”

Egan apenas deu de ombros. Sim, o cara morria, mas aquele sorriso de prazer ao pilotar era muito foda. Todo mundo morre, mas nem todo mundo vive.


(Esta é uma versão revisada de um post foi publicado originalmente em 2011).

O que você faria se perdesse tudo? Uma jornada em duas rodas em busca da cura

Há um certo tempo, comecei o rascunho de um livro sobre um cara que perdia tudo, e saía de moto em uma jornada pelo mundo. A história era em parte baseada nas aventuras de Ted Simon no livro Jupiter’s Travel, e parte baseada em uma pergunta que surgiu numa mesa de bar: O que você faria se perdesse as coisas mais importantes da sua vida?

Confesso que pensar nessa pergunta me aterrorizou. No meu caso, seria minha família. Eles são a motivação maior por trás de tudo o que faço, e a razão pela qual me esforço para ser uma pessoa melhor. Eu era um adolescente rebelde, depois um jovem adulto com certas tendências destrutivas, e só fui ter foco na vida quando conheci minha esposa. Anos mais tarde, a paternidade me deu um sentido ainda maior pra vida (mais sobre o assunto no post “A paternidade e andar de Moto”).

Imaginar a perda deles, e como seria a minha reação, me fez pensar que era muito provável de que eu largasse tudo. Trabalho? Só aturo as coisas que aturo por causa deles, não tem outro motivo. Responsabilidades? Não teria mais nenhuma, a não ser cuidar de mim mesmo. Amigos? Eu estaria em um depressão tão profunda que não daria mínima para os pouquíssimos que tenho.

O mais provável da minha parte seria abandonar tudo, arrumar uma moto como a Ural, botar meu cachorro no sidecar e sair pelo mundo até minhas economias acabarem. E escrever sobre isso foi doloroso demais, mesmo do ponto de vista da ficção e criando um personagem, desisti da ideia. A história era inconcebível demais pra mim, e foi parar na lixeira junto com o rascunho de tantas outras que já comecei.

Mas se foi doloroso apenas escrever, foi muito pior descobrir que alguém passou por isso e não foi ficção.

Muito depois de ter desistido do livro, um colega me chamou a atenção de que Neil Pert, baterista da Banda Rush, passou exatamente por isso e pegou sua moto em busca de uma “cura“.

Ghost Rider: Travels on the Healing Road

No livro “Ghost Rider: Travels on the Healing Road”, Neil relata a perda de sua filha de 19 anos em um acidente de carro, assim como a morte de sua esposa Selena, apenas 10 meses depois, causada pelo câncer.

Ghost_Rider_bookDurante o funeral de Selena, ele se virou para o resto da banda e disse “Me considerem aposentado”. Logo após, ele subiu em sua BMW R1100 GS e viajou cerca de 88 mil quilômetros pela América do Norte e Central, indo Canadá até o Alasca, depois rumo ao Sul dos EUA, passando por México e Belize, terminando finalmente em sua própria casa.

Apesar de ter conhecido a história na íntegra através de outros materiais, eu nunca cheguei a ler o livro, a não ser por alguns trechos. Apesar de ser baterista, Neil também é letrista, e consegue conduzir a história com habilidade, alternando entre uma narrativa tradicional com cartas escritas para seus amigos.

O livro começa com um franco de como Neil perdeu completamente a vontade de viver e não sente prazer em mais nada. Então ele decide fugir da situação, deixando tudo para trás e ocupando sua cabeça com uma obsessão de nunca ficar parado.

Mesmo tomado pela tristeza, ele mantêm a fé de algo vai acontecer durante o viagem, mas é justamente a viagem que o faz encontrar sentido na vida novamente.

Lentamente, ele vai se reencontrando com velhos amigos pelo caminho. Ele descobre novas músicas, o que o faz querer sentar na bateria mais uma vez. Ele começa a se sentir atraído por mulheres novamente, o que lhe causa uma grande culpa, mas que ele acaba superando.

A história acaba se tornando motivacional, onde ele defende a teoria de que todos são capazes de superar as mais terríveis perdas. Essa também é a maior crítica que alguns fazem ao livro, acusando Neil de niilismo e arrogância.

Desde de que a jornada terminou, Neil se casou novamente, voltou para a banda e teve mais uma filha. Ele é o autor de 5 livros no total, incluindo um que relata o tour de 30 anos do Rush, tanto do ponto de vista da bateria, como das motos que usa para acompanhar a banda.

O livro foi lançado no Brasil pela editora Belas Letras, mas é difícil de encontrar. A versão original tem na Amazon aqui.

Não sei quanto à vocês, mas esse post me deu vontade de chegar em casa e abraçar todo mundo.

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O dia em que os Hells Angels se ofereceram para lutar na Guerra do Vietnam

Em Novembro de 1965, o então presidente dos Estados Unidos da América, Lyndon B. Johnson, abriu um telegrama um tanto inusitado em sua mesa no Salão Oval da Casa Branca. Em meio a protestos de estudantes contra a Guerra do Vietnã, que aumentavam cada vez mais em número e estavam criando o que conhecemos hoje como o movimento da contracultura, o telegrama continha uma mensagem de apoio ao conflito, e era assinado por ninguém menos que Sonny Barger, o líder dos Hells Angels na época

O telegrama dizia que os Hells Angels estavam se voluntariando para serem “Soldados Gorila“ (sic), provavelmente um erro do líder ou do transcrevente, já que a intenção era escrever “Soldados de Guerrilha“.

Como já mencionei no post “Duas guerras, dois MCs”, a origem dos motoclubes nos EUA, especialmente os chamados outlaws ou 1%ers, é muito ligada ao universo dos veteranos de guerra. É por causa deles que surgiu a estrutura quase militar, os pacthes, os rituais de iniciação, entre outras coisas.

É por isso que Barger e seus amigos sempre foram favoráveis ao conflito, mas não queriam aceitar ordens de superiores que não fossem do clube, então se ofereceram para serem uma “tropa especial”.

(AP Photo/Horst Faas, File)
(AP Photo/Horst Faas, File)

Eles já haviam demonstrado sua posição política durante um protesto contra a guerra, onde os Angels agrediram alguns dos participantes. A marcha contra a guerra começou em Berkley e pretendia ir até Oakland, onde foi interrompida pelo clube e por diversos outros simpatizantes. A polícia, que inicialmente havia feito um cordão de isolamento para impedir o avanço dos motoqueiros, simplesmente abriu caminho quando os pacifistas se aproximaram do limite da cidade.

Os Hells Angels então começaram uma discussão, acusando os manifestantes de covardes e fracotes, o que acabou terminando em briga. Quando as agressividades começaram, a polícia tentou controlar a situação, o que acabou terminando com um policial de perna quebrada e um Angel hospitalizado após levar uma pancada de um cassetete policial na cabeça.

Curiosamente, o fato serviu de inspiração para Hollywood, que criou o filme “Nam Angels“ (sendo Nam o diminutivo dado para Vietnam), onde um grupo de motoqueiros são enviados para a selva para resgatarem soldados do cativeiro. O trailer você confere abaixo, e o filme na íntegra está aqui.

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A Bandeira Confederada e as motos

Este post foi uma dica do Gustavo Rodrigues e do André Tovar. Vale a pena ler ouvindo Ragged Old Flag, do Johnny Cash.

Apesar da grande mídia estar relatando erroneamente que o tiroteio em Waco, no Texas, foi pelo direito de se usar a bandeira confederada, a verdade é que ela recentemente voltou a pauta de discussão por causa do militante racista que assassinou nove pessoas em uma igreja da comunidade negra na Carolina do Sul. O maluco em questão pretendia que esse ato incitasse uma “guerra racial”.

Isso fez com que ressurgisse o debate sobre o verdadeiro significado dela, e fez empresas como o Wal-Mart e a Amazon suspenderem sua venda, assim como as de artigos relacionados.

Antes de começar, um disclaimer: sou de família Yankee, então escrevo com um certo distanciamento quando falo dos confederados. Em segundo lugar, tenha em mente que o histórico de racismo nos EUA é muito mais complexo e difícil do que qualquer coisa existente no Brasil. Até poucas décadas atrás, em alguns lugares uma pessoa negra não podia frequentar os mesmos ambientes que os brancos, e o sexo e o casamento inter-racial eram proibidos por lei até 1967! Boa parte dos meus amigos e primos nem teriam nascido se isso existisse por aqui.

No Brasil, muita gente a adotou por vê-la nos filmes ou nos MCs de lá. Outros gostaram do apelo que ela tem por ser chamada de “rebel flag”. Mas a grande verdade é que o que ela significa hoje e a suas origens, são duas coisas diferentes.

A origem da bandeira Confederada

Apesar de adorar o tema, não vou dar uma aula de história americana. O resumo mais breve que eu posso fazer é que, entre 1861 e 1865, os Estados Unidos travaram uma guerra civil conhecida como Guerra de Secessão, onde o  norte progressista lutou contra o sul escravagista, que pretendia se separar da União e criar os Estados Confederados da América.

Tudo começou porque o Sul alegava que não poderia manter a agricultura como fonte de renda sem a mão de obra escrava, e foi contra a abolição da escravatura. Estima-se que morreram em torno de 700 mil soldados, sem contar as casualidades civis, em uma guerra que dizimou 2% da população do país, resultando na quebra da infraestrutura do Sul, que precisou se render.

Estados Confederados da América
Estados Confederados da América

Sua função hoje em dia

O Sul americano é, o que nós aqui no Brasil, costumamos chamar de “bairristas”. Apesar da derrota, a bandeira Confederada continuou sendo um símbolo do orgulho e resistência sulistas, e hoje em dia é comumente utilizada em prédios oficiais desses estados. O sulista tem muito orgulho da sua origem, sotaque e tradições, em um conjunto de fatores que eles se referem como sua heritage.

Muitos devem se lembrar de seriados como Os Gatões (Dukes of Hazzard) onde a bandeira era ostentada orgulhosamente no teto do famoso General Lee, um Dodge nomeado em homenagem ao general sulista Robert E. Lee.

Por isso, sim: a bandeira Confederada pode ser vista como apenas um símbolo do orgulho sulista e nada mais. Mas para um yankee, ela também é vista como o símbolo de uma postura racista. Alguns a chamam pejorativamente de bandeira do orgulho redneck.

Isso acontece porque os mesmos estados que participaram da guerra separatista são, em sua maioria, os mesmos estados onde foram criadas as leis racistas e de anti-miscigenação, que perduraram até a história recente. Esses lugares também são o berço de grupos como a Klu Klux Klan, e da tradicional ideia de que se deve enforcar negros em árvores.

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E o que isso tem a ver com motocicletas?

Pelo mundo afora, muitos começaram a achar que ela era apenas um símbolo da rebelião do mundo das motos, por isso passaram a adotá-la, inspirada nos filmes americanos.

O que muita gente não sabe, é que os mesmos MC outlaws que difundiram o uso delas, não permitem negros ou descendentes deles em seus clubes, apesar de negarem veementemente que essa é uma atitude racista.

E como o mundo do rock e o das motos se fundem, muitos também se inspiraram em bandas sulistas como os Allman Brothers Band e Lynyrd Skynyrd. No entanto, algumas dessas bandas a usavam com a famosa atitude de foda-se do rock n’ roll, enquanto outras traziam um pouco desse preconceito em suas letras, mesmo que de forma sutil.

É por isso que é tão curioso para um americano visitando o Brasil ver a bandeira por aqui, especialmente porque ela é usada por pessoas de qualquer tipo de etnia, algo nem um pouco comum por lá.

E aí alguns vão me perguntar: devo ou não usá-la? Não sei, a decisão cabe a você. O meu intuito aqui foi explicar mais sobre ela, e explicar como ela é vista no seu país de origem. Pelo que vejo nas conversas de bar, e até em jornais, muito se perdeu na tradução.

E a bandeira do norte?

E como era a bandeira yankee, utilizada pelos Estados da União contra o Sul? Acredito que você já deve ter visto ela tremulando em algum lugar por aí:

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Uma sugestão para quem se interessou pelo assunto, e quer ver uma visão afro-americana sobre o tema, sugiro o filme CSA: The Confederate States of America, do diretor Spike Lee, cujo trailer está no meio deste artigo. É um filme bem controverso, que costuma estar no catálogo do Netflix.

 

Moto faz bem pra saúde (e emagrece)

Uma das coisas que mais cansam quem anda de moto, é ouvir os parentes e amigos enumerando os perigos (alguns reais, muitos imaginários) de se andar de moto. Mas e os benefícios?

Andar de moto emagrece

Ok, muitos Harleyros e Estradeiros tem fama de barrigudos. Mas a verdade é que andar de moto gasta em torno de 150 calorias por hora, dependendo da intensidade da pilotagem. Enfrentar a resistência contra o vento, a força no contra-esterço em altas velocidades, o ato de andar com a moto em baixa velocidade ou empurrá-la, tudo contribui para fortalecer os músculos envolvidos e aumentar o metabolismo e queimar calorias. Se você duvida, pode conferir em diversas calculadoras de calorias como esta aqui.

E se você quer algo mais intenso, saiba que uma hora de motocross pode queimar o mesmo que nadar moderadamente, algo em torno de 400 calorias. E quem compete profissionalmente, pode passar facilmente das 600 calorias por hora. O piloto Ryan Dungey, por exemplo, excede em muito isso.

Ou seja: nesses casos, andar de moto queima o equivalente a uma aula de spinning, só que na moto você chega em algum lugar e ainda se diverte mais.

Melhora sua sensibilidade à insulina
(ótima notícia pra quem tem diabetes tipo 2)

Alguns estudos indicam que a sensibilidade à insulina pode melhorar por até 8 horas após andar de moto, já que motociclismo é uma forma de exercício de baixo impacto. Isso ajuda a manter o seu peso, e é muito benéfico para pessoas com diabetes tipo 2, segundo o artigo Diabetes and the art of motorcycling riding.

Mas fica o alerta: diabéticos precisam manter a insulina sob controle antes de subir numa moto, e também durante viagens, se alimentando corretamente para evitar a queda dos níveis de glicose.

Fortalece os músculos

Arnold mostrando o seu físico novo após ter começado a andar de Fat Boy.
Arnold mostrando o seu físico novo após ter começado a andar de Fat Boy.

Andar de moto fortalece os músculos inferiores e superiores, seja para manter a moto de pé, manobrar na garagem ou virar o guidão em velocidades mais altas. E ainda fortalece as articulações do joelho, especialmente se você precisa manobrar de ré em um terreno inclinado como eu (pelo menos foi o que disse meu ortopedista, mas ele é meio maluco).

Dirigir contra o vento também exige bastante da sua musculatura, e se você pilota com a postura correta, ainda fortalece a lombar e o abdômen.

Ok, você não vai virar nenhum Arnold, mas é infinitamente melhor e mais saudável do que passar 8 horas na frente de um computador no escritório…

Rejuvenesce e faz bem pro cérebro

Isso é o que diz um estudo realizado pelo neurocientista japonês Ryuta Kawashima, que descobriu que pilotos de motocicletas se mantêm mentalmente mais jovens do que os motoristas de automóveis. A explicação, segundo ele, é simples: pilotar uma moto requer alto nível de atenção, o que desafia e estimula o cérebro, melhorando a função cognitiva.

Sem falar que andar de moto é uma forma de terapia, que traz benefícios comparados com a meditação. Não é a tôa que é uma experiência tão zen, como relatei no post Zen e a arte de pilotar.

Por isso da próxima vez que alguém te encher por causa da moto, mostre este post. E lembre-se: até o ator que interpreta o Dr. House recomenda moto

A origem das coisas: coletes para andar de moto

No início da era do motociclismo, os primeiros MCs, do jeito como os conhecemos hoje, eram formados por veteranos do exército que usavam o mesmo tipo de identificação com a qual eles estavam acostumados durante a Segunda Guerra Mundial: jaquetas de couro com pinturas indicando o seu esquadrão, inspiradas na nose art das aeronaves.

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Já contei um pouco sobre esse tipo de MC no post “Os verdadeiros Wild Ones“, e como a cultura militar influenciou o motociclismo com seus patchs (escudos), regras e iniciações.

Por muito tempo a jaqueta de couro serviu dois propósitos: identificar o motoclube da qual o dono fazia parte  e se proteger dos inevitáveis tombos, já que os pioneiros eram chegados em corridas e não existe nada melhor do que o couro para salvar nossa pele. O personagem do Marlon Brando ilustra bem isso com sua jaqueta do Black Rebels Motorcycle Club:

Marlon Brando BRMC

A razão de se trocar as jaquetas pelos coletes de couro ou jeans, nunca ficou clara. Mas existem algumas teorias:

Alguns acreditam que é mais uma das influências do mito do cowboy, discutido neste post aqui. Os vaqueiros americanos costumavam usar coletes de couro para proteger o peito do frio, mas de forma a deixar os braços livres para se movimentarem e cavalgarem melhor.

Photography ©2011 Michael Lichter.
Photography ©2011 Michael Lichter.

Outros, como eu, acreditam que os coletes também foram a maneira encontrada de se mostrar o logo do clube tanto no calor como no frio, já que os primeiros grandes MCs surgiram na ensolarada Califórnia. Um colete jeans, por exemplo, pode ser usado tanto sobre uma camiseta quanto sobre uma jaqueta de couro, e você continua mostrando as cores do seu clube em ambas situações.

Sem falar que existe um motivo muito prático para os coletes fazerem tanto sucesso entre quem anda de moto, e que vai muito além da imagem dos motoclubes: bolsos e mais bolsos. Não tem jeito melhor de carregar as pequenas coisas do dia a dia do que nos bolsos de um colete.

E aí sempre surge aquela velha discussão: mesmo não sendo de um MC, posso usar um colete? Claro que pode. Eu mesmo uso um de vez em quando com o Old Dog nas costas, o mascote do site.

Você é livre pra fazer o que quiser, desde que não provoque ninguém, como por exemplo imitar o logo de um MC existente, ou usar adereços de clubes 1%er se você não faz parte deles. Afinal, esses caras suaram para conquistarem seus escudos e não estão afim de ver qualquer um ostentando esses ícones. É o mesmo sentimento de quem serviu o exército tem com o pessoal que usa adereços de “moda militar”, mas com a diferença de que um ex-militar dificilmente vai te parar na rua para tirar satisfação.

Eu e o resto da galera que escreve sobre motociclismo na internet, estamos avisando há tempos como as coisas funcionam, e as pessoas tendem a achar que isso é nossa opinião, com os comentários sempre terminando naquele mimimi de “eu posso fazer o que eu quiser”.

Acontece que isso não é nossa opinião, é um fato. As coisas variam de estado pra estado, e de clube pra clube, mas no geral são como a gente costuma explicar. E todos nós andamos com membros de clubes, temos grandes amigos neles e, em nome dessa amizade, tentamos ensinar como as coisas são para evitar problemas para ambos os lados. Nosso objetivo sempre foi divulgar mais da cultura motociclística, evitar problemas para quem está chegando e respeitar os que vieram antes de nós e abriram caminho.

Se você quer acreditar que no Brasil é diferente, fique à vontade. Mas depois não vai me mandar um dos emails que recebi com gente chorando as pitangas porque teve o patch do Sons of Anarchy arrancado do colete.

Porque nunca houve a segunda parte sobre os M.C.s 1%er?

Eu recebo constantes mensagens perguntando porque eu nunca escrevi a segunda parte sobre os M.C.s 1%er. O motivo é simples: o post era para ser educativo, baseado em fatos que qualquer pessoa do meio motociclístico dos EUA sabe. Mas ele virou um debate, e se perdeu.

Eu explico:

Teve um diretor de M.C. 1%er que me mandou um email agradecendo por eu estar educando os novatos (que era justamente a intenção do post). Mas teve prospect do mesmo M.C., que me ameaçou. Teve gente de outro M.C 1%er achando que eu tinha revelado “segredos”, e que eu tinha tido ajuda interna. E teve gente do mesmo M.C. que me disse que eu não falei nada que qualquer pessoa que anda de moto há algum tempo já está careca de saber. Na parte dos comentários o resultado foi parecido.

Tudo foi feito naquele post com a melhor das intenções, mas eu percebi que cada um estava entendendo a mensagem de um jeito diferente.

Como vocês sabem, muito do que escrevo neste blog vem do que me foi ensinado por ter crescido em uma família de origem americana, e de conviver com essas pessoas. Mas depois de escrever aquele post, e conversar com várias pessoas do meio, percebi que nós importamos algumas coisas da Kulture, só que outras não.

Por exemplo: tudo o que eu escrevi naquele post, é a primeira coisa que te ensinam quando você começa a se juntar para andar em grupo com outros motoqueiros nos EUA. Os próprios M.C.s, tanto tradicionais como 1%ers, educam os novatos para evitar brigas, e para que todos possam conviver em paz.

Por lá, absolutamente nada que está no post é segredo. Pelo contrário, é o que te incentivam a passar pra frente (que foi o que fiz).

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Vou exemplificar: na gringa, quando você quer fundar um motoclube, você precisa ter autorização do M.C. dominante daquele local. Você vai até lá, conversa e diz porque você quer fundar o seu. E existem regras, que todo mundo sabe. E se você não sabe, te ensinam na hora:

1) Nos EUA, você não pode usar cores ou tipos de letras no seu escudo/patch que remetam a outros M.C.s.

2) Nos EUA, você não pode usar no seu escudo qualquer tipo de identificação de território na parte de baixo, como escrever Califórnia por exemplo. Quando você faz isso, você quer dizer que seu M.C. é o dominante naquela área, e isso vai gerar briga.

3) Nos EUA, se o escudo é dividido em uma ou três partes é algo importante também. Os escudos dividos em três partes são reservados apenas aos Outlaws. Se o seu escudo tem topo com o nome do MC, brasão no meio, indicação de território embaixo, e os três são claramente separados um dos outros, você está declarando que seu motoclube é Outlaw.

Essa é uma tradição que remonta dos princípios do motociclismo de lá, e que todo mundo respeita. Aliás, os M.C.s de forças policiais fazem questão de desrespeitar essa regra só para provocar, o que já gerou muita briga. E esse é o motivo que o criador da série Sons of Anarchy proibiu merchandising oficial com esse desenho em três partes (os coletes que são réplicas do seriado, são piratas e ele mesmo alerta que você vai apanhar se usar um por lá).

hogTodos os outros MCs usam um brasão único. Pode reparar, até a Harley respeitou isso na hora de criar o brasão do H.O.G., fazendo com que ele seja uma peça única, mesmo parecendo que são duas.

4) E o mais importante: qual motoclube é 1%er (também chamado de outlaw) não é segredo nenhum lá fora. Pelo contrário, eles são sempre claramente identificados pelo diamante com o 1%, e isso é motivo de orgulho.

O motivo dos motoclubes serem claramente identificados é simples: se o seu M.C. é um M.C. comum, ninguém vai te encher o saco. Se o seu M.C. se identifica ou age como um 1%er, os próprios clubes vão tomar conta da sua atitude e cobrar que você siga as regras deles.

E, mais uma vez, tudo isso que eu escrevi aqui é como funciona nos EUA, e não é segredo. Se você tem dúvida, procure em inglês informações de como fundar um MC, exemplos de estatutos e afins. Lá fora, tem M.C. 1%er que tem F.A.Q. sobre essas questões no próprio website deles…

Mas e como são as coisas por aqui? Não cabe a mim dizer. Minha intenção era boa, tentando educar o pessoal daqui como se faz lá fora, e evitar que um novato metido a besta arrume confusão ou desrespeite alguém. Só que percebi que nem todo mundo no meio concorda com isso, e não é meu papel ser juiz ou mediador.

Eu vou apenas respeitar, até que tenhamos um consenso. Mas a dica aos novatos ou a quem acha que isso não existe continua: bom senso e respeito nunca é demais.

Capacete aberto é tudo igual?

Com a moda dos capacetes Old School, eu tenho me assustado em ver quantas pessoas compram capacetes sem proteção, mas achando que estão comprando capacetes “convencionais.”

Isso acontece pois existem no mercado dois tipos de capacetes: os novelty e os certificados. E a diferença entre eles é simples:

Capacetes novelty

Os capacetes novelty são todos aqueles que não possuem a proteção interna de isopor que, em caso de impacto, é a responsável por você não abrir um buraco no seu crânio como o que tenho (felizmente, não teve nada a ver com motos).

Eles surgiram nos EUA para driblar a lei que obriga a usar capacetes, e são feitos dessa forma para serem mais estilosos. Afinal, eles ficam colados na sua cabeça, sem dar aquela impressão de que você é um cotonete de orelhão. Abaixo tem uma comparação feita pelo usuário Siempre do fórum Chopcult:

Mutos fabricantes, como a Biltwell, possuem sempre duas versões do mesmo capacete: uma certificada, e outra não. Os novelty também são populares entre customizadores, aquele pessoal que vende capacetes de fibra de vidro já pintados e personalizados.

Os fabricantes éticos avisam que são capacetes que “não devem ser usados para a prática de motociclismo” na descrição do produto. Outros dizem vagamente que o capacete “apenas não possui o selo do Inmetro”, o que já levou muita gente ao engano.

Infelizmente, apesar do que dizem por aí, os capacetes novelty não oferecem proteção nenhuma. A casca não tem efeito algum em caso de queda, porque o impacto continua sendo transferido diretamente para seu cérebro.

É por isso que, nos EUA, o apelido desse tipo de capacete é Brain Bucket (balde de miolos). Em caso de impacto, eles servem só para segurar os seus miolos.

Não estou fazendo julgamentos, e muito menos criticando quem usa ou vende. Só estou explicando os fatos para quem não conhece.

Capacetes Certificados

Esses são os capacetes que passam pelos órgãos internacionais equivalentes ao nosso Inmetro. Nos EUA, são os chamados capacetes certificados pelo DOT (Department of Transport). Na Europa, o certificado era o Snell, que está sendo substituído pelo mundo afora pelo ECE R22.05 (a mesma certificação usada no MotoGP). No Japão, existem o JIS e o SG, sendo o JIS o mais conhecido.

Quanto aos capacetes certificados, não há o que dizer, são todos seguros. Mesmo o mito de que “usar capacete aberto é o mesmo que não usar nada”, é apenas isso: um mito. Afinal, eles pelo menos protegem o seu cérebro, que é a parte mais importante do corpo da maioria das pessoas (exceção feita aos políticos e escritores de letras de funk). O único problema de um capacete aberto é a falta de proteção no queixo, que é um ponto de impacto comum.

Áreas mais propensas a sofrerem impacto em caso de acidente.
Áreas mais propensas a sofrerem impacto em caso de acidente.

Minha opinião? Eu adoro capacetes. Tento ter o máximo deles em casa. Com paciência, dá pra caçar um estiloso e seguro numa boa. Seja de moto ou skate, eu me sinto pelado sem eles. Sou que nem o cara do vídeo abaixo:

Importar peças de moto pela Internet: mitos e fatos

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Não sou especialista na área, mas costumo trazer bastante coisa. Algumas dicas que aprendi nesses anos e que podem ajudar alguns de vocês:

Compras de até US$50 não pagam imposto?

Esse é um mito bastante difundido. Na verdade, essa isenção só vale para remessas feitas de pessoas físicas para pessoas físicas e que são declaradas como presente (gift) na nota. Um vendedor do eBay que emite nota ou declara o valor do envio, não entra nessa isenção.

Para deixar ainda mais claro, a isenção de cinquenta dólares consta em uma portaria do Ministério da Fazenda e em uma instrução normativa da Receita Federal da seguinte forma:

Os bens que integrem remessa postal internacional de valor não superior a US$50.00 (cinqüenta dólares dos Estados Unidos da América) serão desembaraçados com isenção do Imposto de Importação, desde que o remetente e o destinatário sejam pessoas físicas.

E vamos ser sinceros? A Receita não é boba. Já conhece a maioria dos truques, e adora taxar arbitrariamente os espertinhos que pedem para que o vendedor declare abaixo. Não adianta comprar um SEST de 500 doletas e vir com aquela cara de pau de que custou só 35. Nesse caso, o fiscal vai atribuir o valor que ele acha que aquele item vale, e te garanto que ele vai procurar o lugar onde ele está mais caro.

E só porque você nunca foi taxado (como eu não fui por anos), não significa que é a regra, apenas que você deu sorte.

Quanto é o imposto de importação?

Para pessoas físicas, o imposto é de geralmente 60% sobre o valor total da nota. E muita atenção: isso inclui o frete. Muita gente reclama que o valor que a Receita taxou é absurdo, maior até que o bem declarado, quando na verdade esse valor está assim pois muitas vezes está considerando o envio. Por exemplo:

Luva de US$ 60 + frete de US$ 50 = US$ 66 só de impostos.

E dependendo do seu estado, ainda será cobrado o ICMS, o que aumenta em média mais 20% a brincadeira. Felizmente nem todos cobram o tributo das pessoas físicas (por enquanto).

Lembrando que livros e periódicos são isentos, mas é sempre bom comprá-los separadamente. Trouxe 10 livros e um DVD junto? A Receita costuma tributar todo o pacote.

Mas fui taxado em mais de 100% do valor da minha compra!

Essa é uma pegadinha que engana muita gente. Quando se usa um serviço postal como o correio americano (USPS), o valor do imposto será em torno de 60% na maioria dos estados, que é o valor para pessoas físicas. No entanto, quando se importa usando um courier internacional como a Fedex, DHL ou UPS, a própria empresa já faz a declaração de impostos. Nesse caso, além dos 60% de importação, incide o ICMS do estado em questão, além de taxas administrativas, fazendo o valor variar de 100% até 150% em alguns casos.

UPDATE: Thalisson avisou nos comentários que Santa Catarina está cobrando ICMS até para quem importa via USPS. Se o seu estado também está fazendo isso, por favor avise nos comentários.

Como saber se serei taxado pela receita?

Se você usar um courier internacional como a Fedex, DHL ou UPS, você obrigatoriamente terá que pagar os impostos no momento da entrega, e eles serão cobrados com base no que foi dito acima. Não tem conversa.

Já comprando pelo correio convencional do país, como o USPS americano, se você vai ser taxado ou não é uma loteria. O Brasil ainda não consegue checar todas as cargas que chegam pelos correios, mesmo com o raio-x. Mas se o pacote for grande, ou com eletrônicos, a chance de você cair na malha fina aumenta muito. Já coisas pequenas, de baixo valor, costumam passar batidas, o que ajuda a aumentar o mito de que até US$ 50 não se paga nada.

Mas fique atento, pois até o final do ano o cerco vai ficar pior: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,receita-vai-apertar-cerco-as-importacoes-via-web-imp-,1150344

Mas eu importo peças abaixo de US$50 dólares pra revender e me taxaram!

Aí meu amigo, sinto dizer mas está tudo errado. Para comprar com a intenção de revender, não existe isenção nenhuma. O imposto de 60% é apenas para pessoas físicas que não queiram revender. Se você compra pra revender, vai pagar além da importação, ICMS e outros tributos. E se a Receita perceber que você está trazendo uma pancada de coisas, vai entender que você quer revender, e pode apreender sua mercadoria ou mandar uma conta salgada pra você.

Mas fiz tudo certo e me tributaram errado!

Triste, mas acontece com frequência. Nesse caso, você precisa contestar o valor. Junte o extrato do seu cartão de crédito, a fatura do produto, e tudo mais que prove que o valor está errado e preencha o formulário nos próprios Correios requisitando que o valor seja calculado novamente.

Mas aviso: é chato, demora, você paga pelo tempo que a mercadoria fica armazenada e ainda corre o risco de não conseguir. Se a diferença for pouca, sugiro engolir o orgulho e a raiva e deixar pra lá, porque é capaz de sair mais caro e você só vai perder tempo. Sim, eu sei que não é o certo, e que todo mundo deveria sempre correr atrás dos seus direitos, ainda mais no Brasil. Só que falo por experiência própria: nunca compensou a dor de cabeça.

Mas se você, ou alguém próximo, for advogado, esqueça tudo o que eu disse. Corra atrás e se vingue por todos nós que se ferraram.

Ah, cala boca Bayer! Eu li que agora compras abaixo de US$100 não pagam mais imposto!

Sim. E não. Tem um decreto-lei de 1980 que diz em seu artigo 2º, inciso II:

Art. 2º O Ministério da Fazenda, relativamente ao regime de que trata o art. 1º deste Decreto-Lei, estabelecerá a classificação genérica e fixará as alíquotas especiais a que se refere o § 2º do artigo 1º, bem como poderá:

II – dispor sobre a isenção do imposto de importação dos bens contidos em remessas de valor até cem dólares norte-americanos, ou o equivalente em outras moedas, quando destinados a pessoas físicas.

Mas essa era uma daquelas leis que “nunca pegaram”, e o entendimento era que tudo deveria ser cobrado sim. Só que de uns tempos pra cá, diversas pessoas entraram na justiça e conseguiram reaver seu dinheiro.

A primeira coisa que você tem que fazer é pedir a revisão da cobrança. E se mesmo assim o fiscal da Receita Federal se recusar a retirar a cobrança do tributo (o que deve acontecer na maioria das vezes) você precisa entrar com uma ação no Juizado Especial Federal, que dispensa o intermédio de um advogado. O pessoal do BJC tem um excelente artigo sobre isso, com cartas modelo e tudo mais o que você precisa saber:

http://bjc.uol.com.br/2014/01/30/a-justica-decidiu-compras-abaixo-de-100-dolares-nao-podem-ser-tributadas/

Se você tiver sucesso, escreva pra cá contando sua experiência.

Comprei um tanque de gasolina usado e ele foi apreendido!

Pra mim, esse é um tema nebuloso. O que me foi explicado pela Receita é que a importação de peças usadas é terminantemente proibida, pra evitar que os países desenvolvidos usem a gente como lixeira. Então se o item for usado, eles podem apreender sim. Mas ninguém soube me mostrar em que portaria ou decreto está escrito isso.

Na prática, vejo dezenas de pessoas comprando peças usadas sem problemas (até porque é difícil diferenciar das novas em alguns casos), mas também já vi quem comprou uma peça visivelmente gasta e receber o aviso de que ela foi apreendida e ponto final.

Quem tem veículos com mais de 30 anos talvez tenha alguma boiada, ainda mais com a ajuda das associações e clubes. Se alguém entender do assunto, agradeço esclarecer nos comentários.

Aliás, fiquem de olho nos comentários: muita dica boa.

Dica: revistas legais de moto

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Alguns anos atrás era bem chato conseguir revistas legais de moto no Brasil. Você não as encontrava em qualquer lugar, e muitas livrarias e bancas chegavam a cobrar até 10 vezes mais sobre o preço de capa de algumas. Chegavam a ser uma preciosidade que você levava no bar para mostrar para os amigos o que estava rolando lá fora.

Felizmente, com a internet ficou muito mais fácil compra-las, seja pela Amazon, eBay ou através de aplicativos e sites para leitura online como o Zinio. Hoje dá pra comprar revistas do mundo todo, sem muita dificuldade, incluindo as edições antigas por um preço bem camarada. Quem não fala inglês pode se contentar apenas com as belas fotos, ou arriscar as versões em espanhol de algumas delas.

Seguem as minhas favoritas:

Hot Bike Magazine (EUA)

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Até bem pouco tempo atrás eu não recomendaria essa revista. Ela era o paraíso de choppers no estilo da O.C.C., ou de quem queria customizar sua moto gastando milhares de dólares em peças cromadas (especialmente as da Kuryakyn). Mas no último ano, um novo editor assumiu a revista e ela entrou para o século 21. Agora ela divide espaço entre as baggers, motos mais ousadas, club bikes e alguns clássicos. Bem mais eclética e muito menos careta que o seu recente passado.

http://www.hotbikeweb.com/

Cycle World (EUA)

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Na minha opinião, a melhor revista sobre temas gerais de moto. Apesar de ser americana, tem uma cabeça mais aberta e costuma testar motos européias também. Mas é uma revista sobre motociclismo em geral, o foco não são as customs, e sim qualquer tipo de moto. Então se você só quer saber de Harleys, cafe racers e customs, fuja dela ou espere apenas as edições com esses temas. Mas se você se interessa pelo mercado de motos como um todo, vale muito a pena. As crônicas do Peter Egan são uma cereja a mais no bolo. Já tem versão nacional, mas não é a mesma coisa (pelo menos ainda).

http://www.cycleworld.com/

The Horse (EUA)

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Uma revista focada em quem quer fazer sua chopper botando a mão na massa, com criatividade e pouca verba. Entra na categoria “tosca, mas legal”.

http://www.ironcross.net/

100% Biker (Inglaterra)

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Preciso deixar claro: essa é a revista mais tosca da lista. Sabe aquele pessoal que gosta de pendurar boneca e caveiras na moto? Eles vão ficar bem à vontade lendo. Muitas das fotos são amadoras, a diagramação é de dar dor de cabeça, e é focada em uma cena de customização da Inglaterra que por si só já merece um post a parte, especialmente os triciclos feitos em motos como a Suzuki Bandit. Algumas vezes acho que a verba para modelos acaba, e as meninas nas fotos parecem estar a um passo de topar fazer um programa por 5 reais na esquina. Ou por uma pedra de crack.

Por outro lado, tem muita coisa interessante que aparece por lá de vez em quando. Há pouco tempo, teve uma série ensinando a fabricar peças de metal usando o improviso em um nível que eu nunca havia visto, com belos resultados. Tem também muito fabricante de garagem, com pouca grana, mas muito talento e criatividade. Se você tiver estômago, vale ver algumas edições.

http://www.100-biker.com/

Inked (EUA)

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Apesar de não ser uma revista de motos, tem tudo a ver com a Kulture. E todo ano a Inked faz uma edição especial chamada de “The Motorcycle Issue”, focada em motos e nas pessoas que andam nelas. A revista é excelente para quem gosta de Tattoos, Rock N’ Roll e pinups, e essa edição anual consegue juntar tudo isso com as motocicletas.

http://www.inkedmag.com/

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Claro, existem muitas outras revistas por aí, e eu costumo ler várias delas: The Motorcyclist, Duas Rodas, Motociclismo, EasyRiders. Mas se eu tivesse que recomendar as melhores, são essas aí de cima.

Boa leitura.