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Fato

Obviamente, quando esse cartum fala do motociclista comum, não é o cachorro louco que torna a vida em São Paulo um inferno. Aliás, esqueça a história de que são os motoboys que vivem caindo, eles são a minoria entre os mortos.

O que anda acontecendo é que as motos são baratas, e a molecada está trocando o ônibus pelas 125cc. Junte a porralouquice dos mais novos, com a falta de fiscalização aliada um curso de formação de motocicistas antiquado, e o resultado é essa cambada que você vê andando por São Paulo, barbarizando o trânsito e morrendo à razão de três por dia. Do Estadão:

Motoboys são minoria entre os mortos

Contrariando o senso comum de que um motociclista caído na rua certamente é um motoboy, o relatório da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) aponta que 30% dos mortos nos acidentes envolvendo esse tipo de veículo são motofretistas. Ou seja, a maior parte das vítimas é de estudantes e trabalhadores que usam a moto para transporte. Segundo o relatório, 278 dos motociclistas mortos em 2009 tiveram sua profissão identificada. Desse total, 52 eram motoboys e 18, vendedores ou autônomo, o que pode indicar o uso das motos para trabalho. Os demais são, por exemplo, estudantes (42), ajudante (37), garçons (9), pedreiros (6) e porteiros (8).


Os especialistas atribuem os casos à facilidade para se comprar motos atualmente, com preços baixos e longos parcelamentos oferecidos pelas revendas. ‘São pessoas que trabalham longe do serviço. Com a moto, fica mais fácil se deslocar. Por isso houve esse grande aumento na quantidade de motociclistas mortos’, diz Kátia Campos dos Anjos, assistente social do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas e uma das pesquisadoras responsáveis por um trabalho sobre motociclistas acidentados. ‘São pessoas que levavam duas horas e meia de ônibus e que hoje vão para o trabalho em 40 minutos’, diz.

Despreparo. A grande quantidade de ‘novos’ motociclistas também é apontada pelos profissionais pela grande participação das motos nas colisões. ‘Hoje, os motoboys precisam fazer os cursos da Prefeitura e os regulamentados pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Os outros motociclistas estão despreparados e andam pelas vias perigosas’, diz o presidente do Sindimotos, Aldemir Martins, que representa os motoboys.

Perfil. O relatório da CET mostra que os motociclistas mortos são predominantemente jovens. Foram 428 vítimas no ano passado – 254 tinham entre 18 e 29 anos. Somente nessa faixa de idade os motociclistas estão em primeiro no ranking dos mortos em acidentes de trânsito – nas demais, são os ocupantes de automóveis. Após os 30 anos, o número de motociclistas mortos cai à medida em que a idade aumenta: na faixa de 30 a 39 anos (106), de 40 a 49 (31), de 50 a 59 (9). Chama a atenção o fato que 26 condutores tinham entre 10 e 17 anos, idade insuficiente para tirar a Carteira Nacional de Habilitação. Do total de motociclistas mortos, 401 eram homens e 27, mulheres.

Antigas

Não tenho moto antiga, apesar de ser fã delas. Ainda pretendo restaurar uma, por isso achei muito coerente o que o Hadys do blog Jurassic Machines postou no FHD:

A principal diferença é que qualquer veículo antigo é uma máquina de fazer amigos, se você para com uma moto de zilhões de dólares em um posto de gasolina, o máximo que vai conseguir são dois piolhos em uma Hornet te seguindo para roubar a moto. Se você para com uma velhinha, junta gente, vem criança trazendo os pais, pais trazendo os filhos, idosos trazendo suas histórias, todos puxam assunto, conversam, perguntam, contam causos. Para motoboy do seu lado no semáforo e puxa assunto, não traz inveja, traz admiração. Não há desvalorização como as novas. Quem compra uma zero, um ano depois tem uma usada, quem compra uma antiga, um ano depois tem uma mais antiga.
Não sei se o escrevi é explicação ou justificativa, mas é meu ponto de vista.

Ele sabe do que está falando, pois é o dono e restaurador desta maravilhosa Flathead 1941 que ele transformou em Bobber de época.

Recomendo: Riders

A revista Riders chegou mandando muito bem na sua primeira edição. Primeiro com um ensaio com Gianne Albertoni, encarnanando a eterna foto de Brigitte Bardot em uma Harley. Depois, com uma matéria com o Ara, do Sinistros, e a sua invejável coleção de carros e motos.

A revista Riders é uma revista que fala de motos em termos de estilo e atitude, como descrito no próprio editorial dela. Abrange moda, mulheres, viagens, cultura, sempre mantendo as motos como tema central.

Particularmente, eu estava sentindo falta de uma revista assim. Não aguentava mais os comparativos de quais as melhores esportivas/customs/scooters além dos relatos de viagens ao Atacama.

Hell’s Angels: The Strange and Terrible Saga of the Outlaw Motorcycle Gangs

Hunter antes de escrever o livro…

O livro é um retrato de um curto, mas muito importante, período na história dos Hells Angels e dos E.U.A: o final dos anos 60. Thompson passou um ano convivendo com o grupo, e escreveu um relato íntimo que o tornaria um dos jornalistas mas famosos da sua geração.

Apesar da aversão dos Angels aos jornalistas na época, devido aos exagerados relatos sobre as atividades do clube, Thompson conseguiu se aproximar do chapter de Oakland e San Bernardino, e também de Sonny Barger. Ele acompanhou o grupo em festas, brigas, eventos e polêmicas.

Fica claro no livro que ele ficou muito à vontade com o M.C., e que ele se identificou com muitas daquelas pessoas. Ele andou, bebeu, festejou e se drogou com eles. Defendeu a reputação do M.C. perante os jornalistas, e investigou alegações falsas sobre eles. Mas no decorrer do relato, dá para perceber que ele foi se desiludindo com a vida de um outlaw, e foi lentamente despindo os Angels da mítica que os cercam. Essa desilusão fica clara no último capítulo, onde Thompson leva uma surra de alguns membros por conta de um comentário trivial feito por ele.

… e depois.

A versão em português chama-se Hell’s angels: medo e delírio sobre duas rodas, mas confesso que nunca vi para vender. Curioso é que o nome do clube é Hells Angels, sem apóstrofo, o que gramaticalmente está errado. Por isso a maioria dos revisores corrige para Hell’s Angels. A explicação do clube para a falta de apóstrofo é a seguinte:

“Should the Hells in Hells Angels have an apostrophe, and be Hell’s Angels? That would be true if there was only one Hell, but life and history has taught us that there are many versions and forms of Hell.”

Mas convenhamos que discutir sobre se há ou não apóstrofo no patch de um clube 1%er como os Hells Angels é uma das coisas mais idiotas que alguém pode fazer. Gostaria de ver um rapaz de camisa abotoada até o colarinho, óculos fundo de garrafa remendado com esparadrapo, chegando em um bar repleto de Angels querendo conversar sobre o assunto.

Espero que não tenha sido esse o motivo da surra do Thompson.

UPDATE (06/02/11): Depois de anos fora de catálogo no Brasil, a L&PM, que publica pockets books, relançou a edição em português desse livro, renomeada para apenas “Hells Angels.” Veja aqui.

UPDATE (29/02/16): Se você quiser comprar o livro, ele está disponível na Amazon aqui, e você ainda dá uma força por blog comprando por esse link.

Brodagem

Não é à tôa que os membros de um M.C. costumam se chamar entre si de “irmão.” Eles compartilham uma amizade baseada na confiança e no fato de que eles sempre podem contar uns com os outros. Ontem, felizmente, eu estava com um irmão.

Já era tarde, e estávamos saindo para tomar uma cerveja depois de um dia de um trabalho que anda bem foda. Problema era a última coisa que a gente estava afim. Mas é lógico que a minha moto não pensa assim. Ela simplesmente resolveu me deixar na mão.

Mas o que poderia ser uma situação que acabaria com o dia de muita gente, acabou virando a diversão da noite. Ao invés de “Bom, vou pra casa, você fica aí esperando o guincho,” o que se sucedeu foram vários minutos embaixo da minha moto, em uma calçada suja e barulhenta, usando o celular como lanterna para tentarmos resolver a situação. Mesmo depois de descobrirmos o defeito, ficou claro que a moto não estava afim de cooperar.

Chamamos o guincho. Uma hora e meia de espera.

Mas não foi uma hora e meia qualquer. Foram noventa minutos falando de motos, carros, loteria, sonhos malucos, fazendo piada e dando risada. Colocamos a moto no guincho, e ainda fui escoltado até em casa, onde mexemos ainda mais nas motos e tomamos algumas cervejas.

Alê, com o seu apoio moral.

É por essas e outras coisas que eu sempre digo para quem não anda: se eu tiver que explicar, você não vai entender.

Valeu, Alê.

Desabafo: Quad Cam Bastards

Depois da crise que abateu os EUA, a Harley percebeu que os seus clientes estavam ficando mais velhos (i.e.: morrendo) ou com medo de usar suas aposentadorias em um bem de consumo supérfluo. Por isso, a MoCo se voltou para os jovens (e mais recentemente, para as mulheres) com uma campanha entitulada “screw, let’s ride”, algo como “dane-se, vamos andar.”

A imagem acima foi a resposta dos Quad Cam Bastards. Essa é uma galera focada em Sportsters altamente modificadas, e que costuma fazer suas motos no fundo do quintal. O texto diz (em tradução livre):

O que há de errado Willie*? Todos aqueles velhotes em baggers estão gastando mais dinheiro com plano de saúde do que com badaluques da botique? Não consegue achar “novos motociclistas” com crédito bom para financiar a nova FLGHRTSDE custando 4 mil acima do preço sugerido? Willie G., como parte do “público alvo” que a sua insultantemente patética campanha publicitária parece estar tentando agradar…
Permita-me dizer:
VAI SE FUDER.
Fotos de moderninhos em motos “dark” que “parecem comigo” em anúncios estúpidos e pequenos livretos “secretos” com um cenário “punk rock” fajuto apenas servem para mostrar como a sua companhia inchada e o seu conselho de diretores gananciosos estão completamente desconectados da realidade. Também é uma triste declaração de como vocês devem estar desesperadamente encurralados durante estes tempos difíceis da economia que vocês indiretamente mencionam neste último anúncio estúpido. Quandos os tempos eram outros e o crédito fácil, um cara como eu não podia nem olhar de relance para uma de suas “concessionárias”. Agora você quer se “relacionar” comigo e me dar “apertos de mão secretos”?!?!?! De repente QUALQUER dinheiro é bom dinheiro se ele deixa os acionistas da MoCo contentes, e agora você quer o MEU????
AZAR.

Foda-se, a gente REALMENTE anda.

*Willie G. é o vice presidente sênior da HD e chefe de design, e neto do co-fundador da MoCo, William A. Davidson (um grande cara).

Concordo com eles, mas não tenho uma postura tão radical. Eu quero que a Harley saia do atoleiro, e torço para que ela volte a ser uma empresa de sucesso. Também não quero ver a HD se transformar em um clube de novos ricos, de pessoas que compram a moto para andar apenas de vez em quando em um final de semana de sol, que gastam milhares de reais em acessórios para andar só até um barzinho e se exibir para os outros.

O que eu mais quero é que mais pessoas possam andar de moto por aí. Ter mais pessoas se comprimentando na estrada, desmontando e mexendo na motos, enquanto tomam uma cerveja com os amigos. Eu quero ver a cultura biker se espalhar de verdade, com toda a irmandade que ela traz.

Será que isso é pedir demais?

Mais sobre o assunto aqui e aqui.

Harley vs. Izzo: KTM

Trecho de uma notícia publicada no Motociclismo Online, sobre a KTM fabricar seus primeiros modelos 125 no Brasil:

(…). Além disso, informações de bastidores nos indicavam que a KTM também estaria buscando um novo representante no país. Questionado sobre o assunto, Trunkenpolz confirmou que está em fase de negociações bem avançadas e que esta empresa poderia ser o Grupo Izzo. “Provavelmente seria esta empresa, mas este projeto ainda não foi finalizado e assinado. A apresentação oficial do acordo seria em janeiro de 2011. Na próxima segunda-feira (11) estarei voando para o Brasil para finalizar o contrato”, comentou Trunkenpolz.

Isso mostra que a Izzo deve perder a exclusividade em breve, pois pelo visto ela já está se movimentando há algum tempo em busca de novos negócios.

Espero que ela não faça com a KTM o mesmo que fez com a Harley no Brasil. A fabricante austríaca produz excelentes motos, e seria uma pena ver essa imagem destruída por aqui. Afinal, o que manteve a Harley no Brasil todos esses anos foi a teimosia dos proprietários, aliada ao carisma da marca.