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Flagra da Cycle World: Triumph Bobber?

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Essa é a segunda vez que a revista Cycle World flagra uma Bonneville apimentada. A primeira foi uma versão Café Racer, muito parecida com a Thruxton, se não fosse por uma grande diferença: um enorme radiador na frente, que tudo leva a crer serve para refrigerar um motor de 1.100cc e 100hp de potência, contra 69hp da Bonnie refrigerada a ar/óleo de 865cc.

Agora eles flagraram essa versão bobber européia, talvez com previsão de lançamento para 2017. Para ver mais fotos desse flagra, confira no site da revista aqui (em inglês).

Sportster, a bobber de fábrica.

Hoje muita gente torce o nariz quando se fala de Harley e velocidade, mas foi justamente para isso que a Sportster foi criada. Quando as motos européias começaram a dominar as pistas e as ruas, os americanos começaram a depenar suas Harleys para tranformá-las em bobbers, mais leves e ágeis, para não ficarem para trás.

A Harley naquela época era mais esperta do que é hoje, e criou a Sportster, uma bobber que já de vinha pronto de fábrica, feita para competir com as européias. Você pode saber mais sobre essa história aqui.

O que fazer com as manoplas descartáveis da Harley?

Não é nenhum segredo que boa parte do faturamento da Harley-Davidson vem da venda de acessórios. É por isso que mesmo modelos caríssimos possuem peças que destoam do conjunto, seja pela qualidade ou pela estética. Pode reparar, sempre tem um parafuso tosco no meio de uma peça muito bem acabada, apenas para você descobrir que aquele parafuso é opcional do catálogo mega-fucking-power da águia que grita, e vendido a preço de ouro.

A manopla original é tão ruim, que merece ser arrancada com um estilete.

E uma das primeiras coisas que muita gente acaba trocando, são as manoplas. No começo elas quebram o galho, mas depois de um tempo elas começam a se desmanchar, ficam pegasosas, soltam pedaços e deixam sua luva ou mão com uma gosma preta.

E aí começa a briga. Como a Harley usa guidões de 1″ polegada na maioria dos modelos, manoplas desse tamanho não costumam ser universais. Então você fica limitado aos fornecedores de acessórios para a HD, que no geral são caros e cheios de fru-fru, com coisas como amortecimento a ar, cromados, entre outros.

Não me leve a mal, já tive manoplas assim. Mas isso gera um problema para quem quer apenas trocar aquela porcaria de borracha velha sem gastar muito, ou está atrás de uma manopla com menos viadagem e com uma pegada mais esportiva e confortável. Vejo muita gente gastando tubos de dinheiro em algo que não é o que elas querem, quando na verdade existem opções mais simples.

Manopla de uma moto esportiva colocada em uma XR1200X.

A verdade é que existem dezenas de manoplas para motos de trilha ou esportivas que servem perfeitamente nas Harleys, como a ProGrip da foto aí em cima. Apesar de serem de 7/8, e não de 1″ polegada, elas são macias o suficiente para que você possa colocá-las na sua moto, já que esticam. São um pouco mais longas que as da Harley, mas na prática vai sobrar menos de um centímetro na ponta, ficando praticamente imperceptível a diferença. O par aí de cima custou menos de 40 reais no eBay, com frete incluso. Como são feitas com gel, são muito macias e confortáveis. Muita gente se acostumou a achar que uma manopla boa tem que custar 100 dólares, e se surpreendem quando descobrem que o pessoal das trilhas ou das esportivas paga 10 vezes menos do que isso por algo de qualidade, como as ProGrips.

Para trocar, basta uma chave torx e materiais básicos.

Muita gente também tem medo de comprar qualquer uma que não seja original para Harley pois elas possuem uma canaleta para que você possa prendê-las no housing, vedando contra a água. Mas isso não é problema, pois a maioria das manoplas de 7/8 também possuem uma grande saliência no final, mas fazendo com que a vedação seja externa. Na foto aí em cima dá para ver bem isso.

Essa dica é principalmente interessante para donos de Sportsters, que muitas vezes procuram uma manopla estilo BMX para suas motos, e para os donos de bobbers, que podem usar manoplas no estilo Jackhammer ou Grand Turismo que são encontradas facilmente no tamanho 7/8, muitas vezes por 1/3 do preço das para Harley. O pessoal das rat bikes então, nem se fala, um prato cheio com opções praticamente infinitas.

Por isso, se você encontrar manoplas universais de 7/8 macias, elas podem ser esticadas e usadas sem problemas. E como ficarão justas, você nem precisa usar cola, facilitando futuras trocas.

Sportster, de esportiva sim senhor

Modelo K

Hoje se fala muito em tradição, em não mudar muito o visual das Harleys, em deixá-las como elas eram antigamente. Mas a verdade é que nos velhos tempos ninguém via uma H-D como uma moto imutável. A mesma moto servia tanto para o cara que queria correr em provas de arrancadas, como para quem queria andar na terra. Afinal, naquele tempo, você não podia entrar em uma concessionária e escolher entre uma moto de trilha, esportiva, estradeira, big-trail e mais a dezena de opções que temos hoje. Você precisava ter imaginação e colocar a mão na massa. Um pneu de Jeep aqui e acolá, e sua Harley estava pronta para a lama. Um carburador melhor aqui, um paralama a menos ali, um guidão mais reto, e você havia criado uma bobber para correr contra as motos européias.

E foi o frenesi pelas bobbers, e pela ciclística das motos européias, que fez a Harley criar o modelo K em 1953, menor, mais ágil e mais rápido do que todas as Big Twins da marca. Em 1957, ele se transformaria de vez na mais esportiva de todas as Harleys: nascia a Sportster, derivada do modelo K, mas agora com um motor de 40hp, cuja o volume era expresso em CCs, e não em polegadas, para facilitar a comparação com as motos do velho continente. É por isso que até hoje, as Sportsters são conhecidas pela sua cilindrada (883cc e 1200cc), enquanto as Big Twins continuam sendo referidas pelo tamanho do motor em polegadas cúbicas (motor 96ci, etc.)

Sportster 1957

A Sportster já nasceu ágil, rápida e sem peças grandes e pesadas, como as das irmãs maiores. Nada de firulas, você não precisava depena-la, ela já vinha pronta para a ação, com paralamas curtos, um estilo claramente inspirado nas bobbers, e ciclística muito similar às européias.

Por isso, não deixa de ser curioso pensar que, quando transformamos uma Sportster em uma Bobber com aparência de antiga, estamos transformando ela justamente no que ela foi criada para substituir. Até mesmo o som de potato-potato na marcha lenta, tão procurado hoje em dia, nunca foi característica dela, que já nasceu com um motor mais esperto, com um giro maior em baixa para facilitar arrancadas.

Também é curioso pensar que, em sua última encarnação, chamada de Sportster XR1200X, ela foi criticada por fazer justamente o que a primeira Sportster nasceu para fazer em 1957: concorrer com as motos européias, só que dessa vez, não nos EUA, mas no próprio velho continente. Infelizmente, a XR acaba de sair de linha, sendo mais uma que sucumbiu à camisa de força da tradição, que foi discutida neste post aqui.

Mas não importa, a Sportster é uma das motos há mais tempo em fabricação no mundo, e o maior sucesso da Harley, com uma legião de fãs por todo o planeta. E como muitos proprietários delas nos fazem sempre questão de lembrar:

“Sportsters. Blowing away Big Twins since 1957.”

Mas afinal, o que são bobbers e choppers?

Chopper e bobber são dois termos capazes de gerar grandes discussões entre os apaixonados por motos, dada a desinformação e aos mitos que foram criados sobre as origens desses dois estilos. Para piorar, a internet e algumas revistas “especializadas”, muitas vezes misturam a origem e a função desses dois tipos de moto.

Bobbers, onde tudo começou

Uma Harley UL Flathead 1946 bobber de época.

As bobbers surgiram na década de 40, logo após a segunda guerra mundial, quando milhares de soldados que retornavam para suas pacíficas vidas, encontraram a emoção que a camaradagem que eles procuravam na motos.

Foram eles que criaram as primeiras bobbers: motos em sua mais pura essência, onde todo o supérfluo é retirado para deixá-las mais leves e rápidas. As customizações eram feitas na garagem de casa, com ferramentas e materiais simples, usando como base as motocicletas excedentes de guerra. Nelas, eram retirados os pesados paralamas, proteções, luzes indicadoras e, ao contrário das choppers, o quadro da moto era mantido original.

Segundo o Big Sid, a moda tomou força nos anos 50:

Quando as motos britânicas começaram a chegar no mercado Americano, a moda das bobbers tomou conta de vez. As motos britânicas eram mais rápidas, em parte porque eram mais leves, e elas começaram a vencer rachas e corridas na terra. No desespero, donos de Harleys e Indians começaram a modificar suas motos, tirando o máximo de peso possível para se manterem competitivos. Segundo Sid, bobbing era um termo usado em corridas de cavalo, onde os treinadores cortavam (to bob) o rabo de um cavalo.

Fonte: Biberman, Matthew. Big Sid’s Vincati: The Story of a Father, a Son, and the Motorcycle of a Lifetime.

Algumas das características mais comuns das bobbers dessa época eram a ausência ou a redução ao extremo do paralama dianteiro, o banco solo, o estilo minimalista, sem cromados ou adereços desnecessários, e as rodas dianteira e traseira de mesmo diâmetro para favorecer a ciclística.

Surgem as choppers

Nos anos 60 começaram a surgir as primeiras motos com o garfo alongado, e algumas pessoas acreditam que elas foram feitas para terem mais estabilidade em altas velocidades nas longas e retas estradas americanas. Se é ou não o caso, a verdade é que em pouco tempo um frenesi tomou conta e uma nova subcultura surgia. O desempenho deu lugar para a estética, e a forma se tornava mais importante que a função: começava a era das choppers.

Garfos longos, muitas cores, cromados e nenhum freio dianteiro. Uma típica chopper dos anos 60.

Assim como as bobbers, as choppers possuiam apenas o básico para funcionarem, e um nome também com uma origem similar. Bobber vem da expressão “deixar mais curto” (to bob, em inglês) enquanto chopper vem do verbo “cortar” (to chop, em inglês).

Mas o minimalismo era a única coisa em comum entre as duas tendências. As choopers não seguiam o visual moderado das bobbers, e entram em cena as cores psicodélicas, os cromados em abundância e os longos garfos dianteiros, que tornavam os freios dianteiros inviáveis, e por isso eram removidos. Infelizmente, a busca por um garfo cada vez mais alongado, aliado a soldas caseiras e o desconhecimento sobre as propriedades do metal, ceifaram a vida de muitos entusiastas na época. Não era incomum ouvir histórias sobre motos que simplesmente se partiram ao meio.

Surgiam também os adereços elaborados, feitos a mão, bancos colados no quadro, os comandos avançados e os guidões com os mais diferentes formatos. Os quadros dessas motos eram bastante modificados, sendo muitas vezes fabricados do zero.

Mas enquanto as bobbers eram um fenômeno típico das motos americanas, as choppers não possuíam nacionalidade. Motos europeias eram comumente convertidas, algo que começou a acontecer também com a chegada das japonesas nos anos 70.

Bobbers e choppers hoje

Nos anos 80 a febre das choppers foi deixada de lado, mas voltou com força total no final dos anos 90 graças aos programas de TV como Motorcycle Mania, de Jesses James da extinta West Coast Choppers, chegando finalmente ao mainstream com a novela pai e filho “American Chopper”.

As bobbers recentemente tiveram um novo boom, mas dessa vez seguiram o caminho das irmãs choppers. O público que procura por velocidade e motos customizadas se voltou para as modernas streetfighters, enquanto que os fabricantes de bobbers passaram valoriza-las pela estética. É o nascimento da retro-bobber e da chopper-bobber.

Desempenho ou estética? Um pouco de cada, e às vezes nenhum dos dois.

Agora você já sabe a origem histórica de ambos os modelos, pode tirar suas próprias conclusões sobre o que é ou não uma chopper e bobber da próxima vez que a discussão surgir na mesa do bar. Porque esse é um assunto que tem muito mais achismo e mitos do que qualquer outro que envolve a kustom kulture.