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Sportster cafe racer e a suspensão rebaixada

Sportster Cafe Racer

A moto da foto acima não ficou apenas no visual: é uma 883 convertida para 1250, usando o kit da Hammer Performance, com ajuda da No School Choppers. Linda, exceto por essa rabeta alta. Mas porque o dono foi na contramão da tendência e preferiu levantar a rabeta da moto ao invés de rebaixá-la?

É simples.

Como essa moto foi feita para ter um desempenho melhor, o ângulo da balança traseira tem uma grande importância nisso. E ele é ditado pela altura do seu amortecedor. Olhe a foto abaixo:

XL883 Iron

Reparou como o eixo (A) fica acima do ponto de ligação da balança com o quadro (B)? Esse é justamente o ponto fraco de alguns modelos da Sportster, especialmente a Low. Sob aceleração forte os amortecedores traseiros ficam muito comprimidos, piorando a ciclística e dando final de curso com mais facilidade. Dá para notar bem isso ao acelerar saindo de uma curva, por exemplo.

Agora olhe esses mesmos pontos de fixação na XR1200X, que usa o mesmo quadro, mas tem uma ciclística mais voltada ao desempenho:

XR1200X

São exatamente o oposto. “Ah Bayer, mas isso é coisa de moto japa. Harley não é feita para isso.” É nessas horas que eu lembro de uma das maiores concorrentes da Sportster, que também permite uma tocada tranquila, mas que é altamente elogiada pela ciclística por vários pilotos:

Triumph_Bonneville

A Triumph também se preocupou com esse detalhe na Bonneville. Mas isso quer dizer que eu sou contra suspensão rebaixada? Não. Apenas acredito que tudo depende do que você quer fazer com sua moto. Para um visual de rabo duro old school, muito provavelmente você vai ter que jogar a suspensão lá embaixo, ou até mesmo trocar os amortecedores por struts (correndo o risco de rachar o suporte no quadro em cidades esburacadas como São Paulo).

Já nas cafés, com motor mais nervoso e amortecedores melhores, faz sentido prestar atenção no ângulo da balança, já que um ângulo positivo ajuda a distribuir melhor as forças e a moto não fica com aquela sensação de que a traseira não conversa com a dianteira.

Claro que isso é uma simplificação extrema do que acontece. Muita gente rebaixa e não percebe nenhuma mudança na moto, vai da sensibilidade de cada um. Assim como tem gente que acha que o seca suvaco ajuda a fazer curvas melhor, sendo que o efeito dele é justamente o contrário. Mas aí é a velha discussão do feeling pessoal vs. a física/engenharia.

Mas se você está em busca de uma café racer, certamente quer ter cada pequena melhora no desempenho, e esse é o tipo de detalhe que pode fazer toda a diferença.

Projeto Malévola

Malevola

No último post, eu mostrei um belo projeto brazuca, e infelizmente não tinha mais informações sobre ele.

Mas o Mariano Lopes, criador da moto, entrou em contato e falou mais sobre ela. A moto foi um projeto de conclusão de curso de Design de Produto na Universidade de Minas Gerais – Campus Ubá. Como ele sempre gostou de motocicletas, ele decidiu fazer uma para sua conclusão.

A ideia foi preencher a lacuna que temos no mercado há um bom tempo, deixada pelo vazio de motos como a Honda CB500 e a Suzuki GS500, criando uma moto inspirada nas Cafe Racers. Algumas marcas estão tentando fazer isso, mas ainda não fecharam completamente a “escada” de cilindrada.

A suspensão dianteira é do tipo girder, feita em duralumínio, com amortecedor regulável tanto na dianteira como na traseira. A moto também usa fibra de carbono nos paralamas e rabeta, com um tanque feito de alumíninio. A iluminação é feita por leds.

Já a balança traseira tem um visual bem diferente: usa transmissão por correia dentada e monobraço, mas com roda raiada, uma combinação nada comum.

O motor, vindo de uma CB 400 1987, recebeu novo comando de válvulas, para gerar mais torque, assim como filtros esportivos e escapamento mais livre. A alimentação é feita por carburador. Para a ciclística, Mariano procurou reduzir o peso, centralizar as massas e baixar o centro de gravidade.

Mariano também está trabalhando em uma CB400 Cafe Racer e transformando uma Harley Davidson Road King 1997 em chopper.

collage

Os responsáveis pela moto são:

Leandro: Pintura, elétrica e montagem.
Marcelo: Usinagem, soldagem e montagem.
Mariano: Desenho, protótipo, usinagem, soldagem e laminação

Full Throttle – The Glory Days of British Motorbikes

Faz muito tempo que procuro esse programa da BBC na íntegra, que conta a história das motos britânicas, e o seu auge com a mania das cafe racer. É uma visão bem interessante, já que é um documentário feito por britânicos para britânicos.

Como sempre, conteúdo bom assim nunca tem legendas em português. Mas vale a pena assistir mesmo quem não entende uma palavra.

E se você quer saber mais sobre o tema, vai gostar do post “Breve história das Cafe Racers”.

Triumph Cafe Racer na versão plug and play

Eu gosto muito da Triumph Bonneville, muito mesmo. Mas sinto por ela o mesmo que sinto pela Sportster: ambas estão entre as minhas motos favoritas quando customizadas, mas sempre acho que falta algo nelas quando estão completamente originais.

Por isso achei tão interessante esse kit que a Dime City Cycles, uma loja especializada em cafe racers e motos vintage, criou para as Bonnes. É algo que o cara pode fazer em uma tarde com ferramentas manuais, ou já sair de uma concessionária tudo instalado, e muda bastante o visual da moto. Eu ainda mudaria algumas coisas, mas na minha opinião já fica bem melhor que a Triumph Thruxton.

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