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Alguém pagou mais de um milhão e meio de reais por uma moto feia e velha

Uma centenária Henderson Four de 1912 foi vendida por US$ 490 mil em uma casa de leilão nos Estados Unidos. Ela é considerada a primeira moto com motor de 4 cilindros dos EUA, criada em Detroit pelo engenheiro Willian Henderson.

Já pensou aquela pessoa que jogou uma dessas fora porque achou que era uma sucata feia e velha?

Fonte: http://theoldmotor.com/?p=50828

Harley-Davidson Knucklehead Bobber

Alguém me mandou esse vídeo e agora eu me encontro levemente obcecado com essa bobber. É um belíssimo exemplar, customizado exatamente como sempre imaginei construir uma bobber clássica (minha antiga Dyna foi uma tentativa frustrada de fazer algo com esse visual, mas isso é assunto pra outro post). Realmente uma moto feita com muito bom gosto e, ao menos aparentemente, carinho.

Não sei absolutamente nada sobre ela, a não ser que estava à venda pela www.oldcarsimport.com. Ainda chego lá um dia…

Túnel do tempo

1616716_751590801519560_2033075420_nFoto muito interessante enviada pelo Konrad Holzbauer mostrando seu bisavô em uma Wanderer 500, no que ele acredita ser o ano de 1918. Nessa época existiam centenas de fabricantes de motos, muitos com modelos de design exóticos como a Wanderer, já que elas ainda eram uma novidade popular e lucrativa. Posteriormente a empresa foi absorvida pelo que viria se tornar a Audi hoje, e você pode conhecer um pouco mais da história dela no próprio site da Audi.

Clássicos da Harley: tanque Peanut

O tanque peanut original da Harley-Davidson.
O tanque peanut original da Harley-Davidson.

O Bruno fez uma pergunta no post “Duas guerras, dois MCs” que vale um post:

Será que aquele modelo Sportster da HD (Forty Eight) é referência à essa época?

Sim. A Harley nomeou a Sportster 48 em homenagem ao ano de lançamento do seu famoso tanque Peanut: 1948. Mas não se engane, muita gente acha que todo tanque de Sportster é o peanut original, quando na verdade eles são releituras com maior capacidade. Foi só com a Forty-Eight que a Harley trouxe de volta uma versão quase idêntica ao Peanut clássico, com pouco mais de sete litros de capacidade.

O tanque vinha originalmente no modelo S, uma moto de baixo custo da Harley-Davidson, que era na verdade uma DKW 125cc alemã renomeada com o logo da H-D. A pouca capacidade fazia sentido na época, já que ela atingia apenas 64km/h de velocidade máxima e podia rodar mais de 200km com esses 7 litros.

O modelo foi inspirado em uma customização que surgira anos antes, nas cut-down california, muito bem exemplificado pelo Hadys neste post aqui.

Hoje, apesar de ser um belíssimo tanque, a capacidade se torna problema com os motores maiores e mais potentes. Não é difícil encontrar quem tenha uma 48 “fuçada” que não consegue passar dos 90 a 100km de autonomia. Já os donos de motos originais, relatam que conseguem rodar até 160km com ele, já no “vapor” da gasolina.

A fama desse tanque veio com a febre das choppers nos anos 60 e 70, onde muitas Harleys eram montadas praticamente montadas do zero, usando peças de outros modelos. O visual clean e minimalista do tanque combinava com as motos da época, e acabou virando um ícone entre os customizadores e entrou para o inconsciente coletivo da marca.

Mais um exemplo de como a história da Harley-Davidson foi em boa parte criada pelo que os seus consumidores faziam com a marca, e não apenas com o que a marca tentava vender para eles.

Modelo S de 1948. Nada mais do que uma motocicleta DKW 125cc com logo da Harley.
Modelo S de 1948. Nada mais do que uma motocicleta DKW 125cc com logo da Harley. E você achando que a nova Street é heresia.

Full Throttle – The Glory Days of British Motorbikes

Faz muito tempo que procuro esse programa da BBC na íntegra, que conta a história das motos britânicas, e o seu auge com a mania das cafe racer. É uma visão bem interessante, já que é um documentário feito por britânicos para britânicos.

Como sempre, conteúdo bom assim nunca tem legendas em português. Mas vale a pena assistir mesmo quem não entende uma palavra.

E se você quer saber mais sobre o tema, vai gostar do post “Breve história das Cafe Racers”.

Club bikes e a Harley-Davidson FXR

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No post “As motos de Sons of Anarchy“, eu expliquei um pouco sobre as club bikes, que é como são chamadas as motos dos grandes MCs Outlaws americanos. Elas são uma visão comum em alguns lugares como a Califórnia, e esse estilo de moto acabou ganhando alguns adeptos por aqui graças ao seriado Sons of Anarchy.

Em resumo, club bikes são motos customizadas para serem rápidas e ágeis, onde a função vem antes da forma. Muita gente torce o nariz ao ouvir falar em desempenho e Harley na mesma frase, e repetem o falso adágio “Harleys não foram feitas para correr”. Mas acontece que nesses MCs, desempenho é extremamente importante: ao contrário da imagem do trem de motos andando lentamente pelo deserto americano, esses caras costumam andar em formação a mais de 170km/h, com pneu colado com pneu, costurando pelas highways. Sem falar que são motos capazes de fugir da polícia, caso necessário.

Alguns exemplos de Dynas no estilo Club Bikes:

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Desde a metade dos anos 90, a Dyna é sem dúvida alguma a club bike favorita, já que ela é um pouco mais leve, combina bem com comandos centrais e possui uma posição de pilotagem mais alta que as Softails (o que favorece a ciclística nas curvas). Mas por muitos anos, a menina dos olhos dos clubes foi uma moto pouco conhecida por aqui, mas que até hoje é disputada a tapa entre as usadas: a Harley-Davidson FXR.

Lançada em 1982, a FXR teve em sua equipe de projetistas ninguém menos do que Eric Buell. Na época do seu lançamento, era uma moto que prometia entregar o mesmo desempenho das esportivas japonesas e européias, mas movida com o puro V-Twin americano. Seu banco mais alto, assim como as pedaleiras centrais também mais altas, a tornavam a Harley com o maior ângulo nas curvas que já havia existido. O quadro era bem rígido e reforçado, com diversas soldas feitas à mão, uma vantagem que seria justamente o seu calcanhar de Aquiles anos mais tarde: fabricá-lo custava muito caro.

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Seu primeiro motor foi o Shovelhead de 80ci (1.300cc), sendo substituído pelo excelente EVO em 1985. Ela era altamente estável em altas velocidades, já que usava mais pontos de fixação entre a transmissão e o motor, o que fazia com que ela se comportasse como um motor de construção única. Curiosamente, essa é justamente uma das falhas de projeto que faz com que muitos proprietários da Dyna usem acessórios como o True-Track para estabilizar o chassi.

Mas no final dos anos 80, temendo que a FXR ficasse muito similar com as motos importadas e não entregasse a “imagem” que os consumidores esperavam de uma Harley, os projetistas começaram a trabalhar na Dyna, cuja a missão era ser uma FXR mais barata de ser fabricada, mas com qualidades semelhantes. Quando foi lançada em 1991, a Super Glide começou a canibalizar a linha FXR, e em 1995 a linha Dyna já substituía todas as FXRs. Alguns modelos ainda foram fabricados em 1999 e em 2000, como edições especiais da linha CVO, mas são raridades.

Muitos dizem que a FXR é a Harley com a melhor ciclística que já existiu, o que é altamente discutível graças aos avanços da engenharia das últimas décadas (sem falar que também existiram motos como a XR, cujo o único objetivo era ser boa de curvas). Mas a verdade é que não importa: é uma moto que deixou saudade, e conquistou seu lugar para sempre no hall da fama de Milwaukee.

E para quem não lembra, uma FXR é também uma das motos mais famosas do cinema:

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Um pouco de história: Harley Davidson 11-F

A Harley Davidson 11-F é um dos modelos mais icônicos da marca. Lançada em 1915, ela possuía o recém criado motor V-Twin de 500cc, de 11 cavalos de potência, e um câmbio de 3 marchas.

Foi considerada a Harley “de pobre” na época, pois não vinha com sistema elétrico, e contava com um farol de acetileno para iluminação, não muito melhor do que uma lâmpada de querosene. Entretanto, isso economizava cerca de 35 dólares ao comprador, uma quantia considerável para a época.

Graças a isso, o modelo logo se tornou um sucesso de vendas. E o novo motor se mostraria muito popular nas corridas, sendo bastante usado nas pistas ovais de terra e nas board tracks.