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Mensagem aos carecas da Shadow Roxa do Tech Subs

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O pessoal do Tech Subs é quem está se dedicando para traduzir em tempo recorde os episódios de Sons of Anarchy. Quem baixa as legendas deles sabe que eles sempre costumam assinar os episódios com frases do tipo “Carecas vaselinados ao vento trepados em uma Shadow roxa”, além de tecer alguns comentários no meio das próprias legendas.

Esses dias me avisaram que eles haviam perguntado o que significa o tal W em SAMCROW. A resposta é simples, e foi dada pelo próprio criador da série Kurt Sutter: apesar do nome do Clube ser S.A.M.C.R.O. (Sons Of Anarchy Motorcycle Club – Redwood Original), eles se referem ao clube (e às vezes ao próprio Reaper – o ceifador do escudo) pela alcunha de SAM CROW, como se fosse um nome e sobrenome. É por isso que existem várias referências aos corvos no seriado, nas tatuagens, como mascotes ou apenas aparecendo em cena.

Espero ter ajudado os carecas da shadow roxa. Continuem com o ótimo trabalho.

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Um V2 nunca é demais…

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O construtor de carros Sundoulos decidiu construir um supercarro para uma corrida de longa duração, quando no meio do caminho a organização decidiu banir os V8 bi-turbos. Por algum motivo, a melhor solução que eles encontraram foi continuar a construção do carro trocando o motor por dois V2 de Harley-Davidson, unidos por uma caixa de transmissão feita sob medida.

O projeto não deu certo por problemas de refrigeração (se eles já esquentam numa moto, o que dirá colocados na traseira de um supercarro), e hoje o bólido usa um motor V8 LS1.

A origem das coisas: Motoqueiros e Cowboys

Arte de David Mann
Arte de David Mann

Já faz um tempo que o Pena me pediu para contar um pouco mais sobre o biker blanket, aquele cobertor que você costuma ver amarrado sobre as motos. Mas a verdade é que esse cobertor é apenas parte de algo muito maior que influenciou a cultura motociclística: os cowboys.

E o motivo é simples: a figura do cowboy é profundamente enraizada no inconsciente coletivo americano. E apesar do período que conhecemos como o “velho oeste” ter durado poucas décadas, ele foi extremamente decisivo para a construção da imagem e cultura dos EUA.

O resumo da história é simples: em meados do século 19, imigrantes desembarcavam no outro extremo da América, em lugares como Nova York, e partiam a cavalo em direção ao oeste, em busca de riquezas ou terras que eram oferecidas pelo governo para quem desbravasse e povoasse novos territórios.

Essas pessoas eram aventureiros e empreendedores, verdadeiros pioneiros. Mas como é de se imaginar, muitos não chegavam no destino. Fosse por doença, conflito com povos indígenas, fome ou exaustão, não era incomum que metade de uma família morresse no caminho.

Por isso a figura do cowboy, cruzando os EUA em busca da mítica “fronteira”, se tornou um mito idealizado e romantizado naquele país, inspirando um incontável número de histórias. E sendo assim, ele não poderia deixar de influenciar outro grande mito de lá: as motos Harley-Davidson. Como quem anda de moto também tem espírito de aventura, não demorou para que os primeiros motociclistas se inspirassem no velho oeste e trouxessem para as Harleys muitas das coisas que seus heróis do passado usavam.

Alguns exemplos:

– O estilo de montaria do oeste americano usava selas largas, com a parte de trás mais alta e estribos mais à frente do que os europeus. Isso foi uma grande influência no estilo de pilotagem das Harleys, inspirando os bancos de mola clássicos e as pedaleiras avançadas.

– Os alforges de couro, usados nos cavalos para levar o material de acampamento, são basicamente o mesmo alforge que usamos até hoje nas motos.

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O alforge de montaria é tão parecido com o de motocicleta, que algumas pessoas optam pelo primeiro para dar um estilo diferente na moto.
Um cowboy moderno levando sua bedroll.
Um cowboy moderno levando sua bedroll.

– O biker blanket mudou muito com o tempo, e nos anos 70 ganhou o estilo mexicano que faz sucesso até hoje. Mas eles são nada mais do que os bedrolls usados pelos cowboys, uma espécie de saco de dormir primitivo (e muito confortável), que era tudo o que eles precisavam para acampar. O mesmo princípio serviu para os motoqueiros dormirem na beira da estrada.

– A famosa Rota 66, destino turístico de muitos motociclistas, percorre boa parte do mesmo caminho feito pelos primeiros pioneiros em busca do oeste.

– As luvas amarelas, que todo mundo pergunta de onde vieram, eram muito usadas para montaria. Até hoje é comum encontrar pessoas que cavalgam com elas.

Esses são apenas alguns exemplos, mas vocês com certeza vão encontrar outros. Curiosamente, o mito do cowboy é um dos simbolismos do filme Easy Rider, inclusive inspirando o visual do personagem de Dennis Hopper. Logo no começo do filme, há uma cena onde ambos consertam o pneu de uma das motos ao lado de um fazendeiro que está trocando a ferradura de um de seus cavalos. E, assim como os cowboys, eles também estão atravessando os EUA em busca da “fronteira”, que no caso deles é a viagem de ácido ao final do filme.

Mas isso é assunto pra outro post…

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Azeroth Choppers

Bom, os caras desistiram de fabricar motos há anos. Tanto a OCC como o Jr. se especializaram em marketing. Essa moto, por exemplo, foi feita para divulgar um jogo de computador.

Nada contra, antigamente eu gostava e assistia sempre os programas de ambos. Mas vendo quem trabalha sério, tem talento no meio, percebi que esse tipo de show reduz o mundo da Kulture a uma mera curiosidade, a quem tem mais equipamentos e traquitanas, do que talento e visão artística.

Dica do Kennedy Alighieri.

Gremlins e as motos

Cena do episódio "Nightmare at 20,000 Feet" da série Twlight Zone, onde um passageiro é o único a ver um Gremlin em ação.
Cena do episódio “Nightmare at 20,000 Feet” da série Twlight Zone, onde um passageiro é o único a ver um Gremlin em ação.

Gremlins são criaturas míticas, que adoram mexer em coisas mecânicas para causar defeitos. Os pilotos da RAF durante a Segunda Guerra Mundial costumavam dizer que os problemas de suas aeronaves eram causados por esses pequenos seres, e o apelido foi parar no mundo das motos. Alguns dizem que os tais espíritos malignos que os sinos guardiões espantam, são na verdade esses pequenos Gremlins.

Eu tive um em uma Harley, minha antiga Dyna. Esse Gremlin me visitava raramente, mas quando vinha era sempre de noite e na pior bocada possível. Assim que eu resolvia um dos problemas, como o sensor do descanso lateral, outro surgia no lugar causando o mesmo tipo de sintoma. E eram inexplicáveis… Desafiavam a lógica.

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Pôster da Segunda Guerra Mundial usando o mito dos Gremlins para incentivar a segurança no trabalho dentro das fábricas de aeronaves.

Claro que tudo isso é um brincadeira, ninguém aqui é supersticioso a esse ponto. É aquela velha história: não acredito em Gremlins. Mas que eles existem, existem…

Pinstripe na moto do HOG

Edição especial de uma Electra Glide do Project Rushmore, mostrando como o logo foi pintado a mão, usando a técnica de golf leaf e finalizando a pintura com detalhes em pinstripe, pelo chefe de design Ray Drea.

Eu sei que o objetivo da Harley nesse vídeo foi impressionar a gente com a habilidade dos seus artesões, mas ainda tá longe de causar o mesmo impacto que uma “pobre” fábrica como a Royal Enfield conseguiu fazer com um de seus funcionários:

Esse cara é de outro planeta, olha a firmeza e a velocidade das mãos. Claro, não é algo elaborado como a moto feita para o HOG, mas mesmo assim mostra uma extrema habilidade e orgulho do seu ofício. Infelizmente, também mostra como o trabalho manual é pouco valorizado nos países subdesenvolvidos. Se esse cara fosse americano, era bem provável dele ter uma oficina de pintura, se bobear com direito a reality show…

A origem das coisas: Guardian Bell, o sino guardião

O Alex perguntou na Fan Page sobre o sino guardião, também conhecido como guardian bell, biker bell ou ride bell. Diz a tradição que o sino tem que ser um presente, e que deve ser colocado na moto para afastar “maus espíritos”. Ele é colocado geralmente na parte inferior do quadro, próximo ao chão, para que o tilintar dele seja ouvido pela estrada. E se você roubar o sino de outro motoqueiro, ao invés de te proteger, você será amaldiçoado com todos os espíritos malignos que ele aprisionou.

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Existem várias lendas ao redor do sino guardião, com diversas origens diferentes, mas nenhuma é dada como certa. Na minha opinião, é como toda superstição: no fundo, elas servem para ensinar algo com um propósito prático, como não passar por baixo de uma escada pois algo pode cair em cima de você. Nesse caso, o sino era relativamente útil para avisar quando alguém estava mexendo na sua moto (o tal mau espírito), já que os alarmes de moto ainda demorariam bem mais de meio século para aparecerem. Mas isso é discutível.

15728d1228870177-who-rides-with-a-guardian-bell-bell-lo-resA lenda mais “mística” sobre o sino conta a história de um motociclista que estava voltando do México com os alforges carregados de presentes para crianças. No meio do caminho, foi surpreendido por criaturas místicas (ou talvez ele tenha experimentado peiote demais no México) que fizeram com que ele perdesse o controle e caísse da moto, ficando preso debaixo dela. Para espantar as criaturas, ele começou a atirar os presentes das crianças nelas. E ao pegar um sino entre os presentes, o tilintar dele fez com que outros motociclistas ouvissem o som, se aproximassem para ajudar, e expulsassem as criaturas. Em gratidão, ele amarrou os mesmos sinos na moto dos motociclistas que o ajudaram, e isso virou uma tradição. Dizem que até hoje as criaturas malignas das estradas fogem ao ouvir o tilintar de um sino guardião se aproximando.

Outra lenda diz que a estrada é repleta de espíritos malignos que gostam de causar problemas mecânicos nas motos, chamados de gremlins, e que o tilintar de um sino guardião recebido como presente os espanta.

Uma terceira lenda diz que esses mesmos gremlins são atraídos e ficam presos na parte oca do sino. Com o andar da moto, o tilintar do sino os enlouquece, até que eles se jogam e caem na estrada. E é assim que os buracos surgem.

Já sobre a origem histórica do sino, alguns defendem que ela data dos tempos das carruagens, pois algumas pessoas as ornavam com sinos para avisar seus familiares que eles estavam chegando com segurança em casa.

Outros defendem que a origem é mais recente, surgiu em 1930 em Sturgis, porque o pessoal do Jackpine Gypsies Motorcycle Club davam sinos como passe de entrada para as corridas que eles organizavam.

Não importa a origem, ou no que você acredita. O significado do sino guardião é um só: Quando você vê alguém na estrada com um desses, você sabe que o cara foi presenteado com o que há de mais importante na estrada: a amizade de outro colega motoqueiro.

E você? Ouviu outra origem para esse sino? Conte pra gente nos comentários.

H.O.G., agora na versão Indian

Para quem está tentando se diferenciar da Harley vendendo motos para “motoqueiros de verdade”, a Indian está cada vez mais seguindo os passos do marketing da própria Harley-Davison. No vídeo acima, Mike Wolf, do programa Caçadores de Relíquias, apresenta o novíssimo The Indian Motorcycle Riders Group, que aparentemente irá seguir os moldes do H.O.G. A única diferença foi a troca da palavra Owners por Riders.

Para quem não sabe, a sigla H.O.G. quer dizer Harleys Owners Group, e foi criada para ser um acrónimo de hog, que significa porco em inglês e também é um apelido carinhoso para as Harleys nos EUA. O nome é bem anterior ao grupo, e surgiu por causa de uma equipe de corredores que tinham como mascote um porco, e o colocavam em cima das Harleys quando ganhavam uma corrida.

Uma curiosidade: apesar de muitos grupos de proprietários de Harley existirem desde o começo da marca, o H.O.G. como conhecemos hoje surgiu apenas na década de 80, quando Willie G. e sua turma salvaram a Harley do buraco e começaram a decidir o que era ou não tradição da marca (mais sobre isso aqui e aqui.) Eles pegaram algo que havia surgido de forma espontânea entre seus consumidores, mas que há muito tempo havia sido esquecido, e transformaram em uma das ferramentas mais poderosas de marketing da empresa. Os executivos da HD costumavam dizer que eles não vendiam motos, e sim máquinas de se fazer amigos.

Mas aí fica a pergunta: qual será o nome do H.O.G. da Indian? T.I.M.R.G? Eles poderiam ter pensado um pouco melhor nesse nome. Sei lá, eu teria chamado de IRA: Indian Riders Association.

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