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Guia rápido de como sobreviver ao calor de moto

Hoje em dia eu sou muito mais encanado em proteger a minha pele contra o asfalto do que quando eu tinha 18 anos. Talvez seja a responsabilidade que a idade traz, mas talvez seja o fato de que meu corpo não se regenera mais da mesma forma no caso de um tombo.

Não importa o motivo, o fato é que o verão é sempre um desafio pra se andar protegido (em alguns estados é um desafio o ano inteiro). Por isso, seguem algumas dicas:

Tenha uma jaqueta/calça/luvas de verão

Eu sei que o equipamento de proteção aqui no Brasil é muito caro. Muita gente tem só uma jaqueta de couro ou cordura para andar de moto, enquanto alguns nem isso tem. Por isso, pode parecer um exagero pedir que você tenha duas, mas eu garanto que não é.

Uma jaqueta, calça ou luva de verão geralmente possuem entradas de ar e um tecido que permite que a pele respire, além das tradicionais proteções. Isso é muito importante para deixar que o suor evapore, já que sua função é servir como uma espécie de refrigeração natural da pele.

Vale a pena ficar atento pois algumas jaquetas possuem uma dupla forração, que você pode retirar e colocar transformando ela em uma jaqueta de inverno ou verão. Não é tão confortável quanto uma jaqueta apenas de verão, mas é algo pra se pensar.

Tenha em mente que muitos dos equipamentos de proteção para o verão protegem menos que os convencionais, justamente por usarem tecidos mais leves. Comprar algo muito barato nesse caso pode sair caro.

Capriche no desodorante e lembre que o lenço umidecido é seu amigo

Andar de moto, especialmente em uma moto pesada no trânsito intenso, não deixa de ser uma atividade física. Minha dica é simples: capriche no desodorante, dando preferência para aqueles indicados para atividades esportivas. Outra coisa que ajuda bastante é levar um pacote de lenços umedecidos com você. Assim, se você chegar suado no trabalho, um banho de lenço umedecido debaixo do sovaco e nas partes baixas pode fazer maravilhas pelo seu dia.

Essa foi uma dica que eu aprendi com alguns amigos ciclistas que fazem questão de ir de bike para o trabalho, mesmo em dias de calor intenso.

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No calor extremo, use mais roupa e não menos

Eu sei, agora eu dei um nó na cabeça de vocês. E confesso que eu realmente tenho dificuldade em colocar essa ideia em prática. Mas esse é o mesmo princípio que faz com que os beduínos do deserto usem roupa da cabeça aos pés.

Quando a temperatura do ar é maior que a temperatura da sua pele (em torno de 34ºC), você vai perder muito suor como vento e vai ter muito mais dificuldade em manter a temperatura do seu corpo baixa. É por isso que, mesmo apenas de camiseta e com a moto andando, o suor gruda na sua roupa e você não consegue se refrescar.

Nessas situações, alguns pilotos de aventura recomendam que você utilize uma camiseta de manga comprida no estilo dri-FIT (sim, é com I e não Y). Ela permite que a pele respire, mas fica úmida o suficiente para que você tenha sempre uma reserva de suor perto da pele, dando tempo para que ele evapore corretamente.

Mais uma vez, uma jaqueta de verão que permite que a pele respire, mas deixa o vento pra fora, é sempre o ideal.

Pescoço frio, corpo refrescado

Em situações extremas de calor, uma boa solução é manter seu pescoço sempre frio. Se você conseguir resfriar o sangue que passa pelo seu pescoço, ele vai agir como á agua de um radiador em um motor. Pra isso basta amarrar uma bandana molhada no pescoço.

Aliás, se o calor estiver muito complicado, simplesmente molhe sua roupa e volte pra estrada. Até você chegar, vai ter secado completamente e a sensação é bem agradável.

Abra a ventilação do capacete

Um bom capacete fechado sempre vai ter entradas de ar que fazem com que o vento circule pela sua cabeça, deixando tudo mais fresquinho. Já um capacete aberto com uma viseira bubble shield, muitas vezes não possui nenhuma entrada para o ar circular pelo topo da sua cabeça, virando uma estufa. Vale a pena pensar se ele é realmente o melhor de se usar no calor senegalês que faz por aqui.

Fique hidratado

Tem muito mito sobre hidratação por aí, já que algumas campanhas de marketing fizeram a gente acreditar que é necessário se hidratar muito acima do necessário.

Mas a verdade é que desidratação é um perigo sim, a cabeça da gente não funciona direito quando ela aparece. Beba a quantidade necessária de líquidos e lembre que aquela cervejinha, além de diminuir seus reflexos, deixa você ainda mais desidratado.

De moto, beba água.

Fique atento aos sintomas

Sentiu câimbra, enjôo, dor de cabeça, está com pele pálida ou avermelhada, cansaço acima do normal, tontura ou está suando demais? Se você sentir pelo menos um desses sintomas, pode significar que você está sofrendo exaustão causada pelo calor. Encoste, vá pra sombra, beba água e descanse até ter certeza de que você está melhor.

Estacione na sombra e leve o capacete com você

Deixar a moto tostando no sol e depois sentar em um banco fritando de quente já faz você sair em desvantagem na briga contra o calor. Tem gente que chega ao extremo de deixar pele de carneiro no banco, mais um daqueles truques de cowboy. Parece estranho sentar em cima de um troço que parece um cobertor em pleno calorzão, mas acredite: funciona.

O mesmo vale pro capacete, especialmente se ele for de cor escura. Leve ele com você. Deixar o capacete pegando sol na moto só vai transforma-lo em uma pequena estufa.

E você, tem mais alguma dica? Então deixe nos comentários.

 

Dica simples (mas útil) para quando for mexer na moto

Se você é como eu, já deve ter passado pela experiência de ver um parafuso sobrando na hora de remontar algo. Mesmo com o manual de serviço do lado, é fácil esquecer alguma coisa ou confundir certas peças.

Sim, tirar fotos com o celular também é muito útil, mas ter um template de papelão ao lado agiliza muito o trabalho. E o melhor: ele também serve para não deixar as peças se perderem, pois você pode pressiona-las ou fura-las contra o papelão para que elas fiquem presas.

Como rebocar sua moto (com exemplo real)

Já faz um tempo que eu postei aqui nas dicas um jeito fácil e seguro de rebocar sua moto numa emergência usando outra moto.

E o Sergio Santalves mandou uma mensagem pelo Facebook do Old Dog Cycles contando que, graças a essa dica, ele conseguiu salvar a viagem dele, rebocando uma das motos até a oficina mais próxima.

Ele escreve:

Minha Iron 883 teve uma falha generalizada de alimentação elétrica devido a bateria com baixa carga e passou a falhar até ser impossível continuar. Fui rebocado por meu colega em uma brava Virago 535

Andamos mais de 40km dessa forma até conseguirmos socorro num posto de combustível.

E também mandou um vídeo mostrando como foi:

Esse é o tipo de coisa simples, mas que pode fazer toda a diferença numa emergência. Aliás, essa é uma característica do motociclismo: quanto mais a gente anda, conversa e troca informações uns com os outros, mais aprendemos coisas que podem salvar nossa pele ou facilitar nossa vida.

Para quem não lembra ou não viu, replico o post na íntegra:

Como rebocar sua moto em um aperto

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O famoso “pé na pedaleira do garupa da outra moto”, pode quebrar o galho algumas vezes, mas ele vai complicando de acordo com o peso da moto e, o que é pior, pode gerar um acidente.

A Cycle World postou uma dica bem simples e legal como parte da sua edição The Total Motorcycling Manual (Cycle World): 291 Skills You Need (aliás, o livro vale a pena, tem bastante dicas legais e úteis. E se você comprar pelo link acima, ainda ajuda o site).

Primeiro, consiga de 4 a 6 metros de corda, arame ou tira de Nylon (eu sempre tenho uma paracord enrolada no cabo de uma faca de sobrevivência, mais uma utilidade para a dita cuja).

Você enrola a corda na pedaleira da sua moto, do lado oposto da corrente ou correia, e segura com o pé. Seu colega faz a mesma coisa, mas do lado oposto. Se alguma coisa der errado, basta soltar o pé para liberar a corda (a figura acima exemplifica bem).

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Já a outra maneira, exemplificada abaixo, eu não acho tão prática. A ideia é amarrar a corda o mais alto possível no quadro da moto que está rebocando, ou fazer um Y no fim da linha e depois amarrar cada ponta em ambas as pedaleiras. Depois a corda passa por baixo do farol da moto a ser rebocada, sempre centralizada, e você enrola ela dando uma ou duas voltas no guidão, enquanto segura a ponta que sobrou dela com a mão da embreagem . Se algo der errado, o rebocado solta a corda.

Towline-Method-2

Honestamente, a segunda opção depende bastante do tipo de moto, e em alguns casos pode danificar a carenagem. A primeira é mais simples, e muito mais segura que o famoso “pezão empurrando”.

Dicas pra quem vai andar de moto em grupo com os amigos

A internet está cheia de artigos que ensinam quais são as regras de condutas em um trem de motos. Quem faz parte de um motoclube ou participa de passeios como o do HOG acaba aprendendo isso naturalmente (se bem que em alguns casos, da pior maneira possível).

Mas e aquelas pessoas que apenas querem se juntar com os amigos para um rolé com segurança? Será que elas precisam de uma estrutura tão rígida quanto a dos trens que usam batedores, road captains e afins? Afinal, muitos aqui costumam sair apenas em grupos de 3 a 5 amigos na maioria das vezes.

Se esse é o seu caso, algumas dicas.

A formação em X salva vidas

A primeira coisa que você deve fazer é convencer todo mundo a andar sempre na formação alternada em X. Ela é a melhor maneira de dar segurança para todos. Nessa formação, você pode desviar de buracos e obstáculos sem se preocupar com o colega ao lado e ela também permite mais espaço à frente no caso de uma frenagem de emergência.

A maior dificuldade aqui é fazer com que todo mundo siga a formação, tem sempre um que fica o tempo todo trocando de lado na pista (isso quando fica na mesma pista).

Também tente não deixar buracos, se alguém sair do trem, quem vem logo após deve assumir imediatamente o lugar dele, enquanto o restante se reorganiza para manter a formação em X.

Dicas-de-Segurança-Honda-Deslocamento-em-Grupo

Ao chegar numa cidade, vocês podem parar de andar em X e passar a andar em duplas pra economizar espaço. Mas honestamente, eu vou sempre de X até o fim. Não gosto de ter que me preocupar com alguém do meu lado.

Combinem alguns sinais básicos

Existem vários sinais universais para a estrada, mas não é necessário decorar nenhum. Seu grupo pode inventar seus próprios gestos que façam sentido pra vocês. E eles são sempre úteis. Não tem nada pior do que dois marmanjos tentando gritar alguma coisa um para o outro com o barulho do vento a 120km/h e escapes abertos.

Os gestos que considero essenciais e que todo mundo entende são:

Combustível acabando – Aponte pro tanque e faça sinal de negativo com o polegar, ou aponte pro tanque passe o indicador pelo pescoço.

Diminuir a velocidade – Gesticule com um dos braços pra cima e pra baixo até que aquela anta do seu grupo, que gosta de acelerar na pior hora possível, entenda que é pra reduzir.

Radar – Abra e feche os dedos e o indicador na direção do radar (mas ainda acho que o jeito mais engraçado é fazer o gesto de “guglu” do Sérgio Mallandro com uma das mãos…)

Os outros sinais como lombada, buraco, areia na pista, andar em fila única e afins vai da necessidade de cada grupo. Tem grupo que prefere só ser avisado do mais básico e ficar atento na estrada, outros preferem que quem puxa o trem dê todas as dicas.

O melhor é ver a necessidade do seu grupo e combinar antes de sair. No mínimo, combinem o da gasolina. O que mais vejo é gente se desencontrando porque um precisa parar pra abastecer e o outro não entendeu.

Só não vale usar este sinais aqui:

Clique para ampliar
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Troquem os números de celular entre si

Auto explicativo, não? Nada pior do que se separar do grupo e descobrir que você não tem o telefone do resto do pessoal.

Olhe SEMPRE para o retrovisor

Muita gente se empolga na estrada e acaba olhando apenas para a vista à sua frente. É seu dever olhar de tempos em tempos para o colega que vem atrás de você.

Como alguns só usam a moto de vez em quando, essas motos são bem propensas a terem algum defeito que o dono não percebeu por causa do uso esporádico. Também tem sempre aquele que decide colocar um acessório novo logo antes de um rolé, sem ter testado antes.

A moral da história aqui é: motos assim são mais propensas a apresentarem algum defeito. Fique de olho no seu amigo, é comum se esquecer de quem vai atrás e só perceber que a moto do sujeito parou quando vocês já estão quilômetros à frente dele numa estrada sem retorno.

Geralmente, quando vocês se reagruparem esse coleguinha irá recebê-los assim:

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Respeite o trem dos outros

Não entrem onde vocês não foram convidados. Se cruzar com outro trem, não tentem se meter no meio de outros motociclistas. Cruzou com outro trem? Ultrapasse ou mantenha distância. (Isso vale especialmente para o pessoal das esportivas, que adoram tirar onda fazendo zigue zague dentro do trem das motos custom.)

Mas se por algum motivo vocês forem convidados a se juntar a um trem, assumam o lugar no fim da fila.

Seu grupo usa colete? Então seja educado

No mundo dos motoclubes, se você encontra um membro de outro MC com problemas na estrada, é seu dever parar para ajudá-lo, do contrário seu clube pode ser cobrado por essa postura depois.

Apesar do pessoal que usa colete de motogrupo ou de motoamigos não se enquadrarem nessa categoria, essa é uma prática que eu acho que deveria ser ampliada.

Se o seu grupo está viajando e encontrou alguém com problemas sozinho na estrada, pare pra ajudar. Não por medo de ser cobrado, mas simplesmente para fazer o certo. Seria muito bom se nós motociclistas e motoqueiros voltássemos a ser um grupo coeso e unido.

Sei que o medo de assalto é grande, mas há uma certa segurança quando estamos em número maior.

Por último, mas não menos importante: cumprimente os outros motociclistas

Ao passar por outros motociclistas, cumprimente-os. Um hábito saudável que sempre foi parte da vida nas nossas estradas.

Muita gente reclama que esse hábito se perdeu e que pouca gente responde a saudação de volta, por isso deixaram de fazer. Minha opinião? Foda-se. Você não tem que se sentir bobo por ter acenado para alguém na estrada que não retribuiu o gesto. Quem está sendo babaca ou esnobe é quem não responde, você não deve perder um minuto sequer do seu tempo pensando nisso.

Por diversas vezes você vai encontrar essas mesmas pessoas que você cumprimentou ao parar para abastecer ou comer. Nessas horas, tê-las cumprimentado antes geralmente faz com que muitas delas venham puxar assunto.

E todo mundo sabe que as histórias mais bizarras ou engraças são justamente as que nos contam na estrada…

Bom rolé!

Oficina em Casa – Painel metálico para ferramentas e outras dicas

O canal Oficina de Casa fez uma série ensinando como fazer um painel metálico para pendurar as ferramentas. O resultado é bem interessante para quem quer montar uma oficina em casa:

Parte 1 | Parte 2 | Parte 3

Em casa eu uso um painel de MDF perfurado, com pequenos ganchos feitos com arame. Custou quase nada e já dura 6 anos sem o menor problema. Você pode ver com mais detalhe ampliando a foto abaixo:

Meu espaço de meditação zen.
Meu espaço de meditação zen.

Pretende montar uma oficina em casa pra começar a mexer na moto? Então sugiro começar lendo o post BIBLIOTECA BÁSICA: OS PRIMEIROS PASSOS PRA APRENDER A MEXER NA SUA MOTO.

Depois, um post escrito há um tempão atrás, mas que pode servir de inspiração:

OFICINA EM CASA: A CRIATIVIDADE EM PRIMEIRO LUGAR

JbirdVamos ser sinceros: muitos de nós sonham com uma garagem enorme, repleta de ferramentas bacanas, adereços nas paredes, com um frigobar para tomar uma gelada com os amigos, enquanto trabalhamos ou simplesmente admiramos a moto. Infelizmente, isso é uma realidade para poucos.

Espero que um dia todo mundo possa realizar esse sonho, mas a verdade é que não importa o espaço que você tem, e sim o que você faz com ele. Com criatividade dá pra improvisar e ser feliz, mesmo morando em prédio, ou com pouca grana para comprar equipamento.

Hecho a Mano
Garagem do Hecho a Mano.

O Hadys do Jurassic Machines, restaurou motos na varanda do apê dele, lavando peças no tanque, e depois transportando elas desmontadas no elevador de serviço. (Confira aqui e aqui.) E quem já viu alguma delas de perto, pode conferir que ele criou motos incríveis assim.

Já o Pedrão do Hecho a Mano, está reformando a Dercy na garagem do prédio onde mora. O cara fez um post muito completo sobre o assunto, você pode ler na íntegra aqui.

Tem também a bela Bobber do Carnoficina, feita em um espaço parecido, o vídeo da construção dela está aqui.

Eu tenho uma garagem parcialmente aberta, por isso me viro com um pequeno quarto convertido em oficina no fundo da casa. Quando preciso trabalhar na moto, levo um banquinho e uma caixa com as ferramentas mais importantes pra garagem, ou trago a peça que vou mexer para a oficina. É questão de ver o que funciona para você, e ir se adaptando de acordo.

Meu espaço de meditação zen.
Meu espaço de meditação zen…

Outro ponto polêmico é a qualidade das ferramentas. Tem gente importando Snap-On a preço de ouro, e comprando ferramentas de altíssima qualidade, como medidores profissionais. Já virou quase um tabu falar de outra coisa com elas.

... e o aviso na porta.
… e o aviso na porta.

Eu tenho uma visão mais simples: você precisa de boas ferramentas, não ótimas. Quem precisa das ótimas é quem trabalha 5 dias por semana com isso. O mecânico amador pode muito bem se virar com outras opções de qualidade. Claro, sempre fuja das chinesas e marcas “barbante”. Uma chave torx de qualidade ruim vai espanar o parafuso ou quebrar na hora mais imprópria, mas no geral, não precisa ser a mais cara da loja.

Usei por muito tempo a linha de ferramentas de aço cromo-vanádio da Mayle, que são a segunda linha da Belzer, assim como a Tramontina Pro. São duas opções com um ótimo custo-benefício, mas existem muitas outras.

Hoje minhas preferidas são as Craftsman, que infelizmente são difíceis de achar no Brasil, mas que lá fora são conhecidas como a “Snap-On do homem comum.“ Não custam muito, são bonitas, e ainda tem garantia para a vida toda. Se você quebrar uma, é praticamente só mandar pra Sears que eles te devolvem uma nova. Herdei algumas do meu avô, muitas com mais de 50 anos de uso, e que continuam funcionando.

E você? Se quiser compartilhar seu espaço, é só mandar o link nos comentários.

A garagem dos sonhos de muita gente.
A garagem dos sonhos de muita gente.

Tudo que você precisa saber pra afiar seu canivete

Desde a série de posts “O que você carrega consigo“, que teve seu ápice com este emocionante relato de um leitor portador do HIV, ficou claro que muitos dos leitores aqui andam com um canivete no dia-a-dia, algo que eu considero de extrema utilidade como já mencionei diversas vezes no blog.

E para esses leitores, quero indicar o vídeo abaixo. Ele é praticamente uma aula com tudo o que você precisa saber para manter o fio, saber qual é a hora certa e a melhor maneira de afiar sua faca ou canivete. É longo, mas cada tópico está indicado nos segundos iniciais, então você pode pular direto pra parte que mais interessa:

Bom proveito!

Dica simples e útil para ter na moto

Excetuando em longas viagens, eu não sou muito fã de alforges. Para o dia a dia prefiro usar mochilas, especialmente quando preciso carregar o notebook ou a câmera. Mas a grande verdade é que, na maioria das vezes, eu prefiro andar sem nenhum tipo de peso, carregando apenas o necessário na jaqueta ou colete, seguindo aquela velha máxima: “Na moto não cabe tudo o que você quer, mas cabe tudo o que você precisa”.

Por outro lado, não tem nada mais chato do que precisar passar rapidamente no mercado para aproveitar aquela promoção de cervejas, e não ter onde carregar as coisas porque a mochila ou o alforge ficaram em casa. Claro, tem sempre aquele jeito improvisado de levar uma sacola no braço, ou equilibrando no tanque, mas vamos ser sinceros, não é nada seguro (palavra de quem já levou 40kg de lenha em uma scooter).

Por isso, uma boa dica é ter sempre guardado na moto uma daquelas mochilas dobráveis de academia, facilmente encontradas por menos de 20 reais em lojas como a Decathlon. São do tamanho de uma carteira, e dá pra esconder embaixo do banco, no jogo de ferramentas, ou até mesmo no bolso do colete.

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Fica a dica.

Dica: bairro de St. Pauli, em Hamburgo

O Giancarlo Ambrosi mandou uma dica legal para quem curte moto e está perto da Alemanha. É o bairro de St. Pauli, na cidade de Hamburgo. Ele escreve:

Mudando um pouco de assunto e dando uma dica de viagem para os Harleyros, em Hamburgo existe um bairro que chama St. Pauli, encostadinho no Porto de Hamburgo (um dos mais movimentados da europa). É o bairro boêmio da cidade, algumas quadras cheias de bares, um ao lado do outro, sexyshops e casas de shows eróticos completam a magia, ehehe. Infelizmente era dia e obviamente não tinha muito movimento.
Se liga no maluco que encontramos (dono de um bar com temática pirata), olha a customização da moto, até uma garrafa de Jägermeister tem vez.

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Dica do YouTube: Delboy’s Garage (em inglês)

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Existe um canal do YouTube que eu gosto bastante, chamado Delboy’s Garage. O criador do canal mora na Inglaterra, tem 50 anos de idade e costuma publicar vídeos que focam na manutenção de Harleys e Triumphs, além de fazer projetos como uma Bandit Rat Bike e gravar alguns vlogs. Para quem tem Sportster ou uma Bonnie é um prato cheio, porque o cara já praticamente desmontou uma XR, uma 883 e uma Custom (todas motos que ele ou sua esposa possuíram no decorrer dos anos) e atualmente tem uma Bonneville e uma Scrambler, e sempre grava vídeos sobre as duas.

Por ser gravado na Inglaterra, os vídeos não sofrem do mal dos canais americanos, onde o cara tem acesso a todo tipo de ferramentas exóticas, a um preço baixo e ainda possuí um grande espaço para mexer na moto. Felizmente não é o caso, e o Delboy’s Garage é bem mais parecido com a realidade que temos por aqui, com uma garagem modesta e ferramentas comuns, que encontramos em qualquer boa loja no Brasil. Muito do que ele faz tem ajuda do improviso, como ensinar a levantar a moto usando um macaco comum ou um elevador improvisado feito com madeira.

Infelizmente, não têm legendas em português, mas mesmo quem não entende nada, dá pra aprender só de olhar o cara fazendo.  O pessoal da Softails não vai achar muita utilidade, apesar de que muitos dos princípios são os mesmos.

Abaixo, alguns dos vídeos dele que considero bem úteis para quem está começando. Mas eles são apenas a ponta do iceberg, vale a pena pesquisar o canal dele com calma, tem muito material e dá pra aprender muita coisa.

Como regular a embreagem Sportster:

Como trocar óleo da Triumph Bonneville/Scrambler:

Aplicando selante de pneu:

Como trocar o guidão da Sportster:

Dica para soldar peças de plástico da moto:

Ajustar a corrente da Triumph Bonneville/Scrambler:

Checando a bateria da sua Harley

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As Harleys com alarmes de presença costumam arriar a bateria quando ficam um bom tempo paradas, e isso tende a piorar com a idade da bateria. É nessas horas que muita gente se assusta ao tentar dar partida e ouvir aquele famoso “treck-treck-treck” do motor de arranque da Harley (sim, o barulho parece algo saído do “Will It Blend“, mas não se preocupe, é normal).

Felizmente, checar a carga da bateria em casa é bem simples. Se você tem um multímetro, basta conecta-lo na bateria e seguir a tabela do manual de serviço da HD para saber como está a carga:

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Se a bateria estiver baixa, você pode usar um carregador no estilo dos Battery Tenders, que fazem todo o serviço sozinho, ou um convencional de lâmpada, o mais simples que existe.

Nesse último tipo, o tempo de carga vai ser de acordo com a potência da lâmpada colocada nele (6 horas para uma lâmpada de 100W, e 3 horas para uma lâmpada de 200W). Eu prefiro ser paciente e usar uma de 100W para uma carga mais lenta.

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Nesse caso, é importante usar o multímetro e ir acompanhando o estado do carregamento de vez em quando. O manual pede para nunca exceder os 14,6V e 5A durante o carregamento, e deixar a bateria descansar por duas horas após o termino da carga para termos uma leitura correta.

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Alguns tempos de carregamento típicos, que podem variar um pouco:

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Capacete aberto é tudo igual?

Com a moda dos capacetes Old School, eu tenho me assustado em ver quantas pessoas compram capacetes sem proteção, mas achando que estão comprando capacetes “convencionais.”

Isso acontece pois existem no mercado dois tipos de capacetes: os novelty e os certificados. E a diferença entre eles é simples:

Capacetes novelty

Os capacetes novelty são todos aqueles que não possuem a proteção interna de isopor que, em caso de impacto, é a responsável por você não abrir um buraco no seu crânio como o que tenho (felizmente, não teve nada a ver com motos).

Eles surgiram nos EUA para driblar a lei que obriga a usar capacetes, e são feitos dessa forma para serem mais estilosos. Afinal, eles ficam colados na sua cabeça, sem dar aquela impressão de que você é um cotonete de orelhão. Abaixo tem uma comparação feita pelo usuário Siempre do fórum Chopcult:

Mutos fabricantes, como a Biltwell, possuem sempre duas versões do mesmo capacete: uma certificada, e outra não. Os novelty também são populares entre customizadores, aquele pessoal que vende capacetes de fibra de vidro já pintados e personalizados.

Os fabricantes éticos avisam que são capacetes que “não devem ser usados para a prática de motociclismo” na descrição do produto. Outros dizem vagamente que o capacete “apenas não possui o selo do Inmetro”, o que já levou muita gente ao engano.

Infelizmente, apesar do que dizem por aí, os capacetes novelty não oferecem proteção nenhuma. A casca não tem efeito algum em caso de queda, porque o impacto continua sendo transferido diretamente para seu cérebro.

É por isso que, nos EUA, o apelido desse tipo de capacete é Brain Bucket (balde de miolos). Em caso de impacto, eles servem só para segurar os seus miolos.

Não estou fazendo julgamentos, e muito menos criticando quem usa ou vende. Só estou explicando os fatos para quem não conhece.

Capacetes Certificados

Esses são os capacetes que passam pelos órgãos internacionais equivalentes ao nosso Inmetro. Nos EUA, são os chamados capacetes certificados pelo DOT (Department of Transport). Na Europa, o certificado era o Snell, que está sendo substituído pelo mundo afora pelo ECE R22.05 (a mesma certificação usada no MotoGP). No Japão, existem o JIS e o SG, sendo o JIS o mais conhecido.

Quanto aos capacetes certificados, não há o que dizer, são todos seguros. Mesmo o mito de que “usar capacete aberto é o mesmo que não usar nada”, é apenas isso: um mito. Afinal, eles pelo menos protegem o seu cérebro, que é a parte mais importante do corpo da maioria das pessoas (exceção feita aos políticos e escritores de letras de funk). O único problema de um capacete aberto é a falta de proteção no queixo, que é um ponto de impacto comum.

Áreas mais propensas a sofrerem impacto em caso de acidente.
Áreas mais propensas a sofrerem impacto em caso de acidente.

Minha opinião? Eu adoro capacetes. Tento ter o máximo deles em casa. Com paciência, dá pra caçar um estiloso e seguro numa boa. Seja de moto ou skate, eu me sinto pelado sem eles. Sou que nem o cara do vídeo abaixo: