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Motoqueiro ou motociclista?

Já faz um tempo que dei minha opinião sobre isso neste post aqui. Mas o Marcelo Alves deu sua visão nos comentários e acredito que merece virar um post. Ele escreve:

Motoqueiro ou motociclista?

Quando as primeiras motocicletas começaram a chegar ao país, logo depois da Primeira Guerra, foram chamadas de motos, motocas ou de “mototocas”.
E quem andava de motoca era mesmo motoqueiro.
É daí que vem a origem do termo.
O motoqueiro pilota sua motoca assim como o motociclista conduz sua motocicleta.
Se eles são bons ou maus, não será pela palavra moto ou motoca nem por motociclista ou motoqueiro.
Motoqueiro não se confunde com os moto-boys ou mesmo com os chamados “cachorros loucos”, sendo que esses últimos (e por isso que recebem esse nome) são os que arranham carro e quebram retrovisores.
Ainda que nem se deem conta de que podem levar um tiro pelas costas.
Tampouco motociclista pode resumir quem anda totalmente enquadrado (ou certinho) no trânsito, ainda que o “rótulo” aponte para isso.
Mas nem sempre as coisas são o que parecem.
O termo motoqueiro se presta mais adequado aos que tem sobre duas rodas um estilo de vida e não pilotam por mera diversão ou mesmo por conveniente ocasião.
Motoqueiro não faz passeios, não vai “ali dar um rolê” ou usa sua moto mais cara para subjugar o semelhante que tem uma máquna mais simples. Motoqueiro é extremamente orgulhoso da máquina que tem, mas não sabe ser esnobe.
Pode parecer irrelevante, mas não é.
As diferenças são grandes.
São imensas.
Essa é a tradição por aqui é o motoqueiro quem mais carrega toda o sentido da expressão e inequívoco significado.
Para corroborar o que digo, alguém viu os filmes “Motociclista fantasma” ou “Motociclistas selvagens”?
Então…
Prazer em conhecer. Meu nome é Marcelo, tenho 48 anos, uma Harley Davidson e sou motoqueiro.

Por Marcelo Alves.

Como rebocar sua moto (com exemplo real)

Já faz um tempo que eu postei aqui nas dicas um jeito fácil e seguro de rebocar sua moto numa emergência usando outra moto.

E o Sergio Santalves mandou uma mensagem pelo Facebook do Old Dog Cycles contando que, graças a essa dica, ele conseguiu salvar a viagem dele, rebocando uma das motos até a oficina mais próxima.

Ele escreve:

Minha Iron 883 teve uma falha generalizada de alimentação elétrica devido a bateria com baixa carga e passou a falhar até ser impossível continuar. Fui rebocado por meu colega em uma brava Virago 535

Andamos mais de 40km dessa forma até conseguirmos socorro num posto de combustível.

E também mandou um vídeo mostrando como foi:

Esse é o tipo de coisa simples, mas que pode fazer toda a diferença numa emergência. Aliás, essa é uma característica do motociclismo: quanto mais a gente anda, conversa e troca informações uns com os outros, mais aprendemos coisas que podem salvar nossa pele ou facilitar nossa vida.

Para quem não lembra ou não viu, replico o post na íntegra:

Como rebocar sua moto em um aperto

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O famoso “pé na pedaleira do garupa da outra moto”, pode quebrar o galho algumas vezes, mas ele vai complicando de acordo com o peso da moto e, o que é pior, pode gerar um acidente.

A Cycle World postou uma dica bem simples e legal como parte da sua edição The Total Motorcycling Manual (Cycle World): 291 Skills You Need (aliás, o livro vale a pena, tem bastante dicas legais e úteis. E se você comprar pelo link acima, ainda ajuda o site).

Primeiro, consiga de 4 a 6 metros de corda, arame ou tira de Nylon (eu sempre tenho uma paracord enrolada no cabo de uma faca de sobrevivência, mais uma utilidade para a dita cuja).

Você enrola a corda na pedaleira da sua moto, do lado oposto da corrente ou correia, e segura com o pé. Seu colega faz a mesma coisa, mas do lado oposto. Se alguma coisa der errado, basta soltar o pé para liberar a corda (a figura acima exemplifica bem).

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Já a outra maneira, exemplificada abaixo, eu não acho tão prática. A ideia é amarrar a corda o mais alto possível no quadro da moto que está rebocando, ou fazer um Y no fim da linha e depois amarrar cada ponta em ambas as pedaleiras. Depois a corda passa por baixo do farol da moto a ser rebocada, sempre centralizada, e você enrola ela dando uma ou duas voltas no guidão, enquanto segura a ponta que sobrou dela com a mão da embreagem . Se algo der errado, o rebocado solta a corda.

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Honestamente, a segunda opção depende bastante do tipo de moto, e em alguns casos pode danificar a carenagem. A primeira é mais simples, e muito mais segura que o famoso “pezão empurrando”.

Espaço do Leitor: Sportster do Bruno Lopes

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Especialmente na cultura da Califórnia, motos e skate sempre combinaram. E nos últimos anos as Harleys se tornaram uma tendência entre a galera do carrinho, especialmente as Sportsters e as mais antigas. E essa é uma tendência que eu tenho visto cada vez mais isso no Brasil.

O Bruno Lopes mandou algumas fotos de sua Rat 883, e conta um pouco mais sobre ela e também da relação dele com as motos e o skate.

Tenho 30 anos, meu tempo de convivência com as motos é semelhante ao tempo que ando com o skate, pois meu pai nunca soube jogar bola, nunca me incentivou a jogar até o dia que ganhei meu primeiro skate aos 5 anos de idade, nessa época também me lembro de sua primeira moto uma Agrale 2 tempos que até hoje sinto falta dela.

Desde de então, sempre andando de skate e nos passeios com o velho na garupa, em 1999 nos mudamos para Venezuela, lugar onde aprendi andar de moto, nunca me esqueço da CR230 levantando de 2º. (rsrs) Com a situação política e econômica do pais, voltamos ao Brasil em 2005 e alguns anos depois pude comprar minha primeira Bike, uma Fazer 250, posteriormente tive a oportunidade de ter outras motos e finalmente pude ter minha primeira HD. Uma Dyna, nesta meu pai e eu fizemos algumas modificações caseiras. (Pintura de rodas, Fabricação de escape, filtro de ar). 

Durante este período o skate sempre me acompanhou junto com as motos, onde ia tentava levar o skate para andar, no mesmo ano de 2012 tive a oportunidade de me mudar para a cidade do México, pois então a Dyna foi vendida, ao voltar para o Brasil em 2013, vim decidido a comprar uma Sportster e montar uma ratbike.

Comprei uma Sportster 2008 de um amigo e o primeiro projeto, foi montar uma bike “Tematica” da Santa Cruz na Hot Custom, oficina onde tenho um grande amigo “Nick Mariho”. A ideia era criar um projeto bem diferente, alteração de guidão, pintura de tuchos, pinhão, rodas na cor amarela, tanque com logotipo da marca.  Com a finalização do projeto, ainda assim ficou a vontade de montar a Ratbike mas faltava coragem.

Decidido, voltei na Hot Custom e fizemos as alterações da maneira que sempre quis.

– Alteração de painel (Fabricação de suporte)
– Retirada do boné (Farol)
– Retirada de Suspensão (Hardtail)
– Criação de guidão
– Alteração de setas e lanternas (Bullets)
– Pintura de rodas (Cor cinza)
– Escovamento de Bengalas (Cor cinza)
– Tratamento de tanque e trasera (Ferrugem áspera)
– Logotipo HD invertidos no tanque
– Pinstripes nas laterais (By Fernando Bertacin “O Tartaruga”)
– Fabricação de Sissybar
– Manoplas e manetes alterados

O skate sempre foi um estilo de vida paralelo que levo comigo, pois trabalho na área de T.I  e sempre o encaixo quando posso, enquanto as pernas aguentarem haverá diversão.

Na foto, foi para um anuncio para a revista Crvis3r Skateboarding, representando a marca pela qual represento. (Mission Skate Shop)
Pulando a moto de Melon Air,  quando posso participo de Campeonatos de Longboard Downhill Slide na categoria Amador.

Na minha visão, o Skate e a moto se complementam ambos envolvem o sentimento de liberdade, atitude, risco, velocidade e diversão.

E eu sempre digo, que para os meus netos as histórias não serão de dormir!

Ele também mandou um compilado com algumas fotos bem legais de sua relação com motos e skate:

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Espaço do leitor: Qual o verdadeiro motociclismo?

Sempre tento abrir espaço aqui para leitores que enviam textos interessantes, e que ampliam a discussão sobre os temas tratados no O.D.C. Só não faço isso com mais frequência, porque a quantidade de mensagens que recebo é alta, e textos longos assim acabam ficando no fim da fila para serem lidos depois (pois é, o site anda precisando de um prospect).

Muito tem se falado aqui sobre os MCs, e sobre como é o nosso comportamento dentro e fora deles, regras para evitar problemas para ambos os lados, entre outras coisas. O texto do Flávio é um questionamento sobre o tema.

Qual o verdadeiro motociclismo?

Por Flávio Caiado

O que nos torna um biker ou motociclista, motoqueiro, o que seja? Qual o espírito? De onde surgiu tudo isso, e para onde vai? Onde os motoclubes se encaixam dentro do motociclismo ?

A verdade pura consistente e inegável é uma só. O motociclismo vem de uma ideia pura, simples e que não é para qualquer um: LIBERDADE.

Motos sempre nos deram liberdade… de certa maneira, sempre nos libertaram dos grilhões impostos por essa sociedade burra, egocêntrica, individualista e capitalista. O motociclismo vem de encontro a essa sociedade imbecil.

No início tinhamos liberdade total. Sua moto, seus amigos e a estrada, sem amarras, sem simbolismos, liberdade total que é o ideal do motociclismo.

Mas onde se encaixa os motoclubes nesse total meio de liberdade? Simples. Fazer parte de um motoclube, te dá segurança, forma-se uma família, amigos reunidos por um mesmo fim: o amor ao motociclismo. Uma ideia antiga e brilhante não fosse um probleminha: vai de encontro ao que deu início a isso tudo e fere a própria liberdade!

No início de tudo não tinhamos colete, não tinhamos brasões, cores, reuniões, obrigações, nada… mas afinal porque institucionalizaram o motociclismo? Uma das explicações mais latentes é a questão de segurança…. mas rodar com 10 pessoas de colete ou 10 sem, faz realmente alguma diferença na segurança? O colete te faz mais macho ou mais temido que a falta dele ? Creio que não. Admiro a postura adotada pelos motoclubes sérios que se dispõem a ensinar e doutrinar os que não sabem lidar com a liberdade da motocicleta, porém não há como formar qualquer grupo, partido, ou sociedade de pessoas, sem atropelar a liberdade… e isso é fato. O que ocorre é se ter mais amor pelo escudo que pela própria moto… se defende a honra e o nome do clube acima de tudo.

Claro, criando clubes, criando marcas, cores e símbolos, não há como se afastar das rixas, cada clube vai se achar melhor e mais importante que o outro, brigando por número de membros, brigando por respeito, e infelizmente em alguns casos, visando grana tratando clube como um negócio. É justamente nessa hora quando o clube passa a ter mais importância que a própria moto e todo o ideal de liberdade que vem junto dela, que penso realmente se motoclube é realmente uma coisa boa. Rodar porque o clube tem que estar no lugar x ou y, rodar porque tem que acompanhar seu escudo fechado para um local qualquer, rodar porque precisa cumprir metas e batalhar por um patch no seu colete??? Creio que isso esteja longe do ideal de liberdade….

Traçando uma comparação bem besta, mas de fácil compreensão, podemos citar o carnaval e suas escolas de samba. Na hora do desfile na Sapucaí, toda diversão do samba cai por terra. Preocupação com o tempo, andamento do samba, enredo, comissão de frente. Pronto tá feita a desgraça e o samba virou trabalho, virou uma competição por pontos e um troféu no final.

Motociclismo não é colete, não é cor, não é brasão, não é pôr o ideal de um clube acima do ideal de liberdade. Isso vai de encontro a toda a idéia do verdadeiro motociclismo “easy rider”…

Não sou contra os motoclubes, de forma alguma, respeito e muito! Até por que já fiz parte de um. Porém hoje minha visão é um pouco diferente, creio que nesse meio não há certo ou errado, somente opiniões e visões diferentes sobre um mesmo tema.

Os motoclubes se encaixam dentro do universo do motociclismo e nunca o contrário.

Espaço do leitor

Jeff Araujo, leitor do blog e amigo da Camila Consíglio (que enviou as belas fotos postadas aqui) mandou uma crônica escrita por ele. Eu gostei tanto do nome da moto dele descrita no texto, que mereceu entrar para o espaço do leitor.

Ontem foi um dia daqueles…

…Daqueles que me faz lembrar como é se reerguer após a queda, e não só reerguer-se mas levantar ela do asfalto e botar ela pra rodar de novo. Levantar algo com mais de cem quilos do chão, toda torta e em cacos é algo que se deve ter força pra isso, mas não força em fibras, tendões e músculos, força de espírito, a força de se fazer aquilo que gosta! Encarar algo retorcido e quebrado, e que vai te fazer gastar mais um “barão e meio” pra consertar, mas que ainda assim te faz sorrir, só pode ser descrito como o mais puro e sincero amor. Ralados, cortes, cicatrizes, pinos e placas, são algo que vão ser carregados com você pra sempre e que vão te mostrar que as lembranças de hoje são de algo real, algo marcante que provavelmente te fez repensar sobre como é estar vivo e qual é o verdadeiro valor disso.

Enquanto eu voltava pra casa pude refletir como era sentir aquilo. Estava realmente frio ontem e era o primeiro dia da semana seco. O vento amortecia meu rosto tal qual treinador cuidando de seu lutador após mais um round, eu estava realmente feliz por sentir meus pés secos e mesmo com as canelas trincando, era libertador e revigorante aquele momento. Eu havia decidido voltar sem as luvas, não por imprudência mas pra ter a sensação que não havia nada entre eu e o que eu confrontava. Eu gosto de acreditar que todos somos livres em suas escolhas e responsáveis por cada uma que se faz, e que isso te torna feliz de uma maneira única e diferente da felicidade de qualquer outro. Eu não passei de 70km/h, primeiro porque eu queria que o caminho não fosse tão curto, e em segundo lugar, a “Suzy Q” estava tão surrada quanto eu, estávamos fora de casa desde as 7:00 e já passava das 23:00.

Conheço pessoas que gostam de achar que possuem a moto e que ela não passa de uma ferramenta, conheço outros gostam da prática de tratá-la como um ser vivo. Eu prefiro me conservar na tênue linha entre os dois pensamentos, isso é algo que eu cultivo e que carrego pra minha vida, seja pra uma moto, pra uma pessoa ou até pra vida num contexto geral, acredito na lei da reciprocidade. Não se toca algo, se relaciona com algo, não se sente algo sem que aquilo também possa sentir você!

Autor: Jeff Araujo