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Túnel do tempo: Fat Boy

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Em 1990 nascia o mito que iria mudar a história da Harley-Davidson: a Fat Boy. Foi ela quem fez a Harley reconquistar a liderança de motos de grande porte nos EUA (acima de 750cc), logo após uma época conturbada, onde ela havia passado pelas mãos da AMF e teve que ser recomprada por um grupo de investidores e herdeiros da família, encabeçados pelo grande Willie G. Davidson.

Ela é, provavelmente, a moto que pode ser considerada a garota propaganda da marca, sendo reconhecida até mesmo por quem é leigo em motos.

Ao contrário do que se acredita, o nome não foi dado em função das duas bombas atômicas lançadas no Japão (Litte Boy and Fat Man), e nem suas cores foram pintadas de acordo com elas, com a justificativa de que ela seria “uma bomba” contra as japonesas.

Isso é apenas uma lenda urbana, mas uma que a Harley nunca fez questão de desacreditar. Na época do lançamento, a Harley já tinha se recuperado da competição com as japonesas, e a empresa não tinha como prever que ele seria um sucesso tão estrondoso, muito em parte puxado pelo filme “O Exterminador do Futuro 2”. O nome Fat Boy veio de seu design mais largo e encorpado quando visto de frente, que no Brasil fez com que ela ganhasse rapidamente o apelido de gorda.

Mas é óbvio que dizer que ela teve a pintura inspirada no B-29, as rodas fechadas inspiradas nos discos de freio da mesma aeronave, e vários outros “easter eggs” que remetem aos acontecimentos de Hiroshima e Nagasaki, é muito mais interessante do que a realidade.

Usar gasolina aditivada ou comum nas Harleys?

Marisa Miller Harley Davidson
“Completa, por favor?”

Uma das mais dúvidas mais frequentes dos novos proprietários de Harley-Davidson é sobre a gasolina. Afinal, é de praxe o novo proprietário ouvir na entrega da moto: “Só use gasolina comum nela, não use aditivada”. Como o manual diz o mesmo, então não há dúvida alguma, certo?

Errado!

Infelizmente, isso é mais uma daqueles exemplos de como a Harley Davidson está se tornando uma empresa feita por pessoas que não entendem de moto. Nas palavras do Wolfmann, do excelente blog Wolfmann HD:

nos EUA a gasolina chamada Regular tem um índice de octanagem mínimo de 85 octanas (idêntico ao do Brasil), mas é ADITIVADA (ao contrário do Brasil que não recebe qualquer aditivo) e ambas são sem chumbo. (…)

Desta forma, quando o manual da HD recomenda gasolina REGULAR não está recomendando a nossa gasolina comum, mas sim a gasolina aditivada. É um erro de tradução que está matando a leitura do manual e a turma das autorizadas repete o manual traduzido.

Um post dele sobre o assunto você pode ler aqui.

Outra coisa importante ressaltar, é a famosa discussão sobre usar Pódium ou não. Sempre ouvimos o velho discurso de que a Pódium é só para motores de alta taxa de compressão. Mas não é tão simples assim… Em primeiro lugar, vale ressaltar que as vantagens da Pódium vão muito além da octanagem, já que é uma gasolina de qualidade superior, mais limpa e com aditivos só encontrados nela. É a melhor gasolina que podemos comprar em terras tupiniquins.

Isso acontece pois toda gasolina vendida no país é destilada primeiro pela BR, e depois distribuída para todas as outras bandeiras. Só então elas podem incluir seus aditivos, ou fazerem novos processos, mas a base é sempre a mesma para todos. Menos para a Pódium, que é refinada de forma diferente pela BR e vendida apenas para postos da BR, fazendo com que eles levem uma grande vantagem sobre as demais.

E em segundo lugar, a alta taxa de compressão depende muito da tecnologia do motor. Para um Volkswagen dos anos 90, uma taxa de compressão de 9,2:1 já era considerada alta, mas para os mais novos uma taxa de 10,5:1 é considerada normal. Isso acontece porque os motores mais modernos possuem sensores de detonação, controle do avanço, e uma série de recursos que permitem o uso de taxas cada vez mais altas.

Entre as Harleys, existem duas motos que se favorecem muito com uma gasolina de taxa de compressão maior: a XR1200 e a XR1200X. Apesar de terem “apenas” 10:1 de taxa de compressão, elas pedem uma gasolina com mais de 94 octanas para conseguirem desenvolver todo o seu potencial. Com gasolina comum, a XR tende a ficar mais “xoxa” e batendo pino levemente em certos giros, além de sofrer um expressivo aumento da temperatura do motor. Com o uso da Pódium, o motor da moto ganha um desempenho visível, assim como uma queda da temperatura de funcionamento. Com ajuste de injeção, ela tende a aceitar melhor a comum, mas sempre vai funcionar melhor com a Pódium, como relatado por diversos de proprietários.

Para todas as outras Harleys, o benefício da Pódium é apenas a qualidade. Por isso, para quem quer usar a comum, a recomendação do Wolfmann, que entende bastante de gasolina por ser do ramo, é essa aqui:

Melhor indicação: gasolina comum Ipiranga (segue a fórmula americana da Texaco desde a fusão das duas empresas). É aditivada, tem octanagem recomendada(…)

Parece estranho indicar a comum após dizer que as gasolinas americanas possuem aditivo, mas aparentemente a Ipiranga usa aditivos até na sua gasolina comum, deixando ela mais parecida com a fórmula americana.

As motos do Exterminador do Futuro

Pouca gente se lembra mas, muito antes de se tornar o garoto propaganda mais famoso da Harley Davison, o Terminator andava pelas ruas da Califórnia em uma Honda 750 Four 1972′, com direito a fairing e tudo.

Não foi uma grande participação no filme, mas o T-800 já mostrava que tinha gosto pela coisa. Foi só com o lançamento do filme O Exterminador do Futuro 2 que, tanto o personagem, quanto a moto que ele pilotava, se tornariam lendas do cinema.

A Harley Davidson FLSTF Fat Boy havia sido lançada um ano antes do filme. Mas sua participação foi uma grande vitrine para a marca, e a moto se tornou um sucesso ainda maior de vendas. A lenda urbana diz que ela foi batizada com os nomes das duas bombas atômicas que foram despejadas no Japão em 1945: “Fat Man” e “Little Boy”. O nome seria uma vingança simbólica as japonesas, que haviam dominado a década de 70 e 80, fazendo com que a Harley quase fechasse suas portas.

No entanto, isso é apenas uma lenda. Em 91 a indústria americana já havia se reerguido, e a fabricante de Milwaukee teria tido sérios problemas com a onda do politicamente correto que estava surgindo nessa época. A verdade é que bastava olhar para a moto para entender de onde veio o nome. Era uma moto grande, encorpada, que se diferenciava muito do que havia no mercado nos anos 90. Uma gorda, como é apelidada carinhosamente até hoje.

Como bom fã da franquia, vou fingir que aquele bizarro terceiro filme não existe**. O que nós leva para O Exterminador do Futuro: A Salvação, onde fomos apresentados a um novo conceito: as Mototerminators. Foi muito divulgado na mídia que elas são feitas em cima das Ducatis Hypermotards, mas isso não importa muito, já que estão irreconhecíveis, inclusive no que diz respeito ao som.

Um última consideração: a Fat Boy da época do filme já é considerada um clássico, sendo uma moto colecionável. O motor Evo, aliado aos pneus fininhos, a diferenciam muito dos modelos atuais. Alguns puristas, inclusive, acreditam que ela deveria ter recebido um novo nome após a adoção do pneu de 200mm, algo como “Fat Boy II”. Ela, certamente, já está na lista das minhas 1001 motos para pilotar antes de morrer.

Indian Chief Terminator 3

** Mas se você insiste, a moto do T3 é uma Indian Chief 2002 disfarçada de moto policial. É um dos modelos da Indian anteriores à compra pela Polaris, em uma das malsucedidas tentativas de reviver a marca. Chegaram a lançar até uma Indian Chief T3 Special Edition, com pintura repleta de chamas, para comemorar as cenas “explosivas” do filme.