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CHiPs no cinema em 2017 (mas talvez não como você imagina)

Os estúdios de Hollywood continuam mandando ver nos reboots, remakes ou continuações. E, neste ano, quem irá ganhar um remake nos cinemas é o clássico seriado CHiPs, que fez parte da infância e juventude de muitos leitores aqui do Old Dog Cycles.

Para quem não conhece, a série mostrava o dia a dia e as aventuras de dois policiais da California Highway Patrol. Era uma série leve, com uma pitada de humor, que seguia sempre a mesma fórmula. Ela foi um sucesso e teve fôlego para ficar no ar por 6 temporadas, de 1977 a 1983, com 139 episódios produzidos.

Aliás, uma curiosidade: apesar de muita gente lembrar das Harleys da patrulha rodoviária americana, no seriado elas já haviam sido substituídas pelas mais modernas Kawasakis, especificamente pela KZ900 e KZ1000. Mas pode perguntar para seus amigos no bar que muitos vão jurar que eles andavam de Harley. Eu, pelo menos, já ganhei algumas cervejas assim…

A volta de CHiPs aos cinemas parece ter fugido um pouco da fórmula “leve drama” e resolveu puxar um pouco demais para o lado da comédia.

O trailer, lançado esta semana, mostra o que esperar do remake:

Vale lembrar que essa mesma estratégia foi feita recentemente com o remake do seriado Anjos da Lei, que ficou divertido justamente pois soube tirar sarro de si mesmo e do material de origem. Mas esse filme parece mais uma comédia rasa, daquelas onde todas as “piadas” já estão no trailer.

Certamente vou assistir para ver as cenas de moto, mas com a expectativa lá embaixo. O filme tem previsão de estreia para 23 de março de 2017 no Brasil.

E vocês, o que acharam?

Alguma das motos mais lendárias do cinema


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Interessante esse infográfico feita pela TitleMax. Particularmente, gostaria de ter uma moto de cada na garagem, especialmente a do Akira. Tenho uma mórbida curiosidade de saber como seria pilotar uma esportiva onde você fica sentado com jeitão de custom. Ela é uma das motos mais irreais, mas também interessantes, do cinema.

Infelizmente muitas outras lendas ficaram de fora dessa lista. Uma das minhas favoritas e ausentes daí é a FXR do filme Harley-Davidson and Marlboro Man e a XLCR do filme Chuva Negra.

Crítica: 21 Days Under the Sky

Aparentemente eu sou a última pessoa no mundo da internet a falar sobre o filme 21 Days Under The Sky, disponível na Netflix. Perdi a conta de quantas pessoas entraram em contato comigo pela página do Old Dog Cyles no Facebook para dizer o quanto gostaram dele.

E a verdade é que eu também gostei do filme, mas talvez não tanto quanto os leitores aqui. Ele é um bom filme, mas acho que ele perdeu uma grande oportunidade de ser um ótimo filme.

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O lado bom

21 Days Under The Sky conta a história de quatro pessoas que decidem cruzar os Estados Unidos de ponta a ponta em motos vintages. Eles vão de São Francisco até Nova York para participarem do Brooklyn Invitational, uma das exposições de moto mais alternativas e exclusivas do mundo.

É um filme/documentário produzido pela Dice Magazine, que dispensa comentários. Ela é um excelente fonte de informação sobre customização, especialmente quando o assunto são os estilos mais undergrounds e californianos.

O filme é narrado por ninguém menos que Robert Patrick, que dá um tom completamente poético em sua locução. Para quem não se lembra, ele é o ator que interpretou o T1000 do filme “O Exterminador do Futuro 2” e é também o pai do Johnny Cash em “Walk The Line” (ambos filmes fodásticos na opinião deste que vos escreve).

E qual a relação dele com o mundo das motos? Ele é membro dos Boozefighters MC, um dos MCs mais antigos do mundo em atividade. Você pode saber um pouco mais sobre eles neste post aqui.

Fotos: Amanda Demme
Fotos: Amanda Demme

A trilha sonora do filme foi muito bem acertada, criando o clima perfeito pra uma road trip. Quem tem Spotify pode encontra-la facilmente na íntegra. É o tipo de som que faz você querer pegar a estrada, imediatamente.

O ruim

O filme é um produto da estética hipster e de produtos criados para os millenials. Apesar de gostar bastante de muita coisa que sai dessa galera, 21 Days Under The Sky sofre de um grande mal comum de produções dessa geração: é um filme vazio, priorizando a forma sobre o conteúdo e colocando imagens bonitas e bem acabadas no lugar de momentos reais.

É fácil notar isso quando, depois de quase 90 minutos de filme, você passa a perceber que não sabe absolutamente nada sobre os quatro amigos que decidiram cruzar a América juntos. O que os motivam, quem eles são, o que estão achando do desafio. O que é uma pena, porque muitos deles são personagens interessantes, como o fotógrafo Josh Kurpius, que eu já mencionei diversas vezes aqui.

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Foto: Josh Kurpius

Ao invés disso o que o filme decide mostrar são apenas os momentos mais “estéticos”, cenas que servem apenas para criar um clima, ao invés de mostrar o que realmente está acontecendo entre eles.

Não vemos laços se formando, não vemos conversas de beira de estrada, nada. Tudo vira um grande vídeo clipe permeado por uma estética dos anos 70 (reforçada pelas motos e pela vestimenta dos personagens) ao invés de se tornar um verdadeiro road movie.

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Às  vezes o filme parece forçar a barra em parecer cool. Todo mundo jovem e atraente, fazendo um esforço consciente para parecer desleixado. Como na cena que um deles espera a namorada com cara de modelo fashion costurar sua calça, como se aquela fosse a única que ele possuí. Pra mim, uma únicas cenas realmente autênticas foi ver um deles quase derrubar a moto quando a moto tombou com a bagagem.

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A locução, apesar de impecável, tentar dar ao filme um caráter épico que não combina com o que está acontecendo em cena. Eles não estão fazendo absolutamente nada de revolucionário ou corajoso, criar poemas beatnicks sobre os quatro amigos na estrada é um pouco de exagero.

Ok, eu entendo que cruzar os EUA em uma moto vintage é divertido. Mas dizer que fazer 3.800km em 21 dias em um país com estradas magníficas e bastante seguras é algo “para os corajosos e bravos” é uma enorme bobagem. Tem leitor aqui do blog que percorre essa distância em menos de 4 dias ou passando por lugares muito piores e com bem mais improviso. É só ver a história do Filipe que está indo até o Alasca e do Arthur que foi de Tubarão até a Costa do Chile sozinho.

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Outra coisa um tanto forçada foi a cena psicodélica deles fumando maconha em um bong. Ah, peralá… Quem fica doidão daquele jeito por causa de cannabis? A tentativa de replicar a viagem de ácido ao final do filme Easy Rider com uma droga que atualmente é legalizada para uso medicinal e recreacional em alguns estados é só mais uma tentativa de parecer ousado.

E quando eles, finalmente depois de toda essa viagem (sem trocadilho), chegam ao Brooklyn Invitational… O FILME ACABA!

Confesso que isso me revoltou. Além de Nova York ser uma cidade bem legal, especialmente o bairro do Brooklyn, o evento é muito bom e merecia aparecer no filme.

Afinal, foram 21 dias pra chegar lá, não?

O veredito

É um ótimo videoclipe, com belas motos e belíssimas cenas. Mas acaba se levando à sério demais, o que é uma pena. Em busca da autenticidade, a primeira coisa que desapareceu no filme foram justamente os momentos autênticos.

Dou três de cinco cervejas.
3nota

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Bons filmes ruins: Harley Davidson e Marlboro Man

O canal Good Bad Flicks tem um vídeo bem divertido com curiosidades sobre esse clássico (em inglês):

Para quem quer saber mais sobre essa emblemática moto, vou repostar um artigo de anos atrás:

Qual é a moto do filme Harley-Davidson & Marlboro Man?

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Também conhecido como “Caçada sem trégua”, a moto do personagem Harley-Davidson, interpretado por Mickey Rourke (em uma época em que ele ainda não se parecia com a Dercy Gonçalves) é com certeza uma das mais famosas do cinema.

A moto é uma Harley-Davidson FXR 1989, com garfo alongado e amortecedores traseiros removidos, substituídos por strut bars para dar a impressão dela ser uma rabo duro. Para quem não conhece, esse é um acessório como o fabricado pela Biltwell, que consiste numa barra de aço para ser preso no suporte original dos amortecedores.

O banco e paralamas são um Don Crager encurtados, enquanto o tanque veio de uma Softail. Ele foi lixado e revestido apenas com uma camada de primer, com a inscrição Evolution na lateral, indicativo de orgulho de qual motor ele possuía. Dizem que as cartas possuem as iniciais dos nomes dos amigos de Mikey Rourke, que participou ativamente do processo de customização da moto.

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Alguns dizem que o motor é de 80ci, outros de 98ci. Aparentemente, ambas as versões foram usadas, com o mais potente para as cenas de ação. A única coisa certa é que ele possui um belo filtro teardrop da S&S.

Infelizmente, pouco se sabe com certeza além disso sobre a moto do filme, também conhecida como Black Death, já que houve um erro na divulgação de quem fabricou a moto original e até hoje várias pessoas tentam assumir sua autoria. Como diversas foram fabricadas para o filme, algumas para close, outras para cenas de ação, fica difícil saber a verdadeira história.

Apesar do clichê “corporações malignas querendo destruir um bar de bikers”, o filme até que é divertido. Eu vi quando era pré-adolescente e pirei, mas os mais novos vão simplesmente achar bobo. Mas se tiver curiosidade, ele está disponível para assistir de graça online no Crackle aqui.

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E se você ainda não percebeu quem esse filme pretendia “homenagear”, aí vai uma dica:

Outros posts da série:

Qual é a moto do Michael Douglas em Chuva Negra?
Qual é a moto de “Tron – O legado”?
Qual é a moto do Exterminador do Futuro?
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Filmes legais de moto que (talvez) você não tenha visto

One Week – Uma semana

Nesse filme, Joshua Jackson interpreta um homem comum, que leva uma vida pacata e que morre de medo de correr riscos. Mas ao ser diagnosticado com câncer terminal, e ouvir do médico que o tratamento será doloroso e com poucas chances de recuperação, ele decide comprar uma belíssima Norton Commando no impulso, e parte em  uma viagem de moto de Toronto até Vancouver, ao invés de atender os pedidos de sua noiva e família, que em desespero pedem para que ele inicie o tratamento imediatamente.

É um típico filme de road trip, com a famosa jornada do herói,  onde o personagem principal vai encontrando diferentes pessoas pelo caminho, que mudam sua concepção de mundo, enquanto ele tenta descobrir mais sobre si mesmo. O filme inteiro é permeado pelas belas paisagens do Canadá, e percebe-se que o diretor tenta fazer uma ode ao seu país de origem.

Gostei, mas confesso que achei o filme um pouco lento, com personagens apáticos. No entanto, ele rende alguns bons momentos e algumas belas cenas. A trilha sonora também é algo a se prestar atenção. Mas o mais interessante desse filme é se colocar no lugar do personagem principal e pensar: o que eu faria nessa situação?

Minha nota é 4 de 5 cervejas.
4


The World’s Fastest Indian – Desafiando os Limites

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Acho que é praticamente impossível gostar de moto e não gostar desse filme. Ele mostra comovente e inspiradora história de um homem que se tornou uma lenda de Bonneville: Burt Monro, um neozelandês que passou anos e anos aperfeiçoando sua Indian Scout 1920 e quebrou diversos recordes de velocidade depois dos 60 anos de idade.

Apesar do roteiro tomar várias liberdades poéticas, Anthony Hopkins faz um trabalho brilhante interpretando esse carismático herói. O filme tem uma réplica precisa da famosa Munro Special, além de retratar muito bem como era o efervescente lago de sal em Bonneville na década de 60, o lugar onde os maiores recordes sobre rodas foram quebrados e a grande meca da velocidade mundial.

É um filme para se ver e rever. E mesmo que ninguém na sua casa se interesse por motos, pode convidar a todos para a sessão. Por ser muito bem escrito e dirigido, o filme acaba atingindo um público muito maior.

Minha nota é 5 de 5 cervejas.
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The Wild Angels – Os Anjos Selvagens

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Ok, preciso deixar claro: esse filme é uma porcaria. Tanto que ele está na minha lista de FILMES (TRASH) DE MOTO. Mas é uma boa porcaria. Ele faz parte dos filmes chamados de exploitation dos anos 60 e 70, que recebiam esse nome pois foram criados para ganhar dinheiro fácil, “explorando” subculturas que estavam na moda, sempre com baixo orçamento e muito sensacionalismo em cima deles. Wild Angels é um dos mais conhecidos, e foi a semente para o filme Easy Rider (Sem Destino). Aliás, por causa de filmes como esse, o termo foi expandido e passou a ter uma subcategoria chamada biker-explotation.

Ou seja: sim, Wild Angels, assim como Easy Rider, é tosco e carece de profissionalismo (entre muitas outras coisas). Mas sua influência cultural é inegável, e merece reconhecimento por isso.

Dou três de cinco cervejas.
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Why We Ride

why_we_ride-600x888O documentário “Why We Ride” conta um pouco da paixão que nós temos pelas duas rodas. Com belas cenas, mas um roteiro um tanto lento, fez muito sucesso com a comunidade de duas rodas lá fora.

Ele tenta ser uma versão atual do “On Any Sunday”, mas faltou carisma. Mesmo assim, é interessante e muito bem produzido, o tipo do filme que eu gostaria muito de ver uma versão 100% nacional um dia.

Dou 4 de 5 cervejas.
4
(Daria só 3 1/2, mas acho um pecado deixar uma breja pela metade.)


TT3D Closer to the Edge

TT3D_Closer_to_the_EdgeGosta de corrida? Adrenalina? Então você vai se sentir em casa. Acho uma pena que, por causa da rivalidade “Customs vs Jaspions”, muitos motocliclistas não gostam de nada que envolve motos esportivas. Por isso, sempre que posso, tento atrair mais adeptos para este mundo. E uma boa maneira de se interessar mais sobre o tópico é com o documentário TT3D Closer to the Edge.

Para quem não sabe, o Tourist Trophy Isle of Man, é uma corrida pelas estreitas e perigosas ruas da Ilha de Man, entre a Irlanda e o Reino Unido. E perigosas não é eufemismo: em 100 anos de corridas, mais de 200 pilotos faleceram no circuito. Não há áreas de escape, a segurança é mínima, pilotos passam a mais de 320 km/h ao lado de muros de pedra com centenas de anos.

Um dos grandes atrativos do TT, é a sua habilidade em atrair de pilotos desconhecidos a campeões mundiais, alçando muitas vezes os desconhecidos ao status de heróis. Closer to The Edge acompanha um desses pilotos locais, o mecânico de caminhões Guy Martin, e a sua tentativa de ganhar a corrida.

Ao invés de postar um trailer, vou deixar um vídeo com cenas que definem bem a corrida. Esqueça falatório em espanhol do começo e já parta para os 36 segundos, que é onde a ação começa.

Dou 5 de 5 cervejas.
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Faster

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Documentário na mesma pegada do anterior, que conta muito dos bastidores do MotoGP. É narrado pelo Ewan McGregor, ator que gosto bastante e que é bastante apaixonado por motos. Vale a pena, mesmo contando uma história que já está bem datada.

Dou 4 de 5 cervejas.
4


The Place Beyond The Pines – O Lugar Onde Tudo Termina

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Não é exatamente um filme sobre moto, mas o personagem principal é um piloto de manobras que acaba sendo levado para uma vida de crime, então vou roubar um pouco no jogo e botar ele na lista.

Tem um puta elenco, e o filme trata sobre um tema bem atual: o desemprego, a responsabilidade de ser pai e o papel do homem na sua família. Achei bem interessante, mas assim como o filme Driver, pode parecer lento para quem não gosta desse diretor ou está esperando um filme de ação.

Dou 4 de 5 cervejas.
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Porque você decidiu ter uma moto?

Peter Egan, da revista Cycle World, é um dos meus jornalistas favoritos. No seu livro Leanings, ele faz uma reflexão sobre o que o levou a comprar sua primeira uma moto.

Para ele, o que catalizou uma decisão que mudaria sua vida inteira, foram os poucos segundos da introdução do filme Lawrence da Arábia.

A cena acima é a que ele se refere. Começa com auma Brough Superior vista de cima, estacionada em um quintal. Um jovem se aproxima dela com um pano em mãos e começa a cuidar da moto, carinhosamente. Coloca óleo no tanque lateral, passa uma flanela com delicadeza. O dia parece ser uma preguiçosa manhã de domingo, daquelas que você acorda cedo para dar um rolé.

Depois de todo esse ritual, o rapaze em cena coloca um par de óculos de aviador. Vemos o close de uma botam, que dá um chute firme no pedal de arranque, fazendo a moto pegar de primeira. O imponente V-Twin começa a rugir e ele parte através de uma belíssima estrada rural.

O sorriso no rosto que ele carrega nessa cena, é algo que só quem já andou de moto por pura diversão consegue entender.

Petar Egan tinha apenas 14 anos quando viu esse filme, mas foi fisgado imediatamente. Daquele dia em diante, ele sabia que as motos seriam uma parte importante da sua vida.

E essa certeza só aumentou quando, alguns dias mais tarde, ele se encontrou no meio de uma estrada nos EUA, pedindo carona para chegar em um ferro velho que ficava na próxima cidade. Duas Harleys se aproximaram, e um dos motociclistas fez sinal para que ele subisse na garupa. Mas ao invés de ir até o ferro velho, ele terminou o dia em uma loja de motos com os tais motoqueiros, ouvindo as histórias e fuçando pelos cabides e armários de peças da loja (um hábito que ele diz não ter perdido até hoje).

Anos mais tarde, um amigo perguntou como foi que ele se interessou por motos. Depois de Egan contar a história, seu amigo deu um pulo: “Deus do céu, eu assisti Lawrence da Arábia no mesmo ano e prometi que eu nunca ia subir em uma moto! Ele morre na porra primeira cena, logo no começo do filme!”

Egan apenas deu de ombros. Sim, o cara morria, mas aquele sorriso de prazer ao pilotar era muito foda. Todo mundo morre, mas nem todo mundo vive.


(Esta é uma versão revisada de um post foi publicado originalmente em 2011).

Qual é a moto do filme Jurassic World?

A moto pilotada pelo personagem de Chris Pratt, é uma Triumph Scrambler, levemente customizada com um escapamento Arrow 2×1, guidão Renthal de 7/8″, lanterna traseira no estilo Lucas, além de banco solo e rack da linha de acessórios originais da marca.

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O ator ganhou a moto de presente no final das filmagens, mas disse em um vídeo de bastidores que “uma pessoa deve saber os limites de suas habilidades. Se você me ver andando de moto em algum tablóide, me dê um chute nas bolas”. Pelo visto o vírus do motociclismo não pegou o cara.

Algumas fotos dessa belíssima moto:

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Se você quiser saber mais sobre o estilo, confira este post aqui.

Wild Angels, um dos expoentes da biker-exploitation

Os filmes chamados de exploitation dos anos 60 e 70, recebiam esse nome pois foram criados para ganhar dinheiro fácil, “explorando” subculturas que estavam na moda, sempre com baixo orçamento e muito sensacionalismo em cima deles. Wild Angels é um dos mais conhecidos, e foi a semente para o filme Easy Rider (Sem Destino).

Aliás, Easy Rider merece um post a parte. Apesar da maioria hoje em dia considera-lo um filme tosco, ele causou um enorme furor na época, já que foi um dos primeiros a dar voz para o movimento da contra-cultura que surgia nos EUA, fundado por jovens que não concordavam ou queriam fugir da Guerra do Vietnã. Além disso, sua estética de belas imagens com uma trilha sonora interessante, praticamente fez com que a linguagem do videclipe se popularizasse nos anos seguintes. Ou seja: sim, ele é tosco, mas sua influência cultural é inegável, e merece reconhecimento por isso.

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Filmes (trash) de moto

Tem muito filme de moto bom por aí. Mas alguns são tão ruins, que chegam a ser bons. Alguns dos meus favoritos:

À Sombra De Um Disfarce (Beyond The Law)

Também conhecido como Fixing The Shadow, é um filme feito para a TV em 1992, estrelando Charlie Sheen. A história é supostamente baseada no relato de um policial infiltrado em um M.C. 1%er, que acaba ficando envolvido demais com aquela vida.

A introdução acima (com um som que não é o original do filme) já dá uma prévia dos inúmeros clichês que serão usados dali pra frente. A interpretação do Charlie Sheen é tão caricata que chega a doer em alguns momentos:

Se estiver curioso, uma boa alma colocou o filme na íntegra aqui.

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Podem chiar, já que muita gente é fã desse filme, mas a verdade é que a história é cômica de tão absurda: um grupo de foras da lei se juntam para salvar um bar das garras de uma corporação maligna, o grande vilão dos filmes dos anos 80 e começo dos anos 90.

Mesmo assim, a moto do filme é uma das mais legais e emblemáticas do cinema. Se você quiser saber mais sobre ela, recomendo este post aqui.

Os Dêmonios Sobre Rodas (Hells Angels on Wheels)

Estrelado por um jovem Jack Nicholson, o mais divertido desse filme é que os próprios Hells Angels participaram dele, incluindo o presidente Sonny Barger, mostrando muitas cenas reais de interação entre eles (e alguns quase tombos). O filme parece ter sido mais improvisado do que interpretado, com vários furos no meio do caminho. Tem na íntegra aqui.

Anjos Selvagens (The Wild Angels)

É um dos expoentes da biker-explotation, e seu relativo sucesso gerou verba para Easy Rider (Sem Destino) ser feito três anos depois. Usa e abusa dos medos que as pessoas tinham das “gangues” de moto na época, mais ou menos como The Wild One fez décadas antes.

Membros dos Hells Angels da California e dos Coffin Cheaters MC fazem diversas participações no filme.

Fúria em Duas Rodas (Torque)

Cópia barata em duas rodas de Velozes e Furiosos, mas sem nenhum carisma. A ação beira o absurso, nem videogame é tão exagerado. Se você não acredita, confira uma das cenas aí em cima.

Cavaleiros de Aço (Knightriders)

George Romero levou ao pé da letra a expressão cavaleiro de aço e fez um filme justamente sobre isso, mostrando um grupo de motoqueiros que faz torneios medievais sobre motos.

Vale pela participação especial de Stephen King interpretando um bêbado, justamente na fase de sua vida onde ele lutava contra o alcoolismo.

O grande vencedor:
I Bought A Vampire Motorcycle

Essa pérola me foi apresentada pelo Digital Inferno XV. É para ser uma comédia/ horror, mas eu acho que boa parte do humor do filme foi criada sem querer. A premissa é a mesma de Christine – o Carro Assassino, mas com uma Norton Commando 850cc no lugar, que busca vingança correndo atrás do sangue de Hells Angels.

A cena abaixo, do diálogo com um cocô, resume muito bem do que se trata.

Menção Honrosa:
She Devils On Wheels

Essa cena da decapitação é fantástica, não tenho nada a dizer.

Curiosidades sobre as motos do primeiro Mad Max

Hells Angels e Vigilanties

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Boa parte dos motoqueiros em cena são membros dos Hells Angels MC e dos Vigilanties MC da Austrália. Apesar de atores profissionais terem sido escalados para os papéis mais proeminentes, boa parte da gangue de motos do filme é interpretada por membros desses dois MCs.

Pagamento em cerveja

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Como o filme tinha um orçamento muito baixo (o diretor de arte chegou a roubar itens de cena de uma loja de conveniência, devolvendo só após o dia de filmagem), os membros de ambos os MCs foram pagos em cerveja.

Dublês improvisados

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E o pagamento em cerveja incluía até os motoqueiros que se voluntariaram para fazer cenas de ação perigosas.

Acidente de moto

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A atriz que deveria interpretar a esposa de Max sofreu um acidente de moto enquanto estava com o dublê Grant Page, e ambos quebraram as pernas. O dublê continou trabalhando mesmo com a perna quebrada, mas a atriz teve que ser substituída por Joanne Samuel.

Patrocínio da Kawasaki

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Pouco antes das filmagens começarem, a Kawasaki doou mais de uma dezena de motos para a produção. Os motoqueiros passaram algumas semanas andando nas motos para se acostumarem antes das filmagens, e acabaram formando um MC fictício nesse período, com regras e hierarquia, o que acaba transparecendo no filme.

Diga-se de passagem, essa doação foi uma decisão acertada da Kawasaki, já que a KZ1000 do Goose esta entre as motos mais famosas do cinema.

Sem orçamento pro figurino

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Sabe aquele visual  da gangue do Toecutter, que até hoje é copiado por alguns? A produção não tinha verba para o figurino, então os motoqueiros trouxeram suas próprias roupas para o set de filmagem.

GoPro? GoPobre

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Para as cenas da moto do Goose em primeira pessoa, a solução encontrada pela equipe foi simplesmente colocar o cameraman na garupa.

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Um longo vôo

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Na cena do acidente com a moto do Goose, o dublê voou por cerca de 27 metros, uma distância maior do que um caminhão cegonha, muito mais do que a produção esperava.

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Mad Max: Fury Road – Crítica

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Antes de mais nada, vamos deixar uma coisa clara: se você é fã da trilogia original, vá ao cinema neste final de semana assistir ao filme Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road, em inglês).

Você não vai se arrepender. Simples assim.

Eu sei que já chamei o primeiro filme da série de supervalorizado anteriormente, mas gosto dele. E considero os dois Mad Max seguintes filmes antológicos, que fazem parte do inconsciente coletivo de qualquer pessoa que, como eu, cresceu nos anos 80 imaginando um futuro caótico e desesperançoso, alimentando pelo medo de um holocausto nuclear que parecia pairar sobre todos nós.

Mad Max Fury Road é o novo benchmark para os filmes pós-apocalípticos. Ele fez para os filmes de ação o que o Soldado Ryan fez para os filmes de guerra. O filme é sujo. É intenso. É absurdo. É surreal. E é tudo o que um fã da série espera.

São duas horas praticamente ininterruptas de perseguição, com poucos diálogos e, mesmo assim, o filme tem uma riqueza de detalhes que acabam explicando todo aquele universo.

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Isso se deve ao diretor George Miller que, aos 70 anos de idade, deu um cacete nos diretores mais novos e descolados, e criou algo inovador sem precisar usar nenhuma tendência da moda. Um feito impressionante em um mundo que parece valorizar apenas a novidade, e que considera coisas de poucos anos atrás como velhas.

Já o ator principal, Tom Hardy, encarnou um novo Max, que finalmente faz jus ao apelido de Mad. Sim, todos amamos Mel Gibson nesse papel, mas Tom trouxe algo de novo. O fato dele já ter se afundado nas drogas, e ter dito que teria vendido a mãe por crack, mostra que o cara pode interpretar a loucura com propriedade.

As referências aos filmes anteriores estão todas lá, algumas discretas outras descaradas. O Master-Blaster em uma versão mais sutil e grotesca, parte de um casting que não hesitou em escalar pessoas com severas deficiências físicas. A caixinha de música. O Interceptor V8. A jaqueta. Os olhos saltando para fora das órbitas antes de uma batida.

E a cereja do bolo foi o excelente vilão, Immortan Joe, interpretado por Hugh Keays-Byrne, o mesmo ator que fez o Toecutter no primeiro filme da série, 30 anos atrás. Um vilão que consegue ser tão assustador, quanto surreal.

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Até a Charlize Theron foi uma surpresa, interpretando uma personagem mutilada que faz você esquecer que está vendo a mesma atriz que costuma aparecer cheia de glamour anunciando perfume Francês na TV a cabo.

O filme é absurdo como só um filme australiano dos anos 80 poderia ser, mas com efeitos especiais e direção de arte do século 21. Aliás, efeitos especiais muito bem utilizados, diga-se de passagem, já que boa parte da ação foi feita com dublês e carros de verdade. Todos os veículos em cena funcionam plenamente, e são tão modificados que fica difícil dizer qual era o que antes (até uma Bonneville fez uma participação especial).

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O filme explode de tanta loucura. É uma sessão insana e ininterrupta de ação, com direito até a carro carregando trilha sonora para ditar o clima da batalha. Nada faz sentido, mas ao mesmo tempo, faz todo o sentido em um mundo como aquele. E no meio de todo o absurdo, você começa a entender aquela loucura e, quando menos espera, é empurrado para dentro dessa insanidade por um V8 cuspindo gasolina pelo carburador e soltando fogo pelo escape.

Não é a toa que o filme ficou parado na distribuidora por alguns anos antes de ser lançado. Em um mundo politicamente correto e limpinho como o de hoje, é preciso ter culhões para se aprovar o lançamento de um filme que brinca com o grotesco, mas sem perder a classe.

Não importa se a sala é XD, iMax, 4D ou qualquer outro nome do tipo: escolha a sala com a maior tela e o som mais potente possível e prepare-se para ver o mundo tremer.

E saia um pouco mais Mad do que você entrou.

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Mad Max: Estrada da Fúria

Classificação indicativa: 16 anos
Elenco
Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Zoë Kravitz, Rosie Huntington-Whiteley, Nathan Jones, Riley Keough, Josh Helman, Hugh Keays-Byrne, Debra Ades, Megan Gale
Roteiro
George Miller, Brendan McCarthy, Nick Lathouris
Direção
George Miller
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Qual é a moto do filme Edge of Tomorrow?

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Muita gente me perguntou “que Bonneville estranha” era aquela pilotada pelo Tom Cruise na ficção-científica Edge of Tomorrow (no Limite do Amanhã em Português). Essa é fácil: é uma Triumph Thruxton, que nada mais é do que uma Bonneville cafe racer de fábrica.

Felizmente, com a chegada da Triumph no Brasil, a Thruxton é um dos modelos que agora estão disponíveis para nós, e já conheço alguns felizes proprietários dela.

A diferença para a Bonnie está na pegada mais esportiva, com posição de pilotagem um pouco mais agressiva, suspensões diferentes, guidão baixo, motor um pouco maior e mais potente, roda de 18″ na frente, entre outros detalhes.

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Tem dúvida de alguma moto que apareceu no cinema? Deixe nos comentários que eu incluo nos próximos posts.

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