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A Dyna se foi, a Softail meio que se foi – novidades Harley 2018

Eu tive uma Dyna. Apesar de um problema elétrico crônico que nunca foi encontrado, eu adorava aquela moto. Ainda gosto, se pudesse ela estaria na minha garagem até hoje. Não era nenhuma FXR, mas era o mais perto que eu ia chegar.

Por isso que eu fico um pouco triste de dar essa notícia para vocês. Sim, a Dyna saiu de linha. Aliás, a Softail saiu de linha, porque o que a Harley lançou hoje é algo bem diferente. Os modelos das duas linhas foram unificados no que podemos apelidar de “New” Softail, um novo frame que abandona os amortecedores laterais da Dyna e os que ficavam sob o quadro da Softail.

O novo frame é mais moderno, mais rígido e com menos soldas para deixar as motos mais estáveis e com melhor dirigibilidade, algo que os consumidores estão pedido há tempos nos EUA. O novo amortecedor vai ficar escondido debaixo do banco em uma posição que deve ajudar ainda mais na rigidez do conjunto. O motor também não vai usar nenhum coxim, sendo fixado diretamente no quadro como nas antigas Softails, mais um item que aumenta a rigidez do conjunto.

(Só quero ver agora como o pessoal vai rebaixar as motos. E aguardo descobrir se esse novo amortecedor vai dar conta das ruas do Brasil.)

O lado bom é que o visual conseguiu ficar ainda mais limpo e mais semelhante com uma moto rabo duro, que era justamente a ideia por detrás do quadro da Softail: fingir que era algo old school quando na verdade não era, uma coisa que a Harley gasta rios de dinheiro para fazer (e faz bem).

As motos chegaram a perder até 13kg, o que é algo QUE O MARKETING NEM DEVERIA MENCIONAR! Sério Srs e Sras executivos da Harley-Davison: olha quanto Harleyro barrigudo tem por aí nos EUA e pelo mundo (tô me incluindo nessa). Olha os acessórios de metal fundido, pedaleira plataforma de dois quilos e os escapes maiores que um Cadillac que a galera põe nas motos. Ninguém liga pro peso. Talvez 2% do seu público alvo esteja preocupado com peso, e são provavelmente os mesmos que vão vender a HD pra comprar uma cafe racer.

Falando sério, isso é bom. Economia de peso ajuda na frenagem, ajuda no desempenho, na economia e na hora de manobrar. É pouco peso que elas perderam, mas é um começo, especialmente quando se percebe que essa é a primeira vez que a Harley menciona o assunto.

Com o novo frame, as motos também melhoram nas curvas (que, depois da redução de peso, é outra coisa que a Harley nunca se importou muito). Nas curvas, a Softail Slim foi de 24.9º de inclinação na esquerda e 24 de inclinação na direita para to 27.4º em ambos os lados. É uma bela mudança e que acaba com aquele sensação horrível de que você faz curva melhor de um lado do que para o outro (o que não deixa de ser verdade, mas a sensação piora quando a moto é assimétrica nesse quesito). Já a Fat Bob continua assimétrica, mas ganhou um pouco mais de cada lado: 32º na esquerda e 31º na direita.

Uma das coisas que ajudou nisso foi a mudança de lugar da primária, que foi levemente deslocada para cima e em ângulo para não raspar tão cedo. Curiosamente, esse é o tipo de customização que era feita pelo pessoal das antigas que transformava as Harleys em bobbers para correr mais.

E antes que alguém saia com ideias por aí, o ângulo de inclinação de uma R1 é de 47º mais ou menos. A Harley ainda vai continuar fazendo curva quadrada, a menos que você seja esse cara aqui:

Todas as motos possuem suspensão regulável na traseira, com um acesso muito mais fácil por debaixo do banco. A suspensão dianteira melhorou também e os pilotos de teste das revistas gringas que tiveram acesso antecipado ao lançamento falaram muito bem da performance geral das novas motos.

E já não era sem tempo: os novos motores Milwaukee-Eight (M8) mereciam um conjunto melhor para botar toda a potência no chão. Aliás, sim… Esse é o motor que vai estar em toda a linha “new Softail” (sim, eu tô inventando esse termo). Digam adeus ao Twin Cam.

Todas as motos agora contam com ignição sem chave, que agora só vai ser usada apenas para a trava de guidão. Outras firulas foram incorporadas nas motos, e aí que entra a má notícia:

Todas… as.. motos… estão… mais… caras. Algumas um pouco, outras consideravelmente.

Com o dólar no preço que está, e com a economia engatinhando, não quero nem saber por quanto essas motos vão chegar por aqui. Deixo isso para o Wolfmann que faz previsões e análises sobre o tema melhor do que ninguém. Eu vou ter que vender meu rim pra comprar uma moto nova algum dia pelo visto. Ou rodar bolsa como dizia a minha avó (dizia, e não fazia engraçadinho).

Em resumo: uma bela mudança, que certamente deixou as motos muito mais prazeirosas de dirigir. O visual é questão de gosto, alguns vão amar e outros odiar modelos como a Fat Bob. Eu confesso que me interessei, é aguardar e ver como elas chegarão por aqui.

(PS: Ei, Harley… Vocês podiam parar de fingir que eu não existo e deixar uma dessas pra eu testar! Fica a dica… A galera aqui ia gostar. E garanto que eu ia fazer umas fotos bem mais legais do que essas revistas de consultório de dentista onde vocês divulgam os releases. #paz #ficaadica)

Street Bob 2018
Fat Bob 2018
Low Rider 2018

Se você tiver paciência, e souber inglês, veja a Live da Harley no YouTube com todos os lançamentos:

Harley-Davidson lança Road King mais bandida

Eu sou suspeito para falar da RK, pois é a bagger que eu mais gosto. A Harley-Davidson acabou de dar um belo tapa no visual da clássica Road King, deixando ela com aquele visual que muita gente gosta de chamar de “bandido” com a nova versão Special.

Ela perdeu as rodas raiadas, a bolha, vários cromados e ganhou o novo motor Milwaukee-Eight. Os alforges deixam de ser de couro e se tornam rígidos, seguindo bem o visual das baggers customizadas.

Harley e Ducati com desconto

A Ducati está dando um bônus de até R$ 3 mil para quem está afim de uma Scrambler Icon, Monster 821 Dark/Red, Hypermotard, Hyperstrada e Diavel Dark. Para quem já tem um modelo da marca, eles oferecem emplacamento grátis e “supervalorização na troca”. Honestamente, eu não sei o que isso quer dizer… Pra alguns, supervalorização quer dizer pagar 30% a menos que a tabela Fipe, ao invés de 40%.

Se alguém for negociar lá, avisa pra gente o que essa “supervalorização quer dizer”. A promoção vale até o dia 28 deste mês.

Já a Harley-Davidson está oferecendo duas motos com R$ 10 mil de desconto. A Fat Bob vai de R$ 59,9 mil para R$ 49,9 mil, e a Street Bob vai de R$ 55,8 mil para R$ 45,8 mil. Esses são preços de tabela, então é bom pesquisar se o desconto é real ou se ele já estava sendo negociado nas lojas.

A Harley também oferecem até R$ 4 mil de valorização na sua seminova. Mais uma vez, se for R$ 4 mil de valorização, mas oferecem 40% a menos que a FIPE, vale a pena vender sua moto para os amigos.

via GIPHY

Se a baixa do dólar se mostrar um tendência, talvez tenhamos boas surpresas este ano quando os estoques baixarem. Mas isso é uma loteria, vamos esperar para ver.

Uma customização do jeito que a Harley Deveria ter feito

Apesar de gostar da XR1200, minha maior crítica sobre o modelo é o quanto que ele destoou do restante da linha da Harley-Davidson. Seria muito bom ter outras opções de design, talvez inspirada na extinta Sportster XLCR1000 ou nas cafe racers britânicas, ao invés de usar como base a XR750, um modelo com uma legião de fãs leal, mas pequena.

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Se a ideia era criar uma esportiva refrigerada a ar, eles deveriam ter fugido um pouco das linhas mais modernas. Os modelos clássicos combinam mais com a proposta e com o público alvo, que geralmente procuram algo com um visual mais vintage. Um bom exemplo disso é a Ducati com a extinta linha SportClassic e a Triumph com sua Thruxton 1200R.

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Sportster XLCR
Ducati SportClassic
Ducati SportClassic

Mas ontem, no programa matinal “Pra Você”, apareceu uma XR que está sendo customizada aqui no Brasil que tem tudo para se tornar um belíssimo exemplar, muito parecida com a The American da Deus.

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Você pode conferir alguns detalhes dessa moto no programa matinal  vendo a reportagem completa neste link: http://tv.uol/15KwK

Outras inspirações pra linha XR, você confere aqui.

Harley-Davidson Knucklehead Bobber

Alguém me mandou esse vídeo e agora eu me encontro levemente obcecado com essa bobber. É um belíssimo exemplar, customizado exatamente como sempre imaginei construir uma bobber clássica (minha antiga Dyna foi uma tentativa frustrada de fazer algo com esse visual, mas isso é assunto pra outro post). Realmente uma moto feita com muito bom gosto e, ao menos aparentemente, carinho.

Não sei absolutamente nada sobre ela, a não ser que estava à venda pela www.oldcarsimport.com. Ainda chego lá um dia…

Estréia hoje a série “Harley and The Davidsons”

A história do nascimento da Harley é muito mais complexa do que costuma se contar por aí, com diversas reviravoltas pelo caminho. Felizmente estréia hoje “Harley-Davidson: a série”, às 22h10, no bloco Sexta de Motores do Discovery Channel. Serão 3 episódios, com duas horas de duração cada, contando as origens de uma das marcas mais lendárias de todos os tempos.

O nome em português não é muito criativo, mas o título original em inglês “Harley e os Davidsons” já dá a entender que ela vai tratar da dinâmica da relação entre William S. Harley com os irmãos Arthur e Walter Davidson.

Tive a sorte de poder assistir ao preview e, apesar de não ter visto muito, me parece ser uma história correta e bem contada, mostrando um lado pouco explorado da origem da marca: o empreendedorismo e as dificuldades de engenharia que eles enfrentaram no começo, em uma época onde o mundo passava por diversas transformações sociais e tecnológicas.

Harley-Davidson: a série.
Discovery Channel
Primeiro episódio nesta sexta-feira, 23 de setembro às 22h10.

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Harley na novela e a evolução das propagandas da HD

Essa é uma notícia que deixou muita gente surtada, especialmente os guerreiros de teclado. Enquanto lá fora a Harley foge da imagem de malvadão e tenta se aproximar mais dos descolados urbanos, das mulheres e minorias, inclusive co-patrocinando filmes Blockbusters como os Vingadores, aqui no Brasil o pessoal decidiu ir para uma via mais tradicional: galãs e novelas da Rede Globo.

Malvadões, onde está o seu Deus agora?

Bruno Gagliasso, personagem central da nova novela, é mecânico de motos e dono de uma Breakout (tá ganhando bem como mecânico pelo visto). Henri Castelli e Letícia Spiller são donos de um bar/barbearia/oficina chamado Rota 94 onde os motociclistas da novela se reúnem Ele é decorado com vários itens da Harley, todos cedidos pela marca, incluíndo aí uma Heritage Softail Classic que fica de enfeite (moto parada? Heresia!). Outros personagens possuem uma Street Bob, uma Road King Classic e, é claro, uma Iron 883 customizada.

(Nota pessoal: será que as gravações da novela vão sofrer atrasos por falta de peças para as motos? Ou a Globo vai ter “tratamento especial”?)

Outro merchandising bem presente na novela serão as roupas da marca para vender o famoso “lifestyle” da Harley. Mais sobre isso em um ótimo post no blog do Wolfmann.

Flávio Villaça, gerente de Marketing, Produto e Relações Públicas da Harley-Davidson do Brasil, disse em entrevista para Motonline: “A estreia da Harley-Davidson na novela da Globo será uma ótima oportunidade de levarmos ao público alguns dos diferentes modelos que compõem o nosso lineup 2016, bem como os itens de MotorClothes e Riding Gear produzidos pela marca, sem contar que vamos compartilhar um pouco mais do nosso estilo de vida”.

A evolução da propaganda na nova era Harley

É curioso notar para onde a Harley quer ir, e acho que podemos contar essa história através das próprias propagandas da marca.

Não faz muito tempo, a marca produzia vídeos como este, que deixou muita gente arrepiada e virou quase um mantra:

Particularmente, eu sempre gostei muito desse manisfesto e me identificava com muito do que era dito. Virou clichê, mas tocava no cerne de pessoas que acreditavam ter nascido na década errada ou que achavam as motos modernas desinteressantes e sem personalidade.

No entanto, os Baby Boomers foram envelhecendo e marca não foi ganhando espaço entre os mais jovens, que não se identificavam com essa filosofia.

Nessa época, a Harley ainda flertava com a imagem do badboy e do malvadão, como neste comercial aqui:

(Spoiler: muita gente confunde os atores do filme e acaba não entendendo o comercial. O resumo é que o motoqueiro é o amante que chega em casa, e quem se esconde é o marido.)

Mas essa imagem começou a pegar mal com o público feminino, que via a marca como algo misógino, justamente um público que eles tentavam conquistar. Latinos e negros também fugiam da marca, não se identificando com esses estereótipos. É por isso que, depois da virada do milênio, as coisas foram mudando lentamente, ganhando tração nos últimos 6 anos.

Por exemplo, para atrair os mais jovens, eles lançaram a linha Dark Custom, tentando associar a linha com um pessoal mais urbano, que valoriza o aspecto industrial da coisa:

Muitos dos anúncios foram migrando para mostrar um pessoal mais cool, de bem com a vida:

Antenada com o que estava acontecendo na cena de customização, a Harley lançou uma moto inspirada nos anos 70, com um comercial que seguia o mesmo estilo:

A estéticas das motos, a trilha dos comerciais e a fotografia ficaram mais atuais. Eu particularmente gostei, achei que eles atualizaram a marca, mas ainda mantinham algo da essência:

A linha VCO também foi para uma pegada mais atual, usando uma mulher como protagonista, algo impensável poucos anos antes para certas marcas da categoria:

Enquanto isso, algumas subsidiárias de outros países ainda tentavam manter a ideia do malvadão, mas sem o mesmo brilho no entanto:

É claro que essas mudanças acontecem especialmente nos modelos de entrada, onde estão a maior parte do novo público que eles querem conquistar:

Enquanto os mais caros continuam com um ar neutro, usando aquele velho clichê da propaganda de se mostrar o produto com frases genéricas como “design arrojado”, “sofisticação”:

De qualquer forma o foco mudou, eles tentam romper com esteriótipos, como mostrando tradicionais clubes formados por negros, algo que era pouco comum nos EUA:

Ou mostrando que quem anda de Harley talvez não seja o esteriótipo do malvadão ou do tiozão de meia idade que muitos imaginam:

E vocês? Se identificam com essas mudanças, ou fazem parte do grupo que conseguem consumir uma marca mas sem se identificar com o que eles tentam passar?

O nada discreto marketing da Indian

A propaganda no Brasil tem uma peculiaridade: quando um anunciante critica o produto da concorrência, seja tirando sarro ou fazendo uma comparação direta (mesmo que honesta), a maioria dos consumidores tendem a simpatizar com o produto do concorrente, um verdadeiro tiro pela culatra.

Existem várias teorias sobre porque isso acontece, sendo a mais recorrente a que alega que, no Brasil, a maioria da população tende a torcer pelo mais fraco e ver pessoas de sucesso ou em posições de liderança com desconfiança.

No entanto, esse tipo de comparação é comum nos EUA, com marcas famosas como a Coca-Cola e a Pepsi alterando “tirações de sarro” uma com a outra com certa frequência. A própria Indian fez uma campanha inteira se comparando com a Harley:

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Anuncio Indian

Continuando com essa tradição, o novo vídeo do canal da Indian no YouTube foi direto ao ponto, comparando a nova Scout com a Harley-Davidson Superlow. Não dá pra deixar de notar um certo desdém do apresentador pela Low:

E vocês, qual vocês preferem?

(Quase) tudo o que você queria saber sobre o novo motor da Harley

A revista Cycle World resumiu como poucos o efeito que os motores da Harley-Davidson causam nas pessoas: “Se alguma vez um motor inspirou fervor religioso, é esse.”

E, alguns dias atrás, a Harley lançou a 9ª geração do seu Big Twin, batizado de Milwaukee-Eight em homenagem à terra natal da HD e as 8 válvulas desse novo motor.

Sinceramente não gostaria de estar no lugar do time responsável por esse lançamento. Cada mudança em um novo motor da Harley é examinada e criticada à exaustão. Avanços tecnológicos são visto como heresia por alguns, enquanto outros alegam que, mesmo o motor mais moderno da Harley, ainda assim é obsoleto comparado com os da concorrência.

Quer um exemplo? O novo motor possui um eixo contra balanceiro, prática comum nos motores que não são montados em coxins de borracha. Esse sistema que nada mais é do que um peso que se move no sentido contrário do motor para suavizar as vibrações.

Mas o novo eixo contra balanceiro desse motor é tão bom, que em pesquisas com clientes muitos reclamaram da falta de vibração dele, dizendo que “não parecia uma Harley”. Então os engenheiros voltaram pra prancheta e fizeram com que ele eliminasse “apenas” 75% da vibração do motor.

Quanto às novidades, é difícil explicar detalhes técnicos sem ficar chato ou parecer com um release da marca, mas vou tentar explicar as maiores mudanças.

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Mais potência, menor aquecimento.

As 4 válvulas por cilindro, o novo sistema de escape e de refrigeração são as principais melhorias desse motor. Agora ele consegue desenvolver mais potência sem superaquecer, o que era um enorme desafio para um motor que estava ficando cada vez maior, mas que ainda assim dependia principalmente da refrigeração a ar.

Motores ainda maiores

Com 107ci (1.750cc), o Milwaukee-Eight irá substituir os Big Twins de todas as motos da linha Touring, incluindo uma edição CVO da Limited e Street Glide com a enorme capacidade de 114ci (1.870cc).

Alguns acreditam que esses motores irão aparecer na linha Softail, e uma notícia particularmente estranha diz que ele irá manter os coxins de borracha.

Para quem não sabe, a principal diferença entre os motores da linha Touring/Dyna para os da Softail é justamente a fixação do motor no quadro: as Touring/Dynas usam coxins de borracha para reduzir a vibração, enquanto as Softail usam o contra balanceiro (o que cobra seu preço reduzindo levemente a potência desses motores). Agora, poderemos ter um motor usando ambos os sistemas na Softail. Será?

Sistema de refrigeração mais eficiente

Já faz tempo que a Harley está tentando manter a aparência de motor refrigerado a ar, usando sistemas que considero muito mais complicados do que o velho (e feio) radiador. Mas no novo motor, eles levaram isso um passo além, aperfeiçoando o sistema de refrigeração escondido no cabeçote para reduzir ainda mais a temperatura do motor.

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Mais silencioso

Não sei como dizer que isso é um aperfeiçoamento em um motor da Harley, mas eles mesmos estão se vangloriando disso.

O novo motor diminuiu o barulho mecânico trocando algumas hastes por uma única corrente com tensionadores hidráulicos. Menos partes móveis, menos atrito e barulho. O motor realmente tem um som diferente, diminuindo um pouco daquela sensação de motor de máquina de costura quando se usa o escape original.

Segundo a Harley, eles “mataram o barulho pra continuar com a música”.

E vocês, o que acharam dessa novidade?

A Harley-Davidson pode mudar de dono (outra vez)

Existe uma forte especulação no mercado financeiro de que o grupo investimentos privado chamado Kohlberg Kravis Roberts & Co., estaria tentando um aquisição hostil da Harley-Davidson, oferecendo até US$ 65 por ação da fabricante de Milwaukee, mais de 20% acima do valor de mercado.

Contactada, a Kohlberg Kravis Roberts & Co. não confirmou ou negou a estratégia de aquisição. A empresa já virou notícia quando sua aquisição de $25 bilhões de dólares da RJR Nabisco inspirou o livro “Os Bárbaros ao Portão”. Nos últimos anos, a KKR&Co. adquiriu dezenas de outras companhias.

O boato já está sendo debatido em diversos meios de comunicação e nas redes sociais. Caso concretizado, essa será a terceira vez que a marca muda de mãos. A primeira mudança foi quando a AMF, fabricante de artigos esportivos, comprou a marca para especular. Sob as mãos da AMF a Harley teve um dos seus momentos mais inglórios, com drástica redução de custos, controle de qualidade comprometido, sabotagem na linha de produção causadas pelos próprios operários insatisfeitos e uma linha de produtos que chegavam a incluir snowmobiles, carrinhos de golfe e motos de baixa cilindrada.

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Já a segunda mudança foi quando o fracasso da AMF fez com que um grupo de descendentes dos fundadores se juntassem para comprar a marca de volta, entre eles o notório Willie G. Davidson, um dos principais responsáveis pelo redesenho das motos e pela restauração da reputação da Harley Davidson.

amf-harley-davidson-250-sst-03“A Harley-Davidson é a marca de motos mais valiosa do planeta. Depois de uma pesada recessão, reestruturação gerencial, corte no inventário e reposicionamento de produtos, ela investiu internacionalmente e fortaleceu o seu balanço.” disse um analista. Segundo ele, isso a torna uma empresa extremamente atraente para alguns investidores.

Se for confirmado, essa aquisição promete balançar o mercado de motos e pode significar uma profunda mudança nos rumos da companhia.

No entanto, uma aquisição formal não pode acontecer sem a aprovação do board da empresa, e os especialistas dizem que isso não será uma tarefa fácil. Justamente por isso, muitos no mercado consideram o rumor infundado e as ações da companhia simplesmente despencaram ontem, após uma forte subida ocasionada nos últimos dias pelo boato.

É aguardar os próximos capítulos.

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Club Bikes: as customs feitas para correr

Esse vídeo está no Instagram da Club Style Dyna Thailand, dedicado ao estilo Club Bike, que foi popularizado pelos motoclubes americanos e, mais recentemente, pela série Sons of Anarchy.

Não preciso nem dizer que, apesar da evidente habilidade do piloto em questão, o que ele está fazendo é extremamente perigoso, ainda mais considerando que o cara fez um drift involuntário em alta velocidade usando apenas camiseta e jeans. Um tombo nessa velocidade, numa estrada dessas e sem usar proteção significa, no melhor cenário possível, vários dias no hospital.

O que são club bikes?

As Club Bikes surgiram quando os MCs começaram a procurar por uma custom americana (pré-requesito para fazer parte de muitos clubes nos EUA) que fosse rápida e ágil. Desde a metade dos anos 90, a Dyna é sem dúvida alguma a club bike favorita, já que ela é um pouco mais leve, utiliza comandos centrais e possui uma posição de pilotagem mais alta do que as Softails, o que favorece a ciclística nas curvas.

Mas, por muitos anos, a menina dos olhos dos clubes foi uma moto pouco conhecida por aqui, mas que até hoje é disputada a tapa entre as usadas: a Harley-Davidson FXR, que teve em sua equipe de projetistas ninguém menos do que Eric Buell.

FXR: a primeira club bike

Quando foi lançada em 1982, a FXR prometia ter o mesmo desempenho de motos japonesas da época. E, assim como Dyna que a sucedeu, ela também possuía um banco mais alto e comandos centrais elevados, o que a tornava a Harley com o maior ângulo nas curvas que já havia existido até aquele momento. O quadro era bem rígido e reforçado, com diversas soldas feitas à mão, uma vantagem que se tornaria justamente o seu calcanhar de Aquiles: fabricá-lo custava muito caro.

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A FXR era muito estável em altas velocidades, já que usava mais pontos de fixação entre a transmissão e o motor, o que fazia com que ela se comportasse como se fosse uma moto com motor de construção única, dando mais rigidez ao conjunto. Essa solução foi abandonada na Dyna, o que leva muitos proprietários a instalarem soluções como o True-Track para estabilizar o chassi, já que algumas Dynas possuíam um problema crônico de shimming (eu experimentei um a 150km/h e posso afirmar: nunca quero passar por isso de novo).

A era das Dynas

Mas no final dos anos 80, temendo que a FXR ficasse muito similar com as motos importadas e não entregasse a “imagem” que os consumidores esperavam de uma Harley, os projetistas começaram a trabalhar na Dyna, cuja a missão era ser uma FXR mais barata de ser fabricada, mas com qualidades semelhantes. Em pouco tempo a Dyna canibalizou a linha FXR, que saiu de linha.

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FXR, que ficou ainda mais famosa com o filme Harley-Davidson e Marlboro Man.

Com o tempo, os clubes foram substituindo a FXR pela linha Dyna, que, apesar de possuir um frame inferior ao da FXR, ainda sim era mais ágil que as Softails da época.

Como o estilo se baseia na função antes da forma, a maioria das alterações são para melhorar o desempenho. Não é raro ver bike runs de grandes clubes com a galera andando em formação a mais de 170km/h e costurando pelo trânsito, algo ilegal na maioria dos estados Americanos.

Obviamente que Dynas não são unanimidades, existem diversos outros membros de MCs com outros modelos e estilos de motos. Mas por ter sido um dos estilos mais populares, as Dynas e FXRs acabaram ficando com a fama.

Alguns exemplos de Dynas no estilo Club Bikes:

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E um featurette sobre as motos do seriado “Sons of Anarchy”:

 

Ideias de customização para a linha XR da Harley

A moto acima não é nova, foi feita há 4 anos pela RSD, em cima da primeira geração da extinta linha XR. Mas como aparecem cada vez mais e mais comentários aqui pedindo ideias para essas motos, vale a pena relembrar. Nos últimos anos, esse modelo parece ter encontrado um novo público, sem falar nas pessoas que possuem Sportsters e gostam de usar soluções da XR em outros modelos da linha.

Sinceramente, a XR1200 da RSD não é do meu gosto. Eu ainda tenho uma XRX e não pretendo me desfazer dela, por algum motivo que foge da minha compreensão (quem acha que moto é decisão racional, precisa conversar com um psiquiatra: essas malditas tiram nossa razão).

Por causa da tendência mais esportiva do modelo, acredito que ela combina um pouco mais com as customizações no estilo Cafe Racer, apesar de muita gente já ter enjoado dele (alguns até com certa razão).

Se algum dia eu encontrar quem consiga fabricar um tanque como o da foto abaixo, eu pretendo deixar a minha o mais próximo possível da The American 1200 das fotos aí embaixo, fabricada pela excelente a Deus. (Aliás se você conhecer a pessoa capaz de fazer isso, é só me avisar).

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Deus The American

Alguns já tentaram seguir essa linha, mas com um resultado nada satisfatório, na minha humilde opinião. O quadro, banco e tanque precisam formar em uma linha reta e paralela com o chão, para que o resultado seja harmonioso, o que não é o caso desse exemplo:

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Uma outra opção é se inspirar em outra moto que desapareceu da linha HD, e hoje é bem disputada entre colecionadores. A Sportster XLCR:

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Se você quiser saber mais sobre a XLCR original, que ficou famosa com o filme Chuva Negra, recomendo o post “Qual é a moto do filme Chuva Negra?“.

E tem também um exemplar nacional que serviu de inspiração pra muita gente, a moto do Daniel Romagnolo que apareceu no post “Uma XR1200X fora da caixa“:

 

A Rough Crafts também tem uma releitura bem interessante do modelo:

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E só um lembrete: como a XR é uma moto que parece ter mais haters do que fãs, deixem seus comentários à vontade, mas lembrem de respeitar os coleguinhas que, como eu, adoram motos que não se encaixam em nenhuma categoria.