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The Edge – O limite

Depois de reler o post Zen e a arte de pilotar, acabei me lembrando de uma passagem do livro “Hell’s Angels – A Strange and Terrible Saga”, que está entre as minhas favoritas sobre moto.

O trecho faz parte do livro escrito por Hunter S. Thompson após ele passar um bom tempo ao lado dos Hells Angels. Para quem não conhece, é um livro bem polêmico que termina com o autor levando uma bela surra, e você pode ler a resenha que escrevi sobre ele aqui.

Mas acontece que, antes mesmo de se infiltrar no notório M.C., Hunter já era um apaixonado por motos potentes e conhecido pelo seu comportamento autodestrutivo, o que o levava a percorrer as estradas da Califórnia em alta velocidade sem capacete durante a madrugada. E em certo momento do livro, ele narra um pouco dessa experiência em um trecho batizado de “The Edge” (em português, “O Limite”).

Na internet, existem dois vídeos bem interessantes sobre esse texto. O primeiro é uma versão resumida e narrada por Johnny Deep, que faz parte do documentário sobre a vida do autor. A segunda é uma animação que fez sucesso no Vimeo anos atrás, usando o mesmo áudio do documentário, mas transformando as cenas em animações.

Você pode assistir essas duas versões aqui embaixo, e também ler uma tradução livre desse trecho feita por mim.

O LIMITE
Por Hunter S Thompson

Era sempre à noite, como um lobisomem, que eu levava ela para uma corrida honesta descendo a costa. Eu começaria pelo parque da Golden Gate, pensando que apenas algumas longas curvas bastariam para limpar minha cabeça… mas em questão de minutos, eu estaria na praia, com o som do motor nos meus ouvidos, as ondas batendo contra o muro de proteção, e um longo trecho de estrada vazia indo até Santa Cruz… sem sequer um posto de gasolina por mais de cem quilômetros, o único poste de luz em todo o caminho vindo de um restaurante aberto 24 horas perto de Rockaway Beach.

Não havia capacete nessas noites, e nada de relaxar nas curvas. A liberdade momentânea do parque era como um drinque infeliz que faz um alcoólatra relutante ter uma recaída. Eu sairia do parque perto do campo de futebol e pararia por um momento no semáforo, imaginando se eu conhecia alguém que estava parado ali, dando amassos dentro dos carros.

Então, engato a primeira, esquecendo dos carros estacionados e deixando a besta se soltar… Quarenta por hora… Setenta por hora… então engato segunda, protestando contra os sinais da Lincoln Way, sem me preocupar com vermelho ou verde, apenas com outro lobisomem solitário que pudesse estar saindo, lentamente, para começar sua corrida. Não haviam muitos desses… e com três faixas e uma curva larga, uma moto chegando tem bastante espaço para contornar praticamente qualquer coisa… então engato terceira, passando de cento e vinte, e o vento começa a gritar nos meus ouvidos, uma pressão nos olhos como pular na água de um trampolim alto.

Me inclino para frente, bem para trás no assento, e seguro firmemente no guidão assim que a moto começa a pular e balançar com o vento. A lanternas traseiras adiante começam a se aproximar, rapidamente e subitamente – zoooooooom – passando e inclinando para a curva perto do Zôo, onde a estrada segue para o mar.

As dunas são lisas aqui, e em dias de vento a areia se acumula pela estrada, se juntando em poças escorregadias como óleo… perda instantânea de controle, uma queda, deslizando pelo chão, e talvez uma daquelas notas no jornal do dia seguinte: “Um motociclista não identificado morreu na noite passada ao falhar em negociar uma curva”

Certamente… mas não há areia dessa vez, então a alavanca empurra a quarta, e agora não há nenhum som senão o vento. Acelerador aberto, estico para alcançar e levantar o farol, o ponteiro marca cento e sessenta, e cerro os olhos ressecados pelo vento para ver a linha central, tentando deixar uma margem para os reflexos.

Mas com o acelerador todo aberto, existe apenas uma pequena margem, e não há espaço para erros. Tudo tem que ser feito certo… e é aí que a estranha música começa, quando você exige tanto da sorte que o medo se torna empolgação e vibra através dos seus braços. Você mal consegue enxergar a cento e sessenta, as lágrimas escorrem tão rápido que evaporam antes de chegarem aos seus ouvidos. Os únicos sons são o vento e um rugido abafado vindo flutuando das ponteiras. Você olha a linha branca e tenta inclinar com ela… Gritando em uma curva para a direita, depois para a esquerda até a saída… reduzo agora, procurando por policiais, mas apenas até o próximo trecho escuro e por mais alguns segundos no limite… O Limite

Não há uma maneira honesta de explicá-lo, porque as únicas pessoas que sabem onde ele fica, são as pessoas que passaram dele. Os outros – ainda vivos – são aqueles que levaram o controle até o máximo onde puderam aguentar, e desistiram, ou reduziram, ou fizeram o que foi necessário quando foi preciso decidir entre Agora ou Depois.

Mas O Limite ainda está lá fora. Ou talvez esteja dentro. A associação da moto com um vício, como o LSD, não é por acaso. Os dois são meios para um fim, um lugar de definições.

Se você quiser comprar o livro, ele está disponível na Amazon aqui, e comprando pelo link você ainda dá uma força por blog. A resenha sobre ele você encontra aqui.

Biblioteca básica: os primeiros passos pra aprender a mexer na sua moto

Sempre recebo emails perguntando quais sites acessar para aprender a mexer na moto. Em inglês existem alguns bons para os iniciantes, como o insuspeito Motorcycle Repair Course e o canal do YouTube Delboy’s Garage. Ambos são amadores, por isso são bem interessantes para quem não quer virar profissional no assunto.

Por outro lado, ainda não inventaram substituto melhor que uma boa biblioteca. Nos tempos de internet todo mundo parece querer achar tudo em um único clique mas, na minha humilde opinião, ainda não existem substitutos para um bom livro que se aprofunde em um determinado assunto. Se você tem intimidade com o inglês, a Haynes tem um dos melhores acervos de livros técnicos, que cobrem desde o básico até o avançado.

Um livro deles que eu sou muito fã é o Motorcycle Workshop Practice Manual:

Ele parte do básico e é o curso mais completo de como usar as ferramentas corretamente, solucionar problemas que vão de parafusos quebrados a consertos mais elaborados, saber que equipamento usar para determinado trabalho, montar uma estação de trabalho e assim por diante. Aprendi muita coisa com ele, e acho uma pena nunca terem feito uma edição em português.

Outro que eu sou fã é o The Essential Guide to Motorcycle Maintenance. Ele é mais “genérico” e fala do funcionamento das motos em geral, suas diferenças, que ferramentas escolher e várias outras coisas que são muito úteis de saber. É o melhor ponto de partida pra quem quer começar, com o da Haynes aí em cima logo em segundo lugar.

Mas a ferramenta mais importante para mexer na sua moto é o manual de serviço dela (não confundir com o manual do proprietário, são duas coisas completamente diferentes). Ele detalha tudo o que você precisa saber para fazer a manutenção, com vistas explodidas, além de tabelas com valores de torque de cada parafuso dela (para que você não espane nenhum na hora de apertar).

Felizmente, quando o assunto é manual de serviço, sempre vai ter uma versão em português, já que os mecânicos das autorizadas precisam dele para trabalharem. O problema é conseguir um. Nos EUA, você compra pela Amazon ou na própria autorizada da sua moto, mas aqui é política de algumas marcas mantê-los fechados a sete chaves, com medo de perderem clientes.

Existem vários tipos de manual de serviço. O mais comum, é o do próprio fabricante, como o da Harley Davidson aí da foto. Volta e meia alguém “distribui” em algum fórum diversos manuais para download.

Infelizmente, os manuais de serviço do fabricante são apenas técnicos. São desenhos com vistas explodidas, tabelas, part numbers e algumas informações e cuidados que se deve tomar ao fazer determinado serviço. Mas isso, muitas vezes, não é o suficiente para o mecânico novato, já que eles não ensinam o que fazer. Pra isso, você precisa ter aprendido as lições dois dois primeiros livros que eu citei aí em cima.

Outra opção são os manuais de serviço elaborados por terceiros. Neles você encontra dicas, fotos e macetes que não estão no manual do fabricante, tornando mais fácil a execução de diversas tarefas. Entre os mais famosos estão os da Clymer, cujo catálogo abrange os mais variados tipos de motos de diversos fabricantes. A Haynes também tem sua linha, mas os da Clymer são os mais conhecidos.

Outra fonte de informação interessante, mas específica para HDs, são os vídeos do Fix My Hog. Tenho os da Softail e Dyna e eles são de grande ajuda. Para mim, é muito mais fácil aprender observando outras pessoas fazendo o serviço. Obviamente, você não vai aprender a desmontar um motor com ele, mas aprenderá a fazer a revisão completa da sua moto, entre outras coisas. E o mais legal é que você nem precisa comprar os DVDs, os caras tem um serviço de assinatura pelo site que dá acesso a todos os vídeos.

 

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Para deixar claro, eu não sou, nem de longe, um mecânico experiente. Mas gosto de fuçar e aprender.  Sempre insisto nesse assunto aqui no Old Dog Cycles porque acredito que a gente adquire uma ligação diferente com nossas motos ao mexer nelas, além de aumentar nossa segurança caso surja um imprevisto.

Sem ao menos o conhecimento básico da moto, a experiência do motociclismo não parece completa.

(A foto que ilustra o post é do autor Matthew B. Crawford, autor do excelente Shop Class as Soulcraft: An Inquiry into the Value of Work, um livro que eu ainda pretendo fazer uma resenha aqui, e que fala dos prazeres e da importância de se meter a mão na massa. Recomendo.)

O que você faria se perdesse tudo? Uma jornada em duas rodas em busca da cura

Há um certo tempo, comecei o rascunho de um livro sobre um cara que perdia tudo, e saía de moto em uma jornada pelo mundo. A história era em parte baseada nas aventuras de Ted Simon no livro Jupiter’s Travel, e parte baseada em uma pergunta que surgiu numa mesa de bar: O que você faria se perdesse as coisas mais importantes da sua vida?

Confesso que pensar nessa pergunta me aterrorizou. No meu caso, seria minha família. Eles são a motivação maior por trás de tudo o que faço, e a razão pela qual me esforço para ser uma pessoa melhor. Eu era um adolescente rebelde, depois um jovem adulto com certas tendências destrutivas, e só fui ter foco na vida quando conheci minha esposa. Anos mais tarde, a paternidade me deu um sentido ainda maior pra vida (mais sobre o assunto no post “A paternidade e andar de Moto”).

Imaginar a perda deles, e como seria a minha reação, me fez pensar que era muito provável de que eu largasse tudo. Trabalho? Só aturo as coisas que aturo por causa deles, não tem outro motivo. Responsabilidades? Não teria mais nenhuma, a não ser cuidar de mim mesmo. Amigos? Eu estaria em um depressão tão profunda que não daria mínima para os pouquíssimos que tenho.

O mais provável da minha parte seria abandonar tudo, arrumar uma moto como a Ural, botar meu cachorro no sidecar e sair pelo mundo até minhas economias acabarem. E escrever sobre isso foi doloroso demais, mesmo do ponto de vista da ficção e criando um personagem, desisti da ideia. A história era inconcebível demais pra mim, e foi parar na lixeira junto com o rascunho de tantas outras que já comecei.

Mas se foi doloroso apenas escrever, foi muito pior descobrir que alguém passou por isso e não foi ficção.

Muito depois de ter desistido do livro, um colega me chamou a atenção de que Neil Pert, baterista da Banda Rush, passou exatamente por isso e pegou sua moto em busca de uma “cura“.

Ghost Rider: Travels on the Healing Road

No livro “Ghost Rider: Travels on the Healing Road”, Neil relata a perda de sua filha de 19 anos em um acidente de carro, assim como a morte de sua esposa Selena, apenas 10 meses depois, causada pelo câncer.

Ghost_Rider_bookDurante o funeral de Selena, ele se virou para o resto da banda e disse “Me considerem aposentado”. Logo após, ele subiu em sua BMW R1100 GS e viajou cerca de 88 mil quilômetros pela América do Norte e Central, indo Canadá até o Alasca, depois rumo ao Sul dos EUA, passando por México e Belize, terminando finalmente em sua própria casa.

Apesar de ter conhecido a história na íntegra através de outros materiais, eu nunca cheguei a ler o livro, a não ser por alguns trechos. Apesar de ser baterista, Neil também é letrista, e consegue conduzir a história com habilidade, alternando entre uma narrativa tradicional com cartas escritas para seus amigos.

O livro começa com um franco de como Neil perdeu completamente a vontade de viver e não sente prazer em mais nada. Então ele decide fugir da situação, deixando tudo para trás e ocupando sua cabeça com uma obsessão de nunca ficar parado.

Mesmo tomado pela tristeza, ele mantêm a fé de algo vai acontecer durante o viagem, mas é justamente a viagem que o faz encontrar sentido na vida novamente.

Lentamente, ele vai se reencontrando com velhos amigos pelo caminho. Ele descobre novas músicas, o que o faz querer sentar na bateria mais uma vez. Ele começa a se sentir atraído por mulheres novamente, o que lhe causa uma grande culpa, mas que ele acaba superando.

A história acaba se tornando motivacional, onde ele defende a teoria de que todos são capazes de superar as mais terríveis perdas. Essa também é a maior crítica que alguns fazem ao livro, acusando Neil de niilismo e arrogância.

Desde de que a jornada terminou, Neil se casou novamente, voltou para a banda e teve mais uma filha. Ele é o autor de 5 livros no total, incluindo um que relata o tour de 30 anos do Rush, tanto do ponto de vista da bateria, como das motos que usa para acompanhar a banda.

O livro foi lançado no Brasil pela editora Belas Letras, mas é difícil de encontrar. A versão original tem na Amazon aqui.

Não sei quanto à vocês, mas esse post me deu vontade de chegar em casa e abraçar todo mundo.

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Barn find

Um dos meus sonhos de "barn find": a lendária Vincent.
Um dos meus sonhos de “barn find”: a lendária Vincent.

Nos EUA é comum ouvir a expressão barn find, algo como “achado de celeiro”, para se referir a algo raro ou desejado, que foi encontrado esquecido e abandonado em algum lugar. E como muitos, também sonho com um achado desses.

51zoVxhfekLPor isso gosto muito de um livro chamado The Vincent in the Barn: Great Stories of Motorcycle Archaeology, escrito por Tom Cotter. Ele conta diversashistórias de motos achadas em celeiros, sotãos, quintais, e da volta delas ao mundo dos vivos. Hoje o livro virou uma série de sucesso, com alguns outros títulos, mas não tive a oportunidade de ler todos.

Infelizmente, se um bar find é relativamente raro nos EUA, no Brasil é praticamente impossível, especialmente quando se tratam de Harleys. As poucas que surgem desmontadas em caixas, são vendidas por preços de motos restauradas, e não falta gente com uma talão de cheques gordo para pagar o que se pede nelas, inflacionando ainda mais este mercado.

Mas é o que dizem, a esperança é a última que morre. Ainda vou achar a minha Knucklehead (por um preço justo) perdida no porão da casa de alguém por aí…

Recomendo

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Duas novas aquisições para a biblioteca.

O primeiro é um livro do pessoal da revista Cycle Source. Supostamente, seriam dicas para o mecânico de fundo de quintal, mas na prática é um apanhado geral sobre customização. Imaginava algo na pegada das dicas da 100% Biker ou da EasyRiders, realmente focadas no improviso, mas é um livro bem interessante mesmo assim. O curioso é que ele parece ter sido impresso em uma impressora caseira com papel sulfite, tem até as típicas falhas desse tipo de impressão.

Já o segundo, o nome diz tudo. Bem interessante, com bastante dicas. E apesar de ser focado em restaurações, tem muita informação útil para quem está se aventurando na customização de uma moto usada, já que muito do que se faz em uma restauração também se aplica nesse caso.

Ambos não são um passo a passo, mas sim uma base para que você entenda mais do assunto e possa se aprofundar depois.

Freedom – Credos from the road

Sonny Barger é um membro lendário do Hells Angels, e foi o fundador e presidente do chapter de Oakland, um dos mais notórios do clube. A vida do cara é cercada de polêmicas, esteve presente no infâme concerto de Altamore, onde uma homem foi esfaqueado durante o show dos Rolling Stones, é um dos personagens do livro de Hunter S. Thompson sobre o clube, e cumpriu pena em uma prisão federal no Arizona. É considerado o responsável pela expansão e fama do clube, fez pontas em alguns filmes sobre motos nos anos 60 e 70, e hoje interpreta um dos personagens de Sons Of Anarchy.

Alguns anos atrás, comprei pelo site dele um livro chamado “Freedom – Creedos from the road”, e tive a grata surpresa de receber uma primeira edição autografada. Eu classificaria esse livro como “A arte da guerra sobre rodas”. Ele fala sobre o código de ética de um homem, sincero sobre quem ele é e de onde ele veio, filosófico em alguns techos, brutais em outros. Cada capítulo é curto, com apenas alguns parágrafos e direto ao ponto.

Se você vai concordar ou não com os pontos de vista, isso é outra história. Mas todas são opiniões a serem respeitadas, e você vai ficar supreso ao saber o quanto tem em comum com ele.

Toda história tem dois lados

Jesse James criou a West Coast Chopper do nada. O cara trabalhava pro Boyd Coddington, fazendo rodas de moto, quando teve a idéia de fábricar paralamas de moto mais largos, de qualidade, ao contrários dos chineses que entupiam as lojas.

E por muito tempo ele suou a camisa em uma jornada dupla: de dia, continuava a soldar rodas para o Boyd, ao mesmo tempo que passava as noites trancado na sua garagem fazendo paralamas, com a ajuda da sua esposa. Em pouco tempo, suas peças se tornaram um sucesso e ele pode largar o emprego para fundar a West Coast Choppers. Daí em diante, sua vida foi sucesso atrás de sucesso.

Os dois parágrafos acima resumem bem a parte do livro “American Outlaw”, um livro de memórias escrito por Jesse James, que falam sobre motos. Se você espera um compêndio sobre soldas, metal, choppers e Harleys, guarde o seu dinheiro. O livro é sobre uma infância foda, alcoolismo, casamentos fracassados, prisão juvenil, futebol americano e, principalmente, sobre o fato que o transformou em um dos homens mais odiados dos EUA: o dia em que ele traiu Sandra Bullock.

Toda história tem dois lados. E ele conta a dele aqui. Sem rodeios, dando a cara pra bater, como um homem.

Uma atitude que anda em falta no mundo ultimamente.

How To Build An Old Skool Bobber

Acabei de pedir este livro na Amazon, apesar de não ter encontrado nenhum review sobre ele. Curiosamente, logo em seguida, começaram a pipocar posts em outros blogs com vários elogios.

A filosofia de old-school do autor é simples: sempre comece com um quadro, motor e câmbios originais da Harley Davidson, e os misture com quaisquer peças que você encontrar em swap meets, que você fabricar ou consertar.

Pelo que pude ver, ele é muito mais completo que o famoso “How to build a bobber on a budget”, e parece ter dicas muito interessantes.

Posto mais sobre o livro assim que ele chegar.

Big Sid’s Vincati



Big Sid’s Vincati: The Story of a Father, a Son and the Motorcycle of a Lifetime, é o que se pode chamar de “romance de homem”. Tem aventura, paixão, drama, com um tema central que faz você não querer desgrudar dele: o esforço de um filho para construir uma Vincati ao lado do seu pai, Big Sid, que acaba de sofrer um ataque cardíaco e perdeu a vontade de viver.

A Vincati é o únicornio das motocicletas. Ela é quase um mito, já que apenas sete foram construídas no mundo. Ela é a junção do quadro de uma Ducati GT com o motor da mítica Vincent.

A história começa com o pai do autor sofrendo um ataque cardíaco, e caindo em profunda depressão. Os médicos dizem que ele não vai sobreviver, a não ser que ele encontre um motivo para viver. É quando ele tem a idéia de convencer seu pai a construir uma Vincati, estimulando sua recuperação. Afinal, Big Sid era um mecânico famoso, especializado em Vincents, com clientes que vinham de toda parte em busca do seu talento. Se alguém era capaz de construir uma Vincati, esse alguém era seu pai.

O que se segue é um brilhante relato sobre a relação entre pai e filho, sobre sonhos desperdiçados, sobre família e, é claro, sobre motos. Considero esse livro como o filme Desafiando os Limites (The World’s Fastest Indian): os apaixonados pelo assunto irão se deliciar com a leitura, mas acredito que ele é capaz de atingir um público muito maior. Eu o terminei em apenas um dia, não conseguia largá-lo.

Infelizmente, ainda não há uma edição em português. Para quem se interessar ele está à venda na Amazon, inclusive com uma versão para o Kindle, que agora também funciona em PCs, Macs, iPhones, Blackberrys e iPads.

Hells Angels: relançado em português

Já faz algum tempo que eu fiz uma resenha de Hell’s Angels: The Strange and Terrible Saga of the Outlaw Motorcycle Gangs, de Hunter Thompson (leia aqui).

Na época, não haviam mais edições em português disponíveis. Mas o meu amigo Alê me informou que a L&PM, que publica pockets books, relançou a edição em português desse livro, renomeada para apenas “Hell’s Angels.” Veja a nova edição no site oficial da editora.

Hell’s Angels: The Strange and Terrible Saga of the Outlaw Motorcycle Gangs

Hunter antes de escrever o livro…

O livro é um retrato de um curto, mas muito importante, período na história dos Hells Angels e dos E.U.A: o final dos anos 60. Thompson passou um ano convivendo com o grupo, e escreveu um relato íntimo que o tornaria um dos jornalistas mas famosos da sua geração.

Apesar da aversão dos Angels aos jornalistas na época, devido aos exagerados relatos sobre as atividades do clube, Thompson conseguiu se aproximar do chapter de Oakland e San Bernardino, e também de Sonny Barger. Ele acompanhou o grupo em festas, brigas, eventos e polêmicas.

Fica claro no livro que ele ficou muito à vontade com o M.C., e que ele se identificou com muitas daquelas pessoas. Ele andou, bebeu, festejou e se drogou com eles. Defendeu a reputação do M.C. perante os jornalistas, e investigou alegações falsas sobre eles. Mas no decorrer do relato, dá para perceber que ele foi se desiludindo com a vida de um outlaw, e foi lentamente despindo os Angels da mítica que os cercam. Essa desilusão fica clara no último capítulo, onde Thompson leva uma surra de alguns membros por conta de um comentário trivial feito por ele.

… e depois.

A versão em português chama-se Hell’s angels: medo e delírio sobre duas rodas, mas confesso que nunca vi para vender. Curioso é que o nome do clube é Hells Angels, sem apóstrofo, o que gramaticalmente está errado. Por isso a maioria dos revisores corrige para Hell’s Angels. A explicação do clube para a falta de apóstrofo é a seguinte:

“Should the Hells in Hells Angels have an apostrophe, and be Hell’s Angels? That would be true if there was only one Hell, but life and history has taught us that there are many versions and forms of Hell.”

Mas convenhamos que discutir sobre se há ou não apóstrofo no patch de um clube 1%er como os Hells Angels é uma das coisas mais idiotas que alguém pode fazer. Gostaria de ver um rapaz de camisa abotoada até o colarinho, óculos fundo de garrafa remendado com esparadrapo, chegando em um bar repleto de Angels querendo conversar sobre o assunto.

Espero que não tenha sido esse o motivo da surra do Thompson.

UPDATE (06/02/11): Depois de anos fora de catálogo no Brasil, a L&PM, que publica pockets books, relançou a edição em português desse livro, renomeada para apenas “Hells Angels.” Veja aqui.

UPDATE (29/02/16): Se você quiser comprar o livro, ele está disponível na Amazon aqui, e você ainda dá uma força por blog comprando por esse link.