Arquivo da categoria: Manutenção

A Harley é uma moto simples de se mexer?

A foto aí de cima Harley sendo consertada, no meio da rua, por uma oficina simples, com poucas ferramentas. Para alguns isso causa surpresa, mas para muitos isso é natural.

Antigamente as Harleys eram construídas tendo em mente que muitos proprietários gostavam de meter a mão na massa, por isso a simplicidade mecânica e a confiabilidade eram, de certa forma, uma parte importante do marketing. Enquanto as japonesas eram eficientes, mas vistas como descartáveis, as Harleys podiam ser praticamente reconstruídas e nunca pararem de rodar.

É daí que vinha aquela máxima: “Algumas motos ficam velhas, outras viram clássicos”.

Mas isso ficou no passado graças às mudanças eletrônicas dos modelos dos últimos anos. ABS, refrigeração líquida e sensores modernos são uma especialidade muito além da habilidade da maioria dos mecânicos de fim de semana.

Os projetistas da Harley fazem um grande esforço de design para fazer com que as motos pareçam simples, apesar de serem cada vez mais complexas em seu funcionamento. Fico até espantado de ver alguns proprietários falando de boca cheia que a Harley é feita do mesmo jeito que no começo do século. Sinto te desapontar, mas aquele visual de “old school” é só marketing. Já se foi o tempo que esse aqui era o mantra da Harley-Davidson:

Hoje em dia, para a Harley-Davidson, é muito mais importante parecer uma moto clássica do que ser uma moto clássica. Se você olhar o chicote de uma moto recente, por exemplo, vai perceber que ele é muito mais complexo do que o de muito carro por aí.

Se isso é bom ou ruim, depende do gosto de cada um. As Harleys são como são hoje porque a maioria do público quer motos assim. Se você faz parte da galera que prefere uma moto simples, que você mesmo possa manter, sempre irão haver modelos mais antigos na seção de usadas dos classificados. Infelizmente não vai ser um passatempo barato, já que o custo de se importar peças para se manter essas motos está cada vez mais alto.

E para você que faz parte do segundo time, mas não sabe por onde começar, tem um artigo que pode ajudar:

Biblioteca básica: os primeiros passos pra aprender a mexer na sua moto

Boa leitura!

Dica simples (mas útil) para quando for mexer na moto

Se você é como eu, já deve ter passado pela experiência de ver um parafuso sobrando na hora de remontar algo. Mesmo com o manual de serviço do lado, é fácil esquecer alguma coisa ou confundir certas peças.

Sim, tirar fotos com o celular também é muito útil, mas ter um template de papelão ao lado agiliza muito o trabalho. E o melhor: ele também serve para não deixar as peças se perderem, pois você pode pressiona-las ou fura-las contra o papelão para que elas fiquem presas.

Oficina em Casa – Painel metálico para ferramentas e outras dicas

O canal Oficina de Casa fez uma série ensinando como fazer um painel metálico para pendurar as ferramentas. O resultado é bem interessante para quem quer montar uma oficina em casa:

Parte 1 | Parte 2 | Parte 3

Em casa eu uso um painel de MDF perfurado, com pequenos ganchos feitos com arame. Custou quase nada e já dura 6 anos sem o menor problema. Você pode ver com mais detalhe ampliando a foto abaixo:

Meu espaço de meditação zen.
Meu espaço de meditação zen.

Pretende montar uma oficina em casa pra começar a mexer na moto? Então sugiro começar lendo o post BIBLIOTECA BÁSICA: OS PRIMEIROS PASSOS PRA APRENDER A MEXER NA SUA MOTO.

Depois, um post escrito há um tempão atrás, mas que pode servir de inspiração:

OFICINA EM CASA: A CRIATIVIDADE EM PRIMEIRO LUGAR

JbirdVamos ser sinceros: muitos de nós sonham com uma garagem enorme, repleta de ferramentas bacanas, adereços nas paredes, com um frigobar para tomar uma gelada com os amigos, enquanto trabalhamos ou simplesmente admiramos a moto. Infelizmente, isso é uma realidade para poucos.

Espero que um dia todo mundo possa realizar esse sonho, mas a verdade é que não importa o espaço que você tem, e sim o que você faz com ele. Com criatividade dá pra improvisar e ser feliz, mesmo morando em prédio, ou com pouca grana para comprar equipamento.

Hecho a Mano
Garagem do Hecho a Mano.

O Hadys do Jurassic Machines, restaurou motos na varanda do apê dele, lavando peças no tanque, e depois transportando elas desmontadas no elevador de serviço. (Confira aqui e aqui.) E quem já viu alguma delas de perto, pode conferir que ele criou motos incríveis assim.

Já o Pedrão do Hecho a Mano, está reformando a Dercy na garagem do prédio onde mora. O cara fez um post muito completo sobre o assunto, você pode ler na íntegra aqui.

Tem também a bela Bobber do Carnoficina, feita em um espaço parecido, o vídeo da construção dela está aqui.

Eu tenho uma garagem parcialmente aberta, por isso me viro com um pequeno quarto convertido em oficina no fundo da casa. Quando preciso trabalhar na moto, levo um banquinho e uma caixa com as ferramentas mais importantes pra garagem, ou trago a peça que vou mexer para a oficina. É questão de ver o que funciona para você, e ir se adaptando de acordo.

Meu espaço de meditação zen.
Meu espaço de meditação zen…

Outro ponto polêmico é a qualidade das ferramentas. Tem gente importando Snap-On a preço de ouro, e comprando ferramentas de altíssima qualidade, como medidores profissionais. Já virou quase um tabu falar de outra coisa com elas.

... e o aviso na porta.
… e o aviso na porta.

Eu tenho uma visão mais simples: você precisa de boas ferramentas, não ótimas. Quem precisa das ótimas é quem trabalha 5 dias por semana com isso. O mecânico amador pode muito bem se virar com outras opções de qualidade. Claro, sempre fuja das chinesas e marcas “barbante”. Uma chave torx de qualidade ruim vai espanar o parafuso ou quebrar na hora mais imprópria, mas no geral, não precisa ser a mais cara da loja.

Usei por muito tempo a linha de ferramentas de aço cromo-vanádio da Mayle, que são a segunda linha da Belzer, assim como a Tramontina Pro. São duas opções com um ótimo custo-benefício, mas existem muitas outras.

Hoje minhas preferidas são as Craftsman, que infelizmente são difíceis de achar no Brasil, mas que lá fora são conhecidas como a “Snap-On do homem comum.“ Não custam muito, são bonitas, e ainda tem garantia para a vida toda. Se você quebrar uma, é praticamente só mandar pra Sears que eles te devolvem uma nova. Herdei algumas do meu avô, muitas com mais de 50 anos de uso, e que continuam funcionando.

E você? Se quiser compartilhar seu espaço, é só mandar o link nos comentários.

A garagem dos sonhos de muita gente.
A garagem dos sonhos de muita gente.

Biblioteca básica: os primeiros passos pra aprender a mexer na sua moto

Sempre recebo emails perguntando quais sites acessar para aprender a mexer na moto. Em inglês existem alguns bons para os iniciantes, como o insuspeito Motorcycle Repair Course e o canal do YouTube Delboy’s Garage. Ambos são amadores, por isso são bem interessantes para quem não quer virar profissional no assunto.

Por outro lado, ainda não inventaram substituto melhor que uma boa biblioteca. Nos tempos de internet todo mundo parece querer achar tudo em um único clique mas, na minha humilde opinião, ainda não existem substitutos para um bom livro que se aprofunde em um determinado assunto. Se você tem intimidade com o inglês, a Haynes tem um dos melhores acervos de livros técnicos, que cobrem desde o básico até o avançado.

Um livro deles que eu sou muito fã é o Motorcycle Workshop Practice Manual:

Ele parte do básico e é o curso mais completo de como usar as ferramentas corretamente, solucionar problemas que vão de parafusos quebrados a consertos mais elaborados, saber que equipamento usar para determinado trabalho, montar uma estação de trabalho e assim por diante. Aprendi muita coisa com ele, e acho uma pena nunca terem feito uma edição em português.

Outro que eu sou fã é o The Essential Guide to Motorcycle Maintenance. Ele é mais “genérico” e fala do funcionamento das motos em geral, suas diferenças, que ferramentas escolher e várias outras coisas que são muito úteis de saber. É o melhor ponto de partida pra quem quer começar, com o da Haynes aí em cima logo em segundo lugar.

Mas a ferramenta mais importante para mexer na sua moto é o manual de serviço dela (não confundir com o manual do proprietário, são duas coisas completamente diferentes). Ele detalha tudo o que você precisa saber para fazer a manutenção, com vistas explodidas, além de tabelas com valores de torque de cada parafuso dela (para que você não espane nenhum na hora de apertar).

Felizmente, quando o assunto é manual de serviço, sempre vai ter uma versão em português, já que os mecânicos das autorizadas precisam dele para trabalharem. O problema é conseguir um. Nos EUA, você compra pela Amazon ou na própria autorizada da sua moto, mas aqui é política de algumas marcas mantê-los fechados a sete chaves, com medo de perderem clientes.

Existem vários tipos de manual de serviço. O mais comum, é o do próprio fabricante, como o da Harley Davidson aí da foto. Volta e meia alguém “distribui” em algum fórum diversos manuais para download.

Infelizmente, os manuais de serviço do fabricante são apenas técnicos. São desenhos com vistas explodidas, tabelas, part numbers e algumas informações e cuidados que se deve tomar ao fazer determinado serviço. Mas isso, muitas vezes, não é o suficiente para o mecânico novato, já que eles não ensinam o que fazer. Pra isso, você precisa ter aprendido as lições dois dois primeiros livros que eu citei aí em cima.

Outra opção são os manuais de serviço elaborados por terceiros. Neles você encontra dicas, fotos e macetes que não estão no manual do fabricante, tornando mais fácil a execução de diversas tarefas. Entre os mais famosos estão os da Clymer, cujo catálogo abrange os mais variados tipos de motos de diversos fabricantes. A Haynes também tem sua linha, mas os da Clymer são os mais conhecidos.

Outra fonte de informação interessante, mas específica para HDs, são os vídeos do Fix My Hog. Tenho os da Softail e Dyna e eles são de grande ajuda. Para mim, é muito mais fácil aprender observando outras pessoas fazendo o serviço. Obviamente, você não vai aprender a desmontar um motor com ele, mas aprenderá a fazer a revisão completa da sua moto, entre outras coisas. E o mais legal é que você nem precisa comprar os DVDs, os caras tem um serviço de assinatura pelo site que dá acesso a todos os vídeos.

 

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Para deixar claro, eu não sou, nem de longe, um mecânico experiente. Mas gosto de fuçar e aprender.  Sempre insisto nesse assunto aqui no Old Dog Cycles porque acredito que a gente adquire uma ligação diferente com nossas motos ao mexer nelas, além de aumentar nossa segurança caso surja um imprevisto.

Sem ao menos o conhecimento básico da moto, a experiência do motociclismo não parece completa.

(A foto que ilustra o post é do autor Matthew B. Crawford, autor do excelente Shop Class as Soulcraft: An Inquiry into the Value of Work, um livro que eu ainda pretendo fazer uma resenha aqui, e que fala dos prazeres e da importância de se meter a mão na massa. Recomendo.)

Dica do YouTube: Delboy’s Garage (em inglês)

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Existe um canal do YouTube que eu gosto bastante, chamado Delboy’s Garage. O criador do canal mora na Inglaterra, tem 50 anos de idade e costuma publicar vídeos que focam na manutenção de Harleys e Triumphs, além de fazer projetos como uma Bandit Rat Bike e gravar alguns vlogs. Para quem tem Sportster ou uma Bonnie é um prato cheio, porque o cara já praticamente desmontou uma XR, uma 883 e uma Custom (todas motos que ele ou sua esposa possuíram no decorrer dos anos) e atualmente tem uma Bonneville e uma Scrambler, e sempre grava vídeos sobre as duas.

Por ser gravado na Inglaterra, os vídeos não sofrem do mal dos canais americanos, onde o cara tem acesso a todo tipo de ferramentas exóticas, a um preço baixo e ainda possuí um grande espaço para mexer na moto. Felizmente não é o caso, e o Delboy’s Garage é bem mais parecido com a realidade que temos por aqui, com uma garagem modesta e ferramentas comuns, que encontramos em qualquer boa loja no Brasil. Muito do que ele faz tem ajuda do improviso, como ensinar a levantar a moto usando um macaco comum ou um elevador improvisado feito com madeira.

Infelizmente, não têm legendas em português, mas mesmo quem não entende nada, dá pra aprender só de olhar o cara fazendo.  O pessoal da Softails não vai achar muita utilidade, apesar de que muitos dos princípios são os mesmos.

Abaixo, alguns dos vídeos dele que considero bem úteis para quem está começando. Mas eles são apenas a ponta do iceberg, vale a pena pesquisar o canal dele com calma, tem muito material e dá pra aprender muita coisa.

Como regular a embreagem Sportster:

Como trocar óleo da Triumph Bonneville/Scrambler:

Aplicando selante de pneu:

Como trocar o guidão da Sportster:

Dica para soldar peças de plástico da moto:

Ajustar a corrente da Triumph Bonneville/Scrambler:

Checando a bateria da sua Harley

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As Harleys com alarmes de presença costumam arriar a bateria quando ficam um bom tempo paradas, e isso tende a piorar com a idade da bateria. É nessas horas que muita gente se assusta ao tentar dar partida e ouvir aquele famoso “treck-treck-treck” do motor de arranque da Harley (sim, o barulho parece algo saído do “Will It Blend“, mas não se preocupe, é normal).

Felizmente, checar a carga da bateria em casa é bem simples. Se você tem um multímetro, basta conecta-lo na bateria e seguir a tabela do manual de serviço da HD para saber como está a carga:

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Se a bateria estiver baixa, você pode usar um carregador no estilo dos Battery Tenders, que fazem todo o serviço sozinho, ou um convencional de lâmpada, o mais simples que existe.

Nesse último tipo, o tempo de carga vai ser de acordo com a potência da lâmpada colocada nele (6 horas para uma lâmpada de 100W, e 3 horas para uma lâmpada de 200W). Eu prefiro ser paciente e usar uma de 100W para uma carga mais lenta.

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Nesse caso, é importante usar o multímetro e ir acompanhando o estado do carregamento de vez em quando. O manual pede para nunca exceder os 14,6V e 5A durante o carregamento, e deixar a bateria descansar por duas horas após o termino da carga para termos uma leitura correta.

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Alguns tempos de carregamento típicos, que podem variar um pouco:

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Aprenda como trocar o óleo da sua Indian

Ok, eu sei que ninguém tem uma Indian nova aqui (e se tem, foda-se você por não ter me chamado pra tirar fotos e depoimentos aqui pro Old Dog Cycles), mas esse vídeo publicado pela própria Indian não deixa de ser interessante. Porque? Simples: ele mostra que a marca está realmente levando à sério essa história de se criar um elo entre os seus consumidores e sua motos. E por mais que isso possa parecer pouco, ensinar a fazer coisas básicas como trocar o óleo é um grande passo nessa direção, já que as pessoas tendem a se sentir mais apegadas as suas motos quanto fazem isso.

E lembre-se que a maioria das marcas (coff… Har… coff… ley…), são as primeiras a dizer para você ir no revendedor autorizado™ usar o óleo recomendado™ com as ferramentas originais™ da marca™ por um técnico autorizado™ e pagar a balela de 700 reais com risco de perder a garantia™.

Por mais bobo que isso possa parecer para alguns, esse é mais um ponto pra Indian na minha humilde opinião. Eles chegam ao ponto de vender o óleo na forma de um kit, com tudo o que você precisa para fazer o serviço em casa, para deixar o serviço mais atraente para os novatos.

Esse tipo de vídeo no canal deles não é novidade. Também fizeram um ensinando a trocar o filtro de ar, outro sobre como regular os amortecedores traseiros e um sobre como retirar os painéis laterais. E mais estão à caminho.

Agora só falta eles pararem de cobrar o que cobram, esconderem melhor esse quadro feio, lançarem um modelo mais agressivo, virem para o Brasil, que aí talvez eu possa pensar em me converter.

Talvez…

Faça merda você mesmo

O  verdadeiro Old Dog, meu assistente sempre prestativo.
O verdadeiro Old Dog, meu assistente sempre prestativo.

O título deste post é roubado do Pedrão e suas aventuras no Hecho A Mano Custom. Não chegou a ser categoria merda, mas chegou na categoria “agora senta e espera“.

Semana passada tive um problema no freio, que infelizmente empenou o disco traseiro. Cagada minha, com uma pitada de desatenção. Então aproveitei o feriado para desmontar a roda e trocar tudo.

E aí que a merda começa. Apesar de ser algo relativamente simples de fazer, eu nunca havia retirado o disco de freio da roda traseira, mas já sabia que ele é dificílimo de sair por causa dos parafusos torx que o prendem. Além de extremamente apertados, eles são presos com trava química para evitar que se soltem. O ideal é usar calor no local para soltar a trava da Loctite e imediatamente tentar soltar o parafuso.

Roda desmontada, tudo pronto para começar.
Roda desmontada, tudo pronto para começar.

Mas antes de começar o serviço, lembrei de uma visita que fiz em uma autorizada da Harley. O mecânico chefe do local me mostrou as instalações e o kit de ferramentas de cada um. São belos kits da Snap-On, com garantia para toda vida. E o mecânico fez questão de ressaltar:

“Ainda bem que tem essa garantia, porque o que a gente quebra de torx tentando tirar disco de freio não é brincadeira…”

Com isso em mente, saí para comprar uma chave extra. Afinal, fiquei com medo de quebrar a minha e não poder terminar o serviço. E como a T 45 que eu tinha não era do tipo soquete, eu não poderia usar o torquímetro no final, por isso achei melhor comprar a certa.

Mas o único lugar aberto que eu conhecia no meio do feriado era a Dutra Máquinas, e apesar deles terem uma T 45 da Gedore no site, o vendedor me tratou como se eu estivesse pedindo uma picanha em um restaurante vegetariano:

“Torx T 45? Não, torx é só T27, T25. Tem não…”

Mesmo com a minha insistência e mostrando o site, não teve jeito. Acabei pegando uma convencional como reserva e decidi arriscar, o vendedor acabou com a minha paciência (que já não é muita). Uma pena, porque geralmente o pessoal naquela loja é prestativo.

Tudo rotulado e anotado, conforme reza o bom procedimento, só faltava a chave certa.
Tudo rotulado e anotado, conforme reza o bom procedimento, só faltava a chave certa.

O problema é que eu já comecei errado. Eu tenho uma regra quando se trata de coisas como a moto: “Para tudo existe uma ferramenta certa. Se você não tem a ferramenta certa, espere.”

Não preciso nem dizer… A chave torx quebrou no primeiro parafuso. O que eu considero sorte, pois ela não espanou nem estragou a cabeça dele, apenas quebrou no meio. Se eu tivesse danificado o parafuso a brincadeira seria bem mais complicada e eu estaria me açoitando nesse momento, talvez sentando no milho. Não teve calor, leve marteladas com a chave na cabeça, nem qualquer outro truque conhecido: no final a falta da ferramenta certa me deixou na mão.

Tive que largar a moto lá, desmontada na garagem pelo resto do feriado. Acabei deixando a roda com um mecânico que vai me cobrar menos para tirar e colocar o disco novo do que me custaria o soquete certo. Ainda vou repor e compra-los de qualquer forma, mas pelo menos agora posso fazer isso com calma.

Agora entendo por que tanta gente troca esses parafusos por sextavados: eles dão muito trabalho.

Inutilidade ou utilidade?

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O Ez Oil Drain é uma vávula que substitui o parafuso de dreno do óleo. Depois, é só abri-la como um torneira para trocar o óleo. Não sei como fica a parte magnética (já que muitos drenos possuem um imã para capturar as limalhas de metal que o motor costuma soltar), mas não dá para negar que é prático.

Mesmo assim, não compraria. Não é esforço nenhum tirar aquele parafuso, e ela me parece ficar sobressaindo demais pro meu gosto, acho arriscado. Talvez valha a pena para quem tem moto de competição, ou troca com uma frequência absurda (conheço gente que faz a troca a cada 1.000km, contra os 4.000km que a Harley sugere com mineral e 8.000km com semi-sintético).

Mais informações no site do fabricante (em inglês): www.ezoildrainvalve.com

Mantendo uma Harley-Davidson Twin Cam

"Se eu rodar só 500km por ano, será que meu motor vai durar mais?"
“Se eu rodar só 500km por ano, será que meu motor vai durar mais?”

O post que era para falar dos motores “genéricos” da HD, acabou reacendendo a discussão de como é manter um Twin Cam para o dia-a-dia lá no Facebook. Tive um TC96 por anos, sem nenhum problema mecânico (apesar de ter sido abençoado com um Osmar Contato de fábrica, que nunca foi definitivamente sanado, mas isso é outra história) e convivi um bom tempo com um TC88, e posso dizer que ambos são motores extremamente confiáveis.

Para aqueles que me perguntaram como é manter um TC88, TC96 ou TC103, o Wolfmann tem um post bem completo sobre o assunto, que vale uma visita:

http://wolfmann-hd.blogspot.com.br/2013/05/mantendo-uma-twin-cam.html

Remoção do filtro de ar da XR1200

Filtro de ar XR1200XMuita gente apanha na hora de trocar ou remover o filtro de ar da XR. Por ficar preso ao tanque, e não na lateral como na maioria das Harleys, é como tirar uma peça de Lego que está escondida por várias outras.

Por isso o vídeo abaixo, que mostra a instalação de um filtro K&N, pode dar uma luz para quem precisa mexer na caixa de ar:

Não tem jeito, é necessário levantar o tanque e remover a caixa. Para isso, você também vai ter que tirar a capa do tanque, desconectar o sensor que controla o flapper, e remover os respiros de óleo.

No meu caso, aproveitei que a caixa estava desmontada e removi o flapper de uma vez. O flapper nada mais é do que uma aba que se abre e fecha para controlar a entrada de ar, na tentativa de reduzir um pouco as emissões de poluentes. Infelizmente, ele também restringe o fluxo, e como o projeto da caixa de ar visa mais a estética do que a funcionalidade, o fluxo de ar dessa caixa já não é lá essas coisas, qualquer ajuda é bem vinda.

Para remove-lo, basta tirar a aba de metal e as molas de apoio, mas manter a solenóide que abre e fecha o sistema no lugar. Dessa forma a injeção continua acreditando que o flapper ainda está lá, e não vai acusar nenhuma mensagem de erro no log nem acender a luz de injeção.

Oficina em casa: a criatividade em primeiro lugar

JbirdVamos ser sinceros: muitos de nós sonham com uma garagem enorme, repleta de ferramentas bacanas, adereços nas paredes, com um frigobar para tomar uma gelada com os amigos, enquanto trabalhamos ou simplesmente admiramos a moto. Infelizmente, isso é uma realidade para poucos.

Espero que um dia todo mundo possa realizar esse sonho, mas a verdade é que não importa o espaço que você tem, e sim o que você faz com ele. Com criatividade dá pra improvisar e ser feliz, mesmo morando em prédio, ou com pouca grana para comprar equipamento.

Hecho a Mano
Garagem do Hecho a Mano.

O Hadys do Jurassic Machines, restaurou motos na varanda do apê dele, lavando peças no tanque, e depois transportando elas desmontadas no elevador de serviço. (Confira aqui e aqui.) E quem já viu alguma delas de perto, pode conferir que ele criou motos incríveis assim.

Já o Pedrão do Hecho a Mano, está reformando a Dercy na garagem do prédio onde mora. O cara fez um post muito completo sobre o assunto, você pode ler na íntegra aqui.

Tem também a bela Bobber do Carnoficina, feita em um espaço parecido, o vídeo da construção dela está aqui.

Eu tenho uma garagem parcialmente aberta, por isso me viro com um pequeno quarto convertido em oficina no fundo da casa. Quando preciso trabalhar na moto, levo um banquinho e uma caixa com as ferramentas mais importantes pra garagem, ou trago a peça que vou mexer para a oficina. É questão de ver o que funciona para você, e ir se adaptando de acordo.

Meu espaço de meditação zen.
Meu espaço de meditação zen…

Outro ponto polêmico é a qualidade das ferramentas. Tem gente importando Snap-On a preço de ouro, e comprando ferramentas de altíssima qualidade, como medidores profissionais. Já virou quase um tabu falar de outra coisa com elas.

... e o aviso na porta.
… e o aviso na porta.

Eu tenho uma visão mais simples: você precisa de boas ferramentas, não ótimas. Quem precisa das ótimas é quem trabalha 5 dias por semana com isso. O mecânico amador pode muito bem se virar com outras opções de qualidade. Claro, sempre fuja das chinesas e marcas “barbante”. Uma chave torx de qualidade ruim vai espanar o parafuso ou quebrar na hora mais imprópria, mas no geral, não precisa ser a mais cara da loja.

Usei por muito tempo a linha de ferramentas de aço cromo-vanádio da Mayle, que são a segunda linha da Belzer, assim como a Tramontina Pro. São duas opções com um ótimo custo-benefício, mas existem muitas outras.

Hoje minhas preferidas são as Craftsman, que infelizmente são difíceis de achar no Brasil, mas que lá fora são conhecidas como a “Snap-On do homem comum.“ Não custam muito, são bonitas, e ainda tem garantia para a vida toda. Se você quebrar uma, é praticamente só mandar pra Sears que eles te devolvem uma nova. Herdei algumas do meu avô, muitas com mais de 50 anos de uso, e que continuam funcionando.

E você? Se quiser compartilhar seu espaço, é só mandar o link nos comentários.

A garagem dos sonhos de muita gente.
A garagem dos sonhos de muita gente.

Que ferramentas levar na moto?

Kit windzone adaptado
Kit windzone adaptado

Muita gente procura ou manda mensagens querendo saber quais ferramentas carregar com a moto. E normalmente eu dou um resposta que as pessoas não gostam:

Depende do que você sabe fazer com elas.

Parece brincadeira, mas é sério. Você pode até pegar uma lista com todas as chaves necessárias para desmontar a moto, mas isso não vai adiantar nada se você não souber usá-las. Tem gente que consegue abrir um motor no meio da estrada, enquanto outros não sabem nem onde ficam as velas. Também não faz sentido carregar uma chave gigante para desmontar a roda no caso de um pneu furado, se você pretende chamar um guincho caso isso ocorra…

Outro fator é o preço. Muitos customizadores vendem um kit pronto, com ferramentas de qualidade, como Snap-On. Se esse kit vai ser o seu principal para mexer na moto, ótimo. Mas eu prefiro andar com ferramentas relativamente boas mas baratas, para não ter que me preocupar muito caso alguém roube meu estojo. As Craftsman, que eu tanto gosto, ficam em casa…

No caso da Harley, eu uso uma adaptação do kit da Windzone de US$40, que comprei no eBay, mas isso foi quando o dólar estava em baixa e com promoção de frete grátis (você pode ver ele aqui). Não fiz a conta das ferramentas em separado, talvez hoje não compense mais comprá-lo pronto.

Usei esse kit como base, e fui retirando ou adicionando ferramentas que considero úteis para minha moto ou dos amigos. Ele poderia ser mais eficiente (algumas ferramentas são redundantes, outras poderiam ser menores), mas nada que incomode. É pesado, coisa de um quilo e meio, mas ocupa pouco espaço quando fechado.

Comparação de tamanho
Comparação de tamanho

Um adição que eu considero sempre interessante em qualquer kit é um alicate do tipo Leatherman, no meu caso genérico, que tem várias funções e ocupa pouco espaço, além de fusíveis, que eu sempre esqueço de colocar no meu. Se o seu pneu é sem câmara, compensa levar um kit de reparo rápido com cápsulas de CO2.

O Pedrão, do Infernais Los Pedros Motorcycles, tem um post ótimo sobre o assunto. Ele também vendia um embornal que é muito foda, ótimo para carregar as ferramentas. O post dele você confere em http://www.hechoamanocustom.com/2011/11/quais-ferramentas-colocar-no-embornal.html

Para quem tem Harley, o Porcão publicou anos atrás uma lista de todas as ferramentas usadas na Sportster, mas que é praticamente a mesma para as Big Twins: http://www.forumhd.com.br/index.php/topic,20.msg28.html#msg28

Vale a pena pesquisar o que você usaria na sua, e montar um kit de acordo.