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Rolê do final de semana

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Esse final de semana dei um rolê (ou rolé, como se diz em outros estados) com uma galera que nunca havia andado antes. O grupo era bem heterogêneo, tinha tatuador, dentista, arquiteto, diretor de comerciais, entre outros.

Anti-social como sou, saio sempre com um pé atrás. Não vou mentir, muitas vezes acabo julgando algumas pessoas antes de conhecê-las. Fico pensando que fulano deve ser um poser, ciclano parece um playboy metido. E até que me provem o contrário, fecho a cara.

Mas esse rolê foi diferente. Após uma bela estrada cheia de curvas, paramos em um boteco no meio do nada e o papo rolou solto. Impressionante como a paixão por motos é um grande equalizador. Em pouco tempo eu já tinha esquecido a cara fechada e já estava rindo, falando merda e discutindo sobre panheads e knuckleheads. Senti saudade do grupo que costumava andar anos atrás. Hoje, cada um foi para um lado e tem gente que nem está mais neste plano existencial.

Acho que está na hora de tirar a bunda da cadeira, esquecer a cara fechada e formar um novo grupo, sem preconceito, sem frescura. O único pré-requisito será curtir motos, tanto gostar de andar como falar sobre elas. Sem exibicionistas, onde todo mundo curta e respeite a escolha do outro por determinado modelo, nada de campeonato pra ver quem gastou mais.

Putz, só de pensar já deu pra perceber que não vai ser fácil. E, justamente por isso, deve valer a pena.

Zen e a arte de pilotar

Essa foto foi tirada hoje, em um rolê no meio do nada. Somente fazendas de cada lado, e nenhum sinal de civilização a não ser pelas cercas rústicas. São quilômetros sem sequer um poste de eletricidade, e o único outro ser vivo que encontrei por mais de meia hora foi uma cabra perdida.

E é nessa hora que a moto assume uma personalidade própria. O ronco do motor começa a conversar com você, um som reconfortante que preenche os ouvidos como uma música primal. Um a um os pensamentos começam a nos abandonar, cientes de que eles não receberão mais a atenção necessária. De repente não existem mais problemas, preocupações com dinheiro, chefe, deveres ou seja lá mais o que esteja tumultuando nossa mente.

Ficamos completamente concentrados no que estamos fazendo, ao ponto que é difícil dizer onde termina seu corpo e começa a moto. Os movimentos fluem com facilidade, e a moto parece reagir na mesma velocidade do pensamento. O acelerador está completamente aberto, e as curvas se aproximando cada vez mais rápidas. Mas apesar do perigo e da velocidade, a respiração é lenta e relaxada. Tudo se torna instintivo, nossos sentidos e reflexos estão ao máximo.

Estamos na zona. Um sentimento sem nome, mas que o nosso coração parece buscar a vida inteira.

É aquilo que não dá pra explicar, mas quem lê este blog sabe do que estou falando.

Motos em quartos de hotel

O Church of Choppers está com uma sequência de posts genial: motos em quartos de hotel/motel.

Fiquei com uma puta inveja das fotos. Sempre viajei sozinho e ficava me cagando de largar a moto em uns hotéis sinistros na beira da estrada. Nesses lugares você tem que deixar a moto em algum terreno ao lado, geralmente perto de algum galinheiro ou de um opalão semi-desmontado.

Por isso eu sempre quis colocar a motoca pra dentro do quarto, mas nunca consegui. Até porque a arquitetura dos hotéis daqui geralmente não permite isso, já que os motéis gringos sempre possuem quartos térreos. Se alguém conseguiu fazer isso por aqui, me manda a foto que eu posto.

Church of Choppers: Bikes in Hotel Rooms