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Espaço do Leitor: Indian x Harley

O Clóvis escreveu:

Gostaria que fosse discutido a observação do Luiz, ontem:

“Luiz 24 DE AGOSTO DE 2017 ÀS 8:43 AM
Uma coisa que chama a atenção é que na contramão desta tendência está a Indian: …”

Fiquei intrigado com o que ele colocou, pois vai contra muita coisa que se fala sobre essa nova geração. Que existem mudanças de hábitos, isso ocorre desde que o primeiro ser humano pisou no globo. É do negócio. Mas a história não acaba.
(…)
No mais, certa vez nos foruns HD da gringa, neguim abriu um post pra comentar que fazia tempo que não via alguém com Low Rider zero…. Vez ou outra uma ou Street Bob… mas muito pouco. Aí comecei a observar e o que se via era comércio de usadas.
Ou seja, a Dyna já tava em queda há tempos.
(…)

Então a HD tinha dois problemas sérios dentro de casa : quadro da Dyna e motor.
E fora dela, a Indian tirando pedaços do fígado. Algo tinha que ser feito. E foi feito.

Curiosamente, isso também não saiu da minha cabeça enquanto escrevia o artigo de ontem. A Indian herdou um grande know-how em tecnologia da Victory, mas mesmo assim foi na contramão da tendência apostando no visual clássico.

Isso me parece apenas uma questão de estratégia de conquista de mercado. A Harley é uma empresa muito maior que a Indian, com mais da metade do mercado americano e com um nome reconhecido até por quem não anda de moto. Já a Indian é uma recém chegada, que está tentando abocanhar parte desse mercado e reerguer o seu nome lendário.

Desde que a Indian ressurgiu, o foco dela são os motociclistas mais tradicionais. É só ver a campanha de marketing atacando os guerreiros de final de semana, se posicionando como a moto para “motoqueiros de verdade”. A intenção dela é realmente pegar os baby-boomers e a geração que os seguiram usando o manto da tradição. E eles tem experiência prêvia no assunto, já que vender motos modernas (leia-se Victory) foi uma estratégia da sua empresa mãe (Polaris) que não deu o resultado que eles esperavam.

A Polaris, fabricante da Indian, fechou as portas da Victory este ano. As motos eram uma versão moderna das cruisers com motor V2.

E isso faz muito sentido. Para a Harley continuar sendo gigante, ela precisa aumentar o tamanho do bolo do mercado, trazendo mais pessoas. Só que para a Indian crescer, ela só precisa pegar uma fatia maior do bolo que já existe. E mesmo que esse bolo esteja encolhendo por causa dos millennials, ainda é um mercado muito lucrativo para se explorar nos dias de hoje.

Se isso é uma estratégia sustentável ou não, aí é outra história. A Harley acredita que não, por isso está focando nas mudanças. A Indian acredita que sim, por isso o foco na tradição. Mesmo assim, nada impede que um dia a Indian se veja diante do mesmo problema e mude a estratégia.

O que me incomoda na opção que a Harley está seguindo é o fato de que ambos os mundos podem conviver. A Triumph se reinventou e é um bom exemplo: hoje vende esportivas, vende big-trails e, mesmo assim, ainda possui um enorme carisma e boas vendas nas suas clássicas Bonnevilles, chegando até a lançar um novo modelo Bobber. E você não vê ninguém reclamando que a mesma fabricante da Bonnie faz a Speed Triple.

Quem está certo? Só o tempo dirá.

Não gostou da linha 2018Harley? Então provavelmente ela não é para você

A Internet parece ter sido quase unânime em seu veredito: a nova linha 2018 não agradou. Para muitos, o motor Milwaukee 8 tem mais a ver com as japonesas e com a Victory, do que com os amados V-2 a ar. Para outros, as mudanças de chassi e dirigibilidade só seriam interessantes se a Harley-Davidson tivesse mantido o seu visual clássico.

Infelizmente, essas motos não foram feitas para os tradicionais fãs da marca: elas são, mais uma vez, uma tentativa de atrair novos fãs.

Você já ouviu o velho argumento de que os baby-boomers são o maior público da marca, que eles estão envelhecendo e deixando de andar e por isso a Harley-Davidson precisa atrair os mais jovens, além das mulheres e algumas minorias (nos EUA) que nunca foram o foco da empresa.

Isso é algo tão importante para a estratégia da Harley-Davidson que se tornou a principal meta da empresa para os próximos 10 anos.

Recentemente, o jornalista Tite fez um comentário bem pertinente sobre esse assunto. Ele escreve em seu post sobre a nova BMW 310R:

No ano passado levei minha filha mais velha (30 anos) para um evento de motociclistas. Comentário dela: “pai, mas só tem velho!”. Eu incluso, claro. Ela só externou outra coisa que a indústria de moto, especialmente as marcas BMW e Harley-Davidson já perceberam: essas marcas seculares atraem pessoas igualmente seculares. Por isso a HD correu para lançar uma 500cc e a BMW investiu um caminhão de Euros para criar e lançar esta 310: estão de olho no público jovem, porque além de fidelizar a marca desde cedo os jovens vivem mais.

No entanto, o que pouca gente sabe, é que as empresas estão tendo um enorme problema para atrair os mais jovens em vários segmentos.  Há uma mudança de comportamento grande acontecendo, impulsionada pela falta de perspectiva das novas gerações e por algumas ideologias.

O motociclismo, por exemplo, é algo que os millennials demonstram pouquíssimo interesse. A imagem do rebelde libertário em sua moto se tornou… careta. Os ideais de possuir uma casa, um belo carro ou moto na garagem da geração anterior não fazem parte do repertório deles, que preferem a economia compartilhada e uma vida de poucas possessões materiais que os prendam em um lugar. Essa é uma geração que privilegia experiências e atitudes pessoais como símbolo de status.

Além disso, por muitos e muitos anos a Harley teve uma atitude que essa nova geração não aceita. Você conseguiria imaginar a Harley colocando hoje em dia um anúncio que mostra um motoqueiro já com certa idade dizendo “Eu nunca deixo a minha esposa dirigir. Pelo menos até ela completar 18 anos” sem causar uma revolta nas redes sociais?

Ou este aqui?

Alguns marketeiros também chamam atenção para o fenômeno da “ostentação invisível”, algo que afeta tanto os millenials quanto os membros da nova classe média alta. Cientes da desigualdade social, essas pessoas tendem a não mostrar seu sucesso ou riqueza com bens, optando por gastar em coisas não tão tangíveis e vísiveis, como a escolha da escola dos filhos, o lugar onde moram, os alimentos que compram e os destinos de suas viagens.

Ou seja: marcas como a Harley-Davidson estão enfrentando um duplo desafio. Eles precisam renovar sua base de fãs, mas estão fazendo isso justamente com uma geração que não dá a mínima para o que eles fazem. Isso é uma perigosa combinação, já que a marca pode alienar os atuais fãs e não conseguir o resultado que espera com os mais jovens.

Na minha humilde opinião, o que a marca precisava era reinventar o motociclismo em si, deixando ele atraente para os mais novos. Algo que ela já fez muito bem quando oficializou o H.O.G. nos anos 80 e passou a tratar seus produtos como “uma máquina de fazer amigos”.

Do contrário, ela pode acabar sozinha.

#somostodosmarcio

No post anterior, eu cobri o nome do autor por acreditar que era uma brincadeira. E realmente era!

Mas, mesmo depois do grupo onde ele postou essa mensagem ter explicado que era uma tiração de sarro, continuam perseguindo o autor e replicando os prints incluindo o nome completo dele em diversos grupos de whatsapp e foruns. Até para o trabalho dele enviaram.

Humor é algo muito complicado. Nem todo mundo vai gostar das suas piadas, ou vai entender que é uma piada, ainda mais quando é tirada de contexto como neste caso.

Se foi de mau gosto ou não, ninguém merece ser perseguido na vida pessoal. Por isso vou deixar minha contribuição para a campanha:

#somostodosmarcio

 

Algumas pessoas são tão pobres, que a única coisa que elas possuem é dinheiro

Um amigo acaba de me mandar esses prints aqui embaixo. Por favor, alguém me fala que isso é apenas uma brincadeira?

Eu realmente quero acreditar que isso é apenas um troll de internet lançando essa discussão em um fórum para semear a discórdia. (Até por isso cobri o nome do sujeito, porque ninguém merece uma caça às bruxas por causa de uma zoeira).

Gosto particularmente de quando ele diz para se ter uma Biz, como sinônimo de moto de quem não tem grana. Eu tenho uma Harley e, mesmo assim, tenho uma Crypton (gêmea da Honda Biz). Aliás, tenho uma bicicleta também, que para falar a bem da verdade tem rodado mais pela cidade do que as duas motos juntas.

Tem gente que se revolta com a popularização das Harleys porque acredita que os roubos aumentaram por causa disso. Eu, honestamente, não acredito nisso. Os roubos aumentaram porque tem mais filhas da puta andando por aí, dinheiro e caráter não são sinônimos.

Se fosse assim, não tinha tanta história de customizador e de gente cheia da grana pagando milhares de reais em customização, ao mesmo tempo que usam Harleys clonadas ou roubadas. Volta e meia pipocam esses relatos nos fóruns de motos da internet.

É só ver o exemplo americano. Nos EUA, quase todo mundo pode ter uma Harley. Sim, alguns vão ter os modelos mais caros e exclusivos, outros os modelos mais básicos e usados. Mas não é incomum andar pelas cidades mais humildes do interior e ver uma ou duas Harleys na garagem do sujeito.

UPDATE:  O Marcio confirmou que é um troll publicado em um post de tiração de sarro, como suspeitávamos. Mas o post já circula em vários lugares, sendo usado como “prova” do esnobismo dos Harleyros e com algumas pessoas defendendo o que foi dito nele. A discussão do post continua válida, já que a maioria de nós conhece alguém que realmente pensa assim.

Faz um tempo que escrevi um post, que eu acho que merece repetir:

Não julgue um livro pela moto

Originalmente postado em 19 agosto de 2015

Recentemente, li um estudo que de certa forma comprovava o que muitas pessoas costumam dizer de brincadeira: quanto mais caro o carro, mais folgado é o sujeito no trânsito.

Claro que isso é um exagero: não se pode julgar todo mundo pelo comportamento de poucos (a gente que anda de moto sabe bem disso). Mas a constatação do estudo era bem interessante: a maioria das pessoas tende a achar que o seu tempo é mais valioso do que o das pessoas que estão em um carro mais barato. E quanto mais caro o carro do indivíduo, maior é essa percepção.

É por isso que alguns tendem a tomar atitudes no trânsito como se tivessem a preferência. Fecham você, não esperam na fila de conversão, param em fila dupla, porque elas acreditam ter prioridade.

Infelizmente, tenho visto isso acontecer demais também no mundo das duas rodas.

Motos e frugalidade

Não sei se os leitores aqui do O.D.C. sabem, mas eu sou um adepto da frugalidade. Isso não significa que eu sou um pão-duro miserável como o Tio Patinhas, e sim que eu tenho uma relação um pouco diferente com o dinheiro. Não sei se foi pela infância que tive, ou pelas merdas que passei, mas a verdade é que eu tenho uma obsessão relativamente saudável em descobrir maneiras de viver com menos do que ganho. Gostaria muito de chegar no ponto de ter “Fuck you money“:

Apesar de ser fã de motos e querer ter uma dezena delas da garagem, eu nunca me enforquei por nenhuma delas, ou fiquei devendo. O mesmo se aplica com minhas roupas, o carro da minha esposa e os lugares que frequento. Nada contra quem faz o oposto, só estou contando como eu faço. Gosto de andar de moto justamente porque gosto de liberdade, e ser escravo do dinheiro é uma das maiores faltas de liberdade que vivemos nos dias de hoje. O único jeito de sermos realmente livres, é fazendo um esforço consciente para tentarmos chegar no nível do Fuck You Money.

É por isso eu nunca consigo julgar a grana de alguém simplesmente pelo que ele mostra: o cara que compra um Mercedes zero pode estar pendurado de dívidas, sem ter nada guardado no banco, enquanto que o cara no Corolla pode ser o Warren Buffet. Eu tinha um chefe que andava de Gol, enquanto um dos funcionários tinha um Audi. Ele era apenas três anos mais velho do que eu e hoje vive de renda, algo impensável para a maioria de nós nessa mesma idade.

E o que isso tem a ver com motos?

Tempos atrás, eu decidi apertar o cinto em casa ter uma scooter como segunda moto pra economizar. Dessa forma posso bater, judiar, frequentar os lugares toscos que meu trabalho me faz ir, e largar ela sem dó de ter que morrer numa grana pesada caso algo aconteça com ela. O custo de manutenção depois de dois anos rodando pesado com ela, foi menor que o preço da última troca de pneu da XR, sem falar na gasolina.

Recentemente, fui mais além. Em um post à parte posso explicar porque não me adaptei bem com a Burgman, mas o fato é que dois meses atrás fui procurar uma primeira moto pro meu sobrinho que completou 18 anos, e acabamos decidindo por uma Yamaha Crypton.

Sempre fui fã das CUBs (Cheap Urban Bikes) por serem praticamente indestrutíveis e terem uma ciclística bem similar a de uma moto de verdade. A Crypton, por exemplo, tem o mesmo rake e entre eixos de uma esportiva, só que numa versão miniatura. É divertida pacas de pilotar e, apesar do câmbio semi-automático, você pode brincar com o pedal dela e usar como embreagem normalmente.

Na hora de fechar negócio, descobri um lote de modelos do ano anterior, sendo vendidos por um preço inferior ao modelo mais básico deste ano. Foi tão bom negócio, que além de comprarmos a dele, comprei uma pra mim. Batizei ela de Mobyllete.

A pequena CUB se mostrou ideal pro que eu precisava, já rodei 1.500 quilômetros com ela, 99% no trânsito pesado de São Paulo. Mas comecei perceber um comportamento, que eu já percebia na Scooter, piorar bastante com a Crypton.

Você não é o que você tem.

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“A gente compra coisas que não precisamos, com dinheiro que não temos, para impressionar pessoas que não gostamos.” – Clube da Luta

No trabalho, por exemplo, o mesmo segurança que me via todo dia de Harley e falava “Bom dia doutor“ (eu nunca cheguei perto de um doutorado nesta vida), começou a travar a cancela e perguntar de forma agressiva “Onde você vai?“.

No posto de gasolina, o mesmo cara que quando via a XR perguntava “Completa com pódium, chefe?“, passou a pegar a bomba de gasolina comum sem nem me perguntar antes, e dizer com certa má vontade “Coloca quanto?“.

Eu sou o mesmo cara. Com as mesmas roupas. Com os mesmos capacetes.

Como esses caras me vêem com frequência há pelo menos dois anos, a única conclusão que eu cheguei é que eles nunca me reconheceram. Eles viam apenas uma moto.

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O mesmo se aplica no trânsito diário. Hoje, um sujeito em uma bela Harley, com pintura personalizada e escape Vance & Hines, fez de tudo diversas vezes pra chegar antes de mim no corredor, para depois ficar lá, travado entre os carros sem deixar eu e outros motoqueiros passarem.

E quando eu contornava o problema, e voltava para o corredor, dava pra ver que o cara ficava visivelmente incomodado e passava acelerando com tudo pra me alcançar e depois fazer o mesmo: travar o corredor.

“Meu tempo é mais valioso que esse cara na motinho. Preciso chegar primeiro no corredor, foda-se ele”, deve ser o que passa pela cabeça do sujeito. O mais engraçado é que é um cara com a mesma paixão que eu: motos customizadas.

Gostaria de dizer que ele foi o único, mas isso tem se repetido com certa frequência. Eu sempre tive o hábito de deixar motos menores passarem na minha frente no corredor, caso eu percebesse que iria fecha-lo. Mas quando estou com a Mobyllete, conto nos dedos as pessoas em motos caras que fazem isso.

O mais louco é que, isso já aconteceu com tanta frequência comigo envolvendo Harleyros, que eu tenho certeza que alguns eram leitores aqui do blog. Que o cara que torceu o nariz pro sujeito de Crypton no semáforo, não fazia ideia que era eu do lado.

Não escrevi tudo isso pra dizer que devemos dar as mãos e sermos todos iguais, que somos todos irmãos. Eu não acredito nisso. O que nos torna humanos é justamente o fato de que somos todos diferentes.

Acho que, no fundo, o que eu quis dizer com toda essa verborragia foi: não seja mais um babaca no mundo. A gente precisa de mais gente com sangue bom por aí…

E nunca se esqueça do que Tyler Durden nos ensinou:

—-

PS: Se alguém tiver mais interesse em saber sobre frugalidade, recomendo o site The Simple Dollar, e livros como o Milionário Mora ao Lado, entre vários outros.

Frase da semana

Frase do jornalista Geraldo “Tite” Simões no Facebook sobre as cada vez mais frequentes restrições em São Paulo. Chega dessa palhaçada de restringir o nosso direito de andar de moto, o que tem que fazer é cobrar e fiscalizar o dever de andar na linha.

Por três vezes, somente nesta semana, flagrei ambulâncias com sirenes ligada que não conseguiam transitar na Marginal Pinheiros e na Raposo Tavares porque alguns motoqueiros corriam para ultrapassa-las pelo corredor da direita, impedindo que os carros pudessem liberar espaço.

Muitos motoristas, inclusive, eram xingados quando tentavam abrir invadindo (com razão) aquele corredor. Outros, simplesmente tinham medo de abrir caminho pois as motos já vinham em alta velocidade buzinando.

Eu tive vontade de ir atrás de todos eles e gritar na cara: E SE FOSSE VOCÊ, SEUS FILHOS OU SUA MÃE NAQUELA AMBULÂNCIA, SEU FILHO DA PUTA? IA FICAR FELIZ DA AMBULÂNCIA NÃO CONSEGUIR PASSAR?

Como não dava para ir atrás de todos, confesso que fiz isso apenas com os dois que consegui parar ao lado.

Nessas horas, cordialidade e escolha de palavras me fogem. O país que a gente quer ser começa pelo povo que a gente quer ser.

O Brasil precisa de mais motoqueiros “outlaws”

Sim, eu estou desmotivado, meu Fiel Leitor. A quantidade de posts aqui no Old Dog Cycles caiu absurdamente e eu não queria que fosse assim.

O que aconteceu? O Brasil aconteceu.

Eu ando tão puto com a situação, que eu não consigo mais esconder. Sempre quis sentar aqui no meu computador e escrever algo motivacional, que levantasse o ânimo das pessoas, especialmente de você, Fiel Leitor.

Porque motocicleta é isso. É terapia zen. É encher um tanque e esvaziar a cabeça. É juntar os amigos. É se superar em uma aventura.

É puxar em todos nós o que nós temos de melhor.

Mas eu confesso que não estou conseguindo fazer isso. Eu estou puto, meu Fiel Leitor. Puto como eu nunca estive antes. E isso se reflete aqui, no meu teclado.

A carne que eu dou para os meus filhos pode dar câncer. Ela foi vendida por um monte de celebridades “confiáveis”, mas agora sabemos que ela está podre como a nossa classe governante.

Nosso país é rico, é lindo, é o país do futuro. Só que esse futuro nunca chega. E se chegar, vai chegar sem aposentadoria, sem saúde, sem segurança e educação.

A gente mora no país com o maior o maior número absoluto de homicídios no mundo.

As delações da Lava Jato colocam os nomes de políticos dos principais partidos na lama mas, ainda assim, as pessoas torcem como em um jogo de futebol, como se houvesse um lado ganhador. Defendem os políticos como se, algum dia, ao menos um deles nos tivesse estendido a mesma cortesia e nos defendido também.

Aliás, a analogia com o futebol é perfeita. Porque se você for um jogador de futebol por essas bandas, você tem carta branca e pode fazer o que quiser. Pode se meter com o tráfico, bater na mulher, atropelar e matar pessoas completamente bêbado que todo mundo vai continuar achando que você é um herói. Afinal, você sabe colocar a bola em um retângulo!

Você pode até assassinar sua namorada e dar pro cachorro comer que, ainda assim, vão tirar selfies com você na rua.

Meu irmão, o sistema está completamente falido. O que vivemos hoje é justamente o que fez os primeiros motoclubes americanos se unirem e se considerarem “outlaws”, foras-da-lei. Aqueles irmãos motociclistas olhavam para a sociedade onde viviam e não se identificavam mais. Aquela sociedade não os representava.

No entanto, naquela época, ser outlaw significava fugir do sistema que fazia você virar um pai de família e trabalhar honestamente das 9 às 6. Era não se identificar com a lei, com as regras ou com os padrões morais da sociedade. Isso era coisa para caretas, quadrados.

Não sei quanto à vocês, mas cada vez mais me sinto um fora da lei, mas um fora da lei dos dias de hoje. Porque digo isso? Simples: num país onde a ladroagem, a malandragem e a falta de escrúpulos se tornaram o status quo, levar uma vida digna e honesta me parece uma grande rebeldia.

Espero que muitos de vocês estejam comigo nessa rebeldia.

Tá na hora dos novos outlaws darem um tapa na cara desse status quo que está aí.

O resumo do mundo das motos em 2017 (até o momento)

Depois de curtas férias, eu volto para acompanhar as notícias e vejo que o mundo das motos em 2017 já tem muita coisa pra contar. (Ok, vários fatos são de 2016 mas shhh… Tô atrasado com os posts).

A Polaris fechou a Victory

As motos da Victory sempre foram uma grande promessa, mas nunca chegaram a realmente competir com a Harley-Davidson. A proposta da marca era ser uma opção de cruiser mais moderna, ágil, com chassis melhores e bastante tecnologia embarcada. O visual retrô ficava de fora em detrimento de um design um pouco mais “moderno”.

Mas vamos ser sinceros… Quem procura uma moto com esse perfil geralmente prefere pagar menos e conseguir basicamente a mesma coisa com uma japonesa. Por isso não fazia muito sentido a Polaris, que é a fabricante tanto da Indian quanto da Victory, dividir seus esforços em duas frentes de batalha.

A Indian tem praticamente tudo o que a Victory tinha, aliada a um nome forte e um visual retrô que é imprescindível para muitos consumidores da categoria.

Mulher é presa se masturbando na frente dos vizinhos em cima de uma moto

A notícia é de 2014, mas por algum motivo ela só foi desenterrada e viralizou este ano. O fato ocorreu na Florida e gerou uma grande comoção na vizinhança já que a principal testemunha foi um garoto de 13 anos.

No entanto, o que realmente causou comoção na internet foi o fato de que não ficou claro qual moto ela estava usando. E como a loucura não tem fins nos fóruns de internet, chegou-se a especular qual modelo seria mais indicado para o ato, além das vantagens e desvantagens de um coxim de borracha nas vibrações no banco.

A Triumph vai trazer a Scrambler de volta para o Brasil

Lembra quando estavamos discutindo sobre as novas Scramblers neste post aqui?

A Triumph parece ter sentido o peso da concorrência da Ducati e vai trazer de volta o seu modelo pra cá, ao lado da Street Cup e da sua Bobber,

Já não era sem tempo!

Gold Wing Faz recall de air bag

O fato atinge apenas 80 motos fabricadas em 2012, mas isso conseguiu muito mais mídia do que qualquer outro recall importante de outras marcas. Ponto pra Honda que assumiu o erro. Mas agora dá pra parar de fazer manchete sensacionalista com esse recall?

Ducati lança a moto mais cara do Brasil

A Ducati 1299 Superleggera vai chegar aqui por míseros R$ 550 mil. Isso significa que você está pagando R$ 2.550 reais por cavalo.

Já a CG 150 custa apenas R$ 700 por cada cavalo. Então eu sugiro você sentar e fazer bem as contas antes de assinar o cheque. Talvez valha a pena comprar 15 CGs para conseguir os tais 215 cavalos e com o troco comprar uma Ducati 1199 Panigale R.

Só uma sugestão.

São Paulo voltou a subir a velocidade das Marginais

Mas o trânsito continua uma porcaria e o debate sobre mortos continua, mesmo com o limite no resto inteiro da cidade continuando baixo.

Minha sugestão? Vai de moto. Vai de bicicleta. Carro em São Paulo é para pessoas mais evoluídas do que eu, que possuam a paciência do Dalai Lama para enfrentar o trânsito.

E o ano que vem, como vai ser?

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O jornalista Geral “Tite” Simões escreveu artigo muito mais técnico e informativo do que o meu ensaio no post “Escrevendo sobre motos em tempos de crise“, que trata justamente da perspectiva do mercado de motos para o ano que vem:

Leia: O que esperar de 2017? @Motite

Dois pontos que me chamaram bastante a atenção no artigo: o primeiro é que o mercado de motos estagnou de tamanho, são 4 milhões de unidades comercializadas ao ano, entre novas e usadas, por dez anos consecutivos.

O segundo é o quanto o mercado de motocicletas novas encolheu depois daquela febre de dar crédito e se fazer carnê em um diversas parcelas. Hoje, desses 4 milhões, 30% são de motos novas, enquanto que 70% respondem pelo mercado de usadas cada vez mais aquecido (em 2012 essa divisão era 50/50).

Se você olhar nos classificados, é fácil ver como o preço das usadas muitas vezes cai para um patamar mais justo em pouco tempo. Some isso ao fato de que nos modelos mais “luxuosos” é fácil encontrar motos com baixíssima quilometragem, então não é preciso ser um especialista para entender onde as novas patinam.

No auge das vendas, muita gente tratou os consumidores como descartáveis, no famoso sistema “se você não quer, tem quem queira”. Marcas com modelos que possuíam fila de espera só pioravam isso, passando todo o poder para a mão dos revendedores que não se esforçavam em fazer um bom pós venda.

Hoje, muitos deles ainda não aprenderam a lição, enquanto outros estão bem espertos. Eu só espero que, assim que o mercado e a nossa economia finalmente melhorarem, os consumidores estejam mais exigentes e não caiam nessa.

Porque de moto cara e de país no enrosco, a gente já teve a nossa cota para uma vida inteira.

Escrevendo sobre motos em tempos de crise

Foto que ilustra o post: Marcio Vital do BHRiders.

Este foi o ano mais difícil para se escrever aqui no Old Dog Cycles. Em parte por causa da enorme encolhida que o mercado de motos sofreu aqui no Brasil, consequentemente diminuindo o número de matérias e opiniões a serem escritas sobre novos modelos, lançamentos e tendências.

Mas eu estaria mentindo se dissesse que foi apenas por causa disso. A verdade é que eu ando me sentindo culpado.

Eu não preciso recapitular o caos que estamos vivendo atualmente, tanto na política quanto na economia. Para alguns, é algo que começou agora, mas para outros é um movimento que se anunciava já alguns anos. Mas não importa no que você acredita, todos estamos passando por esse tsunami que começou como uma marola.

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Este ano eu vi muitos amigos perderem o emprego. O local onde eu trabalho cortou 1/3 do pessoal e você fica olhando e pensando quando você será o próximo. Minha esposa saiu de uma função que ela exercia há mais de 12 anos, junto com 20% dos seus colegas.

A atual situação fez com que alguns conhecidos optassem por vender a moto, especialmente aqueles que a utilizavam apenas para o lazer. Outros estão se apegando aos seus modelos mais antigos, mesmo já sentindo a necessidade ou vontade de troca-los. E muitos simplesmente desistiram de entrar para este mundo, deixando o sonho de comprar a primeira moto para depois.

Eu mesmo coloquei a Harley de canto, aproveitando o baixíssimo custo de se manter a Yamaha Crypton. Não é uma moto que eu tenha carinho ou apreço, mas ela me leva de A até B gastando quase nada e com muita agilidade. Por isso eu me vejo pegando a pequena CUB para sair de casa praticamente 99% das vezes. Não é uma pilotagem que me dá prazer, mas resolve meu dia.

É claro que algumas pessoas passam ilesas por esse tipo de coisa, mas elas são uma minoria de sorte, que possuem independência financeira ou estão em setores que se beneficiam com esse tipo de crise.

Não julgue um livro pela moto

Mas quando eu paro para pensar nas pessoas deixando suas motos em suas garagens e se preocupando em garantir o seu próprio sustento ou de sua família, eu sinto um enorme bloqueio de escritor. Por mais que eu goste de motos, tenho achado difícil falar delas vendo tanta gente boa apanhando para ganhar a vida por aí. Me sinto fútil.

Eu sei que as coisas estão melhores do que elas eram na minha infância. Me lembro de ter que ir com minha família fazer as compras para podermos encher vários carrinhos de uma vez. Se não fizéssemos isso, no dia seguinte o salário lá de casa estaria valendo muito menos por causa da superinflação. Me lembro dos remarcadores nas lojas aumentando o preço dos produtos várias vezes ao dia e de termos que cortar os zeros do dinheiro de tempos em tempos. Lembro de gente que vendia um carro pra comprar um telefone para conseguir abrir um pequeno negócio. Lembro dos índices de analfabetismo serem anunciados no Jornal Nacional tão corriqueiramente como hoje anunciamos a cotação do dólar.

Só que isso não me conforta, porque a gente poderia estar infinitamente melhor hoje em dia. Nós brasileiros já passamos por diversas crises, mas 2015 e 2016 parecem ter atrelado uma crise financeira e política com uma crise moral. Talvez sejam as redes sociais, talvez seja o efeito colateral de anos e anos de certas imposições culturais, mas a verdade é que estamos vivendo uma enorme polarização de opiniões onde eu vejo muito pouco resultado benéfico e prático saindo delas.

Dentro desse contexto, escrever sobre motos me trava. Eu gostaria de ter força e alcance para aproveitar esse momento e incentivar as pessoas a ficarem felizes com o que elas possuem. Gostaria de ter imaginação suficiente para ajudar as pessoas a criarem um movimento como o dos Hot Rods e Cafe Racers, onde jovens sem dinheiro usavam sua criatividade para construírem seus carros e motos dos sonhos. Gostaria de ter mais tempo para pegar minha câmera e sair por aí fotografando e escrevendo sobre exemplos de pessoas que fizeram isso por aí.

Enfim, gostaria de ajudar a trazer a inspiração que eu acho que todo mundo anda precisando. Sim, motos são itens secundários quando se trata das prioridades da vida, mas são ao mesmo tempo o canal por onde muita gente se realiza e se encontra. Minha grande vontade para sair desse bloqueio é achar uma forma de transforma-las em algo inspirador e ao alcance de todos nesse momento.

Por isso, se você estava esperando uma grande conclusão ou epifania para este texto, sinto desapontá-lo. Eu não sei como trazer essa inspiração ou começar um novo movimento.

Mas a minha grande esperança é que, talvez, você saiba.

A Harley é uma moto simples de se mexer?

A foto aí de cima Harley sendo consertada, no meio da rua, por uma oficina simples, com poucas ferramentas. Para alguns isso causa surpresa, mas para muitos isso é natural.

Antigamente as Harleys eram construídas tendo em mente que muitos proprietários gostavam de meter a mão na massa, por isso a simplicidade mecânica e a confiabilidade eram, de certa forma, uma parte importante do marketing. Enquanto as japonesas eram eficientes, mas vistas como descartáveis, as Harleys podiam ser praticamente reconstruídas e nunca pararem de rodar.

É daí que vinha aquela máxima: “Algumas motos ficam velhas, outras viram clássicos”.

Mas isso ficou no passado graças às mudanças eletrônicas dos modelos dos últimos anos. ABS, refrigeração líquida e sensores modernos são uma especialidade muito além da habilidade da maioria dos mecânicos de fim de semana.

Os projetistas da Harley fazem um grande esforço de design para fazer com que as motos pareçam simples, apesar de serem cada vez mais complexas em seu funcionamento. Fico até espantado de ver alguns proprietários falando de boca cheia que a Harley é feita do mesmo jeito que no começo do século. Sinto te desapontar, mas aquele visual de “old school” é só marketing. Já se foi o tempo que esse aqui era o mantra da Harley-Davidson:

Hoje em dia, para a Harley-Davidson, é muito mais importante parecer uma moto clássica do que ser uma moto clássica. Se você olhar o chicote de uma moto recente, por exemplo, vai perceber que ele é muito mais complexo do que o de muito carro por aí.

Se isso é bom ou ruim, depende do gosto de cada um. As Harleys são como são hoje porque a maioria do público quer motos assim. Se você faz parte da galera que prefere uma moto simples, que você mesmo possa manter, sempre irão haver modelos mais antigos na seção de usadas dos classificados. Infelizmente não vai ser um passatempo barato, já que o custo de se importar peças para se manter essas motos está cada vez mais alto.

E para você que faz parte do segundo time, mas não sabe por onde começar, tem um artigo que pode ajudar:

Biblioteca básica: os primeiros passos pra aprender a mexer na sua moto

Boa leitura!

Uma customização do jeito que a Harley Deveria ter feito

Apesar de gostar da XR1200, minha maior crítica sobre o modelo é o quanto que ele destoou do restante da linha da Harley-Davidson. Seria muito bom ter outras opções de design, talvez inspirada na extinta Sportster XLCR1000 ou nas cafe racers britânicas, ao invés de usar como base a XR750, um modelo com uma legião de fãs leal, mas pequena.

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Se a ideia era criar uma esportiva refrigerada a ar, eles deveriam ter fugido um pouco das linhas mais modernas. Os modelos clássicos combinam mais com a proposta e com o público alvo, que geralmente procuram algo com um visual mais vintage. Um bom exemplo disso é a Ducati com a extinta linha SportClassic e a Triumph com sua Thruxton 1200R.

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Sportster XLCR
Ducati SportClassic
Ducati SportClassic

Mas ontem, no programa matinal “Pra Você”, apareceu uma XR que está sendo customizada aqui no Brasil que tem tudo para se tornar um belíssimo exemplar, muito parecida com a The American da Deus.

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Você pode conferir alguns detalhes dessa moto no programa matinal  vendo a reportagem completa neste link: http://tv.uol/15KwK

Outras inspirações pra linha XR, você confere aqui.

Eu sou contra moto elétrica?

O Camilo fez um questionamento nos comentários que vale um adendo. No post “Uma europa sem motos em um futuro não tão distante”, eu disse que as motos iam acabar, quando na verdade são apenas as motos movidas por motores de combustão interna que vão acabar, as elétricas vão sempre continuar existindo.

Então é aí que eu lanço a polêmica: pra mim, moto elétrica não é moto.

Eu gosto delas? Bastante. Motor elétrico tem um torque absurdo partindo praticamente do zero. O planeta tá precisando de uma ajuda? Tá, e muito.

Tudo isso é válido. Mas. Elas. Não. São. Motos.

Brincadeiras à parte, pra mim é muito difícil abandonar as motos como elas são hoje. Os veículos elétricos, por mais que melhorem a cada ano, não combinam com o mototurismo de aventura. Não combinam com Iron Butt. Com atravessar um rio. Com andar com uma garrafa de combustível presa no banco do garupa porque você sabe que vai cruzar o meio do nada.

Eu reconheço que, como alternativa urbana, veículos elétricos são sensacionais. Mas ainda falta muito chão até uma moto elétrica poder passar o perrengue e ter a mesma autonomia e facilidade de abastecimento de uma moto à combustão. Olhando para o horizonte, ainda não temos nada que justifique elas sumirem em 2030. Por mais que alguns acreditem que Elon Musk seja o mais novo messias da humanidade.

Afinal, o maior calcanhar de Aquiles delas continua sendo a recarga. Ou ela é lenta para justificar o custo, ou ela é rápida mas uma gasta uma energia absurda. A cada ano que passa, vemos as baterias ficando mais eficientes. Mas até agora, não vi nenhum avanço significativo no tempo de recarga que se justifique ecologicamente.

(Um breve resumo bem tosco: quanto mais rápida a carga, mais se exige da rede elétrica, ao ponto de ficar inviável.)

Eu sempre achei que os carros entrariam em extinção, mas as motos, justamente por consumirem menos combustível e ocuparem menos espaço, iam ser parte do futuro com seu lugar garantido. A gasolina ia continuar existindo, nós apenas seríamos absurdamente menos dependentes dela. Nunca imaginei que a baixa das motos à combustão poderia chegar tão cedo.

Continuo sendo fã da Zero e espero que a LiveWire dê certo. Mas uma coisa é ter as motos elétricas como opção, outra bem diferente é elas serem a única opção.

Espero que alguém invente uma planta mutante cuja a seiva se torne uma gasolina que não poluí e ainda deixa o ar mais limpo. Os cientistas já me frustraram com a porcaria do Hoverboard,  vamos ver se as motos à combustão se salvam.

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E a Indian?

Olha só o relato do Wolfmann em seu blog sobre as Indians aparecendo nos pontos tradicionais de Harleyros. Vale a leitura, como sempre:

http://wolfmann-hd.blogspot.com.br/2016/09/indian-rio-incomodando.html

Aqui em São Paulo as Harleys ainda são a maioria no dia a dia. É bem raro ver uma Indian no trânsito, enquanto que as Harleys são cenas comuns. Isso se deve em parte ao gosto pela marca, mas também porque elas são uma alternativa pouco visada em uma cidade onde o roubo de moto é tão rotina que, quando você diz que anda de moto, as pessoas geralmente perguntam: “E você não tem medo de assalto?”

Estou bem curioso quanto à marca do Cacique, tenho muita simpatia pela engenharia da Polaris e sei que tem muita gente apaixonada por motos trabalhando pela marca tanto nos EUA como aqui. Isso sempre é benéfico pro nosso mercado.

(E eu ainda estou esperando aquele convide pro Test Ride, Indian. Fica a dica.)

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Vamos esclarecer algumas coisas sobre os donos de Harley

A Sportster não é “moto de entrada”.

A Fat Boy não é “a verdadeira Harley.”

A Road King não é “moto de tio”.

A Dyna não é “a Big Twin de entrada”.

Esqueça o que você lê nas revistas ou ouve de quem compra moto pra se exibir na porta do bar sem ligar muito pro universo das duas rodas. Cada modelo da Harley tem uma legião de fãs que escolhem determinados modelos por preferência e não porque era aquele modelo que cabia no bolso. Aliás, está pra nascer gente mais apaixonada do que dono de Sportster, uma das motos com as customizações mais legais que se vê por aí.

Quando você troca uma Sporster por uma Fat Boy, ou uma FX por uma Road King, você não fez um upgrade. Upgrade presssupõe a troca de algo que você possuía por outra coisa melhor. Quando alguém troca de modelo, você simplesmente trocou uma Harley por outra Harley.

É aquele velho padrão que a gente já viu se repetir dezenas de vezes por aí: o cara compra uma Fat Boy, diz pra todo mundo que aquela é a única Harley de verdade. Só que, depois de um tempo, ele muda de ideia, compra uma Electra, uma Road King ou CVO e aí diz que aquela sim é Harley, o resto é “pequeno”, “motorzinho” ou algum outro adjetivo do tipo. Passa mais um tempo, ele percebe que não tem nada mais caro na linha H-D, então compra a BMW topo de linha ou alguma outra moto exótica qualquer.

Galera do Tongnhas Mob Club, só de Mobilettes. Respeitados em todos os encontros de moto, são os caras que mostram o verdadeiro espírito da coisa.

Entre o pessoal que anda de Harley, apesar da fama de esnobes por causa de pessoas assim, é bem provável que você faça muito mais sucesso se chegar com uma moto antiga, do que com um modelo último tipo com milhares de reais em cromo. Aliás, entre quem realmente gosta de andar moto, há um enorme respeito pelo cara que tem uma CG e vai até a Argentina, do que pelo cara que simplesmente gasta fortunas em customização.

Não que tenha algo errado em gastar seu dinheiro numa moto, não me entenda mal. Cada um faz o que quer, moto tem a ver com liberdade e regrinhas desse tipo não combinam. Mas o que eu estou tentando desmitificar é aquela visão de que, em um grupo de motociclistas, quem tem a melhor moto é o cara mais respeitado no pedaço. Isso, meu amigo, é uma enorme besteira e simplesmente não acontece.

Seja qual for a moto que você tem, ande muito com ela e aproveite a estrada.

E não dê ouvido pros idiotas de plantão.

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(Esse texto já havia sido publicado e foi atualizado em para expressar melhor a minha opinião contida nele. Afinal, eu também sou humano e vou aprendendo com o tempo e meus erros.)