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Range Rover vs. Motoqueiros: quem está com a razão?

Recebi diversas mensagens pedindo que eu me manifestasse sobre o episódio que aconteceu em Nova York, onde um grupo de motoqueiros perseguiu um SUV, e que terminou com o atropelamento de um membro do grupo. O vídeo completo foi retirado diversas vezes do YouTube, mas através desta notícia dá para ter uma idéia do ocorrido:

Nos vídeos publicados desse rolé deles, dá para ver claramente que o grupo estava causando o caos pelas ruas, até encontrarem com a tal SUV. Estavam andando de forma desordenada, ocupando todas as pistas, acelerando e empinando a todo instante.

A confusão aparentemente começou quando a SUV fechou um deles, que foi tirar satisfação ainda em movimento. Acho engraçado o motoqueiro reclamar de ter levado uma fechada, pois do jeito que eles estavam pilotando, acho impossível alguém não levar uma fechada. Não se esqueça que o jeito que andamos de moto por aqui, é completamente alienígena para um americano comum, então o motorista desse carro deve ter ficado bem assustado quando viu o grupo de motos se aproximando e costurando.

E foi nesse momento, quando o motoqueiro começou a discutir com o carro em movimento, que a situação piorou. Por algum motivo que eu não consigo entender, o motoqueiro deu uma freada brusca na frente da SUV, talvez para intimidar o motorista. Só que o espaço era curto e não deu outra, a Range Rover acabou batendo na traseira da moto, fazendo com que ela caísse.

Prêmio Darwin de inteligência para esse motoqueiro, tentando parar um carro de 2 toneladas com uma moto de 200kg.

TA+CERTO

Nessa hora, o sentimento de turba entrou em funcionamento, e eles começaram a cercar o motorista. A polícia posteriormente disse que um deles chegou a rasgar o pneu do carro nesse momento, mas isso não dá para ver no vídeo. E todos nós sabemos como é perigosa a mentalidade de horda que pode surgir em um grupo. As pessoas simplesmente deixam de ser elas mesmas, e agem da forma mais irracional possível.  E o motorista, que estava com a mulher e a filha de cinco meses dentro do carro, decide fugir da horda. Ele acelera com tudo, atropelando o motoqueiro e passando por cima de algumas motos no caminho.

E já que vocês pediram, vou tentar dar minha opinião da forma mais delicada possível sobre esse assunto: FODA-SE O MOTOQUEIRO.

Eu também sou pai de uma criança pequena, e teria feito o mesmo se tivesse visto meu carro cercado por esse bando de imbecis querendo arrumar confusão. Só quem é pai sabe o sentimento que surge nessa hora, e como você faria qualquer coisa para proteger os seus. Infelizmente, ele se deu mal. Logo à frente, quando o trânsito parou, arrancaram ele do carro, o espancaram e ainda cortaram a cara dele com uma faca.

Um homem sozinho, com uma filha de 5 meses dentro do carro, contra 50 motoqueiros, e um deles ainda achou necessário puxar uma faca. Covardes.

Não sei o que anda acontecendo com o mundo, mas as pessoas esqueceram o que é honra e hombridade. Um homem de verdade não se esconde atrás de um grupo para arrumar briga, ele resolve as coisas sozinho. Um homem de verdade não ameaça outro homem perante sua família, nem coloca crianças e mulheres em risco. Acredito que aqui na Terra se faz, e aqui na Terra se paga. Esse motoqueiro e seus amigos, no momento que colocaram um pai de família nessa posição, não deveriam ter esperado nada diferente do que aconteceu.

São covardes, lixos sobre duas rodas. E se eu estivesse por perto, teria tido o maior prazer de ajudar esse motorista a recolher o lixo.

Desde quando saber pilotar virou tabú?

Loud Pipes Save Lives

Confesso que eu me arrependi de ter escrito o post “O que são Chicken Stripes?“. Teve gente que achou que fui eu quem inventou esse termo (que existe há décadas) e ficou me questionando e criticando no Facebook. Hoje, no Fórum Harley, vi que a discussão virou para outro lado. Confesso que eu não entendi uma série de coisas:

1) Porque muitos acharam que isso tinha a ver com pilotar de forma agressiva ou em alta velocidade?

Quem faz bom uso da moto em baixa velocidade, não têm chicken stripes do mesmo jeito. Já vi muito dono de Electra Glide que nunca passou dos 90km/h e não têm nenhuma. Sem falar nas motos dos batedores da polícia? Pois é, eles também não têm.

2) Porque muitos acharam que as chickens stripes são algo para mostrar para os outros, e não para si mesmo?

Nunca vi ninguém ficando de joelho do lado da minha moto com uma régua na mão para avaliar minha pilotagem. Elas são algo para mim, para saber como estou usando a moto, e para corrigir vícios. Um exemplo são as pessoas que tem chicken stripes com um lado maior que o outro (geralmente o direito), mostrando que elas precisam treinar mais as curvas para aquele lado.

3) Porque toda vez que se fala de habilidade em pilotagem, especialmente entre a galera das motos customs, elas acham que isso tem a ver com exibicionismo ou com perigo?

Moto é um veículo que pode te matar com mais facilidade que um carro, e ponto final. Se você vai se meter a andar de moto, é sua obrigação com você mesmo e com aqueles que você ama, saber pilotá-la da melhor maneira possível.

Existe uma falsa ilusão de que andar devagar é toda a segurança que você precisa, mas isso é uma estupidez sem tamanho. O que vai te salvar é saber dominar a máquina. Quem sabe pilotar bem tem muito menos risco de sofrer acidente do que o cara que anda devagar, mas morre de medo de fazer qualquer coisa com a moto.

Sabe porque? Muitos acidentes acontecem quando alguém toma uma fechada, encontra óleo na pista, dá de cara com um caminhão na contra mão e por aí vai. Eu mesmo sofri um há pouco tempo com um cara varando o sinal vermelho. Aí meu amigo, não importa se você tem uma SRAD ou uma Fatboy, você precisa saber freiar com força, mudar rápido de trajetória, dominar uma curva fechada, mesmo que você esteja a 60Km/h.

Não é o escape barulhento que salva sua vida, e sim saber pilotar a sua moto!

Linha Harley 2014

Fuck the Factory

Eu pretendia fazer um post sobre o assunto, mas é tanto marquetês, é tanta encheção de linguiça para pouca mudança, que eu vou deixar o link de uma das matérias publicadas ontem sobre o assunto:

Harley-Davidson Redefine o Motociclismo com o Projeto Rushmore

Se essa é a estratégia da HD para brigar com a Indian, das duas uma: ou eles acreditam que a Indian não representa ameaça, ou a Harley vai vender sempre as mesmas motos de sempre para as mesmas pessoas.

Enquanto isso, o segmento Fuck The Factory e o dos proprietários que preferem manter o seu modelo usado rodando por bem mais tempo, não param de crescer.

Motoqueiro ou motociclista?

bikersÉ cada vez mais frequente eu receber reclamações aqui e no Facebook sobre o meu uso da palavra “motoqueiro.”

Pra mim é simples: eu sou motoqueiro, porque quando eu comecei a andar, era assim que a gente se chamava, sem frescura. Não sou velho, essa função é a do meu cão que inspirou o logo. Mas já tenho 35 anos, e comecei a andar aos 15. Ou seja, já são 20 anos viciado no assunto. E o pessoal da velha guarda que me ensinou o pouco que sei, se tratava assim naquele tempo. O Tite até já escreveu texto excelente sobre o assunto: http://www.motonline.com.br/motoqueiro-ou-motociclista-e-ponto-de-vista/

E quer saber? Dava um baita orgulho quando o pessoal da rua falava “o Bayer é motoqueiro”.

Se quiser me chamar de motociclista, ok. Acho estranho, mas não vou reclamar. Mas eu não vou mudar o meu modo de pensar para me adequar ao politicamente correto. É só um rótulo, e eu estou bem confortável em ser chamado de motoqueiro.

Até mesmo porque, eu tenho certeza que quem gosta de ser chamado de “motociclista”, vai fazer questão de me chamar de “motoqueiro” depois de 5 minutos de conversa comigo.

motoqueiro porra
Camiseta vendida na NerdStore. Clicando na imagem você vai no site dos caras (mais uma vez, não ganhei nada pelo Jabá, simplesmente gosto deles).

As regras não escritas

line up

Rolou uma discussão no Facebook e no Fórum Harleys sobre um vídeo postado no YouTube, onde um integrante de um M.C. “jogava” sua moto em cima de um cara que entrou dentro do trem deles para filmar. O vídeo foi recebido com diversas críticas, dizendo que a via é pública, que o cara do M.C. não tinha o direito de fazer isso, sobre a igualdade, a política do país e por aí vai.

Mas aí eu digo: se você realmente é apaixonado por motos, e vai frequentar esse meio, bem vindo ao mundo das regras não escritas. Você precisa aprender a andar direito, ou alguém vai te botar na linha.

Não tem mimimi, não tem xororô: um trem é sagrado. E se você não faz parte do M.C., não se meta no meio. E isso vale pro trem do HOG ou pra qualquer grupo de amigos. Ele existe para manter a segurança do grupo, e você não entra onde não foi convidado.

É a mesma coisa com os patches de Moto Clubes, especialmente os M.C.s 1%. Ali tem uma identidade, uma regra dos caras, um significado. Se você copia aquele escudo porque acha “estiloso”, depois não pode ficar puto porque alguém te intimou em um encontro de motos. Já vi um cara andando com o colete dos Hells Angels falso porque achava “da hora”.

Cacete, se você acha tão “da hora”, pesquisa um pouco mais sobre o assunto para ver a encrenca que você vai se meter por causa disso. Você não precisa ser nem do meio, hoje em dia o Google taí pra isso.

Já dizia o ditado: canja de galinha e bom-senso…

Road Formation

Minha Harley saiu de linha. E agora?

Legends Never DieVi gente em desespero porque a XR1200X e Blackline vão sair de linha em 2014. Na época da Deuce e da Night Train foi a mesma coisa. Se esse é o seu caso meu amigo, um conselho: desencana disso. E repita comigo: FODA-SE!

Na minha humilde opinião, o termo “sair de linha” é algo que deveria ser usado em Harleys com uma conotação muito diferente do que se usa para carros, por exemplo. Porque a Harley-Davidson Motor Company nada mais é do que um grande fabricante de Lego, usando o mesmo motor e quadro em dezenas de motos diferentes, com pequenas variações de acabamento, por anos a fio.

Ou você realmente acha que a sua Fat Boy é tão diferente de uma Deluxe por baixo da aparência? Ou a V-ROD de dez anos atrás de uma Muscle zerinho?

No caso da XR1200X, ela nada mais é do que uma Sportster bombada. Qualquer peça essencial do motor é compartilhada pelo resto da linha. Tanto que ela saiu de linha lá fora ano passado, mas continuou sendo montada aqui no Brasil sem problemas. A Blackline então, nem se fala… É uma Softail pura.

E no caso de peças específicas, como o tanque da XR e a rabeta da Blackline, pode relaxar que elas vão continuar sendo fabricadas pela Harley por muitos e muitos anos. E mesmo quando não forem mais, certamente você encontrará uma empresa que vai assumir a fabricação. Existe uma indústria inteira de peças paralelas para Harleys “fora de linha”. Sem falar que sempre existe a opção de customizá-la.

Porque Harleys não morrem nunca, elas podem ser constantemente reconstruídas. 

Essa é a vantagem de se comprar uma moto “obsoleta”, como os Jaspions tanto gostam de dizer. Outras motos ficam velhas, uma Harley bem cuidada vira um clássico. E por ser robusta, e com peças fabricadas do mesmo jeito por anos seguidos, é relativamente fácil encontrá-las. Tanto que muita gente por aí, com Harley bem rodada, não consegue justificar a troca de sua antiga por uma nova. No máximo, pensa em trocar para ter alguma vantagem específica, como o ABS.

Harleys Never DieSe você é o cara que precisa andar sempre com a moto do ano, tudo bem. Então venda sua moto imediatamente para comprar a do momento e não volte mais neste blog porque você vai se irritar com as coisas que eu escrevo. Eu acredito em manter a moto que você gosta, independente do ano dela. Acredito em comprar uma moto para se satisfazer, e não para exibir para os outros.

E no caso de uma Harley, não existe motivo para vender uma moto que você gosta com medo da desvalorização. Porque vou te contar um segredo, amigão: a Harley “tira de linha” motos constantemente. FX, Deuce, Rocker, Heritage Custom, Night Train, Sportster Custom (essa, inclusive, voltou com outra cara), entre muitas outras. Esse ano saiu a Breakout, daqui a pouco ela dá lugar para, sei lá, a Break-in.

Quem se interessa pelo funcionamento da moto, logo percebe que a diferença entre muitos modelos são apenas cosméticas. Isso é tão verdade, que a nova tendência da HD é fazer modelos que podem entrar e sair de linha de acordo com tendências de customização, como é o caso da Sportster 72, CrossBones, 48 e muitas outras. Muda-se um tanque, um para-lama, pega-se uma mesa ou balança de outro modelo, uma pintura diferente e… voilà! Vai ter gente fazendo fila para pagar bem mais caro pelo modelo “novo”.

Curta a sua moto, não pense nela como um investimento, pois isso já não existe há muito tempo no Brasil. Moto só serve como investimento se for um investimento na sua felicidade.

Porque eu ando de moto?

WallpaperQuando brinquei em outro post dizendo que andar de moto na chuva formava caráter, recebi inúmeras críticas (o post original você pode ver aqui). As pessoas reclamaram dizendo que precisam trabalhar de terno, que é desconfortável, que elas não era menos motoqueiras por causa disso, e por aí vai. Para esses eu só tenho uma coisa a dizer:

Vocês não entenderam o propósito da coisa.

Pra mim, andar de moto é uma filosofia de vida. E muitas vezes ela se resume nessa frase aí de cima. Eu não de sei muita coisa, mas disso aí eu tenho certeza. Vou tentar ilustrar melhor.

A fantasia mais comum sobre andar de moto é a de cruzar longas estradas vazias, cruzando paisagens como as do deserto americano, em um belo dia sem nuvens. Cabelos ao vento, o sol brilhando sobre o metal, e o ronco do motor se espalhando por quilômetros. Depois de um dia inteiro rodando, você para em um bar repleto de pessoas como você, e vai tomar uma cerveja ao som de um blues ou rock and roll.

Mas quem anda de moto, sabe que isso não existe. Você vai sair de casa, e enfrentar trânsito, buracos e pessoas falando ao celular, doidas para derrubar você. Quando você finalmente chegar na estrada, ela não estará vazia, e você terá que disputar espaço com caminhões, que vão esperar até você estar bem perto para atacar com aquela nuvem negra de fumaça, que impregna até a alma.

Se for um dia quente, sua jaqueta irá se transformar em uma sucursal do inferno no momento que você começa a reduzir a velocidade. Mas se o dia estiver frio, o vento vai procurar a mais ínfima brecha da sua roupa, e entrar com força total congelando seus ossos.

Ao parar, os cabelos ao vento são substituídos pelo cabelo amassado, e você fica com aquela aparência de quem acabou de acordar aonde quer que vá. Dependendo da distância percorrida, você vai estar tão moído que vai querer dormir de botas sobre a cama. Foda-se o bar…

E é justamente por isso que eu gosto tanto de andar de moto.

Esses pequenos incômodos me fazem estar presente em cada momento da pilotagem. Nenhum outro veículo deixa você tão próximo dos elementos. Você sente na pele as mudanças de temperatura, os cheiros de cada local, se conectando de alguma forma com aquelas cidades passando rapidamente ao seu lado. A chuva que cai sem aviso, a sujeira na pista, o calor, o frio, o vento, as imperfeições, tudo isso me faz sentir como se eu estivesse em uma aventura.

É por isso que se vive mais em alguns minutos em cima de uma moto, do que algumas pessoas vivem numa vida inteira.

Oficina

OficinaAchei esse foto aí em cima navegando na web. Não sei explicar, mas existe algo em uma oficina arrumada, com ferramentas e ordem, que me fazem simplesmente querer botar a mão na massa fazer alguma coisa com elas.

Com vocês é assim também?

Cair não é uma opção

Moto caida

Alguns dias atrás, postei a seguinte mensagem em um fórum de Internet sobre um acidente na estrada, onde alguns queriam saber se o piloto era um novato:

Muitas vezes, quando alguém conta um acidente, a gente quer saber se o cara era novato, até pra reafirmar a nossa crença de que “só aconteceu porque ele era inexperiente”.

Mas é bom a gente ficar sempre esperto. Nos EUA foi feito um estudo que dizia que você tem mais chances de se envolver em um acidente depois de 3 a 5 anos de carta.

A explicação é simples: a maioria começa cuidadoso, mas depois de alguns anos vem a experiência, e com ela a tendência a abusar e correr mais riscos.

Só algo pra ficar na cabeça da gente…

O Wolfmann, cujo o blog sempre acompanho, fez uma postagem irretócavel sobre o tema. Você pode ler ela na íntregra aqui: http://wolfmann-hd.blogspot.com.br/2013/06/motocicleta-e-perigoso-vidal.html

Para pensar e refletir.

Por que?

David Mann Chuva

Um colega me perguntou por que eu venho todo dia de moto para o trabalho, mesmo com esse puta frio e chuva que não pára, já que eu tenho a opção de vir de carro. Na hora lembrei de todas aquelas pessoas que eu encontro no caminho todos os dias, nos seus carros quentinhos, secos, com bancos de couro e ouvindo música, e que me fazem questionar porque decidi enfrentar os elementos. Então respondi algo parecido com o que ouvi um militar dizer uma vez:

Porque andar de moto no frio e na chuva forma caráter.

UPDATE: mais uma vez, o texto ganha um significado que ele nunca teve. Não é uma crítica para quem anda de carro, e sim uma explicação de porque alguns de nós optam por passar perrengue, mesmo tendo a opção de não passar. Não é sobre carros, não é sobre pessoas que gostam de conforto, é sobre motoqueiros.

Prezado amigo motorista

Eu sou motoqueiro*. E sei que você me odeia, amigo motorista.

Mas eu não odeio você. Não acho certo julgar uma categoria inteira por causa dos erros de alguns. Você odeia todos os motoqueiros porque teve um que bateu no seu espelho. Mas eu não consigo odiar todos os motoristas porque teve um que me fechou enquanto usava o Facebook no celular.

Sabe, eu também sei que você se irrita quando eu passo no corredor e dou uma buzinada de leve. Já cansei de ouvir você gritando ou buzinando de volta quando faço isso. O engraçado é que em todas as vezes, a buzina não foi para você, mas para a madame na sua frente. Aquela que mudou de faixa na SUV de 3 toneladas sem olhar no retrovisor. Ou foi para o apressadinho do seu lado que atravessou duas faixas na minha frente para não perder o retorno.

Talvez você perdoasse mais a minha buzina se percebesse que as fechadas que eu levo dos outros carros, são bem piores e mais frequentes do que as que você leva. Piores, porque no meu caso eu posso ir para o chão e terminar a vida debaixo de uma roda de caminhão. E mais frequentes pois, se você já toma fechada no seu carro, imagine eu que estou em um veículo bem menor que o seu. Se o sujeito não enxerga um carro pra mudar de faixa, o que dirá uma moto.

Sei que vários de nós são na verdade um lixo sobre duas rodas. Mas isso não é só no nosso caso… Tem gente ruim por aí em duas, quatro e até de seis rodas… Gente que comprou a carta, que dirige embriagado, que não respeita a ninguém, gente que já até matou no trânsito e ficou impune. E não são poucos.

Você, motorista, reclama dos ônibus, dos caminhões, dos taxistas, dos ciclistas, dos pedestres, dos motoqueiros. Mas o que você não percebe é que o mundo foi feito para você. Mesmo sendo uma minoria, tudo é pensado nos motoristas de carros. Todas as obras são feitas pensando em vocês, para priorizar a locomoção de vocês. Por isso entendo perfeitamente que vocês não gostem de dividir espaço nas ruas. Isso ainda é um conceito novo, não é mesmo?

Mas pense que cada moto na sua frente, também é um carro a menos na sua frente. O mesmo vale para cada pedestre, ciclista e passageiro de ônibus. Se a gente conviver numa boa, eu sou um carro a menos criando congestionamento para você. E enquanto você fica no ar condicionado e no conforto do seu pequeno mundo particular, eu estou no frio, na chuva e tomando água de esgoto na cara quando você passa correndo em cima de uma poça suja. Sem falar nos malucos querendo passar por cima de mim…

Mesmo assim, não desisto de andar de moto. Seria mais fácil pegar o carro e chegar limpinho no trabalho, sem me preocupar com nada, ouvindo música. Mas não é a vida que eu escolhi, nem a vida que meus irmãos de moto escolheram.

Por isso, da próxima vez que eu passar por você, não me feche, dê espaço. Se eu buzinar, não significa que eu estou te xingando, é só um aviso amigável para aquele executivo na sua frente prestes a me fechar porque está discutindo no celular.

Olhe para mim e fique feliz de eu não ser mais um FDP na sua frente atrasando o seu tão precioso trânsito.

Abraços,
Bayer // Old Dog

*Sim, me chamo de motoqueiro. E não necessariamente no sentido pejorativo do termo, mas porque essa história de motociclista é nova e, quando eu comecei a andar, a gente se chamava de motoqueiro mesmo, sem frescura.

Um adendo sobre o post anterior

Paixão pelas motos. Esse é o ponto central.

O post de ontem Mas afinal, qual é a bronca com os coxas? recebeu dois comentários tão elaborados, que merecem destaque. Sugiro a leitura na íntegra deles, mas aqui vão dois trechos que achei interessante ressaltar:

Do DIGITAL INFERNO XV:

Essa merda não vai chegar a lugar algum, de quem é coxa quem não é, quem é real biker e de quem não é..como eu disse a realidade do Brasil é bem diferente dos EUA, mas um cara que gosta ou tem este tipo de moto deveria saber pelo menos quem são os Hells Angels, não precisa ser um outlaw biker, mas tb não precisa ser um filhinho da mamãe arrogante contando vantagem por aí… 

Como o próprio Digital disse, nos EUA é muito mais fácil financeiramente ser um biker. Aqui, Harleys e grandes customs sempre foram caras. Então a origem dos “bikers verdadeiros”, é um pouco diferente.

E do Wolfmann:

A motocicleta para mim sempre significou a liberdade de escolher como chegar a algum lugar, e sempre prefiro chegar de moto. O coxa não sabe e não entende o que é isso, apenas acha que a HD dele vai ser um upgrade na vida. Quando percebe que não existe esse salto na vida, ele vende a moto ou aprende o que realmente significa andar de moto, cagando e andando solenemente para os xiitas de plantão.  

Nessa hora nasce um biker, porque o biker não adquire a experiência, que os xiitas fazem questão de dizer que tem, da noite para o dia. O biker nasce na hora que decide fazer da vida o que ele quer e não o que os outros desejam.

Aliás, o Wolfmann tocou num ponto muito importante. Sou leitor assíduo do blog dele e participamos dos mesmos fóruns sobre motos. Esse é um cara que anda muito com a Fat Boy dele, e que ajuda muitos colegas com o seu vasto conhecimento. Pra mim, ele tem o verdadeiro espírito de um biker. E para a surpresa de alguns, é um cara que sempre está divulgando os passeios do HOG RJ, onde fez muitos amigos, por isso já ouviu críticas de colegas “bikers de verdade”.  Mas acontece que ele manja muito mais de Harley, e roda muito mais em um mês, do que vários desses “bikers de verdade”. E aí?

Não dei minha opinião no post, mas já que vocês pediram, lá vai: Eu sou louco por motos. Qualquer festa ou evento chato fica legal quando alguém puxa assunto de moto comigo. Se a pessoa gostar de cafe racers, bobbers, Harleys, clássicas e afins… Putz! Aí ela ganhou um novo amigo. Se falar em Burt Monroe, década de 40/50 e TT Island, aí chamo pra ser padrinho da minha filha.

Eu gosto de ler sobre motos, falar sobre elas, andar nelas, fuçar nelas… E gosto de encontrar pessoas que nutrem o mesmo sentimento.

Em compensação, se a pessoa tem uma moto apenas para se exibir, não entende e não quer entender nada do assunto, só gosta do status que ela traz, e vem com o papo de alguma é superior e o resto é um lixo, fico sem paciência em poucos segundos e me afasto. A vida é muito curta pra perder tempo com pessoas imbecis e esnobes.

Claro, muitos dessas pessoas eram coxas. Mas muitos também eram “real bikers,” que não enxergavam um palmo além do universo que lhes foi apresentado como sendo o certo. Pra mim, moto é uma paixão, um jeito de fazer amigos, de se divertir e de levar a vida do meu jeito, e que se foda o resto.

Então quando alguém me pergunta se tenho alguma coisa contra coxas, minha resposta é não:

Só contra idiotas em geral.