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Existem motociclistas velhos e motociclistas audazes…

… mas não existem motociclistas velhos e audazes.

Essa mania de sair “rasgando” em semáforo é terrível. Além de perigoso, você está com uma visão de túnel, e pode não perceber um pedestre desavisado ou algum carro que tentou passar.

Alguns dias atrás quase levei uma moto na orelha porque o cidadão resolveu sair empinando do meu lado e foi pro chão (aqui em São Paulo é comum o chamado “grau” na saída de semáforo, geralmente feita por aqueles que possuem um complexo peniano grave).

Quanto ao cara do vídeo, esse nasceu de novo. E não dá pra culpar o motorista do coletivo. Apesar dele estar em outra faixa, o ônibus estava dando seta e já estava na metade da mudança quando o motoqueiro tentou passar por ele.

Do que adianta querer ter a razão no trânsito se quando a gente cai somos nós que saímos machucados, ou pior, podemos morrer?

Que tal convencer seus amigos a abrirem a porta do carro com a mão direita?

Cartum da bikeyface.com

A essa altura você deve estar se perguntando: que diabos de post é esse? Mas é algo que eu descobri recentemente conversando com alguns ciclistas e que, segundo a Quatro Rodas, acaba de se tornar algo que é ensinado desde a auto-escola na Holanda.

A ideia é que, quando se abre a porta do carro com a mão direita, isso força o corpo a se virar, facilitando enxergar se está vindo algum ciclista ou motoqueiro. Eu, particularmente, acho mais efetivo olhar primeiro no retrovisor antes de abrir a porta. No entanto, muitos motoristas tem o péssimo hábito de não ajustarem seus retrovisores corretamente, ou de calcularem mal a distância de um objeto nele, nesse caso o melhor é se virar para trás e olhar mesmo.

Então, da próxima vez que você estiver no banco do passageiro de um carro, que tal dar essa dica para o motorista? De repente, é a nossa própria pele que esse conselho pode salvar.

Cuidado com os caminhões

via GIPHY

O cara desse gif nasceu de novo.

Roda aberta é um perigo, sempre tome cuidado ao ultrapassar um caminhão.

Lembre-se que , Por mais seguro que pareça, muitos caminhões carregam cordas que podem enroscar em você. Além disso, o vento deslocado por um deles pode te jogar na direção de outro caminhão. Já teve gente que perdeu a vida porque encostou o em uma roda dessas e foi “sugado”.

Na teoria, são os veículos grandes que precisam cuidar dos pequenos. Na prática, é melhor lembrar sempre que somos o elo mais fraco e ficar longe do perigo.

Se vocês duvidam de mim, e tiverem estômago pra isso, digitem “acidente roda caminhão moto” no Google com o SafeSearch em off.

Boas estradas!

Guia rápido de como sobreviver ao calor de moto

Hoje em dia eu sou muito mais encanado em proteger a minha pele contra o asfalto do que quando eu tinha 18 anos. Talvez seja a responsabilidade que a idade traz, mas talvez seja o fato de que meu corpo não se regenera mais da mesma forma no caso de um tombo.

Não importa o motivo, o fato é que o verão é sempre um desafio pra se andar protegido (em alguns estados é um desafio o ano inteiro). Por isso, seguem algumas dicas:

Tenha uma jaqueta/calça/luvas de verão

Eu sei que o equipamento de proteção aqui no Brasil é muito caro. Muita gente tem só uma jaqueta de couro ou cordura para andar de moto, enquanto alguns nem isso tem. Por isso, pode parecer um exagero pedir que você tenha duas, mas eu garanto que não é.

Uma jaqueta, calça ou luva de verão geralmente possuem entradas de ar e um tecido que permite que a pele respire, além das tradicionais proteções. Isso é muito importante para deixar que o suor evapore, já que sua função é servir como uma espécie de refrigeração natural da pele.

Vale a pena ficar atento pois algumas jaquetas possuem uma dupla forração, que você pode retirar e colocar transformando ela em uma jaqueta de inverno ou verão. Não é tão confortável quanto uma jaqueta apenas de verão, mas é algo pra se pensar.

Tenha em mente que muitos dos equipamentos de proteção para o verão protegem menos que os convencionais, justamente por usarem tecidos mais leves. Comprar algo muito barato nesse caso pode sair caro.

Capriche no desodorante e lembre que o lenço umidecido é seu amigo

Andar de moto, especialmente em uma moto pesada no trânsito intenso, não deixa de ser uma atividade física. Minha dica é simples: capriche no desodorante, dando preferência para aqueles indicados para atividades esportivas. Outra coisa que ajuda bastante é levar um pacote de lenços umedecidos com você. Assim, se você chegar suado no trabalho, um banho de lenço umedecido debaixo do sovaco e nas partes baixas pode fazer maravilhas pelo seu dia.

Essa foi uma dica que eu aprendi com alguns amigos ciclistas que fazem questão de ir de bike para o trabalho, mesmo em dias de calor intenso.

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No calor extremo, use mais roupa e não menos

Eu sei, agora eu dei um nó na cabeça de vocês. E confesso que eu realmente tenho dificuldade em colocar essa ideia em prática. Mas esse é o mesmo princípio que faz com que os beduínos do deserto usem roupa da cabeça aos pés.

Quando a temperatura do ar é maior que a temperatura da sua pele (em torno de 34ºC), você vai perder muito suor como vento e vai ter muito mais dificuldade em manter a temperatura do seu corpo baixa. É por isso que, mesmo apenas de camiseta e com a moto andando, o suor gruda na sua roupa e você não consegue se refrescar.

Nessas situações, alguns pilotos de aventura recomendam que você utilize uma camiseta de manga comprida no estilo dri-FIT (sim, é com I e não Y). Ela permite que a pele respire, mas fica úmida o suficiente para que você tenha sempre uma reserva de suor perto da pele, dando tempo para que ele evapore corretamente.

Mais uma vez, uma jaqueta de verão que permite que a pele respire, mas deixa o vento pra fora, é sempre o ideal.

Pescoço frio, corpo refrescado

Em situações extremas de calor, uma boa solução é manter seu pescoço sempre frio. Se você conseguir resfriar o sangue que passa pelo seu pescoço, ele vai agir como á agua de um radiador em um motor. Pra isso basta amarrar uma bandana molhada no pescoço.

Aliás, se o calor estiver muito complicado, simplesmente molhe sua roupa e volte pra estrada. Até você chegar, vai ter secado completamente e a sensação é bem agradável.

Abra a ventilação do capacete

Um bom capacete fechado sempre vai ter entradas de ar que fazem com que o vento circule pela sua cabeça, deixando tudo mais fresquinho. Já um capacete aberto com uma viseira bubble shield, muitas vezes não possui nenhuma entrada para o ar circular pelo topo da sua cabeça, virando uma estufa. Vale a pena pensar se ele é realmente o melhor de se usar no calor senegalês que faz por aqui.

Fique hidratado

Tem muito mito sobre hidratação por aí, já que algumas campanhas de marketing fizeram a gente acreditar que é necessário se hidratar muito acima do necessário.

Mas a verdade é que desidratação é um perigo sim, a cabeça da gente não funciona direito quando ela aparece. Beba a quantidade necessária de líquidos e lembre que aquela cervejinha, além de diminuir seus reflexos, deixa você ainda mais desidratado.

De moto, beba água.

Fique atento aos sintomas

Sentiu câimbra, enjôo, dor de cabeça, está com pele pálida ou avermelhada, cansaço acima do normal, tontura ou está suando demais? Se você sentir pelo menos um desses sintomas, pode significar que você está sofrendo exaustão causada pelo calor. Encoste, vá pra sombra, beba água e descanse até ter certeza de que você está melhor.

Estacione na sombra e leve o capacete com você

Deixar a moto tostando no sol e depois sentar em um banco fritando de quente já faz você sair em desvantagem na briga contra o calor. Tem gente que chega ao extremo de deixar pele de carneiro no banco, mais um daqueles truques de cowboy. Parece estranho sentar em cima de um troço que parece um cobertor em pleno calorzão, mas acredite: funciona.

O mesmo vale pro capacete, especialmente se ele for de cor escura. Leve ele com você. Deixar o capacete pegando sol na moto só vai transforma-lo em uma pequena estufa.

E você, tem mais alguma dica? Então deixe nos comentários.

 

Roads We Ride – videos de segurança com uma perspectiva diferente

O projeto “Roads We Ride” (Estradas que Rodamos) é uma parceria do site Pipeburn com o canal do YouTube Stories of Bike.

A ideia do projeto é mostrar motociclistas reais da Austrália contanto suas experiências andando nas estradas de lá, e avisando para outros motociclistas coisas que eles devem ficar atentos ao rodar pelas estradas de lá. Um video educacional de segurança, mas feito de um jeito diferente, mais humano e menos formal.

Esse tipo de iniciativa cairia bem por aqui, não?

Moto autuada a 250km/h. E daí?

Do Estadão de hoje:

A 250 km/h, moto no RS atinge a maior velocidade do ano em rodovias federais

PORTO ALEGRE – A Polícia Rodoviária Federal (PRF) do Rio Grande do Sul flagrou neste domingo, 10, uma moto a 251 km/h na BR-290, conhecida como Freeway, no trecho entre os municípios de Osório e Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre. Conforme a PRF, este foi o recorde de excesso de velocidade em rodovias federais de todo o País neste ano. Até então, o maior índice registrado havia sido de 229 km/h por uma moto no Estado de Goiás.

Toda vez que eu vejo uma notícia dessas, eu penso como as nossas autoridades devem estar alheias ao que acontece nas nossas estradas. Em seis meses a maior velocidade registrada no Brasil inteiro tinha sido 229km/h?

Peço desculpa as autoridades, mas ou vocês estão cegos, ou a galera é muito esperta, ou é algo bem pior que isso. Porque esse tipo de velocidade é o que mais acontece por aí. Se isso ainda é notícia pra vocês, é porque estão passando batidos vários e vários outros casos.

Aqui em São Paulo, tem racha de superesportivo na Rodovia Castelo Branco com carros que chegam a 300km/h. Antigamente tinha na própria Marginal Pinheiros, com carros passando dos 250km/h dentro da cidade.

Todo final de semana, na Rodovia dos Bandeirantes, tem esportiva batendo os 300km/h. Todo… Santo… Domingo. Inclusive, já vi algumas delas passando por mim enquanto eu estava parado na blitz pra verificarem o selinho do meu capacete.

(Mas eu entendo perfeitamente, o meu AGV sem selo ou o Bell aberto do meu amigo são o verdadeiro perigo pra sociedade.)

Se vocês duvidam de mim, é só abrir o YouTube e digitar 300km/h ao lado do nome de alguma estrada ou rodovia famosa. Vai ter vídeo para todos os gostos (uma curiosidade: aqui no Brasil ninguém pode ser preso por causa de um vídeo desses, enquanto que no Canadá, EUA e França tem gente puxando cadeia por ter postado vídeos assim).

Só na primeira busca, já achei um vídeo de um cara a 300km/h e que ainda acha engraçado tirar fina de ciclista no acostamento.

E esse é outro aspecto peculiar da internet. Se o vídeo postado não tem morte nem acidente, o cara é um herói. Ganha facilmente 100 mil inscritos e todos os comentários são sobre como o sujeito pilota muito.

Mas se o cara matar alguém, aí vira comoção nacional! Querem colocar o cara numa fogueira em praça pública. Só que, muitas vezes, são as mesmas pessoas que deram jóinha e elogiaram vídeos dessas peripécias.

O cara no vídeo andando nessa velocidade pode até ser o melhor piloto que o Valentino Rossi, mas nas ruas isso não quer dizer nada. No autódromo não tem criança correndo atrás de bola, carro quebrado no acostamento, poça de diesel, areia ou pai de família levando os filhos. Em um autódromo, o maior provável de morrer é o piloto, enquanto que nas ruas ele pode levar uma família inteira junto.

“Ah, até parece que moto vai matar alguém! O cara morre sozinho.” Não, meu amigo, isso é física básica. Um objeto de 200kg andando em alta velocidade é uma bala de canhão. Além do perigo de um atropelamento, é isso o que acontece quando uma moto acerta um carro em alta velocidade:

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É por isso que eu digo: quem dá like, jóinha e estimula esse tipo de vídeo, também é parte do problema. Sem a platéia que a GoPro e o YouTube trazem, muitos desses caras não iam fazer isso.

Levar um tombo é inevitável?

Beijar o asfalto.
Comprar um terreno.
Levar um rola.
Ir pro chão.
Dar um Kaput.

Diz aquela velha frase que só existem dois tipos de motociclistas: os que já caíram e os que ainda vão cair. Ontem foi minha vez. Apesar de não ser o primeiro, foi certamente o mais idiota.

Culpados? Da parte do motorista, uma bela fechada no meio de uma curva em U. Da minha parte, uma curva muito mais ousada do que o bom senso manda ter na cidade, ainda mais na pequena Crypton, a motinho que eu uso pra bater no dia a dia. (pensando bem, depois desse acidente, acho melhor parar de me referir à ela assim)

Não sou daqueles que, depois de um acidente, ficam fazendo engenharia reversa e dizendo que fizeram isso ou aquilo, que derraparam a moto de propósito, deitaram ela, fizeram um RL e bla bla bla. Como dizem os americanos, isso é bullshit.

Essas coisas acontecem em milésimos de segundo e quem assume o controle nessa hora são seus instintos. Quem fica inventando muito ou está mentindo ou está tentando se enganar. No meu caso foi simples: a moto já estava raspando a pedaleira no chão, quando um carro ultrapassou o sinal e veio me abalroar lateralmente, eu não tinha mais nenhum ângulo pra onde fugir e fui pro chão.

É por isso que eu sempre digo que precisamos ter um limite de sobra quando andamos nas ruas. Se a gente já está no limite do que a moto ou a nossa habilidade podem fazer, nossos créditos estarão esgotados em caso de emergência.

No meu caso, a conta veio na forma de calça rasgada, jaqueta de couro ralada, joelhos e cotovelos esfolados, uma baita dor nas costelas e uma maior ainda no orgulho.  E, claro, um monte de plástico pra se trocar na motinho.

Mas isso me lembra uma coisa que a maioria dos leigos adoram repetir na nossa cara: moto foi feita pra cair.

Motos foram feitas pra cair?

Não. Motos foram feitas para ficarem de pé. Preferencialmente com o lado da borracha para baixo. Apesar de possuírem muito menos segurança passiva do que um carro, com seus airbags e célula de sobrevivência, em teoria temos mais segurança ativa. Isso significa que se a gente souber usar, muitas vezes teremos mais chance de escapar e desviar de um acidente do que um carro.

Muitas vezes, mas não todas.

Anos atrás o Wolfmann fez um post ótimo cuja leitura eu recomendo na íntegra aqui. Mas um trecho em específico sempre ficou na minha cabeça, por isso eu vou tomar a liberdade de reproduzi-lo:

Todo mundo cai: tombo bobo, acidente grave ou simplesmente não agüentar o peso porque pisou em um folha solta no chão. E quando não é isso, foi porque algum infeliz achou que o carro passava no espaço deixado pela moto e vai dividir faixa entre a moto e outro carro, distraiu com o rádio, celular, filho no banco traseiro e assim por diante. São vários relatos assim. E nem comento as imprudências do dia a dia que nós mesmos fazemos porque entramos em “psycho mode” depois de se aborrecer em casa ou no trabalho.

Moto vem sendo minha companheira há mais de trinta anos e nem por isso esqueço como é perigoso (e fica cada dia mais perigoso) usá-la. Não vou desistir de pilotar, mas não dá para esquecer disso.

Treinar manobras de emergência até virar reflexo condicionado, procurar oportunidades para manter e avaliar sua pilotagem nas várias condições (até um passeio coxa do HOG serve para você se avaliar na estrada ou pegar chuva voltando para casa).

(…)

A idéia é chegar aos 90 de idade em cima de uma moto (provavelmente será um Trike ou terá marcha a ré porque o corpo mão vai agüentar o esforço), mas para isso tem de usar o que já aprendi e prestar atenção a alguma coisa que ainda preciso aprender.

Calouros caem porque não tem quem mostre onde pode a acontecer um imprevisto ou onde eles falham. Veteranos caem porque não tem humildade para receber uma crítica.

Mas todo mundo cai.

Amigos, boas estradas para vocês. E por favor, mantenham o lado com a borracha virado para baixo.

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Dicas pra quem vai andar de moto em grupo com os amigos

A internet está cheia de artigos que ensinam quais são as regras de condutas em um trem de motos. Quem faz parte de um motoclube ou participa de passeios como o do HOG acaba aprendendo isso naturalmente (se bem que em alguns casos, da pior maneira possível).

Mas e aquelas pessoas que apenas querem se juntar com os amigos para um rolé com segurança? Será que elas precisam de uma estrutura tão rígida quanto a dos trens que usam batedores, road captains e afins? Afinal, muitos aqui costumam sair apenas em grupos de 3 a 5 amigos na maioria das vezes.

Se esse é o seu caso, algumas dicas.

A formação em X salva vidas

A primeira coisa que você deve fazer é convencer todo mundo a andar sempre na formação alternada em X. Ela é a melhor maneira de dar segurança para todos. Nessa formação, você pode desviar de buracos e obstáculos sem se preocupar com o colega ao lado e ela também permite mais espaço à frente no caso de uma frenagem de emergência.

A maior dificuldade aqui é fazer com que todo mundo siga a formação, tem sempre um que fica o tempo todo trocando de lado na pista (isso quando fica na mesma pista).

Também tente não deixar buracos, se alguém sair do trem, quem vem logo após deve assumir imediatamente o lugar dele, enquanto o restante se reorganiza para manter a formação em X.

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Ao chegar numa cidade, vocês podem parar de andar em X e passar a andar em duplas pra economizar espaço. Mas honestamente, eu vou sempre de X até o fim. Não gosto de ter que me preocupar com alguém do meu lado.

Combinem alguns sinais básicos

Existem vários sinais universais para a estrada, mas não é necessário decorar nenhum. Seu grupo pode inventar seus próprios gestos que façam sentido pra vocês. E eles são sempre úteis. Não tem nada pior do que dois marmanjos tentando gritar alguma coisa um para o outro com o barulho do vento a 120km/h e escapes abertos.

Os gestos que considero essenciais e que todo mundo entende são:

Combustível acabando – Aponte pro tanque e faça sinal de negativo com o polegar, ou aponte pro tanque passe o indicador pelo pescoço.

Diminuir a velocidade – Gesticule com um dos braços pra cima e pra baixo até que aquela anta do seu grupo, que gosta de acelerar na pior hora possível, entenda que é pra reduzir.

Radar – Abra e feche os dedos e o indicador na direção do radar (mas ainda acho que o jeito mais engraçado é fazer o gesto de “guglu” do Sérgio Mallandro com uma das mãos…)

Os outros sinais como lombada, buraco, areia na pista, andar em fila única e afins vai da necessidade de cada grupo. Tem grupo que prefere só ser avisado do mais básico e ficar atento na estrada, outros preferem que quem puxa o trem dê todas as dicas.

O melhor é ver a necessidade do seu grupo e combinar antes de sair. No mínimo, combinem o da gasolina. O que mais vejo é gente se desencontrando porque um precisa parar pra abastecer e o outro não entendeu.

Só não vale usar este sinais aqui:

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Troquem os números de celular entre si

Auto explicativo, não? Nada pior do que se separar do grupo e descobrir que você não tem o telefone do resto do pessoal.

Olhe SEMPRE para o retrovisor

Muita gente se empolga na estrada e acaba olhando apenas para a vista à sua frente. É seu dever olhar de tempos em tempos para o colega que vem atrás de você.

Como alguns só usam a moto de vez em quando, essas motos são bem propensas a terem algum defeito que o dono não percebeu por causa do uso esporádico. Também tem sempre aquele que decide colocar um acessório novo logo antes de um rolé, sem ter testado antes.

A moral da história aqui é: motos assim são mais propensas a apresentarem algum defeito. Fique de olho no seu amigo, é comum se esquecer de quem vai atrás e só perceber que a moto do sujeito parou quando vocês já estão quilômetros à frente dele numa estrada sem retorno.

Geralmente, quando vocês se reagruparem esse coleguinha irá recebê-los assim:

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Respeite o trem dos outros

Não entrem onde vocês não foram convidados. Se cruzar com outro trem, não tentem se meter no meio de outros motociclistas. Cruzou com outro trem? Ultrapasse ou mantenha distância. (Isso vale especialmente para o pessoal das esportivas, que adoram tirar onda fazendo zigue zague dentro do trem das motos custom.)

Mas se por algum motivo vocês forem convidados a se juntar a um trem, assumam o lugar no fim da fila.

Seu grupo usa colete? Então seja educado

No mundo dos motoclubes, se você encontra um membro de outro MC com problemas na estrada, é seu dever parar para ajudá-lo, do contrário seu clube pode ser cobrado por essa postura depois.

Apesar do pessoal que usa colete de motogrupo ou de motoamigos não se enquadrarem nessa categoria, essa é uma prática que eu acho que deveria ser ampliada.

Se o seu grupo está viajando e encontrou alguém com problemas sozinho na estrada, pare pra ajudar. Não por medo de ser cobrado, mas simplesmente para fazer o certo. Seria muito bom se nós motociclistas e motoqueiros voltássemos a ser um grupo coeso e unido.

Sei que o medo de assalto é grande, mas há uma certa segurança quando estamos em número maior.

Por último, mas não menos importante: cumprimente os outros motociclistas

Ao passar por outros motociclistas, cumprimente-os. Um hábito saudável que sempre foi parte da vida nas nossas estradas.

Muita gente reclama que esse hábito se perdeu e que pouca gente responde a saudação de volta, por isso deixaram de fazer. Minha opinião? Foda-se. Você não tem que se sentir bobo por ter acenado para alguém na estrada que não retribuiu o gesto. Quem está sendo babaca ou esnobe é quem não responde, você não deve perder um minuto sequer do seu tempo pensando nisso.

Por diversas vezes você vai encontrar essas mesmas pessoas que você cumprimentou ao parar para abastecer ou comer. Nessas horas, tê-las cumprimentado antes geralmente faz com que muitas delas venham puxar assunto.

E todo mundo sabe que as histórias mais bizarras ou engraças são justamente as que nos contam na estrada…

Bom rolé!

Motociclista reage com fúria em assalto

No filme 60 Segundos, com Nicolas Cage e Angelina Jolie, há uma cena onde um rapaz tenta assaltar a mão armada um dos carros que já está sendo furtado por outro ladrão. O engraçado da cena é que o cara que estava furtando o carro com “habilidade” desce a porrada no rapaz que tenta roubar a mão armada e ainda diz: ” Seu preguiçoso do caralho! Qualquer idiota pode apontar uma arma pra alguém! (…) Você precisa de um exemplo de vida.”

Não vou entrar no mérito de que, nos EUA, a justiça tenta empurrar os criminosos para crimes sem violência, como é o caso do furto, e dão penas muito mais pesadas quando se há uma vítima presente ou se usa uma arma. Também não vou entrar no mérito de que a bandidagem por lá evita o confronto, porque nunca se sabe quem vai estar armado.

Já no Brasil, parece não fazer diferença se o crime foi violento ou não: o sujeito vai sair livre de qualquer jeito, ou cumprir uma pena mínima. Tem gente que foi mandante do assassinato dos pais e que logo mais estará livre, gente com pena de 200 anos que cumpriu só 32 e matou logo depois de sair da cadeia, sem falar políticos de basicamente todos os partidos do país com culpa no cartório, mas com gente suficiente para defendê-los.

Ou seja, no Brasil, até bandido pode ser incompetente porque dá pra escapar da punição. E com uma população acuada e refém deles, qualquer cara com um .32 enferrujado sai pelas ruas causando pânico, se sentindo dono do mundo.

Por isso acredito que a reação do cara acima é um reflexo do mais puro desespero que a população enfrenta. Imagino que ele deve estar pagando a moto financiada, sem seguro, contando o dinheiro do mês, só pra ver um meliante levar tudo embora em segundos, deixando ele com um monte de parcelas pra pagar e andando a pé. Em várias capitais do país é comum ouvir do pessoal das CGs dizendo que eles pagam dois carnês: o da moto atual e o da que roubaram.

Graças a Deus nada aconteceu com o cidadão do vídeo. No manual do que não fazer no caso de apontarem uma arma para você, esse cara fez o contrário de tudo o que o bom senso dita.

Mas confesso que fiquei feliz com o resultado: dá gosto ver a bandidagem correndo de medo do sujeito desarmado. Quem tinha que ter medo é a bandidagem.

Mostra pra eles, Chuck Norris tupiniquim!

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Pneu de carro em moto: a seita

De tudo o que eu já postei em todos esses anos aqui no Old Dog Cycles, o único post que eu já quis apagar é o do pneu de carros em motos.

Me arrependo porque, mesmo indo contra o senso comum, eu fui contra A Seita.

Eu explico: anos atrás, li um artigo em um site gringo que dizia que quem usa pneu de carro em moto entra para uma espécie de seita: ninguém pode criticar o uso, ninguém pode questionar as desvantagens e, se você não gosta, é porque você é burro e não estudou.

Pensando bem, parece muito com os simpatizantes de um famoso partido político brasileiro

Mas a verdade é que eu já experimentei pneu de carro em moto. Todo mundo que já teve uma Shadow 600 (como eu) com certeza já foi atraído pelo lado negro da força pelo menos uma vez.

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GoldWing raspando até pedaleira com pneu de carro

A verdade é que pneu de carro em moto não é nenhum bicho de sete cabeças

Sim, eu concordo com todos vocês que adoram um pneu de fusca: realmente o pneu não vai explodir sozinho e matar você, nem deixar a moto incontrolável. A moto não vai se tornar uma cadeira elétrica e nem assassinar você durante o sono. Um monte de gente faz isso com sucesso, e tem muito artigo por aí com dicas de quem já testou.

A bem da verdade é que, muito provavelmente, você pode passar a vida inteira andando com pneu de carro na sua moto e nunca ter um problema sequer.

Então porque eu sou contra? Por causa do provavelmente.

O tabú da pilotagem

Existe um mito entre quem anda de moto custom de que elas não precisam fazer curva. De que elas são feitas pra andar na manha sempre. E que qualquer outra noção contrária é coisa de Jaspion.

Mas esse raciocínio já levou muito irmão de estrada a se acidentar, e até mesmo a perder a vida. Porque muitos parecem não entender que existe uma enorme diferença entre levar uma moto ao limite de propósito, como no caso de quem pilota esportivamente, e de precisar levar a moto ao limite por necessidade.

Na hora de desviar de um caminhão que mudou de faixa no meio de uma curva, de contornar aquele cavalo que correu na pista, de pegar óleo na pista descendo a serra ou de desviar de um pedestre que resolveu cruzar a estrada na sua frente, não vai importar se é custom, scooter ou mega esportiva: toda moto precisa ter o mínimo de capacidade de curvar e frenar no limite.

E pode acreditar, nesse momento você vai  querer cada milímetro a mais de limite no seu pneu.

Afinal, muitos parecem não perceber que moto faz curva até na reta. Se você está em uma faixa e precisa mudar abruptamente para outra, sua moto e você estão fazendo os mesmos movimentos que se faz em uma curva, mas na reta.

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clique para ampliar

Me surpreende ver tantas pessoas que não entendem esse conceito. Sim, sua moto pode ser para curtir a paisagem devagar, mas você também precisa ter a habilidade e a confiança de levar ela ao limite.

E quem anda com pneu de carro parte da premissa que “moto custom não precisa fazer curva”, de que “é bom o bastante” e muitos dizem que nem sentem a diferença.

Pra mim, é como andar o tempo todo com um pneu gasto que ficou quadrado. A mudança de direção não fica suave, a frenagem no inclinado fica comprometida e o limite do grip do pneu fica menor. Porque eu vou fazer isso de propósito com a moto?

Obviamente, muitos alegam que não e não aceitam opiniões contrárias. Se você procurar nos fóruns de Gold Wing, vai achar muita gente que tenta provar que é tão bom quanto um pneu tradicional. Como no vídeo abaixo:

Honestamente, não vejo razão para alguém precisar pilotar assim. Economia? Converse com qualquer piloto profissional e ele vai lhe dizer que a última coisa que você deve economizar é no pneu. Tem gente aqui que trocou a marca do pneu e começou a ter muito mais confiança na moto, o que dirá quando se muda completamente o tipo do pneu.

Minha Dyna, por exemplo, era uma porcaria para fazer curvas. Qualquer inclinação mais forte fazia a pedaleira raspar, e às vezes isso incluia até a tampa da primária. Mas o uso de um pneu mais moderno, com o composto mais macio nas laterais para que ela grudasse mais no asfalto, melhorou em muito a segurança dela.

Se você faz parte dos adeptos, parabéns. Realmente acho louvável quem gosta de experimentar. Mas o que eu acho errado é ficar cego quanto as desvantagens e tentar convencer todo mundo que é seguro.

Por isso, sempre que me perguntarem se eu recomendo pneu de carro em moto, eu vou continuar dizendo não. Eu nunca ia conseguir dormir à noite se soubesse que minha opinião sobre um determinado assunto levou um de vocês ao hospital ou ao cemitério, por menor que fosse a chance.

E se as postagens no blog subitamente pararem, é porque A Seita me achou e deu um fim em mim.

Radar adianta?

Uma das coisas mais difíceis aqui do blog é o tamanho de alguns textos que escrevo. Em tempos de Facebook e Twitter, o tempo de atenção de algumas das pessoas é muito curto, então boa parte do que escrevo é lido por cima. É comum receber comentários (especialmente no Facebook) de pessoas que apenas viram a foto e o título do post, e já presumem o que deve estar escrito lá.

O último post onde critiquei a postura de fiscalizar apenas escondido (Brasil e a arrecadação com jeitinho brasileiro), é um bom exemplo. Para alguns, pareceu simplesmente que eu era contra a fiscalização, e não que eu era a favor de uma fiscalização efetiva, como acontece nos EUA e Inglaterra.

Quantas vezes vocês já não viram um FDP fazendo merda, colando em carro com criança dentro, costurando em alta velocidade e, quando chega no radar, ele simplesmente breca para depois continuar fazendo a mesma coisa?

Quantas vezes vocês já não viram um caminhão em excesso de velocidade, fazendo absurdos, ou com excesso de carga, passando tranquilamente por um radar?

Quantas vezes vocês não viram um conhecido bêbado, sem condição de dirigir, usando o twitter da lei seca para chegar em casa tranquilamente?

Ou o empresário, com carro registrado em nome da empresa em outro estado, que toma centenas de multas que vão para um laranja?

Do que adianta radar? Guarda civil armado em cima de ponte? Se a única fiscalização é a passiva, com radar escondido, que o cara só fica sabendo depois de um mês, a missão do estado é clara: arrecadar, e não educar com uma punição imediata.

(Sem falar que muita gente entende que educar é simplesmente passar a mão na cabeça e dizer “não faça mais, ok?”. Pra mim, educar é fazer o sujeito entender que não pode fazer aquilo, seja com conversa ou com cintada, o que for mais eficiente pro caso)

Insisto nesse assunto porque todos os exemplos que eu citei acima vão continuar impunes no Brasil. E não adianta usar o argumento de que radar diminui mortes, porque ele é um tanto falacioso, já que se baseia na estatística inicial da instalação deles. No começo eles diminuem sim, mas só até as pessoas acostumarem com a localização deles. É só pegar as estatísticas e descobrir que, pouco tempo depois, o índice sobe.

O mesmo vale pra redução de velocidade nas vias. Em São Paulo, a 50km/h, eu sou constantemente ultrapassado por pessoas que estão andando no dobro da velocidade. A redução da velocidade só diminui mortes enquanto todo mundo está respeitando, quando o desrespeito volta, os acidentes voltam.

Sem falar que, hoje em dia, temos aplicativos como o Waze, que indicam onde tem radar e onde tem blitz policial (que também é uma forma de fiscalização passiva) em tempo real. Adianta radar fixo ou guarda municipal sempre na mesma ponte?

O que é melhor então?

Aqui no Brasil, já foi conduzido um estudo por iniciativa de um membro da Polícia Rodoviária Federal, que dizia que ser parado por um policial e levar uma multa, fazia com que o cidadão reduzisse sua média de velocidade no restante do caminho.

E isso é meio óbvio até: todo mundo tem medo de fazer merda quando sabe que tem alguém olhando.

O exemplo americano

Aproveitando o adendo, o MarcioS perguntou nos comentários como se faz nos EUA. Então vou dar alguns exemplos:

1) A fiscalização é exatamente como a que eu descrevi: o cara fez merda, o policial vai atrás, dá a multa pessoalmente e checa os documentos do carro e do cidadão. Se suspeitar de algo, ainda aproveita para dar uma geral no veículo.

Sim, existem radares fixos, de velocidade e semáforo, mas boa parte da fiscalização é feita por policiais, o que deixa todo mundo mais esperto.

E isso vale pra todo mundo. Aqui, filho de bilionário atropela trabalhador e vai pra casa. Lá, pessoas como o Bill Gates já foram parar na delegacia por excesso de velocidade e dirigir sem carta:

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2) Bafômetro, quase toda viatura tem. E mesmo que não tenha, o policial pode pedir para averiguar a embriaguez do motorista por outros métodos. Ser preso por D.U.I. (driving under influence) é relativamente comum, e o cara no mínimo vai passar a noite da cadeia da delegacia, e depois responder a um juiz.

3) Excesso de velocidade é um pouco diferente. Tem estado que não liga se o cara está só 5 milhas acima do limite, mas outros são severos, como a Califórnia. A multa é alta, pode chegar a US$600, mas onde ela realmente dói é no seguro: para se andar de carro nos EUA, é obrigatório ter algum tipo de seguro, e o valor dele cresce muito de acordo com as suas multas e histórico de direção.

Mas uma coisa precisa ficar bem clara: excesso de velocidade nos EUA é considerado o ato de se andar acima da velocidade. O que vemos o pessoal fazendo por aqui, costurando em alta velocidade, colando em outros carros, é chamado de “reckless driving” (direção imprudente). Nesse caso, a maioria dos policiais vai te prender, levar pra delegacia e você vai ter que se explicar para um juiz.

4) Aliás, a justiça nesse caso é rápida. Se você fez merda no trânsito, a infração não fica apenas no DMV (o Detran deles), você pode responder a um juiz de plantão, que pode decidir se você vai apenas pagar uma multa, ser julgado, ou dar uma sentença comunitária, como fazer você limpar a estrada por X horas ao mês.

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Eu não sei quanto a vocês, mas na minha humilde opinião, o que fazemos por aqui está a anos-luz de uma fiscalização de verdade. Os exemplos acima fazem as pessoas andarem na linha. E o mais importante: esse não serve apenas para o Estado arrecadar, mas sim como uma política de segurança pública. Em um país com tanto bandido como o Brasil, uma fiscalização desse tipo pegaria muito foragido, carro roubado, entre outros crimes.

O que fazemos aqui, funciona por um certo período, e tudo volta a normalidade, e continuamos com um dos trânsitos que mais matam no mundo. O que eles fazem lá, tem o objetivo de deixar todo mundo mais seguro, e não apenas no trânsito, mas contra a criminalidade também.

Leis que não fazem o menor sentido

Eu já havia questionado aqui várias das decisões que as nossas “autoridades” transformam em obrigatoriedades, muitas das quais não fazem o menor sentido. Uma delas é o extintor de incêndio obrigatório nos veículos.

Sim, ele pode parecer uma boa ideia, mas não é. Além de ter carga insuficiente para acabar com um incêndio (no YouTube tem vários vídeos onde diversos motoristas se juntam para apagar um incêndio sem sucesso), ele parte do princípio de que um cidadão sem treinamento deve se aproximar de um carro em chamas.

Acho legal ter um no carro, mas acho abusivo obrigar que TODO mundo tenha um, já que a maioria não sabe o que fazer com ele. É exatamente o mesmo raciocínio do famigerado kit de primeiros socorros.

E hoje, depois de todo aquele auê sobre a troca dos extintores, sai a seguinte notícia no G1:

O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) decidiu em reunião nesta quinta-feira (17) que o uso do extintor de incêndio em carros, caminhonetes, camionetas e triciclos de cabine fechadas, será opcional, ou seja, a falta do equipamento não mais será considerada infração nem resultará em multa.

A entidade justifica que os carros atuais possuem tecnologia com maior segurança contra incêndio e, além disso, o despreparo para o uso do extintor poderia causar mais perigo para os motoristas.

O fim da obrigatoriedade do extintor para carros começará a valer a partir da publicação da resolução, o que deverá ocorrer nos próximos dias, diz o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

A notícia na íntegra você pode ler aqui.

Outras leis similares, mas que ninguém questiona:

Reflexivos no capacete

Portugal já tentou, e desistiu da ideia. O motivo? Nosso capacete fica fora do alcance da altura de um farol de carro, mesmo à distância. Pode reparar à noite como os reflexivos dos capacetes não servem para nada, ao contrário dos que ficam na moto ou nas jaquetas.

Exigência de mata cachorro para motofretistas

Apesar de muita gente ser fã deles, a verdade é que não existem estudos que provem que eles diminuem a chance de lesão em um acidente, por isso é um tanto abusivo obrigar os motofretistas a usarem o acessório.

Alguns especialistas alegam que ele pode prender a perna do motociclista em um acidente, sendo que a prioridade nesse caso é você se desvencilhar da moto o mais rápido possível. Outros afirmam que ele pode servir de alavanca, fazendo com que a moto capote sobre o piloto. Além disso, as motos de baixa cilindrada não previam a instalação desse acessório no projeto, e não há uma certificação específica para a fabricação dos mata-cachorros, o que fez com que existam muitos modelos de fundo de quintal por aí.

Selo do Inmetro

Ter o capacete certificado é uma garantia de segurança. Agora querer que um único orgão seja o responsável por essa certificação, é algo que até o próprio Inmetro já foi contra. Certificações aceitas internacionalmente, como a DOT ou SNELL, deveriam ser automaticamente permitidas por aqui. Ou você acha que um nacional de R$50 é mais seguro que aquele Shoei testado individualmente, só porque o primeiro tem selo do Inmetro?

Lane Splitting – vídeo de conscientização

O Eds Briao mandou esse vídeo gringo do RideApart, mostrando como andar com segurança no corredor. Para quem não sabe, nos EUA é proibido andar no corredor na maioria dos Estados, e a pratica só foi realmente legislada na Califórnia, onde é permitida. Mesmo assim, os motociclistas ainda enfrentam problemas com alguns motoristas por causa disso, que não aceitam a prática.

O vídeo é uma boa mostra da diferença cultural entre nós e eles nesse assunto.

A second look – campanha de conscientização

Não seria muito melhor se a verba astronômica de publicidade do Governo fosse usada para campanhas de conscientização, como essa feita pela Washington Motorcycle Safety Program? Ao invés de ver filmes com orçamento de Hollywood para mostrar pontes, viadutos e programas que nunca saíram do papel, teríamos campanhas educativas que poderiam salvar vidas.

Por isso está lançada a campanha: mostre esse comercial para alguém que anda de carro. Se alguém quiser legendar e botar no YouTube, me avisa que eu republico.

Dia do Eds Briao na fan page do Old Dog Cycles.

UPDATE – O Claudio Augusto mandou bem e fez uma tradução para que todos possam aproveitar:

UPDATE 2 – A Vivian Schmidt também fez uma tradução, que você confere aqui.