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SMS e direção não combinam

Além de reduzir a chance de você se envolver em acidente, reduz a chance de você acertar um de nós motociclistas. Tenho visto diversos “quase acidentes” de pessoas mandando mensagem, respondendo email, postando no Facebook, etc. Semana passada tinha um Tiguan branco parado no meio da faixa central da Marginal Pinheiros. Parecia que estava quebrado, mas quando passei do lado, vi que o cara estava no Twitter. Dei uma buzinada e ele se assustou de ver que a Marginal estava completamente livre, e saiu acelerando com tudo.

Não ganhei nada pelo jabá, mas se a seguradora quiser depositar na minha conta, é bem vinda.

Alerta aos donos de Harley

Tenho percebido uma prática comum nas concessionárias Harley Davidson, que faz com que o módulo de segurança “hands free”, também conhecido como sensor de presença, perca completamente a sua função. Muitas motos estão sendo entregues com uma senha padrão, já anotada no manual do proprietário. Praticamente, todas as Harleys estão saindo com essa mesma senha, que é extremamente óbvia.

E esse é o grande perigo, porque ela tem uma função muito importante. Ela existe para que você possa ligar a moto caso tenha perdido o sensor de presença. Por meio de um procedimento simples, que varia um pouco de moto para moto, você digita uma senha no odômetro e pode ligar a moto apenas com a chave, sem problemas.

Ou seja, se um vagabundo usa uma micha ou qualquer outro sistema para girar a sua ignição (que é uma fechadura ridiculamente fácil de ser burlada), basta ele digitar essa senha para ir embora com a moto.

O procedimento correto da concessionária, seria colocar uma senha escolhida por você na hora da entrega, ou solicitar que você a alterasse imediatamente ao chegar em casa. Mas para não ter trabalho, eles estão ignorando a mudança da senha na maioria das entregas.

Por isso, fica o aviso: se a sua moto possui o sistema de presença, procure no manual do proprietário como alterá-la para uma senha escolhida por você. E não esqueça de avisar seus colegas. Vamos dificultar o trabalho dessa cambada que anda roubando Harley por aí.

UPDATE: Se você quiser mais dicas sobre como proteger sua moto,
sugiro ler este post onde um ex-ladrão de motos dá dicas de como mantê-la segura:

Mythbikers: comando avançado e seca suvaco

Planet of the Ape Hangers

O que eu vou dizer agora, não é nenhuma novidade para os motociclistas mais veteranos, mas é um mito que parece ter se alastrado entre os novatos e, surpreendentemente, entre alguns já não tão novatos:

NÃO! Você NÃO está fazendo curva melhor depois de colocar um comando avançado ou um seca suvaco na sua moto.

Eu sei, é duro ouvir isso, você provavelmente nem vai ler o resto do post com os olhos vermelhos de raiva, deixando comentários furiosos, mas tenha um pouco de calma que explicarei.

Sim, o comando avançado deixou a sua moto mais estilosa, com aquela pilotagem “Easy Rider” que você sempre esperou de uma Harley. Sim, o seca suvaco é muito confortável (apesar de todo mundo perguntar para você “Mas não cansa o braço?”) e mudou a cara da sua moto. E você pode até estar realmente achando que está fazendo curva melhor, já que está se sentindo mais à vontade nela.

Mas não, você não está. Isso é fisicamente impossível. Não é questão de gosto, não é questão de técnica, é uma questão de ciclística e de engenharia. Conforto e performance geralmente funcionam um em detrimento do outro.

A melhor rota para se fazer um contra-esterço em uma moto é a alavanca mais curta. É só olhar para uma esportiva, que é totalmente voltada ao desempenho, e perceber que o guidão é quase parte da mesa dianteira. Em nakeds, que procuram um meio termo entre performance e conforto, o maior tipo de guidão que você vai encontrar é o mesmo de uma Sportster. Eles são feitos assim para que as respostas sejam rápidas e não haja dispersão de energia com torções desnecessárias. Afinal, o seu seca parece rígido, mas se você pudesse vê-lo em uma câmera em super slow motion, perceberia como ele se torce enquanto você pilota.

Já o comando avançado, faz com que você não possa usar o seu peso na pedaleira nas mudanças de direção, dificultando a inclinação da moto, e fazendo com que o piloto instintivamente use muito mais força no guidão do que o necessário, exatamente o oposto do ideal, que é estar com os joelhos prendendo o seu corpo na moto, braços relaxados e pés firmemente apoiados. Além disso, há também o desconforto e a instabilidade de ter o vento tentando jogar o seu pé para fora da pedaleira acima dos 120km/h.

Some o seca suvaco ao comando avançado, e você tem um piloto que está basicamento solto na moto, usando força desnecessária no guidão, que por sua vez irá se torcer ainda mais. Tudo bem, muita gente que pilota Harley não quer saber de desempenho, mas o que os novatos precisam entender é que desempenho sempre é útil em situações de emergência. Seja para aquela fechada de um caminhão, para aquela curva que você achava que ia ser suave e de repente vira um cotovelo, ou para que você não fique sambando feito um côxa a 35km/h toda vez que a estrada começa a ficar cheia de curvas.

Lógico, existem motoqueiros que conseguem tirar o máximo de sua moto mesmo com comando avançado e seca suvaco. Mas eles estão fazendo isso apesar do comando avançado e do seca suvaco, e não por causa deles. O mérito é desses pilotos, que já andam a tempo suficiente para perceber a diferença entre uma coisa e outra e saber como compensar as desvantagens que esses acessórios trazem.  Se eles já andam forte assim, andariam ainda mais forte em uma bobber, por exemplo.

Seca suvaco e comando avançado são legais? São.

São estilosos? São.

Melhoram a moto nas curvas? Pelo contrário.

Cagada

Sempre que eu ouço um speedeiro dizer que se ele quer correr o problema é dele se ele morrer, realmente, eu não me importo com ele. Quer correr riscos? Ok, você já é grandinho. O que me deixa muito puto é que ele pode levar alguém junto.

A câmera onboard é de um conhecido motociclista de L.A. Olha o rola que ele tomou por causa de um cara que pilotou além das suas habilitades.

Mais comum do que se imagina.

“Stay down, Bro”

O tombo aí em cima do cidadão na scooter não foi em alta velocidade, justamente por isso ele tem três lições importantes:

1) Guard-rails não são feitos para motos. Muitos motociclistas morrem por causa deles, então, mais um motivo para ter SEMPRE cuidado na estrada.

2) “Stay down, bro.” É importante após um tombo esperar a adrenalina baixar e fazer uma checagem de ferimentos para ver se não há nenhuma fratura grave antes de se levantar. O cara aí do vídeo, quase caiu do barranco com a tontura da pancada na cabeça.

3) Capacete. É feio, tira parte da graça de andar de moto, mas pode salvar seus miolos. Olha a porrada que ele deu com a cabeça.

Acontece em um segundo

Eu sempre falo para se andar na manha do corredor e sou taxado de chato. Mas a verdade é que morrem todo dia pelo menos dois motoqueiros em São Paulo. Não é fácil ver uma moto entre os carros pelo retrovisor de um automóvel, por isso é nossa responsabilidade ficar atento sempre.

A lei diz que os veículos maiores são responsáveis pela segurança dos menores, mas isso não acontece na prática. Por isso, como gosto da minha pele, e não pretendo abrir minha cabeça de novo, fico extremamente atento, e ando em uma velocidade compatível no corredor.

É só ver o vídeo acima e perceber como tudo acontece em um segundo. O cara deu sorte, poderia ter ido parar embaixo do caminhão.

Um lembrete ao cachorros loucos e apressados em geral

Tá vendo uma CG e uma 883 nessa foto? Nem ele.

Isso é você no retrovisor de um carro. Já é difícil ver uma moto se aproximando em alta velocidade pelo corredor. Nessa época de chuvas então, fica praticamente impossível para a maioria dos motoristas.

Por isso cuidado, atenção e, principalmente, bom senso. Não adianta gritar, xingar e querer brigar. Motos são pequenas e nós estamos expostos pra caralho perto dos carros, ônibus e caminhões. É nossa responsabilidade andar com cuidado e prever a reação dos motoristas.

Uma regra simples é olhar no retrovisor do carro deles e lembrar:

Se você não vê o rosto do motorista, 
ele também não está vendo você.

Porque morrem tantos motoqueiros?

Hoje um cidadão em uma moto utilitária decidiu atravessar três faixas de rolamento, sem sinalizar, para fazer uma conversão à esquerda, quase acertando uma motorista que seguia corretamente em frente. Não satisfeito, ainda se pôs a xingar a coitada. Obviamente, eu me pus a xingar o desgraçado, pois temos que fazer a nossa parte pela paz desta cidade.

É esse tipo de atitude que anda prejudicando a todos que andam de moto, fazendo com que os impostos, os seguros e o preconceito cresçam a cada ano. O jornalista Geraldo Tite Simões fez um post muito interessante sobre o comportamento dos motoqueiros em São Paulo:

Claro que há os acidentes, que devem ser classificados como tal quando nenhum dos agentes envolvidos teve a intenção de provocar. Mas acidentes são raros em São Paulo. O mais comum é a mais elementar das causas: a negligência, associada à prepotência, atributos de personalidade que imperam nos motoristas e motociclistas de SP. Se há negligência está clara a intenção por trás da ação.

Ah, mas o motorista mudou de faixa sem olhar! Sim, mas o motociclista estava rodando a 90 km/h no corredor com uma moto sem freio, com pneus carecas e de capacete desafivelado. Isto pode ser caracterizado como acidente? O choque talvez, mas a conseqüência não! O choque foi um acidente, mas o óbito foi causado por pura negligência.

Diariamente eu levo fechadas de motoristas nas mais criativas variações. Tem fechada pela esquerda, pela direita e até dos dois lados ao mesmo tempo. Só que rodo a uma velocidade compatível com os outros veículos, minha moto tem freios eficientes e pneus novos. Porque eu não quero me estabacar! E se cair meu capacete é novo, meu casaco é estruturado e uso calça com reforço.

Non ducor, duco
O lema da cidade de São Paulo expressa uma atitude tão tipicamente de motociclistas e motoristas paulistanos que soa como profecia. Não sou conduzido, conduzo! Ninguém me diz onde, nem como devo conduzir, mas conduzo à minha maneira, sem regras, sem sensatez, nem ordem. Minha lei é meu umbigo!

Leia na íntegra aqui:
http://motite.blogs.sapo.pt/87670.html

Fato

Obviamente, quando esse cartum fala do motociclista comum, não é o cachorro louco que torna a vida em São Paulo um inferno. Aliás, esqueça a história de que são os motoboys que vivem caindo, eles são a minoria entre os mortos.

O que anda acontecendo é que as motos são baratas, e a molecada está trocando o ônibus pelas 125cc. Junte a porralouquice dos mais novos, com a falta de fiscalização aliada um curso de formação de motocicistas antiquado, e o resultado é essa cambada que você vê andando por São Paulo, barbarizando o trânsito e morrendo à razão de três por dia. Do Estadão:

Motoboys são minoria entre os mortos

Contrariando o senso comum de que um motociclista caído na rua certamente é um motoboy, o relatório da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) aponta que 30% dos mortos nos acidentes envolvendo esse tipo de veículo são motofretistas. Ou seja, a maior parte das vítimas é de estudantes e trabalhadores que usam a moto para transporte. Segundo o relatório, 278 dos motociclistas mortos em 2009 tiveram sua profissão identificada. Desse total, 52 eram motoboys e 18, vendedores ou autônomo, o que pode indicar o uso das motos para trabalho. Os demais são, por exemplo, estudantes (42), ajudante (37), garçons (9), pedreiros (6) e porteiros (8).


Os especialistas atribuem os casos à facilidade para se comprar motos atualmente, com preços baixos e longos parcelamentos oferecidos pelas revendas. ‘São pessoas que trabalham longe do serviço. Com a moto, fica mais fácil se deslocar. Por isso houve esse grande aumento na quantidade de motociclistas mortos’, diz Kátia Campos dos Anjos, assistente social do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas e uma das pesquisadoras responsáveis por um trabalho sobre motociclistas acidentados. ‘São pessoas que levavam duas horas e meia de ônibus e que hoje vão para o trabalho em 40 minutos’, diz.

Despreparo. A grande quantidade de ‘novos’ motociclistas também é apontada pelos profissionais pela grande participação das motos nas colisões. ‘Hoje, os motoboys precisam fazer os cursos da Prefeitura e os regulamentados pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Os outros motociclistas estão despreparados e andam pelas vias perigosas’, diz o presidente do Sindimotos, Aldemir Martins, que representa os motoboys.

Perfil. O relatório da CET mostra que os motociclistas mortos são predominantemente jovens. Foram 428 vítimas no ano passado – 254 tinham entre 18 e 29 anos. Somente nessa faixa de idade os motociclistas estão em primeiro no ranking dos mortos em acidentes de trânsito – nas demais, são os ocupantes de automóveis. Após os 30 anos, o número de motociclistas mortos cai à medida em que a idade aumenta: na faixa de 30 a 39 anos (106), de 40 a 49 (31), de 50 a 59 (9). Chama a atenção o fato que 26 condutores tinham entre 10 e 17 anos, idade insuficiente para tirar a Carteira Nacional de Habilitação. Do total de motociclistas mortos, 401 eram homens e 27, mulheres.