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Amortecedor de CB500 na Sportster

O amortecedor original da Sportster está longe de ser unanimidade, especialmente para quem anda com garupa ou rebaixou a moto.

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Exemplo de amortecedor com reservatório externo

É por isso que é tão comum encontrar proprietários que trocam os originais por amortecedores progressivos. E opções não faltam, alguns rebaixam, outros levantam, e temos até alguns de performance, com reservatório externo.

Infelizmente, eles já não são lá muito baratos nos EUA, e chegam aqui por um preço bem salgado. Alguns dizem que vale o quanto custam, mas muitos procuram uma opção mais em conta.

Por muito tempo, uma outra solução foi usar os amortecedores da Road King (o pessoal das Dynas também faz isso). Muitos compravam usados no eBay e os recondicionavam aqui no Brasil. Quem usa, diz que a moto fica macia como um Cadillac, embora muitas vezes tão mole quanto um. O tamanho deles é motivo de atenção: alguns levantam a moto, outros a rebaixam um pouco, por isso é sempre importante escolher bem medida de acordo com sua necessidade. Mas um alerta: muita gente teve a peça retida pois a Receita Federal alegou que não é permitida a importação de peças usadas, e eles ficaram com o prejuízo, já que a peça não retornou para o vendedor de origem por ter sido apreendida.

Exemplo de Sportster com amortecedor preto de Road King, de um usuário do XL Forum
Exemplo de Sportster com amortecedor preto de Road King, de um usuário do XL Forum

Recentemente, tenho ouvido cada vez mais e mais histórias de pessoas que colocaram o amortecedor da CB500 na Sportster, a um custo bem interessante. Por isso pedi para o Rangel Simon escrever mais sobre essa experiência dele.

UM ALERTA: Eu nunca andei ou testei uma Sportster com amortecedores de CB500. A opinião abaixo foi escrita pelo próprio Rangel, e apenas reflete a experiência dele. Se você também fez essa alteração, deixe sua experiência nos comentários para ajudar outros proprietários.

A única coisa que posso dizer, é que como ela deixou o ângulo da balança positivo, deve vai deixar a moto mais firme, como explicado neste post aqui.

Ele escreve:

Creio que todos sabem dos problemas das 883 no Brasil, na minha, modelo 2008, quando comprei fiz uma revisão geral já sabendo mais ou menos o que procurar. A suspensão dianteira tinha realmente problema com óleo(se que dava para chamar assim o que tinha dentro das bengalas), uma com cerca de 50 ml e outra 150 ml, troquei ambos por Motul fork oil heavy e a moto melhorou MUITO. Além de muito mais estável em curvas parou de dar fim de curso nas crateras de minha cidade.

Próxima parada foi nos rolamentos, que os originais são realmente deprimentes,quando tirei de ambas as rodas eles já não exerciam mais a função deles, troquei das duas rodas e senti a moto mais leve ao rodar em baixas rotações. Foram engraxadas caixa de direção e balança, que eram tão secas quanto o Saara.

Bem, a mudança mais recente que acompanha a foto é a troca da suspensão traseira,segui a indicação de alguns foruns e pessoal que converso no próprio facebook e por questões de gana optei pelos amortecedores da CB500.

Deixam a moto mais alta um pouco ,mas ficam com um conforte e pilotagem MUITO melhor que os originais.

Na questão pilotagem: hoje piloto uma outra moto da que comprei a um tempo atrás. Muito mais segura e firme nas entradas e saídas de curvas, assim como quando passa em desníveis os amortecedores cumprem o papel muito bem.

Com garupa: O amortecedor que comprei foi da marca TUX para cb500 e se eu gostei dele, minha namorada ama. Na regulagem 3 de 5 a moto nunca mais deu final de curso, e isso que andamos bastante em estradas de terra. Continua firme com a garupa e o conforto aumentou muito na pilotagem para ambos.

Valor: Sendo que um RK custa mais de 600 dilmas e um progressive suspension passa fácil disso, meu investimento de cerca de R$ 180,00 valeu muito a pena.

Estilo: Eu gosto da 883R por já ser mais elevada do que a Iron, sendo assim não me incomoda o fato de ter ficado um pouco mais alta. Se o seu estilo é uma mais rebaixada, talvez o amortecedor mais um kit de rebaixamento de conta do recado. Os amortecedores são cromados, tanto mola quando cartucho (da para ver bem a diferença entre eles nas fotos.

Instalação: Não consegui fazer em casa por causa do meu escapamento que não deixava tirar o amortecedor facilmente. Fui em um amigo, que por acaso é mecânico(amizade sincera :D ) e retiramos facilmente, com um pouco de força e jeito. Se vcs tiverem o escape original fica barbada de colocar. Bem, unica coisa que é preciso é substituir as buchas (borrachas que engatam os parafusos) do amortecedor da CB500 pelo da 883. Delicadamente (assim como tudo na HD) pode-se pegar um parafuso e ir batendo no ferro que existe dentro até sair, coisa simples. Já na moto, é só colocar os parafusos e mandar ver 100% compatível.

Rangel Simon

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Sportster cafe racer e a suspensão rebaixada

Sportster Cafe Racer

A moto da foto acima não ficou apenas no visual: é uma 883 convertida para 1250, usando o kit da Hammer Performance, com ajuda da No School Choppers. Linda, exceto por essa rabeta alta. Mas porque o dono foi na contramão da tendência e preferiu levantar a rabeta da moto ao invés de rebaixá-la?

É simples.

Como essa moto foi feita para ter um desempenho melhor, o ângulo da balança traseira tem uma grande importância nisso. E ele é ditado pela altura do seu amortecedor. Olhe a foto abaixo:

XL883 Iron

Reparou como o eixo (A) fica acima do ponto de ligação da balança com o quadro (B)? Esse é justamente o ponto fraco de alguns modelos da Sportster, especialmente a Low. Sob aceleração forte os amortecedores traseiros ficam muito comprimidos, piorando a ciclística e dando final de curso com mais facilidade. Dá para notar bem isso ao acelerar saindo de uma curva, por exemplo.

Agora olhe esses mesmos pontos de fixação na XR1200X, que usa o mesmo quadro, mas tem uma ciclística mais voltada ao desempenho:

XR1200X

São exatamente o oposto. “Ah Bayer, mas isso é coisa de moto japa. Harley não é feita para isso.” É nessas horas que eu lembro de uma das maiores concorrentes da Sportster, que também permite uma tocada tranquila, mas que é altamente elogiada pela ciclística por vários pilotos:

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A Triumph também se preocupou com esse detalhe na Bonneville. Mas isso quer dizer que eu sou contra suspensão rebaixada? Não. Apenas acredito que tudo depende do que você quer fazer com sua moto. Para um visual de rabo duro old school, muito provavelmente você vai ter que jogar a suspensão lá embaixo, ou até mesmo trocar os amortecedores por struts (correndo o risco de rachar o suporte no quadro em cidades esburacadas como São Paulo).

Já nas cafés, com motor mais nervoso e amortecedores melhores, faz sentido prestar atenção no ângulo da balança, já que um ângulo positivo ajuda a distribuir melhor as forças e a moto não fica com aquela sensação de que a traseira não conversa com a dianteira.

Claro que isso é uma simplificação extrema do que acontece. Muita gente rebaixa e não percebe nenhuma mudança na moto, vai da sensibilidade de cada um. Assim como tem gente que acha que o seca suvaco ajuda a fazer curvas melhor, sendo que o efeito dele é justamente o contrário. Mas aí é a velha discussão do feeling pessoal vs. a física/engenharia.

Mas se você está em busca de uma café racer, certamente quer ter cada pequena melhora no desempenho, e esse é o tipo de detalhe que pode fazer toda a diferença.

Plataforma caseira para motos

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Uma das coisas que eu gostaria de ter em casa é uma plataforma para motos. E não estou falando daquelas hidráulicas de oficina, nem das portáteis: mas sim uma old school mesmo, feita de madeira. Infelizmente, como eu já uso um quarto inteiro de casa como oficina, colocar uma plataforma para motos na garagem seria um atentado à felicidade do meu casamento. Por isso fico feliz com o meu dueto de cavalete para motos e banquinho de madeira.

Mas navegando na internet, encontrei por acaso um projeto bem simples e legal de plataforma. Uma boa dica para quem tem espaço sobrando ou nenhuma restrição matrimonial:

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O autor do projeto é o Cafe Matty, cujo o post você pode ver aqui. Se você construir uma, não esqueça de me mandar as fotos.

Como regular a injeção da Harley?

Muita gente tem dúvida de como regular o Suricato, Redline, Dobeck ou FuelPak na moto. A maioria prefere copiar a regulagem de um amigo, e deixar por isso mesmo. Ou pior: coloca tudo no máximo, achando que a moto vai andar mais, quando na verdade está com um motor completamente desregulado.

Mas a verdade é que cada um pilota de um jeito, abastece com um determinado combustível, ou tem um filtro e escapamento diferente. Então não adianta copiar a moto do seu amigo, pois são muitas variáveis envolvidas e não dá para garantir que o que funcionou para ele vai funcionar para você.

Seguindo os conselhos do Porcão, criador do Suricato e Redline, eu sempre regulei as injeções das minhas motos usando a cor das velas como termômetro, um sistema que tem funcionado muito bem. O princípio é simples: você instala o gerenciador de injeção e começa a subir as regulagens aos poucos. Anda por um tempo (eu costumo rodar pelo menos 100km) retira as velas e checa a cor. Quanto mais perto do ideal, basicamente uma coloração similar ao do café com leite, melhor.

É um processo de tentativa e erro, onde uso a seguinte tabela para saber se preciso subir ou descer a regulagem:

Clique para ampliar
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A faixa do meio (em verde) é a ideal. As primeiras mostram uma mistura rica, ou seja, a regulagem está muito alta você está mandando muito combustível para o motor. Nesse caso, desça um pouco.

Já as últimas mostram o resultado de mistura pobre (pouco combustível) e muitos vão reparar que é a cor normal das velas em muitas Harley-Davidsons vendidas aqui, pois elas saem de fábrica com uma mistura pobre por conta de emissões de poluentes, o que é agravado em parte quando se usa combustível de má qualidade. Nesse caso, você precisa subir um pouco a regulagem até chegar na faixa do meio. O ideal é ter a vela como na foto onde se pode ler “BEST”.

Outra boa referência é a tabela dos manuais da Haynes, um dos meus favoritos:

Haynes Spark Plug Chart

Remoção do filtro de ar da XR1200

Filtro de ar XR1200XMuita gente apanha na hora de trocar ou remover o filtro de ar da XR. Por ficar preso ao tanque, e não na lateral como na maioria das Harleys, é como tirar uma peça de Lego que está escondida por várias outras.

Por isso o vídeo abaixo, que mostra a instalação de um filtro K&N, pode dar uma luz para quem precisa mexer na caixa de ar:

Não tem jeito, é necessário levantar o tanque e remover a caixa. Para isso, você também vai ter que tirar a capa do tanque, desconectar o sensor que controla o flapper, e remover os respiros de óleo.

No meu caso, aproveitei que a caixa estava desmontada e removi o flapper de uma vez. O flapper nada mais é do que uma aba que se abre e fecha para controlar a entrada de ar, na tentativa de reduzir um pouco as emissões de poluentes. Infelizmente, ele também restringe o fluxo, e como o projeto da caixa de ar visa mais a estética do que a funcionalidade, o fluxo de ar dessa caixa já não é lá essas coisas, qualquer ajuda é bem vinda.

Para remove-lo, basta tirar a aba de metal e as molas de apoio, mas manter a solenóide que abre e fecha o sistema no lugar. Dessa forma a injeção continua acreditando que o flapper ainda está lá, e não vai acusar nenhuma mensagem de erro no log nem acender a luz de injeção.

Descanso lateral da Harley (vulgo pézinho)

KickStandNo FHD apareceram alguns usuários com medo de que a moto deles fosse cair, dizendo que não sentiam muita firmeza no descanso lateral. Resolvi perguntar por aí, e me surpreendi: muitos novatos tem a mesma insegurança.

Podem esquecer isso e ficar tranquilos: o sistema da Harley é um pouco diferente, mas é um dos mais seguros que existem, já que foi criado para travar e não deixar a moto se mover sobre o descanso. Isso já foi até argumento de venda, já que os vendedores da H-D costumavam impressionar os clientes empurrando a moto para frente, com ela no descanso lateral, para mostrar que era uma moto cheia de “detalhes”.

O funcionamento dele é simples, e dividido em duas etapas: A primeira é quando você baixa o pézinho, e nesse estágio ele realmente fica “solto”. Mas quando você deita a moto sobre ele, o segundo estágio entra em funcionamento, fazendo com que ele trave. Nas fotos dá para entender um pouco melhor:

Tungado do V-Twin Forum.
Aqui, você pode ver ele ainda no primeiro estágio. A seta de baixo mostra o eixo que está ligado ao pézinho, e que permite que ele se movimente para frente e para trás. Já a seta de cima mostra a guia onde ele precisa se encaixar para que ele trave.
Essa foto mostra o que acontece depois de se deitar a moto sobre o pézinho. O sistema inteiro sobe, se encaixando dentro da guia, o que faz com que ele trave no lugar. Aquela “moleza” do primeiro estágio desaparece, e a moto fica firme em posição. (Fotos tungadas do V-Twin Forum)

Esse sistema foi criado para evitar o recolhimento acidental do pézinho, mesmo em inclinações. E também funciona como uma espécie de freio de mão: mesmo que alguém empurre a moto para frente ou para trás, o pézinho irá continuar travado na posição. Pode fazer o teste, se a moto estiver deitada corretamente sobre o pézinho, você pode empurrá-la ou puxá-la que ele não irá se recolher.

UPDATE: Eu sempre imagino que as pessoas têm bom senso, e fazem coisas que são ensinadas há anos, como SEMPRE parar a moto com a roda traseira voltada para a guia, especialmente ao estacionar em subidas. Mas pelas mensagens que recebi no Facebook, já vi que não é o caso. Se você está pensando em largar sua moto em uma subida íngreme, paralela a guia, e usar apenas o pézinho como freio, ESQUEÇA! Ele vai fazer a função dele e não vai se recolher. Mas ele NÃO vai impedir da sua moto descer a ladeira, arrastando o pézinho, enquanto deixa um enorme risco no chão. Nesse caso é necessário engatar primeira. Afinal, ele não é uma âncora e nem um pneu travado…

Que ferramentas levar na moto?

Kit windzone adaptado
Kit windzone adaptado

Muita gente procura ou manda mensagens querendo saber quais ferramentas carregar com a moto. E normalmente eu dou um resposta que as pessoas não gostam:

Depende do que você sabe fazer com elas.

Parece brincadeira, mas é sério. Você pode até pegar uma lista com todas as chaves necessárias para desmontar a moto, mas isso não vai adiantar nada se você não souber usá-las. Tem gente que consegue abrir um motor no meio da estrada, enquanto outros não sabem nem onde ficam as velas. Também não faz sentido carregar uma chave gigante para desmontar a roda no caso de um pneu furado, se você pretende chamar um guincho caso isso ocorra…

Outro fator é o preço. Muitos customizadores vendem um kit pronto, com ferramentas de qualidade, como Snap-On. Se esse kit vai ser o seu principal para mexer na moto, ótimo. Mas eu prefiro andar com ferramentas relativamente boas mas baratas, para não ter que me preocupar muito caso alguém roube meu estojo. As Craftsman, que eu tanto gosto, ficam em casa…

No caso da Harley, eu uso uma adaptação do kit da Windzone de US$40, que comprei no eBay, mas isso foi quando o dólar estava em baixa e com promoção de frete grátis (você pode ver ele aqui). Não fiz a conta das ferramentas em separado, talvez hoje não compense mais comprá-lo pronto.

Usei esse kit como base, e fui retirando ou adicionando ferramentas que considero úteis para minha moto ou dos amigos. Ele poderia ser mais eficiente (algumas ferramentas são redundantes, outras poderiam ser menores), mas nada que incomode. É pesado, coisa de um quilo e meio, mas ocupa pouco espaço quando fechado.

Comparação de tamanho
Comparação de tamanho

Um adição que eu considero sempre interessante em qualquer kit é um alicate do tipo Leatherman, no meu caso genérico, que tem várias funções e ocupa pouco espaço, além de fusíveis, que eu sempre esqueço de colocar no meu. Se o seu pneu é sem câmara, compensa levar um kit de reparo rápido com cápsulas de CO2.

O Pedrão, do Infernais Los Pedros Motorcycles, tem um post ótimo sobre o assunto. Ele também vendia um embornal que é muito foda, ótimo para carregar as ferramentas. O post dele você confere em http://www.hechoamanocustom.com/2011/11/quais-ferramentas-colocar-no-embornal.html

Para quem tem Harley, o Porcão publicou anos atrás uma lista de todas as ferramentas usadas na Sportster, mas que é praticamente a mesma para as Big Twins: http://www.forumhd.com.br/index.php/topic,20.msg28.html#msg28

Vale a pena pesquisar o que você usaria na sua, e montar um kit de acordo.

Tem uma Harley? Então sinto te desapontar

Screen shot 2013-06-26 at 4.43.59 PMHoje em dia é comum eu encontrar o sujeito que comprou uma Harley, mas que acredita que comprou um relógio suíço. Algo no mito que o nome carrega faz as pessoas pensarem que é uma moto sem defeitos, inquebrável, onde a autorizada estende um tapete vermelho para você passar. O fato de muitos deles pagarem alegremente um valor altíssimo por alguns modelos, parece reforçar esse mito.

Se esse é o seu caso, sinto muito.

A verdade é que ela é uma moto com muitas qualidades, como a facilidade de manutenção e a robustez, mas que em contrapartida também sofre com um péssimo pós-venda, falta de peças e mão de obra qualificada. Para piorar, a qualidade de produção tem decaído nos últimos anos.

Isso acontece porque atualmente o marketing da HD está mais interessado em vender o lifestyle, do que em fabricar as motos que criaram esse lifestyle em primeiro lugar. (O Wolfmann tem um artigo muito bom sobre esse assunto: http://wolfmann-hd.blogspot.com.br/2013/06/fidelizacao-moto-ou-marca.html)

Um exemplo disso são os recalls. Existem diversos deles, mas eles nunca são feitos aqui no Brasil. Se são, é na base da porrada e ordem judicial. O mais recente é o do regulador de voltagem das motos 2012. Uma peça que, devido a má fabricação, pode queimar e acaba levando o estator junto, aumentando o prejuízo. Poucas pessoas sabem desse recall, e menos ainda fizeram a troca na revendedora oficial.

É por isso que sugiro a todos os proprietários de Harleys uma consulta no site da matriz, onde você pode digitar o VIN da sua moto (o número do chassi que consta no seu documento) e saber quais os recalls estão sendo feitos para o seu modelo. Você precisa criar uma conta no site, mas é rápido e de graça.

Para fazer sua consulta, é só acessar o link abaixo:

http://www.harley-davidson.com/en_US/Content/Pages/Owners/service-your-bike/service-recalls/service-recalls.html

Quem quiser conferir na unha para ter certeza, segue o boletim oficial:

https://www.box.com/s/d3794df7ba0c20cd178e

Harley-Davidson
“Minha moto ficou outra depois do recall”

UPDATE: Algumas motos fabricadas no Brasil não aparecem no sistema, que aliás mudou desde a divulgação dele aqui no post. Infelizmente, a melhor maneira de saber sobre recalls da sua moto, é pesquisar bastante no Google.

Usar gasolina aditivada ou comum nas Harleys?

Marisa Miller Harley Davidson
“Completa, por favor?”

Uma das mais dúvidas mais frequentes dos novos proprietários de Harley-Davidson é sobre a gasolina. Afinal, é de praxe o novo proprietário ouvir na entrega da moto: “Só use gasolina comum nela, não use aditivada”. Como o manual diz o mesmo, então não há dúvida alguma, certo?

Errado!

Infelizmente, isso é mais uma daqueles exemplos de como a Harley Davidson está se tornando uma empresa feita por pessoas que não entendem de moto. Nas palavras do Wolfmann, do excelente blog Wolfmann HD:

nos EUA a gasolina chamada Regular tem um índice de octanagem mínimo de 85 octanas (idêntico ao do Brasil), mas é ADITIVADA (ao contrário do Brasil que não recebe qualquer aditivo) e ambas são sem chumbo. (…)

Desta forma, quando o manual da HD recomenda gasolina REGULAR não está recomendando a nossa gasolina comum, mas sim a gasolina aditivada. É um erro de tradução que está matando a leitura do manual e a turma das autorizadas repete o manual traduzido.

Um post dele sobre o assunto você pode ler aqui.

Outra coisa importante ressaltar, é a famosa discussão sobre usar Pódium ou não. Sempre ouvimos o velho discurso de que a Pódium é só para motores de alta taxa de compressão. Mas não é tão simples assim… Em primeiro lugar, vale ressaltar que as vantagens da Pódium vão muito além da octanagem, já que é uma gasolina de qualidade superior, mais limpa e com aditivos só encontrados nela. É a melhor gasolina que podemos comprar em terras tupiniquins.

Isso acontece pois toda gasolina vendida no país é destilada primeiro pela BR, e depois distribuída para todas as outras bandeiras. Só então elas podem incluir seus aditivos, ou fazerem novos processos, mas a base é sempre a mesma para todos. Menos para a Pódium, que é refinada de forma diferente pela BR e vendida apenas para postos da BR, fazendo com que eles levem uma grande vantagem sobre as demais.

E em segundo lugar, a alta taxa de compressão depende muito da tecnologia do motor. Para um Volkswagen dos anos 90, uma taxa de compressão de 9,2:1 já era considerada alta, mas para os mais novos uma taxa de 10,5:1 é considerada normal. Isso acontece porque os motores mais modernos possuem sensores de detonação, controle do avanço, e uma série de recursos que permitem o uso de taxas cada vez mais altas.

Entre as Harleys, existem duas motos que se favorecem muito com uma gasolina de taxa de compressão maior: a XR1200 e a XR1200X. Apesar de terem “apenas” 10:1 de taxa de compressão, elas pedem uma gasolina com mais de 94 octanas para conseguirem desenvolver todo o seu potencial. Com gasolina comum, a XR tende a ficar mais “xoxa” e batendo pino levemente em certos giros, além de sofrer um expressivo aumento da temperatura do motor. Com o uso da Pódium, o motor da moto ganha um desempenho visível, assim como uma queda da temperatura de funcionamento. Com ajuste de injeção, ela tende a aceitar melhor a comum, mas sempre vai funcionar melhor com a Pódium, como relatado por diversos de proprietários.

Para todas as outras Harleys, o benefício da Pódium é apenas a qualidade. Por isso, para quem quer usar a comum, a recomendação do Wolfmann, que entende bastante de gasolina por ser do ramo, é essa aqui:

Melhor indicação: gasolina comum Ipiranga (segue a fórmula americana da Texaco desde a fusão das duas empresas). É aditivada, tem octanagem recomendada(…)

Parece estranho indicar a comum após dizer que as gasolinas americanas possuem aditivo, mas aparentemente a Ipiranga usa aditivos até na sua gasolina comum, deixando ela mais parecida com a fórmula americana.

Dá para baixar a marcha lenta de uma Harley Davidson?

Duas coisas frustram os novos proprietários de Harley Davidson. A primeira é o som de máquina de máquina de costura que os escapamentos originais fazem (por isso, é geralmente o primeiro item a ser trocado).

A segunda é a marcha lenta, aquele som típico da moto parada em funcionamento. A maioria espera o tradicional pototó – pototó, mas logo descobrem que as motos injetadas parecem mais com um moedor de cana tentando decolar.

Para isso, existem várias alternativas. Algumas são gambiarras, outras mais profissionais. A minha preferida é a que envolve o reajuste da central de injeção, seja com o SEST ou com outro dispositivo.

Aqui em São Paulo, o Dotz da Ride N’ Roll faz esse serviço, e publicou um post com os mitos e as lendas sobre a marcha lenta das Harleys. Vale a leitura: http://www.rideandroll.com.br/?p=332

Não estou ganhando nada pelo merchandising (mas acho que vou chorar um desconto quando pintar por lá…)

Dá para pintar o motor em casa?

Trabalho do Targino, que faz algumas das minhas pinturas favoritas

Resumindo? Dá. E por incrível que pareça, dá até para fazer aquele acabamento preto rugoso da Harley. E tudo o que você precisa é de uma lata de spray, e não é necessário desmontar o motor, apenar liberar espaço ao redor dele.

Mas como em todo trabalho de pintura, o segrego está na preparação. O motor precisa ser completamente limpo, sendo necessário remover todo e qualquer resquício de óleo e sujeira. Quem fez, avisa: o trabalho de preparação é muito maior do que o de pintura.

Para pintar, as duas melhores opções são a linha de tintas para motores da Duplicolor (http://www.duplicolor.com/products/enginePaint/) ou no caso do preto rugoso, da própria Harley Davidson (link pro site da HD). Esse último é vendido como um retoque, mas muita gente usa com sucesso para pintar um motor inteiro.

Aqui você pode ver um post em um fórum gringo mostrando o processo. Segundo o autor, a pintura já tem alguns anos e continua firme e forte. Mesmo quem não entende inglês, pode acompanhar pela tonelada de fotos que o cara postou.