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Como regular a injeção da Harley?

Muita gente tem dúvida de como regular o Suricato, Redline, Dobeck ou FuelPak na moto. A maioria prefere copiar a regulagem de um amigo, e deixar por isso mesmo. Ou pior: coloca tudo no máximo, achando que a moto vai andar mais, quando na verdade está com um motor completamente desregulado.

Mas a verdade é que cada um pilota de um jeito, abastece com um determinado combustível, ou tem um filtro e escapamento diferente. Então não adianta copiar a moto do seu amigo, pois são muitas variáveis envolvidas e não dá para garantir que o que funcionou para ele vai funcionar para você.

Seguindo os conselhos do Porcão, criador do Suricato e Redline, eu sempre regulei as injeções das minhas motos usando a cor das velas como termômetro, um sistema que tem funcionado muito bem. O princípio é simples: você instala o gerenciador de injeção e começa a subir as regulagens aos poucos. Anda por um tempo (eu costumo rodar pelo menos 100km) retira as velas e checa a cor. Quanto mais perto do ideal, basicamente uma coloração similar ao do café com leite, melhor.

É um processo de tentativa e erro, onde uso a seguinte tabela para saber se preciso subir ou descer a regulagem:

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A faixa do meio (em verde) é a ideal. As primeiras mostram uma mistura rica, ou seja, a regulagem está muito alta você está mandando muito combustível para o motor. Nesse caso, desça um pouco.

Já as últimas mostram o resultado de mistura pobre (pouco combustível) e muitos vão reparar que é a cor normal das velas em muitas Harley-Davidsons vendidas aqui, pois elas saem de fábrica com uma mistura pobre por conta de emissões de poluentes, o que é agravado em parte quando se usa combustível de má qualidade. Nesse caso, você precisa subir um pouco a regulagem até chegar na faixa do meio. O ideal é ter a vela como na foto onde se pode ler “BEST”.

Outra boa referência é a tabela dos manuais da Haynes, um dos meus favoritos:

Haynes Spark Plug Chart

Usar gasolina aditivada ou comum nas Harleys?

Marisa Miller Harley Davidson
“Completa, por favor?”

Uma das mais dúvidas mais frequentes dos novos proprietários de Harley-Davidson é sobre a gasolina. Afinal, é de praxe o novo proprietário ouvir na entrega da moto: “Só use gasolina comum nela, não use aditivada”. Como o manual diz o mesmo, então não há dúvida alguma, certo?

Errado!

Infelizmente, isso é mais uma daqueles exemplos de como a Harley Davidson está se tornando uma empresa feita por pessoas que não entendem de moto. Nas palavras do Wolfmann, do excelente blog Wolfmann HD:

nos EUA a gasolina chamada Regular tem um índice de octanagem mínimo de 85 octanas (idêntico ao do Brasil), mas é ADITIVADA (ao contrário do Brasil que não recebe qualquer aditivo) e ambas são sem chumbo. (…)

Desta forma, quando o manual da HD recomenda gasolina REGULAR não está recomendando a nossa gasolina comum, mas sim a gasolina aditivada. É um erro de tradução que está matando a leitura do manual e a turma das autorizadas repete o manual traduzido.

Um post dele sobre o assunto você pode ler aqui.

Outra coisa importante ressaltar, é a famosa discussão sobre usar Pódium ou não. Sempre ouvimos o velho discurso de que a Pódium é só para motores de alta taxa de compressão. Mas não é tão simples assim… Em primeiro lugar, vale ressaltar que as vantagens da Pódium vão muito além da octanagem, já que é uma gasolina de qualidade superior, mais limpa e com aditivos só encontrados nela. É a melhor gasolina que podemos comprar em terras tupiniquins.

Isso acontece pois toda gasolina vendida no país é destilada primeiro pela BR, e depois distribuída para todas as outras bandeiras. Só então elas podem incluir seus aditivos, ou fazerem novos processos, mas a base é sempre a mesma para todos. Menos para a Pódium, que é refinada de forma diferente pela BR e vendida apenas para postos da BR, fazendo com que eles levem uma grande vantagem sobre as demais.

E em segundo lugar, a alta taxa de compressão depende muito da tecnologia do motor. Para um Volkswagen dos anos 90, uma taxa de compressão de 9,2:1 já era considerada alta, mas para os mais novos uma taxa de 10,5:1 é considerada normal. Isso acontece porque os motores mais modernos possuem sensores de detonação, controle do avanço, e uma série de recursos que permitem o uso de taxas cada vez mais altas.

Entre as Harleys, existem duas motos que se favorecem muito com uma gasolina de taxa de compressão maior: a XR1200 e a XR1200X. Apesar de terem “apenas” 10:1 de taxa de compressão, elas pedem uma gasolina com mais de 94 octanas para conseguirem desenvolver todo o seu potencial. Com gasolina comum, a XR tende a ficar mais “xoxa” e batendo pino levemente em certos giros, além de sofrer um expressivo aumento da temperatura do motor. Com o uso da Pódium, o motor da moto ganha um desempenho visível, assim como uma queda da temperatura de funcionamento. Com ajuste de injeção, ela tende a aceitar melhor a comum, mas sempre vai funcionar melhor com a Pódium, como relatado por diversos de proprietários.

Para todas as outras Harleys, o benefício da Pódium é apenas a qualidade. Por isso, para quem quer usar a comum, a recomendação do Wolfmann, que entende bastante de gasolina por ser do ramo, é essa aqui:

Melhor indicação: gasolina comum Ipiranga (segue a fórmula americana da Texaco desde a fusão das duas empresas). É aditivada, tem octanagem recomendada(…)

Parece estranho indicar a comum após dizer que as gasolinas americanas possuem aditivo, mas aparentemente a Ipiranga usa aditivos até na sua gasolina comum, deixando ela mais parecida com a fórmula americana.

Valorizando o produto nacional: Suricato e Ponteiras Customer

Como já comentei neste post aqui, estou testando dois produtos nacionais para fazer um review.

Um é o Suricato, fabricado em Santo André pelo Porcão (fundador do Fórum HD) e vendido pela Allspark. O outro são as ponteiras Customers, fabricadas em São Paulo.

Ponteiras Customer

As ponteiras Customer estão se mostrando uma excelente compra, estou muito satisfeito. Visitei a fábrica e vi como as peças são feitas com carinho, com solda robótica, acabamento preciso e corte a laser. Duas ponteiras foram testadas: uma em uma XR e a outra em uma Dyna.

A da XR apresentou um defeito de fábrica, um suporte veio com a medida errada, o que impediu a montagem. Não apenas eles me ofereceram devolver o dinheiro na hora, como me garantiram que eu teria uma nova em apenas 7 dias. E isso foi cumprido em 5 dias. Apesar de pesada (o ideal seria uma ponteira para a XR mais leve que a original), o acabamento é impecável, com pintura em teflon e peças usinadas em alumínio.

Já a da Dyna foi comprada em um customizador famoso de São Paulo, com o logo dele aplicado. Essa prática é comum: muitas das ponteiras vendidas por aí com “marca própria”, são na verdade ponteiras Customers com o logo de terceiros aplicados nelas.

Assim como na XR, o ronco na Dyna é encorpado, sem aquela característica metálica dos Vance and Hines. O cromo é de ótima qualidade e tem resistido bem a ação do tempo e ao calor do motor BT original. Depois de alguns quilômetros surgiu um pequeno barulho que foi aumentando, mas bastou apertar o parafuso que prende o acabamento para ele sumir e não voltar mais.

Quanto ao preço, os proprietários da fábrica alegam que está na faixa de preço uma ponteira importada no Brasil. Ainda acho que o preço ideal seria abaixo dos importados, pois se custasse aqui o mesmo que uma V&H ou Rush custa lá fora, seria um produto imbatível, até porque considero a qualidade do cromo e do acabamento da Customer superiores aos importados. Por outro lado, sei como o custo Brasil é alto, e como os fabricantes nacionais apanham para ter lucro.

De qualquer forma, estou bem satisfeito com as ponteiras e as recomendo.

Suricato

O Suricato é um sistema de gerenciamento de injeção eletrônica nacional, concorrente direto do FuelPak e Dobeck, e indireto do SEST e PowerCommander. Ainda não tenho uma opinião definitiva até checar as velas e o óleo, mas até o momento é bem favorável. A diminuição da temperatura é visível e o desempenho melhorou (especialmente nas arrancadas), deixando a moto sem os buracos da injeção eletrônica. O funcionamento está muito suave e linear.

O consumo aumentou muito na cidade, queda de 50 a 60km na autonomia, mesmo usando uma regulagem moderada. Na estrada, no entanto, o consumo está próximo do original.

A instalação é simples, mas um pouco chata. Com um conhecimento básico de mecânica da sua moto, você pode fazer a instalação sem problemas em poucas horas. Alguém com prática não deve levar mais de meia hora na maioria dos modelos.

Um ponto negativo foi a falta de transparência da revendedora AllSpark. Apesar do atendimento ter sido rápido e a entrega tranquila, na época o Suricato estava sendo vendido ao lado do Redline, uma versão mais agressiva. Me foi dito pela AllSpark que o Redline era uma versão do Suricato para quem queria mais potência, mas não se preocupava com o consumo de combustível, por isso optei pelo segundo.

Infelizmente, agora é dito que o Redline é a evolução do Suricato, que por sua vez saiu de linha, e que você pode manter as mesmas regulagens de um Suricato, deixando-as mais agressivas apenas para quando quiser.

Não gostei nem um pouco disso, me senti comprando o excedente do estoque. Se soubesse que o Redline era uma evolução do Suricato, e não a versão “envenenada”, obviamente teria optado pelo segundo, já que a diferença de preço era mínima.

Mesmo assim, recomendo. O produto é bem acabado, parece muito resistente e o custo é menor ou similar ao que você pagaria por um Dobeck ou FuelPak lá fora e, o que é mais importante: com os mesmos resultados.

Ponto positivo para o produto, ponto negativo para a AllSpark pela confusão.

Mais um rolê de teste com o Suricato



O Suricato que instalei para controlar a injeção depois da troca de ponteiras, das velas e do filtro por um K&N de performance, tem se mostrado excelente. No dia a dia, pegando trânsito pesado, a temperatura caiu bastante. Um efeito curioso foi que a XR, que antes batia pino com qualquer gasolina abaixo de 95 octanas por causa da alta taxa de compressão, agora está engolindo qualquer coisa e reclamando menos. Uma ótima notícia, porque nem sempre dá pra contar com a gasolina ideal ou com um octane booster da vida.

Mas nesse final de semana pude experimentar o Suricato novamente fora da cidade, em diferentes tipos de estrada, e as impressões anteriores se confirmaram. Calor, frio, mudança de altitude, serra ou estrada reta: não importa a situação, o motor está bem mais linear e potente. O consumo aumentou bastante, o que era esperado, mas ainda não consigo definir o quanto é culpa do Suricato, e o quanto é por causa da minha vontade de andar torcendo o cabo o tempo inteiro.

Fico feliz de ver uma solução nacional ser tão boa e por um preço acessível. Até agora, o Suricato não deve nada para o Dobeck e, na minha opinião, supera o FuelPak.

Temperatura dos motores Harley Davidson

É fato: a temperatura das Harleys com o Twim Cam 96 fazem você suar mais do que uma prostituta na igreja. Desde 2007, a injeção eletrônica desses motores é programada para funcionar com uma mistura pobre de combustível, para que possam atender às novas legislações ambientais. E quando digo pobre, quero dizer miserável mesmo.

Os motores da HD são naturalmente mais quentes, já que são refrigerados a ar, e a mistura pobre tende agravar isso, já que a gasolina dentro do cilindro é um dos fatores que ajudam a resfriar um motor. Por isso, os proprietários desses modelos costumam reclamar da sensação de “ovos cozidos” quando ficam presos no trânsito.

Outro agravante é a troca do escapamento e filtro de ar por modelos menos “restritivos”.  Isso torna a mistura de combustível ainda mais pobre, e faz com que a moto perca desempenho, esquente e, em casos extremos, tenha sua vida útil reduzida.

A solução é regular sua injeção eletrônica. Mas como? Felizmente, existem diversas opções para resolver o problema:

  • Enriquecedor Regulável: Sem dúvida a opção mais econômica. O Enriquecedor regulável é um produto 100% nacional, feito pela Pigster, com base nos Xieds, muito comuns lá fora. É um pequeno aparelho que se conecta nos sensores de oxigênio da moto, enganando a injeção para que ela coloque um “teco” a mais de gasolina. Por ser regulável, costuma agradar a maioria dos proprietários que fazem alterações mais comuns, como trocar a ponteira e o filtro de ar. Usei a versão sem regulagem, e não tenho do que reclamar, a queda de temperatura é sensível. O inventor, o Porcão, é também o responsável pelo Fórum HD, um cara bem bacana e sempre pronto a ajudar. Custo benefício imbatível, recomendo.
  • Dobeck: Pouco conhecido no Brasil, é o que estou usando no momento. Assim como os Xieds, também engana a injeção eletrônica, mas por ser conectado em mais sensores, consegue atuar em diversas faixas de rotação do motor, permitindo uma regulagem mais ampla. É relativamente fácil de instalar, basta seguir as instruções do manual ou do site. A regulagem é feita com uma chave de fenda, girando um pequeno dial para cada faixa de rotação. Foi desenvolvido por um dos criadores do Power Commander. Custa menos que o FuelPak e fica sempre preso na moto.
  • FuelPak: Basicamente o mesmo princípio de funcionamento do Dobeck. É fabricado pela Vance & Hines, por isso já vem com uma tabela com várias sugestões de regulagem para escapamentos da marca. Mas é um sistema flexível, pode ser usado com qualquer escapamento e filtro. Também fica sempre preso na moto.

Se você quer diminuir a temperatura do motor ou manter o funcionamento correto da injeção após trocar o escapamento e filtro, pode ficar com uma das opções acima sem medo. Com o acerto correto de injeção, a moto fica muito mais agradável de pilotar.

Mas se você pretende ir além, ganhar mais cavalos, fazer modificações mais profundas ou simplesmente tem mais dinheiro para gastar, existem opções mais completas:

  • Power Commander: Assim como os anteriores, também é um módulo “piggy-back”, ou seja, vai ficar sempre preso na moto, roubando o sinal da injeção e o enganando. É mais avançado, permite ajustes da ignição, o que amplia as possibilidades de performance. É regulado utilizando um computador conectado a ele, o que permite a instalação de mapas já prontos. É um dos mais populares, especialmente entre os donos de esportivas.
  • Screaming Eagle Pro Super Tuner (SEST): É a vedete de muita gente, tem coxa que compra só para diminuir a temperatura do motor. Ele efetivamente remapeia a injeção, nada fica preso na moto. Permite completo ajuste da injeção, inclusive da marcha lenta, o que pode deixar as injetadas com um som um pouquinho mais próximo do “potato potato” das carburadas. Custa caro, mas é ótimo e bem difundido nas oficinas por aqui. Algumas pessoas já conseguiram ativar o “parade mode” das tourings em outros modelos com ele.
  • Thundermax: O super trunfo deste post. Um sistema completo, você simplesmente retira a sua central e injeção original da moto e a substitui completamente pelo Thundermax. É como botar a Skynet dentro da sua Harley. Custa a sua vó, a sua tia, e mais um pouco.
Obviamente este post é apenas um ponto de partida para a sua decisão. Pesquisando no Google você vai achar muita informação sobre cada um deles. Escolha bem e não caia no papo de que “este é melhor que aquele”, pois esse é um assunto que já está parecendo torcida organizada, tem gente que discute calorosamente por causa disso. Cada um tem suas vantagens e desvantagens, decida o que é melhor para você, para o seu bolso e para suas expectativas.