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A história de um resgate canino

Não preciso nem dizer que o Logan, meu boxer que inspirou este blog, deixou um baita buraco em casa quando ele foi embora (quem viu a minha despedida neste post aqui sabe do que eu estou falando).

Por isso eu gostaria de contar a história de um resgate de uma frágil vira-lata, que eu sei que muitos de vocês vão gostar.

Há exatos 2 meses, o meu amigo Ale Zanetti e sua esposa encontraram uma filhotinha de vira lata abandonada dentro de uma caixa. Ela havia sido largada para morrer, passando ao menos dois dias debaixo de uma forte tempestade que assolou São Paulo, enquanto sofria a ação dos elementos, passando frio e fome sozinha na rua.

Para um filhote que não estava nem em idade para desmamar, isso deixou a vida dela por um fio.  Foi levada imediatamente para o Hospital Veterinário Granja Viana, em Carapicuíba, onde se constatou que ela estava com uma pneumonia grave, sarna sarcóptica e suspeita de cinomose.

Essa era ela nos primeiros dias de internação:

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Por mais de uma semana ela passou sob os cuidados do Ale e de sua esposa, que a visitavam todos os dias. O pessoal da clínica basicamente a adotou e fizeram de tudo para salva-la.

Ela foi se recuperando lentamente, muito frágil e sempre correndo alguns riscos. A pneumonia se recusava a ir embora, mas ao menos a cinomose foi descartada.

Mesmo depois de ter alta ela ainda teria que ter uma série de cuidados, como ser manipulada com luvas cirúrgicas (a sarna sarcóptica é transmitida para humanos e o caso dela era bem grave), tomar antibióticos religiosamente e ser monitorada de perto.

Ou seja: um grande esforço para salvar a vida dela, que poderia ter sido facilmente evitado se um babaca não a tivesse largada à sua própria sorte.

E porque eu estou contando tudo isso? Em primeiro lugar, para tentar conscientizar as pessoas que abandonar um cachorro não é legal. Muitos pensam que eles se viram bem sozinho nas ruas, mas isso é um mito, como o relato aí em cima comprova.

Mas principalmente para mostrar que nem sempre o mal vence nesse mundo tão difícil onde vivemos. Afinal, mesmo com isso tudo contra a pequena vira-lata, essa é uma foto dela depois muito cuidado e carinho, no dia que completou dois meses de vida:

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Parece outro cachorro, não? Dos parcos 2,1kg ao sair do hospital, ela pulou para 8kg e aparenta que vai se tornar um cão relativamente grande. Está extremamente saudável, correndo e brincando como se nada tivesse acontecido. Não dá pra estimar a origem, mas parece ser a cruza de um vira lata com algum parente próximo do PitBull.

E como eu sei de tudo isso? Porque felizmente a Mel, como ela foi chamada pela minha filhinha, é a nova mascote aqui do Old Dog Cycles e se recuperou na minha casa.

Esse é ela nos primeiros dias, ainda com muita sarna, investigando seu novo território:

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E também fazendo novos amigos, enquanto ainda tinha que ficar isolada:

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Sem falar na valente CUB comprando ração, na tentativa de fazer uma surpresa pra minha família e deixar tudo pronto sem precisar pegar o carro da esposa:

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Em breve a Mel vai completar seu calendário de vacinações, que teve que ser adiado por causa da baixíssima imunidade, e vai poder passear feliz por aí. Se algum dia você se encontrar com a gente, lembre-se do tanto que essa pequena precisou sofrer só porque alguém decidiu que não queria mais um filhote.

Se isso não servir de lição para os babacas que fazem isso, que pelo menos sirva de inspiração para quem gosta de cães.

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Só tenho a agradecer

Eu já tinha falado como eu aprecio os leitores aqui do Old Dog Cycles no post “10.000 comentários!“, mas eu quero fazer isso mais uma vez.

Li com atenção todos os comentários que vocês deixaram no post “Escrevendo sobre motos em tempos de crise” e vocês abriram meus olhos. Fico feliz de saber que vocês se sentem assim e isso deu uma nova perspectiva. Nunca tinha pensado que falar sobre o assunto podia ser motivador, mesmo para quem deixou a sua de lado.

Se não postei esses dias foi apenas uma grande coincidência. Estou terminando de me recuperar de uma bela infecção que me derrubou, ainda tenho alguns bons dias pela frente de molho.

Grande abraço,
Bayer

Guia rápido de como sobreviver ao calor de moto

Hoje em dia eu sou muito mais encanado em proteger a minha pele contra o asfalto do que quando eu tinha 18 anos. Talvez seja a responsabilidade que a idade traz, mas talvez seja o fato de que meu corpo não se regenera mais da mesma forma no caso de um tombo.

Não importa o motivo, o fato é que o verão é sempre um desafio pra se andar protegido (em alguns estados é um desafio o ano inteiro). Por isso, seguem algumas dicas:

Tenha uma jaqueta/calça/luvas de verão

Eu sei que o equipamento de proteção aqui no Brasil é muito caro. Muita gente tem só uma jaqueta de couro ou cordura para andar de moto, enquanto alguns nem isso tem. Por isso, pode parecer um exagero pedir que você tenha duas, mas eu garanto que não é.

Uma jaqueta, calça ou luva de verão geralmente possuem entradas de ar e um tecido que permite que a pele respire, além das tradicionais proteções. Isso é muito importante para deixar que o suor evapore, já que sua função é servir como uma espécie de refrigeração natural da pele.

Vale a pena ficar atento pois algumas jaquetas possuem uma dupla forração, que você pode retirar e colocar transformando ela em uma jaqueta de inverno ou verão. Não é tão confortável quanto uma jaqueta apenas de verão, mas é algo pra se pensar.

Tenha em mente que muitos dos equipamentos de proteção para o verão protegem menos que os convencionais, justamente por usarem tecidos mais leves. Comprar algo muito barato nesse caso pode sair caro.

Capriche no desodorante e lembre que o lenço umidecido é seu amigo

Andar de moto, especialmente em uma moto pesada no trânsito intenso, não deixa de ser uma atividade física. Minha dica é simples: capriche no desodorante, dando preferência para aqueles indicados para atividades esportivas. Outra coisa que ajuda bastante é levar um pacote de lenços umedecidos com você. Assim, se você chegar suado no trabalho, um banho de lenço umedecido debaixo do sovaco e nas partes baixas pode fazer maravilhas pelo seu dia.

Essa foi uma dica que eu aprendi com alguns amigos ciclistas que fazem questão de ir de bike para o trabalho, mesmo em dias de calor intenso.

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No calor extremo, use mais roupa e não menos

Eu sei, agora eu dei um nó na cabeça de vocês. E confesso que eu realmente tenho dificuldade em colocar essa ideia em prática. Mas esse é o mesmo princípio que faz com que os beduínos do deserto usem roupa da cabeça aos pés.

Quando a temperatura do ar é maior que a temperatura da sua pele (em torno de 34ºC), você vai perder muito suor como vento e vai ter muito mais dificuldade em manter a temperatura do seu corpo baixa. É por isso que, mesmo apenas de camiseta e com a moto andando, o suor gruda na sua roupa e você não consegue se refrescar.

Nessas situações, alguns pilotos de aventura recomendam que você utilize uma camiseta de manga comprida no estilo dri-FIT (sim, é com I e não Y). Ela permite que a pele respire, mas fica úmida o suficiente para que você tenha sempre uma reserva de suor perto da pele, dando tempo para que ele evapore corretamente.

Mais uma vez, uma jaqueta de verão que permite que a pele respire, mas deixa o vento pra fora, é sempre o ideal.

Pescoço frio, corpo refrescado

Em situações extremas de calor, uma boa solução é manter seu pescoço sempre frio. Se você conseguir resfriar o sangue que passa pelo seu pescoço, ele vai agir como á agua de um radiador em um motor. Pra isso basta amarrar uma bandana molhada no pescoço.

Aliás, se o calor estiver muito complicado, simplesmente molhe sua roupa e volte pra estrada. Até você chegar, vai ter secado completamente e a sensação é bem agradável.

Abra a ventilação do capacete

Um bom capacete fechado sempre vai ter entradas de ar que fazem com que o vento circule pela sua cabeça, deixando tudo mais fresquinho. Já um capacete aberto com uma viseira bubble shield, muitas vezes não possui nenhuma entrada para o ar circular pelo topo da sua cabeça, virando uma estufa. Vale a pena pensar se ele é realmente o melhor de se usar no calor senegalês que faz por aqui.

Fique hidratado

Tem muito mito sobre hidratação por aí, já que algumas campanhas de marketing fizeram a gente acreditar que é necessário se hidratar muito acima do necessário.

Mas a verdade é que desidratação é um perigo sim, a cabeça da gente não funciona direito quando ela aparece. Beba a quantidade necessária de líquidos e lembre que aquela cervejinha, além de diminuir seus reflexos, deixa você ainda mais desidratado.

De moto, beba água.

Fique atento aos sintomas

Sentiu câimbra, enjôo, dor de cabeça, está com pele pálida ou avermelhada, cansaço acima do normal, tontura ou está suando demais? Se você sentir pelo menos um desses sintomas, pode significar que você está sofrendo exaustão causada pelo calor. Encoste, vá pra sombra, beba água e descanse até ter certeza de que você está melhor.

Estacione na sombra e leve o capacete com você

Deixar a moto tostando no sol e depois sentar em um banco fritando de quente já faz você sair em desvantagem na briga contra o calor. Tem gente que chega ao extremo de deixar pele de carneiro no banco, mais um daqueles truques de cowboy. Parece estranho sentar em cima de um troço que parece um cobertor em pleno calorzão, mas acredite: funciona.

O mesmo vale pro capacete, especialmente se ele for de cor escura. Leve ele com você. Deixar o capacete pegando sol na moto só vai transforma-lo em uma pequena estufa.

E você, tem mais alguma dica? Então deixe nos comentários.

 

10.000 comentários! – Agradecimento aos leitores

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Hoje o Old Dog Cycles atingiu a quantia de 10.000 comentários publicados. E uma coisa que me deixa particularmente feliz nesse número é a qualidade desses comentários. Claro, em grandes portais você encontra centenas de milhares de comentários, mas o tipo de discussão que rola por lá me faz perder a fé na humanidade às vezes.

É por isso que eu sempre considerei o ODC quase que um oásis da internet, com leitores que postam comentários interessantes e bem escritos, mesmo quando discordam veementemente sobre o assunto. O sarrafo aqui sempre foi alto, por isso tenho gosto de ler o que é comentado na maioria esmagadora das vezes.

Através dos comentários conheci pessoas, fiz amigos (tanto reais quanto virtuais) e aprendi muita coisa. Muitos comentam com certa regularidade, por isso eu vou criando aquele sentimento de que já conheço aquelas pessoas e vou criando um grande apreço pela opinião delas.

Sempre disse que o meu trabalho deste lado do teclado só compensa pela repercussão que ele causa do seu lado aí da tela. Quero agradecer à todo mundo que comentou, compartilhou e acessou o Old Dog Cycles, um número que só cresce a cada dia.

Sem vocês esse site seria apenas uma voz perdida na rede.

Grande abraço,
Bayer

13 coisas que aprendi com meu namorado motociclista

O texto abaixo é uma colaboração da leitora Jaqueline Ribeiro.

Muitas surpresas estão à espera daquelas que sem planejar acabam se tornando namoradas de motociclistas. E nem estou falando sobre velocidade, adrenalina, perigos ou todas aquelas coisas que nossos pais usam como justificativa para nos proibir de andar de moto quando somos mais novas.

Me refiro à descoberta de um mundo que poucas namoradas têm acesso, que é um mundo de extremo companheirismo e uma segurança diferente, que somente quem vive essa experiência é capaz de sentir.

Dedico esse texto à todas àquelas que ainda não tiveram o prazer de entender a importância da palavra “garupa” na vida de um motociclista. Também aquelas que compartilham do meu sentimento pois sabem do que estou falando ;)

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1. Moto não é lugar de roupa curta
Nem pra ele, nem pra gente. Não é por questão de estética, mas sim de segurança. Por mais que esteja calor, é necessário usar roupas que protejam o corpo em caso de situações inesperadas que não dependem só da condução do motociclista. O ideal seria utilizar roupas próprias para viagens de motos, principalmente ao pegar estrada, mas, se não tiver, ao menos usar uma calça, bota e jaqueta que protejam o corpo.

2. Ele não prefere a moto
Assim como nós, ele quer ao lado dele uma pessoa parceira. E ser companheiro é estar junto do outro em tudo aquilo que o faz feliz. Tudo bem se a namorada não gosta de moto ou tem medo… Só não é justo proibí-lo de pilotar ou ficar emburrada quando ele sair sozinho. Afinal de contas, todos temos nossas paixões e queremos que o outro participe delas conosco.

3. “A felicidade se encontra nas coisas mais simples da Terra”
E não é que o Armandinho tinha razão? Em nosso caso, a gente se dá conta disso quando percebe que para viver uma boa aventura de moto não é necessário se produzir toda ou usar roupas da moda. Isto porque, aquela roupa de proteção e/ou de chuva vai fazer parte dos nossos “looks do dia” mais do que a gente imagina. O “onde” se torna mais importante do que o “como estamos vestidas”.

4. A gente acaba ganhando um “filho”
Calma, eu explico! Estou falando do capacete, que passa a ser companheiro fiel independente da ocasião. Mas a gente se acostuma com a presença dele inclusive em refeições de encontros românticos.

5. Esqueça os penteados
Simples assim. O capacete acaba com qualquer coisa bacana que a gente faz no cabelo. Mas pelo menos ficamos com um charme que é só nosso. Principalmente aos olhos dele. Hehe

6. Frescura não tem vez
Pelos motivos anteriormente citados, a gente aprende a levar uma vida mais leve e aproveitar as coisas que realmente importam. Longe do luxo e ostentação aprendemos a admirar as coisas como elas são.

wpid-wp-14198976888947. É inevitável pesquisar sobre motos
Pois é, esse assunto pauta muitas das conversas do casal e ninguém gosta de estar por fora de um assunto que agrada a pessoa que a gente ama, né?! Além disso, por muitas vezes somos companhia para assistir aquele “motovlog” que ele tanto gosta.

8. Uma moto une as pessoas
Simplesmente porque a segurança dos dois depende da harmonia que precisa rolar a cada curva. Mesmo estando brava com ele por algum motivo, a gente acaba se rendendo à sintonia que o momento pede.

9. É preciso aprender a driblar o sono
Principalmente para aquelas que, como eu, só de pegar uma estrada boa, numa velocidade constante por muito tempo, os olhos já começam a fechar… Dica: Cantar uma música ajuda, rs.

10. Capacete pode ser sinônimo de reconhecimento
Se quando o assunto é Playstation, dar o play 1 para a pessoa amada é prova de amor, no mundo das motos, sortuda é quem anda com o melhor capacete, geralmente o do namorado, que gentilmente cede pra gente como demonstração de reconhecimento e cuidado.

11. Ser garupa numa custom é para as fortes!
Já diz o velho ditado: “tudo tem seu preço”. No caso de uma custom, a beleza e estilo da moto escondem a dureza e desconforto que é ser garupa por muito tempo. De vez em quando é necessário dar uma ajeitadinha no corpo para relaxar os músculos, mas nada que um bom descanso depois não resolva! (Se pedir com jeitinho, ele faz uma pausa para esticarmos as pernas)

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12. Eles não esperam que nos tornemos pilotas de moto
Não é preciso ficar encucada achando que o namorado espera que a gente se torne motociclista e compre nossa própria moto para o rolê ficar mais interessante. É claro que seria bacana se isso acontecesse, mas, o que importa mesmo é o valor que eles dão por ter uma garupa parceira!

13. A gente descobre uma nova paixão
A menos que haja traumas ou um medo absurdo de andar de moto, a gente se apaixona pelo prazer e sensação de liberdade que um passeio de moto proporciona. O fato de vivenciar isso coladinha nele deixa tudo mais gostoso!

Sobre a autora
Jaqueline tem 24 anos, é Jornalista e, quando se deu conta, estava imersa no mundo das motos. Graças ao namorado, ela descobriu uma paixão que surgiu naturalmente, fruto das sensações que ele trouxe à vida dela.

Adeus, meu velho amigo

Hoje o Old Dog Cycles está de luto. Meu velho amigo Logan, o boxer que deu origem ao nome deste site, morreu.

Pra muitos, é só um cachorro. Pra mim era um puta companheiro, que conviveu comigo nos momentos mais importantes da minha vida.

Descanse em paz, amigão. Vou sentir muito sua falta.

Bayer

Pausa para aquele momento de cortar o coração

A foto que ilustra este post parece apenas mais um daqueles ensaios de newborn que viraram febre nos últimos anos se não fosse por um único detalhe: as luvas e o capacete que estão segurando a cabeça da pequena Aubrey, de três semanas, são do pai dela, que morreu um mês antes dela nascer.

A fotógrafa, Kim Stone, escreveu em seu Facebook:

“O pai dela amava sua moto. Ele sempre usou equipamento de proteção. Ele queria ter certeza de que estava seguro. Não podia correr nenhum risco porque um bebê estava a caminho. Mas ele nunca vai segurar sua filha. A vida dele foi levada apenas um mês antes dela nascer por alguém que ele considerava um amigo. Dizem que os anjos falam com os bebês toda vez que eles sorriem enquanto dormem. Acho que talvez seja verdade”.


Isso é algo que soa familiar aqui no blog, e foi discutido no post “Sobre a paternidade e andar de moto“, que postei na época do nascimento do meu segundo filho e que reproduzo na íntegra aí embaixo.

Sobre a paternidade e andar de moto.

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Meu segundo filho, chegando ao mundo.

O ser humano é dotado de um incrível instinto de sobrevivência. Quando estamos nus, aparentamos ser o mais frágil de todos os animais. Só que isso não passa de apenas uma ilusão, e a verdade é muito diferente. A evolução nos dotou com uma inteligência capaz de colocar nossa espécie no topo da cadeia alimentar, somos o predador mais bem sucedido da história deste planeta, e não há um canto dessa terra que não tenha sido afetado pela nossa presença.

Continue lendo Pausa para aquele momento de cortar o coração

Apenas o seguro é o suficiente para te deixar tranquilo?

Hoje apareceu um comentário em um artigo antigo, chamado “Como proteger sua moto contra roubos e furtos” que me mexeu muito comigo, mas por uma razão que o comentarista nunca iria imaginar. Naquele post, que eu reproduzo na íntegra no final deste, eu dava algumas dicas tiradas de um fórum gringo de como proteger sua moto contra roubos.

Obviamente, apesar de úteis, muitas delas são criadas se pensando em países de primeiro mundo, onde cenas como essas não são tão comuns:

Mas voltando ao assunto, o comentário que mexeu comigo foi:

É muito simples,
Faça seguro e durma tranquilo.

Mexeu demais comigo pois fiquei afastado do blog nesta semana por causa de um acidente de carro que sofri com minha esposa na Rodovia Raposo Tavares em São Paulo, felizmente sem feridos. Ela dirigia e no carro estavam eu, minha filha de três anos, meu filho de um, além do Logan, o boxer que é mascote aqui do blog.

Não preciso nem dizer que as pessoas mais importantes da minha vida estavam dentro daquele veículo. E que os segundos do acidente continuam pipocando na minha cabeça de tempos em tempos, me tirando o sono e me atrapalhando no trabalho. Imagino que o que estou passando seja uma versão bem light do que chamam de “estresse pós-traumático”.

E não que eu seja medroso. Já sofri diversos acidentes, alguns até terminando em costelas quebradas ou idas ao hospital, e nunca sequer me preocupei com isso. Mas essa foi a primeira vez que envolveu minha família, e isso muda tudo.

Não posso entrar em detalhes sobre o que aconteceu por razões jurídicas, mas posso dizer que fomos atingidos por um Jaguar em alta velocidade que havia perdido o controle. No volante, estava uma pessoa sem a menor habilidade de estar lá. E no que dependesse de mim, no mundo.

Felizmente, estamos todos bem. Não tem como agradecer o suficiente a Deus e aos engenheiros que projetaram os equipamentos de segurança do carro.

De saldo ficou a raiva, a vontade de matar um, mas acima de tudo, ficou o agradecimento por estarmos bem e pelo seguro.

Mas será que o seguro é o suficiente pra gente não ter que se preocupar com nada?

No caso do meu carro, posso dizer categoricamente: NÃO. A maioria das pessoas acha que por estar pagando o seguro vai ter direito a um carro ou moto igual ao que eles tinham, mas a coisa é um pouco mais complicada de acordo com o tempo você passa com o veículo ou as customizações que vocês faz nele.

carro da minha família tinha 5 anos e estava em perfeito estado. Não tinha chegado nos 80 mil km, estava conosco desde zero e nunca havia batido ou apresentado defeito. Eu pretendia ficar pelo menos mais um ano antes de trocá-lo (sou um frugalista, pra quem se lembra do post “Não julgue um livro pela moto” e no “Não invista em moto por favor.“) e ele certamente aguentaria muito mais tempo que isso, se necessário.

Ou seja, pelo que a tabela FIPE vai pagar, não faz sentido nenhum tentar achar um carro nas mesmas condições que o meu antigo. Por isso vou ser forçado a adiantar a troca, justamente numa época onde a situação econômica do país que parece não desenrolar nunca.

E esse é o caso de muita gente aqui. Dependendo da moto, o que foi investido em tempo, carinho e customizações, o seguro nunca vai cobrir, ele serve só para não se morrer num prejuízo completo.

A minha atual XR1200X é um exemplo. Na tabela, ela já não vale grandes coisas. Mas como ela sempre conviveu com outras motos e nunca foi a principal, ela é muito bem conservada, cuidada e levou muito tempo até ficar do jeito que gosto. É um xodó que eu faço o possível para manter, mas que se me levaram ou sofrer uma perda total, não vou conseguir outra igual. E nem vou querer.

Por isso, acho muito estranho quando alguém simplesmente não liga se a moto será roubada só porque ela tem seguro. Mesmo pra quem troca de moto todo ano, o prejuízo com troca a de documentos, pagamento de um novo seguro,  a desvalorização que você tem ao sair da autorizada, não me parece o suficiente para pensar: dane-se, tenho seguro.

Meu conselho é: sim, tenha seguro. Mas também previna-se e mantenha uma pequena reserva financeira (ou grande se você conseguir) para o caso de emergências. Isso sim é o suficiente para que eu durma um pouco mais tranquilo.

Como proteger sua moto contra furtos e roubos

ou “Os segredos de um ladrão profissional”.

Continue lendo Apenas o seguro é o suficiente para te deixar tranquilo?

Dêem suas sugestões: o Old Dog Cycles não existe sem vocês

O Old Dog Cycles está fazendo aniversário. E hoje vejo que ele se tornou um pequeno monstro de se administrar. Para algo que é feito por puro prazer, o custo de servidores, de backup e da produção de certos conteúdos, acaba sendo um limitador para certas ideias que poderiam aparecer por aqui.

É por isso que a produção de conteúdo caiu neste mês, mas por um bom motivo: estou trabalhando para produzir um novo canal do YouTube, mais interessante do que a minha tentativa original, mas antes estou investindo em um novo fluxo de trabalho que me permita produzir vídeos com uma frequência mais alta e que ainda me permita escrever. Para alguém que divide o tempo do Old Dog Cycles entre a família e um emprego que toma pelo menos 50 horas por semana (sem falar nos fins de semana), não é tarefa das mais simples e ainda não cheguei a uma conclusão.

É por isso quero resgatar um hábito dos primórdios aqui do Old Dog Cycles. Quando ele nasceu, era apenas um blog de Harleys. Com o tempo e feedback dos leitores, começou a falar de customizadas e de outros estilos. Os anos se passaram, e hoje considero ele um site sobre motociclismo e cultura em duas rodas, algo muito maior que ideia original.

Afinal, é a opinião de vocês, os comentários, assim como as críticas e elogios, que funcionam como a gasolina que move esta comunidade.

E gostaria da opinião de vocês mais uma vez:

– O que vocês esperam ver mais aqui no Old Dog Cycles?
– Que tipo de vídeo vocês gostariam de ver no canal?
– Quais são os assuntos tratados aqui que mais interessam vocês;
– Ou quais assuntos eu deixei de fora?

Toda sugestão é bem vinda.

Logan, o Dog cada vez mais Old que deu origem ao nome do site.
Logan, o Dog cada vez mais Old que deu origem ao nome do site.

Inspirador – um motociclista e sua prótese.

O Google tem uma campanha publicitária mostrando pessoas que fizeram a diferença através de conhecimentos adquiridos com pesquisas na Internet.

De toda a série, achei legal compartilhar o vídeo acima com vocês. É a história de um homem que fez a engenharia reversa em um projeto de prótese que datava do começo do século passado, para poder produzir um braço artificial resistente e de baixo custo.

O cara é um apaixonado por motos, talvez por isso eu tenha achado a cena final tão emocionante. Não tem nada de coitadismo, de algo feito pra chorar. É apenas a história de um cara que resolveu botar a mão na massa (sem trocadilhos) e resolver um problema com criatividade e habilidade.