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Motoqueiro faz o dia de um guri


(Se você tiver problema pra visualizar, veja no YouTube: https://youtu.be/wP60JGzwiBg)

Isso me lembrou quando um menino na calçada começou a fazer um gesto com as mãos pra mim. Ele ficava movendo o pulso, eu não entendia o que ele queria. A mãe disse:

– Ele adora moto, quer ouvir você acelerar o motor.

Foi só então que percebi que o menino sofria de uma deficiência grave, por isso estava tentando se expressar com dificuldade. Encostei e acelerei o motor pra ele. Nunca vou me esquecer do enorme sorriso que ele abriu e as palmas de empolgação.

A mãe me agradeceu e eu fui embora, levando um ninja cortador de cebola dentro do meu capacete…

Causos de moto

Às vezes acho que andar de moto é para-raio de louco. Por algum motivo, as conversas mais sem sentido com estranhos surgem quando estou de moto.

Que merda, mano

Paro no estacionamento ao lado de um motofretista. Ele olha pra minha moto e já diz com a maior intimidade do mundo:

– Da hora essa moto mano! Você deve pegar várias bucetas com ela.

– Não cara. – eu disse rindo – Eu sou casado.

O cara me olha de cima a baixo e diz com a expressão mais fúnebre do mundo:

– Que merda, mano.

A Dyna voadora

Paro no posto para abastecer a antiga Dyna. Rolam as perguntas de sempre: quanto custou, se ela bebe muito e qual o tamanho do motor.

– É uma mil e seiscentas. – respondo.
– Mil e seiscentas? Motor de carro. Vixxi, deve dar trezentão.

Antes que eu tenha chance de responder, o cara para de abastecer só pra dar uma espiada no velocímetro. Ele imediatamente fecha a cara pra mim e diz puto da vida:

– Mil e seiscentas nada. Marca só até 220 no velocímetro.

O Rossi da CB500

Um sujeito para do meu lado em uma CB500 bem judiada. Ele usava uma jaqueta da California Racing que já aparentava ser velha em 1982. O painel da moto dele estava solto e vibrava sem parar, prestes a cair. Ele olha pra XR1200X e diz de forma bem agressiva:

– Cê botou o kit naquela Harleyzinha.

– Não é kit, é outro modelo. – respondi com um sorriso.

– Não adianta botar kit. – ele insistiu – Quantos cavalos tem? 30?

– Original 92, mas essa aqui eu mexi e tem um pouco mais.

– Mas não adianta kit, não dá nem pra comparar com uma dessas aqui. – disse enquanto apontava pra CB 500 dele.  – Eu desapareço na sua frente.

– Tem razão.

Se eu não ia discutir sobre o kit, o que dirá sobre o desempenho ou quem pilota melhor. Nesse instante a moto dele começou a acelerar sozinha em lenta.

– Eu já tive Night Rod, vendi, não andava. VROD, VMAX, tive tudo. Mas agora parei com essas coisas. Parei com tudo.

O sinal abriu e, na hora de sair, a moto dele simplesmente apagou e não quis pegar mais. Agora foi a moto que parou com ele.

Pneu fantasma

Paro a Crypton em um sinal. Um motociclista diz com um tom altamente professoral e alarmista:

– O teu pneu tá murcho, cara. Você fica andando por aí assim e vai cair de cara no chão no primeiro buraco. Vai se esborrachar todo.

Estranhei, porque eu costumo ter uma boa sensibilidade nas motos, e logo percebo se algo está torto ou se o pneu está murcho. Olhei para o pneu traseiro enquanto dava um pulo no banco da Crypton e não vi nada de errado. Falei:

– Estranho, parece normal. Eu calibrei segunda feira.
– Aí tá seu erro, pneu se calibra todo dia. Ainda mais se for pneu com câmara.

Tentei não rir da última frase enquanto o cara ia embora. Andei mais um pouco e continuei não achando absolutamente nada errado na moto. Mas, por desencargo de consciência, parei num posto pra checar depois que o pneu esfriou. Estava normal e não tinha baixado uma libra sequer desde segunda feira.

Vai ver um duende esvaziou e encheu ele.

Lição de geografia

Encosto com minha saudosa Shadow 600 em um posto de gasolina no meio do nada, numa cidadezinha do interior de Santa Catarina. O cara olha pra placa e diz:

– Você veio de São Paulo?
– De Parati, na verdade.
– Em quantos dias?
– Saí hoje cedo de lá. – deviam ser uma 6 da tarde naquele instante, e eu já estava morto de cansaço de fazer a viagem só parando pra abastecer.
– Que motor ela tem?
– É uma seiscentas dois cilindros.

O cara arregalou o olho, de uma maneira que me surpreendeu:

– Seiscentas? Então você deve ter vindo voando. Fez em quanto tempo? Duas horas?

Geografia e matemática não foram os pontos altos dessa conversa.

Pneu de carro em moto: a seita

De tudo o que eu já postei em todos esses anos aqui no Old Dog Cycles, o único post que eu já quis apagar é o do pneu de carros em motos.

Me arrependo porque, mesmo indo contra o senso comum, eu fui contra A Seita.

Eu explico: anos atrás, li um artigo em um site gringo que dizia que quem usa pneu de carro em moto entra para uma espécie de seita: ninguém pode criticar o uso, ninguém pode questionar as desvantagens e, se você não gosta, é porque você é burro e não estudou.

Pensando bem, parece muito com os simpatizantes de um famoso partido político brasileiro

Mas a verdade é que eu já experimentei pneu de carro em moto. Todo mundo que já teve uma Shadow 600 (como eu) com certeza já foi atraído pelo lado negro da força pelo menos uma vez.

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GoldWing raspando até pedaleira com pneu de carro

A verdade é que pneu de carro em moto não é nenhum bicho de sete cabeças

Sim, eu concordo com todos vocês que adoram um pneu de fusca: realmente o pneu não vai explodir sozinho e matar você, nem deixar a moto incontrolável. A moto não vai se tornar uma cadeira elétrica e nem assassinar você durante o sono. Um monte de gente faz isso com sucesso, e tem muito artigo por aí com dicas de quem já testou.

A bem da verdade é que, muito provavelmente, você pode passar a vida inteira andando com pneu de carro na sua moto e nunca ter um problema sequer.

Então porque eu sou contra? Por causa do provavelmente.

O tabú da pilotagem

Existe um mito entre quem anda de moto custom de que elas não precisam fazer curva. De que elas são feitas pra andar na manha sempre. E que qualquer outra noção contrária é coisa de Jaspion.

Mas esse raciocínio já levou muito irmão de estrada a se acidentar, e até mesmo a perder a vida. Porque muitos parecem não entender que existe uma enorme diferença entre levar uma moto ao limite de propósito, como no caso de quem pilota esportivamente, e de precisar levar a moto ao limite por necessidade.

Na hora de desviar de um caminhão que mudou de faixa no meio de uma curva, de contornar aquele cavalo que correu na pista, de pegar óleo na pista descendo a serra ou de desviar de um pedestre que resolveu cruzar a estrada na sua frente, não vai importar se é custom, scooter ou mega esportiva: toda moto precisa ter o mínimo de capacidade de curvar e frenar no limite.

E pode acreditar, nesse momento você vai  querer cada milímetro a mais de limite no seu pneu.

Afinal, muitos parecem não perceber que moto faz curva até na reta. Se você está em uma faixa e precisa mudar abruptamente para outra, sua moto e você estão fazendo os mesmos movimentos que se faz em uma curva, mas na reta.

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clique para ampliar

Me surpreende ver tantas pessoas que não entendem esse conceito. Sim, sua moto pode ser para curtir a paisagem devagar, mas você também precisa ter a habilidade e a confiança de levar ela ao limite.

E quem anda com pneu de carro parte da premissa que “moto custom não precisa fazer curva”, de que “é bom o bastante” e muitos dizem que nem sentem a diferença.

Pra mim, é como andar o tempo todo com um pneu gasto que ficou quadrado. A mudança de direção não fica suave, a frenagem no inclinado fica comprometida e o limite do grip do pneu fica menor. Porque eu vou fazer isso de propósito com a moto?

Obviamente, muitos alegam que não e não aceitam opiniões contrárias. Se você procurar nos fóruns de Gold Wing, vai achar muita gente que tenta provar que é tão bom quanto um pneu tradicional. Como no vídeo abaixo:

Honestamente, não vejo razão para alguém precisar pilotar assim. Economia? Converse com qualquer piloto profissional e ele vai lhe dizer que a última coisa que você deve economizar é no pneu. Tem gente aqui que trocou a marca do pneu e começou a ter muito mais confiança na moto, o que dirá quando se muda completamente o tipo do pneu.

Minha Dyna, por exemplo, era uma porcaria para fazer curvas. Qualquer inclinação mais forte fazia a pedaleira raspar, e às vezes isso incluia até a tampa da primária. Mas o uso de um pneu mais moderno, com o composto mais macio nas laterais para que ela grudasse mais no asfalto, melhorou em muito a segurança dela.

Se você faz parte dos adeptos, parabéns. Realmente acho louvável quem gosta de experimentar. Mas o que eu acho errado é ficar cego quanto as desvantagens e tentar convencer todo mundo que é seguro.

Por isso, sempre que me perguntarem se eu recomendo pneu de carro em moto, eu vou continuar dizendo não. Eu nunca ia conseguir dormir à noite se soubesse que minha opinião sobre um determinado assunto levou um de vocês ao hospital ou ao cemitério, por menor que fosse a chance.

E se as postagens no blog subitamente pararem, é porque A Seita me achou e deu um fim em mim.

O que você carrega consigo? Versão 2016

Já faz tempo que não posto nada na série “O que você carrega na moto?“, então vou fazer um breve update:

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Da esquerda para a direita e de cima para baixo:

  1. Caderno tipo Moleskine e caneta (gosto de tecnologia, mas ainda acho que nada supera anotar uma idéia ou pensamento com sua própria letra)
  2. Pente dobrável (a melhor solução pro dilema de estar minimamente apresentável no trabalho vs. capacete)
  3. Chaves
  4. Carteira
  5. Luva deerskin (mais sobre elas no post “Motoqueiros e Cowboys“)
  6. Lanterna tática (já usei até como farol da moto no improviso)
  7. Canivete Victorinox, o popular Suíço (prefiro sair sem o celular do que sem ele)
  8. Controle de portão Highlander/Nokia (sério, ele é praticamente imortal, sobreviveu a tudo)
  9. Celular
  10. Bear Grylls Paracord Fixed Blade
  11. Spray de Gengibre

Ok, esses dois últimos itens merecem uma nota à parte.

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Não vou falar que ando sempre com eles, porque estaria mentindo. Geralmente estão comigo quando saio com meu cachorro para fazer uma trilha, quando saio de madrugada ou quando saio a pé com as crianças, entre outras situações.

O spray de gengibre é auto-explicativo, comprei para minha esposa ter na bolsa e acabei levando um pra mim também. Em um país onde o cidadão de bem não consegue ter uma arma de fogo, e onde itens de defesa pessoal como o spray de pimenta são proibidos, é bom saber que existem brechas na lei que permitem o uso de coisas como o spray de gengibre. Olha ele em ação aí:

Já a faca é da marca Gerber, a mesma de um dos meus canivetes favoritos. É da linha Bear Grylls, mas como não ligo para o sujeito, retirei todos os logos e menções dele. Ela é full tang e o grip nada mais é do que um pedaço de paracord trançado, bem útil em várias situações. A corda original vinha em laranja, mas troquei por essa versão preta e ainda aumentei em uns bons dois palmos o comprimento dela usando um trançado mais cuidadoso.

Ela é excelente para quem gosta de sobrevivencialismo e bushcraft. Consegue quebrar o vidro de um carro com o cabo, é resistente a ponto de cortar um pequeno tronco com marteladas no dorso,  pode ser colocada na ponta de uma madeira para ser usada como lança ou machadinha e a corda é bem útil, já que suporta até 100kg. A bainha é muito bem feita e pode ser presa no cinto em diversas posições diferentes. Eu prefiro usar a bainha na horizontal, presa nas costas.

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Comprei na Amazon não faz muito tempo. Ela e o Buck Hunter 110 são as minhas facas favoritas.

E pra quem ainda tem dúvida que é permitido andar com pequenas facas e canivetes por aí, recomendo a leitura deste artigo aqui do defesa.org sobre o tema, e a leitura deste post aqui.

E você? O que carrega consigo na moto?

Presente do Marcio Vital – BHRiders

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Recebi hoje um pacote vindo do Marcio Vital, do excelente projeto BH Riders. Além de ter ficado feliz com a camiseta, o boné e os adesivos, ele ainda se deu ao trabalho de mandar uma carta escrita a mão. Pouca gente sabe, mas isso é um negócio que eu valorizo e considero uma arte perdida.

Pra quem não conhece, vale seguir o projeto:
Blog: http://bhriders.com.br
Facebook: facebook.com/belohorizonteriders
Instagram: @bhriders

Tem belas fotos, belas motos e belos rolés.

Muito obrigado, Marcio! Quando estiver em Minas, vou passar aí para tomarmos uma breja.

Tudo que você precisa saber pra afiar seu canivete

Desde a série de posts “O que você carrega consigo“, que teve seu ápice com este emocionante relato de um leitor portador do HIV, ficou claro que muitos dos leitores aqui andam com um canivete no dia-a-dia, algo que eu considero de extrema utilidade como já mencionei diversas vezes no blog.

E para esses leitores, quero indicar o vídeo abaixo. Ele é praticamente uma aula com tudo o que você precisa saber para manter o fio, saber qual é a hora certa e a melhor maneira de afiar sua faca ou canivete. É longo, mas cada tópico está indicado nos segundos iniciais, então você pode pular direto pra parte que mais interessa:

Bom proveito!

Nunca é tarde para se fazer o que tem vontade! Mad Dog e sua tattoo

Eu acho até sacanagem chamar o meu grande Amauri, também conhecido por Mad Dog, de alguém na “terceira idade”. Além de um puta restaurador de móveis (confira no blog Restaurações Dom Moleiro o belíssimo trabalho que ele faz), ele é um sujeito muito de bem com a vida, que tem um baita pique e uma atitude que anda em falta em muitas pessoas da minha geração (e olha que somos filhos da geração dele).

Essa semana rolou uma reportagem no R7 sobre um evento com tatuagens de graça para pessoas na terceira idade, iniciativa de uma agência de publicidade. E o Amauri tava lá, fazendo a dele.

Vale a pena assistir a reportagem e aproveitar para conhecer esse grande sujeito.

Depois não esqueça de dar um pulo no blog Restaurações Dom Moleiro.

Ground control to Major Tom

Hoje faleceu o mito David Bowie. E de todas as homenagens feitas nos sites, blogs e redes sociais, eu gostaria de compartilhar um trecho do filme “A vida secreta de Walter Mitty”, onde a música Space Oddity é o que impulsiona o protagonista a aceitar o chamado da aventura.

Eu sou um grande fã desse filme. Ele têm um belo roteiro e uma fotografia de dar inveja. E a essa altura você deve estar se perguntando porque cacete eu estou falando dessa música e desse filme em um blog de motos, certo?

Simples. É muito comum encontrar pessoas aqui no Old Dog Cycles, ou em conversas de bares e afins, que dizem o quanto elas gostariam de andar de moto, ou do sonho de fazer uma grande viagem em duas rodas. E esse filme fala justamente sobre sonhos deixados para trás em nome da responsabilidade, mostrando do custo que isso tem na vida de uma pessoa.

Acho o desfecho dele extremamente gratificante, sem lições de moral, sem grandes elucubrações. Às vezes não fazemos as coisas simplesmente porque é o caminho que a vida nos leva, e só.

Recomendo. Nem todo mundo vai gostar, mas vale ver com atenção e se deixar envolver.

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PS: Se você gosta de fotografia, vale prestar atenção na composição das cenas e nas referências sobre o tema que ele usa. É uma aula.

Faixa da esquerda

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Não que eu seja um apressado, mas eu fico impressionado com a quantidade de veículos na esquerda andando bem abaixo do limite de velocidade.

E fico ainda mais impressionado de ver a placa desses carros. Por alguma ironia do destino, tá cheio de placa começando com FUI em carro de gente que não vai…

Biblioteca básica: os primeiros passos pra aprender a mexer na sua moto

Sempre recebo emails perguntando quais sites acessar para aprender a mexer na moto. Em inglês existem alguns bons para os iniciantes, como o insuspeito Motorcycle Repair Course e o canal do YouTube Delboy’s Garage. Ambos são amadores, por isso são bem interessantes para quem não quer virar profissional no assunto.

Por outro lado, ainda não inventaram substituto melhor que uma boa biblioteca. Nos tempos de internet todo mundo parece querer achar tudo em um único clique mas, na minha humilde opinião, ainda não existem substitutos para um bom livro que se aprofunde em um determinado assunto. Se você tem intimidade com o inglês, a Haynes tem um dos melhores acervos de livros técnicos, que cobrem desde o básico até o avançado.

Um livro deles que eu sou muito fã é o Motorcycle Workshop Practice Manual:

Ele parte do básico e é o curso mais completo de como usar as ferramentas corretamente, solucionar problemas que vão de parafusos quebrados a consertos mais elaborados, saber que equipamento usar para determinado trabalho, montar uma estação de trabalho e assim por diante. Aprendi muita coisa com ele, e acho uma pena nunca terem feito uma edição em português.

Outro que eu sou fã é o The Essential Guide to Motorcycle Maintenance. Ele é mais “genérico” e fala do funcionamento das motos em geral, suas diferenças, que ferramentas escolher e várias outras coisas que são muito úteis de saber. É o melhor ponto de partida pra quem quer começar, com o da Haynes aí em cima logo em segundo lugar.

Mas a ferramenta mais importante para mexer na sua moto é o manual de serviço dela (não confundir com o manual do proprietário, são duas coisas completamente diferentes). Ele detalha tudo o que você precisa saber para fazer a manutenção, com vistas explodidas, além de tabelas com valores de torque de cada parafuso dela (para que você não espane nenhum na hora de apertar).

Felizmente, quando o assunto é manual de serviço, sempre vai ter uma versão em português, já que os mecânicos das autorizadas precisam dele para trabalharem. O problema é conseguir um. Nos EUA, você compra pela Amazon ou na própria autorizada da sua moto, mas aqui é política de algumas marcas mantê-los fechados a sete chaves, com medo de perderem clientes.

Existem vários tipos de manual de serviço. O mais comum, é o do próprio fabricante, como o da Harley Davidson aí da foto. Volta e meia alguém “distribui” em algum fórum diversos manuais para download.

Infelizmente, os manuais de serviço do fabricante são apenas técnicos. São desenhos com vistas explodidas, tabelas, part numbers e algumas informações e cuidados que se deve tomar ao fazer determinado serviço. Mas isso, muitas vezes, não é o suficiente para o mecânico novato, já que eles não ensinam o que fazer. Pra isso, você precisa ter aprendido as lições dois dois primeiros livros que eu citei aí em cima.

Outra opção são os manuais de serviço elaborados por terceiros. Neles você encontra dicas, fotos e macetes que não estão no manual do fabricante, tornando mais fácil a execução de diversas tarefas. Entre os mais famosos estão os da Clymer, cujo catálogo abrange os mais variados tipos de motos de diversos fabricantes. A Haynes também tem sua linha, mas os da Clymer são os mais conhecidos.

Outra fonte de informação interessante, mas específica para HDs, são os vídeos do Fix My Hog. Tenho os da Softail e Dyna e eles são de grande ajuda. Para mim, é muito mais fácil aprender observando outras pessoas fazendo o serviço. Obviamente, você não vai aprender a desmontar um motor com ele, mas aprenderá a fazer a revisão completa da sua moto, entre outras coisas. E o mais legal é que você nem precisa comprar os DVDs, os caras tem um serviço de assinatura pelo site que dá acesso a todos os vídeos.

 

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Para deixar claro, eu não sou, nem de longe, um mecânico experiente. Mas gosto de fuçar e aprender.  Sempre insisto nesse assunto aqui no Old Dog Cycles porque acredito que a gente adquire uma ligação diferente com nossas motos ao mexer nelas, além de aumentar nossa segurança caso surja um imprevisto.

Sem ao menos o conhecimento básico da moto, a experiência do motociclismo não parece completa.

(A foto que ilustra o post é do autor Matthew B. Crawford, autor do excelente Shop Class as Soulcraft: An Inquiry into the Value of Work, um livro que eu ainda pretendo fazer uma resenha aqui, e que fala dos prazeres e da importância de se meter a mão na massa. Recomendo.)

Como irritar as motociclistas com apenas um anúncio

A cada ano que passa, mais e mais mulheres começam a andar em duas rodas. Muitas começam com pequenas motos urbanas como as scooters, mas o número de motos de maior CCs entre elas não para de crescer. Um bom exemplo da presença feminina no meio é o projeto The Women’s Motorcycle Exhibition, que fez grande sucesso.

É por isso que, nos últimos anos, começaram a surgir uma série de produtos específicos para as mulheres, como a linha Vika da Alpinestars, com uma pegada mais fashion.

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Sabendo da enorme presença das mulheres no meio motociclístico, talvez não seja uma boa ideia para uma marca fazer um anúncio como esse aí embaixo. Ele é sobre uma nova calça com proteção de Kevlar nos joelhos, e mostra uma mulher ajoelhada com a tal calça de frente para um cara com o título: “Você nunca sabe quando vai precisar”.

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Por mais que a tentativa tenha sido o humor, vamos combinar que é de mal gosto, não acham?

Full Throttle será relançado no PS4

Na onda dos reboots e remakes, saiu esses dias a notícia de que o clássico jogo de computador, Full Throttle, será remasterizado para o Playstation 4 e Vita.

Para quem não conhece, o jogo foi um clássico da LucasArt na década de 90. A história se passava em 2040, num futuro distópico que envolvia gangues em motos flutuantes, algo que eu espero imensamente que a tecnologia consiga criar enquanto eu ainda estiver vivo (me contento com um hoverboard também).

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Seremos extintos?

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O Tite fez um artigo muito interessante intitulado “Seremos extintos?”, que fala um pouco sobre o desinteresse dos mais jovens pelos veículos motorizados.

Curiosamente, isso é algo que posso comprovar na prática olhando para certas pesquisas publicitárias, especialmente as que tratam dos jovens conhecidos por Milenials. Esse fenômeno começa a aparecer aqui no Old Dog Cycles também, já que as pessoas que me procuram para falar ou tirar  dúvidas sobre moto são cada vez mais velhas, com muitos novatos em duas rodas na faixa dos 30/40 anos de idade.

No começo deste ano fiquei besta ao visitar Nova York e ver a quantidade de skates elétricos zigue-zagueando pelo trânsito de lá. A cidade sempre teve um grave problema  de trânsito, estacionamento e um certo histórico de uso de veículos alternativos, como a bicicleta. Manter um carro por lá é bem complicado, e muitos optam por usar apenas o metrô.

Mas graças ao seu asfalto impécavel, e um limite de velocidade em torno de 40 a 50km/h por toda a cidade, muita gente optou por esses skates elétricos como alternativa nos últimos tempos. Abaixo, você pode ver um famoso vlogger de NY falando um pouco sobre eles aos 6:41:

Vale a pena ver como o cara se desloca pela cidade com facilidade com um desses.

É claro que o Brasil e suas capitais estão há anos luz disso, por aqui é difícil andar até com um trail, o que dirá com um desses. Mas se você considerar que a gasolina, os impostos e os seguros estão cada vez mais caros, enquanto que os salários continuam basicamente a mesma coisa de sempre, dá pra entender porque os mais jovens estão sendo cada vez mais frugalistas quando o assunto são veículos motorizados.

E marcas como a Harley, que já estão apanhando atualmente para conseguir a atenção dos mais jovens, vão sofrer em dobro com isso. Além de precisarem convencer os mais jovens que seus produtos são cool, aparentemente elas também vão ter que convence-los que andar de moto é cool.

Quanto a mim, vou continuar com a minha filosofia: Old is cool.