Mad Max

Eu sou fã de Mad Max. Ele é um ícone dos anos 80 e influenciou uma dezena de cineastas e pessoas da minha geração. Quando eu era mais novo, eu queria andar naquele mundo fudido, com uma doze, um V8 e meu cachorro do lado.

Mas com o lançamento da versão remasterizado em BluRay, e assistindo com os olhos de um adulto, algo surge à tona: Mad Max é, na verdade, um filme trash que não faz o menor sentido.

Pode me mandar tomar no cu, mas é verdade. Cenas inteiras desaparecem, os diálogos são de doer e a trilha sonora lembra a dos desenhos do Pernalonga: ela toca em um ritmo independente do que está acontecendo na tela.

Claro que, quando boa parte do roteiro não é filmada por que acabou o orçamento, a lógica do enredo fica um tanto comprometida. Mas convenhamos, um filme que se passa em mundo apocalíptico, onde a gasolina vale ouro, mas as pessoas passam o dia correndo com motores V8 beberrões, não poderia fazer muito sentido mesmo.

Por causa do sotaque australiano dos atores, o filme original foi dublado para exibição mundial. A sincronia é triste, lembra aqueles filmes antigos de kung fu. A versão em BluRay e DVD foram “re-dubladas” e também trazem o áudio original da versão australiana. Nesse caso não espere som digital 5.1, o filme original é mono e quase não dá pra entender um cacete daquele sotaque do outback autraliano.

O filme revelou Mel Gibson, que fez o teste para esse papel logo após ter se metido em uma briga de bar. Vendo aquele cara com um olho roxo e cheio de cortes na cara, o diretor George Miller não teve dúvidas e o escalou na hora. Claro que isso foi muito antes do Mel Gibson virar amigo do papa e dizer que um bando de negões vai estuprar a mulher dele.

Mesmo assim, Mad Max vale a pena. Vale a pena por ser um filme que dificilmente seria filmado nos dias de hoje: as insinuações homossexuais, a estética punk, o politicamente incorreto e a violência explícita não são coisas muito bem toleradas neste mundo politicamente correto e chato pra cacete de hoje.

Long Way Round

Depois de Easy Rider, essa é uma das coisas que mais me deu vontade de dar uma bica em tudo e sair por aí de moto. É um documentário de alguns anos atrás mostrando Ewan McGregor e seu amigo Charley Boorman indo de Londres até Nova York, pelo caminho mais longo, dando a volta ao mundo.

Se inveja matasse, eu não teria chegado nem na primeira linha deste texto. Qualquer pessoa que goste de viagens ou motos vai gostar desse programa. Saindo de Londres, eles passam pela Ucrânia, Rússia, Cazaquistão, Mongólia (a parte mais surreal da viagem), Sibéria, um breve voo até o Alasca, de onde seguiram cruzando os EUA até Nova York. E graças a fama do Ewan, recebendo motos de presente, patrocínio, equipamento e o caralho.

São 30.395km e 4 meses de viagem.

As motos, duas BMW 1150GS lotadas de bagagem, resistiram até o final da viagem apesar das quedas, quebras, soldas e até um engavetamento. Aliás, são os imprevistos fazem com que você não queira desgrudar da tela. É o que o Ted Simon falava no Jupiters Travels: são os imprevistos que fazem a jornada. Qualquer motoqueiro que se preza, sabe do que ele está falando.

Na Ucrânia, eles foram convidados para um jantar onde o anfitrião apareceu com um violão em uma mão e um rifle Kalashnikov na outra (nesse jantar, Ewan deu uma palhinha no violão e ninguém se empolgou. Mais tarde, ele comentou: “Gostar do outro cara é fácil! Ele tinha a porra de uma metralhadora!”)

Na Rússia, eles seguiram por uma estrada conhecida como “Estrada dos Ossos”, que ganhou esse nome pois foi construída por detentos condenados à morte e que morriam e eram enterrados lá durante a construção. Hoje, a estrada é apenas uma trilha no meio do mato cheia de ursos. Por muito pouco, Ewan e Charley quase não conseguem cruzar esse trecho.

Quem tiver uma conexão boa, recomendo baixar os 3,1GB. Fica ainda mais engraçado quando você assiste imaginando que é o Obi Wan andando de moto por aí.

David Mann

O Bob Kincey publicou um texto muito bom sobre David Mann, o mestre das pinturas do estilo de vida biker. Um trecho:

As pinturas de Mann retratavam cenas comuns do estilo de vida biker dos anos 60 e 70, tendo as belíssimas “outlaw Harleys”, bobbers e choppers como atrizes principais. Os cenários eram sempre surreais com céus distorcidos e muita cor e o realismo e, principalmente, o humor das cenas vinham das suas próprias experiências de vida. Acima de tudo, as telas de Mann celebravam o espírito de liberdade, com belas estradas, cabelos ao vento e personificações de espíritos da natureza, sem falar na camaradagem e valentia dos homens e, obviamente, da beleza quase sempre nua de lindas mulheres.

O texto completo você lê aqui:

http://bobhd.blogspot.com/2009/06/o-mestre-david-mann.html

Motos em quartos de hotel

O Church of Choppers está com uma sequência de posts genial: motos em quartos de hotel/motel.

Fiquei com uma puta inveja das fotos. Sempre viajei sozinho e ficava me cagando de largar a moto em uns hotéis sinistros na beira da estrada. Nesses lugares você tem que deixar a moto em algum terreno ao lado, geralmente perto de algum galinheiro ou de um opalão semi-desmontado.

Por isso eu sempre quis colocar a motoca pra dentro do quarto, mas nunca consegui. Até porque a arquitetura dos hotéis daqui geralmente não permite isso, já que os motéis gringos sempre possuem quartos térreos. Se alguém conseguiu fazer isso por aqui, me manda a foto que eu posto.

Church of Choppers: Bikes in Hotel Rooms

MP3 pra estrada

Clutch / Eletric Worry
Songwriters: Fallon, Neil; Gaster, Jean-paul; Maines, Dan; Mcdowell, Fred; Schauer, Mick; Sult, Tim

Well you made me weep / And you made me moan
When you caused me to leave child / My happy home
But someday baby / You ain’t worry my life anymore

I get satisfaction / Everywhere I go
Where I lay my head / That’s where I call home
Whether barren pines / Or the mission stair
Take tomorrow’s collar / And give ‘em back the glare

Bang, bang, bang, bang!
Vamonos, vamonos

You told everybody / In the neighborhood
What a dirty mistreater / That I was no good
But someday baby / You ain’t worry my life anymore

Doctor or lawyer / I’ll never be
Life of a drifter / The only life for me
You can have your riches / All the gold you saved
Ain’t room for one thing / In everybody’s grave

Bang, bang, bang, bang!
Vamonos, vamonos

If I had money / Like Henry Ford
Lord I’d have me a woman yeah
On every road / But someday baby
You ain’t worry my life anymore

Invocation of the dummies / Requiem for a head
Cash in at the corner / Piles of street cred
I get satisfaction / Everywhere I go
One day baby / You’ll worry me no more