E o ano que vem, como vai ser?

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O jornalista Geral “Tite” Simões escreveu artigo muito mais técnico e informativo do que o meu ensaio no post “Escrevendo sobre motos em tempos de crise“, que trata justamente da perspectiva do mercado de motos para o ano que vem:

Leia: O que esperar de 2017? @Motite

Dois pontos que me chamaram bastante a atenção no artigo: o primeiro é que o mercado de motos estagnou de tamanho, são 4 milhões de unidades comercializadas ao ano, entre novas e usadas, por dez anos consecutivos.

O segundo é o quanto o mercado de motocicletas novas encolheu depois daquela febre de dar crédito e se fazer carnê em um diversas parcelas. Hoje, desses 4 milhões, 30% são de motos novas, enquanto que 70% respondem pelo mercado de usadas cada vez mais aquecido (em 2012 essa divisão era 50/50).

Se você olhar nos classificados, é fácil ver como o preço das usadas muitas vezes cai para um patamar mais justo em pouco tempo. Some isso ao fato de que nos modelos mais “luxuosos” é fácil encontrar motos com baixíssima quilometragem, então não é preciso ser um especialista para entender onde as novas patinam.

No auge das vendas, muita gente tratou os consumidores como descartáveis, no famoso sistema “se você não quer, tem quem queira”. Marcas com modelos que possuíam fila de espera só pioravam isso, passando todo o poder para a mão dos revendedores que não se esforçavam em fazer um bom pós venda.

Hoje, muitos deles ainda não aprenderam a lição, enquanto outros estão bem espertos. Eu só espero que, assim que o mercado e a nossa economia finalmente melhorarem, os consumidores estejam mais exigentes e não caiam nessa.

Porque de moto cara e de país no enrosco, a gente já teve a nossa cota para uma vida inteira.

A história de um resgate canino

Não preciso nem dizer que o Logan, meu boxer que inspirou este blog, deixou um baita buraco em casa quando ele foi embora (quem viu a minha despedida neste post aqui sabe do que eu estou falando).

Por isso eu gostaria de contar a história de um resgate de uma frágil vira-lata, que eu sei que muitos de vocês vão gostar.

Há exatos 2 meses, o meu amigo Ale Zanetti e sua esposa encontraram uma filhotinha de vira lata abandonada dentro de uma caixa. Ela havia sido largada para morrer, passando ao menos dois dias debaixo de uma forte tempestade que assolou São Paulo, enquanto sofria a ação dos elementos, passando frio e fome sozinha na rua.

Para um filhote que não estava nem em idade para desmamar, isso deixou a vida dela por um fio.  Foi levada imediatamente para o Hospital Veterinário Granja Viana, em Carapicuíba, onde se constatou que ela estava com uma pneumonia grave, sarna sarcóptica e suspeita de cinomose.

Essa era ela nos primeiros dias de internação:

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Por mais de uma semana ela passou sob os cuidados do Ale e de sua esposa, que a visitavam todos os dias. O pessoal da clínica basicamente a adotou e fizeram de tudo para salva-la.

Ela foi se recuperando lentamente, muito frágil e sempre correndo alguns riscos. A pneumonia se recusava a ir embora, mas ao menos a cinomose foi descartada.

Mesmo depois de ter alta ela ainda teria que ter uma série de cuidados, como ser manipulada com luvas cirúrgicas (a sarna sarcóptica é transmitida para humanos e o caso dela era bem grave), tomar antibióticos religiosamente e ser monitorada de perto.

Ou seja: um grande esforço para salvar a vida dela, que poderia ter sido facilmente evitado se um babaca não a tivesse largada à sua própria sorte.

E porque eu estou contando tudo isso? Em primeiro lugar, para tentar conscientizar as pessoas que abandonar um cachorro não é legal. Muitos pensam que eles se viram bem sozinho nas ruas, mas isso é um mito, como o relato aí em cima comprova.

Mas principalmente para mostrar que nem sempre o mal vence nesse mundo tão difícil onde vivemos. Afinal, mesmo com isso tudo contra a pequena vira-lata, essa é uma foto dela depois muito cuidado e carinho, no dia que completou dois meses de vida:

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Parece outro cachorro, não? Dos parcos 2,1kg ao sair do hospital, ela pulou para 8kg e aparenta que vai se tornar um cão relativamente grande. Está extremamente saudável, correndo e brincando como se nada tivesse acontecido. Não dá pra estimar a origem, mas parece ser a cruza de um vira lata com algum parente próximo do PitBull.

E como eu sei de tudo isso? Porque felizmente a Mel, como ela foi chamada pela minha filhinha, é a nova mascote aqui do Old Dog Cycles e se recuperou na minha casa.

Esse é ela nos primeiros dias, ainda com muita sarna, investigando seu novo território:

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E também fazendo novos amigos, enquanto ainda tinha que ficar isolada:

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Sem falar na valente CUB comprando ração, na tentativa de fazer uma surpresa pra minha família e deixar tudo pronto sem precisar pegar o carro da esposa:

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Em breve a Mel vai completar seu calendário de vacinações, que teve que ser adiado por causa da baixíssima imunidade, e vai poder passear feliz por aí. Se algum dia você se encontrar com a gente, lembre-se do tanto que essa pequena precisou sofrer só porque alguém decidiu que não queria mais um filhote.

Se isso não servir de lição para os babacas que fazem isso, que pelo menos sirva de inspiração para quem gosta de cães.

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Só tenho a agradecer

Eu já tinha falado como eu aprecio os leitores aqui do Old Dog Cycles no post “10.000 comentários!“, mas eu quero fazer isso mais uma vez.

Li com atenção todos os comentários que vocês deixaram no post “Escrevendo sobre motos em tempos de crise” e vocês abriram meus olhos. Fico feliz de saber que vocês se sentem assim e isso deu uma nova perspectiva. Nunca tinha pensado que falar sobre o assunto podia ser motivador, mesmo para quem deixou a sua de lado.

Se não postei esses dias foi apenas uma grande coincidência. Estou terminando de me recuperar de uma bela infecção que me derrubou, ainda tenho alguns bons dias pela frente de molho.

Grande abraço,
Bayer

Escrevendo sobre motos em tempos de crise

Foto que ilustra o post: Marcio Vital do BHRiders.

Este foi o ano mais difícil para se escrever aqui no Old Dog Cycles. Em parte por causa da enorme encolhida que o mercado de motos sofreu aqui no Brasil, consequentemente diminuindo o número de matérias e opiniões a serem escritas sobre novos modelos, lançamentos e tendências.

Mas eu estaria mentindo se dissesse que foi apenas por causa disso. A verdade é que eu ando me sentindo culpado.

Eu não preciso recapitular o caos que estamos vivendo atualmente, tanto na política quanto na economia. Para alguns, é algo que começou agora, mas para outros é um movimento que se anunciava já alguns anos. Mas não importa no que você acredita, todos estamos passando por esse tsunami que começou como uma marola.

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Este ano eu vi muitos amigos perderem o emprego. O local onde eu trabalho cortou 1/3 do pessoal e você fica olhando e pensando quando você será o próximo. Minha esposa saiu de uma função que ela exercia há mais de 12 anos, junto com 20% dos seus colegas.

A atual situação fez com que alguns conhecidos optassem por vender a moto, especialmente aqueles que a utilizavam apenas para o lazer. Outros estão se apegando aos seus modelos mais antigos, mesmo já sentindo a necessidade ou vontade de troca-los. E muitos simplesmente desistiram de entrar para este mundo, deixando o sonho de comprar a primeira moto para depois.

Eu mesmo coloquei a Harley de canto, aproveitando o baixíssimo custo de se manter a Yamaha Crypton. Não é uma moto que eu tenha carinho ou apreço, mas ela me leva de A até B gastando quase nada e com muita agilidade. Por isso eu me vejo pegando a pequena CUB para sair de casa praticamente 99% das vezes. Não é uma pilotagem que me dá prazer, mas resolve meu dia.

É claro que algumas pessoas passam ilesas por esse tipo de coisa, mas elas são uma minoria de sorte, que possuem independência financeira ou estão em setores que se beneficiam com esse tipo de crise.

Não julgue um livro pela moto

Mas quando eu paro para pensar nas pessoas deixando suas motos em suas garagens e se preocupando em garantir o seu próprio sustento ou de sua família, eu sinto um enorme bloqueio de escritor. Por mais que eu goste de motos, tenho achado difícil falar delas vendo tanta gente boa apanhando para ganhar a vida por aí. Me sinto fútil.

Eu sei que as coisas estão melhores do que elas eram na minha infância. Me lembro de ter que ir com minha família fazer as compras para podermos encher vários carrinhos de uma vez. Se não fizéssemos isso, no dia seguinte o salário lá de casa estaria valendo muito menos por causa da superinflação. Me lembro dos remarcadores nas lojas aumentando o preço dos produtos várias vezes ao dia e de termos que cortar os zeros do dinheiro de tempos em tempos. Lembro de gente que vendia um carro pra comprar um telefone para conseguir abrir um pequeno negócio. Lembro dos índices de analfabetismo serem anunciados no Jornal Nacional tão corriqueiramente como hoje anunciamos a cotação do dólar.

Só que isso não me conforta, porque a gente poderia estar infinitamente melhor hoje em dia. Nós brasileiros já passamos por diversas crises, mas 2015 e 2016 parecem ter atrelado uma crise financeira e política com uma crise moral. Talvez sejam as redes sociais, talvez seja o efeito colateral de anos e anos de certas imposições culturais, mas a verdade é que estamos vivendo uma enorme polarização de opiniões onde eu vejo muito pouco resultado benéfico e prático saindo delas.

Dentro desse contexto, escrever sobre motos me trava. Eu gostaria de ter força e alcance para aproveitar esse momento e incentivar as pessoas a ficarem felizes com o que elas possuem. Gostaria de ter imaginação suficiente para ajudar as pessoas a criarem um movimento como o dos Hot Rods e Cafe Racers, onde jovens sem dinheiro usavam sua criatividade para construírem seus carros e motos dos sonhos. Gostaria de ter mais tempo para pegar minha câmera e sair por aí fotografando e escrevendo sobre exemplos de pessoas que fizeram isso por aí.

Enfim, gostaria de ajudar a trazer a inspiração que eu acho que todo mundo anda precisando. Sim, motos são itens secundários quando se trata das prioridades da vida, mas são ao mesmo tempo o canal por onde muita gente se realiza e se encontra. Minha grande vontade para sair desse bloqueio é achar uma forma de transforma-las em algo inspirador e ao alcance de todos nesse momento.

Por isso, se você estava esperando uma grande conclusão ou epifania para este texto, sinto desapontá-lo. Eu não sei como trazer essa inspiração ou começar um novo movimento.

Mas a minha grande esperança é que, talvez, você saiba.

Indian Chief Springfield chega ao Brasil

Este ano anda bem fraco. Muita gente esperneou e não via a hora de 2015 acabar, mas quando 2016 se mostrou ser, na verdade, um 2015s, a galera surtou ainda mais.

Crédito anda em baixa, desemprego em alta, situação política parece um seriado de TV, polarização entre esquerda e direita, cães e gatos vivendo juntos, enfim, um caos.

Honestamente, achei que não ia ter muito o que postar até o final do ano com essa retração absurda no mercado de motos. Mas aí veio a Indian e bateu com o seu ZAP na testa. (Um zap bem caro, mas um ZAP).

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Não é segredo nenhum que a Indian está comendo pelas beiradas no mercado de motos de luxo aqui no Brasil, chegando ao ponto de começar a incomodar marcas estabelecidas. E isso deve aumentar com a chegada da Indian Chief Springfield, com um preço menor que a importada pois será produzida aqui no Brasil em regime CKD (Completely Knock-Down), aquele sistema onde a moto vem completamente desmontada e é montada em Manaus pra ganhar incentivos fiscais por ter gerado alguns empregos.

O nome da moto vem da cidade natal da Indian, Springfied no estado de Massachussets, o berço da primeira indústria de motos fabricada em série nos EUA.

O motor é o mesmo Thunder Stroke V-2 de 1.811 cm³ da Chieftain, Roadmaster, Chief Classic e Chief Vintage com câmbio de seis marchas.

Segundo a marca a Springfield possui chassi em alumínio forjado, sistema de acelerador fly by wire, cruise control e transmissão final por correia. A moto vem com ABS e dois discos ventilados e flutuantes de 300 mm na dianteira, e um disco único na traseira. Os flexíveis são do tipo “aeroquip”, reforçados com malha de aço, evitando aquela sensação de freio borrachudo das motos com cabos longos.

Claro que a notícia ruim ficou pro final: o preço. A versão Thunder Black sairá por R$91.990 enquanto que a Steel Gray & Burgundy Metallic custará R$94.990.

Fazendo a conversão, isso equivale a 28 mil dólares para a versão mais cara. Para efeito de comparação, o mesmo modelo sai por 22 mil dólares lá fora, o que equivale a 74 mil reais na cotação de hoje.

Uma moto interessante para muitos, mas para o bolso de poucos.

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Todas as fotos divulgação Indian Motorcycle.

Cuidado com os caminhões

via GIPHY

O cara desse gif nasceu de novo.

Roda aberta é um perigo, sempre tome cuidado ao ultrapassar um caminhão.

Lembre-se que , Por mais seguro que pareça, muitos caminhões carregam cordas que podem enroscar em você. Além disso, o vento deslocado por um deles pode te jogar na direção de outro caminhão. Já teve gente que perdeu a vida porque encostou o em uma roda dessas e foi “sugado”.

Na teoria, são os veículos grandes que precisam cuidar dos pequenos. Na prática, é melhor lembrar sempre que somos o elo mais fraco e ficar longe do perigo.

Se vocês duvidam de mim, e tiverem estômago pra isso, digitem “acidente roda caminhão moto” no Google com o SafeSearch em off.

Boas estradas!

A Harley é uma moto simples de se mexer?

A foto aí de cima Harley sendo consertada, no meio da rua, por uma oficina simples, com poucas ferramentas. Para alguns isso causa surpresa, mas para muitos isso é natural.

Antigamente as Harleys eram construídas tendo em mente que muitos proprietários gostavam de meter a mão na massa, por isso a simplicidade mecânica e a confiabilidade eram, de certa forma, uma parte importante do marketing. Enquanto as japonesas eram eficientes, mas vistas como descartáveis, as Harleys podiam ser praticamente reconstruídas e nunca pararem de rodar.

É daí que vinha aquela máxima: “Algumas motos ficam velhas, outras viram clássicos”.

Mas isso ficou no passado graças às mudanças eletrônicas dos modelos dos últimos anos. ABS, refrigeração líquida e sensores modernos são uma especialidade muito além da habilidade da maioria dos mecânicos de fim de semana.

Os projetistas da Harley fazem um grande esforço de design para fazer com que as motos pareçam simples, apesar de serem cada vez mais complexas em seu funcionamento. Fico até espantado de ver alguns proprietários falando de boca cheia que a Harley é feita do mesmo jeito que no começo do século. Sinto te desapontar, mas aquele visual de “old school” é só marketing. Já se foi o tempo que esse aqui era o mantra da Harley-Davidson:

Hoje em dia, para a Harley-Davidson, é muito mais importante parecer uma moto clássica do que ser uma moto clássica. Se você olhar o chicote de uma moto recente, por exemplo, vai perceber que ele é muito mais complexo do que o de muito carro por aí.

Se isso é bom ou ruim, depende do gosto de cada um. As Harleys são como são hoje porque a maioria do público quer motos assim. Se você faz parte da galera que prefere uma moto simples, que você mesmo possa manter, sempre irão haver modelos mais antigos na seção de usadas dos classificados. Infelizmente não vai ser um passatempo barato, já que o custo de se importar peças para se manter essas motos está cada vez mais alto.

E para você que faz parte do segundo time, mas não sabe por onde começar, tem um artigo que pode ajudar:

Biblioteca básica: os primeiros passos pra aprender a mexer na sua moto

Boa leitura!

Uma customização do jeito que a Harley Deveria ter feito

Apesar de gostar da XR1200, minha maior crítica sobre o modelo é o quanto que ele destoou do restante da linha da Harley-Davidson. Seria muito bom ter outras opções de design, talvez inspirada na extinta Sportster XLCR1000 ou nas cafe racers britânicas, ao invés de usar como base a XR750, um modelo com uma legião de fãs leal, mas pequena.

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Se a ideia era criar uma esportiva refrigerada a ar, eles deveriam ter fugido um pouco das linhas mais modernas. Os modelos clássicos combinam mais com a proposta e com o público alvo, que geralmente procuram algo com um visual mais vintage. Um bom exemplo disso é a Ducati com a extinta linha SportClassic e a Triumph com sua Thruxton 1200R.

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Sportster XLCR
Ducati SportClassic
Ducati SportClassic

Mas ontem, no programa matinal “Pra Você”, apareceu uma XR que está sendo customizada aqui no Brasil que tem tudo para se tornar um belíssimo exemplar, muito parecida com a The American da Deus.

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Você pode conferir alguns detalhes dessa moto no programa matinal  vendo a reportagem completa neste link: http://tv.uol/15KwK

Outras inspirações pra linha XR, você confere aqui.

Dicas de pilotagem para as Harleys Touring

Quem já pilotou uma moto Touring da Harley-Davidson já deve ter percebido que elas possuem algumas peculiaridades na hora de manobrar ou passar no corredor.

Por isso, o Wolfmann deu ótimas dicas no seu blog baseado na sua experiência com a CVO:

http://wolfmann-hd.blogspot.com.br/2016/10/dicas-que-experiencia-ensina.html

Aproveitando a deixa também quero sugerir dois artigos aqui do Old Dog Cycles, especialmente úteis para quem pilota motos grandes: um que fala sobre a importância de olhar para onde se quer ir (talvez a dica mais importante que eu já recebi) e outro com algumas dicas para manobrar em baixa velocidade.

Outros artigos sobre pilotagem, úteis para todo mundo:

Aula 1: A importância do olhar
Uma das lições mais importantes, mas que pouca gente valoriza.

Aula 2: Equilíbrio em baixa velocidade
Para correr, primeiro você precisa saber andar devagar. Com motos, é a mesma coisa.

Aula 3: O contra-esterço
Uma dica simples que pode mudar o jeito que você faz curvas.

Curiosidade: o que são chicken stripes?
Apenas uma explicação sobre esse assunto que surge em rodas de conversa, de “jaspions” a “malvadões”.

Mitos do Motociclismo: eu tive que deitar ela
Será que realmente é necessário sofrer um acidente voluntário, jogando a moto no chão, pra escapar de uma colisão?

Boas estradas!

Eu sou contra moto elétrica?

O Camilo fez um questionamento nos comentários que vale um adendo. No post “Uma europa sem motos em um futuro não tão distante”, eu disse que as motos iam acabar, quando na verdade são apenas as motos movidas por motores de combustão interna que vão acabar, as elétricas vão sempre continuar existindo.

Então é aí que eu lanço a polêmica: pra mim, moto elétrica não é moto.

Eu gosto delas? Bastante. Motor elétrico tem um torque absurdo partindo praticamente do zero. O planeta tá precisando de uma ajuda? Tá, e muito.

Tudo isso é válido. Mas. Elas. Não. São. Motos.

Brincadeiras à parte, pra mim é muito difícil abandonar as motos como elas são hoje. Os veículos elétricos, por mais que melhorem a cada ano, não combinam com o mototurismo de aventura. Não combinam com Iron Butt. Com atravessar um rio. Com andar com uma garrafa de combustível presa no banco do garupa porque você sabe que vai cruzar o meio do nada.

Eu reconheço que, como alternativa urbana, veículos elétricos são sensacionais. Mas ainda falta muito chão até uma moto elétrica poder passar o perrengue e ter a mesma autonomia e facilidade de abastecimento de uma moto à combustão. Olhando para o horizonte, ainda não temos nada que justifique elas sumirem em 2030. Por mais que alguns acreditem que Elon Musk seja o mais novo messias da humanidade.

Afinal, o maior calcanhar de Aquiles delas continua sendo a recarga. Ou ela é lenta para justificar o custo, ou ela é rápida mas uma gasta uma energia absurda. A cada ano que passa, vemos as baterias ficando mais eficientes. Mas até agora, não vi nenhum avanço significativo no tempo de recarga que se justifique ecologicamente.

(Um breve resumo bem tosco: quanto mais rápida a carga, mais se exige da rede elétrica, ao ponto de ficar inviável.)

Eu sempre achei que os carros entrariam em extinção, mas as motos, justamente por consumirem menos combustível e ocuparem menos espaço, iam ser parte do futuro com seu lugar garantido. A gasolina ia continuar existindo, nós apenas seríamos absurdamente menos dependentes dela. Nunca imaginei que a baixa das motos à combustão poderia chegar tão cedo.

Continuo sendo fã da Zero e espero que a LiveWire dê certo. Mas uma coisa é ter as motos elétricas como opção, outra bem diferente é elas serem a única opção.

Espero que alguém invente uma planta mutante cuja a seiva se torne uma gasolina que não poluí e ainda deixa o ar mais limpo. Os cientistas já me frustraram com a porcaria do Hoverboard,  vamos ver se as motos à combustão se salvam.

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