Eu sou contra moto elétrica?

O Camilo fez um questionamento nos comentários que vale um adendo. No post “Uma europa sem motos em um futuro não tão distante”, eu disse que as motos iam acabar, quando na verdade são apenas as motos movidas por motores de combustão interna que vão acabar, as elétricas vão sempre continuar existindo.

Então é aí que eu lanço a polêmica: pra mim, moto elétrica não é moto.

Eu gosto delas? Bastante. Motor elétrico tem um torque absurdo partindo praticamente do zero. O planeta tá precisando de uma ajuda? Tá, e muito.

Tudo isso é válido. Mas. Elas. Não. São. Motos.

Brincadeiras à parte, pra mim é muito difícil abandonar as motos como elas são hoje. Os veículos elétricos, por mais que melhorem a cada ano, não combinam com o mototurismo de aventura. Não combinam com Iron Butt. Com atravessar um rio. Com andar com uma garrafa de combustível presa no banco do garupa porque você sabe que vai cruzar o meio do nada.

Eu reconheço que, como alternativa urbana, veículos elétricos são sensacionais. Mas ainda falta muito chão até uma moto elétrica poder passar o perrengue e ter a mesma autonomia e facilidade de abastecimento de uma moto à combustão. Olhando para o horizonte, ainda não temos nada que justifique elas sumirem em 2030. Por mais que alguns acreditem que Elon Musk seja o mais novo messias da humanidade.

Afinal, o maior calcanhar de Aquiles delas continua sendo a recarga. Ou ela é lenta para justificar o custo, ou ela é rápida mas uma gasta uma energia absurda. A cada ano que passa, vemos as baterias ficando mais eficientes. Mas até agora, não vi nenhum avanço significativo no tempo de recarga que se justifique ecologicamente.

(Um breve resumo bem tosco: quanto mais rápida a carga, mais se exige da rede elétrica, ao ponto de ficar inviável.)

Eu sempre achei que os carros entrariam em extinção, mas as motos, justamente por consumirem menos combustível e ocuparem menos espaço, iam ser parte do futuro com seu lugar garantido. A gasolina ia continuar existindo, nós apenas seríamos absurdamente menos dependentes dela. Nunca imaginei que a baixa das motos à combustão poderia chegar tão cedo.

Continuo sendo fã da Zero e espero que a LiveWire dê certo. Mas uma coisa é ter as motos elétricas como opção, outra bem diferente é elas serem a única opção.

Espero que alguém invente uma planta mutante cuja a seiva se torne uma gasolina que não poluí e ainda deixa o ar mais limpo. Os cientistas já me frustraram com a porcaria do Hoverboard,  vamos ver se as motos à combustão se salvam.

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Uma Europa sem motos em um futuro não tão distante

Um das viagens de moto que eu mais gostaria de fazer é cruzar a Europa inteira, gastando um bom tempo especialmente nos Alpes. Não sei quando isso será possível, mas pelo andar da carruagem é melhor eu ganhar na loteria, pois isso pode virar apenas um sonho no futuro. Bom, pelo menos em uma moto com um motor V2 ou boxer.

Matéria da France Press, replicada pelo Auto Esporte:

Suécia propõe que União Europeia proíba carros a gasolina em 2030. Alemanha também avalia vetar motores a combustão no país.

A União Europeia deve considerar a possibilidade de proibir a venda de veículos que utilizem gasolina ou diesel a partir de 2030, propôs no último sábado (22) a ministra sueca do Meio Ambiente, Isabella Lövin, segundo informou a France Press.

A ministra, em entrevista ao jornal Aftonbladet, comemorou uma resolução nesse sentido que foi adotada em setembro passado pelo senado alemão, ainda que sem valor obrigatório.

“É uma proposta verdadeiramente interessante (…) Para concretizá-la só podemos aplicar uma proibição desse tipo a nível de União Europeia” declarou ao jornal.

“Como ministra do Meio Ambiente a única solução que vejo é deixar de lado os veículos com combustíveis fósseis”, acrescentou.

O governo sueco, formado por uma coalizão de social-democratas e ecologistas, tem como objetivo conquistar uma matriz energética 100% renovável no país em 2040.

Ou seja, tem gente querendo colocar o último prego do caixão das motos movidas com motores de combustão interna muito antes do que imaginávamos.

Na remota hipótese dessa lei passar do jeito que está, e mesmo que ela fique confinada apenas à Europa, é bom lembrar que o mercado Europeu é um dos mais importantes do mundo, sede de muitas marcas importantes e de modelos que são criados especialmente para aquele público. Com certeza seria um baque na produção e desenvolvimento mundial de motocicletas.

Se eu acredito que vai acontecer de forma tão radical? Não sei. É como aquele velho ditado: no creo en brujas, pero que las hay.


UPDATE: Minha opinião sobre a alternativa, as motos elétricas, você confere no post “Eu sou contra as motos elétricas?”

Guia rápido de como sobreviver ao calor de moto

Hoje em dia eu sou muito mais encanado em proteger a minha pele contra o asfalto do que quando eu tinha 18 anos. Talvez seja a responsabilidade que a idade traz, mas talvez seja o fato de que meu corpo não se regenera mais da mesma forma no caso de um tombo.

Não importa o motivo, o fato é que o verão é sempre um desafio pra se andar protegido (em alguns estados é um desafio o ano inteiro). Por isso, seguem algumas dicas:

Tenha uma jaqueta/calça/luvas de verão

Eu sei que o equipamento de proteção aqui no Brasil é muito caro. Muita gente tem só uma jaqueta de couro ou cordura para andar de moto, enquanto alguns nem isso tem. Por isso, pode parecer um exagero pedir que você tenha duas, mas eu garanto que não é.

Uma jaqueta, calça ou luva de verão geralmente possuem entradas de ar e um tecido que permite que a pele respire, além das tradicionais proteções. Isso é muito importante para deixar que o suor evapore, já que sua função é servir como uma espécie de refrigeração natural da pele.

Vale a pena ficar atento pois algumas jaquetas possuem uma dupla forração, que você pode retirar e colocar transformando ela em uma jaqueta de inverno ou verão. Não é tão confortável quanto uma jaqueta apenas de verão, mas é algo pra se pensar.

Tenha em mente que muitos dos equipamentos de proteção para o verão protegem menos que os convencionais, justamente por usarem tecidos mais leves. Comprar algo muito barato nesse caso pode sair caro.

Capriche no desodorante e lembre que o lenço umidecido é seu amigo

Andar de moto, especialmente em uma moto pesada no trânsito intenso, não deixa de ser uma atividade física. Minha dica é simples: capriche no desodorante, dando preferência para aqueles indicados para atividades esportivas. Outra coisa que ajuda bastante é levar um pacote de lenços umedecidos com você. Assim, se você chegar suado no trabalho, um banho de lenço umedecido debaixo do sovaco e nas partes baixas pode fazer maravilhas pelo seu dia.

Essa foi uma dica que eu aprendi com alguns amigos ciclistas que fazem questão de ir de bike para o trabalho, mesmo em dias de calor intenso.

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No calor extremo, use mais roupa e não menos

Eu sei, agora eu dei um nó na cabeça de vocês. E confesso que eu realmente tenho dificuldade em colocar essa ideia em prática. Mas esse é o mesmo princípio que faz com que os beduínos do deserto usem roupa da cabeça aos pés.

Quando a temperatura do ar é maior que a temperatura da sua pele (em torno de 34ºC), você vai perder muito suor como vento e vai ter muito mais dificuldade em manter a temperatura do seu corpo baixa. É por isso que, mesmo apenas de camiseta e com a moto andando, o suor gruda na sua roupa e você não consegue se refrescar.

Nessas situações, alguns pilotos de aventura recomendam que você utilize uma camiseta de manga comprida no estilo dri-FIT (sim, é com I e não Y). Ela permite que a pele respire, mas fica úmida o suficiente para que você tenha sempre uma reserva de suor perto da pele, dando tempo para que ele evapore corretamente.

Mais uma vez, uma jaqueta de verão que permite que a pele respire, mas deixa o vento pra fora, é sempre o ideal.

Pescoço frio, corpo refrescado

Em situações extremas de calor, uma boa solução é manter seu pescoço sempre frio. Se você conseguir resfriar o sangue que passa pelo seu pescoço, ele vai agir como á agua de um radiador em um motor. Pra isso basta amarrar uma bandana molhada no pescoço.

Aliás, se o calor estiver muito complicado, simplesmente molhe sua roupa e volte pra estrada. Até você chegar, vai ter secado completamente e a sensação é bem agradável.

Abra a ventilação do capacete

Um bom capacete fechado sempre vai ter entradas de ar que fazem com que o vento circule pela sua cabeça, deixando tudo mais fresquinho. Já um capacete aberto com uma viseira bubble shield, muitas vezes não possui nenhuma entrada para o ar circular pelo topo da sua cabeça, virando uma estufa. Vale a pena pensar se ele é realmente o melhor de se usar no calor senegalês que faz por aqui.

Fique hidratado

Tem muito mito sobre hidratação por aí, já que algumas campanhas de marketing fizeram a gente acreditar que é necessário se hidratar muito acima do necessário.

Mas a verdade é que desidratação é um perigo sim, a cabeça da gente não funciona direito quando ela aparece. Beba a quantidade necessária de líquidos e lembre que aquela cervejinha, além de diminuir seus reflexos, deixa você ainda mais desidratado.

De moto, beba água.

Fique atento aos sintomas

Sentiu câimbra, enjôo, dor de cabeça, está com pele pálida ou avermelhada, cansaço acima do normal, tontura ou está suando demais? Se você sentir pelo menos um desses sintomas, pode significar que você está sofrendo exaustão causada pelo calor. Encoste, vá pra sombra, beba água e descanse até ter certeza de que você está melhor.

Estacione na sombra e leve o capacete com você

Deixar a moto tostando no sol e depois sentar em um banco fritando de quente já faz você sair em desvantagem na briga contra o calor. Tem gente que chega ao extremo de deixar pele de carneiro no banco, mais um daqueles truques de cowboy. Parece estranho sentar em cima de um troço que parece um cobertor em pleno calorzão, mas acredite: funciona.

O mesmo vale pro capacete, especialmente se ele for de cor escura. Leve ele com você. Deixar o capacete pegando sol na moto só vai transforma-lo em uma pequena estufa.

E você, tem mais alguma dica? Então deixe nos comentários.

 

Mais um assassino nas estradas

A partir de hoje, eu não vou considerar nenhum vídeo como esse aí em cima cima como “acidente”, já que essa palavra tem mais a ver com algo que fugiu do controle, obra do acaso.

O que vemos rotineiramente nas nossas estradas são tentativas de homicídio, que algumas vezes acabam virando assassinato. Infelizmente, é o caso do vídeo acima, onde uma van força uma ultrapassagem e acerta um casal em uma moto. Mais sobre essa notícia aqui.

Uma van, um caminhão, um SUV, não importa. No momento que alguém força uma ultrapassagem sem visão clara do que vem pela frente, a pessoa está assumindo o risco de que pode matar alguém. O mesmo vale pra quem ultrapassa sinal vermelho, dirige embriagado e por aí vai.

Não foi acidente. Foi assassinato.

Dica simples (mas útil) para quando for mexer na moto

Se você é como eu, já deve ter passado pela experiência de ver um parafuso sobrando na hora de remontar algo. Mesmo com o manual de serviço do lado, é fácil esquecer alguma coisa ou confundir certas peças.

Sim, tirar fotos com o celular também é muito útil, mas ter um template de papelão ao lado agiliza muito o trabalho. E o melhor: ele também serve para não deixar as peças se perderem, pois você pode pressiona-las ou fura-las contra o papelão para que elas fiquem presas.

Harley-Davidson Knucklehead Bobber

Alguém me mandou esse vídeo e agora eu me encontro levemente obcecado com essa bobber. É um belíssimo exemplar, customizado exatamente como sempre imaginei construir uma bobber clássica (minha antiga Dyna foi uma tentativa frustrada de fazer algo com esse visual, mas isso é assunto pra outro post). Realmente uma moto feita com muito bom gosto e, ao menos aparentemente, carinho.

Não sei absolutamente nada sobre ela, a não ser que estava à venda pela www.oldcarsimport.com. Ainda chego lá um dia…

10.000 comentários! – Agradecimento aos leitores

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Hoje o Old Dog Cycles atingiu a quantia de 10.000 comentários publicados. E uma coisa que me deixa particularmente feliz nesse número é a qualidade desses comentários. Claro, em grandes portais você encontra centenas de milhares de comentários, mas o tipo de discussão que rola por lá me faz perder a fé na humanidade às vezes.

É por isso que eu sempre considerei o ODC quase que um oásis da internet, com leitores que postam comentários interessantes e bem escritos, mesmo quando discordam veementemente sobre o assunto. O sarrafo aqui sempre foi alto, por isso tenho gosto de ler o que é comentado na maioria esmagadora das vezes.

Através dos comentários conheci pessoas, fiz amigos (tanto reais quanto virtuais) e aprendi muita coisa. Muitos comentam com certa regularidade, por isso eu vou criando aquele sentimento de que já conheço aquelas pessoas e vou criando um grande apreço pela opinião delas.

Sempre disse que o meu trabalho deste lado do teclado só compensa pela repercussão que ele causa do seu lado aí da tela. Quero agradecer à todo mundo que comentou, compartilhou e acessou o Old Dog Cycles, um número que só cresce a cada dia.

Sem vocês esse site seria apenas uma voz perdida na rede.

Grande abraço,
Bayer

E a Indian?

Olha só o relato do Wolfmann em seu blog sobre as Indians aparecendo nos pontos tradicionais de Harleyros. Vale a leitura, como sempre:

http://wolfmann-hd.blogspot.com.br/2016/09/indian-rio-incomodando.html

Aqui em São Paulo as Harleys ainda são a maioria no dia a dia. É bem raro ver uma Indian no trânsito, enquanto que as Harleys são cenas comuns. Isso se deve em parte ao gosto pela marca, mas também porque elas são uma alternativa pouco visada em uma cidade onde o roubo de moto é tão rotina que, quando você diz que anda de moto, as pessoas geralmente perguntam: “E você não tem medo de assalto?”

Estou bem curioso quanto à marca do Cacique, tenho muita simpatia pela engenharia da Polaris e sei que tem muita gente apaixonada por motos trabalhando pela marca tanto nos EUA como aqui. Isso sempre é benéfico pro nosso mercado.

(E eu ainda estou esperando aquele convide pro Test Ride, Indian. Fica a dica.)

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Motoqueiro ou motociclista?

Já faz um tempo que dei minha opinião sobre isso neste post aqui. Mas o Marcelo Alves deu sua visão nos comentários e acredito que merece virar um post. Ele escreve:

Motoqueiro ou motociclista?

Quando as primeiras motocicletas começaram a chegar ao país, logo depois da Primeira Guerra, foram chamadas de motos, motocas ou de “mototocas”.
E quem andava de motoca era mesmo motoqueiro.
É daí que vem a origem do termo.
O motoqueiro pilota sua motoca assim como o motociclista conduz sua motocicleta.
Se eles são bons ou maus, não será pela palavra moto ou motoca nem por motociclista ou motoqueiro.
Motoqueiro não se confunde com os moto-boys ou mesmo com os chamados “cachorros loucos”, sendo que esses últimos (e por isso que recebem esse nome) são os que arranham carro e quebram retrovisores.
Ainda que nem se deem conta de que podem levar um tiro pelas costas.
Tampouco motociclista pode resumir quem anda totalmente enquadrado (ou certinho) no trânsito, ainda que o “rótulo” aponte para isso.
Mas nem sempre as coisas são o que parecem.
O termo motoqueiro se presta mais adequado aos que tem sobre duas rodas um estilo de vida e não pilotam por mera diversão ou mesmo por conveniente ocasião.
Motoqueiro não faz passeios, não vai “ali dar um rolê” ou usa sua moto mais cara para subjugar o semelhante que tem uma máquna mais simples. Motoqueiro é extremamente orgulhoso da máquina que tem, mas não sabe ser esnobe.
Pode parecer irrelevante, mas não é.
As diferenças são grandes.
São imensas.
Essa é a tradição por aqui é o motoqueiro quem mais carrega toda o sentido da expressão e inequívoco significado.
Para corroborar o que digo, alguém viu os filmes “Motociclista fantasma” ou “Motociclistas selvagens”?
Então…
Prazer em conhecer. Meu nome é Marcelo, tenho 48 anos, uma Harley Davidson e sou motoqueiro.

Por Marcelo Alves.

Vamos esclarecer algumas coisas sobre os donos de Harley

A Sportster não é “moto de entrada”.

A Fat Boy não é “a verdadeira Harley.”

A Road King não é “moto de tio”.

A Dyna não é “a Big Twin de entrada”.

Esqueça o que você lê nas revistas ou ouve de quem compra moto pra se exibir na porta do bar sem ligar muito pro universo das duas rodas. Cada modelo da Harley tem uma legião de fãs que escolhem determinados modelos por preferência e não porque era aquele modelo que cabia no bolso. Aliás, está pra nascer gente mais apaixonada do que dono de Sportster, uma das motos com as customizações mais legais que se vê por aí.

Quando você troca uma Sporster por uma Fat Boy, ou uma FX por uma Road King, você não fez um upgrade. Upgrade presssupõe a troca de algo que você possuía por outra coisa melhor. Quando alguém troca de modelo, você simplesmente trocou uma Harley por outra Harley.

É aquele velho padrão que a gente já viu se repetir dezenas de vezes por aí: o cara compra uma Fat Boy, diz pra todo mundo que aquela é a única Harley de verdade. Só que, depois de um tempo, ele muda de ideia, compra uma Electra, uma Road King ou CVO e aí diz que aquela sim é Harley, o resto é “pequeno”, “motorzinho” ou algum outro adjetivo do tipo. Passa mais um tempo, ele percebe que não tem nada mais caro na linha H-D, então compra a BMW topo de linha ou alguma outra moto exótica qualquer.

Galera do Tongnhas Mob Club, só de Mobilettes. Respeitados em todos os encontros de moto, são os caras que mostram o verdadeiro espírito da coisa.

Entre o pessoal que anda de Harley, apesar da fama de esnobes por causa de pessoas assim, é bem provável que você faça muito mais sucesso se chegar com uma moto antiga, do que com um modelo último tipo com milhares de reais em cromo. Aliás, entre quem realmente gosta de andar moto, há um enorme respeito pelo cara que tem uma CG e vai até a Argentina, do que pelo cara que simplesmente gasta fortunas em customização.

Não que tenha algo errado em gastar seu dinheiro numa moto, não me entenda mal. Cada um faz o que quer, moto tem a ver com liberdade e regrinhas desse tipo não combinam. Mas o que eu estou tentando desmitificar é aquela visão de que, em um grupo de motociclistas, quem tem a melhor moto é o cara mais respeitado no pedaço. Isso, meu amigo, é uma enorme besteira e simplesmente não acontece.

Seja qual for a moto que você tem, ande muito com ela e aproveite a estrada.

E não dê ouvido pros idiotas de plantão.

—–
(Esse texto já havia sido publicado e foi atualizado em para expressar melhor a minha opinião contida nele. Afinal, eu também sou humano e vou aprendendo com o tempo e meus erros.)

Cinco mitos sobre as reduções de velocidade

Excelente artigo no Flatout. É longo, mas vale ler e refletir se a finalidade é realmente salvar vidas em nossas cidades:

Cinco mitos sobre as reduções de limites de velocidade

Aliás, eu fui muito criticado neste post aqui quando disse só o radar não adianta. Entendam, eu não sou louco, nem quero ver ninguém morrendo. Se fosse assim, não escreveria tanto sobre segurança aqui no Old Dog Cycles. Sofri recentemente um acidente com minha família, que poderia ter tido um final trágico, justamente por causa de alguém em alta velocidade.

O problema é que eu seria hipócrita de dizer que o radar mudaria algo, porque haviam dois radares a menos de 100 e 500 metros de onde eu estava, sem falar na base da polícia Rodoviária logo à frente. O principal fator foi que o cidadão estava bêbado e não tinha carta, porque era menor de idade.

Ou seja, os dois maiores erros nesse acidente (bêbado e sem carta) não são resolvidos com um radar, e sim com uma fiscalização de verdade. Quem aqui não vê gente fazendo barbaridade na estrada sem nunca sequer ser parado? Ou que leva multa, mas segue dirigindo tranquilamente com 100 pontos na carteira?

Esse trecho aqui reflete bem minha opinião:

(…)uma fiscalização concentrada em cinco ou dez infrações (uso do celular, cinto, capacete, estacionamento irregular e regulamentado, conversão proibida, rodízio, limites de velocidade e semáforo vermelho), faz com que os motoristas se preocupem apenas em não cometer estas infrações. Como resultado, temos motoristas que respeitam limites de velocidade, mas estacionam sobre ciclofaixas, fazem conversões sem sinalizar (o que é perigoso para pedestres, motociclistas e ciclistas), ultrapassam veículos parados para a travessia de pedestres entre outras infrações que podem causar graves acidentes. Já falamos sobre como essa ação do poder público banaliza as demais infrações tão perigosas quanto dirigir rápido demais neste post.

Assim, se o interesse da fiscalização é, de fato, salvar vidas, porque há um foco evidente da fiscalização manual em infrações leves?

Quero deixar bem claro que o que eu tento sempre trazer aqui para o blog é o debate, talvez para abrir os olhos de muita gente que as coisas não se resolvem apenas por decreto ou na canetada. A democracia foi fundada por pessoas que debatiam, filosofavam inteligentemente e chegavam a uma conclusão. Sinto falta disso.

O mundo é um lugar complexo, cheio de variáveis. Se uma solução parece simplista demais, é porque geralmente ela é.

Questione sempre, duvide de tudo.